LIDERANÇA CRISTÃ




                                    LIDERANÇA CRISTà   

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 “carisma”, originalmente essa palavra se refere a dons do Espírito Santo, mas aqui na lição ela é usada como sinônimo de carinho, afabilidade. Ver tópico 2.1.- “desenvolver seus talentos”, Jesus não apontava o erro dos outros diretamente como fazem alguns irmãos, mas Ele mostra pelo ensinamento, o que a pessoa tem de melhor, como no caso do fariseu e do publicano, onde Jesus ressaltou que a oração do publicano foi a melhor, Lc 18.10-14. 
  

LIDERANÇA NOS MOLDES DE CRISTO: “exemplo de liderança”, toda liderança no meio cristão deve ser imitação da que Jesus praticava com seus apóstolos. Atualmente muitos líderes buscam aprendizado secular para diversas áreas da obra de Deus, mas todo conhecimento de liderança, motivação, trabalho com casais, psicologia e etc, tem sua origem na Palavra de Deus. Livros e diversos trabalhos tem mostrado como Jesus trabalhava as questões de relacionamento, dessa forma até os ímpios tem em Jesus uma fonte de sabedoria e exemplo veja esses livros: “Jesus, o Maior Psicólogo que já Existiu - Mark W. Baker” ; “Jesus, O Maior Líder Que Já Existiu – Laurie Beth Jones” ; “Como Jesus tratava as pessoas - Morris Venden” e muitos outros livros.
 Servir aos outros: “citar por exemplo”, você pode apresentar outros exemplos como o faraó, que se apresentava como um deus, os reis de Babilônia e do império persa aceitavam adoração e não admitiam que se fizesse suplicas a qualquer outro Deus.- “até mesmo nos próprios discípulos”, o ser humano foi criado para servir e adorar o Pai, por isso todos tem essa parte da sua natureza escondida dentro de cada um. Porém após a queda do homem, a sua natureza foi corrompida e o seu coração passou a ser enganoso e os seus desejos se tornaram influenciados por Satanás que desejou estar acima de Deus.
- Essa forma de liderança que Cristo nos deixou como exemplo, é motivacional, pois quando observamos nosso líder se empenhando em algo, então nos sentimos motivados a fazer o mesmo.
Inspirar aos outros: “tem a sua base no exemplo”, essa forma de liderança que Cristo nos ensinou é motivacional, pois quando observamos nosso líder se empenhando em algo, então nos sentimos motivados a fazer o mesmo pelo exemplo do líder os liderados seguem.
- No meio militar existe a seguinte frase: “As palavras convencem e o exemplo arrasta.” Essa frase quer dizer que por mais que se fale mil palavras a alguém, essa pessoa vai somente aprender, mas quando ela ver alguém colocando em prática o que foi lhe falado, então ela se animará a fazer o mesmo.
 Crer no melhor que há nos outros: “pudesse ver qualidades em Pedro”, o segredo é olhar com os olhos bons assim como ensinou o Mestre em Mt 6.22. Pois todas as pessoas tem qualidades e defeitos, se olharmos para alguém procurando o que ela tem de errado, logo acharemos seus defeitos, Mas se olharmos para a mesma pessoa com bons olhos vendo o que ela tem de bom, então iremos encontrar suas qualidades.- “Barnabé tem o seu justo destaque”, esse servo de Deus é um grande exemplo para todos os obreiros de nossos dias, ele nunca quis ser mais do que Paulo, quando todos estavam vendo os erros de Paulo, ele viu que Paulo tinha potencial, quando todos viam a imaturidade de João Marcos, Barnabé via a sua disposição de jovem para o serviço missionário.


             LIDERANÇA E COMUNICAÇÃO PAULINA 
                          
Liderança é conduzir um grupo de pessoas a um objetivo, comandando com a aceitação dos liderados, sem imposição de lei ou regra externa, mas o liderado aceita as orientações do líder por disciplina consciente. Dessa forma Paulo comandava as igrejas conduzindo-as a Cristo, orientando-as e ensinando conforme as orientações do próprio Mestre.
            Carisma: “carisma”, originalmente essa palavra se refere a dons do Espírito Santo, mas aqui na lição ela é usada como sinônimo de carinho, afabilidade, empatia. Sugere que Paulo era carinhoso e afável com seus liderados.“diante de reis”, pela carisma de Paulo, ele falava sem ofender, com autoridade e conhecimento, dessa forma o apostolo estava habilitado a falar tranquilamente a pobres e ricos. “profundo conhecimento”, esses opositores do ministério de Paulo poderiam usar o conhecimento de oratória que tinha para pregarem mais e ganharem mais almas pro Reino de Deus. Porém eles resolveram acusar a Paulo, semelhante a muitos hoje.“procedia de opositores”, comente que a carta aos Coríntios é uma carta de argumentos de Paulo contra alguns de Corinto que o acusavam e não aceitavam a liderança, principalmente pelo fato de ele não ter andado com Jesus Cristo.
 Coragem: Aqui afirma que Paulo tinha coragem principalmente no falar, repreendeu quando foi preciso, inclusive aos apóstolos.
- “repreender Pedro em público”, essa passagem se encontra em Gálatas 2.11-14, Paulo repreende Pedro pois ele demonstrou uma hipocrisia, pois quando estava só com os gentios ele comia com eles, mas quando chegou os judeus ele se afastou dos gentios. Isso desagradou a Deus e a Paulo. “àquele que abortara a missão”, essa afirmação se refere a passagem de At 15.36-40, quando Paulo e Barnabé se separaram por contenda, pois Barnabé queria que seu sobrinho Marcos os acompanhassem, mas Paulo não admitia erros, não aceitava indecisão e não quis que Marcos fosse com eles. Convém lembrar que João Marcos se tornou um grande missionário depois e foi o autor de evangelho de Marcos.  
 Comprometimento: “homem de palavra”, relembre aos alunos que o líder é aquele que os liderados seguem e respeitam a sua palavra, ele tem crédito, porque fala com seriedade e cumpre o que fala, mas como respeitarão se o obreiro não tiver palavra, não cumprir os acordos e compromissos. Comente que muitos que estão na direção de muitas igrejas não são líderes, não tem palavra e não percebe quando a igreja vai se esvaziando, pois ninguém gosta de ser orientado por uma pessoa sem compromisso com sua própria palavra. Geralmente são os que mais cobram a fidelidade dos outros. “aborrece”, significa odiar, detestar, essa palavra é muito usada na Bíblia ex:“Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço.” Rm 7:15.“explica o porquê”, ninguém está livre de imprevistos, de forma que não possa cumprir alguns compromissos, porém veja a orientação aqui na lição, no caso é dar uma satisfação. Alguns obreiros deixam de comparecer a uma reunião de oração, e não dão nenhuma satisfação, se tornam obreiros sem comprometimento.

        LIDERANÇA QUE DESENVOLVE TALENTOS


“identificar líderes”, Paulo não era centralizador, quando ele encontrava alguém capacitado, ele o preparava e dividia a responsabilidade com esse irmão. O pastor centralizador é aquele que não distribui cargo nenhum, ele fica com a secretaria, tesouraria, EBD, Departamento de missões, etc.
     Dificuldades em achar interessados no ministério
 - “capacidade de um líder varia”, nem todos são iguais, uns estão em todos os cultos, outros não. Uns vão à vigília no sábado a noite e estão na EBD domingo de manhã, outros não conseguem. Esse princípio está expresso na Bíblia na seguinte passagem: “ E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe.” Mt 25.5. Leia e comente com suas palavras esse tópico, pois ele é importantíssimo, acrescente dizendo que naquela época para ser obreiro tinha que ser convertido de verdade, diferente dos dias atuais em que muitos obreiros ainda tem dúvida quanto ao seu chamado.

      Olhos e ouvidos abertos para identificar líderes
  
 - ilustração: Um fato real, “certo obreiro começou trabalho com uma pequena igreja em um bairro no interior do Rio de Janeiro, e no período de um ano ele não chamou ninguém para assumir a secretaria, nem a tesouraria, nem consagrou nenhum obreiro, dessa forma não podia fazer nenhuma obra de visitas, nem qualquer atividade que precisasse de apoio, e com um ano aquele igrejinha fechou, pois o irmão não tinha os olhos abertos para identificar possíveis colaboradores e futuro líderes.- Tem obreiro que centraliza tudo com medo de perder status, medo de perder o prestígio.
                     
Coração aberto para dar oportunidades: “oportunidade a homens e mulheres”, acrescente que para achar possíveis líderes, a oportunidade é uma ferramenta fundamental, pois quando alguém recebe uma oportunidade, o dirigente pode observar como é o trabalho desse irmão ou irmã, mesmo que erre no começo, mas se for dedicado então tem talento.- “João Marcos”, o texto de Atos 15.36-38 mostra que Marcos havia abandonado Paulo e Barnabé na obra, dessa forma Paulo não teve mais confiança nele, porém peça aos alunos para lerem a referência de 2 Tm 4.11, e comente que Paulo reconheceu depois o valor daquele jovem, comente que se alguém decepcionou, não quer dizer vais decepcionar sempre. Deus é quem molda os seus servos.
  

A FIDELIDADE DOS OBREIROS DO SENHOR

            A PREOCUPAÇÃO DE PAULO COM A IGREJA

Paulo, um líder comprometido com o pastorado.O versículo do texto áureo revela o coração amoroso de Paulo que, apesar deencarcerado, ansiava por notícias dos irmãos na fé. O apóstolo temia que a igreja filipense ficasse exposta aos “lobos devoradores” que se aproveitam da vulnerabilidade e da fragilidade das “ovelhas” a fim de “devorá-las” (Mt 10.16; At 20.29). Paulo se preocupava com a segurança espiritual do rebanho de Filipos e esforçava-se ao máximo para atendê-lo.2. Paulo, o mentor de novos obreiros.
O apóstolo apresenta dois obreiros especiais para auxiliar a igreja de Filipos. Primeiramente, Paulo envia Timóteo, dando testemunho de que ele era um obreiro qualificado para ouvir e atender às necessidades espirituais da igreja. Em seguida, o apóstolo valoriza um obreiro da própria igreja filipense, Epafrodito. Este gozava de total confiança de Paulo, pois preservava a pureza do Evangelho recebido. O apóstolo Paulo ainda destaca a integridade desses dois servos de Deus contra a avareza dos falsos obreiros (v.21). Estes são líderes que não zelam pela causa de Cristo, mas se dedicam apenas aos seus próprios interesses.
 Paulo, um líder que amava a igreja:Ao longo de toda a Carta aos Filipenses, percebemos que a relação do apóstolo Paulo para com esta igreja era estabelecida em amor. Não era uma relação comercial, pois o apóstolo não tratava a igreja como um negócio. Ele não era um gerente e muito menos um patrão. A melhor figura a que Paulo pode ser comparado em seu comportamento em relação à igreja é a de um pai que ama os seus filhos gerados na fé de Cristo. Todas as palavras do apóstolo — admoestações, exortações e deprecações — demonstram um profundo amor para com a igreja de Filipos. Precisamos de obreiros que amem a Igreja do Senhor. Esta é constituída por pessoas necessitadas, carentes, mas, sobretudo, desejosas de serem amadas pelos representantes da igreja (2Tm 2.1-26).
               O ENVIO DE TIMÓTEO À FILIPOS (2.19-24)
.                            1. Paulo dá testemunho por Timóteo.
O envio de Timóteo à Filipos tinha a finalidade de fortalecer a liderança local e, consequentemente, todo o Corpo de Cristo. Além de enviar notícias suas à igreja, Paulo também esperava consolar o seu coração com boas informações acerca daquela comunidade de fé. Assim, como Timóteo era uma pessoa de sua inteira confiança, considerado pelo apóstolo como um filho (1Tm 1.2), tratava-se da pessoa indicada para ir a Filipos, pois sua palavra à igreja seria íntegra, leal e no temor de Deus. Paulo estava seguro de que o jovem Timóteo teria a mesma atitude que ele, ou seja, além de ensinar amorosa e abnegadamente, pregaria o evangelho com total comprometimento a Cristo (v.20).
2. O modelo paulino de liderança.Timóteo, Epafrodito e Tito foram obreiros sob a liderança de Paulo. Eles aprenderam que o exercício do santo ministério é delineado pela dedicação, humildade, disposição e amor pela obra de Deus. Qualquer obreiro que queira honrar ao Senhor e sua Igreja precisa levar em conta os sofrimentos enfrentados pelo Corpo de Cristo na esperança de ser galardoado por Deus. Nessa perspectiva, o principal ensino de Paulo aos seus liderados era que o líder é o servidor da Igreja. O apóstolo aprendera com Jesus que o líder cristão deve servir à Igreja e jamais servir-se dela (Mt 20.28).
 As qualidades de Timóteo (2.20-22)Timóteo aprendeu muito com Paulo em relação à finalidade da liderança. Ele se solidarizou com o apóstolo e dispôs-se a cuidar dos interesses dos filipenses como um autêntico líder. Paulo declarou aos filipenses que Timóteo, além de “um caráter aprovado”, estava devidamente preparado para exercer a liderança, pois tinha uma disposição de “servir” ao Senhor e à igreja. Todo líder cristão precisa desenvolver uma empatia com a igreja, tornando-se um marco referencial para toda a comunidade de fé (1Tm 4.6-16).
         EPAFRODITO, UM OBREIRO DEDICADO (2.25-30).



1. Epafrodito, um mensageiro de confiança.Epafrodito era grego, um obreiro local exemplar e de caráter ilibado. O apóstolo Paulo o elogia como um grande “cooperador e companheiro nos combates”. Sua tarefa inicial era a de ajudar o apóstolo enquanto ele estivesse preso, animando-o e fortalecendo-o com boas notícias dos crentes filipenses. Epafrodito também fora encarregado de levar a Paulo uma ajuda financeira da parte da igreja de Filipos, objetivando custear as despesas da prisão domiciliar do apóstolo.
2. Epafrodito, um verdadeiro missionário.Epafrodito não levou apenas boas notícias para o apóstolo, mas também propagou o Evangelho nas adjacências da cidade de Filipos. Em outras palavras, Epafrodito era um autêntico missionário. À semelhança de Silvano e Timóteo (1Ts 1.1-7), bem como Barnabé, Tito, Áquila e Priscila, ele entendia que, se o alvo era pregar o Evangelho, até mesmo os sofrimentos por causa do nome de Jesus faziam parte de seu galardão. 


Paulo envia Epafrodito.Filipenses 2.20 relata o desejo de Paulo em mandar alguém para cuidar dos assuntos da igreja em Filipos. O pensamento inicial era enviar Timóteo, pois Epafrodito adoecera vindo quase a falecer. Deus, porém, teve misericórdia desse obreiro e o curou (v.27), dando ao apóstolo a oportunidade de enviá-lo à igreja em Filipos (v.28). Epafrodito possuía condições morais e emocionais para tratar dos problemas daquela igreja. Por isso, o apóstolo pede aos filipenses que o recebam em Cristo, honrando-o como obreiro fiel (vv.29,30). Que os obreiros cuidem da Igreja de Cristo com amor e zelo, e que os membros do Corpo do Senhor reconheçam a maturidade, a fidelidade e a responsabilidade dos obreiros que Deus dá à Igreja (Hb 13.17).



 PAULO SE IDENTIFICA COMO SERVIDOR DE CRISTO (6.1,2)

 Paulo se descreve como cooperador de Deus no ministério da reconciliação (v.1). A organização dos capítulos da Bíblia (não somente das epístolas paulinas) muitas vezes não obedece à estrutura lógica dos versículos. Os dois primeiros versículos do capítulo 6 são um complemento do capítulo cinco. Quando Paulo usa o plural e "nós, cooperando também com ele", refere-se ao Senhor Jesus que realizou a obra expiatória, pois o Pai o fez pecado por nós (5.21), a fim de pagar a dívida da humanidade, reconciliando-nos com o Criador.
Ao tornar conhecida a obra da redenção, Paulo afirma que estamos cooperando com Jesus Cristo. Deus não depende de ninguém para fazer o que precisa ser feito, mas Ele deseja uma relação de comunhão e serviço em conjunto com o homem, para que este tenha o privilégio de participar do ministério da reconciliação.
 Paulo, um modelo de líder-servidor. Paulo aprendeu com Jesus que o serviço é a postura ideal para quem deseja liderar, pois o Mestre mesmo disse que não tinha vindo ao mundo para ser servido, mas para servir (Mt 20.26-28). O apóstolo dedicou, pois, sua vida e personificou sua liderança como um líder-servidor. Ele procurou imitar o Mestre em tudo, servindo apenas aos interesses da Igreja de Cristo (2 Co 12.15; Fp 2.17; 1 Ts 2.8).
 Paulo desperta os coríntios para a chegada do tempo aceitável (v.2). O versículo dois é uma citação de Isaías 49.8. Neste vaticínio do profeta messiânico, surge o Servo do Senhor (que é o Cristo profetizado), com a promessa de ajuda no dia em que a salvação for manifestada aos gentios. Paulo usa a profecia para anunciar que o tempo aceitável (favorável) é agora, o dia da salvação é hoje, e a proclamação do Evangelho que pregava está no presente. O tempo aceitável por Deus e pelos homens é agora, e todos podem participar livremente da reconciliação oferecida em Cristo. A parte final do versículo dois evidencia a preocupação paulina com os coríntios em relação à graça de Deus. A graça salvadora é para "agora", porque este é o momento oportuno de sua aceitação.

                 A ABNEGAÇÃO DE UM LÍDER-SERVIDOR (6.3-10)

 O cuidado de um líder-servidor. Paulo volta a descrever as agruras do seu ministério apostólico, a fim de fortalecer o fato de que o líder na Igreja de Cristo precisa estar pronto para enfrentar as dificuldades inerentes ao ministério. O apóstolo afirma essa verdade, com as seguintes palavras: "não dando nós escândalo em coisa alguma" (v.3). Em outras palavras, ele estava dizendo que evitava dar qualquer "mau testemunho", para que o seu ministério em particular e o de seus companheiros não fossem desacreditados.
 Experiências de um líder-servidor (vv.4-6). Nos versículos 4 a 6, Paulo descreve seu ministério apostólico apresentando uma série de seis tribulações e aflições experimentadas por ele. Didaticamente, ele separa esses acontecimentos em três conjuntos, contendo três "experiências" cada. Nos versículos 4 e 5, ele menciona: "aflições, necessidades e angústias" e "açoites, prisões e tumultos". O primeiro e segundo conjuntos descrevem as várias situações de sofrimento, que causaram danos físicos e materiais ao apóstolo Paulo. Ainda no versículo cinco, ele menciona "trabalhos, vigílias e jejuns", referindo-se às dificuldades enfrentadas em seu ministério. Porém, apesar de tudo isso, Paulo não se envergonha do Evangelho de Cristo nem desiste de continuar seu trabalho.
. Os elementos da graça que o sustentaram nestas experiências (vv.7-10). Em contraposição às seis dificuldades mencionadas acima, no versículo seis, Paulo apresenta outros seis "elementos" que lhe deram força interior, resultantes da graça, e que o sustentaram, bem como a seus companheiros, naquelas tribulações: "pureza, ciência (conhecimento), longanimidade, benignidade, a presença do Espírito Santo e o amor não fingido (verdadeiro)".
A pureza, que é o primeiro elemento, tem a ver com a atitude de um coração íntegro e mãos limpas para realizar a obra de Deus. Ao citar ciência, Paulo referia-se ao conhecimento da Palavra de Deus. Longanimidade fala da capacidade de suportar injúrias e desprezos, sem nutrir ressentimentos. A benignidade, traduzida às vezes por bondade, possibilita o líder cristão a não agir com revanche ou desforra. Fazer algo no Espírito Santo significa reconhecer a sua direção em todas as decisões da nossa vida. Por último, Paulo fala do amor, que deve este ser a nossa maior motivação para o exercício ministerial. Todos esses elementos positivos têm sua fonte no Espírito Santo (v.6), o qual produz o amor não fingido.

  AS ARMAS DE ATAQUE E DEFESA DE UM LÍDER-SERVIDOR

 As armas da justiça numa guerra espiritual (v.7). Quando usa a metáfora de armas, a mente de Paulo parece transferir-se para um campo de batalha. Como embaixador de Cristo, sente-se também como um soldado preparado para a luta. Suas armas não são materiais ou exteriores; são espirituais (Ef 6.11-17; 1 Ts 5.8). Sua força interior é o "poder de Deus" que o capacita a enfrentar as adversidades sem se render ou transigir em sua integridade moral e espiritual.
 Os contrastes da vida cristã na experiência de um líder-servidor (vv.8-10). Nos versículos 8 a 10, o texto mostra alguns paradoxos da experiência de Paulo como servo do Senhor. O Comentário Bíblico Pentecostal da CPAD afirma que Paulo "experimentou louvor e vergonha; foi elogiado e caluniado, visto como um genuíno servo de Deus e como uma fraude enganosa; foi tratado como uma celebridade e também ignorado" (p.1099). Ora, em todas essas ocasiões, Paulo superou as dificuldades e circunstâncias sem perder de vista a perspectiva divina. Essas experiências deram-lhe condições de ter alegria frente à tristeza e, pela pobreza material, ter a certeza da inefável riqueza celestial.
 Paulo dá uma resposta aos adeptos da Teologia da Prosperidade (v.10). "Como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo e possuindo tudo". Paulo fala literalmente de pobreza material. Não há nada metafórico nessa frase. Ele fortalece o conceito de que a possessão material não é símbolo de riqueza espiritual. Por isso, a riqueza que Paulo podia oferecer era proveniente do Evangelho de Cristo. Dessa forma, o apóstolo demonstra que a pobreza terrena não significa nada, e que ninguém precisa tornar-se pobre para obter riquezas espirituais. A questão aqui é: Qual a  nossa prioridade - Deus ou o dinheiro? Pois ninguém pode servir a dois senhores (Mt 6.24).    Se quisermos servir ao Senhor com inteireza de coração, precisamos seguir os passos de Jesus que foi, é e sempre será o modelo perfeito de líder-servidor. Ele viveu para fazer a vontade do Pai e servir a todos (Mc 10.45).
"Agora é o Dia da Salvação 6.1,2. Como cooperadores de Deus, que pertencem a Ele, como também trabalham para Ele, e como embaixadores de Cristo (2 Co 5.20), Paulo e sua equipe exortavam os coríntios a não receber a graça de Deus sem resultado algum. Os coríntios tinham recebido a graça de Deus, inclusive a salvação por Cristo, mas eles não deviam supor que a salvação é mantida automaticamente. É possível 'deixá-la ir por nada' (2 Co 6.1, NEB). Isto aconteceria se eles voltassem à antiga maneira de viver ou se dessem ouvidos aos críticos 'superespirituais' ou aos falsos apóstolos que estavam ensinando um evangelho diferente (cf. 2 Co 11.4; Gl 2.21). Precisamos viver de acordo com a nova vida que nos foi dada (cf. Jo 15.2; Deus tira os ramos que não dão frutos). A seguir, Paulo cita Isaías 49.8 e o aplica aos coríntios. Eles estavam vivendo nos dias em que a profecia estava sendo cumprida.  É o dia de Deus, o tempo de Deus. Paulo não diminui a importância da era futura ou as últimas coisas. Mas eles têm de reconhecer que esta é a era final antes da era milenar. Agora é o dia em que Deus torna possível a reconciliação a Ele por Cristo. Hoje é o dia da salvação (cf. Hb 3.12-15). À medida que nos aproximamos do fim dos tempos também temos de aplicar as observações de Paulo à nossa época, de forma que não recebamos a graça de Deus 'em vão' [...]. Nada seria mais triste que ter recebido a graça de Deus e, no fim, se perder. (HORTON, Stanley M. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e Suas Soluções. 1.ed. RJ, CPAD, 2003, pp.213-14).





Ministério dinâmico (Parte 1)

Como o obreiro do Senhor pode melhorar o seu desempenho

Nesta série de artigos sobre o tema "Ministério dinâmico", citarei 13 atitudes que o obreiro do Senhor Jesus deve ter para dinamizar o seu ministério. Neste primeiro artigo, tratarei de cinco atitudes.

Antes de tudo, é importante destacar que a Bíblia afirma a necessidade de o obreiro dinamizar o seu ministério. Paulo, por exemplo, em Filipenses 3.13,14, escreve:  “E avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo”. E em Romanos 11.13, ele diz: “...enquanto for apóstolo dos gentios, glorificarei o meu ministério”. Ou seja, o obreiro deve avançar no seu ministério e procurar "glorificá-lo".

Em 1 Coríntios 12.31, Paulo disse: “...e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente”. Aqui, depois de falar sobre os dons espirituais, ele estava apresentado o amor como "um caminho ainda mais excelente". Mas, o que quero destacar nessa passagem é que o apóstolo estimula seus leitores a buscarem "um caminho ainda mais excelente". Em Jeremias 3.15, o profeta fala de "pastores (...) que vos apascentem com ciência e com inteligência". E 1 Cônicas 19.10 diz: “...fez escolha dentre os mais escolhidos de Israel”. Deus deseja que seus servos sirvam com ciência, inteligência e sejam selecionados entre os melhores ("os mais escolhidos").

Mas, como o obreiro do Senhor pode melhorar o seu desempenho?

Ele deve melhorar a si mesmo como pessoa; melhorar o seu preparo; melhorar o seu desempenho, como exemplo para o rebanho (1Pe 5.3). Vamos, portanto, as atitudes que o ajudarão nesse sentido.

1) O Obreiro deve ler muito - Todo obreiro deve ler muito. Ler sempre, e acima de tudo, a Bíblia. Mas também ler livros comuns, dicionários, comentários, manuais, atlas, gramáticas, devocionais, jornais, revistas etc. Paulo disse a Timóteo: "Persiste em ler" (1Tm 4.13).

O primeiro livro do Novo Testamento inicia com a palavra “livro” (Mt 1.1). E em 2 Timóteo 4.13, Paulo no final de seu ministério, no seu último livro, nos momentos finais de sua vida, falou sobre a importãncia da leitura para ele: "Quaqndo vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, eos livros, principalmente os pergaminhos".

2) O Obreiro deve cursar formalmente, e continuar com um bom autodidata - Fazer cursos bíblicos e também cursos seculares. Em Êxodo 5.1, observamos Moisés comparecendo perante Faraó, rei do Egito, o país mais desenvolvido daquela época, e ele era um homem preparado (At 7.22).

Em Atos 17.15ss, vemos Paulo em Atenas, o maior centro cultural daquela época. Paulo era um homem preparado.

Apolo, em Atos 18.24,25, é descrito como “eloqüente, poderoso nas Escrituras, e ensinava”.

3) O Obreiro deve fazer sempre sua autocrítica - O obreiro pode fazer isso de várias maneiras.

4) O Obreiro deve contactar e conviver com pessoas espirituais e cultas - Pessoas espirituais e cultas em cultura bíblica, e também secular; cultura polivalente. Geralmente, tais pessoas são simples na sua maneira de ser. Também o obreiro deve frequentar ambientes culturalmente seletos. Em Colossenses 4.7-18, podemos observar aqui os obreiros auxiliares que cooperavam, acompanhavam e assistiam o apóstolo Paulo nos seus trabalhos e nas suas viagens:

- Tíquico, vv 7,8.

- Onésimo, v.9.

- Aristarco, v.10.

- Marcos, o sobrinho de Barnabé, v.10

- Jesus, chamado Justo, v.11

- Epafras, v.12.

- Lucas, o médico amado, v.14.

- Ninfa, v.13 (no original, o nome Ninfa está no caso acusativo de declinação gramatical (Nymphan); daí não se saber se trata de nome masculino (Nymphas) ou o nome feminino (Nympha) (É o mesmo caso de Romanos 16.7, onde lemos “Júnia”. No original, está no caso acusativo: "Ioyniam").

5) O Obreiro deve cuidar bem da sua aparência e postura pessoal - Fazer sempre autoavaliação de sua postura e aparência pessoal, a saber:

- Higiene pessoal: saúde, banho, unhas, cabelo, barba, dentes, hálito, narinas, olhos, óculos, odores do corpo (axilas, pés, sudorese, estomatite), lenços, etc.

- Alimentação.

- Roupa que combine bem (inclusive terno de peças distintas).

- Atos 20.28, e 1 Timóteo 4.16 orienta o leitor: “Tende cuidado de ti mesmo”.

Ministério dinâmico (Parte 2)

O obreiro, a observação, o estudo, a crítica, o treinamento, a humildade, a oração e a unção divina

Continuando o nosso estudo, vejamos agora as oito características para termos um ministério dinâmico que ficaram faltando:
 
6) O Obreiro deve ser um bom observador e também um observador bom

O obreiro deve estar sempre atento para não perder as boas lições da escola da vida. Confira 1 Coríntios 7.21 (“aproveita a ocasião”). Em Atos 17.16,23, observamos Paulo em Atenas. Enquanto ele aguardava a chegada de Silas e Timóteo, não perdeu a oportunidade.

7) 
O Obreiro deve sempre estudar a Palavra de Deus

Estudar a Bíblia, e não apenas lê-la. A igreja está enchendo-se de obreiros de todas as categorias (e também de não-obreiros) que estudam e conhecem a Teologia, sem contudo estudarem a Bíblia. Em Mateus 22.29, o escritor registrou as seguintes palavras de Jesus: “Errais não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus”.

8) 
O Obreiro deve aceitar a crítica construtiva

Devemos aceitar tal crítica de quem sabe e pode fazê-la. Para alguém (inclusive eu e você) fazer crítica construtiva, significa que:

- O crítico deve apontar com amor, humildade e sinceridade os méritos da pessoa criticada (Confira a forma como o vidente de Deus Jeú dirige-se ao rei Josafá, em 2 Crônicas 19.3,4). Apontar méritos sem amor, humildade e sinceridade é bajular, e isso resulta em mal para os dois lados.
 
- O crítico deve apontar com amor, humildade, e sinceridade os deméritos da pessoa criticada. Fazer isso sem amor, humildade e sinceridade é ofender e irritar tal pessoa.

- O crítico deve apontar soluções práticas à pessoa criticada, mas com amor, humildade e sinceridade. Isso demonstra que você sabe fazer melhor do que ela as coisas que você está a criticar.

9) 
O obreiro deve frequentar conferências, convenções, seminários, escolas bíblicas, estudos bíblicos e outros eventos para obreiros

Em 2 Timóteo 2.15, Paulo diz que o obreiro deve "maneja(r) bem a Palavra da Verdade”. Em 2 Timóteo 2.2, ele diz que devem ser “idôneos para ensinarem os outros”. Em 2 Tm 2.21, fala que devem ser “preparados para toda a boa obra”. E em Efésios 4.11-16, cita entre os dons ministeriais a qualdiade de “mestre”.

10) O obreiro deve buscar sempre a Glória de Deus

Em tudo o que o obreiro é e faz e vê no santo ministério por ele desempenhado, ele deve buscar sempre a glória de Deus (Is 42.8; 48.11). Deus diz: “A minha glória, pois, a outrem não darei”. Em 1 Pedro 4.11, lemos: “A quem pertence a glória e o poder para todo sempre. Amém”.

11) 
O obreiro deve ser humilde de espírito

Em Provérbios 11.2, lemos: “Com os humildes está a sabedoria”. Em Salmos 25.8, está escrito:  “...e com os mansos ensinará o seu caminho”. Em Jeremias 45.5, há a pergunta: “E procuras tu grandezas?”. O obreiro humilde de espírito aprende mais, aprende mais rápido e aprende correto, porque o orgulho faz a pessoa aprender errado. O obreiro humilde aprende para a vida inteira, não esquece mais.

12) 
O obreiro deve orar, orar mais, e orar muito mais

Em Jeremias 33.3, Deus diz: “Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes”. Uma das escolas do Senhor para o obreiro é a escola da oração. Há muitas coisas do santo ministério, da doutrina bíblica, da vida e do trabalho do obreiro que este só aprende na escola da oração.

13) 
O obreiro deve ter continuamente o “óleo” da unção divina sobre si

A Bíblia fala que o santo óleo da unção sobre Arão, o sacerdote, deveria estar continuamente sobre ele (Lv 21.12). Esse óleo é um tipo do Espírito Santo na mente, na vida e no ministério prático do obreiro. Leia Êxodo 29.7,21; 30.25; 40.13-15; Levítico 8.1-3,13,30; e Salmos 89.20; 133.2; 23.5; 133.2.

1)
“O óleo precioso sobre a cabeça” (de Arão, o sacerdote). No obreiro, o óleo da unção do Espírito continuamente sobre a sua MENTE e seus departamentos.

2)
O óleo precioso “que desce sobre a barba, a barba de Arão”. No obreiro, o óleo da unção do Espírito deve estar continuamente sobre o VIVER, isto é, seu caráter, seu proceder. Defeitos e deturpação do caráter têm estragado e arruinado o ministério de muitos obreiros, homens e mulheres. A barba entre os hebreus tinha o sentido figurado da honra, do caráter.

3)
O óleo precioso “que desce à orla de seus vestidos” (de Arão, o sacerdote). “Vestidos” aqui são uma referência às vestes ministeriais de Arão. Veja Êxodo 28.4ss; 39.1ss; e Levítico 8.5-9,30.

4)
 Arão e os demais sacerdotes usavam vestes sacerdotais na administração do culto sagrado, dos ritos e práticas no Tabernáculo do Senhor. No obreiro, o óleo da unção do Espírito deve estar continuamente sobre o exercício, sobre o desempenho do seu ministério, do início ao fim.

Tipos de obreiro na Seara (1ª parte)


Jesus destacou a importância de se ter obreiros dedicados para a expansão do Reino de Deus na Terra. Isso porque o ministério é indispensável para a obra de Deus.

Em Lucas 10.2, lemos as seguintes palavras de Jesus aos setenta, os quais enviou de dois em dois a todas as cidades e lugares aonde havia de ir: “Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros a sua seara.” A Igreja precisa de bons obreiros.

Primórdios do ministério

Os primórdios do ministério na Bíblia estão em Gênesis. O Livro dos Começos nos mostra que, nas primeiras famílias, os pais tementes a Deus eram os sacerdotes da família. Há muitos exemplos que apontam para isso.

Abel apresentou uma oferta (de animais) ao Senhor (Gn 4.4 e Hb 11.4). As Escrituras nos dizem que com Sete se começou a invocar o nome do Senhor (Gn 4.26). Noé edificou um altar e ofereceu holocaustos ao Senhor (Gn 8.20). Esta é a primeira menção de altar na Bíblia.

Melquisedeque era sacerdorte do “Deus Altíssimo” (Gn 14.18 e Hb 7.1). Abraão edificou altares ao Senhor em Siquém, Betel e Hebrom (Gn 12.6-8; 13.4,18). Isaque fez a pergunta: “Onde está o cordeiro para o holocausto?”, Gn 22.7. Isso mostra que ele estava habituado a ver seu pai Abraão oferecer sacrifícios ao Senhor (Gn 22.13). O próprio Isaque edificou um altar ao Senhor (Gn 26.25).

Jacó também edificou um altar ao Senhor (Gn 33.20; 35.1,3,7). Jó, contemporâneo dos patriarcas, oferecia holocaustos ao Senhor. Isso implica altar (Jó 1.5).

Mais à frente, vemos Israel, como nação, sendo colocada por Deus como “um reino sacerdotal” (Ex 19.6; 2Pd 2.9 e Ap 1.6). Em Êxodo 19.22,24 e 24.5, vemos o sacerdócio mosaico. Já em Levítico 3.6 e Números 18.2, vê-se a instituição do sacerdócio levítico. Os textos de Êxodo 28.1 e Números 18.1 falam justamente de Arão e seus filhos, que eram da casa de Coate e serviriam no sacerdócio. Os filhos de Arão eram Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar.

Na igreja atual, de forma geral, há quatro tipos de obreiros na Seara: o bom obreiro, o mau obreiro, o falso obreiro e o ex-obreiro.

O bom obreiro

O bom obreiro tem suas características destacadas nas Sagradas Escrituras. Em 1 Timóteo 4.6, Paulo fala ao jovem obreiro Timóteo obreiro a ser fiel e diligente no ministério, pois, assim, ele seria “um bom ministro de Jesus Cristo”.

Em Mateus 25.21,23, na parábola dos dez talentos, Jesus fala que os servos que investiram nos talentos que lhes foram deixados para administrar receberam de seu senhor o reconhecimento como servos bons e fiéis: “E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”.

“Bom”, segundo os textos bíblicos de Timóteo e Mateus, é ser sadio na fé, no viver e na doutrina bíblica; equilibrado em tudo; capaz; aprovado (2Tm 2.15); limpo quanto ao bom combate espiritual (2Tm 4.8); e duradouro quanto ao seu trabalho e aos frutos de seu trabalho.

Os sinais de um bom obreiro são nítidos. Ele é fiel, leal à toda prova e humilde. O humilde aprende mais, resiste mais, aparece pouco, mas faz muito. Um exemplo disso está em Lucas, em Atos dos Apóstolos; Aristarco (Cl 4.10) e Epafras (Fm 23).

Outros sinais são a sua espiritualidade e consagração. Ele também é dócil. É fácil de se lidar com ele. Em outras palavras, ele é exatamente o oposto do obreiro “difícil”.

O obreiro difícil é aquele complicado para dialogar e tratar de assuntos da obra e das ovelhas. É difícil pô-lo em movimento, fazê-lo funcionar. Ele é difícil de participar, comparecer e cooperar, e costuma ser evitado. Um obreiro que teve má formação ministerial pode ficar estragado pelo resto da vida se não acordar para a realidade dos fatos.

O bom obreiro é diligente, esforçado. Às vezes até exagera no trabalho do Senhor. Temos o exemplo de  Epafrodito (Fp 2.25-30). Ele também é discreto e controla seus impulsos e sua língua ao falar. Apóstolo Paulo é um exemplo, como podemos ver no texto em que fala de suas “visões e revelações do Senhor” (2Co 12.1) e de seu “espinho na carne” (2Co 12.7). Outro exemplo do modo como ele sabia controlar seus impulsos está no comentário a respeito de Demas, seu obreiro auxiliar: “Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica”, 2Tm 4.10. Nada mais Paulo quis falar sobre Demas.

Outro sinal marcante de um bom obreiro é a sociabilidade. Ele é sociável com os seus pares de ministério, a sua congregação e a família. Imagine um obreiro que ninguém o quer por ser anti-social. É inadmissível.

Tipos de obreiro na Seara (2ª parte)


Vejamos nesta semana alguns exemplos de bons e maus obreiros nas Sagradas Escrituras.

Bons obreiros

A Bíblia está repleta de exemplos de bons obreiros. Zadoque, o sacerdote, descendente de Arão por seu filho Eleazar, é um deles (1Cr 24.3). Ele foi fiel e leal a Davi em todo o seu reinado, do princípio ao fim (1Cr 12.23,28; 2Sm 19.11; 20.25; 1Rs 1.8; 2.25). Abiatar, outro sacerdote descendente de Arão, por seu filho Itamar, e contemporâneo de Zadoque, não teve o mesmo procedimento. A Bíblia nos diz que ele não foi foi fiel a Davi até o fim. Falaremos dele ao discorrermos sobre o mau obreiro.

Itaí, o giteu (2Sm 15.17-22; 18.2), é outro grande exemplo, ao lado de Husai, o arquita. Itaí era estrangeiro, de um país inimigo, mas foi fiel. Husai, o arquita (2Sm 16.6; 17.15-22), era um efraimita (Js 16.2).

Podemos destacar, já no Novo Testamento, bons obreiros como Demétrio (3Jo 12) e Barnabé (At 11.22-24). Diz as Sagradas Escrituras que Barnabé “era um homem bom” (At 11.24, versão Almeida Revista e Atualizada). Temos ainda os obreiros que trabalharam com Paulo e que são citados nominalmente por ele (Cl 4.7-14).

O mau obreiro


“Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão!”, Fp 3.2.

“Respondendo-lhe, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo”, Mt 25.26.

“Então, o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?”, Mt 18.32-33.

“Não terão conhecimento os obreiros da iniqüidade, que comem o meu povo como se comessem pão? Eles não invocam ao Senhor”, Sl 14.4.

Os textos acima deixam claro que obreiro de má qualidade é aquele que é infiel e não procura melhorar. Mas como um bom obreiro torna-se mau ou ruim?
O bom obreiro costuma tornar-se mau aos poucos. Temos os exemplos bíblicos de Judas Iscariotes, discípulo de Jesus; Geazi, servo do profeta Eliseu; e Demas, cooperador do apóstolo Paulo. A mudança é fruto dos maus costumes e maus hábitos que o obreiro trouxe do passado, ou os adquiriu depois, e não largou.

Outra coisa que pode afetar um bom obreiro, tornando-o ruim é o desconhecimento do seu temperamento e o agir segundo este (Pv 16.32; 23.12; 25.28). Há também o caso de bons obreiros que se tornam maus por copiarem maus exemplos dos outros e de fora ou por ter má formação ministerial (Lc 9.49-50).

Um obreiro estranho, misterioso, enigmático, isolado de todos, também tem tudo para se tornar um mau obreiro, bem como o obreiro sempre imaturo social, emocional e espiritualmente (Ec 10.16). Por último podemos citar como fator que pode provocar essa mudança negativa o obreiro receber poderes em demasia, como no caso de Joabe (2Sm 3.39; 16.10; 19.22).

Os sinais de um mau obreiro estão listados em Mateus 25.26, Jeremias 6.13 e 50.6, e Miquéias 3.9-11. Ele é parasita, indolente, ocioso, preguiçoso, desordenado na sua vida, na família e no seu trabalho; não tem ordem, é ambicioso por posição, cargo e credencial; é invejoso, mercenário e mercadeja os dons e as coisas de Deus. Neste caso, temos os exemplos de Balaão e Simão, o mago (At 8.18).

O mau obreiro também é liberal na doutrina bíblica, e nos bons e santos costumes da igreja, como o sacerdote Urias (2Rs 16) e as duplas Himeneu e Fileto, e Himeneu e Alexandre (2Tm 2.17-18 e 4.14-15). Aliás, muitos maus obreiros costumam agir em dupla.

O mau obreiro é briguento. Daí, passa a politiqueiro. É divisionista por rebeldia (1Rs 13.26) e reclamador crônico, diferente de Jesus, do qual é dito em Isaías 53.7 que “não abriu a sua boca”. Ele ainda procura ser “independente” e isolado. Geralmente, para ser insubmisso. É constantemente problemático. É um problema para si mesmo. Ele dá problema, gera e depois alimenta o problema. Em outras palavras, ele complica um problema já existente.

Esequiel 34 diz que o mau obreiro larga as ovelhas e o seu campo. Ele tem mau caráter, e isso é altamente comprometedor. Quando ele dá fruto, este não vinga.

Exemplos de maus obreiros

Uma das duplas de maus obreiros célebres nas Escrituras é Nadabe e Abiú. Ela é conhecida como a dupla inovadora (Lv 10.1-10). Coré (Nm 16.13) foi insubmisso ante Moisés, o dirigente constituído por Deus. Aitofel, o gilonita, portanto de Judá (2Sm 15.12-13), era conselheiro pessoal de Davi, mas juntou-se a Absalão na revolta deste contra o rei, seu pai. Por isso, Aitofel é chamado por alguns “o Judas do Antigo Testamento”.

Geazi, o auxiliar do profeta Eliseu, que aparece em 2 Reis 4 em diante, era oportunista, mercenário e ganancioso. Diótrefes (3Jo 9.10) era indelicado, violento e perseguidor. Contrasta com isso a proverbial cortesia de Paulo, como podemos constatar na sua Epístola a Filemom. É como no Templo, onde havia pedras preparadas (1Rs 6.7), mas que não eram vistas (1Rs 6.18).

Abiatar, o sacerdote (2Sm 8.17), ajudou a conduzir a Arca do Senhor (1Cr 15.11), mas foi infiel no final do reino de Davi (1Rs 1.7; 2.27). Joabe, o grande general de Davi (2Sm 8.16), não foi fiel a Davi até o fim (1Rs 1.7; 2.28). Ele juntou-se a Adonias, o filho mais velho de Davi, no seu complô contra o pai.

Há muitas figuras de mau obreiro nas Escrituras. Simei é a do mau obreiro declarado (2Sm 16.5-9, 13). Podemos ver também 2 Samuel 19.18-23 e 2 Reis 2. Ziba, no passado, fora servo do rei Saul (2Sm 9.2). Ele é figura do mau obreiro camuflado (2 Sm 16.1-4; 19.16-17,25-26).

Aimaás, filho do sacerdote Zadoque, era muito apressado. Ele era também um grande corredor, mas não tinha mensagem para entregar, como podemos ver em 2 Samuel 18.19 em diante.


Tipos de obreiro na Seara (3ª parte)


Hoje, veremos o que a Bíblia diz sobre o falso obreiro e o ex-obreiro.

O falso obreiro

O pseudo obreiro é aquele que nunca foi obreiro de fato. O falso obreiro vê o ministério como uma carreira profissional, uma profissão. Um exemplo é o levita de Juízes 17.6-12 e 18.14.

Paulo escreveu sobre o falso obreiro em suas epístolas. “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo”, 2Co 11.13. “E isso por causa dos falsos irmãos que se tinham entremetido e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão”, Gl 2.4.

Na assembléia de Jerusalém, apóstolo Tiago falou acerca desses obreiros. “Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras e transtornaram a vossa alma (não lhes tendo nós dado mandamento)”, At 15.24. João também se referiu a eles: “Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós”, 1Jo 2.19.

No Antigo Testamento, Moisés falou sobre o castigo dos falsos profetas, e descreveu estes como filhos de Belial: “...uns homens, filhos de Belial, saíram do meio de ti, que incitaram os moradores da cidade...”, Dt 13.13.

O ex-obreiro

Ex-obreiro, aqui, não se trata do obreiro jubilado, nem do obreiro licenciado temporariamente, nem do portador de doença crônica etc. Trata-se do obreiro que renunciou e abandonou o seu ministério. É o obreiro que abdica de seu ministério.

Paulo, escrevendo em 1 Coríntios 9.27, fala de sua preocupação quanto à reprovação: “Para que eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado”. Demas é um exemplo de obreiro reprovado (2Tm 4.10). Em Filemom, versículo 24, Paulo o cita como um de seus cooperadores. Em Colossenses 4.14, mais uma vez vemos Paulo citando-o com apreço. Mas, em 2 Timóteo 4.10, o apóstolo nos conta o desvio de Demas: “Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica.”

Em Atos 1.25, lemos o relato dos apóstolos acerca de Judas, que também se encaixa nesse perfil. “Neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou”, diz o texto bíblico.

Jesus exortou seus discípulos, dizendo do perigo de “quem lança mão do arado, e olha para trás”: “Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus”, Lc 9.62. Paulo, escrevendo em 1 Timóteo 1.6, lembra que alguns obreiros não foram até o fim: “Do que desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas”. Ainda falando a Timóteo, Paulo deixa claro que, infelizmente, “alguns fizeram naufrágio na fé” (1Tm 1.19).

Certa vez, depois um discurso considerado duro, o Mestre perguntou aos doze, os únicos que permaneceram após as usas palavras: “Quereis vós também retirar-vos?” Ao que Simão Pedro respondeu: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6.67-68).

ipos de obreiro na Seara (4ª parte)



Hoje, em nossa última parte sobre o tema “Tipos de obreiro na Seara”, falaremos sobre como o bom obreiro pode melhorar.

Para que o bom obreiro possa continuar a melhorar no exercício de sua função na obra de Deus, ele terá que observar pelo menos alguns pontos considerados essenciais para sua formação.

Em primeiro lugar, o bom obreiro deve gostar de ler, e ler muito. É bom também que ele curse formalmente ou no mínimo que seja um bom autodidata. Ele deve ainda contatar e conviver com pessoas cultas, tanto na cultura bíblica como secular.

Em segundo lugar, deve o obreiro fazer uma constante auto-avaliação. O bom obreiro deve ter autocrítica. Para o nosso melhoramento como obreiros do Senhor, devemos analisar o nosso gráfico constantemente. Estamos subindo, conforme as palavras de Paulo em Filipenses 3.14? Estamos parados, conforme o servo mau e negligente da parábola do Mestre em Mateus 25.25? Ou estamos descendo, conforme a descrição dos sacerdotes inferiores aos levitas em 2 Crônicas 29.34?

Em terceiro lugar, o bom obreiro deve freqüentar ambientes de culto. Em quarto lugar, ele deve ser humilde. O humilde aprende muito mais, e mais depressa. Em quinto, ele deve ser atento observador dos bons obreiros.

Em sexto lugar, o bom obreiro deve exercitar-se na prática do trabalho do Senhor. A experiência é um grande mestre. E em sétimo e último lugar, ele deve estudar a Palavra de Deus continuamente; e não apenas lê-la (Sl 119.98).


fonte notas cpad news


Não toqueis nos meus ungidos

O perigo de uma frase bíblica tornar-se um chavão e ser mal-utilizada

A frase bíblica “Não toqueis nos meus ungidos” (Sl 105.15) tem sido empregada para os mais variados fins. Maus obreiros, falsos profetas, adoradores-ídolos e até políticos “evangélicos” se valem dela para ameaçar seus críticos; crentes mal-orientados usam-na para defender seu “ungido”, mesmo que ele defenda abertamente o aborto; e outros ainda a empregam para reforçar a ideia de que não cabe aos servos de Deus julgar ou criticar heresias e conduta antibíblica.

Quando examinamos os contextos literário e histórico-cultural da frase acima, vemos que ela está longe de ser uma regra geral. Uma leitura atenta do Salmo 105 não nos deixa em dúvida: os ungidos mencionados são os patriarcas Abraão, Isaque, Jacó (Israel) e José (vv.9-17). Ademais, o título “ungido do Senhor” refere-se tipicamente, no Antigo Testamento, aos reis de Israel (1 Rs 12.3-5; 24.6-10; 26.9-23; Sl 20.6; Lm 4.20) e aos patriarcas, em geral (1 Cr 16.15-22).

Embora a frase não encerre um princípio geral, podemos, por analogia, afirmar que Deus, na atualidade, protege os seus ungidos assim como cuidou dos seus servos mencionados no Salmo 105. Mesmo assim, não devemos presumir que todas as pessoas que se dizem ungidas de fato o sejam. Lembre-se do que o Senhor Jesus disse acerca dos “ungidos”: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7.21).

É claro que a Bíblia apoia e esposa o pensamento de que o Senhor cuida dos seus servos e os protege (1 Pe 5.7; Sl 34.7). Mas isso se aplica aos que verdadeiramente são ungidos, e não aos que parecem, pensam ou dizem sê-lo (Mt 23.25-28; Ap 3.1; 2.20-22). Afinal, “O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade” (2 Tm 2.19).

Quando Paulo andou na terra, havia muitos “ungidos” ou que aparentavam ter a unção de Deus (2 Co 11.1-15; Tt 1.1-16). O imitador de Cristo nunca se impressionou com a aparência deles (Cl 2.18,23). Por isso, afirmou: “E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram” (Gl 2.6).

Aparência, popularidade, eloquência, títulos, status, anos de ministério, quantidade de votos obtidos... Nada disso denota que alguém esteja sob a unção de Deus e imune à contestação à luz da Palavra de Deus. Muitos enganadores, ao serem questionados quanto às suas pregações e práticas antibíblicas, têm citado a frase em análise, além do episódio em que Davi não quis tocar no desviado rei Saul, que fora ungido pelo Senhor (1 Sm 24.1-6). Mas a atitude de Davi não denota que ele tenha aprovado as más obras daquele monarca.

Se alguém, à semelhança de Saul, foi um dia ungido por Deus, não cabe a nós matá-lo espiritualmente, condená-lo ao Inferno. Entretanto, isso não significa que devamos silenciar ou concordar com todos os seus desvios do Evangelho (Fp 1.16; Tt 1.10,11). O próprio Jônatas reconheceu que seu pai turbara a terra; e, por essa razão, descumpriu, acertadamente, as suas ordens (1 Sm 14.24-29).

O texto de Salmos 105.15 não proíbe o juízo de valor, o questionamento, o exame, a crítica, a análise bíblica de ensinamentos e práticas de líderes, pregadores, milagreiros, cantores, etc. Até porque o sentido de “toqueis” e “maltrateis” é exclusivamente quanto à inflição de dano físico.

É curioso como certos “ungidos”, ao mesmo tempo que citam o aludido bordão em sua defesa — quando as suas práticas e pregações são questionadas —, partem para o ataque, fazendo todo tipo de ameaças. O show-man (e não pregador, como muitos pensam) Benny Hinn, por exemplo, verberou: “Vocês estão me atacando no rádio todas as noites — vocês pagarão e suas crianças também. Ouçam isto dos lábios dum servo de Deus. Vocês estão em perigo. Arrependam-se! Ou o Deus Altíssimo moverá sua mão. Não toqueis nos meus ungidos...” (citado em 
Cristianismo em Crise, CPAD, p.376).

Quem são os verdadeiros ungidos, os quais, mesmo não se valendo da frase citada, têm de fato a proteção divina, até que cumpram a sua vontade? São os representantes de Deus que, tendo recebido a unção do Santo (1 Jo 2.20-27), preservam a pureza de caráter e a sã doutrina (Tt 1.7-9; 2.7,8; 2 Co 4.2; 1 Tm 6.3,4). Quem não passa no teste bíblico do caráter e da doutrina está, sim, sujeito a críticas e questionamentos (1 Tm 4.12,16).

Infelizmente, muitos líderes, pregadores, cantores e crentes em geral, considerando-se ungidos ou profetas, escondem-se atrás do bordão em análise, mentem e cometem todo tipo de pecado, além de torcerem a Palavra de Deus. Caso não se arrependam, serão réus naquele grande Dia! Os seus fabulosos currículos — “profetizamos”, “expulsamos”, “fizemos” — não os livrarão do juízo (Mt 7.21-23).

Portanto, que jamais aceitemos passivamente as heresias de perdição propagadas por pseudo-ungidos, que insistem em permanecer no erro (At 20.29; 2 Pe 2.1; 1 Tm 1.3,4; 4.16; 2 Tm 1.13,14; Tt 1.9; 2.1). Mas respeitemos os verdadeiros ungidos (Hb 13.17), que amam o Senhor e sua Santa Palavra, os quais são dádivas à sua Igreja (Ef 4.11-16). Quanto aos que, diante do exposto, preferirem continuar dizendo — presunçosamente e sem nenhuma reflexão — “Não toqueis nos meus ungidos”, dedico-lhes outro enunciado bíblico: “Não ultrapasseis o que está escrito” (1 Co 4.6, ARA). Caso queiram aplicar a si mesmos a primeira frase, que cumpram antes a segunda!


O poder é dEle, somos apenas instrumentos

Glorifiquemos a Deus pelo que Ele, pela Sua graça, tem feito através do trabalho de nossas mãos

Prezado leitor, eu o convido a meditar comigo na mensagem extraída do livro de Atos dos Apóstolos 1.8. “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo que há de vir sobre vós e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra”.
A prioridade que Deus entregou a cada cristão está gravada nos reclames da Grande Comissão: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura, e aquele que crer e for batizado será salvo, e quem não crer será condenado”. Não esqueçamos que a promessa do Senhor ainda é evidente como foi descrito acima. Meu prezado leitor, nós trabalhamos e edificamos; mesmo assim, a tarefa não está concluída, ainda temos muita terra para conquistar, ainda temos milhares de almas a serem alcançadas. Quando o nosso inimigo está ativo e procura atingir nossas igrejas, levantam-se crentes cheios do Espírito Santo para afirmarem que o poder da salvação em Jesus, a cura de enfermos e os milagres da parte de Deus ainda permanecem no seio da Assembleia de Deus.
Certamente não conseguiríamos partilhar com o leitor os vários milagres que o Senhor ainda continua realizando em nossa denominação. O jornal
 Mensageiro da Paz, o órgão oficial das Assembleias de Deus no Brasil, traz em suas páginas diversos testemunhos. Podemos citar também o Círculo de Oração, formado por irmãs zelosas que se reúnem para buscar a face do Senhor e o resultado é a quantidade de milagres que não podemos contabilizar. Na verdade, compreendemos que o poder é proveniente de Deus, e nós somos apenas os instrumentos em Suas mãos para que Ele faça a Sua vontade.
Nenhum de nós aparece nas manchetes dos jornais seculares, e nem precisamos reunir as pessoas a fim de pedir recursos para alcançar determinados alvos, mas continuamos a observar o registro bíblico de Atos 2.42: “E perseveram na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações”. Essas estacas são sólidas, e foram colocadas pelo próprio Mestre, no ministério da Assembleia de Deus.
Quando me encontrava reunido com os integrantes do Comitê Mundial das Assembleias de Deus, na cidade de Nova York, fui perguntado sobre o batismo que realizamos durante os festejos do Centenário. Recordo-me que, em um só dia, cerca de 100 mil pessoas desceram às águas batismais. Eu afirmo que isso é a operação do Espírito Santo. Nós precisamos valorizar essa obra maravilhosa que o Senhor tem realizado por nossas mãos, e por isso somos eternamente gratos a Deus, porque Ele continua observando esse povo que creu em Seu poderoso nome. Graças ao Senhor que a excelência da evangelização não morreu, mas aflora o desejo de anunciar a todo o mundo que Jesus Cristo é o Salvador.

Em tudo te dá como exemplo

Precisamos encarnar os princípios do Reino de Deus
Desejo compartilhar com você a mensagem extraída na Carta aos Filipenses, no capítulo 3 e versículo 17. No texto em apreço, Paulo deixou registrado: "Sejam meus imitadores, e tende cuidado segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam". Essa passagem bíblica nos remete a algo muito sério. Quando o apóstolo dos gentios formou a sua equipe, ou seja, as pessoas que estariam mais próximas a ele - entendemos que Timóteo e Tito fizeram parte daquele grupo -, e ao lermos a sua história na Bíblia, concluímos que Tito era um obreiro mais experiente. Mas, apesar dessa experiência, Paulo estar a dizer-lhe: "Tito, em tudo te dá como exemplo de boas obras". E Paulo especificou: “Olha, Tito, cuidado com a doutrina”. E ainda pontua nesse registro: "Em tudo".

Meus queridos leitores, o apóstolo disse também que nós, a Igreja, somos "a coluna e a firmeza da verdade", e sabemos que a colunanão pode oscilar, porque a função de uma coluna é sustentar o edifício para que não caia.

No Evangelho de João, no capítulo 13, o Senhor aplicou uma lição maravilhosa. O Mestre reuniu Seus discípulos e, munido de uma toalha e uma bacia com água, se mobilizou para lavar os pés daqueles homens. Pensem comigo quando o Senhor se aproximou de Tomé para lavar-lhe os pés. Todos nós sabemos que esse apóstolo mais tarde revelaria a sua incredulidade quando os discípulos lhe anunciassem a ressurreição de Jesus. Apesar disso, Tomé foi um dos discípulos que teve seus pés lavados por Cristo. O apóstolo Pedro, que chegou a negá-lo, também teve os pés lavados; e até Judas, o traidor. Na ocasião, o Senhor Jesus disse para eles fazerem o mesmo com os outros. Meus amados leitores, Paulo disse que deveríamos ser o exemplo "em tudo". Acho maravilhoso o fato de Deus nos admitir como participantes no plano divino de salvação. Posso citar meu exemplo: o Senhor escolheu-me e envolveu-me nesse plano do céu na terra e isto é algo estupendo!

Devemos estar conscientes do trabalho que Deus colocou em nossas mãos. Também é interessante termos que olhar para a Igreja, ampliar o alcance de nossa visão espiritual e amar, sem nenhum tipo de preconceito, a todos que nos cercam.

 Comprometidos com Deus e com a Sua poderosa Palavra

No Evangelho de João, no capítulo 6 e versículo 45, está escrito as seguintes palavras de Jesus: “Todo aquele que do pai ouviu e aprendeu vem a mim”. Semelhantemente, quando Lucas escreveu o seu evangelho e o livro de Atos dos Apóstolos, ele se referiu ao ministério de Jesus dizendo que o Senhor não apenas ensinou, mas fez – isto é, realizou.

Jesus, no Seu ministério perfeito, preocupou-se também com a formação espiritual e de conhecimentos daquele grupo. Embora não soubessem, Cristo já os havia escolhido para dar continuidade ao ministério dEle e cuidar da Igreja que Ele mesmo edificou.

Jesus não procurou seus cooperadores no Templo, entre os sacerdotes; e tampouco foi buscá-los nas cátedras dos teólogos da época, pois não quis compor o Seu ministério de religiosos prestigiados; mas, o Senhor foi buscar Seus discípulos lá no meio do povo, gente da gente, gente em geral muito simples.

Sou feliz por fazer parte da Assembleia de Deus, esta é a minha igreja querida. A Assembleia de Deus é uma igreja com identidade, que tem compromisso com Deus e que tem no seu coração a vibração do Espírito Santo, e que não se cala e incessantemente professa: “Jesus Cristo salva, cura, batiza no Espírito Santo e em breve voltará para levar a Sua Igreja para o Céu!”.

Sinto-me privilegiado em ver que em nossas igrejas há essa coisa tão bonita que é uma Escola Dominical forte, pois nós aprendemos quando ouvimos e aprendemos quando falamos. Eu mesmo sou aluno da Escola Dominical desde 1942. Desde essa época, me assento nos bancos da igreja para escutar o professor da nossa classe lecionar a Palavra de Deus para o nosso coração.

Depois desses 65 anos como aluno da Escola Dominical, alguém poderia me perguntar: “Após 65 anos estudando um único livro, na Escola Dominical e na vida particular, o senhor não aprendeu tudo?”. Confesso que não. Não sou tão rude assim, não me entendam de tal maneira; mas, esse Livro – o Livro de Deus – é tão maravilhoso, de uma mensagem tão poderosa, que sua mensagem é sempre nova e cada vez mais rica para nós. A unção do Espírito neste livro é poderosa. A unção de Deus nas palavras desse Livro, ao lê-las, faz com que emanem mensagens renovadas a cada dia.

A Bíblia não é um livro de uma só mensagem: ela é a Palavra de Deus, ela abre o Céu, descortina o oculto diante de nós, abre o mar, sonda o desconhecido e traz, a cada um, mensagens poderosas, ungidas, com graça para que todos possam compreender que Jesus Cristo é o Salvador.

 

O retrato moderno da igreja

No Evangelho de Marcos, encontramos o seguinte episódio: “E no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os discípulos ouviram isto”, Mc 11.12-14.

A sabedoria de Jesus sempre esteve acima da média como homem. Na passagem em apreço, Ele mais uma vez usa magistralmente a figueira para ensinar uma espetacular lição aos seus discípulos. A figueira era uma árvore comum na Palestina. Seus figos são doces especialmente no mês de junho. Quando Jesus saiu de Betânia naquele dia, era o mês de abril. Por isso Marcos escreveu que não era tempo de figos. O que nos chama a atenção no relato é o fato de Jesus ter sentido fome. Essa declaração fortalece a realidade de que Jesus tinha natureza e constituição corporais iguais às nossas em tudo, menos no pecado.

Como nós, Ele tinha todas as emoções e necessidades físicas, como comer, dormir, descansar, chorar, sorrir e sentir dores. Como nós, Ele tinha fome e sede e precisava satisfazer esses instintos naturais. A dupla natureza de Cristo, a divina e a humana, é confirmada nesse texto.

Porém, essa escritura também nos dá um vislumbre especial sobre a Igreja. Jesus viu a figueira de longe, e desejou comer fruto dela, mas, qual não foi a sua a frustração. Marcos diz que “não achou nada senão folhas”, e amaldiçoou a figueira. Esse quadro ilustra o perigo de uma igreja estéril e formalista.

A tendência para a esterilidade e o formalismo sempre ameaçou a Igreja através da História. Houve um tempo, especialmente o período que se estende até o século 15, em que a Igreja institucionalizou-se de tal forma que a sua força dinâmica engessou-se. Ela tornou-se muito mais um “monumento” do que uma igreja.

Hoje, parece-nos que a dura verdade de muitas igrejas é que têm substituído uma fé viva e poderosa por uma religião institucionalizada. Para muitos, a igreja é o edifício onde nos congregamos para adorar e desenvolvemos ministérios, cujos programas envolvem a comunidade. Geralmente, imaginamos o crescimento da igreja e o medimos pelo local do templo, a sua arquitetura, a organização eclesiástica e o número de pessoas que assistem aos cultos. Se medirmos a igreja por esses valores estereotipados da modernidade, estaremos, sem dúvida, nos deparando com uma igreja que não passa de uma figueira frondosa, com muitas folhas, que só serve para dar sombras.

A dinâmica do evangelismo e a liberdade do Espírito para agir na liturgia da igreja não podem ser engessadas pelo formalismo.

Ainda analisando a aplicação do texto de Marcos 11.12-14 para os nossos dias, percebemos o engano da beleza exterior. “E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti”.

Folhas não passam de beleza exterior. Essa beleza é aquela que ilude, que dá a idéia de igreja frutífera, mas que não passa de algo fictício. Um escritor cristão escreveu que “a igreja não é um fator incidental na grande batalha cósmica por corações e as vidas dos homens e as mulheres do mundo moderno. A igreja é o instrumento que Deus tem escolhido para essa batalha, a que somos chamados em virtude de nossa condição de membros do Corpo de Cristo. Para brindar esperança e verdade a um mundo em tensão, a igreja tem de ser a Igreja”.

Ora, uma igreja que não passa de uma árvore sem frutos retrata uma irrealidade. A tragédia maior é termos uma igreja institucionalizada que satisfaz apenas aqueles que buscam uma forma de igreja tipo clube socio-espiritual, uma instituição que ofereça relações humanas agradáveis, mas que não exerce influência sobre como vivem as pessoas, nem sobre o que crêem.

Cada vez que a igreja se reafirma em uma posição ortodoxa histórica é acusada de obsoleta, de passada da moda, como se suas doutrinas tivessem sido determinadas pelo voto das pessoas que fazem parte da igreja. Vivemos um tempo em que a igreja tem sido transformada em um mercado de fé ao gosto das pessoas. A igreja precisa ser restaurada nos seus valores.

Os valores reais da Igreja de Cristo não são valores materiais. Não são os aspectos organizacionais da igreja que a tornam autêntica, porque a igreja não pode ser tratada como um produto de consumo. Ela precisa dar frutos e, para que isto aconteça, deve estar plantada em uma terra produtiva, que é a base, o fundamental, a Palavra de Deus.

Uma igreja mercantilista não passa de uma “figueira com folhas”. J. I. Parker escreveu que esse tipo de igreja parece “uma banheira quente” que faz com que as pessoas tenham um sentido de bem-estar ambiental e com as pessoas. Oferecemos alternativas para que as pessoas sejam atraídas pelas ofertas que oferecemos em nossos cultos, mas o Evangelho que pregamos parece mais um “prato feito”.

Nos bitolamos na forma de cultuar, de cantar, de pregar, e conquistamos as pessoas pelo ambiente social, pela arquitetura, pelo som, pela música. Confiamos mais no poder da nossa palavra do que na Palavra de Deus. Precisamos reavaliar nossos valores, para termos uma igreja comprometida com a ação livre do Espírito Santo em nossos cultos.

 

 

Lições da prisão do apóstolo Paulo

O que parecia o fim tornou-se oportunidade e avanço

A prisão de Paulo não foi o fim de seu apostolado, mas o início de sua viagem missionária mais significativa. Durante o seu encarceramento, em Cesareia, expôs o Evangelho a dois governadores e a um rei. E, no percurso a Roma, onde aguardaria o veredito de César, evangelizou a tripulação de um navio e, aportando em Malta, fundou uma igreja.

Já na capital do império, fez da prisão um posto avançado do Reino. Ali, confirmava diariamente as ovelhas. E, mesmo sob vigilância, veio a converter alguns parentes de César.

Sua cela? Transformou-a numa célula de proclamação evangélica.

Na prisão, entregou-se à oração intercessora. Pôs-se de joelhos, para que a Igreja se mantivesse de pé. Deixou-se angustiar pelos santos que, todos os dias, eram afligidos por amor a Cristo. E, posto que limitado no espaço, ilimitou-se no tempo, pois a eternidade era a sua real perspectiva.

Foi ainda na prisão, que completou a sua obra teológica. Dali, saíram-lhe as epístolas aos efésios, filipenses e colossenses. E, aproveitando a oportunidade, enviou uma cartinha ao seu amigo, Filemom, intercedendo por Onésimo.

Enfim, a prisão de Paulo não foi o fim de seu apostolado. Antes, o coroamento de sua missão.

Talvez você esteja enfrentando uma crise. Não se desespere. Você sabia que as maiores oportunidades, em nossa vida, surgem nos momentos de provação? Deus está no controle de todas as coisas, principalmente de nossas adversidades.
 

Discernimento em tempos modernos

O desafio de discernir os modelos culturais modernos
O termo discernir, do hebraico nākar  e do grego diakrinō, quer dizer "distinção”, “separação”, “julgar”; isto é, “fazer distinção”, “fazer separação”. O termo hebraico aparece pela  primeira vez em Gênesis 27.23, no contexto em que Isaque é enganado por Rebeca e Jacó. O vocábulo é traduzido por “não o conheceu” (RC) ou “não o reconheceu” (RA). Na passagem em apreço, o termo significa literalmente “discernir algo por alto”. Contudo, outros vocábulos hebraicos traduzem o sentido considerado: sāpat(Êx 18.16); shama (2 Sm 14.17); yada (2 Sm 19.35); nākar (Ed 3.13), entre outros. Todos com o sentido que diz respeito à percepção, compreensão e julgamento (Jó 6.30; Sl 19.12; Ez 44.23; Jn 4.11).

No grego do Novo Testamento, a palavra diakrinō aparece dezoito vezes com o sentido de “julgar”, “discernir”, “fazer distinção”, “separar”. O termo descreve tanto o discernimento das coisas naturais quanto das espirituais. Nas páginas de o Novo Testamento o termo, ao que parece, é citado pela primeira vez em Mateus 16.3 (RC) aludindo ao “discernimento” dos tempos e estações naturais. Porém, o vocábulo não se restringe apenas a essa observação, mas prolonga-se no versículo, pois a supressão do vocábulo na parte seguinte pressupõe o seu uso: “...sabeis diferençar a face do céu e não conheceis os sinais dos tempos?”. Portanto, há o uso combinado de ginōskete diakrinein, isto é, “sabeis discernir”, nas duas sentenças: “sabeis discernir a face do céus”; “não sabeis discernir os sinais dos tempos”. Confira, por exemplo, o texto da RA “Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?”.

No texto de 1 Coríntios 11.31, o vocábulo é usado em relação ao autojulgamento do crente: “Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos [heautous diekrinomen], não seríamos julgados”. Trata-se, na verdade, da auto-análise que o crente faz de si mesmo e, mediante a qual, participa conscienciosamente da Ceia do Senhor. Todavia, há outros que assentam-se à mesa do Senhor sem discerni-lhe o corpo: “Porque o que come e bebe indignamente come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo [diakrinōn to sōma] do Senhor”.

O discernimento pode manifestar-se também como um conhecimento sobrenatural que o Espírito Santo concede a determinados membros do Corpo de Cristo para julgar ou discernir os espíritos: “...e a outro, o dom de discernir os espíritos [diakriseis pneumatōn]...”. O discernimento de espíritos, aludido no presente texto, é um dos extraordinários dons que concede ao crente a capacidade de discernir os espíritos, julgar as profecias e as motivações cristãs, entre outras espetaculares manifestações. Embora certos membros do Corpo de Cristo possuam este dom, todos os crentes são desafiados a “provar se os espíritos são de Deus, porque  já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 Jo 4.1). O termo joanino para “provar”, não é diakrinō, mas dokimadzō, isto é, “colocar em prova”, “testar” ou “examinar”. Não somos escusados de frisar, que este último procede da raiz dok, cujo sentido é “perceber”, “pensar”, “pressupor”, “crer”. Traz a ideia de estar convencido de que isto ou aquilo está errado ou certo. Também pressupõe chegar a certeza das coisas mediante a repetidos testes. Portanto, somos advertidos e orientados pela Palavra de Deus a julgar a procedência das motivações humanas, das profecias, dos movimentos de caráter messiânico entre outros.

O discernimento, portanto, é uma capacidade do crente maduro de acordo com Hebreus 5.14: “Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal”. O crente maduro, no original teleiōn, é aquele que tem as suas faculdades cognitivas exercitadas na piedade e doutrina cristãs. Este é capaz de separar, julgar, testar, distinguir ou discernir tanto o bem como o mal [diakrisin kalou te kai kakou]. O termokalōs, traduzido neste texto por “bem”, trata-se da capacidade para discernir a qualidade das ações morais humanas que lhes confere um caráter moral correto, bom ou útil. Já, o vocábulo kakōs, significa literalmente “erradamente”, “impiamente”, “mal”, ou seja, tudo o que se opõe à virtude, à probidade, à honra. Nesse âmbito, o crente é desafiado a discernir a cultura, a mídia, a política, a educação, a religião, comparando e confrontando-os com os postulados das Sagradas Escrituras.

Vejamos em perspectiva: 

Mídia:
O crente é desafiado a discernir a indústria de entretenimento de seu tempo. Muitos produtores de filmes, novelas e outros tipos de programas de entretenimento não possuem qualquer tipo de compromisso com os valores morais e com as Sagradas Escrituras.

Política:
O cristão exerce dupla cidadania – celeste e secular. É desafiado, portanto, a viver como cidadão dos céus, membro da família dos santos, mas sem deixar de relacionar-se com o contexto social que lhe é próprio. Neste sentido, deve exercer sua cidadania secular, participando como cristão das responsabilidades sociais que lhe cabe. É necessário e  plausível que o cristão discirna entre os partidos políticos e candidatos que disputam entre si pelo voto da igreja. Que valores defendem? O que pensam seus candidatos sobre o aborto, a igreja, a família? Quais as motivações que os levam ao pleito? Essas questões são pertinentes aos desafios da igreja hodierna.

Entretenimento:
O homem é um ser lúdico. Se compraz em atividades que despertam sentimentos de bem-estar, quietude, divertimento. Mas, quais são os entretenimentos apropriados para os cidadãos celestes? Que tipo de ocupação lúdica merece o precioso tempo dos cristãos? O cristão é desafiado, diante da atual indústria de entretenimento, a discernir as atividades lúdicas de nosso tempo. Muitas denominações cristãs têm cometido equívocos e extravagâncias neste ponto.

Religiosa:
O contexto religioso atual exige que o crente exerça mais do que nunca, o modelo discernente de Daniel e de seus companheiros diante do politeísmo babilônico. Quando se trata de religiões politeístas, antropomórficas ou animistas, o cristão prontamente as rejeita. Mas quando está em voga uma pseudodoutrina, que mistura o sentido correto de um texto bíblico com uma aplicação errônea, ou vice-versa, muitos crentes sucumbem. Outros correm atrás de doutrinas e ensinos espetaculares, de novidades, de shows motivacionais que em sua maioria torcem a cruz de Cristo.  Imagens religiosas que choram, que soltam raios, falsos cristos e profetas, falsas campanhas espirituais que prometem o céu na terra, terrenos no paraíso, entre outras mentiras materialistas, desafiam o crente fiel.

Visto que o crente santo e fervoroso, aspira por uma experiência que o eleve acima da mediocridade espiritual tão comum em tempos pós-modernos, é ele, e não os indolentes, quem mais necessita do discernimento espiritual.


 

 

 

As Três Dimensões do Caráter Cristão

Semeia-se um hábito e colhe-se um caráter. Semeia-se um caráter e colhe-se um destino.
Caráter, sua dimensão etimológica
O termo "caráter" procede do grego "charaktēr" e significa literalmente "estampa", "impressão", "gravação", "sinal", "marca" ou "reprodução exata". O vocábulo português encontra-se na Almeida Revista e Atualizada (ARA), nos texto de Mt 10.41 e Fp 2.22. Porém não traduz o original "charaktēr", mas o grego "onoma" (nome) nas duas ocorrências mateanas e "dokimē" (qualidade de ser aprovado) em Filipenses. A tradução Almeida Revista e Corrigida (ARC) verte a palavra na perícope de Mateus por "qualidade de profeta" e "qualidade de justo". A Nova Versão Internacional (NVI), traduz por "porque ele é profeta", "porque ele é justo". Não há qualquer contradição nas traduções, uma vez que o substantivo "onoma" permite qualquer uma dessas versões. Em o Novo Testamento, "onoma" significa "pessoas" em Ap 3.4, "reputação" em Mc 6.14 e possivelmente "caráter" em Mat 6.9. O nome (onoma) no contexto hebreu corresponde "as qualidades de uma pessoa". Logo, a tradução de "onoma" refere-se à natureza ou categoria do trabalho realizado pelo discípulo de Cristo, e, não necessariamente ao "caráter", como virtude moral.
Já o vocábulo "dokimē", traduzido por "caráter" (ARA), "experiência" (ARC) e "aprovado" (NVI), possui o mesmo sentido de Rm 16.10, isto é, "testado e aprovado". O termo, nesse contexto, sanciona a qualidade moral e a experiência dos personagens envolvidos – Apeles e Timóteo foram testados e aprovados como bons obreiros de Cristo. Literalmente o termo significa "a qualidade de ser aprovado". Essa aprovação somente é ratificada depois que o "caráter" foi minuciosamente testado. A única ocorrência da palavra "charaktēr" em seu sentido verbal e imediato encontra-se em Hebreus 1.3. No exórdio epistolar, o literato afirma que nosso Senhor Jesus Cristo é "a expressa imagem" da pessoa de Deus. Ele é o "charaktēr" – a "estampa", a "gravação" ou "reprodução exata" – da "hypóstasis"("substância", "essência" ou "natureza") do próprio Deus.
Um outro termo grego usado para definir o substantivo “caráter” é “ēthos”. Porém, algumas explicações são necessárias. A ética filosófica costuma distinguir entre ēthos e ethos. A diferença está na vogal longa “ē” (ē – thos) que, infelizmente, não possui corresponde em língua portuguesa. Quando os gregos falavam em ethos, com vogal breve, referiam-se à “ética” (ethiké), em latim, mores, isto é, moral. O termo aludia aos costumes sociais que eram considerados valores necessários à conduta do cidadão na pólis (cidade).
Todavia, empregavam “ēthos” quando desejam descrever o caráter e o conjunto psicofisiológico de uma pessoa. Por extensão, “ēthos” se refere às características peculiares de cada pessoa. Esses traços individuais determinavam as virtudes e os vícios que um cidadão da pólis era capaz de levar a efeito. Essas peculiaridades são explicitamente resgistradas por Aristóteles em Ética a Nicômaco. O termo ethos diz respeito aos costumes sociais (At 6.14; 25.16), mas ēthos ao senso de moralidade e à consciência ética de cada pessoa (1 Co 15.33). Os costumes (ethos) designam os valores éticos ou morais da sociedade, enquanto ēthos às disposições do caráter diante de tais valores. Contudo, enquanto na filosofia aristotélica a virtude definia a relação do sujeito com a pólis, no Cristianismo, define, primeiramente, a relação do homem com Deus e, somente depois com os homens.
Daí as duas principais virtudes do Cristianismo serem a fé e o amor. Como observamos, o caráter é a "marca" pessoal de uma pessoa. O "sinal" que a distingue dos outros e pela qual o indivíduo define o seu estilo, a sua maneira de ser, de sentir e de reagir. Também pode ser definido como o conjunto das qualidades boas ou más de um indivíduo que determina-lhe a conduta em relação a Deus, a si mesmo e ao próximo. O caráter, por conseguinte, não apenas define quem o homem é, mas também descreve o estado moral do homem (Pv 11.17; 12.2; 14.14; 20.27).

Caráter, sua dimensão distintiva
O caráter é distinto do temperamento e da personalidade, embora esteja relacionado a eles. O temperamento refere-se ao estado de humor e às reações emocionais de uma pessoa – o modo de ser. A personalidade envolve a emoção, vontade e inteligência de uma pessoa – aquilo que o individuo é. O caráter, influenciado pelo temperamento e personalidade, é o conjunto das qualidades boas ou más de um indivíduo que determina-lhe a conduta – como a pessoa age. Observe, porém, que uma das características que compõe o ser humano é imutável, inata (temperamento), outra é o desenvolvimento geral dos traços personalógicos do sujeito em determinado momento (personalidade). O caráter, por sua vez, embora intrinsecamente relacionado ao desenvolvimento da personalidade, forma-se em paralelo a ela. Assim como o desenvolvimento físico de uma criança nos primeiros anos é paralelo ao desenvolvimento mental, o caráter é formado à medida que a personalidade vai sendo construída.  Portanto, o caráter é a forma mais externa e visível da personalidade.
Segundo Aristóteles, a disposição moral (caráter) é adquirida ou formada no indivíduo pela prática. Afirma um antigo provérbio que ao “semear um hábito, o indivíduo colhe um caráter”. O caráter, segundo a sabedoria dos antigos, é o resultado de um hábito interiorizado, aprendido através do exercício contínuo das virtudes ou dos vícios. Não deve ser confundido com as paixões (ira, desejos, ódio), muito menos com as faculdades (razão, emoção e vontade), pois essas categorias são naturais, próprias do ser. Consequentemente, a experiência é o palco no qual o caráter age. De acordo com Schopenhauer essa é uma das razões pela qual o caráter é empírico, pois somente com a experiência é que se pode chegar ao seu conhecimento, não apenas no que é nos outros, mas tal qual é em nós mesmos. Afirma o filósofo alemão que “quem praticou determinado ato, tornará a praticá-lo assim que se apresentem circunstâncias idênticas, tanto no bem como no mal”.
Assim sendo, a personalidade determina a forma como o indivíduo se ajusta ao ambiente, mas o caráter o modo como a pessoa age e reage nesse contexto social. Já o temperamento, segundo a definição histórica dos helênicos, designa o “tempero sanguíneo” do organismo. Os sábios da Hélade sabiam muito bem que o temperamento é profundamente influenciado pela composição bioquímica do sangue, pela hereditariedade, constituição física e pelo sistema nervoso. Por ser biológico, hereditário e internalizado no indivíduo pode ser controlado, mas jamais mutável. O caráter, no entanto, é o “sinal psíquico” do indivíduo, que determina-lhe a conduta. Porém, é desenvolvido, educável e mutável. Mediante o temperamento, a personalidade e o caráter, o indivíduo afirma sua autonomia; passa a ter consciência de si mesmo como ser humano e também que tipo de pessoa é. Essa descoberta existencial é um processo contínuo.

Caráter, sua dimensão antropoteológica
Deus criou o homem em duas fases distintas. Na primeira o Eterno forma (hb. asah) a parte somática, corporal e visível do homem, a partir do “pó da terra” (Gn 2.7a). Esse primeiro estágio é chamado de criação mediata ou formativa. Na segunda fase Deus cria (hb. bara) o homem à sua imagem e semelhança (Gn 1.26,27; 2.7b). Essa imagem entende-se por moral e natural. A natural diz respeito àquilo que o homem é: ser racional (intelecto), emocional e volitivo (vontade). A moral relaciona-se à constituição do caráter, da moral e da ética.  Diz respeito à constituição moral do homem, suas disposições intrínsecas que inclui o caráter e a qualidade deste: justo e santo. Antes da Queda, o homem era perfeito em santidade, retidão e justiça. Essas qualidades não procediam do próprio homem, mas eram reflexos dos atributos morais e imanentes do Senhor. Os atributos morais de Deus se refletiam na constituição do sujeito (Ef 4.24; Lv 20.7; 1 Jo 2.29; 3.2,3). Porém, após a Queda, a natureza moral do homem foi corrompida pelo pecado (Rm 1.18-32; 3.23). Em lugar da justiça, o seu antagônico; em vez da santidade o seu oposto; em oposição à virtude o vezo (Gl 5.19-22). Somente a obra salvífica de nosso Senhor Jesus Cristo, mediante a ministração do Espírito Santo, é capaz de revestir o homem de uma nova natureza, criada segundo Deus, “em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.24; 1 Co 1.30).
É o Espírito Santo que transforma o pecador à semelhança da natureza e do caráter de Cristo (2 Co 3.18; 2 Pe 1.3-7). Portanto, para que você se torne o homem ou a mulher que Deus deseja é necessário que o seu temperamento, personalidade e caráter se tornem subservientes dos projetos de Deus para a tua vida. Até que Deus prevaleça sobre nossas vidas (2 Co 2.14), alguns precisam ser jogados numa cisterna, como José (Gn 37.20); outros, ser alimentado por corvos, como Elias (1 Rs 17.6); e, alguns, apresentar sua língua aos serafins, como fez Isaías (Is 6.6,7). O caminho que Deus escolhe para forjar o caráter de seus cooperadores algumas vezes é íngreme e inóspto. Mas, quando eles saem da fornalha, é perceptível até mesmo para os pagãos que eles andaram com o quarto Homem na fornalha (Dn 3.25-27). Deus jamais chamou alguém para uma grande missão sem que esse escolhido passasse por uma profunda transformação moral.
Se desejas que o Deus de José, Elias e Isaías realize em você o mesmo que fez com eles, coloque o seu caráter no altar do Espírito; apresente a sua personalidade Àquele que a todos transforma segundo a imagem de Cristo. Só assim serás a pessoa que Deus deseja que você seja.
Notas
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Martin Claret, 2002, p.40-55.
SCHOPENHAUER, Artur. O livre arbítrio. São Paulo: Editora Novo Horizonte, [s.d.] p.223-4.

 



Paulo o Apóstolo dos Gentios

A vida e formação do Apóstolo dos Gentios
INTRODUÇÃO

Archibald Thomas Robertson afirmou com muita propriedade que, excetuando o próprio Jesus, Paulo é o principal representante de Cristo e o expoente mais hábil da fé cristã.[i] O apóstolo dos gentios desempenhou diversas funções no cristianismo primitivo: missionário, apologista, hagiógrafo, mestre, polemista, entre outras importantes atribuições.

Enquanto em Atos dos Apóstolos Pedro é proeminente nos primeiros doze capítulos, o missionário da incircuncisão ocupa a segunda e maior metade do livro, do capítulo 13 a 28. Além da proeminência que Lucas dispensa ao fundador das igrejas gentílicas em Atos dos Apóstolos, Paulo foi o escritor sacro mais profícuo do Novo Testamento. Dos vinte e sete livros, escreveu treze epístolas, conhecidas como corpus paulinum e, dos duzentos e oitenta e oito capítulos do Novo Testamento, escreveu cento e quinze, restando apenas cento e setenta e três para todos os demais hagiógrafos. De seu cálamo incansável, diz F.F.Bruce, Paulo deixa patente “quão familiarizado era com os ensinos do Senhor”.[ii]

Paulo foi derrubado para ser cegado;
foi cegado para ser mudado;
foi mudado para ser enviado;
foi enviado para que a verdade aparecesse”
(Santo Agostinho)
I. Paulo, o cidadão histórico

A identidade e historicidade de Paulo jamais foram seriamente postas em dúvida. Ernest Renan (o Cético), por exemplo, no segundo volume, Les Apotres (Os Apóstolos), da famosa obra Histoire des Origines du Christianisme (33-45), afirma que Paulo foi a maior conquista da Igreja Primitiva e o “mais ardente dos discípulos de Jesus”.[iii] Se por um lado o Cético atestava a veracidade de Paulo, por outro, Marcião o considerava, em detrimento aos demais, o único apóstolo de nosso Senhor Jesus Cristo.

Já o biblicista Fabris declara que Paulo é o personagem da primeira geração de cristãos que possui as mais comprobatórias evidências de sua pessoa e trabalho.[iv] As fontes tão variadas são que o exegeta classificou-as em:

    * fontes cristãs canônicas – o epistolário paulino;

    * fontes cristãs apócrifas – Atos de Paulo e Tecla, Apocalipse de Paulo, o Martírio de Paulo [...];

    * fontes profanas – de caráter epigráficas, literárias, papirológicas e arqueológicas [...].[v] A essas fontes devemos acrescentar os testemunhos dos sucessores dos primeiros apóstolos: Clemente de Roma, Inárcio, Policarpo e até mesmo as evidências em Marcião, o herege.

Essas evidências textuais, seja canônica, seja profana, literária ou arqueológica, auxiliam no estabelecimento e compreensão do contexto eclesiástico dos primeiros cinco séculos da Igreja Cristã. Sabe-se pelos registros dos cristãos que viveram os quingentésimos anos da Igreja, que os Pais jamais contestaram a historicidade de Paulo, muito embora haja discordância a respeito de suas epístolas. Atualmente, as controvérsias referem-se mais a autoria de algumas epístolas, chamadas deuterocanônicas, do que propriamente a pessoa e obra do apóstolo Paulo. Há, portanto, mais evidências da pessoa, ensinos e obras de Paulo do que qualquer outro grande personagem cristão da igreja nascente.

1. Saulo de Tarso

Paulo era natural da célebre[vi] cidade de Tarso, localizada na Cilícia (At 9.11; 11.25; 21.39; At 22.3; Gl 1.21). Essa rica e culta cidade de língua grega ficava 26 metros acima do mar e distante 16 quilômetros do nível do Mediterrâneo. [vii] Além de ser uma das mais antigas cidades do mundo, no século 1, era a capital e a maior cidade da Cilícia.

A população de Tarso jactava-se de sua riqueza agrícola e comercial, bem como de sua universidade, julgada superior às grandes academias de Alexandria e Atenas. O historiador, geógrafo e filósofo grego Estrabão (58 a.C.) descreve o povo de Tarso como “apaixonados pela filosofia” e de “espírito enciclopédico”; e a cidade como aquela que eclipsou todas as outras que foram “terra natal de alguma seita ou escola filosófica”.[viii]

Do vulto de seus intelectuais, a cidade de Tarso orgulhava-se do filósofo estoico Athenodoros, nascido em 74 a.C., preceptor de César e autor profícuo de diversas obras históricas e filosóficas.[ix] Murph-O’Connor, assinala que os habitantes de Tarso eram seriamente entusiasmados com a educação, a ponto de saírem da terra natal em busca de mais conhecimentos.[x]

1.1. A educação do jovem hebreu de Tarso

A influência da cultura e do espírito crítico da cidade de Tarso nota-se na formação heleno-latina de Paulo. Como já citei em nossa obra Hermenêutica Fácil e Descomplicada, em Atos 17.28, por exemplo, o apóstolo cita o poeta e filósofo estoico natural da Cilícia, Arato (315-240 a.C.), e também a poesia Hino a Zeus, do filósofo estoico Cleantos (331-232 a.C.), discípulo de Zenão de Cício (332-269 a.C.), fundador da escola estoica.

Em 1 Coríntios 15.32, Paulo faz também uma referência provável a Isaías 22.13: “Comamos e bebamos, que amanhã morreremos”. Todavia, escavações arqueológicas descobriram em Anquiale, cidade vizinha a Tarso, uma estátua do fundador da “metrópole da Cilícia”, Sardanapalo, com a seguinte inscrição: “Come, bebe, desfruta a vida. O resto nada significa”. É provável que Paulo ao citar positivamente a exortação de Isaías tivesse intenção de criticar essa declaração hedonista.[xi]

Embora empregasse diversos recursos estilísticos e retóricos greco-romanos, e citasse perícopes e versos dos filósofos e poetas, a exegese paulina era fundamentalmente hebraica, condicionada, principalmente, pela sua formação judaica e leitura do Antigo Testamento dos Setenta. Mas o que sabemos concretamente a respeito da formação de Paulo em Tarso?

Entre os especialistas não há muita unidade a respeito da formação universitária de Paulo. Todos concordam que ele era um judeu culto da diáspora e familiarizado com a poesia e filosofia de sua época, porém discordam entre si a respeito da educação formal de Paulo. F. F. Bruce, baseado em Atos dos Apóstolos 22.3, afirma que Paulo embora “nascido em Tarso, foi educado em Jerusalém” e, por essa razão, o erudito não aceita a hipótese de que Paulo tenha frequentado as escolas de Tarso, muito embora vivesse em um centro de cultura grega. [xii]

Outro biblista, Christopher Forbes, ao comparar as epístolas paulinas com os recursos retóricos antigos, se convence de que “Paulo não é, em termos greco-romanos, um ‘homem de letras’ (anēr logios, At 18.24)”.[xiii] Para Forbes, a educação formal de Paulo não atingiu os níveis superiores.

Todavia, Ronald F. Hock afirma que “as cartas de Paulo, a despeito de seus desmentidores, denotam uma pessoa que havia passado pela sequência curricular da educação greco-romana”. [xiv] Para provar sua assertiva, Hock recorre à estrutura da educação formal do primeiro século e sua relação com as citações paulinas dos poetas e filósofos. As citações primárias de filósofos como Eurípedes e Menandro, justificam, para o rapsodo, a passagem de Paulo pela primeira etapa da educação grega ou pelo currículo primário; e o uso de recursos literários e das citações explícitas da Septuaginta, a participação no currículo secundário. Hock está convencido, pela análise da extensão, complexidade e vigor das epístolas paulinas que o seu autor “recebeu um treinamento continuado em composição e retórica” e, por essa razão, cursou o currículo terciário, que preparava os seus aprendentes nessas técnicas.[xv]

Há tantas lacunas cronológicas na biografia de Paulo, que estou convencido de que nenhuma das posições pode ser afirmada com certeza, e a exiguidade desse espaço não permite aprofundar as discussões. Contudo, o fato de o apóstolo ser educado em Jerusalém, não significa necessariamente que ele não completou os estudos formais comuns aos jovens de Tarso. Para retomar de outro modo a generalidade do problema, a dificuldade de se encontrar os elementos retóricos mais sofisticados e apurados nas epístolas, justifica-se por elas não serem tratados retóricos formais, mas escritos desenvolvidos para dirimir dúvida e controvérsias pontuais nas igrejas cristãs citadinas. Paulo as escreve na urgência do trabalho missionário, como justifico em nossa obra Igreja: Identidade e Símbolos.[xvi] É óbvio que os escritos de Paulo testificam da genialidade de seu autor. Dificilmente alguém negaria ao apóstolo o status de pessoa educada e instruída na filosofia, retórica e composição literária. De modo geral, em círculos mais ortodoxos, a cristandade está mais disposta a aceitar a posição de Hock do que a de Bruce e Forber, muito embora alguns especialistas prefiram o contrário.

Controvérsias à parte, independente de Paulo ter cursado ou não uma universidade em Tarso, ele era um teólogo e homem extremamente culto. E as influências culturais de ser criado em uma cidade cosmopolita, que se orgulhava de seu sistema de ensino e de seus filósofos, deixaram marcas indeléveis no jovem judeu de Tarso.

Todavia, Paulo mostra-se reticencioso no emprego de sua educação na formação das igrejas cristãs citadinas. Apesar de encontrarmos diversos recursos estilísticos e retóricos no epistolário paulino, o apóstolo recusava-se, como afirmou Ronald F. Hock, a “incorporar a sabedoria mundana na sua pregação apostólica (1 Co 2.1-4).” [xvii]


Notas

[i] ROBERTSON, A.T. Épocas na vida de Paulo: um estudo do desenvolvimento na carreira de Paulo. 2.ed., Rio de Janeiro: JUERP, 1982, p.17.

[ii] BRUCE, F.F.Merece confiança o Novo Testamento? São Paulo: Edições Vida Nova, 1965, p. 102.

[iii] RENAN, Ernest. Histoire des Origines du Christianisme (33-45): Les Apotres. Paris: Calmann-Lévy, Éditeurs [?], p.163.

[iv] FABRIS, Rinaldo. Para ler Paulo. São Paulo: Edições Loyola, 1996, p.7.

[v] Id.Ibid., p.7-12.

[vi] Em At 21.39, Paulo refere-se a Tarso como “cidade pouco célebre na Cilícia”, provavelmente faz jus a Estrabão que da cidade dissera, “ela pode reivindicar o nome e o prestígio de metrópole da Cilícia”; Geografia XIV, 5.5-15, apud Fabris, Id.Ibid., p.22.

[vii] Ver PFEIFFER, C. F. (et al.) Dicionário bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p.1884.

[viii] Descrição geográfica e histórica da cidade de Tarso feita por Estrabão, Geografia XIV, 5.5-15, apud Fabris, Id.Ibid., p.22.

[ix] Estrabão afirma que a cidade possuía dois grandes intelectuais de mesmo nome, o citado é Athenodoro Cananita, tutor e conselheiro de Augusto, e o outro é o Estóico, companheiro de Cato, o jovem; Geografia XIV, 5.5-15, apud Fabris, Id.Ibid., p.22.

[x] MURPHY-O’CONNOR, Jerome. Paulo, biografia crítica. São Paulo: Edições Loyola, 2004, p.50.

[xi] BENTHO, Esdras C. Hermenêutica fácil e descomplicada: como interpretar a Bíblia de maneira prática e eficaz. 9.ed.,Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p.196-198; ver ainda CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo: Candeias, 1995, p.377, vl. III, Atos a Romanos.

[xii] BRUCE, F.F. Paulo nos Atos e nas Cartas. 
In: HAWTHORNE, Gerald F.; MARTIN, R.P.; REID, D.G. (orgs.) Dicionário de Paulo e suas Cartas. São Paulo: Paulus, Vida Nova, Edições Loyola, 2008, p.940.

[xiii] FORBES, Christopher. Paulo e a comparação retórica. In: SAMPLEY, J. P. (org.) Paulo no mundo greco-romano: um compêndio. São Paulo: Paulus, 2008, p.133.

[xiv] HOCK, Ronald F. Paulo e a educação greco-romana. In: SAMPLEY, J. P. (org.) Paulo no mundo greco-romano: um compêndio. São Paulo: Paulus, 2008, p.185.

[xv] HOCK, Ronald F. Id. Ibid, p.186,187.

[xvi] BENTHO, Esdras C. Igreja: Identidade e Símbolos. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

[xvii] HOCK, Ronald F.Id. Ibid, p.171.

 




 

 

 

As Viagens Missionárias de Paulo

As viagens e vicissitudes de Paulo para pregar o Evangelho aos Gentios
A igreja cristã primitiva evangelizou o mundo greco-romano aproximadamente em trintas anos. O imperativo missionário de Atos 1.8 (ver Mt 28.19,20; Mc 16.15-18) era uma ordem que não admitia contestação e indolência. Portanto, os discípulos, movidos pelo Espírito Santo, preocuparam-se com o imediato cumprimento da evangelização do mundo. Embora as viagens evangelísticas tenham início com Filipe (At 8.5-40) e Pedro (At 9.32 – 11.1), somente com as incursões missionárias de Paulo entre os gentios é que elas se estabeleceram como um método para se chegar à Ásia Menor, Europa, Roma e aos confins da terra. 
I. A PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (AT 13 – 14)

1. De Antioquia a Chipre (At 13.1-12). A primeira viagem missionária de Paulo ocorre depois de seu comissionamento pelo Espírito Santo (vv.2,3). Juntamente com Barnabé, a partir de Selêucia, porto marítimo de Antioquia, Paulo parte em direção à Ásia Menor, sob a orientação do Espírito Santo (v. 4). Com isto Lucas quer demonstrar que o verdadeiro protagonista da missão evangelística é o Espírito Santo (v.9). Ao chegar a Chipre, cidade natal de Barnabé (At 4.36), desembarcam em Salamina, uma cidade marítima com uma grande população judaica, e anunciam a Palavra do Senhor aos judeus na sinagoga da região. Indo em direção à ilha de Pafos, pregavam o evangelho nos povoados adjacentes. Pafos, a capital administrativa de Chipre, era supersticiosa e tinha como padroeira a deusa do amor e da libertinagem, Vênus. Aqui, a força do evangelho enfrenta a resistência das forças malignas e desmascara o falso profeta Elimas, o encantador, resultando na conversão de Sérgio Paulo, governador da província. O propósito de Lucas é afirmar que o evangelho de Jesus não se confunde com o sincretismo grego, e a força do mal não impedirá a graça triunfante da cruz. De agora em diante, Saulo, chamar-se-á Paulo (vv.2,7,9,13).

2. De Chipre a Antioquia da Pisídia (At 13.13-52). De Pafos, subindo o rio Cestro, Paulo chega a Perge, região da Panfília e devotos de Diana (Ártemis), deusa da caça, cujo templo ficava em uma colina. Afastado da cidade central, no interior, havia povos primitivos e idólatras. Suspeita-se que João Marcos abandonara a comitiva por medo desses bárbaros (vv.5,13). Depois de viajar 160km, Paulo chega a Antioquia da Pisídia, cidade com grande comunidade judaica e posto militar romano avançado. Na sinagoga local, prega aos judeus da dispersão, convencendo a muitos, judeus e prosélitos. No sábado seguinte, uma grande multidão ajuntou-se para ouvir a Palavra de Deus, mas os judeus, blasfemando, incitaram algumas pessoas contra Paulo e o expulsaram da cidade. Mas os discípulos, cheios de alegria e do Espírito Santo, partiram para Icônio. Mais uma vez, Lucas registra que o Espírito Santo está dirigindo a comitiva santa.

3. De Icônio ao regresso a Antioquia (At 14.1-28). Icônio era uma cidade estratégica para a difusão do evangelho pelo fato de unir as cidades de Éfeso, Tarso, Antioquia e o Oriente. Paulo mais uma vez evangeliza os judeus da dispersão na sinagoga local e, como anteriormente, muitos creem enquanto uns se dividem a favor dos apóstolos e outros dos judeus. Temendo por suas vidas, Paulo e Barnabé fogem para Listra e Derbe, cidades da Licaônia. Listra ficava cerca de 30km de Icônio e, desde 6.a.C. era colônia militar romana. Nessa cidade, que adorava o deus grego Zeus, os missionários dirigiram-se aos pagãos nativos, que falavam licaônico, e curaram um portador de necessidades especiais de nascença. A população pagã imediatamente atribuiu o milagre à encarnação dos deuses Zeus e Hermes e, sem sucesso, tentaram oferecer sacrifícios aos missionários. Paulo justifica-se e anuncia o evangelho. Contudo, uma turba de judeus e gentios, procedentes de Antioquia e Icônio, apedrejam os apóstolos, dando-os como mortos. No dia seguinte, Paulo e Barnabé, dirigem-se a Derbe, e muitos se convertem. Em vez de retornarem a Antioquia pelas “Portas de Cílicia”, via Tarso, preferem passar pelas cidades anteriores confirmando a fé dos discípulos.

II. A SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA (AT 15.36 – 18.28)


1. Em direção à Ásia (15.36–16.8). Após a ruptura com Barnabé, Paulo prossegue na companhia de Silas e, em Listra, une-se a ele o jovem Timóteo. Partindo de Antioquia, dirigem-se à Síria confirmando às igrejas na fé e informando-as a respeito da resolução do Concílio de Jerusalém (vv.4,5), uma vez que havia grandes comunidades judaicas nessas regiões. Passam pela região da Frígia e da Galácia, mas o Espírito Santo interrompe o itinerário por eles estabelecido e apresenta-lhes um novo projeto. São impedidos de evangelizar nas regiões da Ásia e seguem em direção a Mísia. De lá, intentam ir a Bitínia, mas o Espírito Santo impede-os mais uma vez. Seguem, portanto, para Trôade, na costa do mar Egeu e local mais próximo da Europa.

2. Em direção à Europa (16.12–18.18). Em Trôade, Paulo é orientado a seguir para a Macedônia. Em direção a Filipos, passa por Samotrácia e Neápolis até chegar ao destino proposto. Em Filipos, primeira cidade da Macedônia e marco da obra na Europa, Lídia, a primeira europeia convertida ao evangelho, constrange os apóstolos a hospedarem-se em sua casa. Nessa cidade, assim como acontecera em Salamina, libertam uma jovem que tinha espírito de adivinhação. Como consequência, os apóstolos foram encarcerados. Na prisão, Paulo e Silas adoravam a Deus quando, sobrenaturalmente, um terremoto abriu as portas do cárcere. Esse episódio foi responsável pela conversão do carcereiro e, depois, quando os apóstolos foram libertos, de toda sua família. De Lídia seguiram a Tessalônica, passando por Anfípolis e Apolônia. Desta última, caminhou a pé 64km até chegar em Tessalônica. Na sinagoga local evangelizaram os judeus, os gregos religiosos e algumas mulheres importantes, até que os judeus incrédulos incitaram a multidão contra eles. Forçados, saíram da cidade em direção a Bereia, evangelizando judeus, gregos e mulheres na sinagoga da cidade. Novo tumulto força Paulo a deslocar-se para Atenas, entretanto, Silas e Timóteo permaneceram na cidade. Em Atenas, capital da Ática e centro cultural, Paulo se comove observando a idolatria dos atenienses. O discurso de Paulo no Areópago é um dos mais belos e cultos sermões cristãos. Contudo, a vaidade cultural, a corrupção dos costumes, e a falta de compreensão a respeito da ressurreição impediram os atenienses de responderem positivamente à fé cristão; poucos converteram-se.
3. Regresso (18.18-22). De Atenas, Paulo dirigiu-se a Corinto, a mais importante metrópole da Grécia. Lá conheceu o casal Aquila e Priscila. E todos os sábados anunciava o evangelho aos judeus e gentios da cidade, resultando na conversão de Crispo, o principal da sinagoga. A estadia de Paulo na cidade foi de um ano e seis meses. Dali despediu-se dos irmãos indo em direção a Éfeso, na província da Lídia, passou por Cesareia e Jerusalém até chegar a Antioquia.

III. A TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA E VIAGEM ROMA (AT 18.23 – 28.31)

1. De Antioquia a Macedônia (18.23 – 20.3).
 De Antioquia, Paulo dirigiu-se a Éfeso, a fim de fortalecer a igreja local. Alguns discípulos nada sabiam a respeito do Espírito Santo. Paulo além de ensiná-los, orou para que eles recebessem o dom do Espírito. Imediatamente o Espírito desceu sobre eles, outorgando-lhes os dons sobrenaturais. Além do fortalecimento da igreja, muitos sinais e maravilhas, conversões e manifestações públicas de fé ocorreram em Éfeso. A superstição, a idolatria e a magia foram vencidas nessa cidade. Diz Lucas que “a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia” (At 19.20). Paulo segue para Trôade e, a seguir, dirige-se à Macedônia.

2. De Filipos a Jerusalém (20.6 – 21.17). Nessa seção do livro de Atos, Paulo está regressando de sua terceira viagem missionária. Visita a Macedônia, a Grécia e, logo a seguir, retorna a Ásia (20.1-6). Os fatos marcantes desse regresso são: o longo discurso de Paulo, a ressurreição de Êutico, e a pregação aos anciãos de Éfeso. Paulo desde já alertara a igreja que ele não seria mais visto pela igreja (v.38).  Depois de passar por algumas regiões, embora fosse avisado para que não fosse a Jerusalém, cumpre seu intento e é preso pela turba judaica. Paulo discursa em sua defesa e comparece diante do Sinédrio. Todavia, o Senhor o fortalece e anuncia que importa que ele vá a Roma anunciar o evangelho.

3. Viagem a Roma (23.31-33; 27 – 28.31). A viagem de Paulo a Roma é precedida de vários episódios e discursos importantes. Comparece perante Festo e ali apela para César; apresenta-se ao rei Agripa e o evangeliza. Agripa reconhece diante de Festo a inocência de Paulo, mas é forçado a enviá-lo a Roma. Em Roma fica preso em sua própria casa durante dois anos, “pregando o Reino de Deus e ensinando com toda liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum” (28.31).

A história das viagens missionárias de Paulo é, na verdade, a história dos Atos do Espírito Santo na vida desse intrépido servo de Deus. O Espírito Santo ainda opera as mesmas maravilhas narradas em Atos, basta apenas alguém solícito clamar: “Eis-me aqui, envia-me a mim”.




Crescimento sem profundidade

O estado da igreja evangélica atual

Acabo de ler o último livro de John Stott (1921-2011). Publicado em 2010, O Discípulo Radical traz o adeus singelo e carinhoso do teólogo inglês: “Ao baixar minha caneta pela última vez (literalmente, pois confesso não usar computador), aos 88 anos, aventuro-me a enviar essa mensagem de despedida aos meus leitores. Sou grato pelo encorajamento, pois muitos de vocês me escreveram”. Algumas linhas adiante, despede-se ele de seus amigos e discípulos: “Mais uma vez, adeus”. O livro não é só despedida; é um alerta grave e urgente à nossa cristandade. Ao descrever o perfil da igreja evangélica atual, o irmão Stott, já bastante apreensivo, preferiu ser econômico nas palavras: “Crescimento sem profundidade”.

Constranjo-me a concordar com a análise de Stott. Sei que não devo generalizar, pois ainda há rebanhos sadios e bem nutridos. Mas a verdade é que nunca as igrejas estiveram tão cheias de crentes tão vazios. O que está acontecendo conosco? De imediato, seja-me permitido apontar dois fatores que vêm orfanando os filhos de Deus: a substituição do Cristo eterno pelo Jesus secular e a retirada da cruz da mensagem evangélica.         

Ao invés do Cristo eterno, o Jesus secular

O maior inimigo de Cristo na presente década é o Jesus que nós, evangélicos, criamos no século passado. Parece que, no armário de nossa teologia, há sempre um “Jesus” pronto a justificar-nos todos os disparates e ambições. Tal Jesus, porém, está longe do Cristo morto e ressurreto do Evangelho. O interessante é que, há bem pouco tempo, não poupávamos ataques ao Jesus comunista da Teologia da Libertação. Mas acabamos por inventar um bem pior. Capitalista e terreno, nosso Jesus desenvolveu uma ação preferencial pelos ricos, e já não se acanha em especular na bolsa dos valores invertidos e efêmeros. Ele induz o povo de Deus a transformar pedras em pães, a saltar do pináculo do templo e a curvar-se ante o príncipe desta geração – o maldito e perverso Mamom.
 

Na promoção do Jesus capitalista, alguns mestres e doutores estão tornando o rebanho de Deus dependente de um cristianismo sem Cristo: é o ópio do atual evangelicalismo. Não foi essa, porém, a mensagem que Paulo expôs aos coríntios. Professando estar comprometido com o evangelho genuíno e radical, escreve o apóstolo: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1Co 2.2).

Se quisermos um crescimento com profundidade, temos de nos voltar, com urgência, ao Cristo anunciado pelos santos apóstolos: morto, crucificado e ressurreto. O Jesus do Calvário é insubstituível e inimitável.

Ao invés da Palavra de Deus, a palavra do homem

Quem prega um Jesus diferente do Cristo apostólico acabará por expor um evangelho estranho à mensagem da cruz. Assim como a Lei de Moisés nada era sem os Dez Mandamentos, de igual modo o Sermão do Monte: de nada nos valerão suas bem-aventuranças sem as reivindicações éticas do Mestre. Logo, não posso aceitar uma mensagem politicamente correta se, profeticamente, for inconsistente e permissiva. Afinal, fomos chamados a atuar como homens de Deus e não a representar como homens do povo. Nosso compromisso é com a Palavra de Deus.

Na ânsia por aumentar seus rebanhos, há pastores que retiram a cruz de suas mensagens, tornando-as mais palatáveis. Já descompromissados com o Sumo Pastor, não mais falam o que os crentes necessitam ouvir, mas o que os seus clientes querem escutar. Se estes não mais suportam a sã doutrina e, acriticamente, consomem o que lhes chega ao aprisco, por que se afadigar em servir-lhes o genuíno alimento espiritual? Ao invés do texto bíblico, um pretexto casuístico e oportunista. Não sei que nome dar a esse tipo de sermão. De uma coisa, porém, não tenho dúvidas: deve ser muito eficiente, porque infla as igrejas e engorda os rebanhos. Nesses currais, porém, as ovelhas não são fortes: são obesas de si mesmas. Embora comam muito, alimentam-se mal. Acham-se à beira da inanição. A mensagem pode ser eficiente, mas é ineficaz para nutrir as almas que anseiam por Deus.

Em toda a história da Igreja Cristã, nunca se consumiu tantos livros e sermões. E, apesar disso, nunca se viu tantos crentes gordos de si e magros de Deus. Essa gente enche os templos e inflaciona as estatísticas, gerando um crescimento raso.

Não sou contra o aumento do rebanho de Cristo. Se o Evangelho é pregado é natural que se distendam os redis. Haja vista a Igreja Primitiva. Passados trinta anos, desde o Pentecostes, as conversões multiplicaram-se em Jerusalém, tomaram toda a Judeia e Samaria, alcançando os confins da terra. Aliás, havia convertidos até mesmo na casa de César. Mas era crescimento profundo e radical – enraizado na doutrina dos santos apóstolos.

Só pode haver crescimento genuíno com maturidade espiritual. Há uma grande diferença entre o fruto que por si mesmo amadurece e o que é posto na estufa. Este pode ser até maior, mas jamais terá a doçura daquele. Infelizmente, muitas igrejas tornaram-se estufas de crentes. Suas mensagens, geradas em eficientes departamentos de marketing, engrandecem o homem e diminuem Deus, exaltam a bênção e humilham o Abençoador, menosprezam a doutrina da santificação por já não prezarem o santíssimo Deus.

Aferindo a qualidade do rebanho de Cristo

Temos de aferir nossa qualidade não pelas estatísticas, e, sim, pela doutrina dos apóstolos. Antes recorríamos à Bíblia e, humildemente, cotejávamos a nossa vida de acordo com a Palavra de Deus. Hoje, buscamos os gráficos do IBGE e nos aborrecemos quando nossas expectativas não são cumpridas. Dessa forma, viemos a substituir o imperioso “ide” do Mestre por metas empresariais. E, sempre que estas são batidas, distribuímos galardões: reajustes salariais, viagens e presentes. Se continuarmos assim, não estou certo se haverá alguma coisa a recebermos no Tribunal de Cristo, pois a nossa premiação eterna já está sendo usufruída no tempo.

John Stott não estava errado. A igreja evangélica cresceu e já é contada aos milhões. Somos, de fato, um oceano vasto, azul e belo. Infelizmente, tal oceano pode ser atravessado com as águas pelos artelhos. Quem dera fôssemos como o poço de Jacó! Não tinha a boca grande nem arrogante. Sua profundidade, contudo, era insondável. Para que isso venha a acontecer, faz-se urgente que voltemos ao Cristo de Deus, e deixemos de lado os “jesuses” que, todos os dias, tiramos de nossa prateleira teológica. Além disso, faz-se urgente recolocarmos a cruz em nossas mensagens.

Se agirmos assim, nosso crescimento terá a profundidade do rio de Ezequiel. De caudaloso e insondável, terá de ser transposto a nado. Basta de pregarmos o que o povo quer ouvir. Falemos o que as pessoas precisam escutar. Além do mais, na Igreja não temos clientes, mas ovelhas ansiosas por ouvir o Bom Pastor


notas fonte  cpad news



O que Spurgeon pregaria hoje?


E como o público evangélico reagiria às suas contundentes pregações?

O pregador inglês Charles Haddon Spurgeon nasceu em 19 de junho de 1834 e começou a pregar em 1850. Ele, que tem sido considerado o príncipe dos pregadores e um apologista exemplar, pregou o Evangelho e combateu heresias e modismos de seu tempo até 1892, quando partiu para a eternidade. As citações abaixo deixam-nos com a impressão de que ele se referia aos trabalhosos dias em que vivemos...

"A apatia está em toda parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto; só que, quanto mais curto, melhor" ("Preface", 
The Sword and the Trowel [1888, volume completo], p.iii).

Meu Deus, se naquela época as coisas já estavam assim, o que Spurgeon diria hoje?!

"Haveria Jesus de ascender ao trono por meio da cruz, enquanto nós esperamos ser conduzidos para lá nos ombros das multidões, em meio a aplausos? (...) se você não estiver disposto a carregar a cruz de Cristo, volte à sua fazenda ou ao seu negócio e tire deles o máximo que puder, mas permita-me sussurrar em seus ouvidos: 'Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?'"
("Holding Fast the Faith", The Metropolitan Tabernacle Pulpit, vol.34 [Londes, Passmore and Alabaster, 1888], p.78).

O sermão acima foi pregado em 5 de fevereiro de 1888, quando Spurgeon estava sendo censurado por defender o Evangelho. O que ele falaria hoje das pregações antropocêntricas, que nada falam acerca do Senhor Jesus e sua gloriosa obra vicária?

"Estão as igrejas vivenciando uma condição saudável ao terem apenas uma reunião de oração por semana e serem poucos que a frequentam?"
("Another Word Concerning the Down-Grade", The Sword and the Trowel [agosto, 1887], pp.397,398).

Infelizmente, o chamado "louvorzão" tem substituído o período de oração, em nossos cultos. Spurgeon ainda fala!

"O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhe tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam de cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice" ("Another Word Concerning the Down-Grade", 
The Sword and the Trowel [agosto, 1887], p.398).

Spurgeon disse isso em 1887 mesmo?!

"Não há dúvidas de que todo tipo de entretenimento, que manifesta grande semelhança com peças teatrais, tem sido permitido em lugares de culto, e está, no momento, em alta estima. Podem essas coisas promover a santidade ou nos ajudar na comunhão com Deus? Poderiam os homens, ao se retirarem de tais eventos, implorar a Deus em favor da salvação dos pecadores e da santificação dos crentes?"
("Restoration of Truth and Revival", The Sword and the Trowel [dezembro, 1887], p.606).
Hoje, os seguidores da "nova onda" revoltam-se contra os que defendem o Evangelho. Mas o que diriam eles de Spurgeon?


O conselheiro cristão

O ministério do aconselhamento

Certa feita, um crente fiel e interessado em elucidar as dúvidas de sua fé, abordou Gregório Nazianzeno com uma pergunta, que levou o teólogo a sugerir-lhe: “Seria bem melhor responder-lhe do púlpito”. Se o admirável doutor da igreja capadócia tinha, de fato, um coração de pastor, por que deixaria de ouvir o balido da ovelha?

Em vez de criticá-lo, coloquemo-nos em seu lugar.

Estaríamos nós, realmente, dispostos a dispensar atenção e tempo a uma única pessoa? Ou transformar-lhe-íamos a pergunta numa tese a ser exposta no principal culto da igreja, buscando, assim, fugir ao estresse de uma entrevista no gabinete pastoral?

Via de regra, preferimos tratar as necessidades humanas de forma coletiva a dispensar-lhes um tratamento individual, diferenciado e específico. Nosso Senhor, porém, insta-nos a agir como Ele agiu: aconselhava tanto coletiva quanto individualmente. Assim deve atuar o conselheiro cristão. Se por um lado ministra os conselhos de Deus da tribuna ao rebanho sempre nédio — onde dificilmente é interpelado — por outro, não teme receber a ovelha ferida em seu gabinete — onde é aparteado exaustivamente.

De qualquer forma, não haverá de fugir ele à sua vocação: é um conselheiro pastoral; para esse mister Deus o chamou.

I. O QUE É O CONSELHEIRO PASTORAL

Basta uma leitura de Atos para logo concluirmos: não há cristão que não seja conselheiro. É o que afirma o apóstolo Paulo (Cl 3.16). No mesmo livro, porém, constatamos que o Espírito Santo separa determinadas pessoas, para que se consagrem ao ministério do aconselhamento. Nos momentos de crise, requer-se a pronta intervenção de alguém chamado especificamente a essa tarefa.

Todavia, o que é o conselheiro cristão? É um profissional? Um médico de almas? Ou um ministro do evangelho?

1. Definição etimológica. A palavra conselheiro é oriunda do vocábulo latino 
consiliariu, e significa “aquele que se assenta no concílio ou assembléia”. Semelhante definição remete-nos às praças e aos palácios da antigüidade, nos quais congregavam-se os sábios para orientar os concidadãos a decidirem entre o certo e o errado. Haja vista o episódio narrado no livro de Rute. No portão de Belém, reuniram-se os anciãos, a fim de ajudar Boaz a obter o direito de ser o resgatador da jovem moabita (Rt 4.1-12).

2. Definição genérica. Conselheiro é aquele que ministra conselhos seja na discrição de um gabinete, seja na efervescência da assembléia do povo. Também é conhecido como conselheiro o ministro encarregado de orientar o chefe de Estado. O pensador cristão Charles Colson, por exemplo, atuou durante vários anos como conselheiro especial do presidente norte-americano Richard Nixon. Em sua autobiografia, narra a tensão e as dificuldades por ele enfrentadas no desempenho de sua função. O conhecimento não lhe era suficiente; a sabedoria era-lhe indispensável; a experiência, imprescindível. Ora, se para aconselhar uma autoridade secular requer-se tamanha responsabilidade, como portar-se ante as demandas da Igreja de Cristo?

3. Definição teológica. O conselheiro pastoral é alguém capacitado pelo Espírito Santo para ajudar as ovelhas de Cristo nos momentos de crise, mostrando-lhes, através da Bíblia Sagrada, a vontade de Deus e as soluções apontadas pela Palavra de Deus.

Ao romancear a biografia de Lucas, a autora canadense Taylor Caldwell cognominou-o de médico de almas e de homens. Por que médico de almas? Desde a sua chamada ao ministério cristão, tornara-se  um especialista em curar as feridas do espírito. Eis por que todos o chamavam de médico amado (Cl 4.14). Se nos empenharmos por seguir-lhe o exemplo, também seremos tidos na conta de médicos de almas. Não foi justamente para isso que nos convocou o Senhor Jesus? Quando os fariseus o censuraram por dedicar-se aos pecadores, respondeu-lhes: “Os sãos não necessitam de médico, mas sim os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores” (Mc 2.17).

Não são apenas os incrédulos que se acham com a alma enferma. Os crentes também enfrentam graves moléstias espirituais, conforme escreve Paulo aos irmãos de Corinto: “... há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem” (1 Co 11.30). Que terapia usaremos para restaurá-los? Existe apenas uma terapia realmente eficaz: a ministração da Palavra de Deus através do aconselhamento pastoral, pois nem sempre as pregações públicas são eficientes àquele que requer um tratamento individual e diferenciado. Algumas doenças da alma não podem ser tratadas numa enfermaria coletiva.
    
II. O CONSELHEIRO NO ANTIGO TESTAMENTO

Em Israel, os conselheiros eram bastante requisitados. Até mesmo Salomão, considerado o mais sábio dos homens, tinha-os em elevada estima (1 Rs 12.6). A palavra destes homens, nem sempre idosos, mas necessariamente idôneos, era consignada como a voz de um anjo de Deus (2 Sm 16.23; Ec 4.13). A fim de aconselhar a sua geração, Salomão escreveu dois livros: Provérbios e Eclesiastes.

Se os conselheiros, porém, viessem a desconsiderar a sabedoria de Deus, levariam todo um império à ruína. Haja vista a divisão das tribos de Israel no tempo de Roboão (1 Rs 12.1-15). E o conselho de  Balaão, filho de Peor? Instruído por sua cobiça, Balaque prontamente colocou tropeços diante dos filhos de Israel, incitando-os a se prostituírem e a comerem dos alimentos oferecidos aos ídolos (Ap 2.14).

A função de conselheiro era de tal forma importante em Israel, que o  Messias foi assim descrito: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6). A expressão hebraica 
peleh yohets é particularmente emblemática. Descreve alguém que, por seus atributos divinos, é a fonte de todos os tesouros do conhecimento, segundo a descrição que faz Paulo do Senhor Jesus Cristo: “Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em caridade e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus — Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Cl 2.2,3).

É por isso que elegemos o Senhor Jesus como o paradigma do conselheiro pastoral. Aliás, não poderia ser doutra forma; ninguém falava e aconselhava como o nosso Salvador.

III. O CONSELHEIRO NO NOVO TESTAMENTO

A Igreja de Cristo é a comunidade conselheira por excelência. Na Grande Comissão, ela recebe tal incumbência do próprio Cristo: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!” (Mt 28.19,20).

Enfocando tão importante faceta da Igreja, ponderou Fred Catherwood: “A Igreja deve ser uma comunidade de estímulo”. Nesse sentido, que ela se poste como um hospital de almas, cujos médicos acham-se em permanente plantão para socorrer as ovelhas do Cristo. De João Batista a João, o Teólogo, o conselho marca indelével e inconfundivelmente o Novo Testamento.

1. João Batista. Ao preparar o caminho do Senhor, João Batista santificou-se a aconselhar os filhos de Israel, pois só assim haveriam eles de alcançar o ideal que lhes traçara o Senhor na Lei de Moisés e nos Profetas.

Certa vez, João foi procurado por uns publicanos e soldados que buscavam uns conselhos práticos para o seu dia a dia. Refletindo a justiça profética, assim o Precursor do Messias exortou-os: “Não peçais mais do que aquilo que vos está ordenado. A ninguém trateis mal, nem defraudeis e contentai-vos com o vosso soldo” (Lc 3.13,14). Ao censurar Herodes, veio a perder a vida (Mt 14.1-12). Seus conselhos, todavia, não puderam ser calados; continuam a ecoar, mostrando-nos ser a ética e a justiça o caminho trilhado pelos que temem a Deus.

2. Jesus Cristo. Jesus é o eterno, maravilhoso e infalível conselheiro. Ele aconselha-nos através de seus sermões, por meio de suas parábolas, através de seus pronunciamentos, mediante suas profecias; valendo-se de sua própria vida, serve-nos de perfeitíssimo conselho.

No Sermão da Montanha, admoesta-nos a viver segundo a lei do amor. Nas parábolas, exorta-nos a agir de acordo com o padrão divino, comparando as coisas do céu com as da terra. E, em suas profecias, insta-nos a proceder de conformidade com a vida futura. Ele não se atinha apenas à vida no céu. Sabendo quão estressante é o nosso cotidiano, deixou-nos uma série de princípios, visando aliviar-nos da pressão do cotidiano. Seus conselhos e métodos continuam tão atuais, hoje, quanto há dois mil anos.

3. Apóstolos. Através dos conselhos que diariamente ministravam, os apóstolos fizeram da Igreja Cristã uma comunidade orientadora. A eloqüência de Pedro não era medida somente pelos discursos; mediam-na, também, pelos consolos que o galileu ia dispensando às ovelhas de Cristo.

Tiago, o enérgico pastor de Jerusalém, não era conhecido apenas pelo rigor com que tratava as coisas de Deus; conheciam-no, de igual modo, por sua palavra oportuna e conciliadora. E Paulo? Não era ele o grande doutor dos gentios? Apresentava-se, igualmente, como o orientador da gente simples quer entre os judeus, quer entre os gregos e romanos. Já no Apocalipse, deparamo-nos com João; se por um lado descerra ele os mistérios do futuro, por outro, mostra o amor e o desvelo de Cristo no presente de suas ovelhas.

Sendo a Igreja de Cristo uma comunidade aconselhadora, somos instruídos a buscar conselhos e a ministrá-los sempre que necessário. Assim, todos somos edificados em amor: “Pelo que exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis” (1Ts 5.11). Nessa passagem, o apóstolo destaca que o conselho, verdadeiramente espiritual e amoroso, gera edificação. É o conselheiro, por conseguinte, um edificador de caracteres, de corações e de almas.   

IV. O CONSELHEIRO NA HISTÓRIA DA IGREJA

Por que os primeiros teólogos do cristianismo eram conhecidos como pais da igreja? Por haverem sistematizado a doutrina? Por terem construído uma irretorquível dogmática? Ou por se destacarem por uma invulgar eloqüência? Não resta dúvida de que todos eles eram consumados doutores nas Sagradas Escrituras; pontificavam tanto escrevendo quando falando. Todavia, foram assim cognominados por apresentarem, através do amor, todos os conselhos de Deus às ovelhas de Cristo.

Além de seu labor teológico, Orígenes punha-se a instruir o rebanho do Senhor; compreendia que aconselhar era também fazer teologia. Ambrósio, além dos hinos e instruções doutrinárias, entregava-se à edificação dos conversos. E, assim, edificou o caráter de Agostinho. E este não se limitava a escrever obras como a admirável 
Cidade de Deus; santificava-se a ensinar os que para lá se dirigiam.

E João Crisóstomo? Por que era tido como a boca de ouro do Cristianismo? Se por um lado sobressaía-se, no púlpito, a defender as grandes verdades das Sagradas Escrituras; por outro, no recôndito de seu ministério, onde somente Deus podia contemplá-lo, elaborava solidários conselhos a ouvidos relegados ao abandono.

Martinho Lutero não era um herói apenas diante dos que oprimiam a Igreja de Cristo. No silêncio de seu ofício, era um titã na obra do catecumenato.

O que diremos de Calvino? O autor das 
Institutas da Religião Cristã mostrou, desde o início de sua obra, um redobrado zelo com o aconselhamento pastoral. E, dispensando um zelo incomum pelas almas que sequer podiam discernir a mão direita da esquerda, ele transformou a cidade suíça de Genebra numa metrópole exemplar;  depois de quinhentos de anos de reforma, esta ainda exubera civilização e cultura.

No século XVIII, quando a Reforma Protestante perdia terreno na Inglaterra, Deus levanta um homem que, além das lides acadêmicas, muito se dedicou ao aconselhamento pastoral. Contam seus biógrafos que John Wesley montava em seu cavalo e, com a determinação de um cruzado, saía a confirmar as ovelhas do Senhor. Era um trabalho difícil, penoso e sacrifical. Seus conselhos, entretanto, frutificaram toda uma geração.

Os grandes teólogos americanos jamais deixaram de lado o ministério do aconselhamento. Jonathan Edwards e Charles Finney, além de erigirem grandes monumentos à doutrina cristã, legaram-nos um exemplo singular de como os pastores devem proceder. Ao contrário dos acadêmicos que, encerrando-se em suas clausuras, se esquecem da teologia prática, eles colocavam na prática o que a verdadeira teologia recomenda: o amor às ovelhas de nosso Senhor Jesus Cristo.

V. O CONSELHEIRO NA ATUALIDADE

Infelizmente, o aconselhamento pastoral, a partir do século XX, foi tomado por um psicologismo doentio, irresponsável e antibíblico. Recorrendo à falsa psicologia, alguns pastores intentaram resolver o problema de suas ovelhas, utilizando-se das técnicas de Sigmund Freud e Carl Jung. Destes, alguns se fizeram subservientes. Em vez do gabinete pastoral, o consultório. Em vez da ministração dos meios da graça, o divã. Em lugar da obra regeneradora do Espírito Santo, a hipnose. Substituindo a Palavra de Deus, os compêndios desses sábios que, hoje, já começam a ser seriamente questionados pela mesma comunidade acadêmica que um dia os aplaudiu.

Insurgiram-se contra o psicologismo no aconselhamento pastoral dois teólogos bastante conceituados nos Estados Unidos: Jay Adams e John MacArtur Jr. Ambos são de opinião (e com eles concordo plenamente) que a psicologia secular, tendo em vista seus fundamentos humanistas e anticristãos, jamais poderá adequar-se às necessidades do verdadeiro aconselhamento bíblico, pois este tem como alicerce: 1) a soberania da Bíblia Sagrada; 2) a regeneração em Cristo; 3) o amor a Deus e ao próximo; 4) o andar segundo a vontade de Deus; 5) a responsabilidade pessoal; 6) o pecado como a causa de todos os males que atormentam o ser humano; e 7) a existência das penalidades eternas.

CONCLUSÃO

Quem não se entusiasma em ouvir os chamados pregadores de multidões? Esses abençoados servos de Deus vêm divulgando massivamente o evangelho de Cristo, mostrando ser a mensagem da cruz simplesmente irresistível.

No entanto, quem haverá de observar o conselheiro pastoral que, no anonimato de seu gabinete, reconstrói vidas que, mais adiante, reconstruirão outras vidas? Tenho certeza de que Billy Grahan tornou-se uma personalidade pública porque alguém, em particular, falou-lhe dos mistérios de Deus.

Conselheiro, o seu ministério é mui importante. Sem ele, eu não estaria  escrevendo este livro, nem incentivando-o a prosseguir num mister tão glorioso.




O conselheiro cristão (parte II)

As qualificações do conselheiro

Quando trabalhava na Imprensa Metodista, na outrora pequena e encantadora São Bernardo do Campo, pus-me a ler, certa vez, alguns trechos do Diário de Wesley. De início, não encontrei um teólogo; deparei-me logo com um admirável condutor de almas. Naquele cavalheiro inglês, destacava-se o amor daquele que se desfizera em desígnios para reconduzir-nos a Deus; era um amor provado e sacrificial.

Em suas visitas pastorais pela Inglaterra do século XVIII, onde o sofrimento humano era grande, aprumava-se Wesley em seu cavalo e, internando-se por aqueles sombrios condados, punha-se a confirmar as ovelhas do Cristo. Nesta casa, deixava um consolo; naquela, administrava uma exortação; mais além, aplicava uma admoestação paterna; edificantes e amorosas palavras semeadas num campo já exausto de esterilidades.

Naquele cavalariano solitário, reuniam-se as qualificações todas de um conselheiro comprovadamente bíblico. Sabia ele que a saúde do rebanho de Cristo somente seria possível se cada uma de suas ovelhas viesse a receber todo o bálsamo que nos proporciona a Palavra de Deus.

Se neste ministério quisermos ter êxito, cultivemos, diuturnamente, as qualificações que tornam o ministro um autêntico conselheiro. Caso contrário, as almas que nos foram confiadas pelo Sumo Pastor jamais terão saúde espiritual.

I. VOCAÇÃO ESPECÍFICA

Afirmou Samuel Johnson que “a maioria dos homens possui fortíssimo e ativo preconceito em favor da sua própria vocação”. O que escreveu Johnson cumpre-se na vida de muitos obreiros de Cristo. À semelhança de Gregório Nazianzeno, preferimos sempre a tribuna, mesmo que a circunstância nos reclame a privacidade do gabinete. Queremos ser pastores do rebanho, mas não da ovelha solitária e sofrida.

Como agia o Maravilhoso Conselheiro?

Se num momento pronunciava à multidão sequiosa o Sermão do Monte, no outro, ei-lo a receber o confuso Nicodemos. Se agora acha-se a discursar no átrio do Santo Templo, daqui a pouco estará instruindo a mulher pecadora. E se logo mais ocupará a tribuna de alguma sinagoga para discorrer acerca das profecias messiânicas, depois, certamente, haverá de se recolher com algum publicano para falar-lhe dos mistérios do Reino de Deus.

Com o Maravilhoso Conselheiro, aprendamos este princípio básico: Se aspiramos ao episcopado, aspiremos também ao ministério do aconselhamento. Pois todo pastor é um conselheiro, apesar de nem todo conselheiro ser pastor. Há  cristãos que, embora não hajam sido chamados ao pastoreio, sentem-se vocacionados a administrar os conselhos de Deus.

Doutor dos gentios e mestre consumado das Sagradas Escrituras, sabia Paulo que uma de suas missões era, justamente, o aconselhamento. Aos presbíteros de Éfeso, protestou: “Nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (At 20.27). Aliás, era o apóstolo um conselheiro que gerava conselheiros. Na Macedônia, aconselhara Priscila, que aconselhou o esposo Áquila. E já devidamente fundamentados na fé cristã, vão ambos aconselhar o impetuoso e eloqüente Apolo: “E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, varão eloqüente e poderoso nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor; e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João. Ele começou a falar ousadamente na sinagoga. Quando o ouviram Priscila e Áqüila, o levaram consigo e lhe declararam mais pontualmente o caminho de Deus” (At 18.24-26).

Eram Priscila e Áquila ministros formalmente reconhecidos pela comunidade cristã? O que sabemos é que, chamados a ministrar conselhos, foram imprescindíveis na formação de um jovem que seria contado entre os campeões de Deus.

II. PREDISPOSIÇÃO PARA AMAR SACRIFICIALMENTE

Ao longo de minha vida, encontrei pessoas que — investindo em mim não somente o seu tempo, mas o próprio coração — aconselharam-me nas crises e souberam como orientar-me nos dilemas e tormentas. Minha mãe  lia-me, todas as noites, os Provérbios de Salomão. Com uma simplicidade que beirava a singeleza, mostrava-me que o êxito na vida não é um simples acaso; é o resultado de uma existência comprometida com Deus. Passados já todos estes anos, aquelas dissertações ainda me norteiam, apontando-me o rumo a seguir.

Nem todos os conselhos de meu pai eram serenos. Às vezes, impunha-me ele dura disciplina, dissuadindo-me a não seguir caminhos tortuosos. Se naquele momento o castigo parecia pesado, nos instantes de crise nem castigo parecia; era uma instrução sem palavras que, agora, ia traduzindo-se em amorosas prevenções. Muito aprendi com aquele homem que, prematuramente, foi recolhido pelo Senhor. Houvesse-lhe eu  seguido todos os conselhos, certamente meus êxitos teriam sido bem maiores.

Até o dia de hoje, procuro minha mãe para buscar aquele conselho natural e espontâneo, mas eficaz. Um conselho desprovido de academicismos, porém carregado de sabedoria; um conselho sem retórica, entretanto eloqüentíssimo; um conselho sem a tecnicidade de uma psicanálise, todavia capaz de me ler o coração e decifrar-me os enigmas da alma; um conselho gratuito, no entanto amorosamente inestimável.

Se você almeja aperfeiçoar-se no ministério do aconselhamento, ame como o Senhor amou. O amoroso conselheiro não se limita a aconselhar; dá-se ele em prudências e encorajamentos. Não se enfada em ouvir agruras alheias; toma-as para si. Não se perturba com as lágrimas; ternamente as chora. Não alimenta falsas expectativas; aviva as esperanças mesmo onde não há esperança alguma para reavivar. Não analisa o aconselhado como se fora este uma cobaia; sintetiza o bálsamo da fé e ministra-o ao enfermo. O amoroso conselheiro ama em conselhos e em conselhos entrega-se às ovelhas de Cristo, pois amando-nos Ele com um amor eterno, fez de seu apostolado um ministério de aconselhamento. Do início ao fim de seu sacerdócio terreno, sacrificialmente aconselhou aqueles a quem Deus tanto ama.
   
III. CONHECIMENTO BÍBLICO E TEOLÓGICO

Num momento bastante confuso de minha adolescência, fui procurar o maestro Walter de Morais que, naquela época, regia a orquestra da Assembléia de Deus em São Bernardo do Campo. Diante de minhas angústias, aquele homem calmo e sem pressa pôs-se a aconselhar-me como se visse ali, bem à sua frente, um jovem que, sequer, sabia ler o interlúdio da vontade de Deus. No compasso certo, respeitando os acidentes e pausas de uma vida ainda sem harmonia, ia o irmão Walter ajudando-me a solfejar aquele drama numa clave de sol, até que os raios da Palavra de Deus vieram a espargir-me a alma. Com a batuta de quem sabe conduzir os mais diversos instrumentos, ensinou-me ele a andar no ritmo que o Senhor Jesus prescreve aos seus filhos.

Qual o segredo daquele conselheiro? Era um teólogo profundo e prático.

Hoje, infelizmente, valoriza-se muito mais a psicologia humanista do que a teologia. E nem por isso os problemas emocionais entre os crentes diminuíram. Não pense você que estou abrindo uma guerra contra os psicólogos cristãos; reconheço o seu labor e o seu esforço como auxiliares no aconselhamento; alguns problemas lhes reclamam a intervenção. Não podemos esquecer-nos, todavia, de que, nesse ministério, a Bíblia Sagrada é imprescindível como imprescindível é o conhecimento das doutrinas cristãs. 

IV. EXPERIÊNCIAS RELEVANTES

Jesus era um homem de dores e que sabia o que era padecer. Com as nossas angustias, amargurou-se Ele; com os nossos sofrimentos, foi a sua alma profundamente lacerada. Ao descrever-lhe a paixão, profetiza Isaías que os homens haveriam de esconder o rosto de nosso Senhor, pois a sua face, embora divina, humanamente desfigurara-se. Todo esse sofrimento, porém, proporcionou-lhe as necessárias condições para que fosse reconhecido como o Maravilhoso Conselheiro.

Como Deus, não carecia o Senhor de experiências humanas para aconselhar os homens. No entanto, como homem, mostrou sua divindade pelas experiências que teve de nossa humanidade. Demonstra-nos isso que o conselheiro pastoral, para ter êxito em seu ministério, necessita de conhecimentos práticos e relevantes. Doutra forma, ser-lhe-ão insuficientes as teorias; não poderá confirmar e fortalecer as ovelhas de Cristo.
Vejamos as indispensáveis experiências no ministério do aconselhamento.

1. A experiência com Deus. O verdadeiro teólogo não pode ser um mero teórico; ele é, acima de tudo, um homem que conhece a Deus de modo experimental. E se experimentalmente conhece a Deus, não haverá de ignorar a alma humana, pois esta carrega em si a imagem e semelhança do Criador. É exatamente aí que reside o requisito básico de um conselheiro pastoral. Mas em que consiste, exatamente, essa experiência com Deus?

Se o psicólogo humanista presume cuidar da mente humana, prescindindo de sua experiência com Deus, o mesmo não acontece com o conselheiro cristão. O primeiro imagina ser a ciência a resposta para todos os dramas humanos; o segundo está convicto de que somente Deus é capaz de nos preencher o vazio da alma.

Por conseguinte, é imprescindível que o conselheiro conheça experimentalmente a Cristo. Doutra forma, não será cristão nem conselheiro. Haja vista Nicodemos. Embora mestre e orientador espiritual em Israel, ignorava que, sem a genuína conversão, jamais poderia ensinar os judeus. Por isso exorta-o Cristo com uma pergunta intrigante: “Tu és mestre de Israel e não sabes isso?” (Jo 3.10). Não era Nicodemos uma perfeita figura dos psicólogos seculares que, apesar de seus esforços, buscam curar as feridas de seus clientes, sendo que eles mesmos são pacientes em estado terminal?

2. Experiência de vida. A experiência de vida é a soma de todos os conhecimentos, vividos ou presenciados, que nos habilitam a agir de forma sábia e piedosa diante de Deus e dos homens. Ela é imprescindível ao conselheiro pastoral, pois não lhe basta a vocação; aliada a esta acha-se a experiência.
Dirigindo-se aos coríntios, Paulo evoca-lhes os sofrimentos e angústias da vida cristã. Se por um lado as angústias e sofrimentos trazem-nos desconfortos, por outro, proporcionam aos atribulados um bálsamo de indescritível poder curador. Ouçamos o apóstolo:

"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados de Deus. Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também a nossa consolação sobeja por meio de Cristo. Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados, para vossa consolação é, a qual se opera, suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos. E a nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação” (2 Co 1.3-7).

É por isso que o neófito não pode ingressar no ministério cristão. Não lhe discutimos a conversão nem a chamada; questionamos-lhe, entretanto, o tempo de  investidura num cargo que requer experiências, que demanda vivência com as dores alheias, que reivindica uma parecença com aquele Homem de dores e que sabia o que era padecer.

A experiência não pressupõe necessariamente madureza biológica. Há velhos inexperientes como há jovens experimentados e sábios. Em Eclesiastes, afirmou Salomão: “Melhor é o jovem pobre e sábio do que o rei velho e insensato, que se não deixa mais admoestar” (Ec 4.13). O legítimo conselheiro, pois, é o que, antes de aconselhar, busca o conselho na Palavra de Deus e com os que lhe são mais sábios e experimentados. Sua pobreza material não lhe desmerece a riqueza do saber. Não é rei, mas a sua palavra impera nos momentos difíceis daqueles que lhe buscam orientação.

O pastor de minha infância não tinha ainda trinta anos quando foi convocado  para integrar o Conselho de Doutrina da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Entre os mais velhos, portava-se ele como discípulo, ainda que pudesse erguer-se como mestre. Foi assim que o pastor Roberto Montanheiro firmou-se como um grande pastor de almas; estava o conselho divino permanentemente em seus lábios. Se por um lado buscava conselho, por outro, ministrava-o alegremente, abrindo a Bíblia Sagrada que, sublinhada de várias cores, mais parecia o arco de Deus numa permanente aliança com o seu povo.

V. HUMILDADE

Por seus contemporâneos, era Sócrates tido como o maior dos conselheiros. Ao contrário dos sofistas, que se interessavam apenas por fama, riqueza e poder, punha-se o filósofo grego a discutir com os seus interlocutores até que estes reconhecem a sua ignorância. Ele, porém, não se considerava sábio. Modéstia? Hipocrisia? Ou apenas o reconhecimento de alguém que, diante da vastidão da alma humana, é obrigado a admitir a própria insignificância?

Conta-se que, certa feita, chamaram Pitágoras de sábio. O pensador, entretanto, diante de um tão elevado epíteto, respondeu: “Não sou um sábio; sou apenas um amigo da sabedoria”. Em termos mais específicos: “Não sou um sofos; sou apenas um filosofo”.

Se algum conhecimento temos, de Deus o recebemos. Do Senhor, e somente dEle, vêm-nos a iluminação: Ele é o Pai das luzes (Tg 1.17). Confessemos, pois, nossas limitações como o fez Daniel diante do rei da Babilônia: “E a mim me foi revelado este segredo, não porque haja em mim mais sabedoria do que em todos os viventes, mas para que a interpretação se fizesse saber ao rei e para que entendesses os pensamentos do teu coração” (Dn 2.30). Não era Daniel o mais sábio conselheiro de Nabucodonosor? Não tinha ele conhecimentos e dons sobrenaturais? Todavia, reafirma a sua completa dependência de Deus.

No ministério do aconselhamento, deparamo-nos com situações tão  difíceis e enigmáticas que, diante destas, nos faltam palavras. À semelhança de Eliseu, vemo-nos constrangidos a confessar: “Que te hei de eu fazer?” (2 Rs 4.2). Naquele momento, não sabia o profeta como resolver o problema da pobre e endividada viúva que estava prestes a perder ambos os filhos a um credor incompassivo. Todavia, Deus lhe ilumina a mente e com a iluminação nasce o milagre.

Nem sempre receberemos a iluminação no desempenho do aconselhamento pastoral. Nessas horas, tranqüilizemos o nosso consulente: apesar de não termos condições de ajudá-lo, iremos orar e aconselhar-nos com outros colegas, a fim de termos uma imagem mais definida do problema. O bom conselheiro, quando necessário, busca conselho para ajudar aos que lho pedem. O reconhecimento de nossas limitações não haverá de nos desmerecer diante das ovelhas. Pelo contrário! Devotar-nos-ão maior respeito; sabem elas que, como homens de Deus, jamais iremos agir leviana e afoitamente.  

CONCLUSÃO

O que faz o conselheiro não é a erudição, é a sabedoria espiritual; não é a eloqüência, é a palavra ungida; não é o domínio das línguas originais, é o controle da própria língua e a discrição no falar; não é o brilho da personalidade, é o caráter provado e íntegro. Sem a integridade de caráter, o conselheiro bíblico inexiste.

Tem você essas qualificações? Sente-se habilitado a desempenhar semelhante tarefa? Se você foi, realmente, chamado para ser um conselheiro pastoral, busque aperfeiçoar-se neste ministério. Ore. Consagre-se. Leia a Bíblia Sagrada. Estude as doutrinas bíblicas. Medite. Procure entender o seu semelhante. Acima de tudo, ame; ame sacrificialmente. Interceda por aqueles que buscam não somente o seu conselho, mas um arrimo nos momentos de provações e amarguras.

Você não foi chamado para ser um profissional do aconselhamento. Chamou-o Deus, a fim de que você atue como um ministro do conselho e da palavra da sabedoria.  

Obs.: Para outras informações sobre o ministério do aconselhamento pastoral, leia o Manual do Conselheiro Cristão da CPAD.



O conselheiro cristão (parte 3)

A vida espiritual do conselheiro cristão

INTRODUÇÃO

Antes de seu real encontro com o Senhor Jesus, experimentou Martinho Lutero uma profunda crise espiritual. Assaltado por dúvidas, acometido por uma forte convicção de pecado e já antevendo as penalidades eternas, fechou-se em sua cela. E, ali, passou a penitenciar-se. Açoitava-se e oprimia-se. Sentindo a miséria de uma crença baseada em tradições e viciada pela Escolástica, restava-lhe apenas uma expectativa terrível de juízo. Foi nesse momento que Lutero buscou os conselhos de um piedoso monge.

Diante da visão daquele jovem trancado em si mesmo e fustigado pelo terror do inferno, Staupitz aconselhou-o a procurar a justificação através dos méritos de Jesus Cristo. Já fortalecido por tão imprescindível verdade, Lutero saiu a reformar a Igreja. E, assim, no dia 31 de outubro de 1517, fixa as Noventa e Cinco Teses nas portas da Catedral de Wittemberg, deflagrando um movimento, que, em breve, haveria de mudar a configuração espiritual, política e cultural da Europa.

Jamais poderemos esquecer-nos da influência de Stauptz no ministério de Lutero. Se este foi um gigante na vida espiritual, aquele fora um titã na carreira cristã, pois soube como encaminhar um jovem confuso até que este, alcançando a maturidade, viesse a destacar-se como o maior homem de seu tempo.

Mas, para que venhamos a aconselhar corretamente é urgente que cultivemos a nossa espiritualidade. Desde já, comecemos por ler a Bíblia Sagrada de maneira devocional, sistemática e ordenada.

I. A LEITURA DA BÍBLIA

No desempenho do ministério cristão, somos tentados a ler a Bíblia com os olhos do erudito e com a mente do exegeta. Todavia, temos de encaminhar-nos às Sagradas Escrituras com a alma do peregrino que, orando e chorando, vai ao encalço do Grande Rei. Martin Anstey exorta-nos a aproximar-nos dos profetas e apóstolos de forma submissa e profundamente consternada: “A qualificação mais importante exigida do leitor da Bíblia não é a erudição, mas, sim, a rendição; não é a perícia, mas a disposição de ser guiado pelo Espírito Santo”. Isto não significa, porém, que devamos desprezar as ciências bíblicas. Que a nossa leitura prioritária, no entanto, seja a devocional.

1. A leitura devocional da Bíblia. Ao cantar as belezas e as infinitudes da Palavra de Deus, o salmista humildemente confessa: “Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!” (Sl 119.97). Se o livro de texto do conselheiro é, de fato, a Bíblia, como poderá ele exercer o seu ministério se com o Livro de Deus não tiver a necessária intimidade? Diante das urgências cotidianas de suas ovelhas, o conselheiro haverá de se privar diariamente com as Sagradas Escrituras.

Que ele, por conseguinte, consagre as primeiras horas de seu dia a ler, meditar e inteirar-se das promessas da Bíblia. Você a lê e nela medita todos os dias? Ou somente a abre para esboçar mensagens e sermões? Considere a exortação de Oswald Chambers: “Cuidado com a racionalização da Palavra de Deus”. A heresia começa quando o teólogo, deixando a devocionalidade das Escrituras, põe-se a racionalizá-las como se elas fossem obrigadas a conformar-se com a lógica meramente humana.

2. Pesquisa e erudição bíblicas. Se você consegue ler a Bíblia todos os dias de forma devocional, já se encontra preparado para pesquisá-la exegética e eruditamente. Aliás, os maiores teólogos foram homens de comprovada piedade. Haja vista João Calvino. Lendo-lhe as Institutas da Religião Cristã, deparamo-nos, em primeiro lugar, com alguém que se curvava de contínuo diante do Senhor Jesus; somente, então, aparece o erudito.

Infelizmente, nem sempre a pesquisa das Sagradas Escrituras conduz o homem à piedade. A história de Renan o comprova. O cético francês empreendeu uma árdua viagem pelo Médio Oriente, tendo em mira um único objetivo: desmistificar o Cristo de Deus. Embora conhecesse intelectualmente a Bíblia, desta nada conhecia espiritualmente. Em sua busca pelo Jesus histórico, acabou por perder o Jesus da história da salvação. Como pôde este erudito conhecer tanto a Palavra de Deus e ser, por Deus, tão desconhecido?

Como você pesquisa a Bíblia? Submisso a ela? Ou racionalizando seus ensinamentos? Mesmo na pesquisa não haveremos de prescindir da piedade que, conforme enfatizou Paulo, em tudo é proveitosa. Seja um erudito. Entretanto, não se esqueça: a sua erudição tem de ser consagrada inteiramente ao Senhor Jesus.

O conselheiro bíblico não pode, sob hipótese alguma, prescindir da leitura da Bíblia, porque, no desempenho de sua tarefa, haverá de buscar conselho na fonte de todos os conselhos: as Sagradas Escrituras. Em seu último sermão à Igreja em Éfeso, afirma o apóstolo Paulo: “Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos; porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (At 20.26,27).

Este é o nosso compromisso: ministrar à Igreja de Cristo todo o conselho divino. Doutra forma, jamais seremos tidos como conselheiros realmente bíblicos e relevantes. Sempre que se defrontar com uma situação difícil, volte-se às Escrituras; estas o ajudarão a confirmar as ovelhas do Senhor. Você constatará que a Palavra de Deus é uma fonte inexaurível de conselhos.
  
II. A ORAÇÃO

Pode haver algo mais doce que a oração? É o refúgio onde se esconde o peregrino em sua jornada à Cidade de Deus. Experimente orar pela madrugada quando o silêncio cobre a noite e abafa a agitação de um dia que não mais voltará. Ao descrever a jornada do Cristão, o escritor inglês John Bunyan descreve-o como alguém que, tendo na mão um livro, vai orando e chorando em direção à Nova Jerusalém.

Nas Sagradas Escrituras, os conselheiros tiveram uma vida de oração e intercessões amorosamente sacrificiais. Abraão, Moisés, Samuel e Jeremias não se agastavam pedindo coisa alguma para si; desgastavam-se rogando a Deus que tivesse misericórdia daqueles que, muitas vezes, rejeitavam-lhes os conselhos.

1. Abraão. O patriarca intercedeu por duas das mais pecadoras e impenitentes cidades de todos os tempos. Oraria você por Sodoma? Rogaria por Gomorra? Ele bem sabia que ambas mereciam apenas uma coisa: a pena máxima. Porém, naquele momento teve a máxima pena daqueles homens e mulheres que, estragados pelo pecado, eram incapazes de diferençar sua destra da sinistra.

O capítulo 18 de Gênesis é, sem dúvida, a passagem clássica da intercessão.

Portanto, mesmo que não haja mais esperança, intercedamos pelos que caminham em direção ao inferno. Se fomos chamados a aconselhar, também fomos convocados a interceder, inclusive por aqueles que nos ignoram as advertências.

2. Moisés. O legislador dos hebreus aconselhou o povo até consumir-se no Sinai. Do nascer ao pôr do sol, punha-se à disposição do povo para aconselhá-lo, estressando tanto a si próprio quanto à congregação. Continuasse daquele jeito, acabaria por comprometer a qualidade de seus conselhos. Não é o que estamos a constatar em nosso ministério? Se até aquele momento, aconselhava, teria agora de ser aconselhado. Sugere-lhe, então, Jetro, seu paciente e observador sogro, a escolher varões de comprovada reputação e sabedoria para ajudá-lo naquele mister.

Em Israel, muitos podiam aconselhar como Moisés aconselhava; mas ninguém seria capaz de interceder como intercedia Moisés.

Pecando os israelitas, o conselheiro dá lugar ao intercessor. E, pondo-se já entre Deus e o povo, roga e arrisca-se por este. Num dado momento, ante a expectativa de o Senhor destruir a semente de Abraão, insta-lhe: “Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito” (Êx 32.32). Foi a mais ousada intercessão da História Sagrada. E como era um homem que conversava face a face com o Senhor, sua intercessão ultrapassou os limites da coragem e do amor.

Como intercede você em favor daqueles que lhe procuram os conselhos de Deus? Limita-se a dar-lhos? Ou coloca-se no ilimitado terreno da intercessão onde nenhuma lágrima é demasiada e nenhum soluço é o bastante. Seja amoroso nos conselhos; na intercessão, ousado.

3. Samuel. Num momento em que Jeremias clamava em favor dos filhos de Judá, que, já adiantados em rebeliões e apostasias, não mais reconheciam a voz profética, responde o Senhor ao seu mensageiro: “Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não seria a minha alma com este povo; lança-os de diante da minha face, e saiam” (Jr 15.1). Moisés e Samuel! Eis os dois maiores intercessores do Antigo Testamento. Colocou-os Deus na História Sagrada, a fim de que mostrassem, aos santos de todas as épocas, o valor de uma intercessão realmente amorosa.

Samuel era um intercessor tão cônscio de suas obrigações que supunha estar pecando caso não rogasse a Deus por seu povo: “E, quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e direito” (1Sm 12.23). Apresenta-se, pois, o profeta não apenas como intercessor, mas também como conselheiro do povo hebreu. O que nos mostra esta passagem? Como conselheiros, não nos restrinjamos ao gabinete; vamos além: avancemos sobre o altar da oração onde, diuturnamente, estaremos a rogar pelos que nos procuram uma palavra de orientação. Conselho sem oração pouco efeito tem; acompanhado de intercessões e súplicas, opera maravilhas, mesmo restringindo-se a uma única palavra.

4. Jeremias. Nenhum profeta sofreu tanto quanto Jeremias. Bem jovem ainda foi chamado a profetizar aos filhos de Judá, que, à semelhança dos israelitas do Reino do Norte, haviam apostatado de sua fé e agora achavam-se prestes a ter um destino semelhante ao de seus irmãos setentrionais. Deus haveria de desarraigá-los daquela boa e pródiga terra, e metê-los num país dominado pela maldade e pelas mais abjetas abominações.

O profeta, no entanto, embora soubesse ser o castigo divino inevitável, põe-se a interceder pelos filhos de Judá. Ele de tal forma perturba os céus, que leva o Senhor Deus a repreendê-lo por aquele impertinente rogo: “Não rogues por este povo para bem. Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor e quando oferecerem holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei deles; antes, eu os consumirei pela espada, e pela fome, e pela peste” (Jr 14.11,12).

Intercederia você por alguém que já estivesse prestes a ser rejeitado por Deus?

Que o Senhor julgaria o Reino de Judá, não havia qualquer dúvida. Jeremias, porém, insta-lhe em favor dos judeus e por eles derrama a sua alma. Interpõe-se ele, aliás, entre um Deus irado e um povo impenitente. Falhou o intercessor? Ignorou-o Deus? Passados setenta anos, eis que volve o Senhor a sua misericórdia a Judá, trazendo-o de volta à terra que mana leite e mel (Jr 25.11). Nenhuma intercessão é inútil.

5. Jesus. Como não ler o capítulo 17 de João sem derramar lágrimas? Ali, o Filho de Deus, já vivendo a agonia e a dor de sua paixão, põe-se a interceder pelos seus discípulos, pela Igreja e por aqueles que a esta viriam juntar-se. E a intercessão que fez em favor de Pedro: “Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo. Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos”? (Lc 22.31.32).

Se Jesus, por um lado, foi o Maravilhoso Conselheiro, por outro, mostrou-se como o inimitável intercessor.

Tem você intercedido por aqueles a quem aconselha? Ou a sua obrigação termina justamente no final da sessão de aconselhamento? Você não é um mero profissional do conselho. À semelhança daqueles médicos de família, acompanhe a evolução espiritual e emocional de suas ovelhas; não se descuide delas. 

III. A FIDELIDADE À SÃ DOUTRINA

Ao contrário dos psicólogos meramente humanistas que optam por esta ou por aquela escola, o conselheiro cristão tem de estar plenamente comprometido com a sã doutrina. Afinal, de sua teologia é que serão erguidas as bases das orientações que haverá de ministrar às ovelhas de Cristo. Escrevendo ao jovem pastor Timóteo, o apóstolo Paulo prescreve-lhe: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1Tm 4.16).

Se o conselheiro não acreditar em Deus, como haverá de assegurar a alguém desesperado que o Todo-Poderoso está no comando de todas as coisas? Se não crer na infalibilidade das Sagradas Escrituras, como poderá recomendar-lhe a leitura àqueles que necessitam de se alimentar diariamente com a Palavra de Deus? Se não professar a Jesus Cristo como o único e suficiente Salvador, como terá condições de prescrever esperança aos que se acham à beira do abismo? Se não estiver convicto a respeito da vida eterna, como lidará com a alma humana, que, à semelhança da corça, suspira pelas correntes das águas? E, se não acreditar no céu, como haverá de ministrar o alento de vida eterna aos que estão prestes a deixar a terrenal?

Antevendo o ministério de Timóteo nessa área tão delicada do ofício pastoral, Paulo insiste: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”. O que significa esta recomendação? Em primeiro lugar, que temos de dispensar à doutrina o mesmo cuidado que dedicamos ao nosso bem-estar físico. Se não o fizermos, jamais teremos condições de exercer o ministério do aconselhamento cristão.

Já imaginou um conselheiro desprovido de doutrina? Sem o alicerce da verdadeira teologia? O que esperar de tal obreiro? Um ministro assim, perdido em si mesmo, precisa ser rapidamente aconselhado a que busque urgentemente o Senhor, e mergulhe nas Sagradas Escrituras, a fim de compreender todo o conselho de Deus.

IV. A FIDELIDADE À IGREJA

Deve o conselheiro conscientizar-se de sua responsabilidade não apenas diante da Bíblia Sagrada, mas também ante a sua convenção e igreja local, pois estará trabalhando preciosas vidas que, restauradas, por-se-ão a serviço do Corpo de Cristo e não à sua mercê.

Se você foi chamado para o serviço de aconselhamento, exerça humildemente o seu ministério e jamais presuma, de si mesmo, ser alguma coisa. Tem você experiência? Demonstre-a através de uma vida fiel e dedicada à sua igreja. Jamais deixe de ser leal ao seu pastor. Conselheiro, tenha-o por conselheiro. 

V. A VIDA FAMILIAR

Não são poucos os conselheiros que vivem um ministério hipócrita e desprovido de resultados concretos. Ensinam o amor entre os cônjuges, mas tratam a esposa com rispidez e tirania. Prescrevem a fidelidade, porém são infiéis à companheira de sua mocidade. Exortam os pais a que façam o culto doméstico, contudo raramente estão em casa para cultuar a Deus em família. Afinal, sua agenda requer que estejam sempre ausentes da esposa e dos filhos.

Que condições reúne tal conselheiro para socorrer as famílias alheias? Se alguém não cuida de sua própria casa terá cuidado da Casa de Deus?

Ouvi, certa vez, a história de um conselheiro, que, para os de fora, vendia a imagem de um marido honrado, de um pai extremoso e de um sacerdote que jamais se descuidara do bem-estar moral e espiritual de sua família. Sua esposa, porém, confidenciou a uma amiga estar cansada de tanta brutalidade. No púlpito, um santo; no gabinete pastoral, principalmente quando atendia as irmãs, gentil e cavalheiro. Todavia, não passava de um engodo. Ao invés de aconselhar, carecia de conselhos.

Um conselheiro pastoral não haverá de descurar-se quanto à sua reputação doméstica, porque o Senhor Jesus requer estejamos nós em perfeita sintonia com Deus e com a sua Palavra. Sem tais requisitos, pode haver tudo, menos conselho.

É a vida familiar do conselheiro o seu cartão de visitas, o seu melhor marketing. Se a esposa e os filhos dão-lhe testemunho, todos poderão depositar nele irrestrita confiança.  

CONCLUSÃO

Se você deseja, de fato, dedicar-se ao aconselhamento pastoral, busque aprimorar-se espiritualmente; ore, leia a Bíblia, tenha os seus momentos devocionais; adore a Deus com o seu trabalho, e não somente com a sua voz. Em santidade, entregue-se ao serviço das ovelhas de nosso Senhor.

Agindo assim, você será bom ministro de Cristo Jesus. Não importa quão erudito e culto seja você; não importam os seus diplomas nem as suas credenciais; o mais importante é que todos o reconheçam como um autêntico homem de Deus. E, como Josué, possa você afirmar ousadamente: “Eu e a minha serviremos ao Senhor”.









O que Spurgeon pregaria hoje?

E como o público evangélico reagiria às suas contundentes pregações?

O pregador inglês Charles Haddon Spurgeon nasceu em 19 de junho de 1834 e começou a pregar em 1850. Ele, que tem sido considerado o príncipe dos pregadores e um apologista exemplar, pregou o Evangelho e combateu heresias e modismos de seu tempo até 1892, quando partiu para a eternidade. As citações abaixo deixam-nos com a impressão de que ele se referia aos trabalhosos dias em que vivemos...

"A apatia está em toda parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto; só que, quanto mais curto, melhor" ("Preface", 
The Sword and the Trowel [1888, volume completo], p.iii).

Meu Deus, se naquela época as coisas já estavam assim, o que Spurgeon diria hoje?!

"Haveria Jesus de ascender ao trono por meio da cruz, enquanto nós esperamos ser conduzidos para lá nos ombros das multidões, em meio a aplausos? (...) se você não estiver disposto a carregar a cruz de Cristo, volte à sua fazenda ou ao seu negócio e tire deles o máximo que puder, mas permita-me sussurrar em seus ouvidos: 'Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?'"
("Holding Fast the Faith", The Metropolitan Tabernacle Pulpit, vol.34 [Londes, Passmore and Alabaster, 1888], p.78).

O sermão acima foi pregado em 5 de fevereiro de 1888, quando Spurgeon estava sendo censurado por defender o Evangelho. O que ele falaria hoje das pregações antropocêntricas, que nada falam acerca do Senhor Jesus e sua gloriosa obra vicária?

"Estão as igrejas vivenciando uma condição saudável ao terem apenas uma reunião de oração por semana e serem poucos que a frequentam?"
("Another Word Concerning the Down-Grade", The Sword and the Trowel [agosto, 1887], pp.397,398).

Infelizmente, o chamado "louvorzão" tem substituído o período de oração, em nossos cultos. Spurgeon ainda fala!

"O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhe tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam de cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice" ("Another Word Concerning the Down-Grade", 
The Sword and the Trowel [agosto, 1887], p.398).

Spurgeon disse isso em 1887 mesmo?!

"Não há dúvidas de que todo tipo de entretenimento, que manifesta grande semelhança com peças teatrais, tem sido permitido em lugares de culto, e está, no momento, em alta estima. Podem essas coisas promover a santidade ou nos ajudar na comunhão com Deus? Poderiam os homens, ao se retirarem de tais eventos, implorar a Deus em favor da salvação dos pecadores e da santificação dos crentes?"
("Restoration of Truth and Revival", The Sword and the Trowel [dezembro, 1887], p.606).

Hoje, os seguidores da "nova onda" revoltam-se contra os que defendem o Evangelho. Mas o que diriam eles de Spurgeon?

fonte cpad news




Ética Cristã no culto (parte I)

A responsabilidade dos salvos na qualidade da adoração

Há dois célebres textos que falam da ética cristã no culto: “Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; e inclina-te mais a ouvir do que a oferecer sacrifícios de tolos”, Ec 5.1; “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade”, Jo 4.24.

Ética é a ciência que nos ensina sobre o que somos obrigados a fazer, o que somos permitidos fazer e o que somos proibidos de fazer. Em suma, é a ciência que trata dos nossos deveres para com Deus, para com o próximo e para conosco mesmos. Apliquemos esses princípios no campo espiritual relacionado com o culto divino realizado no templo, ou seja onde for, e teremos um culto cristão de qualidade.

A adoração a Deus e o zelo

Toda adoração a Deus requer de nós um preço a pagar. Adoração sem preço, sem renúncia, não é verdadeira adoração. Veja o exemplo de Davi: "Porém o rei disse a Araúna: Não, porém por certo preço to comprarei, porque não oferecerei ao Senhor, meu Deus, holocaustos que me não custem nada. Assim, Davi comprou a eira e os bois por cinqüenta siclos de prata", 2Sm 24.24.

Sempre existiram dois tipos de adoradores: os bons e os maus. Há muitos exemplos na Bíblia: Abel e Caim (Gn 4); Maria de Betânia e Judas Iscariotes (Jo 12); Abraão e Ló (Gn 18).

O assunto que passo a abordar relaciona-se ao melhoramento do culto divino, isto é, sua ordem, decência, reverência e espiritualidade, principalmente no templo. Todos os salvos têm uma parcela de responsabilidade na obra de Deus, e isso inclui a cooperação para a boa ordem no culto. Há necessidade de que cada um de nós sinta dores de coração, angústia e preocupação pelo estado de coisas por que passa o culto ao Senhor em nossas Casas de Oração atualmente. O que ocorre com este autor deve ocorrer com você também, que ama a Casa e a causa do Senhor. Que em nós se cumpra o que está escrito em João 2.17: “O zelo da tua casa me devorará”. Isto é, me consumirá.

No próximo artigo, daremos continuidade a este importante assunto, falando sobre o recinto, o som, a música e os cantos no templo.

Ética Cristã no culto (parte II)

A plataforma, o recinto do templo, o serviço de som, a música e os cantos

O exemplo quanto à conduta na Casa de Deus durante o culto deve partir dos pastores e demais obreiros que ocupam a plataforma. Aquele que conversa ou se comporta indevidamente no púlpito é irreverente, contraditório, intemperante, sem controle. Não se apercebe o tal que quem está na plataforma fica em destaque e que seus gestos, postura e atitudes são imediatamente notados pelos que estão em toda a nave do templo.
Também é reprovável o mau costume de certos obreiros ficarem subindo e descendo da plataforma sem uma imperiosa razão que justifique isso. O que poderão pensar os visitantes, crentes e descrentes? Quando um crente se comporta mal no culto, seja onde for, isso significa que ele não cresceu em sentido algum.
Precisamos de um culto mais solene, mais espiritual e mais pentecostal. O que está acontecendo em certos lugares é algo estranho, que nos leva a perguntar: "Que Deus é esse de vocês, que recebe esse tipo de culto, inferior, deturpado e misto?"
O templo não consiste apenas no seu recinto interior. O seu recinto exterior também é templo. Ali não deve haver mais desatenção, irreverência e conversa. Não deve haver aglomeração desnecessária de pessoas antes do começo do culto, e quem estiver de fora na frente e nos corredores externos do templo por falta de lugar no seu interior deve manter-se em atitude reverente como quem está na presença do Senhor.

O serviço de som, a música e os cantos

Se é costume da igreja a execução de música gravada ou não antes de o culto começar, que isto seja sob as ordens do pastor da igreja. Que a música seja em tom suave e apropriada para coadjuvar os momentos devocionais dos fiéis que estão chegando para o culto.
Deve haver um limite de números musicais a serem executados durante o culto pelos órgãos musicais da igreja e pelos cantores. Deixar essa definição por conta deles revela falta de sabedoria do dirigente do culto. Além disso, muita música hoje nas igrejas não é sacra, não é espiritual, não arrebata a alma, não fala ao coração, não edifica, não inspira, nem nos move a adorar a Deus. Não é “música de Deus”, como está escrito em 1 Crônicas 16.42. A música no culto deve ser um meio e um ministério para Deus revelar e manifestar a sua presença em nosso meio. Quando a música foi profanada nos primórdios da raça humana, como vemos em Gênesis 4.21-24 (essa passagem está em forma de cântico no original), veio mais tarde o julgamento divino.
Infelizmente, enquanto a congregação canta no máximo dois ou três hinos em todo o culto, solistas, conjuntos, corais e bandas cantam e tocam até 21 números (Como este autor sabe de casos!). Isso é também desequilíbrio, mau gosto, falta de discernimento.
Segundo as Escrituras, o incenso sagrado, o qual simboliza a oração e a adoração ao Senhor, era composto de vários ingredientes, mas todos de peso igual (Êx 30.34). O azeite vinha na frente (Êx 30.22-32) e depois vinha o incenso (Êx 30.34-38). O azeite fala do Espírito Santo. A predominância do Espírito de Deus na vida do crente e no ambiente do culto leva-o a uma profunda e santa adoração ao Senhor.

Os diáconos na igreja

O pastor ou dirigente do culto jamais poderá fazer tudo sozinho. Nem eles podem ver tudo sozinhos. No culto, os diáconos desempenham um papel muito importante. Uma de suas funções é acomodar o povo que vai adentrando o templo e, a seguir, ajudar a manter a boa ordem durante todo o culto, circulando discretamente, olhando discretamente, aproximando-se sabiamente de locais onde notar movimento e comportamento anormais.
Os diáconos escalados para o culto não devem ficar sentados. Seu trabalho é executado sempre em pé. Devem estar sempre atentos a qualquer sinal do púlpito para ajudar. Mesmo o diácono que não está escalado para o culto deve estar sempre atento para ajudar a sanar qualquer dificuldade que venha a surgir.
Uma das lembranças mais queridas da minha vida inicial na fé é a dos diáconos da minha igreja, empenhados com todo amor e boa vontade e sempre solícitos na boa manutenção do culto.
No próximo artigo, apresentaremos algumas recomendações gerais para um culto mais solene e espiritual.

Ética Cristã no culto (parte III)

Recomendações para um culto mais solene e espiritual


Encerrando esta pequena série de artigos sobre ética cristão no culto, vejamos agora algumas recomendações gerais para que tenhamos um culto mais solene e espiritual:

1) Não entrar no santuário enquanto a congregação estiver orando coletivamente ou lendo a Palavra de Deus.

2) Não adentrar o templo apressadamente, nem pisando com força. Os descrentes não fazem isso no cinema, por exemplo, e a Casa de Senhor é um lugar santo em todo tempo. Ela foi consagrada a Deus.

3) Se você chegou um pouco cedo, não espere o culto começar  para entrar no templo. Se você não entra, sem uma razão que justifique isso, você está contribuindo para a desordem no culto sagrado. Antes de sentar-se, ore primeiro a Deus. Não faça uma oração por mera formalidade. Fale mesmo com Deus, orando pelo culto.

4) Procure sentar-se nos bancos ou assentos da frente (em relação ao púlpito). Deixe os bancos de trás para os retardatários etc.

5) Não frequente banheiro do templo. Você tem casa para ir ao banheiro. Banheiro de templo é para casos específicos ou emergências. Pessoas que no culto ficam entrando e saindo de banheiro ou estão doentes, ou são viciadas nisso, ou estão se exibindo, ou não querem santificar o culto ao Senhor.

6) Após sentar-se, cumprimente alegre e discretamente as pessoas ao seu redor, fazendo-as assim sentirem-se à vontade na Casa de Deus, mormente se são visitantes, crentes ou não.

7) Não fique a conversar com ninguém durante o culto, sob pretexto nenhum. Controle sua mente e sua língua. Se você não controla a sua língua, não controla nada mais na sua vida. É verdade.

8) Ensine suas crianças a se comportarem na Casa de Deus: como entrar no templo, como andar dentro do templo sem chamar a atenção, como sair do templo em ordem etc. A Casa de Deus não é parque de diversão para criança correr e brincar. Caso isso aconteça, os primeiros culpados são os pais ou responsáveis pela criança. Os segundos, terceiros e quartos responsáveis são: obreiros omissos nesse sentido, igreja sem obreiros nesse sentido e criança abandonada quanto à sua formação em geral.

9) É reprovável durante o culto ao Senhor o costume de mascar chiclete ou qualquer outra goma, chupar balas ou comer qualquer coisa. Você tem casa para isso. A Casa do Senhor não é lugar para tais coisas. Na antiga lei mosaica, essas pessoas sairiam mortas do templo. Mas o espírito da lei continua em vigor. São por essas coisas que muitos crentes em nossos dias já perderam o fervor espiritual, o temor de Deus e estão frios na fé, sem saber o porquê.

Para você saber que tudo o que foi dito acima tem apoio na Palavra de Deus, leia as passagens da Palavra de Deus que se seguem, meditando bem no que lê: Levítico 19.30; Salmos 89.7 e 93.5; Eclesiastes 5.1; Habacuque 2.20; João 2.13-17; 1 Coríntios 11.22 e 1 Timóteo 3.15.

No culto ao Senhor, a sua dimensão espiritual, o seu efeito poderoso e duradouro, a sua eficácia em geral para nos abençoar e a edificação espiritual que pode promanar de suas diversas partes, inclusive uma mensagem poderosa do pregador, dependem muito das atitudes e da conduta do púlpito e da própria congregação.

fonte cpad news

QUALIFICAÇÕES MORAIS DO PASTOR

1 Tm 3.1,2 Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar.

Se algum homem deseja ser “bispo” (gr. episkopos, i.e., aquele que tem sobre si a responsabilidade pastoral, o pastor), deseja um encargo nobre e importante (3.1). É necessário, porém, que essa aspiração seja confirmada pela Palavra de Deus (3.1-10; 4.12) e pela igreja (3.10), porque Deus estabeleceu para a igreja certos requisitos específicos. Quem se disser chamado por Deus para o trabalho pastoral deve ser aprovado pela igreja segundo os padrões bíblicos de 3.1-13; 4.12; Tt 1.5-9. Isso significa que a igreja não deve aceitar pessoa alguma para a obra ministerial tendo por base apenas seu desejo, sua escolaridade, sua espiritualidade, ou porque essa pessoa acha que tem visão ou chamada. A igreja da atualidade não tem o direito de reduzir esses preceitos que Deus estabeleceu mediante o Espírito Santo. Eles estão plenamente em vigor e devem ser observados por amor ao nome de Deus, ao seu reino e da honra e credibilidade da elevada posição de ministro.

(1) Os padrões bíblicos do pastor, como vemos aqui, são principalmente morais e espirituais. O caráter íntegro de quem aspira ser pastor de uma igreja é mais importante do que personalidade influente, dotes de pregação, capacidade administrativa ou graus acadêmicos. O enfoque das qualificações ministeriais concentra-se no comportamento daquele que persevera na sabedoria divina, nas decisões acertadas e na santidade devida. Os que aspiram ao pastorado sejam primeiro provados quanto à sua trajetória espiritual (cf. 3.10). Partindo daí, o Espírito Santo estabelece o elevado padrão para o candidato, i.e., que ele precisa ser um crente que se tenha mantido firme e fiel a Jesus Cristo e aos seus princípios de retidão, e que por isso pode servir como exemplo de fidelidade, veracidade, honestidade e pureza. Noutras palavras, seu caráter deve demonstrar o ensino de Cristo em Mt 25.21 de que ser “fiel sobre o pouco” conduz à posição de governar “sobre o muito”.

(2) O líder cristão deve ser, antes de mais nada, “exemplo dos fiéis” (4.12; cf. 1Pe 5.3). Isto é: sua vida cristã e sua perseverança na fé podem ser mencionadas perante a congregação como dignas de imitação.
(a) Os dirigentes devem manifestar o mais digno exemplo de perseverança na piedade, fidelidade, pureza em face à tentação, lealdade e amor a Cristo e ao evangelho (4.12,15).
(b) O povo de Deus deve aprender a ética cristã e a verdadeira piedade, não somente pela Palavra de Deus, mas também pelo exemplo dos pastores que vivem conforme os padrões bíblicos. O pastor deve ser alguém cuja fidelidade a Cristo pode ser tomada como padrão ou exemplo (cf. 1Co 11.1; Fp 3.17; 1Ts 1.6; 2Ts 3.7,9; 2Tm 1.13).

(3) O Espírito Santo acentua grandemente a liderança do crente no lar, no casamento e na família (3.2,4,5; Tt 1.6). Isto é: o obreiro deve ser um exemplo para a família de Deus, especialmente na sua fidelidade à esposa e aos filhos. Se aqui ele falhar, como “terá cuidado da igreja de Deus?” (3.5). Ele deve ser “marido de uma [só] mulher” (3.2). Esta expressão denota que o candidato ao ministério pastoral deve ser um crente que foi sempre fiel à sua esposa. A tradução literal do grego em 3.2 (mias gunaikos, um genitivo atributivo) é “homem de uma única mulher”, i.e., um marido sempre fiel à sua esposa.

(4) Consequentemente, quem na igreja comete graves pecados morais, desqualifica-se para o exercício pastoral e para qualquer posição de liderança na igreja local (cf. 3.8-12). Tais pessoas podem ser plenamente perdoadas pela graça de Deus, mas perderam a condição de servir como exemplo de perseverança inabalável na fé, no amor e na pureza (4.11-16; Tt 1.9). Já no AT, Deus expressamente requereu que os dirigentes do seu povo fossem homens de elevados padrões morais e espirituais. Se falhassem, seriam substituídos (ver Gn 49.4 nota; Lv 10.2 nota; 21.7,17 notas; Nm 20.12 nota; 1Sm 2.23 nota; Jr 23.14 nota; 29.23 nota).

(5) A Palavra de Deus declara a respeito do crente que venha a adulterar que “o seu opróbrio nunca se apagará” (Pv 6.32,33). Isto é, sua vergonha não desaparecerá. Isso não significa que nem Deus nem a igreja perdoará tal pessoa. Deus realmente perdoa qualquer pecado enumerado em 3.1-13, se houver tristeza segundo Deus e arrependimento por parte da pessoa que cometeu tal pecado. O que o Espírito Santo está declarando, porém, é que há certos pecados que são tão graves que a vergonha e a ignomínia (i.e., o opróbrio) daquele pecado permanecerão com o indivíduo mesmo depois do perdão (cf. 2Sm 12.9-14).

(6) Mas o que dizer do rei Davi? Sua continuação como rei de Israel, a despeito do seu pecado de adultério e de homicídio (2Sm 11.1-21; 12.9-15) é vista por alguns como uma justificativa bíblica para a pessoa continuar à frente da igreja de Deus, mesmo tendo violado os padrões já mencionados. Essa comparação, no entanto, é falha por vários motivos.
(a) O cargo de rei de Israel do AT, e o cargo de ministro espiritual da igreja de Jesus Cristo, segundo o NT, são duas coisas inteiramente diferentes. Deus não somente permitiu a Davi, mas, também a muitos outros reis que foram extremamente ímpios e perversos, permanecerem como reis da nação de Israel. A liderança espiritual da igreja do NT, sendo esta comprada com o sangue de Jesus Cristo, requer padrões espirituais muito mais altos.
(b) Segundo a revelação divina no NT e os padrões do ministério ali exigidos, Davi não teria as qualificações para o cargo de pastor de uma igreja do NT. Ele teve diversas esposas, praticou infidelidade conjugal, falhou grandemente no governo do seu próprio lar, tornou-se homicida e derramou muito sangue (1Cr 22.8; 28.3). Observe-se também que por ter Davi, devido ao seu pecado, dado lugar a que os inimigos de Deus blasfemassem, ele sofreu castigo divino pelo resto da sua vida (2Sm 12.9-14).

(7) As igrejas atuais não devem, pois, desprezar as qualificações justas exigidas por Deus para seus pastores e demais obreiros, conforme está escrito na revelação divina. É dever de toda igreja orar por seus pastores, assisti-los e sustentá-los na sua missão de servirem como “exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (4.12).

Bibliografia Bíblia de Estudo Pentecostal pag. 1867/8



Qualificações dos Presbíteros (1 Tm 3.1-7)

Até este ponto Paulo falou de algumas preocupações concernentes à comunidade, no culto, e corrigiu alguns abusos gerados pelas atividades dos presbíteros heréticos. Agora, ele se volta para os próprios presbíteros e estabelece algumas qualificações para o "ofício".
Ele começa, nos VV. 1-7, com um grupo chamado episkopoi ("super­visores" ); a seguir, nos vv. 8-13, passa para um grupo chamado diakonoi (" servos"," diáconos"), com uma nota também sobre algumas mulheres no v. 11. É de todo provável que ambos os ofícios, o de presbítero (supervisor) e o de "diácono" estejam sob a categoria mais ampla presbyteroi ("anciãos", ou "presbíteros"). Em qualquer caso, a evidên­cia que temos de Atos 20:17 e 28, e de Tito 1:5 e 7 indica que os termos episkopoi, "supervisores" (At 20:28; Tt 1:7), e presbyteroi, "pres­bíteros", "anciãos" (At 20:17; Tt 1:5), são parcialmente intercambiáveis. Assim, pelo menos os supervisores(episkopoi) deste primeiro parágrafo são presbíteros da igreja.
Convém notar que em contraste com Tito (1:5), Timóteo não foi deixado em Éfeso para designar presbíteros. Em verdade, tudo em Timóteo, bem como a evidência de Atos 20, indica que já havia presbí­teros nessa igreja. Por que, pois, esta instrução? Novamente, a evidência aponta para o caráter e para as atividades dos falsos mestres. Quanto a isto, duas coisas devem ser notadas: Primeira, muitos dos itens constantes da lista estão em nítido contraste com o que está escrito algures na carta acerca dos falsos mestres. Segunda, a lista em si tem três aspectos notáveis:
(1) Ela dá as qualificações, e não os deveres;
(2) a maioria dos itens reflete o comportamento exterior, observável; e
(3) nenhum dos itens é distintamente cristão (p.e., amor, fé, pureza, perseverança; cp. 4:12; 6:12); antes, refletem os mais elevados ideais da filosofia moral helenística. Uma vez que a passagem toda aponta para o v. 7, com o qual conclui, isto é, concerne à reputação da igreja entre os estranhos, isto sugere que os falsos mestres traziam, por seu comportamento, infâmia ao evangelho. Portanto, Paulo está preocupado não somente em que os presbíteros tenham virtudes cristãs (estas são presumidas), mas que tambémreflitam os mais elevados ideais da cultura.
Se estivermos corretos em identificar os falsos mestres como sendo presbíteros, o motivo por que Paulo estabelece este conjunto de instru­ções é que Timóteo deve cuidar de que os presbíteros vivam à altura de sua designação, isto é, por esses padrões. Ao mesmo tempo, é claro, a igreja toda estará ouvindo e, desse modo, recebendo as bases para disciplina dos presbíteros transviados, bem como para a substituição deles (cp. 5:22, 24-25).

3:1 A seção começa com nossa segunda palavra fiel (ditado, 1:15). Visto que a palavra em si pareceria um tanto pedante e porque o verbo "salvar" (cp. 1:15) surge em 2:15, alguns têm alegado que o versículo precedente é a palavra fiel digna de toda a aceitação. Porém, 2:15 não tem as características de "ditado", enquanto 3:1 tem, a despeito de seu conteúdo nada ter que ver com o credo. Talvez se tenha exagerado o conceito de "ditado", como se todos os "ditados" ou palavras dignas "de toda aceitação" estivessem circulando abertamente na igreja (como 1:15 talvez circulasse). Mais provável é que tais palavras se tenham tornado para Paulo uma espécie de fórmula de reforço: "O que vou dizer tem importância especial", ou, "pode ser aceito em geral como verda­deiro".
A palavra fiel em si é: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra deseja. Parece emprestar algum crédito ao ponto de vista comumente aceito de que as pessoas estavam "candidatando-se ao cargo". Mas não existe nenhuma outra evidência no NT de que as pessoas "aspirassem a" posições de liderança na igreja. A pouca evidência que temos implica que os chefes de famílias dentre os mais antigos conver­tidos eram normalmente designados para tais posições (At 14:23; cp. 1 Co 1:16 e 16:15-16).
A palavra fiel, com efeito, concentra-se menos na pessoa e mais no cargo. Portanto, Paulo não está elogiando as pessoas que têm grande desejo de tornar-se líderes; ao contrário, ele está dizendo que o cargo de presbítero (episcopado) é questão sobremodo significativa, uma exce­lente obra, que deveria ser, na verdade, o tipo de tarefa à qual uma pessoa podia aspirar. Assim, a despeito das atividades de alguns, não é por essa razão que ele vai negar o cargo em si.

3:2-3 Considerando-se que aspirar ao episcopado é aspirar excelente obra, Paulo está interessado em que os presbíteros em Éfeso manifestem vidas verdadeiramente exemplares. O bispo, portanto, deve ser irre­preensível. Isso pareceria excluir qualquer aspirante ao cargo! A expres­são irrepreensível, porém, que se repete com referência às viúvas em 5:7 e ao próprio Timóteo em 6:14(num contexto escatológico), relacio­na-se com a conduta observável irrepreensível. Parece que o termo foi criado de modo que cobrisse a seguinte lista de onze virtudes ou quali­dades (na maioria, palavras no singular, no grego), que deveriam caracterizar um bispo.
O primeiro item da lista, marido de uma só mulher, é uma das frases verdadeiramente difíceis das EP (cp. 3:12; 5:9, sobre as "verdadeiras" viúvas, e Tt 1:6). Há, pelo menos, quatro opções:
Primeira, poderia exigir que o supervisor fosse casado. O apoio encontra-se no fato de que os falsos mestres proíbem o casamento, e Paulo insiste no casamento para as viúvas desviadas (5:14; cp. 2:15). Mas contra esta interpretação verifica-se que ela enfatiza o termo é necessário e a palavra mulher, enquanto o texto enfatiza a palavra uma. Talvez Paulo e Timóteo não fossem casados, e tal interpretação estaria em contradição com 1 Coríntios 7:25-38. Ademais, havia um pressuposto cultural segundo o qual as pessoas, em sua maioria, deveriam ser casadas.
Segunda, talvez o texto esteja proibindo a poligamia. Isto se acentua de modo correto pela expressão uma só mulher; contudo, a poligamia era característica tão rara na sociedade pagã que tal proibição seria insignificância inaplicável. De mais a mais, não pareceria ajustar-se à frase idêntica usada com referência às viúvas em 5:9.
Terceira, poderia estar proibindo um segundo casamento. Tal inter­pretação conta com o apoio de muitos dados: Ajustar-se-ia às viúvas de modo especial. Todos os tipos de evidência louvam as mulheres (a elas de modo especial e às vezes também os homens) que "se casaram uma única vez" e permaneceram "fiéis" a esse casamento, depois que seus parceiros morreram. Esta perspectiva proibiria, pois, o segundo casa­mento após a morte do cônjuge, mas também proibiria, é óbvio — talvez de modo especial — o divórcio e o novo casamento. Alguns eruditos (p.e., Hanson) tratam do texto como referindo-se somente a esta última interpretação.
Quarta, talvez o texto esteja exigindo fidelidade marital a uma só mulher (cp. GNB:" fiel à sua única esposa"). Neste caso, exige-se do bispo que viva uma vida matrimonial exemplar (o casamento fica implícito), fiel a uma só mulher numa cultura em que a infidelidade marital era comum e, às vezes, implícita. Seria, é natural, um meio de se eliminar a poligamia e o divórcio e novo casamento, mas não eliminaria, necessariamente, o novo casamento de um viúvo (embora esse ainda não fosse o ideal paulino; cp. 1 Co7:8-9, 39-40). Embora ainda haja muito que ser dito a favor de uma ou de outro entendimento da terceira opção, a preocupação de que os líderes da igreja vivam vida matrimonial exemplar parece ajustar-se melhor ao contexto — dada a aparente desvalorização do casamento e da família apregoada pelos falsos mestres (4:3; cp. 3:4-5).
A próxima palavra, vigilante, muitas vezes se relaciona, no grego, ao uso de bebidas alcoólicas. Contudo, uma vez que está dito de modo específico no v. 3, não dado ao vinho, o termo vigilante talvez esteja sendo usado de maneira figurada, significando: "livre de todas as formas de excesso, paixão ou temeridade" (cp. 2 Tm 4:5). O bispo deve também ser sóbrio honesto, palavras que muitas vezes ocorrem juntas nos escritos pagãos como elevados ideais de comportamento. Portanto, um líder cristão deve estar acima, e não abaixo, desses ideais.
É necessário que ... o líder da igreja seja ... também hospitaleiro. Esta era, de igual modo, uma virtude grega, mas constituía a expectação extrema de todos os cristãos da igreja primitiva (cp. 5:10; Rm 12:13; 1 Pe 4:9; Aristides, Apology 15). De igual modo... énecessá­rio... que ele também seja apto para ensinar. Este é o único item da lista que também implica deveres, assunto que se tornará claro em 5:17. Este adjetivo se repete em 2 Timóteo 2:24 e Tito 1:9, cujos contextos sugerem que apto para ensinar significa capacidade tanto para ensinar a verdade como para refutar o erro.
Ao acrescentar:... é necessário, pois, que o bispo seja não dado ao vinho, está Paulo também estabelecendo um contraste com os falsos mestres? Talvez não, em face do ascetismo observado em 4:3. Todavia, pode ser que tenham sido ascetas acerca de determinados alimentos, mas beberrões de vinho bastante indulgentes. Em qualquer caso, a embria­guez era um dos vícios comuns daAntigüidade, e poucos autores pagãos a verberam de modo aberto — somente contra outros "pecados" que pudessem acompanhá-la (violência, repreensão e xingação pública dos escravos, etc. ). O bispo não tem de ser, necessariamente, abstêmio (5:23), mas tampouco deve ser dado ao vinho (cp. 3:8; Tt 1:7); o alcoolismo é condenado nas Escrituras de modo insistente.
As próximas três qualidades talvez andem juntas e, deveras, parecem refletir o comportamento dos falsos mestres.... Énecessário, pois, que o bispo seja... não espancador, mas moderado, inimigo de contendas. A descrição dos falsos mestres em 6:3-5, bem como em 2 Timóteo 2:22-26 (cp. Tt 3:9), dá a entender que esses homens são dados a dissensões e a brigas. O verdadeiro presbítero deve ser moderado, mesmo quando corrige os oponentes (2 Tm 2:23-25).
A lista conclui com não ganancioso. De acordo com 6:5-10, a ganância se revela um dos "pecados mortais" dos falsos mestres, dire­tamente responsável pela ruína deles. Assim, uma advertência contra a avareza aparece em todas as listas de qualificações para liderança (3:8; Tt 1:7; cp. At 20:33).

3:4-5 Paulo agora passa, nos vv. 4-7, a falar sobre três outras preocupações. O líder da igreja deve ter família exemplar (vv. 4-5), não deve ser recém-convertido (v. 6), mas deve ser pessoa de boa reputação entre os de fora (v. 7). Estes qualificativos talvez também reflitam a situação em Éfeso.
Esta passagem apenas supõe, também, que o episkopos será casado (mas não o exige; cp. v. 2). Não somente isso, mas a sociologia do primeiro século também torna muitíssimo provável que os que eram designados "supervisores" nas igrejas primitivas, levando-se em conta, de modo especial, que estamos tratando com igrejas em lares, eram, com efeito, os chefes das "casas" onde as igrejas se reuniam. Desse modo, como está implícito no v. 5, prevalece o mais estreito relacionamento entre família e igreja. O homem que fracassa no primeiro caso (família) é, por isso mesmo, desqualificado para o outro (igreja). Em verdade, conforme 3:15 e 5:1-2 indicam, a palavra oikos "lar"; NIV, família; ECA, casa) para Paulo é metáfora rica que subentende "igreja".
Portanto, o bispo que governe bem sua própria casa, porque ele também cuidará da igreja de Deus. O verbo governar é usado de novo com referência aos presbíteros em 5:17 (NIV, "dirigir" [como foi usado anteriormente em 1 Ts 5:12, onde é traduzido "presidir";NIV," estão sobre" ]), verbo que tem o sentido de " comandar, governar", ou "estar preocupado com, cuidar de" (cp. "devotar-se a" em Tt 3:8). A pista para seu significado aqui está em entender o verbo acompanhante com referência à igreja, no v. 5, "cuidar de", que carrega a força total da expressão idiomática em inglês. Em outras palavras, "cuidar de" implica. tanto a liderança (orientação) como o interesse atencioso. No lar e na igreja, a orientação e o interesse atencioso não têm validade se um não estiver ligado ao outro.
O bom presbítero será conhecido por exercer uma liderança tal, no lar, que tem seus filhos sob disciplina, com todo o respeito(lit., "tem filhos em submissão", como 2:11). A força da frase com todo o respeito talvez signifique não tanto que eles obedecerão comrespeito, mas que eles serão conhecidos tanto por sua obediência como por seu bom comportamento. Em Tito 1:6 a idéia é mais esmerada ainda, de modo que sugere serem esses filhos bons crentes, ao lado da preocupação pela reputação entre os de fora. Há tênue linha entre exigir obediência e obtê-la. O líder de igreja, que na verdade deve exortar as pessoas à obediência, não "governa" a família de Deus por essa razão. Ele "cuida dela" de tal modo que seus "filhos", isto é, os filhos da igreja, serão conhecidos por sua obediência e bom comportamento.

3:6 / Portanto, o líder da igreja, também não deve ser neófito, metáfora que no grego significa literalmente "uma pessoa plantada há pouco tempo". Conforme se repetirá de modo diferente em 5:22, o episkopos deve ser maduro na fé. O motivo para que assim seja é o grande perigo de envaidecimento: para que não se ensoberbeça. Uma vez que é precisamente isto que se diz dos falsos mestres em 6:4 (cp. 2 Tm 3:4), perguntamo-nos se alguns deles eram neófitos (convertidos recen­tes), cujos "pecados... são manifestos antes... os de outros, manifestam-se depois" (5:24).
Em qualquer caso, para que não se ensoberbeça significa também não cair na condenação do diabo. Embora o grego de Paulo seja um tanto ambíguo (lit., "cair no julgamento do diabo"), talvez a linguagem esteja refletindo o tema comum de que no ministério de Cristo, de modo especial na sua morte e ressurreição, Satanás sofreu sua derrota decisiva, que será finalizada plenamente no fim (cp.Ap 12:7-17 e 20:7-10).

3:7 Finalmente, Paulo chega à questão de que o líder da igreja deve ser pessoa que tenha bom testemunho dos que estão de fora. Conforme foi notado na discussão de 2:2, esta é uma preocupação genuinamente paulina no NT. Em verdade, esta preocupação é que coloca em perspec­tiva essa lista de atributos. Tal lista tem que ver com o comportamento observável, constituindo testemunho para os de fora. Como no v. 6, O grego de Paulo não é bem claro, mas parece que a ênfase está em que uma reputação má junto ao mundo pagão fará que o episkopos caia em opróbrio, isto é, será difamado e, com ele, a igreja; e isso seria equiva­lente a cair no laço do diabo. É laço armado pelo diabo o mau comportamento dos líderes da igreja, de tal modo que os de fora não se motivarão a ouvir o evangelho. Perguntamo-nos de novo se a ganância e a conduta abusiva dos falsos mestres não estão trazendo opróbrio à casa de Deus em Éfeso, especialmente quando se considera que Paulo havia sido acusado assim em Tessalônica (1 Ts 2:1-10) e que os moralistas pagãos em particular condenavam tais atividades entre os "falsos" filósofos.

Bibliografia D. Fee+   ebareiabranca.com



O CARÁTER DOS BISPOS (1 TM 3.1-7)

O Cargo de Bispo (3.1)

Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja (1). À primeira vista, a observação com a qual apóstolo inicia esta seção da carta — esta é uma palavra fiel — é igual à declaração dita anteriormente em 1.15: "Esta é uma palavra fiel". Mas a igualdade é meramente aparente. A primeira observação deu início a um ensino muito importante sobre a obra redentora de Cristo. Mas aqui não há tal declaração solene de fé. Ainda que os estudiosos não tenham chegado a um acordo quanto a este ponto, é provável que esta tradução seja a correta: "Há um dito popular que diz: 'Aspirar à liderança é ambição honrosa'" (NEB; cf. AEC, BJ, BV).
A palavra episcopado é um tanto enganosa para os leitores de hoje, porque para nós o cargo de epíscopo ou bispo tem associações eclesiásticas. Desejar este cargo seria buscar promoção no ministério cristão. Estamos devidamente certos em reputar que tal ambição é indigna da pessoa cuja vida é dedicada ao serviço de Cristo. Ressal­tamos o termo "bispo", tradução da palavra gregaepiskopos, veio origi­nalmente da organização das sociedades seculares e tem o significado básico de "inspetor" ou "líder". O apóstolo está dizendo que é uma ambição digna a pessoa dese­jar um lugar de serviço responsável entre o povo de Deus. A declaração que Paulo cita era um provérbio bem conhecido na época, o qual ele usava como introdução do assun­to que desejava tratar.

Qualificações do Bispo (3.2)

Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigi­lante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar. No total, há 15 qualifica­ções estipuladas pelo apóstolo, sete das quais ocorrem no versículo 2. É importante que a primeiríssima destas seja a irrepreensibilidade. O significado da palavra é "acima de repreensão", "de reputação irrepreensível" (cf. CH), "de caráter impecável", "que nin­guém possa culpar de nada" (NTLH). Por qualquer método que avaliemos, esta é a virtu­de mais inclusiva que aparece na lista. Significa que o líder na igreja de Cristo não pode ter defeito óbvio de caráter e deve ser pessoa de reputação imaculada. Dificilmente se esperaria que não tivesse defeito, mas que fosse sem culpa. É apropriado que o ministro seja julgado por um padrão mais rígido que os membros leigos da igreja. Os leigos podem ser perdoados por defeitos e falhas que seriam totalmente fatais a um ministro. Há cer­tas coisas que um Deus misericordioso perdoa em um homem, mas que a igreja não perdoa no ministério deste. A irrepreensibilidade do candidato é requisito no qual deve­mos ser insistentes hoje em dia, como o foi Paulo no século I.
O líder da igreja deve ser exemplar especialmente em assuntos relativos a sexo. Este é o destaque da segunda estipulação do apóstolo: Marido de uma mulher (2). Trata-se de precaução contra a poligamia, que gerava um problema sério para a igreja cujos membros eram ganhos para Cristo vindos de um paganismo que tolerava aberta­mente casamentos plurais. Em todo quesito que a igreja com seus altos padrões éticos relativos a casamento confrontar o paganismo de nossos dias, em regiões incivilizadas ou não, a insistência cristã na pureza deve ser enunciada de forma clara e seguida com todo o rigor.
Mas temos de perguntar: A intenção de Paulo era desaprovar o segundo casamento? Alguns dos manuscritos antigos requerem a tradução "casado apenas uma vez" (confor­me nota de rodapé na NEB). "Sobre este assunto, como em muitos outros", comenta Kelly, "a atitude que vigorava na antigüidade difere notadamente da que prevalece em grande parte dos círculos de hoje. Existem evidências abundantes provenientes da lite­ratura e inscrições funerárias, tanto gentias quanto judaicas, que permanecer solteiro depois da morte do cônjuge ou depois do divórcio era considerado meritório, ao passo que casar-se outra vez era visto como sinal de satisfação excessiva dos próprios desejos". É óbvio que em alguns segmentos da igreja primitiva esta era a opinião prevalente, che­gando ao extremo último da ordem de um ministério celibatário.
Mas esta não é a interpretação do ensino de Paulo que prevalece hoje. É bem conhecida sua própria preferência da vida solteira em comparação ao estado casado; e há passagens nos seus escritos em que ele recomenda este estado aos outros (e.g., 1 Co 7.39,40). Talvez o melhor resumo da intenção do apóstolo para os nossos dias seja a declaração de E. F. Scott: "O bispo tem de dar exemplo de moralidade rígida".
As próximas três especificações — vigilante, sóbrio, honesto (2) — têm relação próxima entre si e descrevem a vida cristã ordeira. Moffatt traduz estas qualidades pe­las palavras: "temperado [NVI; cf. RA], mestre de si, calmo". A temperança neste contex­to transmite a idéia de autocontrole (cf. CH) ou autodisciplina.
O próximo quesito qualificador é apresentado pelo apóstolo na palavra descritiva hospitaleiro (2). Esta mesma característica é mais detalhada em Tito 1.8: "Dado à hospitalidade, amigo do bem". Nesses primeiros dias da igreja, esta era uma virtude muitoimportante. Havia poucos albergues no mundo do século I, e os apóstolos e evangelistas cristãos que eram enviados de lugar em lugar ficavam dependentes da hospitalidade de cristãos que tivessem um "quarto de profeta", mantido com a finalidade de atender essas necessidades. Em nossos dias de hotéis, expressamos nossa hospitalidade cristã de modo diferente. Mas quando a igreja era jovem, essa hospitalidade era extremamente primor­dial. O dever e privilégio de ministrá-la recaíam naturalmente sobre o bispo ou pastor. O espírito essencial do ato é tão importante hoje como era outrora.
Igualmente essencial e até mais importante é a sétima qualidade que Paulo menci­ona: Apto para ensinar (2). Pelo visto, nem todos os pastores eram empregados no ministério de ensino. É o que mostra 5.17: "Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina". Mas a aptidão para ensinar era rendimento certo para o ministro cristão. Era importante então como é hoje. Sempre haverá indivíduos que possuem maior capa­cidade nesta ou naquela área que outros, mas certa habilidade para ensinar é de extre­ma necessidade ao ministério completo e frutífero.

Homens de Sobriedade (3.3)

Este versículo contém mais seis especificações que devem caracterizar o líder cristão: Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento (3). Todos os quesitos, exceto um, são negativos, mas todos são importantes. O primeiro nos soa um tanto quanto estranho, sobretudo quando seu significado preciso é entendido com clareza. Temos estas opções de tradução: "Não deve ser indivíduo dado a beber" (NEB); "não pode ser chegado ao vinho", (NTLH); "não deve ser apegado ao vinho" (NVI; cf. BAB); "não deve ter o vício da bebida" (BV); ou pelas palavras diretas: "Não bêbedo" (RSV). O ponto que confunde o leitor da atualidade é que tal estipulação fosse necessária. No pensamento da maioria dos evan­gélicos hoje em dia, a abstinência total de bebidas alcoólicas é elementar na vida cristã. E não é difícil perceber que o julgamento moral que determina a abstinência total para o cristão — leigo ou ministro — é a compreensão básica da ética cristã. Mas esta idéia, como o julgamento moral das trevas, não fora discernida claramente no século I. Temos de manter isso em mente para entendermos as alusões do apóstolo ao uso do vinho neste e em outros textos. Kelly observa que "hoje em dia, as pessoas por vezes se surpre­endem que Paulo achassenecessário fazer tal determinação, mas o perigo era real na sociedade desinibida em que se situavam as congregações efésia e cretense".
Não espancador (3) é expressão que exige interpretação neste contexto. Signifi­ca, literalmente, "não doador de socos". Kelly traduziu por "não dado à violência" (cf. BAB, BV, CH, NVI, RA). O homem de Deus deve ser caracterizado por amor e comedimento cristão.
Não há ambigüidade ligada à próxima estipulação de Paulo: Não cobiçoso de tor­pe ganância (3). Esta é advertência contra o amor do dinheiro que o apóstolo, mais adiante nesta mesma epístola (6.10), declara ser "a raiz de toda espécie de males". Tal proibição tinha relevância imediata, pois fazia parte da responsabilidade do pastor cui­dar dos bens e capitais da igreja. Esta seria fonte constante de tentação para o avarento. Somente aquele que desse toda prova de não ter espírito de cobiça pode ser separado com segurança para a obra do ministério.
Claro que é perfeitamente possível que ministros e leigos sejam enganados pelo que nosso Senhor chamou de "a sedução das riquezas" (Mt 13.22). A sutileza desta sedução é que a pessoa não precisa possuir riquezas para ser enganada por elas. Desejá-las arden­temente, permitir-se adotar atitudes calculistas na esperança de obter riquezas, ficar indevidamente interessado por salários e lucros deste mundo não podem deixar de em­pobrecer e, no final das contas, destruir o valor do próprio ministério. Tudo isso está implícito no aviso paulino do desejo controlador por dinheiro.
A única virtude positiva no versículo 3 é moderado, ("tranqüilo", CH; "cordato", RA). Isto significa não tanto a capacidade de manter a calma sob controle quanto a capa­cidade de resistir sob pressão, com infalível espírito de bondade e paciência. Paulo exalta esta virtude em 1 Coríntios 13.4, quando nos assegura que o amor é sofredor e benigno — benigno mesmo no fim do sofrimento. As especificações adicionais — não contencioso, não avarento (5) — são repetições para enfatizar os quesitos já estipulados.

Bom Pai (3.4,5)

Este é ponto da mais grave importânciaQue governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (4). Como ressalta E. K. Simpson: "O ideal do celibato sacerdotal é tão totalmente estranho ao modelo primiti­vo, que se toma por certo que o candidato ao ministério já seja casado de idade madura. A disciplina paterna relaxada o desqualifica imediatamente para a posição de lideran­ça na igreja". Esta é a versão que Phillips fez do versículo 4: "Deve ter a devida au­toridade em sua própria casa e ser capaz de controlar e exigir o respeito de seus filhos" (CH). Temos de admitir que, entre todos os padrões, este é um dos mais difíceis que Paulo estabeleceu. Mas como é importante! Muitos ministros têm tido sua utilidade limitada ou mesmo destruída por não exercerem a disciplina parental. É fácil ficarmos tão envolvidos em salvar os filhos dos outros que acabamos deixando os nossos própri­os filhos escapulir de nosso controle. Chega o momento em que os filhos crescem e têm de assumir a direção da própria vida. Nessa hora, ninguém estará com eles ao toma­rem decisões que julgarem acertadas. Mas a disciplina firme, cheia de amor e regada com oração durante os anos formativos da vida de nossas crianças é seguramente o poderoso fator determinante que possuirão quando tiverem de decidir sozinho o curso que seguirão na vida. Há, portanto, força convincente no fato de Paulo insistir no dever que o ministro tem de controlar a própria casa. E ninguém pode contradizer a verdade básica que está entre parênteses no versículo 5:Porque, se alguém não sabe gover­nar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?

Homem de Maturidade (3.6,7)

O versículo 6 oferece perspicácia muito interessante sobre a situação em Éfeso: Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo (6). Esta é advertência contra a promoção muito rápida à liderança de "recém-convertidos" ou pessoas "recentemente batizadas". Embora a igreja efésia já tivesse muitos anos de existência e, provavelmente, não devesse ter carência de líderes maduros, ha­via indícios de que candidatos imaturos ao ministério estavam sendo postos em servi­ço. Paulo acreditava em maturidade e preparação de candidatos para este cargo santo, e por uma boa e suficiente razão. Existia o perigo de que, para alguém inadequadamente preparado, a tentação ao orgulho espiritual se tornasse grande demais para ser resistida. Isso é tragédia na certa, tragédia descrita pelo apóstolo nos seguintes ter­mos: Cair na condenação do diabo. C. K. Barrett destaca que "o julgamento não é tramado pelo diabo, mas feito por Deus em rígido acordo com a verdade". A tradução de Phillips expressa o que o apóstolo quis dizer: "Para que não se torne orgulhoso e participe da queda do diabo" (CH).
Esta determinação lembra uma situação nos procedimentos de nosso Senhor com seus seguidores, relatada em Lucas 10.17-20. Os setenta haviam acabado de voltar de sua missão designada e estavam exultantes com o fato de que "até os demônios se nos sujeitam". Jesus não reprovou imediatamente o orgulho espiritual principiante, mas observou um tanto enigmaticamente: "Eu via Satanás, como raio, cair do céu". E comple­tou: "Eis que vos dou poder [...] [sobre] toda a força do Inimigo. [...] Mas não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos". Foi o orgulho que custou a Lúcifer o seu lugar nas hostes celestes, e esta foi a condenação do diaboO ministro cristão tem de estar atento para que o orgulho não o compila a participar desta condenação
Resta ainda uma especificação final para aquele que deseja servir na posição de bispo ou líder: Convém, também, que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta e no laço ("armadilha", NTLH) do diabo (7). O ministro cristão tem de inspirar o respeito e a confiança da comunidade fora da igreja, caso deseje ganhar as pessoas dessa comunidade para a igreja. E fácil dizer: "Não me importo com o que as pessoas pensem de mim"; e contanto que essa atitude seja devida­mente planejada e corretamente compreendida, justifica-se. Mas ninguém deve ser indi­ferente à sua reputação na comunidade em que vive. Ele deve desejar veementemente que as pessoas o considerem inteiramente acima de repreensão. Ver a questão de outro modo, diz Paulo, é expor-se à mesma armadilha que aguarda o indivíduo cujo espírito está arruinado pelo orgulho espiritual.


Bibliografia J. Gould+ ebareiabranca.com


Os dons ministeriais (1ª parte)

Muitos dizem que os dons ministeriais de Efésios 4.11 cessaram, mas o versículo catorze desse mesmo capítulo diz que eles existem "até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo", e isso ainda não ocorreu.

Sobre o assunto, duas coisas básicas devem ser ditas de antemão. A primeira é que é Deus quem concede os dons ministeriais (Ef 4.11; Nm 18.7). A segunda é que é o dom ministerial recebido de Deus que determina o ministério ou o ofício do ministro. Em 1 Timóteo 4.14 e 2 Timóteo 1.6, vemos o dom ministerial. Em 2 Timóteo 4.5, o ministério resultante do dom. Os dons e seus ministérios podem ser vistos em 1 Coríntios 12.8-10, 27-30.
Esses dois pontos básicos acerca do ministério podem ser vistos em Atos 13.1-4. No primeiro versículo, vemos que os candidatos à ordenação já tinham o dom ministerial concedido por Deus: "E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão, chamado Níger, e Lúcio cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo". Nos dois versículos seguintes, vemos que foi a igreja, sob a orientação do Espírito Santo, que ordenou esses irmãos para exercerem o ministério: "E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram". No versículo quatro, fica claro que foi o Espírito Santo que os enviou: "E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre".
A igreja ordena o obreiro como ministro do Evangelho, e não como apóstolo, profeta, evangelista, pastor ou mestre. Esses são ministérios dados por Deus. A igreja convencionou por si mesma chamar todos os ministros ora como pastores, ora como evangelistas, mas precisamos encarar o assunto dos dons ministeriais apresentados em Efésios 4.11 à luz da doutrina bíblica do ministério.

A soberania de Deus na distribuição dos dons ministeriais

Os dons do ministério são recebidos de Deus, segundo a sua soberania e no seu tempo. A uns Deus chama e capacita quando ainda estão no ventre de suas mães: "Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei: às nações te dei por profeta", Jr 1.5. "E tu, ó menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque hás de ir a face do Senhor, a preparar os seus caminhos", Lc 1.76. "Mas quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue", Gl 1.15-16. Outros Deus chama na infância: "O Senhor chamou a Samuel, e disse ele: Eis-me aqui", 1Sm 3.4. Samuel ainda era uma criança quando Deus o chamou.
Há alguns a quem Deus chama e capacita na idade adulta: "E subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele. E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar", Mc 3.13-14. "também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel; e também a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meola, ungirás profeta em teu lugar", 1Rs 19.16. "Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim", Is 6.8.
Há também aqueles recebem o dom por imposição de mãos, por profecia: "Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério", 1Tm 4.14. "Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos", 2Tm 1.6.
Deus é soberano quanto ao exercício dos dons ministeriais na vida do obreiro. Timóteo era evangelista (2Tm 4.5), mas cuidou de igrejas por algum tempo (1Tm 1.3; 4.13). João Batista era profeta e cheio do Espírito Santo, mas não operava milagres (Jo 10.41).


Os dons ministeriais (2ª Parte)

Como havíamos prometido, vejamos nesta semana o dom ministerial de apóstolo.

O termo apóstolo significa literalmente enviado. No original, o verbo e o substantivo aparecem em passagens como Hebreus 3.1, João 20.21, Mateus 10.15, Lucas 6.13, Atos 13.4 e 14.14, Gálatas 1.1,19, Romanos 16.7, 2 Coríntios 8.23 e Filipenses 2.25. Nos dois últimos textos, o termo não aparece no sentido ministerial.
O apóstolo é a mais alta ordem na escala de ofícios do ministério no Novo Testamento (1Co 12.28; Ef 3.5 e 4.11). A diferença de ministério entre o apóstolo e o evangelista está bem definida em Atos 8, na evangelização de Samaria. No ministério de Felipe como evangelista, destaca-se a pregação e a conversão dos pecadores (At 8.5-13). No ministério de Pedro e João como apóstolos, destacam-se o estabelecimento firme da obra e a consolidação dos resultados da evangelização (At 8.14,25). De fato, em Gálatas 2.9, Pedro e João (apóstolos) são tidos como colunas.
Os apóstolos têm sua liderança espiritual confirmada por provas e sinais (2 Co 12.12). Eles lançam os fundamentos iniciais de uma obra através da doutrina e da liderança (1Co 3.10; Ef 2.20). São eles que estabelecem, no início do trabalho, os fundamentos da doutrina (At 2.42) e provêem a adequada liderança espiritual.
O apóstolo vela com cuidado pela obra, no sentido geral e coletivo (2Co 11.28 e At 15.16). Esse cuidado geral e coletivo inclui viagens e comunicação constante com a obra. Vemos isso no livro de Atos, nas epístolas e através da História da Igreja. Os apóstolos, em virtude de sua missão, eram móveis. Não se fixavam em um lugar. Eram embaixadores de Deus.
O ministério apostólico também é caracterizado pela elevada autoridade conferida pelo Senhor (At 1.2 e 2Pe 3.2). A autoridade apostólica está sobre todos os demais ministérios (1Co 12.28). Nesse sentido, os apóstolos são "livres" para executarem serviços especiais de grande importância na igreja (1Co 9.11).
Os doze apóstolos do Cordeiro formam um grupo distinto (Jd 17). Eles colocaram o alicerce da Igreja (Ef 2.20 e Ap 21.14). São apóstolos num sentido único. Alguns exemplos de apóstolos da Igreja independentes do grupo dos doze chamados apóstolos do Senhor são Paulo e Barnabé (At 14.14), Andrônico e Júnias (Rm 16.7), e Tiago, irmão do Senhor (Gl 1.19). O próprio Paulo se declara apóstolo em Romanos 1.1 e 1 Coríntios 1.1.


Os dons ministeriais (3ª Parte)

Hoje, como anunciado no último artigo desta série, veremos o dom ministerial de profeta.

O termo profeta significa literalmente porta-voz (Lc 1.70 e Ex 7.2-3). Se quisermos entender esse ministério, é preciso antes compreendermos a diferença entre o dom de profecia e o ofício ou ministério profético.O dom de profecia é para todos: "Todos podereis profetizar", 1Co 14.31. O ministério profético, não: "São todos profetas?", 1Co 12.29.
O ministério profético é exercido através de um ministro dado por Deus à Igreja. O dom de profecia é uma capacitação sobrenatural do Espírito Santo concedida a uma pessoa do povo para transmitir a mensagem divina. No ministério profético, Deus usa principalmente a mente do profeta; no dom de profecia, Deus usa principalmente o aparelho fonador da pessoa.
O profeta é um pregador especial, com mensagem especial. Sua mensagem apela à consciência da pessoa em relação a Deus, a si própria, ao pecado e à santidade. Vemos isso nos profetas do Antigo Testamento. É só conferirmos as mensagens dos livros proféticos. No Novo Testamento, podemos ver isso em profetas como Silas (At 15.32) e Ágabo (At 21.10).
O profeta de Deus é também um intercessor diante de Deus pelos homens, pela obra etc (Gn 20.7). O forte do profeta de Deus é expor os padrões da justiça divina para o povo. Ele é um arauto da santidade de Deus. Com autoridade e unção divinas, está sempre a condenar o pecado (Is 58.1). Seu espírito ferve com isso e ele geme por isso, pois para isso foi chamado. A Igreja precisa muito desse ministério para os dias atuais.
A Palavra de Deus sai da boca do profeta como flechas de fogo divino! João 5.35 diz de João Batista, o profeta: "Ele era a candeia que ardia". O profeta de Deus faz o homem carnal estremecer, parar e considerar o seu mau caminho.A profecia, como estamos tratando aqui, é uma mensagem sobrenaturalmente inspirada ou revelada da parte de Deus. A mensagem profética vem do Espírito Santo através das fé (Rm 12.6). Portanto, o ministério profético é um ministério de fé.
Duas curiosidades sobre os profetas de Deus na Bíblia: dois deles no Novo Testamento eram também apóstolos: Barnabé e Saulo (At 13.1); e há um alerta de Deus para o povo a respeito deles: "Não toqueis nos meus ungidos, e não maltrateis os meus profetas", Sl 105.15.
Nos tempos bíblicos havia falsos profetas: "E veio a mim a Palavra do Senhor, dizendo: Filho do homem, profetiza contra os profetas de Israel que são profetizadores, e dize aos que só profetizam o que vê o seu coração: Ouvi a Palavra do Senhor: Assim diz o Senhor Jeová: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e coisas que não viram", Ez 13.1-3. Como naqueles tempos, ainda há falsos profetas.

Os dons ministeriais (4ª Parte)

Agora, vejamos o que a Bíblia fala sobre o dom ministerial de evangelista.

O vocábulo evangelista significa no original mensageiro de boas-novas. O autêntico ministro evangelista, chamado por Deus e colocado por Ele no ministério, não deve exercer o apostolado. Seu ministério deve ser itinerante. É só atentarmos para Felipe em Atos 8, principalmente para o último versículo: "E Felipe se achou em Azoto, e, indo passando, anunciava o Evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesaréia", v40.
O professor de Escola Dominical tem a visão de uma classe de alunos; o pastor tem a visão de sua congregação, seu campo; o evangelista tem a visão regional e mundial. Sua paixão é o mundo para Cristo!
A mensagem do evangelista é "Vinde ao Senhor"; a do profeta é "Permanecei no Senhor". Veja o exemplo de Barnabé como profeta: "O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor com propósito do coração", At 11.23.Em síntese, as diferenças entre profeta, evangelista e mestre são as seguintes: O profeta move o coração, a consciência do povo. Ele apela ao
 sentimento. O evangelista leva o povo a uma decisão diante de Deus. Ele apela à vontade. O mestre instrui o povo, a congregação, no caminho do Senhor, na Palavra de Deus, na doutrina bíblica. Ele apela à mente. Deus pode conceder a um mesmo ministro mais de um ministério ou dom ministerial.
O evangelista não deve ser um obreiro neófito, como se o ministério de evangelista fosse um início de "carreira". Veja o exemplo de Felipe mais uma vez. Em Atos 8.5-8,13-40, no começo de seu ministério, o encontramos em pleno exercício. Em Atos 21.8, encontramos Felipe em plena atividade ainda.

O evangelista deve ter um conhecimento sistemático das doutrinas da Bíblia, especialmente aquelas ligadas ao exercício do seu ministério. Algumas das doutrinas e ensinos que o evangelista precisa conhecer são a doutrina da salvação, que por sua vez abrange em si um grupo de doutrinas; a doutrina da fé; o discipulado cristão, começando com a integração dos novos convertidos; milagres, sinais e prodígios, como em Atos 2.22; o batismo no Espírito Santo; e os dons e o fruto do Espírito. Ele também deve estudar muito homilética, exegese e hermenêutica. Tanto o profeta como o evangelista, como mensageiros de Deus, usam muito a imaginação. Jeremias e Ezequiel são exemplos. Jeremias com o cinto (Jr 13) e Ezequiel com o tijolo e a panela (Ez 4.1 e 24.3).

O tema principal do evangelista é a salvação dos perdidos e a volta dos desviados. Ele também promove o avivamento espiritual dos crentes. Onde não vemos nada na Bíblia sobre Salvação, o evangelista vê pelo Espírito, e ali prega! Para ele, parece que a Bíblia só contém a mensagem da Salvação. É interessante como o ministério evangelístico e a música são tão relacionados.O autêntico ministério de evangelista é concedido por Jesus, nunca imposto pelos homens. Pelo fato de certos "evangelistas" não terem esse ministério, os tais usam de malabarismos, trejeitos, mecanicismo, emocionalismo e até truques diante do povo. Se bem que pode haver muito disso em um evangelista imaturo.
Paulo também era evangelista (1Co 1.17). Até a inscrição de uma placa serviu de tema de sermão para ele (At 17.23)!

Os dons ministeriais (5ª parte)

Hoje, veremos o dom ministerial de pastor.

O verdadeiro pastorado é um dom de Deus para ser exercido, e não primeiramente um cargo para ser ocupado. O pastor pode também vir a exercer o cargo de presidente da igreja. Se realmente o Senhor lhe concedeu o dom ministerial de pastor, e ele também for colocado por Deus para presidir a igreja, o seu ministério vem do Dom e o seu cargo através da sua eleição.As atividades do pastor englobam as funções de pastoreio, pregador, mestre, administrador e conselheiro.
Como pastor, entendesse que esse ministério é um encargo ligado às ovelhas. O termo pastor, no original, significa aquele que cuida e guarda as ovelhas. Esse é o ministério que está mais relacionado a elas. O profeta "traz" Deus ao povo; o pastor "leva" o povo a Deus (Ex 19.17).

A função do pastor, como ministério recebido de Deus, compreende:

a) Dirigir, presidir e administrar o rebanho do Senhor: Sem isso, as ovelhas se desviarão.

b) Doutrinar: Para isso, o pastor precisa ser um estudante dedicado da Palavra de Deus, especialmente no que concerne à Teologia Sistemática. Um grande segredo do progresso no ministério pastoral está em doutrinar. Aqui, é preciso cuidado para não instituir "doutrinas de homens" (Cl 2.22). O pastor, pela natureza do seu trabalho, está muito ligado ao ensino bíblico (At 21.15-17).
c) Proteger: Se o pastor não fizer essa parte, muitas ovelhas cairão vítimas de todo tipo de males.
d) Tratar das ovelhas: Muitas caem doentes espiritualmente.
e) Alimentar as ovelhas: Uma ovelha faminta segue qualquer outro líder, além de outros males que lhe atingem.
f) Visitar: É outra função, exercida diretamente ou através de comissões.
g) Disciplinar: O termo disciplina envolve primeiramente o sentido de instrução, admoestação e correção, e não o de castigo e punição. Para fazer tudo isso, o pastor precisa estar sempre cheio do amor de Deus pelas ovelhas, pelos perdidos, pelos fracos e faltosos, por todos.
Como pregador, entendesse que o ministério pastoral também está ligado aos pecadores. Pregar é um encargo do pastor relacionado aos pecadores. Como mestre, compreendesse que o ministério pastoral inclui o encargo de educador, doutrinador e ensinador. Como administrador, o pastor tem o encargo de dirigir e presidir. Como conselheiro, um encargo de ordem pessoal.
Um exemplo de pastor no Novo Testamento é Tiago (At 15.13 e 21.18). Diz a tradição que seus joelhos eram calejados como os de um camelo, de tanto orar ajoelhado.As necessidades do pastor estão bem resumidas em Jeremias 3.15: "E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com ciência e com inteligência". Jesus foi o maior exemplo de pastor. Sobre esse seu ministério, Isaías profetizou: "Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço: as que amamentam, ele guiará mansamente", Is 40.11. Jesus afirmou: "Eu sou o bom pastor: o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas", Jo 10.11.

Os dons ministeriais (6ª parte)


Finalmente, concluindo esta série, veremos o dom ministerial de mestre. 
O termo mestre, como aparece em Efésios 4.11, significa literalmente ensinador. O próprio termo implica ensinar segundo os processos e métodos didáticos, apelando para as faculdades lógicas da mente, da razão.. O mestre bíblico ocupa-se da doutrina, do ensino bíblico, portanto necessita dos dons da ciência e da sabedoria. Outro detalhe sobre esse ministério é que ele é, biblicamente falando, itinerante como o de evangelista.

É importante explicar aqui a má compreensão de 1 João 2.20,27, quanto ao ministério do mestre. Esses textos dizem: "E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo(...) E a unção, que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis". A explicação da suposta dificuldade está no versículo 26: "Estas coisas vos escrevi acerca dos que vos enganam". O que João está querendo dizer é que o crente não precisa dos que ensinam doutrinas extrabíblicas. Esse "alguém que vos ensine" trata-se "dos que vos enganam".

A Bíblia é, acima de tudo, um livro de doutrinas que precisam ser estudadas, compreendidas e expostas sob a unção do Espírito Santo, que inspirou essas doutrinas.A doutrina bíblica trata-se de um ensino bíblico sistematizado. Nenhuma só doutrina aparece sistematizada na Bíblia. Isto é, organizada, desdobrada, esboçada. Nem aparece isolada em um só lugar. Essa sistematização vem por catalogação textual e conceptual desse ensino ou princípio bíblico. Quanto mais completa for essa sistematização, mais completo será o estudo dessa doutrina.

O mestre deve aprofundar-se nas ciências bíblicas da exegese e da hermenêutica, sem jamais deixar de depender do Espírito Santo para capacitá-lo e dirigi-lo no preparo de estudos e sermões, e na exposição da Palavra.Não se conhece entre nós uma igreja que sustente um mestre para exercer o ministério de ensino, assim como sustentam seus pastores, se bem que todo pastor também tem que ensinar pela natureza do seu cargo. O resultado disso é crise, pobreza e problemas na área do ensino da Palavra.

O estudo bíblico

O mestre deve enfatizar em seu modo de ministrar o estudo temático da Bíblia. Agora, há vários tipos de estudo bíblico conforme a necessidade da ocasião. Há o devocional, o doutrinário, o auxiliar, o de treinamento e o de orientação.

Vejamos alguns passos no preparo de um estudo bíblico. Mas, antes, é importante atentarmos para o que diz Lucas na introdução de seu Evangelho: "Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da Palavra, pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio, para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado", Lc 1.1-4. Lucas fala que consultou fontes e que preocupou-se em transmitir o que ouvira com exatidão e em ordem.

Os passos de preparação de um estudo bíblico são:
a) Orar, orar e orar!
b) Estudar o assunto na Bíblia, fazendo apontamentos pessoais.
c) Consultar fontes auxiliares (de confiança), como os próprios apontamentos pessoais.
d) Ordenar o material de estudo coletado.
e) Esboçar o estudo. Para isso é preciso saber fazer esboços.
f) Preparar finalmente o estudo. É dar-lhe sua redação final.
g) Conferir cuidadosamente o estudo, tanto o texto com as referências bíblicas. Saber mesmo a diferença entre uma referência real e uma referência verbal.

Dois alertas aos mestres 
Agora, é importante darmos dois alertas para os que ensinam na Igreja. O primeiro está em 1 Coríntios 8.1: "A ciência incha, mas o amor edifica". É preciso que o mestre seja humildade. Apolo era mestre erudito, mas humilde: "E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, varão eloqüente e poderoso nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor; e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João. Ele começou a falar ousadamente na sinagoga. Quando o ouviram Priscila e Áquila, o levaram consigo e lhe declararam mais pontualmente o caminho de Deus". Apolo, mesmo sendo erudito, se dispôs a aprender.

O segundo alerta diz respeito aos cismas. Os cismas que vêm dividindo a cristandade desde a fundação da Igreja são quase sempre originados pelos mestres, teólogos, escritores e professores. A Palavra de Deus adverte que o julgamento do trabalho do mestre perante o tribunal de Cristo será mais rigoroso e mais exigente: "Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo", Tg 3.1.

Os dons ministeriais operando em Jesus

Jesus é o maior exemplo de obreiro em toda a Bíblia Sagrada e em todos os tempos. Ele deve ser o nosso modelo, o padrão a ser seguido.
Jesus como apóstolo: Hb 3.1; Jo 12.3).
Jesus como profeta: Lc 24.19; At 3.22.
Jesus como evangelista: Lc 4.18-19; Lc 20.1; Is 61.1.
Jesus como pastor: Jo 10.10; Hb 13.20; 1Pe 5.4.
Jesus como mestre: Jo 13.13; Mt 26.55.

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