ESCATOLOGIA

                              A doutrina das últimas coisas
                                                                                 

                                                                                 

A Escatologia suscita diversas imagens nas mentes dos estudantes bíblicos: figuras apocalípticas, sofrimentos, julgamento de ímpios que rejeitaram a Cristo. Conquanto essas imagens façam parte da Escatologia, não são as únicas nas quais os cristãos devam se fixar em seus estudos. Como praticantes das Sagradas Escrituras, devemos nos ater a questões mais profundas, como por exemplo, os planos de Deus analisados à luz da Escatologia, o retorno de Israel a Deus, o fim de todo o mal e o nosso eterno e perfeito estado com o Senhor.



Deus, através da Escatologia, nos permite ver como será o fim da historia, quando triunfaremos com Ele para sempre. Vejamos alguns aspectos resultantes do estudo da Escatologia:




Deve nos trazer esperança: Romanos 15.4 diz que as coisas escritas nas Escrituras foram registradas para que tivéssemos esperança, e não desespero. Isso se aplica também ao estudo das Últimas Coisas. Esperança não é uma opção para o cristão, mas uma certeza, desde que ele possa ver a mão de Deus nos acontecimentos mundiais.



Mostra a verdade sobre o fim da história: muitos cristãos questionam senso de justiça divino quando alguma desgraça lhes sobrevêm, ou quando os ímpios continuam prosperando, mesmo à base de pecados grosseiros. Entretanto, a Escatologia nos mostra que a justiça triunfará contra toda maldade, e que Deus há de julgar todas as atitudes malignas e recompensar os que lhe foram fiéis.



Oferece alegria em meio à aflição: Há um tempo determinado por Deus para que todo o sofrimento termine e todas as lágrimas sejam enxugadas. Até que esse tempo chegue, diversos fatos ocorrerão, com a permissão de Deus, para nos afligir. Em quanto estivermos nesse mundo, estaremos sujeitos à aflição e à injustiça, e esse fato nenhum pregador da “prosperidade” poderá contradizer. É certo que, de acordo com a Bíblia, há muitos problemas reservados para a humanidade rebelde, mas podemos ter alegria em Deus porque a Igreja não experimentará tais juízos.



Leva-nos para mais perto das verdades bíblicas: A Escatologia possui um terreno rico para debates e fértil para suposições. O mundo à nossa volta mudou bastante nos últimos 30 anos e diversas teorias escatológicas parecem ter perdido suas bases. Para que tenhamos um entendimento correto das Escatologia, precisamos nos ater à Bíblia. Um estudante comprometido com Deus não desprezará a Historia quando estudar as Ultimas Coisas, mas terá as Sagradas Escrituras como seu verdadeiro manual.

O que é a Escatologia Bíblica.

A fim de compreendermos devidamente uma doutrina, carecemos de duas definições: uma nominal e outra real. A primeira ocupa-se das palavras em si: sua etimologia e significado; e a segunda, do objeto que ela representa. Nesse tópico, por conseguinte, determinaremos, primeiro, o étimo da palavra Escatologia; em seguida, haveremos de demarcar esta tão importante doutrina.



Definição nominal. Do grego escatho, ultima coisa mais logia, dicurso racional. Etimologicamente, portanto, Escatologia significa: estudo das Ultimas Coisas.

Definição real. Compreendida como um dos capítulos da dogmáticas cristã, a Escatologia Bíblica é o estudo sistemático, ordenado e logicamente disposto dos temas relacionados aos últimos acontecimentos da Historia Universal, conforme no-los revelam as Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento.



Fundamentos da Escatologia.

Doutrina sem fundamentação não é doutrina; é especulação. Uma doutrina somente é possível e contar com o testemunho dos profetas e dos apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo; com os credos e declarações doutrinarias das Igrejas que primam pela ortodoxia bíblica; com a teologia conservadora, e que não se aventure pelos escaninhos e armadilhas da especulação liberal: com o aval dos antecedentes registrados pela historia da Igreja Cristã; e com o testemunho e iluminação do Espírito Santo.

1) A Bíblia Sagrada. Como a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus, é a Bíblia sagrada a principal fonte da Escatologia Bíblica. É o tribunal supremo onde são julgados todos os enunciados teológicos (Is 8.20, 46.10 e Ap 22.18-19). Sua autoridade é inquestionável e irrecorrível.

2) Os credos e as declarações doutrinarias. Serão estes aceitos como fontes de doutrina das Ultimas Coisas, desde que estejam em conformidade absoluta e plena com a Bíblia Sagrada. Caso contrario, que sejam enérgica e vigorosamente rechaçados.

3) A teologia. Se bíblica, conservadora e ortodoxa, haverá de ser acatada como fonte auxiliar da doutrina das Ultimas Coisas. Mas, se especulativa, liberal e apóstata, que seja rechaçada; nada tem a dizer-nos.

4) A história. Comandada por Deus, mostra-nos, de forma clara, que os eventos da vida humana encaminham-se de acordo com o plano estabelecido por Deus. Argúi-nos quão exatas e precisas são as profecias bíblicas. Além disso presta-nos como a Igreja cristã tratou da Escatologia Bíblica no transcorrer dos séculos.

5) O testemunho do Espírito Santo. O Espírito Santo atesta-nos que o Senhor Jesus está prestes a vir buscar a sua igreja. “E o Espírito e a esposa dizem: Vem! E quem tem sede venha; e quem quiser tom de graça da água da vida”, Ap 22.17.


Tão confrontador testemunho faz com que estejamos tranqüilos num mundo que celeremente, encaminha-se para o caos. Sabemos que, dentro em breve, soará a ultima trombeta, anunciando o Arrebatamento da Igreja. Dessa forma, conforme acentua o apostolo Paulo, estaremos sempre com o Senhor Jesus. Aleluia!

Objetivos da Escatologia.

Sendo uma doutrina necessária e muito confortadora, a Escatologia Bíblica não pode ser considerada um mero exercício de lógica; ela tem por objetivos:

-Mostrar o que esta prestes a acontecer nos Últimos Dias. “estas palavras são fiéis e verdadeiras. O Senhor, o Deus dos santos profetas, enviou o seu anjo, pra mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer”, Ap 22.6.

-“Preparar o crente “a encontrar-se com Deus” “.” E qualquer que nele esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro”, Jo 14.1-2.

-Tranqüilizar o povo de Deus quanto aos últimos acontecimentos. “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu pai há muitas moradas, se não fosse assim,eu volo teria dito, pois vou preparar-vos lugar”, Jó 14.1-2.

-Mostrar a todos que o noivo esta chegando. “E o Espírito e a esposa dizem: Vem! E quem ouve diga: Vem! E quem tem sede venha; e quem quiser tome de graça da água da vida. Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente, cedo venho. Amém! Ora, vem, senhor Jesus!”, Ap 22.17,20.


Como estudar Escatologia.


A Escatologia bíblica tem-se mostrado um terreno bastante fértil ás especulações e as fantasias. E são exatamente estas que vem sobressaindo no estudo de tão importante doutrina. Encontrando guaridas em livros, apossando-se de cátedras e tornando subservientes alguns púlpitos, vão tais velocidades desviando os fiéis da palavra de Deus. Eis porque temos que estudar as Ultimas Coisas com todo o critério e rigor, a fim de não incorrermos em interpretações extravagantes e contrarias à Bíblia sagrada.

Embora consideradas instrutivas e até úteis para levar os indiferentes a um desperta mento espiritual, as obras de ficção podem induzir muita gente a supor que o Arrebatamento da Igreja, por exemplo, não passe de um imaginoso enredo. Ao invés de ir ao texto bíblico, passarão elas a buscar as respostas às suas indagações sobre o futuro em romance e contos, que apesar de ostentarem alguma ortodoxia bíblica, darão mais importância ao enredo do que as verdades bíblicas. Infelizmente, nem todos tem o necessário discernimento para saber até onde vai a ficção e até que o ponto esta não compromete a sã doutrina. O que aconteceria se os crentes viessem a imaginar que os Últimos Dias não passam de um eletrizante romance futurístico?

No período interbíblico, muitos autores hebreus, já cansados com a opressão gentia, puseram-se a escrever apocalipses, nos quais o Ungido se apresentava como libertador de Israel. Distorcendo as Sagradas Escrituras e arrimando-se naquelas fantasias que, desde a Babilônia, foram povoando o imaginário hebreu, criaram uma realidade de tal forma hipotética e tão contraria aos ensinamentos dos santos profetas que, quando a chegada do messias, foram incapazes de ver, no carpinteiro de Nazaré, o Ungido de Deus. Aliás, até os próprios discípulos, contaminados por esses devaneios, tiveram dificuldades para crer estivesse ali, entre eles, o filho de Deus.

Não estaremos nós também a cometer os mesmos erros? Vejamos, pois, como estudar a Escatologia Bíblica.


1) Tendo a Bíblia como a palavra final e irrecorrível. Tudo o que falarmos, ou escrevermos, consoante as Ultimas Coisas tende estar, rigorosamente, de acordo com o Antigo e o novo Testamento. Que a advertência de Isaias seja reverentemente acatada: “A lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva”, Is 8.20.

Portanto, nada aceitaremos que não esteja rigorosamente em conformidade com a Bíblia sagrada, porque ela é inspirada, a infalível, a incorruptível, a imutável, e a inerrante Palavra de Deus. As Sagradas Escrituras são a nossa autoridade máxima e irrecorrível. 

2) Recusando as especulações. Conscientizemo-nos de que a Escatologia bíblica acha-se fundamentada na revelação divina, e não na especulação humana. O apóstolo Paulo deixa isso muito claro: “ Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados”, 1Co 15.51. Em sua Primeira Epistola aos Tessalonicenses, ressalta estar tratando de um assunto com a assistência direta do Espírito Santo: “Dizemos-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precedermos os que dormem”,1Ts 4.15. Consultemos também apocalipse 1.1-3.

Não são apenas os imorais que se acham destinados ao Lago do Fogo; os hereges e apostatas serão igualmente ai lançados; e, em eternos e indescritíveis tormentos, segarão os enganos e semearam entre os santos.

3) Rejeitando as fantasias e as interpretações extravagante. Haveremos de ser precavidos, também, com os que, julgando-se profetas, aventuram-se a marcar a Vinda de Cristo, induzindo o povo de Deus a confusão e a descrença. Energeticamente, Paulo os repreende. “se alguém cuida ser profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor”, 1Co 14.37.

Todos os movimentos que ousaram marcar a Vinda de Cristo acabaram por cair na apostasia. Lembremo-nos, os, da exortação do Senhor aos discípulos, quando estes indagaram-lhe acerca de seu retorno a Terra:” não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. Mas receberei a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da Terra”, At. 1.7-8.

Que estes subsídios ajudem os professores no estudo deste trimestre, cujo tema é de capital importância aos que aguardam o encontro com o Senhor Jesus. Que o Espírito Santo nos ajude a compreender melhor as maravilhas de nos falte o óleo sobre a nossa cabeça.

                            A doutrina das Últimas Coisas
                                                           
       
A escatologia suscita diversas imagens nas mentes dos estudantes bíblicos: figuras apocalípticas, sofrimentos, julgamento de ímpios que rejeitaram a Cristo. Conquanto essas imagens façam parte da Escatologia, não são as únicas nas quais os cristãos devam se fixar em seus estudos. Como praticantes das Sagradas Escrituras, devemos nos ater a questões mais profundas, como por exemplo, os planos de Deus analisados à luz da Escatologia, o retorno de Israel a Deus. O fim de todo o mal e o nosso eterno e perfeito estado com o Senhor.

Deus através da Escatologia, nos permite ver como será o fim da Historia, quando triunfaremos com Ele para sempre. Vejamos alguns aspectos resultantes do estudo da Escatologia:

Deve nos trazer esperança: Romanos 15.4 diz que as coisas escritas nas Escrituras foram registradas para que tivéssemos esperança, e não desespero. Isso se aplica também ao estudo das Ultimas Coisas. Esperança não é uma opção para o cristão, mas uma certeza, desde que ele possa ver a mão de Deus nos acontecimentos mundiais.

Mostra a verdade sobre o fim da Historia: Muitos Cristãos questionam o senso de justiça divino quando alguma desgraça lhes sobrevêm, ou quando ímpios continuam prosperando, mesmo à base de pecados grosseiros. Entretanto, a Escatologia nos mostra que a justiça triunfará contra toda a maldade, e que Deus há de julgar todas as atitudes malignas e recompensar os que lhe foram fiéis.

Oferece alegria em meio à aflição: Há um tempo determinado por Deus para que todo sofrimento termine e todas as lagrimas sejam enxugadas. Até que esse tempo chegue, diversos fatos ocorrerão, com a permissão de Deus, para nos afligir. Em quanto estivermos neste mundo, estaremos sujeitos à aflição e á injustiça, e esse fato nenhum pregador da “prosperidade” poderá contradizer. É certo que, de acordo com a Bíblia, há a muitos problemas reservados para a humanidade rebelde, mas podemos ter alegria em Deus porque a Igreja não experimentará tais juízos.

Leva-nos para mais perto das verdades bíblicas: a Escatologia possui um terreno rico para debates e fértil para suposições. O mundo a nossa volta mudou bastante nos últimos 30 anos e diversas teorias Escatológicas parecem ter perdido suas bases. Para que tenhamos um entendimento correto da Escatologia, precisamos nos ater a Bíblia. Um estudante comprometido com Deus não desprezará a Historia quando estudar as Ultimas Coisas, mas terá as Sagradas Escrituras como seu verdadeiro manual. APOSTASIA NOS ULTIMOS TEMPOS APOSTASIA -VEM DO GREGO AFASTAMENTO= ;ABANDONO PREMEDITADO DA FÉ CRISTÃ.No antigo testamento ;não foram poucos as apostasias cometidas por hisrael .Só em juizes ;há sete desvios ou abjuração da verdadeira fé em Deus .Para os profetas ;a apostasia constituia-se num adultério espiritual .Se a congregação hebréia era tida como esposa de Jeová;deveria guadar-lhe fielmente os preceitos ;e jamais curvar-se diante dos idolos.Jeremias e Ezequiel foram os profetas que mais enfocaram a apostasia israelita sob o prisma das relações matrimoniais.Atravez da apostasia ;objetiva o diabo mina a resistencia da igreja ;induzindo -a deixar de ser Reino de Deus para tornar-se uma simples organização religiosa.Como a seguir veremos ;um dos primeiros sintomas da apostasia é a perda do primeiro amor. Aprofecia de 1ºtm 4.1; vem se cumprindo.Infezlimente .essa profecia se cumpre de forma alarmante.IGREJAS SÃO CORROMPIDAS POR FALSOS MESTRES;CONGREGAÇÕES INTEIRAS SÃO DESVIVADAS da simplicidade evangelica por videntes e profetas que se acham a serviço de satanas;rebanhos são apartados da verdade pelos que mercadejam a Palavra de Deus.E os seminarios que abandonam a sã doutrina?E OS PULPITOS QUE SE ACHAM COMPROMETIDOS COM O LIBERALISMO TEOLÓGICOS? ESFRIAMENTO DO PRIMEIRO AMOR. 



         A escatologia tem sua base na revelação divina

 A Bíblia é a revelação da vontade de Deus à humanidade. Inicialmente, Deus escolheu a semente de Abraão, ou seja, o povo de Israel, para revelar a sua vontade. Mais tarde, Deus ampliou o campo da sua revelação e formou um novo povo, a Igreja, constituída de judeus e gentios (Ef 2.11-19). A partir de então, a Igreja é o alvo da revelação divina. Toda a revelação aponta para o futuro e a Igreja caminha neste mundo com uma esperança, pois é identificada como “peregrina e forasteira”, 1 Pe 2.11. Ela existe por causa da esperança (Rm 5.2; 8.24; Ef 4.4; 1 Ts 4.13). A esperança indica uma meta; traça planos para um futuro. O mundo pagão se fecha dentro de um fatalismo histórico, sem expectativas, sem futuro, mas a Bíblia revela o futuro.
A escatologia pertence ao campo da profecia. A preocupação principal do estudo da escatologia é interpretar os textos proféticos das Escrituras. As verdades proféticas se tornam claras e definidas quando se tem o cuidado de interpretá-las seguindo os princípios de interpretação, observando o seu contexto histórico e doutrinário. O apóstolo Pedro teve o cuidado de explicar essa questão quando escreveu: “E temos mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração”, 2 Pe 1.19. Na verdade, o apóstolo procura contrastar as idéias humanas com a palavra da profecia escrita na Bíblia. Ele fortalece a origem divina das Escrituras e da sua profecia. Não podemos duvidar nem admitir falha na Palavra de Deus. Ela é inspirada pelo Espírito Santo (2 Tm 3.16). A inerrância das Escrituras tem sua base na infalibilidade da Palavra de Deus. Outrossim, o mesmo autor declara que “nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”, 2 Pe 1.20,21.

                 MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DA ESCATOLOGIA

Na história da Igreja têm sido adotados vários métodos de interpretação no que concerne às escrituras proféticas. Eles têm produzido explicações e posições que obrigam os cristãos a serem cautelosos. Há idéias divergentes, por exemplo, com respeito ao arrebatamento da Igreja. Alguns o admitem antes e outros crêem que se dará no meio da Grande Tribulação. As teorias são várias, mas precisamos ser definidos sobre o assunto. Para isso, dois métodos de interpretação devem merecer a nossa atenção.
 O método alegórico ou figurado. Alguns teólogos definem a alegoria “como qualquer declaração de fatos supostos que admite a interpretação literal, mas que requer, também, uma interpretação moral ou figurada”. Quando interpretamos uma profecia bíblica, sem atentarmos para o seu sentido real, figurado ou literal, negamos o seu valor histórico, dando uma interpretação de somenos importância. Corremos o risco de anular a revelação de Deus naquela profecia. Daí, as palavras e os eventos proféticos perderem o significado para alguns cristãos.
Quando o sentido de uma profecia é literal e se interpreta alegoricamente, se está, de fato, pervertendo o verdadeiro sentido da Escrituras, com o pretexto de se buscar um sentido mais profundo ou espiritual. Por exemplo, há os que interpretam o Milênio alegoricamente. Não acreditam num Milênio literal. Por esse modo, além de mutilarem o sentido real e literal da profecia, anulam a esperança da Igreja.
Tenhamos cuidado com interpretações feitas superficialmente ao bel-prazer das especulações do intérprete, com idéias próprias ou ao que lhe parece razoável. Declarações como: “eu penso que é isso”, “eu sinto que é isso”, são típicas de interpretações vaidosas, irresponsáveis e vazias de temor a Deus. Portanto, o método alegórico deve ser utilizado corretamente. Paulo utilizou-o em Gálatas 4.21-31. Ele tomou as figuras ilustradas no texto com fatos literais da antiga dispensação, mas apresentou-os como sombras de eventos futuros.
O método literal e textual. Esse é o método gramático-histórico. Isto é: se preocupa em dar um sentido literal às palavras da profecia, interpretando-as conforme o significado ordinário, de uso normal. A preocupação básica é interpretar o texto sagrado consoante a natureza da inspiração da profecia. Uma vez que cremos na inspiração plena das Escrituras através do Espírito Santo, devemos atentar para o fato de que há textos que têm apenas um sentido espiritual, sem que exija, obrigatoriamente, uma interpretação literal ou figurada.
Ambos os métodos são válidos, mas devem ser utilizados com cuidado e precisão. Há uma perfeita relação entre as verdades literais e a linguagem figurada. Temos o exemplo bíblico da apresentação de João Batista no texto de João 1.6, que diz: “Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João”. Notemos que o texto está falando literalmente de um homem, cujo nome, de fato, era João. Os termos empregados referem-se literalmente a alguém fisicamente. Mais tarde, João Batista, ao identificar Jesus, usou uma linguagem figurada, quando diz: “Eis aí o Cordeiro de Deus”, Jo 1.29. Na verdade, Jesus era um homem real e literal, mas João usou a forma figurada para denotar o sentido literal da pessoa de Jesus.

               A PROFECIA NA PERSPECTIVA ESCATOLÓGICA

Não entenderemos a profecia bíblica se a confundirmos com “o dom da profecia”. A profecia bíblica tem um caráter inerrável, porque ela está nas Escrituras inspiradas pelo Espírito Santo. A profecia, como dom do Espírito, tem a sua importância no contexto da Igreja de Cristo na Terra, pois depende de quem a transmite e, por isso, sujeita a erro e julgamento (1 Co 14.29), e não pode ter validade se a mesma choca-se com o ensino geral das Escrituras.
A profecia cumprida e a futura. Para que a profecia bíblica tenha o crédito que merece, devemos estudá-la no que concerne ao que já foi cumprido e, também, referente ao futuro. Uma grande parte dos livros da Bíblia contém predições. Quando estudamos as profecias cumpridas podemos enxergar o seu caráter divino, e fazer distinção com as profecias não cumpridas. Jesus, em seu discurso aos discípulos no aposento alto, falou do ministério do Espírito Santo após sua ascensão aos céus, e disse: “Ele vos ensinará e vos anunciará as coisas que hão de vir”, Jo 16.13.
 A profecia e o ministério da Palavra. Toda declaração bíblica sobre profecia é tão crível quanto àquelas declarações históricas. Certo autor de teologia declarou que “a história da raça humana é a história da comunicação de Deus com o homem”. Deus mesmo recorre à sua Palavra, não como uma simples evidência da verdade declarada, mas como a única forma pela qual nós podemos obter uma perfeita e completa visão do propósito divino em relação à salvação. Por isso, precisamos observar a história do passado, presente e futuro. Devemos ter confiança de que assim como teve cumprimento a Palavra de Deus no passado e o tem no presente, o mesmo acontecerá com as profecias relacionadas ao futuro. 
As Escrituras Sagradas apresentam um só sistema de verdade. Não importa o que dizem as várias escolas de interpretação. Suas interpretações podem variar e até estar equivocadas. E, nem a Bíblia se presta a dar apoio a qualquer sistema de interpretação. O futuro é uma parte do plano de Deus, e só Ele conhece tudo o que encerra a profecia. As opiniões humanas têm valor enquanto estiverem em conformidade com as Esc


A NATUREZA DA LITERATURA APOCALÍPTICA

DEFINIÇÃO

Uma classe inteira de literatura deve seu nome à primeira palavra do texto grego do último livro de nossa Bíblia. A palavra é(apokálupsis). Este substantivo provém do verbo (apokalúptein), que significa "desvendar", daí "revelar". O adjetivo "apo­calíptico" é usado para qualificar escritos que têm certas afinidades com o Apocalipse do Novo Testamento. Foram feitas associações entre o Apoca­lipse e outras porções e livros da Bíblia, tais como Daniel e Ezequiel e estes são ditos conterem material apocalíptico em sua natureza. Depois foram feitas associações com escritos não-canônicos, tais como os Segredos de Enoque, e estes são também chamados "escritos apocalípti­cos". Desta forma, como o termo foi considerado como descritivo de muitos escritos que não poderiam ser classificados de outra maneira, o gênero literário recebeu seu nome. Basicamente, "apocalíptica" é a literatura não diferente do Apocalipse.

Mas, o que caracteriza esta literatura? Muitos estudiosos a incluem nos "tratados para tempos difíceis" (G.E. Ladd, A Commentary onthe Revelation of John — Um Comentário Sobre o Apocalipse de João — p.8). Esta literatura surgiu no período da história de Israel depois que a voz profética fora silenciada. Durante tempos de severa perseguição, livros apocalípticos surgiram na ausência de um profeta para responder à pergunta: "Porque o justo sofre?" Os livros apocalípticos pretendem ser uma revelação divina, geralmente através de um intermediário celestial, a alguma pessoa proeminente na história passada da nação, na qual Deus promete vingar seu povo sofredor, destruir toda a impiedade e trazer paz duradoura. A diferença básica entre a profecia e o texto apocalíptico é que a profecia lidava com as obrigações éticas do período em que o profeta escreveu, ao passo que o texto apocalíptico centralizava-se num tempo no futuro, quando Deus iria intervir catastroficamente, para julgar o mundo e estabelecer a justiça (Rist, Introduction andExegesis of the Revelation of St. John the Divine — Introdução e Exegese do Apocalipse de S. João, o Divino — p. 347).

Há cerca de tantas definições da natureza desta literatura quanto há escritores sobre os livros deste gênero. Um método é definir o texto apocalíptico por três aspectos óbvios: forma, função e conteúdo. A virtude deste método é que estes aspectos são bem evidentes. Cada um destes tem cercas características, que precisam ser observadas. Estas são: 1) A forma, como tendo pseudonímia (ouanonímia), simbolismo, mitologia, orientação cosmológica, numerologia (gematria), experiências extáticas, alegações de inspiração, visões (esotéricas), drama, empréstimos de outros apocalipses, alegoria e prosa. 2) A função (ou propósito), como respon­dendo às necessidades que surgem das perseguições, resolvendo o proble­ma colocado pela justiça de Deus e o sofrimento do homem (teodicéia),e expondo os objetivos do nacionalismo. 3) O conteúdo inclui determi­nismo, escatologia, transcendentalismo, uma filosofia pessimista da histó­ria, dualismo, divisão eônica (Veja Aqui) do tempo e um mínimo de ensinos éticos e morais.

Naturalmente, é observável imediatamente que cada escrito apocalíp­tico não teria todas estas características; alguns têm mais, outros menos. Mas os três aspectos são de importância na definição deste gênero. É também evidente, ao ler-se o texto apocalíptico, que um aspecto pode ser dominante sobre os outros dois. Geralmente, contudo, é o aspecto da forma que chama a atenção para este tipo de literatura. As características destes aspectos foram desenvolvidas durante um período de séculos, resultantes de crenças religiosas básicas (cf. P. Hanson, The Dawn of Apocalyptic — A Alvorada do Apocalíptico). Foi sugerido, por Stanley B. Frost (Old TestamentApocalyptic  O Apocalíptico do Velho Testa­mento — 1952, p. 6), que o apocalíptico surgiu quando a escatologia judaica (conteúdo),mesclou-se com o mito semítico (forma), durante a perseguição da nação judaica (função). Isto é verdadeiro quanto ao apocalíptico judaico. Muito do chamado "apocalíptico neotestamentário" parece ser uma fusão do mito judaico e gentio, para propósitos gnósticos:forma (mito judaico e gentio), conteúdo (escatologia), função (gnóstica ou do conhecimento). Esta, em termos mínimos e elementares, é a definição do apocalíptico.

Algumas das literaturas não-canônicas que foram classificadas como "apocalípticas" são as seguintes: Entre os textos apocalípticos do Velho Testamento, deve ser observado que nenhum tem o título "Apocalipse", ao passo que os apocalípticos do Novo Testamento têm.

Os judaicos são:

1) O Livro de Enoque, também conhecido como Primeiro Enoque ou Enoque Etiópico; escrito por volta de 164-64 a.C.

2) A Assunção de Moisés, escrita por volta de 50 a.C. — 25 d.C.

3) Os Segredos de Enoque, também chamado Segundo Enoque, escrito no início do primeiro século.

4) O Livro de Baruque, ou Segundo Baruque, escrito no primeiro século.

5) IV Esdras foi escrito depois de 90 d.C.

Os "Apocalipses do Novo Testamento" são:

1) O Pastor de Hermas (apenas uma das visões, a quinta, é considerada apocalíptica), escrito por volta do início do segundo século.

2) O Apócrifo de João, escrito por volta da metade do segundo século.

3) O Apocalipse de Pedro, escrito por volta da metade do segundo século.

4) O Apocalipse de Paulo, escrito no final do quarto século.

5) O Apocalipse de Tomé, do quinto século. O Apocalipse de Maria, depois que os acima foram escritos.

6) O Apocalipse de Estevão, que é muito tardio.

CARACTERÍSTICAS DA LITERATURA APOCALÍPTICA

A definição acima, de apocalíptico, precisa ser desmembrada em uma definição mais conveniente, para caracterizar este tipo de literatura. Embora nem todos os estudiosos concordem quanto às características elementares básicas, as seguintes são pelo menos mais evidentes:

1) Escatológica  Toda literatura apocalíptica é escatológica, mas as duas coisas não são idênticas. São feitas, acertadamente, distinções entre as duas. A escatologia pode existir e frequentemente existe nos escritos básicos, separada das seções apocalípticas. A própria natureza contingen­te do pensamento escatológico faz com que a escatologia se preste à expressão apocalíptica (mitológica). Por outro lado, o apocalíptico é sempre escatológico, seja explícita ou implicitamente. A escatologia olha para um tempo futuro, quando Deus irromperá catastroficamente no mundo do tempo e do espaço, para julgar sua criação. Há uma distinção a ser feita entre profecia escatológica e o apocalíptico. Aquela predisse o futuro que deverá surgir do presente, ao passo que os apocaliptistas predisseram o futuro que deverá irromper no presente (H.H. Rowley, The Relevance of Apocalyptic — A Relevância do Apocalíptico — 1947, p. 38).

2) Significação Histórica — O apocalíptico mantém a tensão entre a história e o éschaton. O apocaliptista escreve dentro de uma estrutura histórica para assegurar o leitor acerca da intervenção divina. Isto é caracteristicamente feito retraçando-se a história na forma de profecia, para falar às condições da época da escrita. Os elementos da situação histórica real são representados pelas imagens do livro. O conhecimento da situação histórica auxilia a interpretação da mensagem (Summers, op. cit.p. 30).

3) Uma Defesa Radical dos Justos — Uma das características mais óbvias do apocalíptico é vista na defesa radical do grupo perseguido, sempre identificado com os escolhidos de Deus, e com os quais sempre o escritor se identifica, como uma parte integrante. Surge a pergunta sobre por que o povo de Deus sofre, e a resposta é encontrada no dualismo, que é temporal e histórico. Há duas superpotências que se opõem, e ambas são sobrenaturais: Deus e Satanás. Com duas eras distintas, a presente está sob o controle das forças da impiedade, e, consequentemente, há um pessimismo acerca da presente situação histórica. É por esta razão que os justos sofrem. Existe pouco ou nenhum ensino moral e ético; estar no grupo escolhido é o bastante, pois o pior membro do grupo é muito melhor que a melhor pessoa que não é do grupo.

4) Pseudônimo — Com poucas exceções, os apocalipses são pseudônimos. Eles são escritos no nome de algum predecessor ilustre que profetiza acerca dos eventos da época do escritor real. A história passada torna-se reescrita, como profecia. Os eventos são bem facilmente determinados, até a época do escritor real, e então a profecia perde sua clareza, pois o escritor real considera-se como estando vivendo próximo ao fim do tempo. Várias razões são dadas para este uso de um nome de um ancião digno. É sugerido que o escritor, escrevendo em tempos difíceis, desejou esconder sua própria identidade e a do grupo perseguido (Kümmel, Introduction tothe New Testament — Introdução ao Novo Testamento — p. 317). Outros propõem que um escritor tinha que escrever no nome de um homem preeminente do passado, a fim de obter audiência. Como a voz profética havia sido silenciada em Israel, a mensagem tinha que vir dos lábios de uma pessoa conhecida por uma leitura do Velho Testamen­to, pois o povo não iria aceitar um profeta novo de seu próprio tempo (R. H. Charles, Religious Development Bettween the Old and New Testament — Desenvolvimento Religioso Entre o Velho e o Novo Testamentos — p. 38-46). Seja qual for a razão, o escritor realmente não pretendia enganar; seus leitores sabiam que a escrita era recente.

5) Visões — O uso de visões como um meio de revelação é outra característica clara dos apocalipses. A visão altamente elaborada (esotérica) é o método principal usado para se receber a mensagem (I.T. Beckwith, The Apocalypse of John — O Apocalipse de João, p. 169). Embora os profetas do Velho Testamento tivessem visões, estas não passaram muito além de simples sonhos quanto à forma. Osapocaliptis­tas se moveram além de simples visão para experiências esotéricas altamente estruturadas e detalhadas. Geralmente um guia celestial está presente, para auxiliar no discernimento da mensagem das figuras totalmente fantásticas, vistas nessas visões. Frequentemente a interpreta­ção do livro inteiro depende da clarificação da visão por parte do guia (L. Morris, The Revelation of St. John — A Revelação de S. João — p. 24 e 25). A experiência esotérica é uma forma de simbolismo, figuras grotescas e imagens fantásticas (Summers, op. cit, p. 32 e 33).

6) Simbolismo — Provavelmente, a característica principal da litera­tura apocalíptica é o uso de símbolos para apresentar a mensagem escatológica. Através de séculos de desenvolvimento, um estoque comum de símbolos e figuras de discurso remarcáveis emergiram. Como pode alguém colocar em termos inteligíveis uma experiência espiritual? A in­terpretação de ideias, princípios e realidades espirituais é tornada fácil para aquele que sabe usar os símbolos. Para os não-iniciados, a mensa­gem permanece sendo um mistério. Desta forma, o escritor faz uso de símbolos para "revelar" a mensagem àqueles que estão familiarizados com o processo, e a mensagem é ocultada àqueles que não estão (G.B. Caird, The Revelation of St. John the Divine — O Apocalipse de S. João, o Divino — p. 6 e 7). Na linguagem do apocaliptista, os símbolos são muito significativos, pretendidos a serem um instrumento de uma carreira definida e importante de pensamento. Estes livros não foram escritos para amedrontar ou confundir o leitor; eles foram escritos para ajudá-lo a entender a obra de Deus em levar esta era a um fim.

Entre as numerosas figuras simbólicas, aparece o uso de números. Desde os tempos mais remotos, os homens associaram ideias com números, e vagarosamente desenvolveu-se a ciência de numerologia, denominada gematria. Os números eram usados para expressar conceitos, ideias e princípios (CF. Wishart, The Book of the Day — O Livro do Dia — p. 19-30). Os seguintes são de importância para nós, porque ocorrem no Apocalipse ou são básicos para a compreensão daqueles que ocorrem.

O número "1" veio a ser associado com o princípio de unidade ou de existência independente. Ele forma a raiz para a palavra "unidade". Desta forma, Israel foi exortado a dizer: "O Senhor nosso Deus é o único Senhor" (Dt 6:4).

O número "2" é a duplicação de "1" e representa força. No Velho Testamento, duas testemunhas eram necessárias para confirmar qualquer fato. Jesus enviava seus discípulos de "dois em dois", por razões óbvias. O número aparece no Apocalipse em referência às "duas testemunhas" (11:3-12) e às duas "bestas" (13:1-18).

Sugestivo do círculo familiar completo é o número "3". A família representava a unidade social ideal sobre a terra: amor de pai, amor de mãe e amor filial. Isto assumiu o conceito do amor divino e finalmente de Deus mesmo, e isto se transportou à ideia da Trindade. Portanto, em gematria o número "3" simboliza o divino.

O universo físico era simbolizado pelo número "4". Havia quatro ventos, quatro direções, quatro cantos ou lados do mundo. "4" era o número cósmico. No Apocalipse, há as "quatro criaturas viventes, os "quatro cavalos e cavaleiros", e "quatro anjos junto ao rio Eufrates". Os homens viviam, trabalhavam e morriam num mundo simbolizado pelo número "4".

O número "5" é o número do próprio homem. Em cada mão estão cinco dedos, e em cada pé, cinco dedos. Quando o número é dobrado para "10", este simboliza a inteireza humana. Um homem perfeito tinha dez dedos nas mãos e dez dedos nos pés; daí, sendo um homem perfeito. Dez manda­mentos foram dados como o dever total do homem para que ele fosse perfeito em sua sociedade. O Apocalipse fala de "dez chifres" (poder humano completo) e "dez dias" (tempo humano completo). Os múltiplos de dez também foram usados para mostrar inteireza: 10x10x10 * 1.000 (inteireza última); 12 x 12 x 10 x 10 x 10 * 144.000 (o número completo do povo de Deus sobre a terra).

Para os povos antigos, "6" era o número do mal, porque estava aquém de "7", o número sagrado da perfeição. Uma das palavras hebraicas básicas para "pecar" significa "errar o alvo". Isto é o que o número "6" significa. Ele simboliza o mal, porque, como o pecado, erra o alvo da perfeição. O próprio número, em sua pronúncia, tem o chiado da serpente.

Na gematria que se desenvolvia, o número divino "3" e o número cósmico "4" eram unidos para dar "7", o número sagrado da perfeição. Isto era a terra coroada com o céu; o universo físico e o espiritual unidos. O número "7" é muito usado no Apocalipse: sete espíritos, sete igrejas, sete candelabros, sete estrelas, sete selos, etc. "7" multiplicado pelo número completo "10" produz "70". Jesus enviou setenta homens preparados para uma obra especial. As Escrituras hebraicas foram traduzidas para o grego e denominadas aSeptuaginta (70).

Outro número usado no apocalíptico é o "12". Isto é, 3 x 4, e tornou-se o símbolo para o povo de Deus: a religião organizada. Será lembrado que havia doze tribos em Israel, e Jesus escolheu doze apóstolos. O número duplicado é "24" e no Apocalipse há "24" anciãos ao redor do trono, representando o povo de Deus dos dias do Velho Testamento e os do movimento cristão. 12 x 12 x 10 x 10 * 144.000, o número completo, simbolizando a segurança perfeita do povo de Deus sobre a terra.

Um outro número aparece no Apocalipse, um meio-número: "3 1/2". Isto é a metade de "7" e significa um período de tempo curto e indefinido. No Apocalipse, este aparece com "3 1/2 anos", "42 meses" e "1.260 dias". Representa instabilidade, confusão, insatisfação por um período de tempo indefinido.

7) Dramático — A literatura apocalíptica possui o sentido de um drama iminente, a atmosfera do dramático. Ela é dirigida à imaginação com sua vividez e, por vezes, figuras grotescas. Frequentemente, os símbolos são empregados para o efeito dramático, para enfatizar a seriedade da mensagem. Quando o leitor entende que o escritor está dirigindo sua mensagem à imitação, encontra o significado de uma figura na perspectiva do livro inteiro. Neste sentido, o detalhe diminuto não é importante; de fato, ele pode ser prejudicial à descoberta da mensagem real que o escritor deseja transmitir ao leitor.

O APOCALIPSE E A LITERATURA APOCALÍPTICA

Após discutir a natureza desta classe de literatura, deve ser determinado se o último livro do Novo Testamento deve ser consideradoapoca­líptico. Ao primeiro pensamento, isto pode parecer ilógico, porque o gênero inteiro da literatura deve seu nome à primeira palavra de nosso Apocalipse canônico. Também, na primeira definição dada acima, foi afirmado que esta classe não é "diferente de nosso Apocalipse". No mínimo, a definição é que a forma (mito judaico ou gentio), o conteúdo (escatologia) e a função (propósito) constituem a literatura apocalíptica. Assim sendo, o último livro de nossa Bíblia é apocalíptico por definição.

Numa leitura do Apocalipse, pode-se encontrar várias características desta literatura mencionadas acima. Há um uso extensivo dos símbolos, e as visões e a gematria desempenham uma parte importante como veículos para a mensagem. A escatologia certamente é preponderante no que diz respeito ao conteúdo, e o propósito básico foi o de encorajar o leitor cristão à fidelidade durante um período difícil na história do cristianismo. João fez grande uso da forma (símbolos) e da função (propósito) para apresentar sua mensagem escatológica (conteúdo). O que não é tão evidente, todavia, são as dessemelhanças entre o Apocalipse e todos os outros livros deste gênero. João se libertou, de muitas maneiras, do esquema normal do apocalíptico, e estas diferenças são importantes o bastante para separar este livro de todos os outros desta classe, tanto que G.E. Ladd levantou uma pergunta como título para um importante artigo:"Por Que Não Profético-apocalíptico? (Journal of Bíblical Literature, LXXVI, 1957, p. 192-200). As seguintes são algumas das principais diferenças entre o Apocalipse e outros escritos deste gênero:

1) O Apocalipse Não É Pseudônimo — Embora nem todos os estudio­sos concordem quanto à identidade do autor, há quase que acordo universal de que "João", quem quer que ele fosse, foi uma pessoa real, que escreveu sob seu próprio nome (1:4,9; 22:8). Ele não escreve no nome de uma figura proeminente do passado. Ele escreve com a convicção de que Deus lhe deu uma mensagem pastoral às igrejas para as quais ele foi feito supervisor. A estrutura epistolar não é a forma apocalíptica tradicional, e é evidente que este livro foi feito para ser lido em voz alta nas igrejas às quais ele é endereçado (1:3,4; 22:16,18). R.H. Charles concluiu que as razões para a pseudonímia já não mais eram válidas quando o Apocalipse foi escrito (A Critical and Exegetical Commentary on the Revelation of St. John — Um Comentário Crítico e Exegético Sobre o Apocalipse de S. João — I, pp. xxxviii-xxxix). João escreveu a cristãos que o conheciam, e ele usou seu próprio nome, ao escrever.

2) O Apocalipse É Profético — Uma das características do apocalíptico é uma defesa radical das pessoas com que o autor se identifica. Isto não é inteiramente verdadeiro no que diz respeito ao Apocalipse. O autor realmente se identifica com o grupo perseguido, mas não dá somenos importância aos pecados dessas pessoas. Há uma repetida chamada à confissão e ao arrependimento e ao viver moral e ético (2:5,16,21,22; 3:3, 19; 18:4; 20:12,13; etc). Por esta razão, o escritor está mais em linha com os profetas do Velho Testamento do que com os apocaliptistas do judaísmo. Ao passo que os apocalipses judaicos tinham uma visão muito pessimista dessa era, os profetas do Velho Testamento e João interpretam a situação presente como estando sob o controle de Deus, que está continuamente revelando-se, para efetuar a salvação de sua criação. A vantagem que João desfrutou sobre os profetas do Velho Testamento é a Encarnação histórica (Kümmel, op. cit., p. 321-324). A situação da qual João escreve não é como os apocaliptistas proclamam, um prelúdio para uma intervenção escatológica, mas deve ser interpretada à luz dos dois adventos do Cordeiro, pelos quais e nos quais todas as forças da impiedade que se opõem à justiça serão destruídas (Mounce, The Book of Revelation — O Livro de Apocalipse — p. 24). O autor do Apocalipse chama sua obra uma profecia (1:3; 10:11; 19:10; 22:7, 10, 18,19). A his­tória não é retraçada na forma de profecia; antes, João fala de sua própria época, olhando para o futuro, quando a difícil perseguição que a Igreja enfrenta será destruída (cf. Caird, op. cit., p. 9-12).

3) A Interpretação das Visões — Há uma notável diferença no uso de visões pelo escritor de nosso Apocalipse, em comparação com outros apocalípticos. O método usual é o escritor ter um guia celestial para interpretar cada visão e símbolo para o vidente. No Apocalipse isto é raramente feito (uma exceção observável é 17:7-18). Geralmente João apresenta apenas a visão ou símbolos e deixa o leitor fazer a interpretação. Há uma abertura acerca da verdade escatológica, no Apocalipse, que é reanimadora em sua novidade, a qual, no apocalíptico comum, é apenas conhecimento esotérico secretamente preservado desde os tempos antigos. Para o leitor do Apocalipse, a história atual é escatologicamente interpre­tada para encorajar o cristão em sua difícil situação (Ladd, A Commentary onthe Revelation of John — Um Comentário Sobre o Apocalipse de João — p. 13).

Estas são apenas três das diferenças aparentes entre o Apocalipse de nossa Bíblia e outros escritos apocalípticos. Há outras diferenças, que alguns estudiosos proporiam (cf. Morris, op. cit., p. 22-25; McDowell, O Apocalypse, p. 22-26). Alguns diriam que essas diferenças são bastantes para classificar o Apocalipse como um livro de profecia e excluí-lo do gênero do apocalíptico. Sem dúvida, o Apocalipse, por definição, pertence a esta classe. Contudo, igualmente importante são as diferenças entre este livro e todos os outros desta classe. Talvez o termo proposto por Ladd, "profético-apocalíptico", seria mais apropriado para o último livro de nossa Bíblia. João usou muito do aparato tradicional do apocalíptico para apresentar uma mensagem profética. Ele foi criativo o bastante para usar algumas das formas de apocalíptico para transmitir uma mensagem dramática de teologia distintiva. Ele era um verdadeiro profeta cristão, usando termos apocalípticos para oferecer a mensagem da "revelação de Jesus Cristo" (1:1).

Bibliografia Broadus David Hale,comentário do apocalipse 1998



O livro de Apocalipse é verdadeiramente o último livro da Bíblia. É a consumação da revelação de Deus e a conclusão da palavra de Deus. Sem essa parte da palavra de Deus a Bíblia seria um livro sem um fim, e muitos dos problemas que surgem nos outros livros permaneceriam também sem solução. Quão triste é que para muitos filhos de Deus este livro parece não existir na sua Bíblia! Eles nem o leem nem o entendem. Essa é uma das razões porque a fraqueza espiritual prevalece entre o povo de Deus.

As páginas de Apocalipse constituem o registro do cumprimento de todas as promessas e profecias. Ele segue-se à Lei, aos Profetas, aos Salmos, aos Evangelhos, e às Epístolas. Implementa os tipos e completa os ensinamentos dos escritos anteriormente mencionados, e é a última mensagem dada pelo Senhor Jesus para Sua Igreja a fim de mostrar quais seriam, futuramente, Seus relacionamentos com Sua Igreja, com Seu Israel e com Seu inimigo. É um livro de guerras: a guerra entre Cristo e o Anticristo; entre Deus e Satanás. Esse livro mostra como os santos se levantarão com o Senhor em um propósito único de resistir a Satanás e suas hostes. Todavia, se esta é uma verdade para o futuro, tanto mais deve ser uma verdade para hoje. Que o Senhor nos dê graça para que, no tempo presente, nós possamos assumir a atitude de vencedores contra o diabo; para que pela fé resistamos a ele em nossas vidas e ações; e para que aprofundemos nossa própria inimizade contra ele.

É extremamente apropriado que o livro de Apocalipse tenha sido colocado no fim do Novo Testamento. Quando lemos os Evangelhos, nós, sem dúvida, pensamos no futuro reino de Deus e sua glória. Quando lemos as Epístolas, nossa expectativa para o futuro é, sem dúvida, intensificada. Parece que a Bíblia inteira está apontando para aquele futuro ao qual nossos corações cristãos são atraídos. Mas então, o livro de Apocalipse conclui todas as profecias que foram anteriormente pronunciadas e coloca os futuros acontecimentos diante de nós, levando-nos a saber com mais segurança que um dia a criação não mais gemerá e que os crentes não mais sofrerão!

Quão apropriado é tudo isso. O que os santos têm experimentado no mundo aumenta o seu anseio pela vinda daquele dia. Quão numerosos são os pecados do mundo, como prevalecem as suas violências! No entanto, como os santos anseiam pelo triunfo da justiça e da verdade! O livro de Apocalipse fala do iminente julgamento do mal por Deus assim como declara a vitória final dos que amam a Deus. Veja quão misericordioso é o Senhor: Ele nos dá esse livro para nosso conforto e satisfação. Como Ele sempre cuida de nós!

O Senhor Jesus Cristo é o centro da Palavra de Deus (cf. Lc 24:27; Jo 5:39). Portanto, Ele é a chave para a palavra de Deus. Diretamente ou indiretamente, toda a Bíblia fala dEle. Ela aponta para Jesus e gira ao redor dEle. Tire-O, e ninguém entenderá a Bíblia. “No rolo do livro está escrito sobre mim” (Hb 10:7). Martinho Lutero disse certa vez que no mundo “há somente um livro - a Bíblia, e uma só pessoa - Jesus Cristo”. O Senhor Jesus Cristo é tanto o detalhe quanto o esboço da Bíblia. Se nós lermos o livro de Apocalipse com um coração que busca por Cristo, nós veremos seu rosto em cada página, e de cada página ouviremos sua voz. Esse livro, assim como todos os outros livros da Bíblia, toma a pessoa de Cristo como o sujeito e a glória de Cristo como o objeto. Se nós não vemos a pessoa de Cristo nas páginas de Apocalipse, então tudo o que vemos será vaidade. Aproximando-nos desse livro, nos aproximamos de Cristo. Como isso é bonito!

Possamos nós receber graça para ver mais de Cristo em todas as páginas desse livro. É deplorável que comentaristas e também ouvintes se importam muito com os julgamentos, símbolos, mistérios e consequências desse livro, mas esquecem que Cristo é nosso amado Senhor! Que Ele nos habilite a segui-lO com uma mente simples e a exaltá-lO sobre tudo mais. Que possamos aprender a amá-lO e a obedecê-lO mais e mais.

Desde o princípio, o livro de Apocalipse registra a pessoa a obra de Jesus Cristo. Muitos nomes são dados no primeiro capítulo; e todos revelam a Sua pessoa - Sua deidade. Ele fala da Sua vida na terra como “a testemunha fiel” (1:5); ele fala da Sua morte substitutiva na cruz da seguinte maneira: “com Seu sangue nos libertou dos nossos pecados” (1:5), “Eu estava morto” (1:18), “um Cordeiro...como que tendo sido morto” (5:12). Esse livro O menciona como o Cordeiro 28 vezes, e em cada uma delas isso nos lembra como ele morreu por nossos pecados. Como Ele nos ama verdadeiramente (1:5)! Mas a sua ressurreição também é registrada nesse livro como “o Primogênito dos mortos” (1:5), “aquele que vivo e fui morto, mas eis que vivo para sempre” (1:18), e “o primeiro e o último, que foi morto e reviveu” (2:8).

Por causa da morte e ressurreição de Cristo, Deus o Pai deu a Ele incomparavelmente a maior glória, como o apóstolo Paulo tão eloquentemente nos diz: “Ele se humilhou, sendo obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.8-11). Nós podemos notar como as palavras desses versos das epístolas são cumpridas nesse último livro da Bíblia. O livro de Apocalipse conta-nos como ele receberá os louvores dos redimidos, as aclamações das hostes angelicais, e o louvor de toda criação. Que os corações de todos os que amam o Senhor sejam elevados, pois nós nos alegramos em vê-lO glorificado.

Uma grande parte desse livro é dedicada ao julgamento de Cristo, de acordo com João 5: ”E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o  juízo” (v.22). Quem pode se levantar contra a ira do cordeiro? Nada do que o nosso Senhor faça é inapropriado. A Sua beleza é manifesta tanto no Seu favor quanto na sua ira; e isso nos leva a admirá-lO mais e mais. Antes, ele se mostrou de forma tão humilde! Quão desprezado e maltratado pelos homens ele foi! Mas agora, Ele é cheio de glória e majestade! Que o Senhor nos habilite a vermos a sua honra nesses terríveis julgamentos. Após Apocalipse 19, nós podemos ver como ele é unido em um com a Sua noiva, como Ele destrói todos os Seus oponentes, como os seus crentes vitoriosos reinam com ele por mil anos, e como Ele busca pelos seus no novo céu e nova terra. Verdadeiramente, o Senhor Jesus é o tema do livro de Apocalipse. Se a palavra de Deus de fato toma Cristo como o seu centro, então nós devemos fazer dEle o centro do nosso falar e do nosso andar. Desde que Deus deu a Ele todas as coisas, então nós devemos dar a ele tudo de nós em nossas palavras e obras.

Agora, além da pessoa e glória de Cristo, esse livro também toma - como seu assunto secundário - a Igreja e o reino, embora não separados, mas juntos a Cristo. Neste livro, como temos dito, o mundo está sob julgamento; de forma que, de tudo o que é dito deste mundo, Apocalipse não registra nada a não ser o seu julgamento. E a respeito da Igreja neste mundo, o livro não diz nada a respeito dos seus privilégios especiais, mas diz algo sobre a sua responsabilidade. No entanto, as coisas que o Velho Testamento não menciona sobre o aspecto celestial da Igreja e da glória do reino são claramente descobertas na última porção do Novo Testamento.

No Apocalipse, Deus é apresentado como o Juiz dessa era, e Cristo é retratado como o Executor. O julgamento começa com a casa de Deus e finalmente alcança todo o mundo. Nesse livro o Espírito Santo é revelado como “os sete Espíritos” ao invés de “O Espírito” que é apresentado nos outros livros da Bíblia, simplesmente porque se fala dEle de acordo com a obra do governo de Deus.

Que possamos entender que o livro de Apocalipse não é um livro de segredos, mas de revelações. Se fosse um livro selado, nós não teríamos nenhuma esperança em entendê-lo. Mas, desde que é um livro de revelações, nós precisamos pedir ao Espírito de Deus que nos ensine, para que possamos saber. O significado básico de “revelação” é “tirar o véu”. E por isso, nesse livro o Espírito Santo tira para nós o véu da glória e da pessoa do Senhor Jesus. Que Ele abra nossos olhos para contemplarmos o precioso ensinamento que há nessas páginas!

Porque o Livro de Apocalipse é Negligenciado

Gênesis é o primeiro livro da Bíblia, e fala da maldição de Deus sobre Satanás. Apocalipse é o último livro da Bíblia, e revela como Satanás será derrotado no futuro e como Deus executa julgamento contra ele. A face original de Satanás e seu fim eterno são registrados nesses dois livros. Por essa razão, Satanás abriga um ódio especial contra eles. Ele ataca Gênesis sugerindo que os seus registros não estão de acordo com as descobertas científicas, e que por isso a história da criação encontrada nesse livro não passa de um mito. Externamente, ele parece atacar o registro da história da criação, mas na verdade ele tenta encobrir a história da sua própria maldição. Contra o livro de Apocalipse - que prediz o seu fim - ele adota outra maneira de ataque. Em vez de atacá-lo abertamente, ele tenta torná-lo em um livro selado. Ele insinua que as suas páginas são tão profundas e que os eventos futuros nele registrados são tão difíceis de entender que seria uma perda de tempo estudá-lo. Consequentemente, muitos crentes nunca sequer chegaram a tocar nesse livro. E assim ele facilmente acoberta a sua futura desgraça.

O livro de Apocalipse não foi somente desprezado, mas também rejeitado pelos cristãos em tempos passados. Isso nós podemos saber por meio de um estudo da história da Igreja. No atual século vinte e um, embora alguns cristãos – muito poucos – desejem lê-lo, crentes comuns – a vasta maioria – são geralmente mornos em relação a ele. Muitos põem o livro, onde estava, na estante. Alguns não o leem porque eles também nem leem os outros livros da Bíblia; outros, porque não confiam no Espírito Santo e não têm paciência para lê-lo. Quão frequentemente nós ouvimos as pessoas dizer: “esse livro é muito profundo, muito misterioso para eu ler”.

O fato é que há muitas razões significativas por que o livro de Apocalipse não é bem vindo, mas, pelo contrário, é muitas vezes pedra de tropeço para muitos. Como já mencionamos além da obstrução satânica já mencionada, podemos dizer que os conteúdos desse livro dificilmente trazem quaisquer bons sentimentos aos crentes do mundo. Ele, de fato, fala da glória do futuro reino milenar e da alegria do reino eterno, as quais são coisas verdadeiras e certas (cap. 20.1-9, caps. 21 e 22-5). Mas aqueles que desfrutarão de tal glória e alegria precisam ser “fiéis até a morte” (2.10), e “reter até que eu venha” (2:25). Eles devem “vigiar”, “se arrepender” e “serem zelosos”.A fim de ganhar o mundo futuro, eles devem abandonar esse mundo presente(G.T.). Agora há o sofrimento, mas então haverá a glória. Por outro lado, todo aquele que tiver a glória do mundo hoje sofrerá vergonha no mundo futuro. Muitos crentes carnais acham difícil cortar as suas amarras com o mundo que por tanto tempo eles têm amado. Desde que a leitura de Apocalipse vai, dessa maneira, produzir ansiedade e aflição, eles decidem não lê-lo.

Outra explicação para o fato de Apocalipse ser uma parte não bem-vinda da Bíblia está no fato de que grande parte desse livro trata da ira e do julgamento de Deus (ver caps. 4 e 19). As pessoas gostam de ouvir sobre o amor de Deus. O Deus ideal para o homem é aquele que nunca fica irado e nem nunca julga. No entanto, esse livro fala da justiça de Deus resultando na Sua ira e no seu julgamento - atividades divinas nunca são bem-vindas para qualquer homem. Quem, então, quereria ler sobre tais assuntos?

Outra razão é que do começo ao fim, as páginas do Apocalipse tratam com todos os tipos de fenômenos sobrenaturais. Deus sabe que o homem só se importa com ocorrências naturais, mas Ele quer que fiquemos face a face com Ele. Por isso Ele vai tratar conosco em território sobrenatural. As pessoas podem tolerar lerem sobre eventos sobrenaturais passados porque esses não podem afetá-las, já que esses eventos já passaram e as situações já foram mudadas. Mas se, no futuro, tais fenômenos sobrenaturais ainda estão para passar, esses irão desferir golpes mortais no seu materialismo e no seu desprezo por milagres e maravilhas. E se tais acontecimentos estão realmente para vir no futuro, não deveriam eles viver hoje na terra de maneira piedosa e se gloriarem em Deus? É uma pena que tantos tentem espiritualizar [demais] esse livro porque não podem suportar os ensinamentos simples, mas horrendos encontrados nele. Eles tomam tudo como alegorias sem valor histórico para eles no futuro. Como a carne recua ate a espada de dois gumes de Deus! Quão enganoso sobre todas as coisas é o coração humano!

Muitas pessoas pensam que o mundo está melhorando a cada dia. Não está a civilização progredindo diariamente? Eles pensam que o mundo está avançando para cima e avante sem sinal de regressão. E de acordo com tal aceleração no progresso, eles cismam que muito em breve a sociedade cristã ideal aparecerá na terra. Mas, como é diferente é o mundo do Apocalipse dos pensamentos humanos! Esse livro nem por um momento considera o mundo como progressivo! Pelo contrário, seu testemunho é de que os pecados do homem terão aumentado tão rapidamente que o mundo se tornará irredimível por rejeitar Deus e a Sua salvação. E por isso, não há nada a ser feito, a não ser julgamento; pois, mesmo com o mais severo julgamento, os homens não se arrependerão. Isso é verdade não apenas com o mundo, mas também com a Igreja! A Igreja tem deixado seu primeiro amor; por isso ela será vomitada pelo Senhor. A concepção moderna das coisas e a palavra de Deus estão em completa discordância. Desde que as palavras do Apocalipse testemunham a favor de Deus e não do homem, esse livro não é adequado ao pensamento do homem, e consequentemente não é bem vindo para o homem. Quão deplorável é que muitos têm perdido o espírito de testemunhar contra a pecaminosidade desse mundo, assim como as páginas de Apocalipse mostram!

A posição que a verdadeira Igreja deveria atingir é ainda outra explicação porque as pessoas não gostam de ler as páginas desse livro. O que Apocalipse capítulos 2 e 3 fala a respeito da verdadeira condição da Igreja aflige esses muitos crentes que ainda amam o mundo. O homem moderno insiste no trabalho. Se há muitas atividades, então esses cristãos serão contados entre os que estão no topo. No entanto, Apocalipse julga inúteis as muitas atividades sem o primeiro amor. Qualquer que seja verdadeiramente para o Senhor deve ser “fiel até a morte” e deve ser “vigilante”. Isso é algo que os crentes do mundo não podem suportar.

Uma razão final para a impopularidade do Apocalipse entre tantos é que há uma concepção moderna de que o mundo inteiro será salvo no futuro. No entanto, o livro de Apocalipse fala contra uma concepção errada como essa. Pelo contrário, prediz que no futuro incontáveis números de pessoas serão eternamente perdidos no “lago de fogo”. Esses que se acham mais compassivos que Deus vão certamente resistir a esse ensinamento. Eles gostariam de pensar que a punição de pecadores durará um certo tempo e que então haverá simplesmente a sua aniquilação. Mas mais uma vez o livro de Apocalipse se opõe a tal pensamento ansioso. Ele mostra que os sofrimentos do lago de fogo são eternos – sem fim. Desde que esse livro é cheio de ais, pragas, maldições, agonias e avisos, não é surpreendente que as pessoas não leem, recebem ou aceitam-no.

Podemos acrescentar que o livro de Apocalipse, em seus ensinamentos, é tão oposto ao pensamento humano que poucos o estudarão nos dias de hoje. Mas há esses poucos que ainda pagam o preço para ler essas páginas.

Os santos que amam ao Senhor tomam uma atitude totalmente diferente a respeito desse livro. Eles encontram em suas palavras um suprimento em tempos de falta, apoio em tempos de desespero, conforto em tempos de tristeza, socorro em tempo de fraqueza. Este volume enxuga as suas lágrimas, aumenta a sua fé, e reaviva a sua vontade. Como esses santos que desejam sofrer pelo Senhor amam ler essas páginas! Por amor a Cristo eles se tornam pobres e solitários. Eles caminham pelo caminho estreito da cruz. Mesmo em suas aflições, eles encontram alívio e descobrem grande esperança no Apocalipse, pois a segunda vinda do senhor não alegraria aqueles que amam a sua revelação? Por maiores que possam ser as aflições na terra, a esperança de ser arrebatado para o paraíso mais do que compensa todas elas. Como podemos deixar de admirar a Nova Jerusalém, a Cidade de Deus? Por mais coisas que tenhamos que abandonar hoje, o ganho naquele dia em que reinaremos com Cristo será muito maior. As aflições desse tempo presente são leves e momentâneas se comparadas com a glória eterna do reino que está vindo (cf. Rm 8.18, 2 Co 4.17). O livro de Apocalipse é verdadeiramente uma benção para os cristãos.

Como Podemos Entender o Livro De Apocalipse

Para entender o livro de Apocalipse a primeira coisa que se deve fazer é lê-lo. Sem fazer isso, ninguém pode entender esse livro. Não é estranho que quando perguntamos aos cristãos “porque você não lê o Apocalipse?” eles respondem que é porque não o entendem? Por acaso eles querem dizer que é necessário entender primeiro essas páginas para depois lê-las? Que Deus nos conceda paciência para estudarmos a Sua palavra, a fim de que não desistamos de ler logo que encontrarmos alguma dificuldade, pois dessa forma perderíamos muitas bênçãos. Qualquer que ler esse livro do Apocalipse não deve confiar simplesmente no seu próprio poder mental; ele deve, em oração, humildemente e abertamente pedir a iluminação do Espírito Santo. Quando a Sua luz brilha sobre a palavra de Deus, coisas que outrora não foram entendidas durante anos serão imediatamente compreendidas.

Além disso, o leitor desse livro deve manter o seu coração puro - ou seja, ele não deve ler por curiosidade a respeito de eventos futuros. Pelo contrário, ele deve ler atentamente as páginas desse livro, com o desejo de conhecer mais da palavra de Deus, para poder guardar a Sua vontade e receber tudo o que Ele quiser dar através da sua palavra. Deus não abençoará uma leitura que sirva apenas para alimentar uma mente curiosa, pois isso não tem proveito para nossa vida espiritual.

A meu ver, a primeira coisa a fazer para compreender o livro de Apocalipse é obter um conhecimento meticuloso sobre ele. Para começar, leia-o capítulo por capítulo. Leia até que você possa lembrar do conteúdo de cada capítulo sem olhar. Então leia cuidadosamente, versículo por versículo. Memorize os versículos que você considera importante. Use todos os tipos de métodos para se tornar um meticuloso conhecedor desse livro. Assim que você se tornar familiarizado com os seus conteúdos, o Espírito Santo então poderá ensiná-lo.

Agora, estando totalmente inteirado a respeito do livro, você logo descobrirá as suas divisões naturais. Você será capaz de perceber o método do livro e de decidir qual parte é história principal e qual parte é parênteses. Você pode então pôr a história principal em ordem e determinar o relacionamento entre história e parênteses. Com um programa de estudo detalhado como esse, você verá qual parte está claramente explicada e qual parte está apenas implícita. Não há problema nenhum com as partes explícitas, mas as partes implícitas devem ser comparadas com outras porções das Escrituras. Desde que o livro de Apocalipse é a soma total de toda a Bíblia (nele são concluídos todos os problemas que não foram concluídos em partes anteriores da Bíblia), nós devemos pesquisar os outros livros da Bíblia para esquadrinhar todas as conecções pertinentes. Se interpretarmos as escrituras com o auxílio das próprias escrituras, nós chegaremos a uma acurada explicação e conhecimento. No entanto, como nós já temos observado, a leitura da Bíblia não é apenas para conhecer, mas é para cultivar a vida espiritual. E por isso, mesmo com as partes que podemos entender, nós devemos pedir ao Espírito Santo que nos mostre seus significados espirituais e que nos dê ajuda espiritual.

A Época em que o Livro de Apocalipse foi Escrito

O período em que o Apocalipse foi escrito constitui um sério problema, em parte porque alguns professores Racionalistas têm defendido uma data precoce para essa composição - eles afirmam que provavelmente foi escrito nos tempos do reino do imperador romano Nero. Eles formularam essa peculiar estrutura de tempo com o objetivo de estabelecer a teoria de que as sérias proclamações registradas no livro de Apocalipse foram todas cumpridas após o infame e devastador incêndio que ocorreu nos tempos de Nero. De acordo com essa teoria, as profecias contidas neste livro na verdade apontam apenas para as perseguições dos Cristãos da Antiguidade e para a destruição de Jerusalém, junto com outros eventos que ocorreram naquele período da história romana. A profecia a respeito da Besta ou do Anticristo tem simplesmente referência à tirania e às maldades perpetradas por César Nero. E, por isso, os conteúdos de todo o livro têm sido completamente cumpridos nos eventos do tempo de Nero. Para os defensores dessa teoria, o livro de Apocalipse é agora apenas um livro de profecias já cumpridas e que, portanto, não têm nenhum valor espiritual para nós Cristãos. É meramente uma parte especial da história romana. Mas, se isso é verdade, então o livro da Apocalipse não se tornará um tanto sem sentido para os Cristãos de hoje? Em vista disso, nós devemos investigar e determinar o exato tempo em que esse livro foi escrito a fim de provar o erro dessa teoria Racionalista.

Eu pessoalmente creio que livro de Apocalipse foi escrito por volta de 95 a 96 DC durante a última metade do reino do Imperador Domiciano, o último dos doze Césares Romanos.

Todos os comentaristas fundamentalistas modernos concordam com essa estrutura de tempo. Deixe-nos citar algumas evidências que dão suporte a esta visão.

A respeito da visão de que o livro de Apocalipse foi escrito pelo apóstolo João durante o governo de Domiciano, há duas fortes evidências – ambas de natureza externa e interna. Primeiro a evidência externa.

Inicialmente, de maneira geral podemos dizer que todos os escritores dos três primeiros séculos, cujos escritos foram encontrados, são explícitos, e concordam em situar o exílio do João e a sua escrita do Apocalipse (Revelação) na última parte do reinado de Domiciano, o último dos doze Césares; e isso, portanto, nos diz que esse livro foi escrito em 95 ou 96 DC.

A primeira e maior das testemunhas é Irineu. Ele era aluno de Policarpo, que por sua vez foi um dos discípulos de João. Portanto, Irineu é muito mais provável de ter recebido um verdadeiro relato dos últimos dias do apóstolo João do que qualquer outro escritor cujas obras tenham chegado a nós. Sendo que, quando Irineu fala da forte probabilidade do nome do Anticristo ser Teutão (Teitan), ele dá este definido testemunho acerca de João e da sua escrita do Apocalipse:

Nós não vamos, entretanto, correr o risco de cometer um erro nesse assunto, de confiantemente afirmar que ele terá esse nome; pois nós sabemos que, se estivesse estabelecido que o seu nome deveria ser proclamado no tempo presente, isso teria sido anunciado por aquele que viu a Revelação. Pois foi vista há não muito tempo, mas quase em nossa geração, no final do reino de Domiciano.

Tertuliano, um contemporâneo de Irineu, observou: “Quão feliz é aquela Igreja cujos apóstolos derramaram todos as suas doutrinas com seu sangue! Na qual Pedro resiste a sofrimentos semelhantes aos do Senhor; na qual Paulo tem por coroa a mesma morte que João; e o apóstolo João, após ter sido mergulhado em olho fervendo sem sofrer nenhum mal, foi banido para uma ilha.” Aqui Tertuliano nos informa de dois fatos: primeiro, que João foi banido; e segundo, que o lugar do seu exílio foi para uma ilha. Em outra passagem após mencionar a perseguição por Nero, ele continua: “Domiciano também, o qual era como um Nero em crueldade, ensaiou as mesmas coisas; mas ele, como também era um ser humano, prontamente cessou o seu empreendimento, e restaurou aqueles que haviam sido banidos.”

Tertuliano, dessa maneira, sugere que o exílio era a pena usualmente infligida aos Cristãos por Domiciano; ao passo que, pelos registros, Nero era acostumado a matá-los.

Clemente de Alexandria não menciona Domiciano pelo nome; mas ele provavelmente o insinua quando fala do “tirano” após cuja morte João voltou do exílio.

Eusébio, em três passagens, declara que a expulsão de João ocorreu no reinado de Domiciano. Ele também diz que João escreveu o Apocalipse no décimo quarto ano de reinado de Domiciano, que seria 95 DC.

Vitorinus de Petau, o autor do mais antigo comentário que existe sobre Apocalipse, explica as palavras: “importa que profetizes outra vez a povos, e nações, e línguas e reis.” (Rev. 10.11 mg.), da seguinte maneira:

Ele fala dessa maneira porque, quando João viu esta visão, ele estava na ilha de Patmos, havendo sido condenado pelo César Domiciano a trabalhar na mina. Lá, então, ele viu o Apocalipse; e, agora que, avançado em anos, ele começava a pensar que seria recebido no descanso através de seus sofrimentos. Domiciano morrera, e todas suas sentenças foram canceladas. E assim, João, após ter sido liberto da mina, entregou essa mesma revelação que recebeu do Senhor.

Novamente, ao discutir o oitavo rei mencionado no capítulo dezessete do livro de Apocalipse, Vitorinus nos diz em seu comentário que (p ?) sexto era Domiciano, em cujo reinado foi escrito o Apocalipse.

No quarto século, Jerome testifica que quando João escreveu o Apocalipse ele estava na ilha de Patmos durante o décimo quarto ano de César Domiciano (95 DC) – sendo ele o segundo dos césares que perseguiram os Cristãos, sendo Nero o primeiro.

Durante os primeiros três séculos e meio, no entanto, nenhum escritor parece sugerir outra data.

Mas, na última metade do século quatro, essa harmonia foi quebrada por Epifânius de Salamis; cujo testemunho, no entanto, é absolutamente inválido contra os que foram citados, sem contar que é totalmente inverossímil em si mesmo. Ora, Epifânius foi um dos mais descuidados escritores da antiguidade. Sua notável declaração é esta: que João retornou do exílio – aos noventa anos de idade – durante o reinado de Cláudio. Agora, Cláudio foi assassinado em 54 DC; no entanto, se João estivesse com noventa anos naquele tempo, ele deveria ter trinta e três anos a mais que o Senhor, e ele também deveria estar com sessenta e três anos quando foi chamado para ser um dos apóstolos do Senhor! É claro, então que a data de Cláudio pode ser sumariamente dispensada.

Então, o balanço das evidências externas está sobremaneira a favor da Data Domiciana. Há muitas outras testemunhas que nós nãomencionamos, que poderiam dar suporte ainda maior a essa visão.

Assim como as evidências externas são abundantes, também as internas são igualmente fortes na mesma direção. Quando falamos em evidência interna, nos referimos às evidências no texto, que provam que o Apocalipse foi escrito no tempo de Domiciano. Eis as evidências:

(1) O estado em que se encontravam as igrejas da Ásia, como descrito nas sete cartas de Apocalipse capítulos 2 e 3, requereria um desenvolvimento de vinte ou trinta anos além da condição que estava nos tempos de Paulo, e não dos meros cinco ou seis que seriam permitidos pela data Nerônica.

(2) Pelo menos um mártir já havia sido feito em Pérgamo; e João, escrevendo às sete igrejas da Ásia, fala dele mesmo como tendo se tornado seu companheiro na tribulação pelo seu exílio em Patmos pela palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo. Entretanto, os crentes em Esmirna estavam para experimentar uma provação da sua fé, até mesmo de morte. É evidente que uma perseguição estava acontecendo na Ásia Menor naquele tempo. E essa deve ter sido a perseguição de Domiciano, desde que a de Nero não parece ter se estendido muito além das vizinhanças imediatas de Roma; e nem parece ter a perseguição nerônica resultado em exílio, mas simplesmente em punição capital.

(3) Os Balaãmitas (ver Ap 2.14) haviam encontrado tempo de se estabelecer em pérgamo.

(4) A Jezabel não havia apenas subido a um lugar de influência em Tiatira, mas também já havia sido dado a ela tempo de se arrepender (de acordo com Ap 2.20, 21).

A Data Domiciana de 95 a 96 DC para a escrita do Apocalipse é, portanto, suportada tanto por evidências internas quanto por externas.

Devido ao fato que o livro de Apocalipse descreve a si mesmo como sendo definitivamente um livro de profecias (ver 1.3; 22.7, 18, 19), certos mestres Racionalistas têm atentado em determinar a data da escrita aos tempos de Nero, podendo dessa maneira aplicar mais estreitamente todas as profecias do livro ao Império Romano de Nero e aos Cristãos daquele tempo. Mas nós hoje claramente sabemos que essa profecia tem de ter sido escrita muito depois dos tempos de Nero. E para o nosso presente dia essa porção de conclusão da palavra de Deus ainda permanece como um escrito profético a respeito de eventos futuros. Não é nem história alegórica nem profecia já cumprida.

Tendo demonstrado que esse livro foi escrito nos tempos de Domiciano, o esquema desses professores Racionalistas para excluir esse apavorante livro – o qual serve como uma das mais agudas das espadas do Espírito de Deus – foi derrotado.

As Interpretações do Apocalipse

A interpretação do livro de Apocalipse é um ponto de contenda entre os comentaristas. De maneira geral, há três diferentes escolas de interpretação; que são:

(1) os Preteristas,
(2) os Interpretadores Históricos, e
(3) os Futuristas.

Os Preteristas sustentam que toda, ou pelo menos grande parte da profecia já se cumpriu com luta entre a Igreja e Roma, tendo a vitória da Igreja como resultado final. Tal interpretação é muito abstrata e é objetada por comentaristas ortodoxos.

Os Interpretadores Históricos defendem que a profecia abrange toda a história da Igreja, mostrando como as malignas forças do mundo lutam contra a Igreja. Essa interpretação foi muito popular durante os tempos da Reforma e ainda era fortemente defendida no século dezenove. Especialmente com o surgimento de Napoleão, essa visão foi reconhecida como a interpretação final. Dentre os Protestantes, pessoas que têm essa visão consideram o Papa e a Igreja Romana como sendo o anticristo e a Besta. O próprio Martinho Lutero tomou essa visão. Mas os comentaristas da Igreja Católica tomaram a visão oposta e reconheceram o Protestantismo como o Anticristo. Eles até mesmo declararam ter encontrado o número 666 no nome de Martinho Lutero. Muitos do povo de Deus no final do século dezoito e no começo do século dezenove criam que Napoleão cumpria o personagem mencionado em Apocalipse 13. E muitos dos números no livro foram tomados arbitrariamente como um período fixo de profecia; por exemplo, o numero de três anos e meio foi considerado uma representação da tribulação na sua própria história corrente.

Os Futuristas mantém a ideia de que a maior parte da profecia ainda está para se cumprir no futuro. A partir do capítulo 4, nem mesmo uma letra foi cumprida. Os capítulos 2 e 3 falam da Igreja. Só depois que o período da Igreja for cumprido é que qualquer coisa depois do capítulo 4 pode ser cumprida. Os capítulos 6-19 referem-se a eventos que acontecerão no tempo das últimas sete das setenta semanas de Daniel. E as últimas sete semanas de Daniel não podem começar sem que a história da Igreja esteja completada. Essa interpretação é a mais satisfatória, pois é a que mais coincide com as profecias encontradas em outras passagens da Bíblia. No entanto, nós não temos a intenção de contender por uma opinião! De fato, que possa o Senhor sempre nos afastar disso. O que desejamos é a Sua verdade. Que o seu Espírito nos guie para dentro de todas as verdades e nos habilite a entender a palavra de Deus.

É inevitável que haja muita discussão sobre a interpretação do Apocalipse entre essas três escolas. Mas o nosso alvo, como já deixamos claro, é saber o que Deus quer que saibamos, e não contender em defesa de qualquer escola humana ou opinião. Portanto, nós não vamos apresentar todos os argumentos, nem contra nem a favor. Embora eles pudessem ser bem-vindos por algumas pessoas, não seriam edificantes.

Umas poucas palavras, entretanto, precisam ser ditas para demonstrar que existe falibilidade tanto na interpretação dos Preteristasquanto na dos Históricos. Os Preteristas mantêm a ideia dos Professores Racionalistas. Ninguém, na Igreja dos primeiros séculos, acreditou nisso. Pois isso limitou os horizontes de João a ver somente a perseguição dos Cristãos por Roma. Isso reduz a profecia a um simples valor alegórico, e meramente prediz a derrota dos romanos. Os Interpretadores Históricos, por outro lado, adormecem o mais solene aviso da Bíblia Sagrada direcionado às pessoas do final dessa era, com a finalidade de que não possamos conhecer o que a ira de Deus será. Sejamos, pois, esclarecidos a respeito do que a Bíblia realmente ensina.

Em I Coríntios 10:32 Paulo divide a humanidade em três principais categorias: Judeus, Gentios, e a Igreja de Deus. Durante os tempos do Velho Testamento não havia Igreja, pois ela foi estabelecida pelo Senhor somente no período do Novo Testamento. Uma vez que o livro de Apocalipse é o último livro da Bíblia e que por essa posição ele é a soma de todas as Escrituras, é natural que ele nos mostre como será o fim dessas três categorias de pessoas. Os Preteristas, no entanto, sustentam que o Apocalipse relata apenas a história passada das lutas da Igreja. Os Interpretadores Históricos também, limitam a profecia à experiência da Igreja depois do tempo de João. Ambos abraçam a Igreja e deixam passar os Judeus e os Gentios. Essa visão é muito parcial e faz da revelação de Deus um livro imperfeito. Se concordarmos com as suas interpretações, nós seremos deixados na escuridão quanto ao futuro fim dos Judeus e Gentios. Mas nós devemos esperar ver no último livro da Bíblia (1) o caminho que a Igreja vai trilhar na terra e sua futura glória; (2) a proteção dos remanescentes dos Judeus por Deus ao longo da Grande Tribulação e o seu recebimento das bênçãos de Deus prometidas por meio dos profetas; e (3) o julgamento dos Gentios que pecaram e não creram, assim como a alegria desses Gentios que vierem ao Senhor.

Eu não vou argumentar qual é a interpretação certa e qual é a errada. É claro que deve haver uma verdadeira interpretação que esteja de acordo com todas as profecias do Velho e do Novo Testamento e que nos seja de proveito espiritual. Onde podemos encontrar essa verdadeira interpretação? Qualquer resposta está no livro em si. O que esse livro de Apocalipse nos conta é sobremodo confiável. Nós não precisamos gastar muito tempo pesquisando as interpretações e ideias das diferentes escolas. Nós podemos até mesmo deixar de lado tais termos como “os Preteristas” ou “os Futuristas”. A melhor maneira é buscar as escrituras diretamente. Pois eu creio que, nas páginas do livro de Apocalipse, nosso Senhor Jesus Cristo tem nos dado a chave para a sua própria interpretação.

A Chave Para Interpretar o Apocalipse

Em cada livro da Bíblia, há um versículo-chave, pelo qual todo o livro pode ser aberto. E por isso nós esperaríamos encontrar o verso-chave no Apocalipse a fim de termos também o esboço desse livro. Onde está esse versículo? O Senhor Jesus pessoalmente comandou João que escrevesse esse livro; então, vejamos como João recebeu essa comissão: “escreve, pois, as coisas que viste, e as coisas que são, e as coisas que serão depois dessas” (1.19). O Senhor deu a direção para João escrever três elementos: primeiro, as coisas “que [João] viste”; segundo, “as coisas que são”; e terceiro, “as coisas que serão depois destas”. E João escreveu de acordo. No momento em que ele estava para escrever, ele já havia tido uma visão; por isso, a primeira coisa que ele devia escrever era o registro da visão que ele tinha acabado de ver. João continuou então a mencionar “as coisas que são” e concluiu com “as coisas que serão depois dessas”. E, assim, esse único versículo da Escritura faz alusão às coisas do passado, do presente e do futuro.

Três Principais Divisões do Livro de Apocalipse

Tomando isso como uma chave, então, o livro de Apocalipse deve ser dividido em três partes principais. Com vinte e dois capítulos no livro, como são feitas as três divisões? Antes de tocarmos na primeira e segunda divisões, comecemos olhando para a terceira divisão. Há um versículo no capítulo 4 que evidentemente indica que a terceira divisão começa naquele capítulo: “Depois dessas coisas,” disse João, “eu vi, e eis uma porta aberta no céu, e a primeira voz como de trombeta, que eu ouvi falar comigo, disse: sobe aqui, e te mostrarei as coisas que devem ser depois dessas” (4.1). “As coisas que devem ser depois dessas” devem ser coisas depois desses três capítulos. Apocalipse 1.19 indica que a terceira divisão fala das “coisas que devem ser depois dessas”, e as coisas que João viu do capítulo 4 em diante são de fato “as coisas que devem ser depois dessas”. Dessa forma, é evidente que a sua terceira divisão do Apocalipse começa no capítulo 4 (e desde que o livro tem apenas três divisões, a terceira divisão deve ser do capítulo 4 ao 22). Isso deixa apenas os primeiros três capítulos para a primeira e segunda divisões do livro. Apocalipse capítulo 1 é concernente ao que João viu. O versículo 11 diz “o que vês, escreve-o em um livro”, e no verso 19 João é ordenado que “escreve, pois, as coisas que viste”. Entre esses dois versículos João viu a visão, a qual constitui aquilo que ele viu. A primeira divisão do livro é, por isso, o capítulo 1. Desde que aprendemos que todo o livro pela sua própria indicação deve ser dividido em três divisões principais, e já que também aprendemos que a primeira divisão é o capítulo 1 e que a terceira divisão vai do capítulo 4 até o fim do livro, pode-se racionalmente concluir que a segunda divisão principal do livro deve ser os capítulos 2 e 3. Nesses capítulos nós encontraremos “as coisas que são”, as quais são as coisas concernentes à Igreja.

João viveu na era da Igreja, e por isso a Igreja é reconhecida como “as coisas que são”. Os capítulos 2 e 3 dão a história profética da Igreja do seu começo ao seu fim. Começa com os Efésios abandonando o seu primeiro amor (2.4) e termina com os Laodicences sendo vomitados da boca do Senhor. A historia inteira da Igreja está dessa forma sendo delineada por essas sete igrejas locais. Desde que “as coisas que devem ser depois dessas” seguem “as coisas que viste” e “as coisas que são”, os conteúdos registrados do capítulo 4 em diante devem esperar até que a história da Igreja possa ser cumprida para que sejam cumpridos. Embora hoje o fim esteja de fato se aproximando, nós devemos admitir que a Igreja ainda existe na terra; e que, dessa forma, o seu tempo ainda não está totalmente cumprido.

Esse é o ensino das Escrituras. Apocalipse 1.19 é de fato a chave que destranca o mistério que rodeia esse livro. E, a partir deste verso, nós temos agora obtido uma verdadeira interpretação.

A Mensagem, o Estilo e a Natureza do Livro de Apocalipse

Embora Cristo seja o tema desse livro, também são registradas as coisas do fim dessa era. Todas as coisas que estão para acontecer levam ao tratado do reino de Deus. Por isso, esse é um livro de profecia.

Essa natureza profética é claramente definida tanto no início como no fim do livro (ver 1.3; 22.7,18,19). Através de muitas visões, a mensagem desse livro prediz os eventos que se aproximam.

Os iniciantes podem ficar confusos pelos muitos símbolos nesse livro. Eles podem considerá-los muito alegóricos para serem entendidos. No entanto, realmente não é tão difícil como possamos pensar. Embora haja muitos símbolos, muitos deles já foram explicados no próprio livro. Os leitores deveriam consequentemente confiar no poder de Deus e ler a Sua palavra com diligência e paciência. Se énecessário paciência na busca por conhecimentos mundanos, quanto mais paciência é preciso ter na busca pelas coisas espirituais!(GT) Há pelo menos 14 símbolos que já foram explicados. E os não explicados talvez nem excedam esse número.

(1) Candeeiros simbolizam as igrejas (1.20).

(2) As estrelas são os mensageiros (ou anjos) das igrejas (1.20).

(3) O fogo representa o Espírito Santo (4.5).

(4) Chifres e olhos também representam o Espírito Santo (5.6).

(5) O incenso simboliza as orações dos santos (8.3, 4).

(6) Dragão fala de Satanás (12.9).

(7) Os sapos são os espíritos imundos (16.13).

(8) A Besta tipifica um rei (17.12).

(9) As cabeças da besta correspondem a colinas (17.9).

(10) Os chifres da besta correspondem a reis subordinados (17.12).

(11) As águas representam povos (17.15).

(12) A mulher simboliza a grande cidade (17.18).

(13) Linho fino representa a justiça (19.8).

(14) A esposa do Cordeiro é a cidade de Deus (21.9, 10).

Por isso, não tratem esse livro como se fosse de símbolos. Embora haja mais de trinta símbolos, a metade deles já foi explicada. Em média, há menos de um símbolo por capítulo para ser encontrado; e, consequentemente, o livro de Apocalipse verdadeiramente não pode ser rotulado como um livro de símbolos. As profecias em suas páginas são de dois tipos: direta e indireta. As profecias indiretas têm a forma de símbolos; mas, como já mencionamos, esses símbolos não foram colocados em total escuridão, já que metade deles já foi explicada. Dessa forma, os leitores não deveriam ficar intimidados por esses símbolos, mas deveriam distinguir os explicados dos não-explicados, e procurar descobrir os seus significados.

A despeito da adoção dos símbolos como um estilo de escrita, nós não devemos espiritualizar o livro em todo. Nós devemos manter em mente uma coisa importante: o Apocalipse é um livro aberto (ver 22.10), não é como Daniel, que é um livro selado (ver 12.4). É chamado “a Revelação de João” e, por essa razão, todas as coisas registradas nele estão abertas para serem entendidas. É escrito de acordo com fatos, e por isso pode ser tomado literalmente. Assim como os conteúdos futuros registrados no fim do livro são milagres atuais, como ressurreição, arrebatamento, aparecimento, e assim por diante, as coisas dadas na parte inicial do volume devem também ser atuais – nesse caso, punições – desde que esse é um livro de unidade. Nós ouvimos que há 119 profecias no Velho Testamento a respeito do Senhor Jesus. Como estão cumpridas essas profecias? Todas elas estão cumpridas literalmente. Por exemplo, uma virgem dando à luz um filho, Belém, a vinda do Egito, as trinta peças de prata, e assim por diante, foram todas literalmente cumpridas.

Além desses símbolos, o resto do livro contém os dizeres evidentes de Deus. Nós aprendemos que significados espirituais e ensinamentos estão implícitos. Mas essas partes figurativas devem ser explicadas literalmente. Por exemplo, na abertura do sétimo selo, nós descobrimos que sete anjos estão prontos para soprar as trombetas. No soar das sete trombetas há saraiva e fogo, sangue, montanha, mar, estrelas, lua e sol, e assim por diante. Por um lado, tudo isso deve ser tomado literalmente, embora ainda possamos derivar muitos significados espirituais e ensinamentos disso. Por outro lado, não devemos aceitar meramente os seus significados espirituais e rejeitar o horror das punições literais. Aqui nós vemos a sabedoria de Deus. Ele esconde significados espirituais na carta para que também aqueles que têm aprendido de Deus possam descobrir o mais profundo ensinamento por trás dela. No entanto, esses crentes comuns também podem aprender diretamente a respeito do verdadeiro fenômeno das futuras tribulações. A palavra de Deus é revelada a bebês (Mt 11.25). Como pode um bebê entender o livro de Apocalipse se é tão profundo como algumas pessoas dizem? Nós louvamos ao Senhor, por que a despeito de algumas passagens difíceis no Apocalipse, muitas delas são para aplicação literal, e por isso bebês em Cristo podem entender o livro. Nós também louvamos ao Senhor porque, embora o livro de Apocalipse seja tão singelo que os crentes comuns possam conhecer muito a respeito dele, da mesma forma oferece muitos materiais para pesquisa ao melhor dos cérebros humanos. Nosso Deus é de fato Deus!

O caráter do livro de Apocalipse é justo, do início ao fim manifesta a justiça de Deus. Não é fácil encontrar nele a graça de Deus; mesmo com a Igreja, ele revela a estreita disciplina do Senhor. É, de fato, um livro de julgamento. Nele nós vemos como Deus julga a sua Igreja, os Judeus, e as nações. Ele revela o Senhor Jesus e manifesta o seu julgamento.

Devido ao seu caráter ser diferente dos outros livros do Novo Testamento, muitas pessoas julgam o Apocalipse muito difícil para entender. No entanto, não é realmente difícil de saber. A Igreja tem falhado, então o Senhor só pode recorrer ao julgamento. O registro dos capítulos 2 e 3 é a sombra do iminente julgamento de Cristo (2 Co 5.10). Com exceção dos capítulos 4 e 5 que narram conteúdos de transição, todo o registro do capítulo 6 através do capítulo 19 pertence ao tempo do último sete dos setenta setes de Daniel. Os setenta setes Daniel caem dentro da dispensação da lei. A dispensação da graça foi inserida entre o sexagésimo nono sete e septuagésimo sete. Assim que a dispensação da graça é concluída, o septuagésimo sete começa, e ainda pertence à dispensação da lei. Por isso todas as coisas mencionadas do capítulo 6 através do capítulo 19 voltam à dispensação da lei. Não é de admirar que o seu caráter seja tão justo.

Devido ao seu caráter justo e legal, o livro carrega nele muito do tempero judaico. Nesse livro a Igreja é apresentada em termos um tanto diferentes do que é descrita nos escritos de Paulo. Embora o livro de Apocalipse seja escrito em grego, como nos escritos de Paulo, o livro emprega muitos Hebraísmos – como Abadom, por exemplo, e assim por diante. Até mesmo os nomes do nosso Senhor têm conotações judaicas, como Jeová Deus. O Evangelho de Mateus cita o Velho Testamento 92 vezes; o livro de Hebreus cita-o por volta de 103 vezes; mas o livro de Apocalipse faz isso cerca de 285 vezes!  Isso prova que o livro de Apocalipse mostra como Deus há de retornar ao território do Velho Testamento, de acordo com o qual tratará com as nações e com os judeus. Não esqueçamos que a salvação vem dos judeus. Por essa razão os santos do Senhor devem aprender a amar os Judeus e a não rejeitá-los. Nós devemos amar os eleitos do Senhor.

Bibliografia Watchman Nee,COMENTARIO DO APOCALIPSE 1998

APOCALIPSE, A REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO

"Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo" (Ap 1.3).

O Livro do Apocalipse retrata todo o processo de consumação redentora da humanidade através de figuras de linguagens e simbolismos dramáticos. Seu estilo literário é a apocalíptica judaica {"O Livro de Apocalipse pertence à categoria geral da literatura apocalíptica. A expressão literatura apocalíptica, no entanto, desagrada a alguns estudiosos por causa de sua ambiguidade. A própria expressão está baseada na palavra grega que significa 'revelação' (apokalypsis). Um apokalypse é uma revelação recebida através de uma visão, de um sonho, de uma viagem celestial ou (em alguns casos) de um mensageiro angelical. Acompanhando esse conceito, o livro de Apocalipse é um apokalypse, isto é, contém uma série de visões (Ap 9.17; 13.1; 21.2; 22.8), uma viagem celestial (4.1) e um mensageiro angelical (1.12ss; 10.1,8,9; 17.3,7,15; 22.8,16). Contém, também, uma escatologia apocalíptica, como aparece em uma série de outras passagens bíblicas (por exemplo: Is 24 - 27; 55 - 66; Ez 37 - 48; Dn 7 - 12; Jl [1 - 3]; Zc 14; Mt 24; Mc 13), mas o termo é demasiadamente controvertido e complicado para que possa ser definido através de uma ou duas frases.

[...] A escatologia apocalíptica parece surgir em momentos de grande tensão social [...]. A escatologia apocalíptica é uma tentativa de restaurar ou manter [...] [uma] visão global à luz (ou nas trevas!) de um mundo em rápida transformação" (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.1824,25).}. Ela é encontrada fartamente no Antigo Testamento, como em Ezequiel e Daniel. Estes, também, apresentam abundantes figuras e simbolismos.

O Apocalipse é um dos livros mais belos e fascinantes da Bíblia. Através de seus símbolos e figuras, mostra-nos Jesus como serão os últimos dias da humanidade. Se no Gênesis tudo é começo, no Apocalipse tudo é consumação. Uma consumação, porém, que recomeça quando a Nova Jerusalém desce dos céus "ataviada como noiva adornada para o seu esposo".

Neste trimestre, estudaremos o último livro das Sagradas Escrituras. Deleite-se, pois, desde já, nas consolações que nos traz a Escatologia Cristã. Está você preparado para as Bodas do Cordeiro? Então, que a nossa súplica seja: "Ora vem, Senhor Jesus".

  O LIVRO DO APOCALIPSE

1. Apocalipse, o único livro profético do NT.

Embora haja profecias em quase todos os livros do Novo Testamento, somente o Apocalipse pode ser considerado um documento rigorosamente profético. Aliás, até o seu título é profético. Em grego, Apocalipse denota a remoção de um véu estendido sobre algo que deve e precisa ser conhecido urgentemente por você e por mim.

Quanto ao conteúdo, o Apocalipse é revelação. Se lhe considerarmos a mensagem, é profecia. Enviado como carta aos seus primeiros destinatários, o livro, na verdade, é uma epístola.

2. Um livro de advertências e consolações.

O Apocalipse não se limita a descortinar o futuro. Palavra inspirada de Deus, adverte, exorta e ensina os cristãos de todas as épocas e lugares a esperar, em ordem santa, o aparecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Suas consolações no Espírito Santo são abundantes.

AUTORIA, DATA E LOCAL

1. Autoria.

João, filho de Zebedeu, é o autor do Apocalipse (Ap 1.1,4,9; 22.8). Ele também escreveu o quarto evangelho e três das sete epístolas universais. Em virtude de sua profundidade teológica, o apóstolo recebeu dos Pais da Igreja o título de "João, o Teólogo". Outra alcunha deram-lhe os antigos: João, o Divino. O apóstolo é conhecido igualmente como o discípulo a quem Jesus amava (Jo 21.20). Em todas as suas obras, João sempre buscou realçar, e deixar bem patente, a divindade do Nazareno (Jo 20.31).

2. Data.

O Apocalipse foi escrito entre 90 e 96 d.C. Nessa época, imperava o cruel e desapiedado Domiciano. Em nada diferia ele de Nero e de Calígula, os dois mais odiados, perversos e sanguinários governantes de Roma.

3. Lugar.

João escreveu o Apocalipse em Patmos (Ap 1.9). Trata-se de uma pequena ilha da Grécia. Distando 55 quilômetros da costa sudoeste da Turquia, faz parte do arquipélago conhecido como Dodecaneso. Sua área total é de 34,6 km² e sua população, hoje, gira em torno de três mil habitantes.

Patmos acha-se dividida em duas partes quase iguais: uma no lado norte e outra na banda do sul, ligadas por uma estreita faixa de terra. De vegetação modesta, a ilha é caracterizada por montes relativamente baixos; o mais elevado é o Profitis Ilias com 269 metros. O lugar era utilizado como reclusão para os inimigos do Império Romano.

             APOCALIPSE, O LIVRO PROFÉTICO DO NT

1. Tema do Apocalipse.

O próprio autor declina o tema do Apocalipse: "Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer" (Ap 1.1). "Composto por uma série de visões, imagens, símbolos e figuras, o Apocalipse revela os conflitos do povo de Deus e a sua vitória final sobre o império das trevas. E conclui, mostrando os redimidos a desfrutar de todas as eternas bem-aventuranças" (Dicionário de Profecia Bíblica, CPAD).

2. Divisões do Apocalipse.

Assim podemos distribuir o conteúdo do livro:

1) "As coisas que tens visto": a visão do Cristo glorificado no meio dos sete candelabros (cap. 1);
2) "as que são": as cartas enviadas por Jesus, por intermédio de João, às sete igrejas da Ásia Menor (caps. 2 e 3);
3) e as coisas "que depois destas hão de suceder": a ascensão do Anticristo, a Grande Tribulação, o Milênio, o Julgamento Final e a inauguração da Jerusalém Eterna e Celeste (caps. 4-21).

No Dicionário de Profecia Bíblica (CPAD), encontramos outras informações acerca da estrutura do Apocalipse: "O conteúdo do livro pode ser dividido em oito partes:

1) As sete cartas às igrejas da Ásia Menor (1-3);
2) Os sete selos (4.1 a 8.1);
3) As sete trombetas (8.2 a 11);
4) As sete figuras simbólicas - a mulher vestida de sol, o dragão, o menino, a besta que saiu do mar, a besta que se levantou da terra, o Cordeiro no monte Sião e o Filho do Homem sobre a nuvem;
5) O derramamento das sete taças (1516);
6) A condenação eterna dos ímpios (17-20);
7) As glórias da Nova Jerusalém (21-22.5);
8) Epílogo (22.6-21)".

3. Objetivos do Apocalipse. João escreveu o Apocalipse, tendo em vista: 1) corrigir as distorções doutrinárias e desvios de conduta das igrejas da Ásia Menor; 2) consolar os santos que eram impiedosa e duramente perseguidos pelas autoridades romanas;  3) mostrar aos santos o que haveria de acontecer nos últimos dias; e: 4) alertar-nos quanto à brevidade e urgência da vinda do Senhor.


                              A LEITURA DO APOCALIPSE

1A produção de livros no período do Novo Testamento.

O livro, na época de João, era um produto dispendioso e caro. Trabalhando cada obra artesanalmente, os escribas, sempre ciosos de sua profissão, cobravam pelo serviço um preço nada módico. Somente os ricos podiam sonhar com um livro à cabeceira.

2. A leitura das Escrituras Sagradas.

Na maioria das congregações, havia apenas um exemplar das Sagradas Escrituras. Para que todos fossem edificados, um oficial da igreja punha-se a ler a Palavra de Deus, enquanto a irmandade ouvia-o reverente e atentamente. Por isso a recomendação do Cristo: "Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo" (Ap 1.3).

3. A liturgia da Palavra.

Embora tenhamos amplo acesso à Bíblia Sagrada, voltemos à liturgia da Palavra. Leiamos os profetas, ouçamos os apóstolos. Nesse ensejo, sugiro a leitura integral do Apocalipse, em voz alta, do púlpito de nossas igrejas, logo no primeiro domingo deste trimestre, para que todos, crentes e não crentes, ouçam-no e sejam bem-aventurados.

CONCLUINDO

Que ninguém venha a menosprezar o Apocalipse, alegando tratar-se de um livro difícil e enigmático. Se o lermos com discernimento e paciência, viremos a constatar: a chave para a sua interpretação acha-se em suas próprias páginas. O Noivo jamais enviaria uma carta indecifrável à sua Amada.

Você já leu o Apocalipse? Abra a sua Bíblia, e ponha-se a ler, agora mesmo, este maravilhoso e fascinante livro de Deus.

"As Diversas Interpretações

Muitos tentam fazer do Apocalipse um livro de adivinhações. Relacionam-no aos acontecimentos de suas respectivas épocas, para descobrir o que há de acontecer no futuro próximo. Esta interpretação é muito proeminente entre os que têm uma visão meramente histórica do livro. Estes intérpretes vêm comparando o Apocalipse com a história da Igreja desde o primeiro século, para realçar coisas como o aparecimento do papado e as invasões mulçumanas. Por conseguinte, não conseguem ver a Grande Tribulação no final dos tempos, pois espalharam os eventos do livro no decorrer da história da Igreja. Como se vê, cada geração de eruditos vem retrabalhando a interpretação do Apocalipse, numa tentativa de encaixar as profecias em suas respectivas épocas.

Outros possuem uma visão preterista do livro, e tentam relacionar suas profecias com eventos registrados no final do primeiro século, tendo-se Roma e seus imperadores mais proeminentes como pano de fundo. Noutras palavras: os preteristas creem que a maior parte do Apocalipse já foi cumprida há muito tempo atrás, restando-nos dele apenas interesse histórico. Devemos observar, porém, que o relacionamento que eles fazem entre o texto e o evento é muito subjetivo e precário.

Há ainda outros que rejeitam a tentativa de se identificar os eventos do livro com as fontes históricas. Optam por uma visão idealística do Apocalipse. Veem os símbolos e figuras simplesmente como representantes da disputa progressiva que há entre o bem e o mal, com a certeza do triunfo derradeiro da justiça. Acham que não haverá cumprimento literal de nenhum evento do livro. O que vemos, porém, é que apesar de o Apocalipse ter muitas figuras simbólicas, representam estas algo real [grifo nosso]. O Anticristo é chamado de a besta, mas será uma pessoa real, e cumprirá as predições feitas sobre ele noutras profecias, tais como 2 Ts 2.3-12, onde se diz que Cristo virá pessoalmente trazer triunfo final.

[...] O pré-milenismo interpreta as profecias do Antigo e do Novo Testamento de maneira literal, observando, porém se o contexto assim o permite.

[...] Reconheço haver cristãos que se consideram a si mesmos evangélicos, nascido de novo, e que sustentam diferentes posições de interpretar o Apocalipse. [...] Contudo, depois de muitos anos de estudo e de ensino, creio que há mais evidências em favor da visãopré-milenial e da interpretação literal do que a das outras. A perspectiva pré-milenista e a futurista, juntas, encaixam-se melhor nas orientações de Jesus" (HORTON, Stanley M. Apocalipse: As coisas que brevemente devem acontecer. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, pp.5,6,8).

Bibliografia Pr. Claudionor de Andrade,dicionário de teologia bíblica CPAD



Autoria

O autor do livro dá seu nome simplesmente como “João” (1:1, 1:4, 21:2, 22:8). As igrejas da Ásia o conheciam muito bem, e ele se chama de seu irmão, que participa com elas da tribulação, do reino e da per­severança (1:9). A pergunta é: Quem era este João? Do estilo do livro podemos deduzir que ele era um cristão de origem hebraica, conhecendo de ponta a ponta o Antigo Testamento. A igreja dos primeiros tempos em geral o aceitou como sendo o apóstolo de Jesus Cristo, o autor do quarto evangelho. Já no ano 150 d.C. Justino Mártir afirmou isto, como também Irineu por volta de 200 d.C., ambos residentes na Ásia por algum tempo. A autoria apostólica era amplamente aceita pelos pais da igreja. E é completamente possível, porque a tradição histórica de que João viveu até idade avançada em Éfeso é sólida.

Temos de observar, no entanto, que João não se chama de após­tolo, e que em 21:14 ele menciona o grupo dos apóstolos sem dar qual­quer indicação de que ele é um deles. Ele afirmou, isto sim, ser um profeta (22:9), e disse que seu livro era uma profecia (1:3, 22:7,10,18,19). Se o autor não era o apóstolo, então ele era pelo menos um profeta bem conhecido em todas as igrejas da Ásia, mas desconhecido para nós por outras fontes.

Há, realmente, sérias dificuldades para reconhecer o Apocalipse e o quarto evangelho como sendo do mesmo autor. Apesar de haver muitas semelhanças entre os dois livros (por exemplo: só no quarto evangelho e no Apocalipse Jesus é chamado de Logos) o estilo do grego é notavelmente diferente. A linguagem do evangelho é suave, fluente e em grego simples e direto. A linguagem do Apocalipse é rude e impolida, com muitas irregularidades gramaticais e sintáticas. Nós sabemos de muitas referências que era comum o uso de amanuenses ou secretários no mun­do antigo (veja Rm. 16:22); as diferenças de estilo entre o evangelho e o Apocalipse podem ser creditadas à diferença de assunto e ao uso de secretários. Possivelmente João ditou o evangelho a um discípulo, en­quanto o Apocalipse está no seu próprio grego rude de hebreu.

Data

A tradição credita o Apocalipse à última década do primeiro sé­culo, quando Domiciano era imperador de Roma (81-96 d.C.) { Irineu, bispo de Lion na Gália no segundo século, escreveu: “Ele (o Apocalipse) sur­giu faz não muito tempo, perto do fim do reinado de Domiciano, quase na nossa geração" (Contra Heresias, V.xxx.iii). Vitorino (terceiro século d.C.) escreveu: “Quando João es­creveu estas coisas ele estava na ilha de Patmos, condenado por César Domiciano a tra­balhar nas minas" (Comentário ao Apocalipse 10:11).}. Alguns estudiosos sugeriram datas mais antigas o que é improvável.

Situação Histórica

Para alguns estudiosos, literatura apocalíptica é quase por defi­nição “panfletos para tempos difíceis”, resultado de perseguição. Isto pode ser verdade para a literatura apocalíptica dos judeus. Estes enfren­tavam o problema: Por que o povo de Deus era tão perseguido? Onde estava a salvação de Deus? Os profetas do Antigo Testamento viam Deus ativo tanto na história como no fim escatológico, mas os autores apocalípticos não tinham esperança na história, somente na intervenção escatológica de Deus. O mundo e o tempo eram irremediavelmente maus, estavam sob o domínio de poderes angelicais demoníacos. Deus estava longe, no céu, mas em breve ele se ergueria do seu trono, des­truiria os poderes demoníacos e libertaria seu povo.

Seguindo esta teoria, muitos estudiosos reconstruíram a situação histórica do Apocalipse em termos de uma perseguição mundial iminente da igreja por parte de Roma. A igreja praticamente enfrentaria seu aniquilamento; João escreveu ao povo de Deus para fortalecê-lo nas tribulações que enfrentaria: apesar do sofrimento que viria, a vinda do Senhor estava próxima, para derrubar Roma e libertar sua igreja.

O problema com esta teoria é que não há evidência de que houve uma perseguição aberta e sistemática da igreja durante a última década do primeiro século. Entre o povo cristão prevaleceu a ideia de que houve dez grandes perseguições da igreja quase universais em seu alcance {Quem popularizou esta ideia foi um certo Paulo Orósio, historiador do quinto sé­culo.}: por Nero (64 d.C.), Domiciano (95 d.C.), Trajano (112 d.C.), Marco Aurélio (117 d.C.), Sétimo Severo (fim do segundo século), Maximino (235 d.C.), Décio (250 d.C.), Valeriano (257 d.C.), Aureliano e Diocleciano (303 d.C.). É verdade que Décio, Valeriano e Diocleciano promoveram perseguições extensas, mas as perseguições anteriores eram de caráter local e relativamente suaves. Nero, sim, instigou uma forte e breve perseguição aos cristãos, mas somente em Roma e uma só vez {Veja Tácito, Anais XV.xliv.}.A perseguição creditada a Domiciano de modo algum alcançou todo o im­pério, mas somente algumas famílias em Roma {Veja Ethelbert Staufeer, Christ and the Caesars (Philadélfia: Westminster, 1955), Row, 1966), pp. 65ss.}.

Não resta dúvida de que os cristãos tiveram problemas em Éfeso, muito embora não possamos reconstruir de fontes independentes até onde foi esta oposição. O exílio de João comprova que houve perse­guições em Éfeso, talvez mais devido a um decreto consular de Éfeso do que a um decreto imperial de Roma. Em Pérgamo tinha sido morto um cristão com o nome de Antipas, presume-se que pouco antes de ser es­crita a carta àquela igreja (2:13). Mas não há nenhuma indicação de uma perseguição geral. A igreja de Esmirna foi advertida de que haveria algumas prisões em breve (2:10) que inclusive poderiam levar à morte de alguns, pois os cristãos são exortados a serem fiéis até à morte. Outros cristãos já tinham sido martirizados, porque João viu as almas dos mor­tos sob o altar clamando por vingança (6:9). Mas esta referência é de caráter geral e pode incluir tanto mártires do Antigo como do Novo Tes­tamento.

Temos de concluir que é impossível estabelecer uma situação de perseguição mundial da igreja como descrita no Apocalipse a partir de fontes extra bíblicas. A profecia contida no Apocalipse vai muito além de qualquer situação histórica do primeiro século. Apesar de a Roma dos tempos de João ter tendências anticristãs, o quadro feito do Anticristo em Apocalipse 13 representa muito mais que a Roma histórica. Referências concretas à perseguições são todas ilustrações da hostilidade do mundo frente à igreja.

Não podemos dizer por que João foi exilado para Patmos (1:9). De qualquer modo ele diz que Deus usou seu exílio como ocasião para lhe proporcionar uma série de visões que retratariam o conflito entre o Reino de Deus e o poder de Satanás, a vitória final do Reino de Deus e a consumação do seu propósito redentor.

Métodos de Interpretação

O Apocalipse é o livro do Novo Testamento mais difícil de ser interpretado, basicamente por causa do uso elaborado e extensivo de sim­bolismo. Como entender estes símbolos estranhos, às vezes bizarros? Surgiram diversos métodos distintos de interpretação. Muitos intér­pretes acham elementos valiosos em mais de um método, de modo que há considerável superposição. Mesmo assim podemos identificar quatro métodos distintos.

O Método Preterista

O ponto de vista predominante nos meios críticos e eruditos é que o Apocalipse faz parte de um gênero distinto de escritos judaico-cristãos chamado “apocalíptico”, que são “panfletos para tempos difíceis”. O judaísmo produziu tais livros, como Enoque, A Assunção de Moisés, O Apocalipse de Esdras e Baruque, que têm diversas características lite­rárias em comum com o Apocalipse, principalmente no uso de símbolos e num tipo semelhante de esperança escatológica. Estes escritores estavam desanimados por causa das más experiências históricas e a per­seguição do povo de Deus por nações pagãs. Apesar de desesperarem da história, eles continuavam esperando em Deus e aguardando sua sal­vação. Acreditam que em breve Deus se ergueria do seu trono para abalar o governo das nações perversas, destruir todo o mal e estabelecer o seu Reino na terra. Isto se daria em uma catastrófica aparição cósmica que substituiria totalmente o sistema mau, caído, pelo glorioso Reino de Deus. Os autores apocalípticos viam seus dias como os piores e os úl­timos, já que o fim dos tempos viria imediatamente. Mas suas predições apocalípticas não foram cumpridas; e como profecias genuínas de even­tos futuros os apocalipses judaicos são sem valor. Sua importância reside somente na compreensão das esperanças religiosas do povo cuja cultura os produziu.

Interpretado nesta linha, o Apocalipse expressa as esperanças dos cristãos primitivos da Ásia: que eles em breve seriam libertados dos seus sofrimentos sob o domínio dos romanos. Do ponto de vista preterista a Roma imperial era a besta do capítulo 13 e a classe sacerdotal asiática que incentivava o culto a Roma era o falso profeta. A igreja estaria ameaçada de extinção virtual, em face das perseguições que estavam às portas, e João escreveu para fortalecer a fé dos crentes pois mesmo com a perseguição iminente Deus interviria, Cristo voltaria, Roma seria des­truída e o Reino de Deus seria logo estabelecido. Claro que Cristo não veio, Roma não foi derrubada e o Reino de Deus não foi estabelecido. Mas predições proféticas não fazem parte da literatura apocalíptica. O livro cumpriu seu propósito de fortalecer e encorajar a igreja do pri­meiro século. Para os que querem defender o Apocalipse como um livro profético este ponto de vista é inadequado.

O Método Histórico

Este método encara o Apocalipse como uma profecia simbólica de toda a história da igreja até a volta de Cristo e o fim dos tempos. Os muitos símbolos do livro identificam diversos acontecimentos e tendên­cias da história do mundo ocidental e da igreja. Obviamente uma inter­pretação como esta pode levar a confusão, porque não há diretrizes claras quanto a quais eventos históricos estariam sendo abordados. Uma das linhas dominantes desta interpretação é que a besta é o papado romano e o falso profeta a Igreja Romana. Este ponto de vista foi tão popular que durante muito tempo foi chamado de o ponto de vista protestante. Pouco há a comentar sobre este ponto de vista, porque no caso o Apocalipse teria pouco a dizer às igrejas da Ásia a que foi en­dereçado.

O Método Idealista

Este método evita o problema de ter de encontrar cumprimento histórico para os símbolos do Apocalipse, e vê somente um quadro simbólico do conflito cósmico espiritual entre o Reino de Deus e os poderes satânicos maus. A besta é o mal satânico em qualquer forma que ele tome para oprimir a igreja. O capítulo 12 ilustra que há alguma verdade neste método, porque retrata um pesado conflito no céu entre Satanás e os anjos. Mas o Apocalipse não deixa de pertencer ao gênero apocalíp­tico, e o simbolismo apocalíptico se preocupa primeiramente com os acontecimentos da história que levam ao fim dos tempos e à vinda do Reino de Deus. Por isso temos de procurar adiante.

O Método Futurista

Este método interpreta o Apocalipse em grande parte como uma profecia de acontecimentos futuros, colocada em termos simbólicos, que levam ao fim do mundo e o acompanham. O ponto de vista futuris­ta tomou duas formas principais, que podemos chamar de moderada e extrema ou dispensacionalista. Esta última entende as sete cartas como sete épocas sucessivas da história da igreja, expressas em símbolos. O caráter das sete igrejas ilustra as principais características dos sete períodos de declínio e apostasia (Laodicéia). O arrebatamento de João sim­boliza o arrebatamento da igreja no fim dos tempos. Os capítulos 6-18 retratam o período da grande tribulação — o último período, curto mas terrível, da história da igreja, quando o Anticristo praticamente destruirá o povo de Deus. No ponto de vista dispensacionalista o povo de Deus é Israel, de volta a Jerusalém, protegido por um selo divino (7:1-8), com o templo reconstruído (11:1-3); que sofre a ira do Anticristo. A igreja não es­tá mais na terra, porque foi reunida ao Senhor nos ares.

O ponto de vista futurista moderado difere do extremo em diversos pontos. Ele não vê razão, como o ponto de vista extremo, de fazer uma diferença tão definida entre Israel e a igreja. O povo de Deus que sofre a perseguição feroz é a igreja. Também não vê razão para reconhecer nas sete cartas uma predição de sete períodos da história da igreja. Não há qualquer evidência interna para tal interpretação, há apenas sete cartas para sete igrejas históricas. Mas concorda quanto a que o propósito do livro é descrever a consumação do propósito redentor de Deus no fim dos tempos.

Novamente é válida a objeção de que se o livro foi escrito para tratar primeiramente de eventos do futuro distante, então sua mensagem tinha pouca importância para as igrejas do primeiro século a que foi endereçado. Não podemos levar este argumento longe demais, ou ele esvaziará muitas profecias do Antigo Testamento de sua importância. Os profetas não falavam só de acontecimentos contemporâneos; Eles estavam sempre relacionando os eventos contemporâneos com o grande acontecimento do fim da história: o Dia do Senhor, quando Deus iria visitar o seu povo para redimi-lo e estabelecer o seu Reino.

Isto nos leva a uma característica da profecia do Antigo Testamen­to que também é característica do Apocalipse, e que soluciona o pro­blema da distância e da importância. Como já disse, os profetas en­focavam duas coisas em sua perspectiva profética: os eventos do presen­te e do futuro imediato, e o evento escatológico final. Estes dois são mantidos em uma tensão dinâmica muitas vezes sem uma distinção cronológica, porque o objetivo principal da profecia não é fazer um programa ou mapa do futuro mas deixar cair a luz da consumação escatológica sobre o presente (II Pe 1:19). Assim, na profecia de Amós, o iminente julgamento de Israel através da Assíria foi chamado de Dia do Senhor (Am 5:18, 27), e a salvação escatológica de Israel também ocorrerá neste dia (9:11). Isaías retratou a queda da Babilônia com cores apocalípticas, como se fosse o fim do mundo (Is 13:1-22). Sofonias des­creveu um acontecimento desconhecido (para nós) como Dia do Senhor, que consumiria toda a terra com seus habitantes (1:2-18), como que pelo fogo (1:18, 3:8). Joel passou imperceptivelmente das pragas de gafanhotos históricas para os julgamentos escatológicos do Dia do Senhor.

Em outras palavras, o julgamento histórico iminente é visto como tipo ou prelúdio do julgamento escatológico. Ambos estão às vezes misturados como que sem respeitar a cronologia, porque o mesmo Deus que age no julgamento histórico iminente também estará agindo no julgamento escatológico final para alcançar seu propósito redentor. Assim, Daniel viu o grande inimigo escatológico do povo de Deus no rei his­tórico da Grécia, Antíoco Epifânio ou o Reino Selêucida — 11:3), que ainda tomou a coloração do Anticristo escatológico (Dn 11:36-39). Da mesma maneira o discurso do Monte das Oliveiras do nosso Senhor estava impregnado tanto do julgamento histórico de Jerusalém às mãos dos exércitos romanos (Lc 21:20ss) como com o aparecimento escatológico do Anticristo (Mt 24:15ss). Roma foi um predecessor histórico do Anticristo.

De modo que, apesar de o Apocalipse estar primeiramente preo­cupado com assegurar às igrejas da Ásia de que viria a salvação escatológica final no fim dos tempos, com o julgamento dos poderes maus do mundo, isto tinha importância imediata para o primeiro século. Por­que os poderes demoníacos que se manifestarão no fim, na grande tribulação, já podiam ser vistos no ódio histórico de Roma pelo povo de Deus e na perseguição que lhe movia.

Por isso concluímos que o método correto de interpretar o Apo­calipse é uma mescla dos métodos preterista e futurista. A besta é Roma e também o Anticristo escatológico — e, poderíamos acrescentar, qualquer poder demoníaco que a igreja tem de enfrentar em toda a sua his­tória. A grande tribulação é primeiramente um evento escatológico, mas inclui todas as tribulações que a igreja possa experimentar no mundo, sejam causadas pela Roma do primeiro século ou por poderes malignos posteriores.

Esta interpretação é sustentada por vários fatos objetivos. Pri­meiro; faz parte da natureza apocalíptica de um escrito que ele se ocupe primeiramente com a consumação do propósito redentor de Deus e com o fim escatológico dos tempos. Este é o tema do Apocalipse: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá” (1:7). Segundo: faz parte da natureza apocalíptica com seu simbolismo, seja o escrito canônico ou não, referir-se a eventos históricos que indicam e estão associados à con­sumação escatológica. Terceiro: Como já foi dito, o livro dá a si mesmo o nome de profecia. E também já vimos que a profecia por natureza deixa cair alguma luz do futuro sobre o presente.

Estrutura

É fácil analisar os principais assuntos do livro. Depois de um ca­pítulo introdutório vêm quatro séries de setes: sete cartas (2-3), sete selos (5:1-8:1), sete trombetas (8:2-11:19) e sete flagelos (15:1-16:21). Estas quatro séries estão intercaladas com diversos interlúdios que interrompem brevemente o fluxo da narrativa e não pertencem a nenhuma série de setes. O livro se encerra com o julgamento de Babilônia, a civilização apóstata, o triunfo e a consumação final do Reino de Deus, e a descida da Jerusalém celestial (capítulos (17-21).

Quanto à estrutura literária, o livro é formado de quatro visões, cada uma iniciada com o convite: “Vem e vê” o que Deus quer revelar (1:9, 4:1, 17:1, 21:9). O livro é encerrado com um epílogo.

Bibliografia G. Ladd,comentário do apocalipse 1980


Esboço do livro de Apocalipse

O Apocalipse é um livro de mui difícil interpretação. Isto é um fato reconhecido por todos os estudiosos das Es­crituras.

Apocalipse é o apogeu da revelação divina. É qual um imenso caudal onde desembocam todos os rios (livros), tanto os do Antigo, como os do Novo Testamento. Ele é o oposto do livro de Gênesis. Este é o livro dos começos; aquele, o das consumações. É também o Apocalipse a resposta da oração do povo de Deus em todos os tempos: “Ve­nha o teu reino”.

Deus divide a raça humana em três grupos, a saber: ju­deus, gentios e a Igreja de Deus (1 Co 10.32), e na sua Pala­vra Ele apresenta uma mensagem definida para cada um desses três grupos. Por exemplo, o livro de Daniel, trata somente de judeus e gentios. Nos Evangelhos temos a aparição ou manifestação da mensa­gem divina para a Igreja, e nas Epístolas a explanação des­sa mensagem. Já no Apocalipse temos a mensagem final de Deus para os judeus, gentios e a Igreja.

Contém o livro a última mensagem de Jesus à Igreja, uma mensagem referente à sua volta: “Certamente venho sem demora” (22.20). Daí dizer-se que nos Evangelhos so­mos levados a crer em Cristo; nas Epístolas somos levados a amá-lo; e no Apocalipse somos levados aesperá-lo.

1       Advertência aos estudantes das Escrituras. É bom que cada estudante leia agora 1 Coríntios 2.10-16 e medite cuidadosamente em cada um de seus versículos. Os versí­culos 14 e 15, na Versão ARC (Almeida Revisada e Corrigi­da), advertem o seguinte: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se dis­cernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido”.

O homem espiritual a que se refere o versículo 15 é aquele que é nascido do Espírito, que é submisso ao Espíri­to, que é guiado pelo Espírito, que é possuído pelo Espíri­to, que é cheio do Espírito. Por sua vez, o discernimento re­ferido nos ditos versículos é aquele que dimana da opera­ção do Espírito Santo no crente.

O estudante precisa distinguir corretamente os senti­dos literal, figurado, e simbólico da Escritura, para inter­pretar corretamente o texto bíblico. Por exemplo, sabemos que o cavalo de Apocalipse 19.11 é simbólico devido ao uso simbólico da espada no versículo 15 do mesmo capítulo. Às vezes, o próprio texto adverte que a sua linguagem é figu­rada, como em Apocalipse 17.5, onde a palavra “mistério”indica isto.

2       O autor do livro é João, o Evangelista, um dos após­tolos de Jesus. Isto é declarado em 1.1,4,9; 22.8. Seu pai, Zebedeu, era homem de posses, pois tinha empregados nas atividades pesqueiras que explorava (Mc 1.20). João foi um dos primeiros discípulos de Jesus (Mt4.21; Mc 1.19). A ele e a seu irmão Tiago, Jesus chamou “Boanerges”, que quer dizer filhos do trovão (Mc 3.17), ou por causa do po­der com que testemunhavam, ou devido ao seu zelo (sem entendimento) ao desejarem fogo do Céu para consumir uma cidade (Lc 9.54,55). É ele sem dúvida, o “discípulo amado” citado em João 13.23; 19.26; 21.20. João, por mo­déstia, escondeu-se atrás dessa frase.

João assistiu ao julgamento de Jesus e sua crucificação, demonstrando, assim, sua fidelidade, firmeza e amor (Jo 18.15,16; 19.26). Ele integrava o grupo íntimo de discípulos de Jesus, constituído de três deles (Mt 17.1; 26.37; Mc 5.37; 13.3).

Irineu, nascido cerca de 130 d.C., discípulo de Policarpo, que por sua vez, foi discípulo de João, afirma que após o retorno de João, do seu banimento em Patmos, ele per­maneceu em Éfeso, vivendo ali até sua morte, no reinado de Trajano.

3       Época e local do livro. Pastoreava João a igreja em Éfeso quando foi banido por Domiciano, em 95 d.C. Voltou a Éfeso no ano seguinte. Nesse meio tempo foi escrito o li­vro. A data comumente aceita é 96 d.C.

A divisão geral do livro. Jesus mesmo faz essa divisão em 1.19. É uma tríplice divisão:

Parte I - CONCERNENTE AO SENHOR
Capítulo 1
São coisas passadas no tempo de João - “coisas que vis­te” (1.19).

Parte II - CONCERNENTE À IGREJA
Capítulos 2 e 3
São coisas presentes - “coisas que são” (1.19).

Parte III - CONCERNENTE ÀS NAÇÕES
Capítulos 4 a 22
São coisas futuras - “coisas que hão de acontecer” (1-19).

Nesta última divisão está compreendida a 70ª “semana” de Daniel 9.27, nos capítulos 6 a 19. Apocalipse é, pois, um livro profético: aliás, o único livro profético do Novo Testa­mento. Isso está explicitado em 1.3; 22.7,10,18,19, onde lemos a expressão “as palavras da profecia deste livro”.

4       Tema do Livro. É a vinda de Jesus em glória, isto é, sua revelação pessoal em glória e poder a Israel e às nações. Isso é declarado no primeiro versículo do livro: “Revelação de Jesus Cristo”. O texto-chave do livro todo está em 1.7: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quan­tos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamenta­rão sobre ele. Certamente. Amém”.

Uma das formas de estudo da santa Palavra de Deus é a do método sintético, o que inclui o esboço de cada livro. O estudo sintético da Bíblia considera e estuda, entre ou­tras coisas, o seguinte:

a.       A Bíblia como um todo, isto é, seus 66 livros em con­junto.
b.      Cada grupo de livros da Bíblia como um todo.
c.       Cada livro da Bíblia como um todo.
d.      Esboço de cada livro da Bíblia.

O método de estudo sintético da Bíblia é prioritário para quem quiser passar à análise dela. Noutras palavras: jamais se deve procurar analisar a Bíblia, seus livros, seus capítulos, versículos, palavras, frases e ideias, sem primei­ro fazer uma acurada e completa síntese de tudo isso. Es­piritualidade, discernimento espiritual, e maturidade são de vital importância aqui - seja síntese ou análise da bíblia.

O método sintético pode ser comparado ao viajante que sobe à montanha para obter uma visão global e panorâmi­ca de toda a região que pretende conhecer e explorar deta­lhadamente. Em se tratando da Bíblia, significa estudar o conteúdo geral de cada um de seus livros antes de cuidar de sua interpretação e/ou análise. Sintetizar é abreviar, es­boçar; analisar é ampliar decompondo.

Tema do livroA revelação pessoal de Cristo em glória, em sua vinda.

Cap. 1         - A VISÃO DE CRISTO GLORIFICADO
Caps. 2,3    - A IGREJA NO PASSADO E NO PRESENTE
Cap. 4         - A IGREJA ARREBATADA
Cap. 5         - A IGREJA GLORIFICADA
Caps. 6-18  - A GRANDE TRIBULAÇÃO
Cap. 19       - A VOLTA PESSOAL DE JESUS EM GLÓRIA
Cap. 20   -O MILÊNIO E O JUÍZO FINAL
Cap. 21,22 - O PERFEITO ESTADO ETERNO

Uma palavra explicativa sobre cada ponto do esboço:

Cap. 1 - A VISÃO DE CRISTO GLORIFICADO

Trata-se de uma visão de Cristo, como Ele está atual­mente na Glória.

Caps. 2,3 - A IGREJA NO PASSADO E NO PRESENTE As sete igrejas aí mencionadas representam sete perío­dos da história da Igreja Universal como o corpo de Cristo. Para tanto, basta que se faça um confronto entre as igrejas locais mencionadas nos capítulos 2 e 3 e os períodos da história da Igreja. Quanto às 7 cartas como número representativo, compare-se o fato de que o apóstolo Paulo também escreveu a sete igrejas, quan­do, nos seus dias, existiam muito mais igrejas. Essas sete igrejas foram: Roma, Corinto, Galácia, Éfeso, Filipos, Colossos, e Tessalônica. As suas demais cartas fo­ram dirigidas a pessoas, não a igrejas.

Cap. 4 - A IGREJA ARREBATADA

O arrebatamento à altura dos fatos do capítulo 4, prefigura claramente o arrebatamento da Igreja após sua história neste mundo.

Cap. 5 - A IGREJA GLORIFICADA

Aqui temos representados os santos do Antigo e do Novo Testamento sob a forma de 24 anciãos perante o trono do Cordeiro, integrando um culto em que tomam parte todos os seres celestiais. Trata-se da Igreja já glorificada, após seu arrebatamento.

Caps. 6-18 - A GRANDE TRIBULAÇÃO

A Grande Tribulação é um período de aflição sem para­lelo que sobrevirá aos judeus e aos gentios após o arrebatamento da Igreja. Não há palavras que possam des­crever os horrores do sofrimento nesse período.
É um período de 7 anos, segundo um estudo comparati­vo da Bíblia. Os capítulos 6 a 10 abrangem a primeira metade da Tribulação, isto é, seus primeiros 3 anos e meio. Os capítulos 11 a 18 abrangem a segunda metade dessa Grande Tribulação, isto é, os últimos três anos e meio.

Cap. 19 - A VOLTA PESSOAL DE JESUS EM GLÓRIA

É a última fase da sua volta, sendo a primeira o arreba­tamento da Igreja. No arrebatamento, Jesus virá para os seus santos. Na sua volta em glória, Ele virá com os seus santos para livrar Israel, julgar as nações e estabe­lecer o Milênio.

Cap. 20 – O MILÊNIO E O JUÍZO FINAL

O Milênio é o glorioso reinado de Cristo por 1.000 anos aqui na terra.

O Juízo Final seguir-se-á ao Milênio, ocasião em que todos os ímpios falecidos desde o tempo de Adão res­suscitarão para serem julgados segundo as suas obras.

Caps. 21,22 - O PERFEITO ESTADO ETERNO

Aqui temos um quadro mostrando como serão todas as coisas depois que o pecado for julgado e banido do uni­verso, juntamente com os ímpios e o Diabo. Isto é um quadro da Terra e seus ocupantes quando Deus fizer novas todas as coisas, assim como eram no princípio.


SISTEMA DE INTERPRETAÇÃO DO APOCALIPSE

Há quatro principais sistemas ou escolas de interpreta­ção do livro de Apocalipse. É bom que cada leitor tome co­nhecimento desses sistemas, não esquecendo da advertên­cia que fizemos na introdução do livro.

Os sistemas mais conhecidos são o futurista, o históri­co, o preterista, e o simbólico.

O sistema futurista é o que imagina o livro como de cumpri­mento futuro. Considera que a Igreja será arrebatada a qualquer momento, vindo a seguir a Grande Tribulação para Israel e as demais nações da terra, com os juízos divi­nos sob as trombetas, selos e taças da ira de Deus. Há entre os futuristas alguns que ensinam que a igreja passará pelas tribulações, ignorando eles o que a Palavra de Deus decla­ra em 3.10; 1 Tessalonicenses 1.10; Romanos 5.9. Esse dia da ira do Senhor é o período da Grande Tribulação (Ap 6.17).

O sistema histórico interpreta o Apocalipse como a his­tória bíblica da Igreja, do século primeiro aos tempos atuais. No entender deles, grande parte dessas profecias já estão sendo cumpridas e as demais se estão cumprindo agora mesmo nos acontecimentos mundiais.

O sistema preterista interpreta o Apocalipse como sen­do profecias todas cumpridas. João descreveu eventos que ocorreram na terra somente na época do Império Romano. Eles manipulam datas para tudo, inclusive para os dez rei­nos como expressão final do Império Romano. Ora, fatos passados não são mais profecia, estritamente falando: são história. Entretanto, o livro de Apocalipse continua dizendo que ele é uma profecia. (Ler 1.3; 22.7,10,18,19.)

O sistema simbolista é também chamado idealista e es­piritualista. (Espiritualista, aqui, nada tem com o espiri­tismo.) Este sistema de interpretação ensina que no Apo­calipse tudo é simbólico, representando o conflito entre o bem e o mal. Nesse sistema não há nada de histórico nem de profético, e o que o livro contém são princípios funda­mentais espirituais. O sistema simbolista é, portanto, uma forma de expressão do racionalismo, infelizmente chama­do de racionalismo cristão.

Os racionalistas acham que suas próprias opiniões va­lem mais do que a Palavra de Deus. Aquilo da Bíblia que não couber em suas mentes eles recusam como absurdo, como se a Palavra de Deus dependesse do julgamento do homem. Procuram desacreditar o cumprimento literal das profecias de Daniel, Apocalipse, Zacarias, Ezequiel e ou­tros livros da Bíblia. Substituem a inspiração divina pelo raciocínio humano. Noutras palavras: divinizam a razão humana e desprezam a operação interior do Espírito San­to.

É claro que não estamos aqui para erigir um monumen­to à ignorância, mas também não vamos para o outro ex­tremo e endeusar a sabedoria humana, como habilmente se expressa o respeitado pastor e professor João Pereira de Andrade e Silva.

Os ensinos bíblicos dos racionalistas, sendo produto ex­clusivo da razão humana, são aparentemente perfeitos, mas... sem vida. São como uma flor artificial - quase per­feita, mas sem vida e sem perfume! Na linguagem mais franca chamemos os racionalistas dehumanistas. São discípulos da filosofia maldita de John Dewey, cujo Mani­festo Humanista, publicado em 1932 continua sua obra de­molidora, negando o sobrenatural e exaltando apenas a ciência e a cultura humanas. A princípio era o humanismo apenas uma filosofia. Hoje é uma religião, um princípio de vida, com multidões de seguidores, dentre todas as cama­das e no mundo inteiro, inclusive influindo em algumas igrejas.

Bibliografia Pr Antonio Gilberto

O estilo do livro

Apocalipse e o título alternativo Revelação vêm das palavras grega e latina que significam “desvendar”. O nome Apocalipse foi dado a toda uma classe da literatura judaica que surgiu principalmente entre os anos 200 a.C. e 100 d.C., conhecida por “literatura apocalíptica”. É comumente aceito que a Bíblia contém exemplos desse tipo de literatura, especialmente os livros de Daniel e o Apocalipse de João.

Uma comparação entre o Apocalipse de João e outros escritos não-bíblicos deste tipo, de fato, mostra muitas afinidades entre si. Ver­dades que não podem ser descobertas por investigação normal (por exemplo o futuro, ou coisas do reino espiritual) são reveladas geral­mente através da mediação de anjos, em meio a cores vividas, tais como estrelas e montanhas, monstros e demônios, e esquemas complexos de números.

Este tipo de simbolismo é óbvio no livro de João. Mas é notável a ausência de certas características da literatura apocalíptica. Os escritores da literatura apocalíptica geralmente atribuíam suas visões a algum famoso personagem do passado, como se fossem Enoque ou Esdras descrevendo o que eles haviam visto. Mas o Apocalip­se afirma ter sido escrito por João que, mesmo que fosse um pseudô­nimo, não combina com o estilo da literatura apocalíptica. O livro se apresenta como uma profecia (1:3) e conta com a atividade de Deus e a resposta moral do homem como partes integrantes da vida atual, da mesma forma como os antigos profetas fizeram, o que não ocorre na literatura apocalíptica.

Mas, em um sentido mais profundo, há semelhanças importan­tes. O solo que produziu Enoque, Esdras e outros foi uma comuni­dade judaica extremamente consciente de sua condição precária em meio a um mundo cheio de grandes potências inimigas. A voz desses escritores era a da minoria oprimida, exigindo em vão seus direitos e confortando-se com a perspectiva de ser vindicada no futuro. Todos os escritores apocalípticos, como João, viram as coisas bem contras­tadas, “em preto e branco”, por assim dizer. Eles eram, ao mesmo tem­po, extremamente pessimistas, para os quais as coisas iam tão mal que somente Deus poderia consertá-las. E no outro extremo eram com­pletamente otimistas, olhando para o futuro, quando Deus agiria con­sertando todas as coisas.

Essa atitude, acompanhada de muitas outras características tí­picas do estilo apocalíptico, é claramente refletida por João quando ele escreveu o Apocalipse. “O Deus dos espíritos dos profetas” colo­cou juntos o homem e o método, e o resultado foi um livro destinado (com uma eficiência divina) a relembrar a outra minoria oprimida, a igreja cristã, de como as coisas são, realmente, no reino espiritual.

As circunstâncias do livro

O Apocalipse foi enviado como uma carta circular às igrejas existen­tes em sete cidades da Ásia Menor, e deveria ser lido em voz alta nas reuniões. Era uma mensagem dirigida às necessidades reais do povo do primeiro século. As igrejas já haviam sido estabelecidas há tempo suficiente para que demonstrassem uma gama variada de condições espirituais, que ia da constante devoção até uma decadente lassidão. Por isso, a mensagem do Apocalipse é dupla. A mensagem trouxe estímulo, duma maneira tipicamente apocalíptica, aos cristãos que estavam sob grande pressão, assegurando-lhes que os inimigos seriam destruídos e que no final Deus triunfaria. Por outro lado, agora não mais em estilo apocalíptico, e sim profético, o Apocalipse desafia os cristãos a combater as sutis forças do mal, mesmo que estas se encontrem dentro de si mesmos. Satanás deve ser vencido e a Cristo deve ser dado o lugar que por direito lhe pertence, aqui e agora, na vida espi­ritual e moral dos cristãos.

O Império Romano, poderoso em muitos sentidos, tinha entre suas práticas uma que se tornou a causa fundamental das grandes provações experimentadas pela igreja, no princípio. Essa prática era a “adoração ao imperador”, que obrigava um crescente número de cristãos a fazer uma escolha pública entre César e Cristo. Todas as épocas têm um teste equivalente para provar a verdadeira lealdade cristã. Para os cristãos do tempo de João, o teste era serem perseguidos e martirizados.

Esta situação de perseguição sofrida pelas igrejas descritas no Apocalipse serve como ponteiro para nos ajudar a determinar a data do livro. Certamente o livro foi escrito quando a igreja estava bem estabelecida, mas também o pior da perseguição estava ainda por desabar sobre ela.

Alguns estudiosos combinam esses fatores com cálculos basea­dos nas declarações encontradas em 13:18 ou 17:10, para afirmar que o livro foi escrito no final do reinado de Nero (de 54-68 d.C.) ou du­rante o de Vespasiano (69-79 d.C.), o que é menos convincente. As evi­dências mais fortes parecem favorecer uma data posterior, durante a última parte do reinado de Domiciano (81-96 d.C.)

Dessa forma, se a opinião tradicional acerca da autoria do livro é correta, tendo sido de fato escrito por João, este estaria pelos oiten­ta anos de idade quando teve a visão em Patmos. Não há nada, no contexto, contra esta posição. Moisés, outro grande profeta, teve a primeira visão da glória de Deus quando estava com oitenta anos (Atos 7:23-24). Mas há outras razões pelas quais há dúvidas acerca da autoria apostólica. Os argumentos são centralizados na relação existente entre os cinco livros atribuídos ao apóstolo João (o Evangelho, as três Epístolas e o Apocalipse), e na possível existência de uma segunda e até mesmo uma terceira pessoa com o mesmo nome. Guthrie conclui suas quinze páginas de discussão sobre o assunto com as seguintes pa­lavras: “Extrair algo conclusivo ou mesmo satisfatório de toda uma massa de conjecturas parece ser impossível. A linha mais segura de evidência parece mesmo ser a da tradição de que João, o apóstolo, foi quem escreveu o livro. Pelo menos, se esta afirmação é correta, ela ex­plica o aparecimento da tradição, o que nenhuma das outras faz sa­tisfatoriamente. Ainda assim muitos preferem deixar a questão da au­toria em aberto.” De qualquer forma, o “João” do Apocalipse faz a reivindicação apostólica de que, apesar de ser o escritor do livro, o autor verdadeiro não é outro senão o Senhor Jesus Cristo. “Não há nenhum outro livro nas Escrituras que comece com palavras tão so­lenes; nenhum que faça uma afirmação tão contundente de sua ins­piração como o Apocalipse o faz!”

A interpretação do livro

Mas o quê — e esta é a pergunta mais importante — o que significa isso? As inumeráveis tentativas para explicar o Apocalipse podem ser classificadas de várias formas. São muitas as opiniões acerca de sua estrutura. Lutero tinha muita razão quando disse: “Cada um pensa deste livro qualquer coisa que lhe seja revelada por seu próprio espí­rito.” As opiniões acerca dos fatos históricos descritos no livro são, em termos gerais, de quatro tipos: a visão preterista, segundo a qual o Apocalipse descreve em linguagem velada os eventos relacionados aos dias de João, e nada mais; a visão futurista, segundo a qual o li­vro todo é uma profecia de eventos ainda por acontecer; a visão historicista, segundo a qual o livro é uma descrição da totalidade da his­tória da igreja desde a primeira vinda de Cristo até a segunda, indo um pouco além disso; e a visão idealista, segundo a qual, entre men­sagens para a igreja do primeiro século e profecias acerca do tempo futuro, o Apocalipse mostra princípios sempre válidos na experiên­cia cristã. As opiniões também estão divididas acerca da questão do “milênio”, o período de mil anos descrito no capítulo vinte; pré-milenismo, pós-milenismo e amilenismoque veremos no decorrer do trimestre em areiabranca.com.

É impossível a um comentarista não adotar um desses pontos de vista, do contrário seu comentário se torna água com açúcar. Esta ex­posição do Apocalipse adota, como não poderia deixar de ser, uma determinada escola de interpretação que se tornará evidente a todos aqueles que entendem deste assunto. E isso, não tanto por defender certas ideias preconcebidas, mas porque a leitura honesta do livro pa­rece apontar uma direção determinada. No entanto, procuro evitar o uso irritante de expressões do tipo “é claro que” e “é óbvio que”, em afirmações que, para pessoas de outros pontos de vista, não pareçam tão claras e nem sejam tão óbvias!

O uso do livro

A convicção de que o Apocalipse realmente pretende revelar a verdade, e não obscurecê-la, e que seus tesouros realmente se encontram à superfície — bastando procurá-los usando a luz adequada — não é, de ma­neira alguma, o mesmo que dizer que o significado do livro ressaltará para nós com toda clareza, com precisão e com lógica. É evidente que Deus não despreza a comunicação verbal, porque seu próprio filho foi chamado de “o Verbo”. Mas as palavras de Deus, suas declarações, argumentos e raciocínios foram manifestados quando João se encontrava na ilha de Patmos. O que Deus reservou como revelação final de sua von­tade para com o homem são palavras de um tipo diferente das anterio­res: a revelação em Patmos é uma palavra dramatizada, uma palavra ativa, pintada e preparada para ser executada como uma sinfonia: uma pala­vra que pode ser vista, sentida e experimentada.

Não há nenhuma vantagem em ler o Apocalipse como se fosse um tratado teológico ao estilo de Paulo apenas usando um vocabu­lário diferente, ou como uma história projetada para o futuro, ao es­tilo de Lucas. Pode-se analisar um arco-íris, o vinho da comunhão e até a água do batismo. Mas essas coisas não são para serem analisa­das, e sim, para serem usadas e apreciadas.

Nós, que estamos no século XXI, precisamos entender isso melhor do que todos os outros. Vivemos em uma era pós-literária que, cansada de palavras, começa a comunicar-se nova­mente através de figuras. Assim, a televisão substitui o rádio, e o subs­tantivo “imagem” volta a ser utilizado com várias conotações moder­nas. Deus sabia disso tudo desde o princípio. E como seus filhos já receberam muito de teologia sistemática, Deus agora oferece um ma­ravilhoso livro de figuras para ser apreciado, tão educativo quanto os outros, apenas de maneira diferente.

Figuras, potentes imagens da verdade cristã para serem usadas, é isso que nos é oferecido no Apocalipse. Isso é bem evidente quando nos lembramos do fascínio “para refrescar o espírito” que Lucy Pevensie encontrou no Livro Mágico. Quando o livro se fechou, o fas­cínio começou a desaparecer de sua mente até que ela só conseguiu lembrar-se de que a visão “era acerca de uma taça, uma espada, uma árvore e uma colina verde.” São as imagens que permanecem. As páginas do Apocalipse estão repletas de imagens para que a nossa ima­ginação, bem como as nossas mentes, possam captar os conceitos-chaves da fé cristã. Assim, até que o noivo retorne, até que a Jerusalém celestial desça do céu, e até que raie o dia do casamento, devemos fa­zer isso, em memória do Senhor.


Bibliografia M. Wilcock,comentario biblico apocalipse +ebareiabranca.com
rituras. 




                                DOUTRINA DA MORTE.

                                   O DILEMA EXISTENCIAL HUMANO

Toda criatura humana enfrenta esse dilema. Não foi sua escolha vir ao mundo, mas não consegue fugir à realidade do fim de sua existência. O dilema existencial resulta da realidade da morte que tem que ser enfrentada. Em Eclesiastes, o pregador diz: “Todos vão para um lugar; todos são pó e todos ao pó voltarão”, Ec 3.20,21. São palavras da Bíblia e não de nenhum materialista contemporâneo. Quanto à realidade da vida e da morte, o homem é, dentro da criação, o único que sabe que vai morrer. Analisemos alguns sistemas filosóficos os quais discutem esse assunto.
Existencialismo. Seu interesse é, essencialmente, com as questões inevitáveis de vida e morte. Preocupa-se com a vida, mas reconhecem a presença da morte constante na existência humana. Os seus filósofos vêem a morte como o fim de uma viagem ou como um perpétuo acompanhante do ser humano desde o berço até a sepultura. Para eles, a morte é um elemento natural da vida.
Ora, essas idéias são refutadas pela Bíblia Sagrada. A morte nada tem de natural. É algo inatural, impróprio e hostil à natureza humana. Deus não criou o ser humano para a morte, mas ela foi manifestada como juízo divino contra o pecado (Rm 1.32). Foi introduzida no mundo como castigo positivo de Deus contra o pecado (Gn 2.17; 3.19; Rm 5.12,17; Rm 6.23; 1 Co 15.21; Tg 1.15).
Materialismo. Não admite as coisas espirituais. Do ponto de vista dos materialistas, tudo é matéria. Entendem que a matéria é incriada e indestrutível substância da qual todas as coisas se compõem e à qual todas se reduzem. Afirmam ainda que, a geração e a corrupção das coisas obedecem a uma necessidade natural, não sobrenatural, nem ao destino, mas às leis físicas. Portanto, o sentido espiritual da morte não é aceita pelos materialistas.
O cristão verdadeiro não foge à realidade da morte, mas a enfrenta com confiança no fato de que Cristo conquistou para Ele a vida após a morte — a vida eterna (Jo 11.25).
 Estoicismo. Os estóicos seguem a idéia fatalista que ensina que a morte é algo natural e devemos admiti-la sem temê-la, uma vez que o homem não consegue fugir do seu destino.
Platonismo. O filósofo grego Platão ensinava que a matéria é má e desprezível, só o espírito é que importa. Porém, não é assim que a Bíblia ensina. O corpo do cristão, a despeito de ser uma casa material, temporária e provisória, é templo do Espírito Santo (1 Co 3.16,17). Somos ensinados a proteger o corpo para a manifestação do Espírito de Deus.

                                    DEFINIÇÃO BÍBLICA PARA A MORTE

     O sentido literal e metafórico da palavra morte.
a) Separação. No grego a palavra morte é thanatos que quer dizer separação. A morte separa as partes materiais e imateriais do ser humano. A matéria volta ao pó e a parte imaterial separa-se e vai ao mundo dos mortos, o Sheol-Hades, onde jaz no estado intermediário entre a morte e a ressurreição (Mt 10.28; Lc 12.4; Ec 12.7; Gn 2.7).
b) Saída ou partida. A morte física é como a saída de um lugar para outro (Lc 9.31; 2 Pe 1.14-16).
c) Cessação. Cessa a existência da vida animal, física (Mt 2.20).
d) Rompimento. Ela rompe as relações naturais da vida material. Não há como relacionar-se com as pessoas depois que morrem. A idéia de comunicação com pessoas que já morreram é uma fraude diabólica.
e) Distinção. Ela distingue o temporal do eterno na vida humana. Toda criatura humana não pode fugir do seu destino eterno: salvação ou perdição (Mt 10.28).
O sentido bíblico e doutrinário da morte.a) A morte como o salário do pecado (Rm 6.23). O pecado, no contexto desse versículo, é representado pela figura de um cruel feitor de escravos que dá a morte como pagamento. O salário requerido pelo pecado é merecidamente a morte. Como pagamento, a morte não aniquila o pecador. A verdade que a Bíblia nos comunica é que a morte não é a simples cessação da existência física, mas é uma conseqüência dolorosa pela prática do pecado, seu pagamento, a sua justa retribuição. Quando morre, o pecador está ceifando na forma de corrupção aquilo que plantou na forma de pecado (Gl 6.7,8; 2 Co 5.10). Portanto, a morte física é o primeiro efeito externo e visível da ação do pecado (Gn 2.17; 1 Co 15.21; Tg 1.15).
b) A morte é sinal e fruto do pecado. O homem vive inevitavelmente dentro da esfera da morte e não pode fugir da condenação. Somente quem tem a Cristo e o aceitou está fora dessa esfera. Só em Cristo o homem consegue salvar-se do poder da morte eterna. Tiago mostra-nos uma relação entre o pecado e a morte, quando diz: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte”, Tg 1.14,15. O pecado, portanto, frutifica e gera a morte.
c) A morte foi vencida por Cristo no Calvário. A resposta única, clara, evidente e independente de quaisquer idéias filosóficas a respeito da morte é a Palavra de Deus revelada e pronunciada através de Cristo Jesus no Calvário (Hb 1.1). Cristo é a última palavra e a única solução para o problema do pecado e a crueldade da morte (Rm 5.17).

                                        TIPOS DISTINTOS DE MORTE

A Bíblia fala de três tipos distintos de mortes: física, espiritual e eterna.
Morte física. O texto que melhor elucida esta morte é 2 Sm 14.14, que diz: “Porque certamente morreremos e seremos como águas derramadas na terra, que não se ajuntam mais”. O que acontece com o corpo morto quando é sepultado? Depois de alguns dias, terá se desfeito e esvaído como águas derramadas na terra. E isso que a morte física acarreta literalmente.
Morte espiritual. Este tipo tem dois sentidos na perspectiva bíblica: negativo e positivo. No sentido negativo, a morte pode ser identificada pela expressão bíblica “morte no pecado”. E um estado de separação da comunhão com Deus. Significa estar debaixo do pecado, sob o seu domínio (Ef 2.1,5). O seu efeito é presente e futuro. No presente, refere-se a uma condição temporal de quem está separado da vida de Deus (Ef 4.18). No futuro, refere-se ao estado de eterna separação de Deus, o que acontecerá no Juízo Final (Mt 25.46).
No sentido positivo é a morte espiritual experimentada pelo crente em relação ao mundo. Isto é: a sua pena do pecado foi cancelada e, agora vive livre do domínio do pecado (Rm 6.14). Quanto ao futuro, o cristão autêntico terá a vida eterna. Ou seja: a redenção do corpo do pecado (Ap 21.27; 22.15).
Morte eterna. É chamada a segunda morte, porque a primeira é física (Ap 2.11). Identificada como punição do pecado (Rm 6.23). Também denominada castigo eterno. E a eterna separação da presença de Deus — a impossibilidade de arrependimento e perdão (Mt 25.46). Os ímpios, depois de julgados, receberão a punição da rejeição que fizeram à graça de Deus e, serão lançados no Geena (Lago de Fogo) (Ap 20.14,15; Mt 5.22,29,30; 23.14,15,33). Restringe-se apenas aos ímpios (At 24.15). Esse tipo de morte tem sido alvo de falsas teorias que rejeitam o ensino real da Bíblia. 
A morte é a prova máxima da fé cristã, que produz nos crentes uma consciência de vitória (1 Pe 4.12,13). Os sofrimentos e aflições dessa vida são temporais, e aperfeiçoam nossa esperança para enfrentar a morte física, que se constitui num trampolim para a vida eterna. Ela se torna a porta que se abre para o céu de glória. Quando um cristão morre, ele descansa, dorme (2 Ts 1.7). Ao invés de derrota, a morte significa vitória, ganho (Fp 1.21). A Bíblia consola o cristão acerca dos mortos em Cristo quando declara que a morte do crente “é agradável aos olhos do Senhor”, Sl 116.15. Diz também, que morrer em Cristo é estar “presente com o Senhor”, 2 Co 5.8.

                                       A VIDA DEPOIS DA MORTE

São vários os argumentos que reforçam a doutrina bíblica sobre a vida além-túmulo.
Argumento histórico. Se a questão da vida além-morte estivesse fundamentada apenas em teorias e conjecturas filosóficas, ela já teria desaparecido. Mas as provas da crença na imortalidade estão impressas na experiência da humanidade.
Argumento teleológico. Procura provar que a vida do ser humano tem uma finalidade além da própria vida física. Há algo que vai além da matéria de nossos corpos, é a parte espiritual. Quando Jesus Cristo aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção, estava, de fato, desfazendo a morte espiritual e concedendo vida eterna, a imortalidade (2 Tm 1.10). A vida humana tem uma finalidade superior, uma razão de ser, um desígnio.
Argumento moral. Há um governador moral dentro de cada ser humano chamado consciência que rege as suas ações. Sua existência dentro do espírito humano indica sua função interna, como um sensor moral, aliado à soberania divina.
Argumento metafísico. Os elementos imateriais do ser humano denunciam o sentido metafísico que compõe a sua alma e espírito. Esses elementos são indissolúveis; portanto, como evitar a realidade da vida além-morte? É impossível! A palavra imortalidade no grego é athanasia e significa literalmente ausência de morte. No sentido pleno, somente Deus possui vida total, imperecível e imortal (1 Tm 1.17). Ele é a Fonte de vida eterna e ninguém mais pode dá-la. No sentido relativo, o crente possui imortalidade conquistada pelos méritos de Jesus no Calvário (2 Tm 1.8-12).

                                O QUE NÃO É ESTADO INTERMEDIÁRIO

Não é Purgatório. Heresia lançada pelos católicos romanos para identificar o Sheol-Hades como lugar de prova, ou de segunda oportunidade, para as almas daquelas pessoas que não conseguiram se purificar o suficiente para galgarem o céu. Declara a doutrina romana que é uma forma desses mortos serem provados e submetidos a um processo de purificação. Entretanto, essa doutrina não tem base na Bíblia e é feita sobre premissas falsas. Se o Purgatório fosse uma realidade, então a obra de Cristo não teria sido completa. Se alguém quer garantir sua salvação eterna, precisa garanti-la em vida física. Depois da morte, só resta a ressurreição.
Não é o Limbus Patrum. O vocábulo limbus significa borda, orla. A idéia é paralela ao Purgatório e foi criada pelos católicos romanos para denotar um lugar na orla ou na borda do inferno, onde as almas dos antigos santos ficavam até a ressurreição. Ensina ainda essa igreja que o limbus patrum (pais) era aquela orla do inferno onde Cristo desceu após sua morte na cruz, para libertar os pais (santos do Antigo Testamento) do seu confinamento temporário e levá-los em triunfo para o céu. Identificam “o seio de Abraão” como sendo o limbus patrum (Lc 16.23). Mas, o limbus patrum não tem apoio bíblico, e nem existe uma orla para os pais (santos antigos).
Não é o Limbus Infantus. A palavra infantus refere-se à crianças. Na doutrina romana, havia no Sheol-Hades um lugar especial de habitação das almas de todas as crianças não batizadas. Segundo essa doutrina, nenhuma criança não batizada pode entrar no céu. Por outro lado, é inaceitável a idéia do limbus infantus como um lugar de prova, também, para crianças.
 Não é um estado para reencarnações. Não é um lugar de migrações e perambulações espaciais.
Os espíritas gostam de usar o texto de Lucas 16.22,23, para afirmarem que os mortos podem ajudar os vivos. Mas Jesus, ao ensinar sobre o assunto, declarou que era impossível que Lázaro ou algum outro que estivesse no Paraíso saísse daquele lugar para entregar mensagem aos familiares do rico. Jesus disse que os vivos tinham “a Lei e os Profetas”, isto é, eles tinham as Escrituras. Os mortos não podiam sair de seus lugares para se comunicarem com os vivos. Portanto, é uma fraude afirmar essa possibilidade de comunicação com os mortos. Usam equivocadamente João 3.3 para defenderem a idéia da reencarnação. Vários textos bíblicos anulam essa falsa doutrina (Dt 18.9-14; Jó 7.9,10; Ec 9.5,6; Lc 16.31).

                                     O QUE É ESTADO INTERMEDIÁRIO

 É uma habitação espiritual fixa e temporal. Biblicamente, o Estado Intermediário é um modo de existir entre a morte física e a ressurreição final do corpo sepultado. No Antigo Testamento, esse lugar é identificado como Sheol (no hebraico), e no Novo Testamento como Hades (no grego). Os dois termos dizem respeito ao reino da morte (Sl 18.5; 2 Sm 22.5,6). É um lugar espiritual em que as almas e espíritos dos mortos habitam fixamente até que seus corpos sejam ressuscitados, para a vida eterna ou para a perdição eterna. E o estado das almas e espíritos, fora dos seus corpos, aguardando o tempo em que terão de comparecer perante Deus.
 E um lugar de consciência ativa e ação racional. Segundo Jesus descreveu esse lugar, o rico e Lázaro participam de uma conversação no Sheol-Hades, estando apenas em lados diferentes (Lc 16.19-31). O apóstolo Paulo descreve-o, no que tange aos salvos, como um lugar de comunhão com o Senhor (2 Co 5.6-9; Fp 1.23). A Bíblia denomina-o como um “lugar de consolação”, “seio de Abraão” ou “Paraíso” (Lc 16.22,25; 2 Co 12.2-4). Se fosse um lugar neutro para as almas e espíritos dos mortos, não haveria razão para Jesus identificá-lo com os nomes que deu. Da mesma forma, “o lugar de tormento” não teria razão de ser, se não houvesse consciência naquele lugar. Rejeita-se segundo a Bíblia, a teoria de que o Sheol-Hades é um lugar de repouso inconsciente. A Bíblia fala dos crentes falecidos como “os que dormem no Senhor” (1 Co 15.6; 1 Ts 4.13), e isto não refere-se a uma forma de dormir inconsciente, mas de repouso, de descanso. As atividades existentes no Sheol-Hades não implicam que os mortos possam sair daquele lugar, mas que estão retidos até a ressurreição de seus corpos para apresentarem-se perante o Senhor (Lc 16.19-31; 23.43; At 7.59).

                      O SHEOL-HADES, ANTES E DEPOIS DO CALVÁRIO

Antes do Calvário. O Sheol-Hades dividia-se em três partes distintas. Para entender essa habitação provisória dos mortos, podemos ilustrá-lo por um círculo dividido em três partes. A primeira parte é o lugar dos justos, chamada “Paraíso”, “seio de Abraão”, “lugar de consolo” (Lc 16.22,25; 23.43). A segunda é a parte dos ímpios, denominada “lugar de tormento” (Lc 16.23). A terceira fica entre a dos justos e a dos ímpios, e é identificada como “lugar de trevas”, “lugar de prisões eternas”, “abismo” (Lc 16.26; 2 Pe 2.4; Jd v.6). Nessa terceira parte foi aprisionada uma classe de anjos caídos, a qual não sai desse abismo, senão quando Deus permitir nos dias da Grande Tribulação (Ap 9.1-12). Não há qualquer possibilidade de contato com esses espíritos caídos; habitantes do Poço do Abismo.
 Depois do Calvário. Houve uma mudança dentro do mundo das almas e espíritos dos mortos após o evento do Calvário. Quando Cristo enfrentou a morte e a sepultura, e as venceu, efetuou uma mudança radical no Sheol-Hades (Ef 4.9,10; Ap 1.17,18). A parte do “Paraíso” foi trasladada para o terceiro céu, na presença de Deus (2 Co 12.2,4), separando-se completamente das “partes inferiores“ onde continuam os ímpios mortos. Somente, os justos gozam dessa mudança em esperança pelo dia final quando esse estado temporário se acabará, e viverão para sempre com o Senhor, num corpo espiritual ressurreto.Essa doutrina bíblica fortalece a nossa fé ao dar-nos segurança acerca dos mortos em Cristo, e é a garantia de que a vida humana tem um propósito elevado, além de renovar a nossa esperança de estar para sempre com o Senhor. 
A maioria dos israelitas, porém, olhava para a vida com uma atitude positiva (Sl 128.5,6). O suicídio era extremamente raro, e uma vida longa era considerada bênção de Deus (Sl 91.16). A morte trazia tristeza, usualmente expressada com lamentações em voz alta e com luto profundo (Mt 9.23; Lc 8.52).Os costumes israelitas de sepultamento eram diferentes daqueles praticados pelos povos em derredor. Os túmulos dos faraós ficavam repletos de móveis e de muitos outros objetos visando proporcionar-lhes o mesmo nível de vida no além. Os cananitas colocavam uma lâmpada, um vasilhame de óleo e um vaso de alimentos no esquife de cada pessoa sepultada. Os israelitas agiam doutra forma. O corpo, envolvido em pano de linho, usualmente ungido com especiarias, era simplesmente deitado num túmulo ou enterrado numa cova. Isso não significava, porém, que não acreditassem na vida no além. Falavam da ida do espírito a um lugar que, em hebraico, era chamado She’ol ou, às vezes, mencionavam à presença de Deus). 
Várias religiões orientais, por causa do seu conceito cíclico da História, ensinam a reencarnação. Na morte, a pessoa recebe uma nova identidade, e nasce noutra vida como animal, um ser humano, ou até mesmo um deus. Sustentam que as ações da pessoa geram uma força, karma, que exige a transmigração das almas e determina o destino da pessoa na próxima existência. A Bíblia, todavia, deixa claro que agora é o dia da salvação (2 Co 6.2). Não podemos salvar-nos mediante as nossas boas obras. Deus tem providenciado por meio de Jesus Cristo a salvação total que expia os nossos pecados, e cancela a nossa culpa. Não precisamos doutra vida para cuidar dos pecados e enganos desta vida, ou de quaisquer supostas existências anteriores. Além disso: ‘E como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação [inclusive a plenitude das bênçãos da nossa herança]’ (Hb 9.27,28).” (Teologia Sistemática, Stanley M.Horton,2000,CPAD). 
“A palavra ‘Paraíso’ é de origem persa e significa uma espécie de jardim, usada simbolicamente quanto ao lugar dos justos mortos. No Paraíso, Lázaro podia conversar com o rico que ali sofria o tormento dos ímpios, havendo entre eles um ‘abismo’ intransponível (Lc 16.18-31). Depois de Sua morte Jesus esteve ‘três dias e três noites no coração da terra’ (Mt 12.40; At 2.27; Ez 31.15-17). Paulo descreve esse lugar como ‘as regiões inferiores da terra’ (Ef 4.9). Portanto, concluímos que o Paraíso em que Jesus e o malfeitor entraram estava no coração da terra. Nesta descida ao Hades, Cristo efetuou uma grande e permanente mudança na região dos salvos, isto é, nas condições dos justos mortos. Ele ‘anunciou’ a Sua vitória aos espíritos ali retidos. É o que significa a expressão de Pedro, que ‘Cristo... pregou aos espíritos em prisão...’ (1 Pe 3.18-20). A palavra usada no original implica em anunciar, comunicar; não pregar, como se entende em homilética.” (notas,O plano divino através dos séculos,Lawrence Olson,1980,cpad).
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                                                     O QUE É RESSURREIÇÃO

 Sentido original. Duas palavras gregas (anastasis e egeiró) definem o termo ressurreição. Elas claramente indicam “tornar à vida”, “levantar-se”, “erguer-se”, “despertar”, “acordar”.
 Sentido doutrinário. Ressurreição é a outorga da vida ao que havia se extinguido fisicamente. E o ato do levantamento daquilo que havia estado no sepulcro. Várias vezes nos deparamos com a expressão “ressurreição dos mortos“ (1 Co 15.12,13,21,42), que se refere a uma ressurreição geral, de justos e ímpios. Porém, quando se refere aos justos, a expressão no original é restritiva e se traduz por “ressurreição de entre os mortos”. A expressão “de entre os mortos” quer dizer os mortos tirados do meio de outros mortos.

                                  CARÁTER GERAL DA RESSURREIÇÃO

. No Antigo Testamento. Vários personagens importantes da história do Antigo Testamento demonstraram sua confiança e crença na ressurreição. Abraão cria na ressurreição (Gn 22.5, Hb 11.17-19); (Jó 19.25-27); um dos filhos de Coré, cantor, salmodiava sobre a ressurreição (Sl 49.15); o profeta Isaías cria e profetizava sobre a ressurreição (Is 26.19); Daniel, profeta e estadista, declarou sua crença na ressurreição (Dn 12.2,3); e Oséias, um profeta destacado em Israel, fez o mesmo (Os 13.14).
 No Novo Testamento. A doutrina da ressurreição foi declarada e ensinada por Jesus em seu ministério terrestre (Jo 5.28,29; 6.39,40,44,54; Lc 14.13,14; 20.35,36). Ensinada e reafirmada pelos apóstolos e os pais da Igreja primitiva (At 4.2). Em Atenas, na Grécia, Paulo pregou a Jesus Cristo e Sua ressurreição (At 17.18). Repetiu isso, também, para os filipenses (Fp 3.11), aos coríntios (1 Co 15.20), aos tessalonicenses (1 Ts 4.14-16), perante o governador Felix (At 24.15). O apóstolo João, não só relatou o ensino de Cristo sobre a ressurreição, mas ele mesmo ensinou sobre o assunto (Ap 20.4-6).

               Alguns exemplos bíblicos de ressurreições literais

a) No Antigo Testamento. A história dramática da ressurreição do filho da mulher sunamita através da oração do profeta Eliseu (2 Rs 4.32-37). Há um caso posterior mais impressionante. O profeta Eliseu já havia morrido e sido sepultado, e um grupo de moabitas, para fugir de uma perseguição inimiga, lançou o seu morto na cova onde estavam os restos mortais de Eliseu. Ao tocar os ossos do profeta o morto reviveu e se levantou sobre seus pés (2 Rs 13.20,21).
b) No Novo Testamento. Os exemplos são numerosos, começando pelo ministério pessoal de Jesus Cristo: a filha de Jairo (Mt 9.24,25); o filho de uma viúva de Naim (Lc 7.13-15); seu amigo Lázaro, em Betânia, irmão de Maria e Marta (Jo 11.43,44). Ele mesmo venceu a morte depois de três dias no sepulcro (Lc 24.6) e, para confirmar Sua vitória sobre a morte, alguns corpos de santos mortos anteriormente, ressuscitaram e foram vistos em Jerusalém (Mt 27.52,53). Mais tarde, entre os apóstolos, Pedro orou ao Senhor e fez reviver a Dorcas (At 9.37,40,41).

                                                 TIPOS DE RESSURREIÇÃO

 Nacional. É, em linguagem metafórica, a restauração e renovação do povo de Israel em termos políticos, materiais e espirituais (Dt 4.23-30; 28.62-64; Lv 26.14-25; Ez 11.17; 36.24; 37.21; Jr 24.6; Ez 36.24,28). O cumprimento cabal da profecia relativa à ressurreição nacional acontecerá na vinda pessoal do Messias, o Senhor Jesus Cristo (Zc 14.1-5).
 Espiritual. Refere-se também metaforicamente a um renascimento espiritual dos que, tendo estado mortos em delitos e pecados (Ef 2.1) foram vivificados espiritualmente (Rm 6.4). Há, no entanto, um sentido literal dessa ressurreição, no que tange à ressurreição corporal. Porém, o aspecto físico da ressurreição diz respeito aos corpos levantados das sepulturas, os quais sofrerão uma metamorfose. Isto é: uma transformação do físico para o espiritual (1 Co 15.52; 1 Ts 4.13-17).
 Física. Precisamos distinguir esse tipo de ressurreição sob dois ângulos: o temporal e o escatológico. No sentido temporal, temos o exemplo de pessoas que morreram, foram sepultadas, e pelo poder de Deus ressuscitaram; posteriormente, voltaram a morrer (2 Rs 4.32-37; Mt 9.24,25). No sentido escatológico, tanto os justos quanto os ímpios vão ressuscitar fisicamente. Os justos levantar-se-ão dos seus sepulcros na vinda do Senhor (1 Co 15.44,52; Jo 5.29). Os ímpios se levantarão, não com os santos, mas no fim de todas as coisas, no Juízo Final (Ap 20.11-15).

         EXPLICANDO A RESSURREIÇÃO DOS JUSTOS E A DOS ÍMPIOS

                                     A primeira ressurreição
a) O tempo. Divide-se em três fases distintas. A primeira fase refere-se à ressurreição de Cristo e de muitos santos do Antigo Testamento, identificados como as “primícias dos mortos” (1 Co 15.20; Mt 27.52,53); Jesus e aqueles santos ressurretos são o primeiro molho de trigo colhido (Lv 23.10-12; 1 Co 15.23). Jesus foi o grão de trigo que caiu na terra, morreu, e produziu muito fruto (Jo 12.24). Isto é: aquele grupo de pessoas de Mt 27.52,53 foi a primícia, o primeiro molho. A segunda fase refere-se à ressurreição dos mortos em Cristo na era neotestamentária, a qual se efetuará no chamamento especial por ocasião da volta do Senhor Jesus sobre as nuvens (1 Co 15.51,52; 1 Ts 4.14-17). A terceira fase da primeira ressurreição refere-se àqueles mortos no período da Grande Tribulação, os quais são chamados de “mártires da Grande Tribulação”. Refere-se ao restolho da ceifa, isto é, as respigas da colheita (Ap 6.9-11; 7.9-17; 14.1-5; 20.4,5).
b) A natureza dos corpos ressurretos. Não importa como os corpos foram sepultados, se em covas na terra, ou no fundo dos mares e rios, ou queimados. Na realidade, os mesmos corpos mortos serão ressuscitados. No caso dos mortos em Cristo, seus corpos serão transformados (1 Co 15.35-38), iguais ao corpo ressurreto de Cristo (Fp 3.21).
                                            A segunda ressurreição
a) O tempo. Já sabemos que Jesus distinguiu duas ressurreições: a dos justos e a dos ímpios (Jo 5.28,29). Alguns intérpretes entendem a ressurreição dos mortos como um só evento, num mesmo tempo. Declaram que a única distinção é que “uns ressuscitam para a vida” e outros “para a perdição”. Entretanto, essa teoria é largamente refutada. Na verdade, o tempo da segunda ressurreição acontecerá no fim de todas as coisas, após o período do Milênio na Terra, quando haverá o Juízo Final diante do Grande Trono Branco (Hb 4.13).
b) A natureza dos corpos ressuscitados dos ímpios. Quanto à ressurreição o processo será o mesmo que o dos justos. Seus corpos terão todas as partículas físicas reunidas e transformadas em corpos espirituais, mas sem qualquer glória. À semelhança dos justos no Hades, as almas e espíritos se unirão aos seus corpos sepultados para serem julgados por suas obras (Ap 20.12; Dn 12.2). Nenhuma glória, nenhuma beleza, mas totalmente inglório, para que sejam prestadas as contas perante o Supremo Juiz (Hb 4.13; Rm 2.5,6; Hb 9.27).
c) O estado final dos ímpios. Na verdade, os ímpios ressuscitarão para uma “segunda morte”, Ap 21.8. Essa “segunda morte” não significa aniquilamento, mas banimento da presença de Deus (2 Ts 1.9). Esse banimento implica que todos os ímpios serão lançados no Geena, chamado “Lago de Fogo” (Mt 25.41,46), que arde continuamente com fogo inapagável — o tormento eterno (Ap 14.10,11).


             O renascimento do Império Romano

O Novo Império Romano já é uma realidade. É através dele que o espírito do Anticristo está implantando a sua plataforma de governo.Os versículos 33-35 do capítulo 2 do livro de Daniel referem-se ao final do período dos gentios, no vale do Armagedom, onde os dez reinos escatológicos (que são uma extensão do Império Romano), serão destruídos pela pedra, que é Cristo, surgindo um novo reino.
No capítulo 7 de Daniel, temos a visão dos quatro animais que representam a história moral e religiosa desses quatro reinos: o leão — Babilônia (4); o urso — Média e Pérsia (5); o leopardo — Grécia (6); o animal terrível — Roma (7). Os dez dedos da estátua correspondem aos dez chifres do animal e aos dez da besta (Dn 2.41; 7.24; Ap 13.1; 17.12), que representam dez regiões administrativas que abrangerão um território maior do que o Antigo Império Romano. O Novo Império Romano dará apoio ao Anticristo (Dn 7.25), mas será um governo instável (Dn 2.41-43), marcado por guerras (Dn 7.24) e por sistemas políticos distintos — ferro e barro (Dn 2.33). 
O renascimento do Império Romano não é uma hipótese. Se ao término da Segunda Guerra Mundial, parecia ele utopia numa Europa humilhada e destruída, hoje mostra-se mais real do que nunca. Não importa o nome que se lhe dê: União Europeia ou Novo Império Romano. O terrível animal, visto por Daniel, acha-se prestes a pisar e a despedaçar a quantos se lhe opuserem. Esse reino, que não terá paralelo na história dos grandes impérios, devido a sua maldade, dará todo o suporte político, econômico e religioso ao Anticristo, a fim de que este venha a dominar o mundo todo.
O Senhor Jesus, porém, o abaterá, reduzindo-o a um monturo. O Rei dos reis e Senhor dos senhores não tolerará a soberba do inimigo.A Europa reunificada, por conseguinte, não é um mero fenômeno político, mas o cumprimento da profecia bíblica. É o que veremos nesta lição.

 A ORIGEM DO IMPÉRIO ROMANO

Fundada em 753 a.C, foi a cidade de Roma estendendo-se até assenhorear-se dos mais distantes e desconhecidos reinos. Seus domínios iam da Europa à Babilônia, englobando o Norte da África e o Oriente Médio.Em 66 a.C, as forças romanas chegaram à Terra Santa. Comandadas pelo general Pompeu, conquistaram o território israelita e subjugaram Jerusalém. Mostrando nenhum respeito ao vencido, Pompeu invade a Casa de Deus, escarnece dos ministros do altar e profana o Santo dos santos.O terrível animal começava a exibir suas garras.

 O IMPÉRIO ROMANO NA BÍBLIA

 A profecia de Moisés. A Europa era praticamente desabitada, quando Moisés profetizou a ascensão de Roma como a grande opressora dos filhos de Israel: “O SENHOR levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra, que voa como a águia, nação cuja língua não entenderás; nação feroz de rosto, que não atentará para o rosto do velho, nem se apiedará do moço” (Dt 28.49,50).
Foi exatamente isso o que aconteceu no ano 70 de nossa era, quando os exércitos romanos, comandados por Tito, destruíram Jerusalém, derribaram o Santo Templo e dispersaram os poucos judeus que sobreviveram à ira romana.
A profecia de Daniel. Em duas ocasiões distintas, o profeta Daniel refere-se tipologicamente ao Império Romano. No capítulo dois, descreve ele a aparência exterior deste; ao passo que, no capítulo sete, revela sua índole e caráter.
a) Sua aparência exterior. “E o quarto reino será forte como ferro; pois, como o ferro esmiúça e quebra tudo, como o ferro quebra todas as coisas, ele esmiuçará e quebrantará” (Dn 2.40).
b) Seu caráter. “Depois disso, eu continuava olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; ele devorava, e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele e tinha dez pontas” (Dn 7.7).
No capítulo 13 de Apocalipse, o Império Romano é mostrado como a base para os dois representantes de Satanás: a Besta e o Falso Profeta. Veja como as profecias de Daniel acham-se em perfeita harmonia com as de João.

 TENTATIVAS DE SE ERGUER O IMPÉRIO ROMANO

Não foram poucas as tentativas de se ressuscitar o Império Romano. O que dizer do Sacro Império Romano Germânico? Ou das tentativas da Igreja Católica em ocupar o espaço deixado pelos imperadores de Roma?No início do século XIX, o imperador francês, Napoleão Bonaparte, à frente de um formidável exército, saiu a unificar uma Europa retalhada por ódios e nacionalismos irreconciliáveis. Ele, porém, fracassou como haveria de fracassar Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial.Se por um lado, ostenta a Europa a dureza do ferro; por outro, mostra ser tão frágil quanto o barro. Além do mais, como pode o ferro unir-se ao barro?

 O IMPÉRIO ROMANO NA ERA ESCATOLÓGICA

Que ninguém se engane! A era escatológica já chegou. E uma de suas maiores evidências é o ressurgimento do Império Romano que, desta feita, terá as seguintes características:
 Apesar das aparências, estará cronicamente dividido. “E, como os artelhos eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma parte o reino será forte e por outra será frágil. Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão com semente humana, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro se não mistura com o barro” (Dn 2.42,43).
Houve um tempo na Europa que, não obstante o parentesco de seus monarcas, estavam estes sempre em guerra. Foram-se quase todos os reis, e veio a União Europeia; a situação, porém, em nada foi alterada. Os ingleses continuam a não aturar os franceses, que desconfiam dos alemães, que não se dão com os italianos, que não aturam os espanhóis...É justamente sobre bases tão frágeis que está sendo construído o Novo Império Romano.
A formação administrativa do Novo Império Romano. Tanto Daniel como João mostram o Novo Império Romano constituído a partir de dez unidades (Dn 2.41,42; Ap 13.1). Pensava-se, de início, que seria ele formado por apenas dez nações. Hoje, porém, já são 25 os países que formam a União Europeia. Como entender esta aparente contradição?
Na verdade, não são dez países; e, sim, dez regiões administrativas que abrangerão um território maior do que o Antigo Império Romano. Logo, o Novo Império Romano ocupará não somente a Europa, mas também o Norte da África e o Oriente Médio. Por conseguinte, cada região administrativa será composta por mais de um país.
 O objetivo do Novo Império Romano. Terá o Novo Império Romano, por objetivo, sustentar o governo que Satanás, através da Besta e do Falso Profeta, implantará no mundo logo após o arrebatamento da Igreja. De acordo com Apocalipse 13, o domínio do Anticristo abrangerá tanto a economia e a política como a religião. Todavia, este reino não subsistirá; Cristo fará dele um monturo.
 A destruição do Novo Império Romano. Ainda que o Império Romano se reerga, Cristo o destruirá. Nosso Senhor é aquela pedra que, sem esforço humano, abateu-se sobre a estátua vista por Nabucodonosor (Dn 2.34,35,44).
Daniel continua a descrever a ruína do Novo Império Romano, agora mostrado como aquele animal terrível: “Estive olhando até que o animal foi morto, e o seu corpo, desfeito e entregue para ser queimado pelo fogo” (Dn 7.11). Por quem foi o animal morto? Pelo Filho de Deus! E. assim, recebe o Senhor Jesus o poder, a glória e a majestade.Por mais poderosos que se mostrem os reinos deste mundo, não subsistirão ante a soberania divina. Roma dominou nações e reinos; pisou os mais aguerridos povos e humilhou os mais altivos soberanos. Mas nada poderá fazer contra o Senhor Jesus. Ele é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores.
Não tarda o dia em que o Império Romano, base do governo do Anticristo, haverá de prestar contas a Deus por todos os seus pecados e iniquidades. Ainda que renascido, não subsistirá.Senhor Jesus, quem poderá subsistir ante o teu poder? Que a honra, a força e a glória sejam-te tributadas para todo o sempre.

 “[...] Consideração das principais escolas escatológicas:
Preterista. Interpreta as profecias de Daniel e do Apocalipse como já cumpridas, com exceção de umas poucas....
Nessa visão das profecias, quase todo o livro de Daniel se cumpriu no período interbíblico (antes de Cristo) e o Apocalipse, na sua quase totalidade, foi cumprido nos primeiros três séculos da Era Cristã....
Progressista. Como o próprio nome já indica, interpreta Daniel e o Apocalipse como o desenvolvimento histórico do mundo. [...] Ela procura os cumprimentos proféticos nos grandes eventos, como o papado, a Reforma, a Revolução Francesa etc, e seus adeptos chegaram a marcar diversas datas para a volta de Cristo, sendo a principal delas a de 22 de outubro de 1844....Futurista. Segundo essa escola, quase todas as profecias de Daniel e do Apocalipse se cumprirão durante os sete anos que se seguirão ao arrebatamento da Igreja, que, por sua vez, ocorrerá repentinamente.” (ALMEIDA, A. Israel, Gogue e o Anticristo.11.ed., RJ: CPAD, 1999, pp.122-3).








          EIXO CENTRAL DO PROGRAMA ESCATOLÓGICO DIVINO

A história do plano divino em relação à humanidade tem seu eixo central na existência do povo de Israel. É o relógio pelo qual podemos acompanhar todos os eventos históricos e escatológicos do mundo. Jesus apontou-nos esse sinal de Sua vinda no sermão profético registrado em Lc 21.27-30: “E, então, verão o Filho do Homem numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, quando essas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai a vossa cabeça, porque a vossa redenção está próxima. E disse-lhes uma parábola: Olhai para a figueira e para todas as árvores. Quando já começam a brotar, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão”.
Encontramos respaldo para crer na Palavra de Deus através das profecias bíblicas cumpridas e, a se cumprirem, nos fatos da vida de Israel.
 Dispersão e regresso. Tanto as profecias sobre a dispersão do povo de Israel entre as nações quanto as referentes ao retomo à sua terra, têm tido o fiel cumprimento (Gn 12.1,2,7; Dt 32.9-11; Lv 26.33,36,37; Jr 24.6; Ez 36.24,28).
 A reunião progressiva de Israel em sua terra. Há duas importantes reuniões de Israel na sua terra que mostram a veracidade da profecia bíblica. A primeira diz respeito ao sentimento de volta ao lar que tiveram todos os israelitas dispersos pelas nações. Esse sentimento se tornou forte com o movimento sionista iniciado em 1897 por Teodoro Herzl. Pouco a pouco, sistemática e continuamente, o povo começou a voltar. Não era um simples sentimento de um homem ou de um povo e, sim, um impulso do Espírito de Deus na mente e no coração de cada judeu disperso, em cumprimento da Palavra de Deus (Jr 24.6; Ez 36.24,28).
Em 1948, Israel já estava bem instalado na Palestina e a sua proclamação pela ONU como Estado foi o clímax da efetivação da promessa divina quanto ao seu retorno.
 A segunda reunião de Israel. Esta reunião acontecerá no futuro próximo por ocasião da “angústia de Jacó”, conhecida como a Grande Tribulação (Ap 16.12-21). Esse evento escatológico será terrível e indescritível para o povo de Israel. Ele estará mobilizado para a grande batalha do Armagedom. Os reis da terra, isto é, os governantes do mundo todo estarão reunidos com seus exércitos e armas destrutivas para o maior combate já registrado na história mundial. Talvez seja esta a terceira guerra mundial. Será no clímax dessa batalha que Jesus, o Messias, anteriormente rejeitado pelos israelitas, virá e destruirá os inimigos do seu povo, e implantará o Seu reino milenial (Ap 19.11-21).
A profecia de Ezequiel 37.1-11 trata da restauração nacional, moral e espiritual de Israel. Alguns aspectos dessa profecia já tiveram o seu cumprimento e outros estão se cumprindo. Porém, o cumprimento cabal só acontecerá no período da Grande Tribulação e com a intervenção de Cristo, o Messias, em Jerusalém. Nesse período, a Igreja não estará na Terra, porque foi antes arrebatada para estar com o Senhor.

                     A DESTRUIÇÃO PROGRESSIVA DO POVO DO NORTE

Os textos de Ez 38 — 39 e Jl 2.20 tratam a respeito da profecia bíblica sobre um bloco de nações ao norte de Israel.
 As nações do Norte. Por causa da etnia dos povos que habitam aquela região vários nomes geográficos podem ser identificados. O profeta fala de Magogue, Meseque e Tubal (Ez 38.2,3), regiões ocupadas pelos antigos citas e tártaros, as quais hoje correspondem à Rússia. Nome como o de Meseque converteu-se em Moscou ou Moskva. Tubal é a moderna cidade russa de Tobolsk. Em Ez 38.2 temos a palavra “chefe”, tradução do termo rosh, dando a idéia do nome Rússia. No bloco das nações aliadas aparecem os nomes de Gômer, Togarma (Ez 38.6). Gômer veio a ser a Germânia (atual Alemanha) e, Togarma corresponde à Armênia e Turquia. Em Ez 38.5 destacam-se os persas, os etíopes e Pute. Hoje, os persas são o Irã; os etíopes, a Etiópia; e, Pute, a Líbia.
Queda e ressurgimento da confederação do Norte. Devemos entender que a queda da União Soviética não significa que a profecia tenha perdido sua validade. Na verdade, essa potência mundial está se levantando e mostrando sua força, quando se esforça para participar das conversações de paz entre Israel e os países árabes, aos quais ela sempre apoiou. Ela perdeu o seu poder sobre o aludido bloco de nações, e alguns estudiosos interpretam essa queda como algo para acontecer em plenitude no futuro. Parte dessa profecia já começou a ter o seu cumprimento porque a Rússia caiu como potência bélica e econômica.
 A Confederação do Norte combaterá a Besta na Grande Tribulação. A profecia diz que a confederação do Norte, tendo como líder Gogue, colocará seus exércitos contra a autoridade da Besta, ou seja, o Anticristo (Ez 38.2-6). A profecia indica que Gogue, chefe da terra de Magogue invadirá a terra de Israel nos últimos dias (Ez 38.8,16). É possível que essa invasão venha acontecer no período da Grande Tribulação. Os motivos principais para a invasão do “rei do norte” estão expostos em Ez 38.11,12. A idéia de “tomar o despojo e de arrebatar a presa” não é difícil entender pelo fato de a antiga União Soviética ter perdido seus principais intelectuais e cientistas (na maioria judeus), os quais retornaram para Israel. Diz a Bíblia que esse invasor será destruído pela intervenção divina (Ez 38.20), nos montes de Israel (Ez 39.4). Então, as nações da Terra reconhecerão o Deus de Israel (Ez 39.21,22). Devemos entender que essa invasão nada tem a ver com a batalha do Armagedom, e a guerra decorrente que acontecerá no início da “semana profética” de Daniel (Dn 9.27). A batalha do Armagedom se dará no final da “semana”, pois o seu líder será o Anticristo, a Besta (Zc 12.3; 14.2; Ap 16.14).

                    O RESSURGIMENTO DO ANTIGO IMPÉRIO ROMANO

Os textos de Dn 2.33,34,44; 9.24-27; 7.7,8,24,25; Ap 13.3,7; 17.12,13 são relativos à profecia sobre uma confederação de nações formada na área geográfica do antigo Império Romano.
 O sentido duplo de interpretação. Essa profecia, numa parte refere-se literalmente àquelas nações adjacentes ao Mediterrâneo, as quais formavam o núcleo do Império Romano e, na outra parte, figuradamente refere-se apenas às características daquele Império. Tal como existiu o Império Romano, também, se levantará um da mesma forma dentro da realidade atual.
 A União Européia, uma sombra do antigo Império Romano. Especula-se muito sobre a atual União Européia como um retrato dessa confederação profetizada. Não temos base consistente na Bíblia para afirmar positivamente. Mas não podemos evitar o fato de que as características dessa confederação profetizada (Dn 2.33,34,44) conferem com a profecia de Daniel. E perigoso estabelecer suposições como fatos. Por isso, o aconselhável é ficarmos dentro dos limites impostos pela profecia bíblica. No entanto, a evidência dos sinais da vinda do Senhor Jesus em nossos dias é fortalecida pela clareza da profecia e do seu cumprimento.

                                   O ARREBATAMENTO DA IGREJA
                                         ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO

Existem três escolas distintas de interpretação a respeito do arrebatamento da Igreja. Elas abrem espaço para entendermos como e quando ocorrerá esse grandioso evento.
 Pós-tribulacionista. Essa escola interpreta que a Igreja remida por Cristo passará pela Grande Tribulação.
 Midi-tríbulacionista. Ensina que a Igreja entrará no período da Grande Tribulação até a sua metade. Seus intérpretes se baseiam numa interpretação isolada de Dn 9.27, cujo texto fala que depois do opressor firmar um concerto com Israel por uma semana, “na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares”.
 Pré-tribulacionista. Podemos começar entendendo essa escola de interpretação com as palavras de Paulo aos tessalonicenses, quando escreveu: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo”, 1 Ts 5.9. Ensina que o arrebatamento da Igreja ocorrerá antes que se inicie o período da Grande Tribulação. É uma interpretação que honra as Sagradas Escrituras e ajusta-se devidamente à esperança cristã da volta do Senhor nos ares.

          DUAS PALAVRAS GREGAS RELATIVAS AO ARREBATAMENTO.

Encontramos várias palavras no grego do Novo Testamento relativas ao arrebatamento que podem aclarar nosso entendimento acerca do arrebatamento. Destacaremos duas palavras principais:
 Parousia. Literalmente quer dizer “presença”, “chegada rápida”, “visita”. É a palavra mais freqüentemente usada nas Escrituras para descrever o retorno de Cristo, pois ocorre 24 vezes. Seu sentido é abrangente porque não define apenas a volta de Cristo até ou sobre as nuvens, mas em outras vezes se refere à Sua volta pessoal à Terra (1 Co 15.23; 1 Ts 2.19; 1 Ts 4.15; 5.23; 2 Ts 2.1; Tg 5.7,8; 2 Pe 3.4). Portanto, o sentido é geral e não específico. A ênfase maior é dada à vinda corporal e visível de Cristo.
 Epiphanéia. Literalmente significa “manifestação”, “vir à luz”, “resplandecer” ou “brilhar”. O sentido é mais específico, porque se refere especialmente à vinda sobre as nuvens. É a volta pessoal de Cristo à Terra que acontecerá com uma manifestação visível e gloriosa (2 Ts 2.8; 1 Tm 6.14; 2 Tm 4.6-8). Parousia é abrangente e pode referir-se tanto à vinda de Cristo para a Igreja como para o mundo. Entretanto, epiphanéia é um termo que especifica a volta de Cristo à Terra de modo mais direto, porque diz respeito à Sua manifestação pessoal ao mundo.
 A diferença entre as duas etapas. Referente ao arrebatamento, Cristo virá até ou sobre as nuvens (1 Ts 4.17). Será de modo invisível para a Terra, porque virá para os Seus santos nos ares. Em relação à manifestação pessoal de Cristo na Terra, Ele virá sobre as nuvens, de modo visível e com os seus santos (Cl 3.4).
No primeiro evento, Cristo, pelo poder da Sua Palavra e com voz de arcanjo, arrebatará, num abrir e fechar de olhos, a Igreja remida pelo Seu sangue (1 Co 15.52). Esse arrebatamento acontecerá antes que venha o Anticristo e instale o seu domínio sobre a terra por sete anos.
O segundo evento da volta de Cristo acontecerá no final dos sete anos da Grande Tribulação, quando Ele irá destruir o domínio do Anticristo e instalar seu reino de mil anos (Ap 19.11; 20.1-60).

                      PARTICIPANTES DO ARREBATAMENTO DA IGREJA

O próprio Senhor Jesus Cristo. Diz a Escritura: “Porque o mesmo Senhor... descerá do céu” (1 Ts 4.16). O apóstolo Paulo dá ênfase ao senhorio de Jesus conquistado no Calvário quando diz : “o mesmo Senhor”. Os vivos em Cristo e os mortos salvos receberão a ordem de comando do próprio Senhor Jesus Cristo.
 O arcanjo. A tradução do texto diverge na forma, mas não anula o fato, conforme está escrito: “à voz do arcanjo” ou “com voz de arcanjo” (1 Ts 4.16). O texto de Daniel indica que o arcanjo Miguel participará do evento da segunda vinda de Cristo (Dn 12.1), mui especialmente da epiphanéia, quando Cristo, rodeado de exércitos celestiais, descerá sobre a Terra, no monte das Oliveiras (Zc 14.3,4; Ap 1.6,7). Porém, no evento do arrebatamento da Igreja, a participação do arcanjo será efetuada pela voz de comando e chamamento, a qual será ouvida apenas pelos remidos.
 Os mortos em Cristo. Naquele dia, os mortos e os vivos em Cristo ouvirão a voz de chamamento da trombeta do Senhor pelo arcanjo, e “num abrir e fechar de olhos” (1 Co 15.51,52), estarão na presença do Senhor nos ares, com corpos glorificados. A palavra “mortos” diz respeito aos santos que ressuscitarão com corpos transformados em corpo espiritual (soma pneumatikon), enquanto que, os corpos dos ímpios permanecerão em suas sepulturas até o dia do Juízo Final (Ap 20.12). Assim como Cristo ressuscitou corporalmente, também, os crentes salvos ressuscitarão corporalmente (Lc 24.39; At 7.55,56). Na lição referente à ressurreição tratamos sobre a natureza dos corpos ressurretos.
 Os vivos preparados. O mesmo poder transformador operado nos corpos dos que morreram no Senhor atuará nos corpos dos crentes vivos naquele dia. Aos tessalonicenses, Paulo declarou: “depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados” (1 Ts 4.17); e aos coríntios, também, disse: “nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados” (1 Co 15.51). Quase que simultaneamente à ressurreição dos mortos em Cristo naquele momento, os vivos em Cristo também ouvirão a voz do arcanjo, e num tempo incontável, serão transformados e arrebatados ao encontro do Senhor nos ares. Os corpos mortais serão revestidos de imortalidade, porque nada terreno ou mortal poderá entrar na presença de Deus. Será o poder do espírito sobre a matéria, do incorruptível sobre o corruptível (1 Co 15.53,54). O arrebatamento dos vivos implica livrá-los do período terrível da Grande Tribulação.

                        ELEMENTOS ESPECIAIS DO ARREBATAMENTO

Alguns elementos especiais e misteriosos indicam a natureza e procedimento do arrebatamento da Igreja na vinda do Senhor.
. Surpresa. Esse elemento é rejeitado por alguns grupos que entendem que não haverá dois eventos distintos: o arrebatamento da Igreja e a vinda pessoal de Cristo. Ora, o que a Bíblia nos ensina é que, a Igreja, constituída pelos mortos e vivos em Cristo, se encontrará nas nuvens com o Senhor. Se por alguns a idéia da surpresa é rejeitada, uma grande maioria cristã prefere o que declara as Escrituras que destacam o elemento surpresa (Tt 2.13; Mt 24.35,36,42-44; 25.13). Esse elemento é fundamental porque a Igreja vive na esperança da vinda do Senhor.
 Invisibilidade (1 Ts 4.17). Por que será um evento invisível e para quem? Será invisível para o mundo material porque os arrebatados serão constituídos somente dos transformados. A transformação será tão rápida, que nenhum instrumento cronológico terá condição de perceber ou marcar o tempo. Quando o crente conquistar esse corpo imaterial, a matéria perderá totalmente sua força (1 Co 15.43,44,49,51,53).
 Imaterialidade (1 Co 15.42, 52,53). Na verdade, a transformação que ocorrerá na vinda do Senhor será extraordinária e gloriosa, pois o que é material se revestirá do imaterial, o corruptível do incorruptível. Todas as limitações da matéria em nossos corpos serão anuladas completamente, pois, literalmente, nossos corpos serão revestidos de espiritualidade.
 Velocidade (1 Co 15.52). Para tentar explicar a velocidade do evento, Paulo usou o termo grego átomos, que aparece no texto sagrado pela expressão “num momento”, cujo sentido literal é indivisível (quanto ao tempo, aqui). A palavra átomos era usada para denotar “algo impossível de ser cortado ou dividido”. Também encontramos outras expressões bíblicas para denotar velocidade, tais como “abrir e fechar de olhos”, ou “o piscar de olhos”. Mesmo em época avançada e de velocidade da cibernética e da tecnologia, nada poderá contar e detectar o momento do milagre do arrebatamento da Igreja.  

                                         O QUE É O TRIBUNAL DE CRISTO

O apóstolo Paulo descreve em 1 Co 3.9-15, o cristão como um construtor que usa vários tipos de materiais numa construção. Assim, no sentido espiritual, o valor do seu trabalho vai depender dos materiais que usará para construir sua obra. Paulo adverte: “cada um veja como edifica” (1 Co 3.10). A construção do cristão precisa ser feita sobre um fundamento eficaz e correto, e com materiais de qualidade que dêem sustentação à sua vida espiritual.
Duas palavras distintas na língua original do Novo Testamento esclarecem bem o sentido da palavra tribunal: criterion, conforme está em Tg 2.6 e 1 Co 6.2,4; e bimá, encontrada em 2 Co 5.10, (também em Ne 8.4). O termo criterion significa “instrumento ou meio para provar ou julgar qualquer coisa”. Ou seja: “a regra pela qual alguém julga”, ou “o lugar onde se faz um juízo”, o tribunal de um juiz ou de juízes. O termo bimá comumente significa uma “plataforma ou um banco de assento onde o juiz julga”. Havia naqueles tempos tribunais militares e, também, o tribunal (bimá ou assento) da recompensa, especialmente utilizado nos jogos gregos de Atenas. Os atletas vencedores eram julgados perante o juiz da arena e galardoados por suas vitórias.

                            ASPECTOS GERAIS DO TRIBUNAL DE CRISTO

O tempo. É lógico que o tribunal não pode acontecer logo após a morte de qualquer cristão. Ele se dará por ocasião de um tempo especial e determinado depois do arrebatamento da Igreja.
 O lugar. Não há texto específico que declare o local, mas o contexto bíblico indica que, uma vez a Igreja arrebatada até as nuvens, nos céus, a instalação do tribunal de Cristo, inevitavelmente, terá de ser no céu, nas regiões celestiais.
 Os julgados. Quem será julgado no tribunal? Quais são os sujeitos desse tribunal? Indubitavelmente, as pessoas julgadas nesse tribunal são os santos remidos por Cristo. O texto de 2 Co 5.1-10 fala daqueles que lutam nesta vida para alcançarem o privilégio de serem revestidos de uma habitação espiritual no céu. Não haverá discriminação nesse lugar. Só entrarão os salvos, os remidos. Não haverá lugar nesse tribunal para julgamento condenatório.
O juiz. O apóstolo Paulo declara que o exame das obras dos crentes será realizado perante o Filho de Deus (2 Co 5.10). O próprio Jesus falou que todo o juízo é colocado nas mãos do Filho de Deus. Faz parte da exaltação de Cristo depois de Sua conquista no Calvário receber do Pai toda a autoridade e poder para julgar.

                             COMO PROCEDERÁ O TRIBUNAL DE CRISTO

A forma do exame. E claro que não se trata de examinar quem será salvo ou não. A salvação do crente implica no ato especial da misericórdia divina mediante a aceitação da obra expiatória de Cristo e a sua manutenção enquanto ele estiver neste mundo. Todo crente está livre do Juízo se permanecer fiel até o fim (Rm 8.1; Jo 5.24; 1 Jo 4.17). Então, o julgamento não tratará da questão do pecado, de condenação, uma vez que o pecado já foi abolido na vida do crente e, por isso, ele estará no céu.
 Os materiais da obra de cada crente (1 Co 3.12). O apóstolo Paulo mencionou seis diferentes materiais que, figurativamente, representam os elementos que empregamos na construção de nossa vida cristã. Os materiais são indicados como ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno e palha. Os três primeiros são resistentes ao fogo do julgamento de Cristo. Os três últimos são frágeis e não resistem ao juízo de fogo.
 A obra de cada um será provada (1 Co 3.13-15). O tribunal de Cristo avaliará os materiais que temos utilizado na construção do edifício da nossa vida cristã. As obras feitas com madeira, feno e palha serão manifestas naquele dia, e o galardão será consoante à avaliação divina. Os materiais de madeira, feno e palha são inflamáveis e perecíveis, por isso, tudo o que for construído com eles não subsistirá.
 O juízo que determinará a qualidade das obras feitas (2 Co 5.10). As obras praticadas pelo crente serão submetidas ao julgamento naquele dia para se determinar se são boas ou más. A palavra “mal” na língua grega aparece como kakosou poneros, e ambas significam aquilo que é eticamente mal. Porém, a palavra poneros, além de denotar maldade, tem o sentido de se estar praticando alguma coisa de total inutilidade. Portanto, o que Paulo entendia como obras más era a prática de coisas sem utilidade alguma, feitas com materiais espiritualmente imprestáveis.

                              EXAME FINAL NO TRIBUNAL DE CRISTO

No texto de 1 Co 3.14,15 está declarado que haverá dois resultados finais do exame (a prova do fogo) das obras manifestas: o recebimento e a perda da recompensa.
 Perda da recompensa. Esse fogo nada tem a ver com o fogo do Geena. O fogo do tribunal de Cristo é figura da luz que revela as impurezas, ou seja, a purificação. Portanto, as obras feitas por impulso carnal e para a ostentação da carne não suportarão o calor do fogo de Deus, por mais bonitas que sejam, serão desaprovadas.
 Obtenção da recompensa. As obras praticadas com materiais indestrutíveis na prova do fogo serão dignas da recompensa final. O Novo Testamento apresenta várias recompensas, mas destaca algumas relativas às atividades especiais. O próprio Senhor Jesus, Juiz desse tribunal, é quem fará a entrega dos prêmios, galardões, recompensas (2 Co 9.6). Ele declara a João, na ilha de Patmos, dizendo: “O meu galardão está comigo para dar a cada um segundo as suas obras” (Ap 22.12). O apóstolo Paulo declara, também, que todo crente receberá o seu louvor (elogio) da parte de Deus (1 Co 4.5).
Tipos de recompensas. O Novo Testamento usa uma linguagem especial dos tempos do primeiro século da era cristã relativa ao tipo de galardão que os vencedores das olimpíadas gregas e romanas recebiam como prêmio. Havia coroas de vários materiais representando o tipo de vitória conquistada por aqueles vencedores (1 Co 9.24,25).
a) A coroa da vitória (1 Co 9.25). A vida cristã se constitui numa batalha espiritual contra três inimigos terríveis: a carne, o mundo e o Diabo. Esta coroa é denominada, também, como coroa incorruptível, porque se refere à conquista do domínio do crente sobre o velho homem.
b) A coroa de gozo (1 Ts 2.19; Fp 4.1). A palavra gozo significa prazer, alegria, satisfação. Uma das atividades cristãs que mais satisfazem o coração do crente é o ganhar almas. Isto é, praticar o evangelismo pessoal e ganhar pessoas para o reino de Deus. Na busca do gozo nesta vida, nada é comparável ao de salvar almas para Cristo, livrando-as da perdição eterna. Por isso, quem ganha almas, sábio é (Pv 11.30; Dn 12.3).
c) A coroa da justiça (2 Tm 4.7,8). É o prêmio dos fiéis, dos batalhadores da fé, dos combatentes do Senhor, os quais vencendo tudo, esperam a Sua vinda.
d) A coroa da vida (Ap 2.10; Tg 1.12). Não se trata da simples vida que temos aqui. Essa coroa é um prêmio especial porque implica conquista de um tipo de vida superior à vida terrena, ou à simples vida espiritual, como a tem os anjos. É a modalidade de vida conquistada mediante a obra expiatória de Cristo Jesus — a vida eterna. E o galardão da fidelidade do crente.
e) A coroa de glória (1 Pe 5.2-4). Certos eruditos na Bíblia entendem que esta coroa é o galardão dos ministros fiéis que promoveram o reino de Deus na Terra, sem esperar recompensa material.

                                        AS BODAS DO CORDEIRO.

                                    ANALOGIA CORRETA DA PARÁBOLA

 Fundo histórico. Jesus ilustrou Seu ensino utilizando-se do costume oriental para o casamento. Depois de feitas as cerimônias religiosas, começava-se a celebração festiva do casamento. A festa podia prolongar-se por vários dias, dependendo das possibilidades do pai da noiva. Nos festejos noturnos, os convidados deviam sempre ter lâmpadas acesas. No caso da história de Jesus, o noivo atrasou. Os convidados deveriam estar devidamente preparados com azeite em suas vasilhas e nas lâmpadas. Qualquer convidado sem lâmpada era considerado um estranho e não podia entrar na festa.
Correntes de interpretação. A primeira interpretação diz que as virgens representam o remanescente judeu (144 mil) salvo no período da Grande Tribulação. A segunda distingue os dois grupos como uma representação dos crentes salvos e dos crentes apenas nominais no seio da Igreja, quando da vinda de Cristo. A terceira interpreta as dez virgens como um todo e, também, cada crente individualmente.
Quem são as dez virgens? (Mt 25.1). Não são dez pretendentes do esposo. Nem são dez igrejas cristãs que competem pelo mesmo esposo. São, na verdade, os crentes individualmente que compõem o corpo da Igreja (a esposa do Cordeiro). O número dez não tem um significado dogmático ou doutrinário e, sim, um sentido de inteireza. Representa a noiva na sua inteireza. Jesus via a Igreja como um todo, o corpo invisível em toda a Terra (1 Co 12.12,14,27). Ele via, também, a igreja local e visível, isto é, os membros em particular.
Por que as palavras “esposo” e “esposa”? No Oriente, o noivado é tão sério quanto o casamento. Na história bíblica a mulher comprometida em noivado era chamada esposa e, apesar de não estar unida fisicamente ao noivo, ela estava obrigada à mesma fidelidade como se estivesse casada (Gn 29.21; Dt 22.23,24; Mt 1.18,19). A Igreja é a esposa de Cristo porque está comprometida com Ele (Ap 19.7; 21.9; 22.17).

                AS CONDIÇÕES ESPIRITUAIS DA ESPOSA. (Mt 25.2-5)

 Duas classes de crentes: os insensatos e os cautelosos. Essas duas classes são uma realidade espiritual na Igreja de Cristo. São identificadas por Jesus como loucas e prudentes. As loucas representam os cristãos insensatos e alienados espiritualmente. São aqueles cristãos que não agem racionalmente na sua vida de fé, por isso, não sabem o que estão fazendo.
As prudentes representam os cristãos cautelosos e previdentes, que mantêm uma vida de vigilância e espiritualidade.
 Ingredientes indispensáveis para estar nas bodas. Aquelas virgens tinham vasilhas e lâmpadas (Mt 25.7-9). Mas precisavam, na verdade, ter o principal elemento: o azeite. As loucas não levaram azeite em suas vasilhas, mas as prudentes sim. Estavam devidamente preparadas. Aquelas virgens tinham que ter vestidos brancos de linho fino (Ap 19.8), lavados no precioso sangue do Cordeiro (Ap 7.14). Precisavam de calçados do Evangelho da Paz (Is 52.7; Ef 6.15). Tinham que ter com elas vasilhas para o azeite (Mt 25.4: Ef 5.18) e o próprio azeite (Mt 25.3,4), que é símbolo do Espírito Santo.

                                              O TEMPO DAS BODAS (Mt 25.6)

 O sentido do clamor da meia-noite. O texto diz: “Mas à meia-noite, ouviu-se um clamor” (Mt 25.6). Que representa a meia-noite? É o tempo do clímax da esperança da Igreja. É o fim e o princípio de um tempo (dia, dispensação, era). É a hora do silêncio total, quando todos dormem. Pode ser a consumação ou princípio de um novo dia ou tempo. Não é difícil de estabelecer o tempo desse evento. Ele acontecerá entre o arrebatamento da Igreja e a segunda fase da volta de Cristo à Terra. Ocorrerá, precisamente, logo após o julgamento das obras dos crentes no tribunal de Cristo, visto que em Ap 19.8, a esposa aparece vestida de linho fino que “são as justiças dos santos”.
 O Dia de Cristo (Fp 1.10). Na linguagem escatológica a palavra “dia” é interpretada, literal ou figuradamente, dependendo do seu contexto. Dia pode, então, representar ano, ou seja, um dia igual a um ano, conforme se percebe na profecia de Daniel capítulo 9. Destacamos no contexto bíblico quatro dias (anos, tempos) históricos para a humanidade: o “dia do homem” (1 Co 4.3), que compreende o tempo da história da humanidade; o Dia de Cristo (Fp 1.10), que diz respeito, especialmente, ao tempo de sete anos, nos quais a Igreja estará no céu e, simultaneamente, ocorrerá na Terra a Grande Tribulação; o Dia do Senhor (1 Ts 5.2), a manifestação pessoal e visível de Cristo no final da Grande Tribulação, e durará mil anos (Milênio); e, finalmente, o Dia de Deus (2 Pe 3.12,13), que é o tempo do Juízo Final e da restauração de todas as coisas, o começo do Reino eterno.
Neste estudo, o Dia de Cristo abrange três fatos escatológicos especiais, os quais são: o encontro da Igreja com Cristo nas nuvens (1 Co 15.51,52; 1 Ts 4.14-17); o tribunal de Cristo (2 Co 5.10; Fp 1.10; 2 Co 1.14; Ef 5.27); e, as bodas do Cordeiro (Ap 19.7).

                                     CARACTERÍSTICAS DAS BODAS

Lugar das bodas (Ap 19.1; 21.9). Pela ordem normal dos acontecimentos escatológicos, esse evento acontecerá no céu. Quando João declarou “ouvi no céu como que uma grande voz de uma grande multidão que dizia: Aleluia!”, ele identificou naturalmente o lugar. Alegria e triunfo pelas vitórias do Cordeiro são demonstradas e, a seguir, surge a noiva do Cordeiro já glorificada, coroada e preparada para o glorioso casamento. Entendemos, então, que o céu é o lugar mais adequado para esse acontecimento extraordinário.
 Participantes das bodas. O casamento é de Cristo e a Igreja, mas os convidados são muitos. De acordo com Dn 12.1-3 e Is 26.19-21, o Israel salvo da Grande Tribulação e os santos do Antigo Testamento são os convidados especiais. Devemos ter cuidado na interpretação desse evento para não confundirmos nem misturarmos os fatos que envolvem as bodas no céu e as bodas na Terra. No céu, as bodas são da Igreja e o Cordeiro (Ap 19.7-9). Na Terra, as bodas envolvem Israel e o Cordeiro (Mt 22.1-14; Lc 14.16-24; Mt 25.1-13). A cena das bodas no céu difere das bodas na Terra. No céu, somente a Igreja e seus convidados participarão. Na Terra, Israel estará esperando que o esposo venha convidá-lo a conhecer a esposa (a Igreja), que estará reinando com Ele no período milenial.


       A reconstrução do Santo Templo de Salomão

Você já pensou porque, atualmente, os cristãos ocidentais não valorizam o templo? Na Europa, os antiguíssimos e espaçosos templos, outrora tão frequentados, estão vazios. Isso acontece devido ao esfriamento espiritual e a dessacralização dos locais religiosos. No Brasil, apesar da enorme e crescente quantidade de templos em todas as regiões, poucos são os que realmente lhes atribuem valor sacro. Entretanto, o povo judaico sempre valorizou o templo como lugar sagrado e de adoração a Deus. Hoje, eles ainda almejam a reconstrução do Grande Templo, por considerá-lo, entre outras coisas, o símbolo da unidade da nação com o Messias. 
Os propósitos principais do Templo dos judeus foram delineados nas planícies de Moabe em 1405 a.C. Embora não haja uma referência direta ao Templo, e sim ao local onde Yahweh escolheria entre as tribos “para ali pôr o seu nome” (Dt 12.4;11,14), a narrativa de Deuteronômio é decisiva para a compreensão da importância de um santuário central. O Templo serviria para: O Senhor habitar entre o povo (v.4); Israel oferecer o seu culto (v.11); servir de unidade nacional (vv.10,14) e livrar Israel da idolatria (vv.1-3,30).
Por fim, o Templo foi construído em Jerusalém, na antiga eira de Araúna, no monte Moriá (2 Cr 3.1), em torno de 966 a.C. Após a construção do Santuário, os preceitos básicos foram transgredidos: idolatria, transferência da unidade nacional baseada no Templo para a monarquia e, por conseguinte, a glória do Senhor ausentou-se do Santuário. Sucessivas reformas procuraram restaurar o Templo: de Asa (1 Rs 14.9s.); Josias (2 Rs 22), mas estas estavam condicionadas à fidelidade do rei. O Templo é destruído e reconstruído (2 Cr 36.19,23), profanado por Antíoco Epifânio (168 a.C), reconsagrado por Judas, o Macabeu (165 a.C), reformado por Herodes (20-19 a.C), destruído pelo general Tito em 70 d.C e, por fim, ansiado pelos judeus.  
A profecia concernente à reconstrução do Santo Templo, em Jerusalém, é um dos mais eloquentes alertas quanto ao iminente retorno de Nosso Senhor Jesus Cristo. Apesar de não sabermos se o Templo será reerguido antes, ou depois, do arrebatamento da Igreja, de uma coisa temos certeza: esta profecia está prestes a se cumprir.Os achados arqueológicos, contudo, estão a levantar algumas interrogações. Onde ficava exatamente o templo? Se a mesquita de Omar ocupa, de fato, a área do antigo templo, este projeto será possível? A única coisa que sabemos é que as profecias sobre a reconstrução do Santo Templo hão de se cumprir fielmente, como fielmente cumpriram-se as profecias a respeito da restauração nacional de Israel em 14 de maio de 1948.

O QUE É O SANTO TEMPLO

O Santo Templo construído por Salomão não pode ser visto apenas como um assombro arquitetônico; é a concretização de um ideal que, tendo início com os patriarcas, fez-se realidade com o suntuoso edifício que o filho de Davi ergueu em Jerusalém (Gn 28.10-17; 1 Rs 5-8).
Definição. O Santo Templo, por conseguinte, é o santuário por excelência do povo israelita, onde não somente este, como também os gentios, deveriam adorar e buscar ao Deus Único e Verdadeiro em espírito e verdade (Mc 11.17).
 Conceito teológico. Edificado em Jerusalém, possuía o Santo Templo uma função teologicamente missionária: atrair os gentios ao Deus de Abraão (2 Cr 6.32,33; Mt 12.42), fazendo com que estes, juntamente com os judeus, viessem a constituir-se num só povo em Cristo Jesus.
Infelizmente, o Santo Templo foi transformado, por reis infiéis e apóstatas, num centro ecumênico, onde cada povo tinha ali um altar para o seu deus (1 Rs 11.1-13). Dessa forma, Israel perdeu a sua maior oportunidade de expandir o Reino de Deus até aos confins da terra.

 O TEMPLO DE SALOMÃO

A construção do Santo Templo teve início por volta do ano 966 a.C. O autor sagrado dedica a este empreendimento três capítulos do 1º Livro dos Reis. Terminada a obra, que consumiu os sete primeiros anos do glorioso reinado de Salomão, e que mobilizou todo o Israel e os países vizinhos, assim testemunha o cronista com respeito à glória do Senhor que sobreveio àquele santuário:
 A glória do Senhor enche o templo. “A casa se encheu de uma nuvem, a saber, a Casa do Senhor; e não podiam os sacerdotes ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor encheu a Casa de Deus” (2 Cr 5.13.14).
A glória do Senhor deixa o templo. Salomão, que tão bem começara o seu reinado, desvia-se do Senhor para seguir os deuses de suas muitas mulheres gentias (1 Rs 11.1-13). E, assim, induz Israel à apostasia. Em consequência, o Senhor decide destruir Jerusalém e, com esta, o Santo Templo (Jr 7.1-16).
Antes, porém, que viessem os exércitos babilônicos, retira Ele a sua glória do lugar santíssimo (Ez 11.23). Como haviam predito os profetas, a Casa de Deus é posta em desolação por 70 anos (Dn 9.2).

 A RECONSTRUÇÃO DO SANTO TEMPLO

O templo de Zorobabel. Terminados os 70 anos de exílio, suscita o Senhor o espírito de Zorobabel, a fim de que reconstrua o Santo Templo (Ed 3.1-13). Passados quase cinco séculos, eis que Herodes põe-se a reformá-lo, objetivando transformá-lo numa das mais notáveis edificações do Império Romano. Neste empreendimento, o perverso monarca compromete quarenta e seis anos de seu governo (Jo 2.20). A construção era sobremodo majestosa, servindo inclusive de introdução ao Sermão Profético de Nosso Senhor (Mc 13.1).
No ano 70, os exércitos romanos, sob o comando de Tito, destroem completamente o Santo Templo, conforme antecipara o Senhor Jesus (Mt 24.2). Desde então, os judeus, privados de seu santuário, não mais puderam oferecer a Deus os sacrifícios prescritos no Antigo Testamento. Mas, com muito anelo, aguardam a reconstrução do Santo Templo em Jerusalém.
O templo da 70ª Semana. Eis as profecias que fazem referência à reconstrução do templo da 70ª Semana.
a) Daniel (Dn 9.27); b) Jesus (Mt 24.15); c) Paulo (2 Ts 2.3-9).
O templo do Milênio. Este templo, por suas características descritas por Ezequiel, difere do templo da 70ª Semana pois será edificado sobre um monte localizado na parte central do território sagrado dos sacerdotes (Ez 40.2). Os seus átrios serão murados para se evitar a sua profanação (Ez 48.8-22). Neste templo, a glória de Deus haverá de manifestar-se a Israel e ao mundo. E sobre ambos os povos estará governando o Cristo de Deus como o Rei dos reis e Senhor dos senhores. 
Apesar da importância profética do Santo Templo, nós, que recebemos a Cristo Jesus como o nosso Salvador e Redentor, devemos ter sempre em mente as palavras de Cristo àquela samaritana que se achava mui preocupada com o verdadeiro lugar de adoração: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.23,24).A reconstrução do Santo Templo, entretanto, deve ser encarada como um dos mais fortes sinais da volta de Cristo Jesus. Não sabemos quando se dará este fato: antes ou depois do arrebatamento? O que realmente sabemos é que Cristo em breve virá buscar a sua Igreja.
Querido Jesus, os sinais tornam-se cada vez mais fortes e extraordinários. Não permitas que os teus filhos adormeçam na incredulidade. Ajuda-nos a ser mais precavidos. Em teu nome. Amém! 
 “O Templo que será erguido e que certamente será profanado pelo Anticristo tem sido bastante discutido pelos judeus de todo o mundo. Quando Israel conquistou a parte velha da cidade de Jerusalém com as ruínas do Templo, em 1967, o velho historiador judeu Israel Eldad, segundo citação da ‘Revista Time’, teria dito: ‘Agora estamos no mesmo ponto em que Davi estava, quando libertou Jerusalém das mãos dos jebuseus’. E acrescentou: ‘Daquele dia até o momento em que Salomão construiu o Templo passou-se apenas uma geração. Assim também acontecerá conosco’.
Recentemente declarou um rabino judeu: ‘Estamos prestes a ver o grande Templo reconstruído’, isto é, o Templo da Grande Tribulação. E, sendo indagado por um Jornal bastante badalado: ‘Quem o reconstruirá: os judeus ou o Anticristo?’ Ele respondeu: ‘O Templo é chamado de ‘...o Templo de Deus’ (Dn 8.11,14; Mt 24.15; 2 Ts 2.4; Ap 11.1) e, evidentemente só os judeus (ou através deles) serão autorizados por Deus para sua construção’.
[...] É sabido hoje que já há projeto em Israel para a construção do Novo Templo. Os judeus políticos dizem: A construção do Templo será um ato político de primeira categoria, pois somente assim a anexação de Jerusalém se tornará uma realidade política. Além disso, também motivos religiosos forçam a construção do Templo”. (SILVA, S. P. Escatologia: doutrina das últimas coisas. 12.ed., RJ: CPAD, 2000, pp.79-80).


                             A  manifestação do Anticristo


A palavra “anticristo” só é mencionada na Bíblia em 1 e 2 João. Através de um jogo gramatical (singular e plural), o apóstolo faz distinção entre o “anticristo” (referindo-se ao governante mundial no tempo da Grande Tribulação), e “anticristos”, (aqueles que antecedem em seus ensinos o ministério do Ditador Mundial — 1 Jo 4.3). O prefixo “anti” tem o sentido básico de “em lugar de”, “oposto a” ou “semelhante a”, mas na epístola de João significa “contrário a”. Porém, o texto de 2 Tessalonicenses 2.4, conjuga dois sentidos: o de “contrário a”: “... o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus...”, e o de “semelhante a”, pois afirma que ele : “... se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus”.Quanto a sua natureza, o Anticristo será “segundo a eficácia de Satanás” (2 Ts 2.9), quanto ao seu caráter, será “o iníquo” (2 Ts 2.8), quanto a sua personalidade, “um orador cativante” (Dn 7.20; 2 Ts 2.11), quanto a sua missão, “opor-se a Deus” (v.4), quanto a sua influência, “mundial”, pois governará sobre todas as nações (Ap 13.8; Dn 8.24; Ap 17.12), quanto a Israel, será “o grande adversário” (Dn 7.21,25; 8.24; Ap 13.7). 
Embora o Anticristo não se haja manifestado ainda plenamente, o seu espírito aí está, transtornando igrejas, torcendo as Sagradas Escrituras, alterando a configuração política das nações e apoderando-se dos organismos internacionais, objetivando a instauração de seu império numa rebelião aberta contra Deus.
Quando o apóstolo João afirmou que o mundo jaz no maligno, queria ele deixar bem claro que todos os recursos, quer humanos, quer materiais, acham-se devidamente aparelhados para acolher o homem do pecado.

 QUEM É O ANTICRISTO

As Sagradas Escrituras traçam-nos um nítido perfil do personagem que, durante a Septuagésima Semana de Daniel, haverá de dominar o mundo, subjugando todas as coisas ao império de Satanás. Vejamos, pois, como a Bíblia o descreve.
 O arquiinimigo de Deus e seu Cristo. O Anticristo será a mais completa personificação de Satanás e o seu mais autêntico representante. Seu objetivo será:
a) Levantar-se contra o Cristo de Deus; e
b) Postar-se em lugar de Cristo, como se fora ele o messias que haveria de trazer a libertação a Israel e a salvação a toda a humanidade (Jo 5.43; 2 Ts 2.4). Aliás, é exatamente isto o que significa a partícula grega anti: “contra e em lugar de”. O Anticristo, pois, é aquele que se coloca no lugar de Cristo e contra Cristo se levanta.
 O representante maior do Diabo. Segundo mostram os textos bíblicos, o Anticristo, ainda que pareça sobrenatural, será um ser humano como outro qualquer (Ap 13.12). Assim a Bíblia o intitula:
a) O príncipe que há de vir (Dn 9.26);
b) O que vem em seu próprio nome (Jo 5.43);
c) Aquele que se assentará no templo de Deus (2 Ts 2.4);
d) O homem do pecado (2 Ts 2.3).
 A Besta. Por que o Anticristo é assim chamado? Devido à sua natureza, arrogância e prepotência. Erguendo-se ele contra Deus, intentará a perpetuação de seu império e a anulação do Reino de Cristo. Assim como o Diabo, no início, usou a serpente para enganar Eva, usará agora o animal de feroz aparência para ludibriar as nações logo após o arrebatamento da Igreja. Nesta ocasião, manifestar-se-á ele plenamente (2 Ts 2.6).

 A MISSÃO DO ANTICRISTO

Tem o Anticristo como missão implantar o domínio de Satanás em todo o mundo, a fim de que este seja transformado no Reino das Trevas. Eis suas missões principais:
 Criar uma religião, onde seja o Diabo reverenciado por todos os que, desprezando a verdade, apegaram-se à mentira. Nesta esfera, ele é assistido pelo falso profeta (Ap 13.11-18).
 Estabelecer uma economia fortemente centralizada, através da qual forçará os habitantes da terra a aceitarem o sinal da besta (Ap 13.17,18).
Destruir as bases da religião divina, para que todos venham a crer em suas mentiras: “O qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Ts 2.4).
 Enganar a Israel, fingindo ser o seu messias e, em seguida, destruí-la, numa tentativa sem precedentes de frustrar os planos de Deus com respeito ao estabelecimento definitivo e pleno dos filhos de Abraão na formosa terra (Dn 9.27; Ap 12.12-17).
Destruir os que se hão de converter durante a Grande Tribulação, objetivando desarraigar da terra quaisquer testemunhos concernentes ao Deus Único e Verdadeiro e ao seu Unigênito (Ap 7.9-17).
 Multiplicar a iniquidade no mundo. Afinal, o Anticristo é conhecido como o homem do pecado e o iníquo (2 Ts 2.3). Ele, portanto, é o grande promotor da iniquidade.

A DOUTRINA DO ANTICRISTO

Eis as bases da doutrina a ser implantada pelo homem do pecado:
Substituir Deus pelo Diabo. Em muitos centros de estudos cristãos, o Senhor Deus já foi substituído pelo homem. Haja vista as teologias liberais, divorciadas da Palavra de Deus que se enveredaram pelo antropocentrismo, afirmando ser o homem a medida de todas as coisas (Sl 10.4; Ez 28.2). E, agora, já se busca substituir, descaradamente, Deus pelo próprio demônio!
 Criar um messias para Israel, visando promover um pseudo-salvador para toda a humanidade. Quando os judeus perceberem que o Anticristo não é, de fato, o seu Cristo, mas um impostor, tentará ele destruir a descendência de Abraão (Dn 9.27).
 Concretizar o que, desde que fora expulso do céu, o Diabo intenta fazer. Colocar o Diabo no lugar de Deus, a fim de que ele receba uma adoração que é exclusiva do Todo-Poderoso. A resposta de Deus para todas essas maquinações do Maligno está no Salmo 2. Ler também 2 Ts 2.8; Ap 19.19,20.

 O ANTICRISTO NO TEMPLO DE DEUS

Já que a Besta e o Falso profeta atuarão como antideuses, o reino de Satanás haverá de funcionar como o anti-reino de Deus.
Portanto, o momento de maior triunfo de Satanás será introduzir o seu representante no Santo Templo em Jerusalém. Ele assim agirá, a fim de que:
 Os judeus aceitem o Anticristo como o seu messias. “Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis” (Jo 5.43).
 A verdade seja erradicada. “E com todo engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E, por isso, Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira” (2 Ts 2.10,11).
Sejam suspensos os sacrifícios de Deus. “E ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador” (Dn 9.27).
Quando isto acontecer, será deflagrada toda a ira de Deus tanto sobre o Anticristo como sobre os seus adoradores. Mostrará Deus, uma vez mais, que não dividirá a sua glória com ninguém.Escreve Paulo que o Anticristo será destruído pela Palavra de Deus (2 Ts 2.7,8). No Apocalipse, assim está narrado o seu fim: “E a besta foi presa e, com ela, o falso profeta, que, diante dela, fizera os sinais com que enganou os que receberam o sinal da besta e adoraram a sua imagem.
 Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre” (Ap 19.20).O Senhor Jesus Cristo mostrará a todos que o seu poder é irresistível. Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores.Senhor Jesus, não nos deixes ser seduzidos pelo engano nem pelas mentiras do adversário. Que possamos, nestes instantes que ainda nos restam, agir de maneira santa e irrepreensível até que venhas buscar a tua Igreja. 
“O Anticristo será um homem personificando o Diabo, porém, apresentando-se como se fosse Deus (Dn 11.36; 2 Ts 2.3,4). [...] A Besta ou Anticristo será uma personagem de uma habilidade e capacidade desconhecida até hoje. Será o maior líder de toda a história; acima de qualquer famoso general ou governante mundial conhecido. Será portador de uma personalidade irresistível. Sua sabedoria e capacidade serão sobrenaturais. Além da ação diabólica direta, outros fatores contribuirão decisivamente para a implantação do governo do Anticristo, como poderio bélico, alta tecnologia e poder econômico.
Será um grande demagogo. Influenciará decisivamente as massas com seus discursos inflamados (Ap 13.5). A Bíblia diz que toda a terra se maravilhará após a Besta (Ap 13.13). Exercerá uma influência e um fascínio extraordinário sobre as massas. [...] O Anticristo será recebido ao aparecer como solução dos problemas e crises sociais e políticas que fustigam o mundo inteiro, para os quais os líderes mundiais mais capazes não encontram solução” (GILBERTO, A. O calendário da profecia. 16.ed., RJ: CPAD, 2003, pp.48-9).




                                          O QUE É A GRANDE TRIBULAÇÃO

 O sentido da palavra “tribulação” na Bíblia. Na língua grega do Novo Testamento, tribulação aparece como thilipsisque significa “colocar uma carga sobre o espírito das pessoas”. Na tradução Vulgata Latina, a palavra é tribulum e se refere a uma espécie de grade para debulhar o trigo. Ou seja: instrumento que o lavrador usa para separar o trigo da sua palha. A idéia figurada, aqui, é a de afligir, pressionar.
Analisada à luz do contexto bíblico, a palavra pode referir-se tão-somente a um tipo de pressão, aflição ou angústia que se passa na vida cotidiana. Outras vezes, tem o sentido escatológico.
 O sentido da expressão Grande Tribulação. A expressão é essencialmente escatológica. No Antigo Testamento é identificada por outros nomes tais como “o dia do Senhor” (Sf 1.14-18; Zc 14.1-4); “a angústia de Jacó” (Jr 30.7); “a grande angústia” (Dn 12.1); “o dia da vingança” (Is 63.1-4); “o dia da ira de nosso Deus”. No Novo Testamento, a expressão ganha maior sentido com o próprio Senhor Jesus ao identificar aquele tempo como período de “grande aflição” (Mt 24.21), depois em Ap 7.14, como Grande Tribulação.
 Estará a Igreja na Grande Tribulação? Existem duas linhas de entendimento acerca desse assunto: uma acredita que a Igreja não estará no primeiro período da Grande Tribulação; outra afirma que a Igreja sofrerá no primeiro período da Grande Tribulação. Os partidários do arrebatamento da Igreja depois da Grande Tribulação insistem que os rigores da tribulação são exclusivamente para Israel. Porém, entendemos que o arrebatamento dos santos em Cristo se dará, nem na metade nem depois da tribulação, mas exatamente antes dela, para livrar a Igreja desse inigualável tempo de sofrimento (1 Ts 1.10; 3.10).
Podemos perceber que os juízos catastróficos de Deus sobre Israel e o mundo naqueles dias só terão início depois que a Igreja for retirada da Terra. Até o capítulo 5 de Apocalipse se fala da Igreja, mas no capítulo 6, quando se iniciam os juízos, a Igreja não mais aparece, senão no capítulo 19.
Os partidários da idéia de que a Igreja estará na primeira metade da Grande Tribulação confundem essa metade, que será de uma falsa paz negociada entre Israel e o Anticristo (Dn 9.27). Não cremos que a Igreja necessite da paz do Anticristo bem como não podemos interpretar o cavaleiro do cavalo branco de Ap 6.2 como sendo Cristo, uma vez que na seqüência do texto os outros cavalos e seus cavaleiros são demonstrações dos juízos divinos (Ap 6.2-8).

                                PROPÓSITOS DA GRANDE TRIBULAÇÃO

Dois principais propósitos se destacam: o primeiro é levar Israel a receber o seu Messias; e o segundo é trazer juízo sobre todo o mundo, especialmente, sobre as nações incrédulas.
 Levar Israel a receber o Messias. O profeta Jeremias profetizou que esse tempo seria identificado como “o tempo da angústia de Jacó” (Jr 30.7). Revela que será um tempo especialmente para os filhos de Jacó, isto é, Israel. Todos os eventos desse período são indicados na Bíblia, como “o povo de Daniel”, “a fuga no sábado”, “o templo e o lugar santo”, “o santuário”, “o sacrifício”, e outras mais. São expressões típicas da experiência política e religiosa de Israel. Portanto, antes de qualquer outra coisa, esse período é especialmente para o povo judeu.
Outrossim, o propósito de Deus para com Israel na tribulação é o de trazer conversão a esse povo, porque parte dele se converterá e entrará com o Messias no reino milenial (Ml 4.5,6).
Quando o Messias surgir, não só os judeus povoarão a Terra, mas uma multidão de gentios se converterá pela pregação do remanescente judeu (Mt 25.31-46; Ap 7.9), e entrará no reino milenial de Cristo.
 Trazer juízo sobre o mundo. Ap 3.10 revela esse propósito quando fala a igreja de Filadélfia: “também eu te guardarei da hora da angústia que há de vir sobre o mundo inteiro”. A mensagem é para a Igreja e dá a garantia de que será guardada daquele tempo. Mais uma vez compreende-se que a Igreja não passará pela Grande Tribulação. Entendemos que esse período alcançará a todas as nações da Terra (Jr 25.32,33; Is 26.21; 2 Ts 2.11,12), e Deus estará julgando-as por sua impiedade. Diz a Bíblia que as nações da Terra terão sido enganadas pelo ensino da grande meretriz religiosa, chamada Babilônia (Ap 14.8), e seguido ao Falso Profeta na adoração a Besta (Ap 13.11-18). Esses juízos virão para purificar a Terra e, quando o Messias assumir o comando mundial de governo, haverá paz e justiça.

                                       O TEMPO DA GRANDE TRIBULAÇÃO

Não há texto bíblico mais explícito quanto ao tempo da Grande Tribulação do que a profecia de Daniel 9.24-27 acerca das setenta semanas determinadas por Deus para a manifestação dos juízos de Deus sobre Israel e sobre o mundo.
 O que são as setenta semanas. A identificação começa com Dn 9.24: “Setenta semanas estão determinadas”. A palavra semana interpreta-se como semana de dias. O número sete indica a quantidade de dias da referida semana. Porém, a palavra dia interpreta-se como ano. Cada dia equivale a um ano e, sete dias multiplicados por setenta (70 x 7) dá o total de 490 anos.
 Os três períodos das 70 semanas. O primeiro período de sete semanas, equivalente a 49 anos, teve o seu início no reinado de Artaxerxes através de Neemias, copeiro-mor (Ne 2.1,5,8), quando pediu ao rei para voltar à sua terra e reedificar a cidade e os seus muros. Ocorreu em 445 a.C. quando foi dada a ordem “para restaurar e reedificar Jerusalém” (Dn 9.25).
O segundo período de 62 semanas, equivalente a 434 anos, refere-se ao tempo do fim do Antigo Testamento até a chegada do Ungido, o Messias. Nesse período, o Ungido seria rejeitado e ultrajado pelo seu povo, e morto (Dn 9.26). Cumpriu-se esse segundo período até o ano 32 d.C, quando Cristo, o Ungido, foi rejeitado e morto pelos judeus. Até então, 69 semanas (ou 483 anos) se cumpriram.
O terceiro período abrange “uma semana” (7 anos) conforme está no texto de Dn 9.27. Misteriosamente, acontece um intervalo profético na seqüência natural das 70 semanas identificado como os tempos dos gentios (o nosso tempo), no qual se destaca, especialmente, a Igreja constituída de um povo remido por Jesus e que está em evidência até o seu arrebatamento para o céu. Terá início, em seguida, a última semana, a 70ª.
 A última semana profética. No texto de Dn 9.26 surge “um povo e um príncipe” que virão para assolar e destruir Israel sob “as asas das abominações”. Esse príncipe não é outro senão “o assolador”, o “Anticristo”, “o homem do pecado” e “o príncipe que há de vir” (Dn 9.26). Ele fará uma aliança com Israel “por uma semana” (Dn 9.27). Virá com astúcia e inteligência. Sua capacidade de persuasão será enorme e, na aliança que fará com Israel, não terá a plena aprovação desse povo. Sua tentativa será a de restabelecer a paz, sobretudo no Oriente Médio oferecendo um tratado. O mundo todo o honrará e o admirará naqueles dias. Ele se levantará de uma força política mundial, uma confederação européia, que, na linguagem figurada da profecia, aparece como “um chifre pequeno” que surge do meio de “dez chifres” do “animal terrível e espantoso”, conforme Dn 7.8. Esse “animal terrível e espantoso” pode ser identificado como o sistema europeu, equivalente ao antigo Império Romano.
Num breve espaço, “metade da semana” (três anos e meio), esse líder alcançará o apogeu do seu domínio mundial e então haverá uma falsa paz. Nesse momento se dará o rompimento da aliança com Israel. O príncipe, embriagado pelo poder político, entrará em Israel e então se iniciará “a grande angústia de Israel” (2 Ts 2.4; Ap 13.8-15), a Grande Tribulação.

                                                  ISRAEL NA GRANDE TRIBULAÇÃO 

É o povo de Israel a razão mais evidente da Grande Tribulação. Ele é o alvo principal por causa das suas relações com o plano redentor de Deus para com a humanidade. Israel foi escolhido para representar os interesses divinos na Terra. Mas, lamentavelmente, não foi fiel aos pactos e, por isso, houve a mudança no plano divino. Sua desobediência, prevaricação e idolatria serão castigadas nesse período. No entanto, o propósito de Deus não é só o de castigar Israel, mas também o de mostrar sua fidelidade e amor para com o Seu povo.

                                      A MULHER VESTIDA DE SOL (Ap 12.1,2)

Depois dos vários eventos catastróficos efetivados pela abertura dos sete selos e das sete trombetas, surge um intervalo com uma série de visões e, então, haverá o derramamento das sete taças de pragas sobre a Terra.Três personagens são destacados no capítulo 12 de Apocalipse: a mulher vestida de sol, o grande dragão vermelho e o filho varão.
 Quem é a mulher vestida de sol? Há várias interpretações acerca dessa mulher e o que ela representa. Segundo a linha de interpretação que adotamos entendemos que ela não representa a Igreja de Cristo, uma vez que esta estará no céu com Cristo. Também a mulher não representa a Igreja do Antigo Testamento, nem tampouco representa Maria, a mãe humana de Jesus. Indiscutivelmente, representa o povo de Israel.
 Os símbolos da mulher. Os símbolos que estão em torno da mulher — o sol, a lua e 12 estrelas — estão associados aos filhos de Israel (Gn 37.9; Jr 31.35,36; Js 10.12-14; Jz 5.20; Sl 89.35-37).

                                     O GRANDE DRAGÃO VERMELHO (Ap 12.3,4)

 Quem é o grande dragão vermelho. Representa Satanás (Ap 12.9). Essa criatura animalesca e vermelha é a figura do poder do mal e da destruição que virá sobre a nação israelita naqueles dias. O vermelho indica o seu poder sanguinário objetivando matar especialmente a mulher e seu filho.
 O poder do dragão. Um detalhe especial desse dragão são as sete cabeças e dez chifres, além de sete coroas sobre essas cabeças (Ap 12.3). As mesmas características desse dragão aparecem sobre a Besta nos capítulos 13 e 17 de Apocalipse. Os poderes que a Besta (Anticristo) demonstrará nos dias da Grande Tribulação serão advindos de Satanás. As sete cabeças e os diademas sobre elas simbolizam os grandes reinos e os poderes desses reinos. Satanás usará de toda a sua força para destruir Israel naqueles dias. Ele é o dragão vermelho que se lançará contra o povo de Deus representado pela mulher.
 Que representam as estrelas do céu? (Ap 12). Alguns intérpretes afirmam que serão homens proeminentes do mundo que se levantarão contra Israel para destruí-lo da face da Terra. Porém, a interpretação mais aceitável indica que se trata de demônios sob a égide de Satanás, os quais, lançados sobre o mundo, promoverão grande desordem moral, social e espiritual no seio da humanidade.
         
                                              O FILHO VARÃO (Ap 12.5)

 Quem é o filho varão. Os intérpretes divergem aqui. Há os que afirmam se tratar da Igreja, equivocadamente. Outros entendem que se trata dos mártires da Grande Tribulação, e outros afirmam que esse filho varão representa o remanescente judeu de então.
 Jesus, o mais evidente. A interpretação mais aceitável diz que esse filho varão representa Jesus, uma vez que somente Ele, o Messias, “regerá as nações com vara de ferro”. O Salmo 2 é messiânico e se constitui num rico contexto profético no cumprimento da profecia de Apocalipse 12.5. Israel representa a mulher, e o filho varão representa Jesus. Ele nasceu de mulher israelita. Por isso, quando o texto diz que a mulher (Israel) deu à luz um filho varão, está, na realidade, falando do nascimento humano de Jesus. Quando fala que o “filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono”, refere-se à ascensão vitoriosa de Cristo depois da Sua ressurreição.
Há um paralelo entre Ap 12 e Miquéias 5, que identifica a mulher como a nação israelita. Mq 5.2 fala sobre o nascimento dAquele que seria o Senhor em Israel, o Messias. Entretanto, por causa da rejeição deste governante (o Messias) na Sua primeira vinda, a nação foi posta de lado. O texto de Mq 5.3 declara assim: “os entregará até ao tempo em que a que está de parto tiver dado à luz”, indicando que a nação estará com dores de parto até ao tempo de dar à luz o filho. Também, em Rm 9.4,5 o apóstolo Paulo fala dos israelitas e declara que Cristo veio de Israel, segundo a carne.
A tentativa inútil do grande dragão contra o filho varão. Satanás, o grande dragão vermelho não conseguirá alcançar o filho varão porque ele foi arrebatado para o seu trono. O filho varão de Israel, arrebatado do poder de Satanás, um dia descerá em grande pompa sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.1-9) e, então, tomará as rédeas do governo mundial sob o poder do Diabo, o Anticristo e o Falso Profeta.
Na vinda poderosa do filho, o Anticristo e o Falso Profeta serão lançados no Lago de Fogo (Ap 19.19,20). No mesmo ímpeto da gloriosa vinda do filho varão, o grande dragão, que é Satanás, será amarrado e lançado no Poço do Abismo (Ap 12.7-9; 20.1-3).
   
                      A FUGA DA MULHER PARA O DESERTO (Ap 12.6)

 O deserto (Ap 12.6). Não se refere aqui especificamente a um lugar geográfico, mas metafórico. Nas terras do Oriente Médio o deserto é o lugar mais apropriado para fugitivos. A mulher representa a nação de Israel, depois de perseguida pelo grande dragão vermelho, que foge para um lugar de refúgio no deserto, para escapar à fúria do dragão, o Diabo.
O período do refúgio (Ap 12.6). As pressões sobre Israel serão enormes naquele período, mas o grupo fiel encontrará refúgio por 1.260 dias. No calendário judaico de 360 dias, os 1.260 dias equivalem à metade da semana profética de Daniel 9.27, ou seja, três anos e meio. Essa mesma cifra de 1.260 dias equivale a outras cifras tais como quarenta e dois meses, ou “um tempo, tempos e a metade de um tempo”. Essa diferença de linguagem não muda o sentido real da profecia, porque a cifra é a mesma. E exatamente o período mais terrível que sobrevirá sobre Israel na sua terra.
O remanescente judeu (Ap 12.17). No período final da Grande Tribulação, o remanescente judeu, constituído de israelitas fiéis ao antigo pacto, não se submeterá ao sistema do Anticristo, que é a Besta que subiu do mar de Ap 13.1,2, e terá de fugir para o deserto (Ap 12.17). É, sem dúvida, o remanescente judeu salvo na Grande Tribulação.

                     UMA BATALHA ANGELICAL NO CÉU (Ap 12.7-9)

 O arcanjo Miguel. Nessa batalha os anjos de Deus sob o comando do arcanjo Miguel, o protetor dos filhos de Israel, abatem completamente os anjos caídos sob o comando de Satanás, o grande dragão vermelho. É interessante notar que Miguel está ligado ao destino do povo de Israel (Dn 12.1). Ele é o guardião dos interesses divinos para com Israel, conforme vemos em Dn 10.13,21; Jd v.9.
Satanás, o dragão vermelho. Nessa batalha vemos o esforço de Satanás para neutralizar o plano vindicativo de Deus através dos anjos na história do mundo e, especialmente, quanto a Israel. E um conflito entre o bem e o mal. Satanás é o grande dragão vermelho que, mais uma vez investe contra o poder de Deus representado pelo arcanjo Miguel e seus anjos. Mas o dragão é derrotado fragorosamente e expulso do céu. Os seus domínios foram desfeitos.
 A vitória do bem sobre o mal. Na visão de João, o dragão quis devorar o filho varão da mulher, mas foi impedido por uma força maior, uma milícia superior a dele. Essa batalha indica que os poderes de Satanás foram reduzidos, e o mundo começa a se preparar para receber o Messias. Aprendemos aqui que o direito sempre terá de triunfar sobre o erro, o bem sobre o mal, a verdade sobre a mentira. As vantagens de Satanás foram anuladas para que a vitória do povo de Deus prevalecesse no mundo. No texto de Ap 12.9, o dragão vermelho é definido como “o acusador” (Diabo), a “antiga serpente”. 
“Em sua perseguição para destruir os judeus, a Besta conduzirá seus exércitos contra Jerusalém.“‘... E contra ela (Jerusalém) se ajuntarão todas as nações da terra’ (Zc 12.3b); ‘Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres forçadas; metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será expulso da cidade’ (Zc 14.2).
“Nessa ocasião crítica, parte de Israel refugiar-se-á nos montes e abrigos naturais de Edom, Moabe e Amom. (Ler Isaías 16.1-5; Salmo 60.9; Ezequiel 20.35-38; Daniel 12.6,13,14.) Estas passagens todas tratam disso. Esses antigos países bíblicos (Edom, Moabe e Amom) constituem hoje em dia o centro-sul da Jordânia. Durante o Milênio eles pertencerão a Israel (Nm 24.17,18; Sl 60.8,9; Is 11.14). Em Isaías 16.1 é mencionada a capital de Edom — Selá (em grego: Petra), a elevada cidade-fortaleza, plantada nas rochas. Isso fica a 96 km ao sul do mar Morto. Edom, Moabe e Amom serão poupados por Deus durante a investida arrasadora do Anticristo contra Israel, a fim de que para aí os judeus escapem. (Ler Daniel 11.41.) Já uma vez Israel refugiou-se aí, quando Babilônia os hostilizou (Jr 40.11,12).” (NOTAS O Calendário da Profecia, Antonio Gilberto ,1998,CPAD) 
Apocalipse 12.2-4 trata sobre o conflito dos séculos. “É a luta do Diabo, tudo fazendo para que o Messias não viesse ao mundo. Esse conflito vemo-lo de Gênesis aos Evangelhos. Momentos houve em que parecia que o inimigo tinha ganhado a batalha. As cinco piores ocasiões na história de Israel foram: 1) na apostasia do bezerro de ouro, quando apenas uma tribo ficou leal a Deus (a de Levi); 2) no caso da corrupção moral de Israel, em Sitim, durante u peregrinação no deserto, por conselho de Balaão; 3) no caso do pecado de Davi, com o qual Deus fizera aliança quanto ao nascimento do futuro Messias; 4) no caso do livro de Ester, quando houve um plano para exterminar todos os judeus: 5) no caso de Belém, quando o rei Herodes decretou a matança dos inocentes, para naquele meio, Jesus ser morto. Em todos esses momentos críticos o inimigo perdeu a batalha. Por fim, numa noite, os anjos anunciaram o nascimento do Salvador, o qual caminhou resoluto em direção ao Calvário, onde, por fim, bradou agonizante, mas triunfantemente: ‘Tudo está consumado!’ Aleluia!
Versículo 3. O dragão com sete cabeças. Isso fala de sua plenitude de astúcia. Sete chifres representam seu imenso poderio. Sete diademas, seu domínio. O dragão era vermelho, que é a cor do sangue e do fogo. Isso indica, como sabemos, que ele é o provocador de mortes, guerras, intrigas, contendas e tensões individuais e coletivas, quentes como o fogo e que terminam explodindo. (Ler Gênesis 4.5,8 comparando com 1 João 3.12.)
Versículo 4. ‘a terça parte das estrelas do céu’. Isto refere-se aos anjos que caíram com Lúcifer, conforme Isaías 14.12 e Ezequiel 28.16. Muitas referências na Bíblia apontam os anjos como estrelas. Exemplo: Juízes 5.20; Jó 38.7: 25.5; Isaías 14.13, etc. ‘A sua cauda arrasta a... ’. É conhecida a grande força que a serpente e outros répteis, como o jacaré, têm na cauda. Os animais pré-históricos do tipo réptil tinham gigantesca força nas suas caudas para ataque e defesa. O termo dragão significa animal monstruoso; serpente gigantesca. O dragão no versículo 3 figura o Diabo, e é chamado serpente em 12.9. O termo no original deriva de um verbo que significa ver de modo penetrante.” (Daniel e Apocalipse, Antonio Gilberto,1998,CPAD)


                                     OS TEMPOS DOS GENTIOS (Lc 21.24) 
 Que são os tempos dos gentios. O texto de Lucas refere-se a um período especial no qual Jerusalém será pisada pelos gentios.
 A duração dos tempos dos gentios. Esse período (não o da Grande Tribulação) teve seu início quando uma parte de Israel foi levada de sua terra para o cativeiro na Babilônia em 586 a.C. (2 Cr 36.1-21; Dn 1.1,2) e só terminará quando Cristo voltar para governar sobre todo o mundo, e assumir o trono de Davi (Lc 1.31,32).

                                     O CURSO DOS TEMPOS DOS GENTIOS 
Duas revelações paralelas no livro de Daniel nos dão a descrição completa desse período.
 O paralelo entre os capítulos 2 e 7 de Daniel. No capítulo 2 a visão foi dada a um rei pagão, Nabucodonozor e, no capítulo 7, a visão foi dada a um servo de Deus, o profeta Daniel.A Nabucodonozor Deus revelou o lado político dos reinos gentios representados na grande estátua. A Daniel, Deus revelou o lado moral e espiritual desses reinos representados pelos “quatro animais”. A história política havia sido mostrada a Nabucodonozor, mas a história espiritual foi mostrada a Daniel.Notemos ainda o seguinte: No capítulo 2, as figuras representadas são tomadas da esfera inanimada, materiais como ouro, prata, bronze, ferro e barro. No capítulo 7, as figuras são representadas por seres animados, aqueles animais estranhos.
                               Os quatro ventos e o Mar Grande (Dn 7.2).
a) os quatro ventos. Simbolizam os poderes celestiais que movimentam o mundo nos seus quatro pontos cardeais. São ventos que agitam as nações do mundo nos seus quatro cantos e, podem representar as grandes comoções políticas, conflitos sociais e mudanças climáticas. São poderes usados por Deus para agitar a humanidade. São específicos. Obedecem e cumprem fielmente sua missão, agitando geologicamente mares, rios e a terra com seus vulcões. Açoitam a Terra varrendo os continentes, e também sopram brandamente sobre a Terra, avisando-a de possíveis catástrofes.
b) O Mar Grande. Duas correntes de interpretação têm sido apresentadas por vários estudiosos. Uns interpretam o Mar Grande como representando toda a humanidade, e não se refere a nenhum mar em particular. No entanto, esse não é outro, senão o mar Mediterrâneo, uma vez que, os quatro reinos mundiais (Babilônia, Medo-Persa, Grécia e Roma) surgem junto dele.
A palavra “mar” na linguagem escatológica sempre representa as nações gentílicas (Is 17.12,13). O ressurgimento do antigo Império Romano é identificado geograficamente na Bíblia como sendo junto ao Mar Grande, que é o Mediterrâneo. O animal terrível e espantoso de Daniel 7.3, que representa o Império Romano, saía do Mar Grande.

                                        O PODER DOS GENTIOS (Dn 7.3-8) 
 O leão com asas de águia (v.4). Assim como a cabeça de ouro da estátua do capítulo 2 representa o reino da Babilônia, também o leão na visão de Daniel (Dn 2.37,38). No mundo animal o leão é o rei dos animais, por isso, Nabucodonozor destacou-se como o leão, pela sua riqueza e imponência. Era um leão com asas de águia. A águia é uma ave solitária e rainha dos ares, e indica conquista em extensão territorial. Dn 7.4 diz que, depois, “foram-lhe arrancadas as asas” para indicar a queda do poderio desse rei diante do poder de Deus (Dn 4.24,25,32-37).
O urso destruidor (v.5). Representa o império medo-persa, seqüente, que derrotou a Babilônia, e na visão do capítulo 2 é representado pelo peito e os braços de prata (Dn 2.39). Diz o texto que o urso surgiu com três costelas entre os dentes. Isto indica que dominou sem reservas as nações à sua frente. O texto de Dn 2 esclarece melhor esse fato pois os braços da estátua indicam mais especificamente a aliança da Média e da Pérsia. Daí o reino medo-persa, conhecido pelos reis que o governaram, Ciro, o persa (Dn 10.1) e Dario, o medo (Dn 11.1).
O leopardo altivo (v.6). Animal de indescritível rapidez que representa o império grego, em paralelo com o ventre e as coxas de cobre (ou bronze) da estátua de Dn 2.32. Esse leopardo, dada a sua rapidez conquistou o mundo velozmente, a saber: Alexandre, o Grande. O animal tinha quatro asas (Dn 7.6) denotando o seu rápido progresso em apenas 12 anos. Tinha, também, quatro cabeças que tipificam as quatro divisões do império grego logo depois da morte de Alexandre, o seu conquistador.
O animal terrível e espantoso (v.7). A característica principal desse animal é o fato de não haver nele nada comparável no mundo animal. Era, de fato, incomparável em força e presença e representa o Império Romano. No capítulo 2, esse império é representado pelas pernas de ferro e os pés com mistura de ferro e barro (Dn 2.33,41). O animal se destaca pela força bruta e dureza típica do ferro, metal que o representa. Na história mundial, esses quatro impérios foram fortes e tiveram seu final com o quarto que foi o romano. Entretanto, a profecia sobre esse último império indica seu ressurgimento no futuro, especialmente no período da Grande Tribulação.

                                    O FIM DO PODER MUNDIAL DOS GENTIOS

 A forma política e material do poder gentio. É destacada especialmente nos dez dedos com barro e ferro (Dn 2.41,42). O fim do poder gentio está marcado pela divisão. Por isso, a ênfase nos dez dedos dos pés da estátua, o que caracteriza a fragilidade e força, autocracia e democracia do quarto reino, o romano, uma confederação simbolizada pelo ferro e o barro. Essa mistura não é natural porque se constitui de elementos soltos, ainda que juntos. Não há muita consistência. Ferro e barro se juntam, mas não se misturam.
Outra verdade acerca da forma final do poder gentio é a indicação de uma ação futura, profética, algo que ainda não aconteceu (a pedra cortada do monte) marcará o fim desse império, nos dias da Grande Tribulação (Dn 2.45).
Visão espiritual do poder dos gentios. No capítulo 2, a forma final do poder dos gentios é demonstrada pela união de dez reis e seus reinos. Em Daniel 7.7, o destaque é o animal que aparece com dez chifres sobre a cabeça. Esses chifres indicam, também, a confederação de dez reis (nações gentílicas) para a formação do quarto grande reino mundial (Dn 7.24).
O líder que surgirá do poder gentio (Dn 7.8). Dentre os dez reinos (dez chifres) surgirá o líder (o chifre pequeno) que se levantará e se manifestará como “o homem da perdição”, ou “Anticristo”, o qual blasfemará contra o Altíssimo até que lhe venha o juízo (Dn 7.25). Na verdade, na segunda metade da “semana” predita (Dn 9.27), esse “chifre pequeno”, o Anticristo, assumirá a direção política dos reinos dos “dez chifres”, (dez dedos da estátua), e infligirá sobre Israel grande perseguição (Ap 17.12,13).
Sua influência será mundial, pois conquistará o apoio das nações do mundo inteiro contra Israel. Mas ao final, esse chifre pequeno será destruído. O poder mundial dos gentios representado na estátua do capítulo 2, será detonado pela “pedra cortada do monte sem mãos” (Dn 2.34,35; 7.26,27). Tudo isso acontecerá exatamente em três anos e meio, ou seja, no período de “um tempo (1 ano), dois tempos (2 anos) e metade de um tempo (meio ano)”. Podem ser, também, o período de 42 meses iguais a 1.260 dias, conforme o calendário judaico (Dn 9.27; 12.7; Ap 12.14). Todas essas cifras correspondem a um mesmo período, a Grande Tribulação, que só se findará com a vinda do Filho do Homem, Jesus Cristo (Dn 7.13,14). 
Em 1968 foi fundado em Roma o chamado Clube de Roma, sendo seus membros desde então, personalidades de gabarito reconhecidamente mundial, na política, na economia, nas ciências e na educação. O objetivo fundamental do clube é estudar o futuro da raça humana, considerando o seu passado e o seu presente, para planejar o seu futuro. Uma das conclusões a que chegou o clube, há poucos anos, é a de que a humanidade necessita urgentemente de um governo único e centralizado para resolver seus problemas e suprir suas necessidades.
Aqui está mais uma indicação da iminência do surgimento do super-homem de Satanás — a Besta, que presidirá a confederação de nações que espelhamos na parte anterior. Talvez este homem já esteja aí, camuflado, aguardando apenas o momento de manifestar-se, o que ele está impedido de fazer enquanto a Igreja do Senhor permanecer aqui. (Ler 2 Tessalonicenses 2.7,8.) O ‘ministério da iniqüidade’ aí mencionado é o diabólico princípio oculto da rebelião contra Deus e contra a autoridade constituída, a qual vem dele. Esta diabólica ação secreta, subterrânea, vem operando desde o princípio do mundo, porém neste tempo do fim não haverá restrição para sua total manifestação e operação. O rapto da Igreja ocorrerá antes dessa manifestação pública do Anticristo. Depois disso o pecado não conhecerá limites.
O Anticristo será um homem personificando o Diabo, porém, apresentando-se como se fosse Deus. ‘Este rei fará segundo a sua vontade, e se levantará e se engrandecerá sobre todo o deus; e contra o Deus dos deuses; falará coisas incríveis, e será próspero, até que se cumpra a indignação; porque aquilo que está determinado será feito’ (Dn 11.26). ‘Ninguém de nenhum modo vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia, e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus, ou objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus’ (2 Ts 2.3,4). (notas,O Calendário da Profecia,Antonio Gilberto,1998,cpad)  
O comentário sobre os versículos 10 e 11 do capítulo 17 no livro seguinte:“Daniel 7.24 diz: ‘dez reis que se levantarão daquele mesmo reino’. É pois uma forma daquele antigo império. É claro que não poderá ser o mesmo, porque aquele era regido por um único soberano, e o futuro sê-lo-á por dez reis com suas dez capitais. Eles formarão uma confederação de nações durante a Grande Tribulação. Dizemos confederação porque num pé os dedos são ligados (Dn 2.42). Com a formação desses dez estados estará pronto o palco para a formação do reino do Anticristo—o oitavo rei (v.11). A área geográfica desses dez reinos é a mesma do antigo Império Romano, isto é, parte da Europa, parte da Ásia e parte da África (Ver um mapa do antigo Império Romano)”. 

                                         O FIM DA GRANDE TRIBULAÇÃO
  
               A volta pessoal de Cristo. 
O texto de Zacarias 14.3,4 indica a intervenção divina sobre o monte das Oliveiras, em Israel. As nações reunidas pelo Anticristo para combater e destruir Israel serão surpreendidas pela vinda do Senhor. O texto de Jl 3.2,12 fala do vale de Josafá, identificado também como o Cedrom, localizado entre Jerusalém e o monte das Oliveiras. Será nesse lugar o encontro do Senhor contra as nações inimigas de Israel. O monte das Oliveiras, o lugar exato de onde Cristo subiu ao céu, também sobre ele descerá gloriosamente.

                           A seqüência dos eventos finais (Mt 24.27-30). 

Nesses versículos Jesus apresentou a realidade da Tribulação (Mt 24.21). No v.27, Ele fala de sua vinda visível como “o relâmpago que sai do Oriente e se mostra até o Ocidente”. No v.28, Jesus retrata mais uma vez a visibilidade de Sua vinda usando a ilustração dos abutres atraídos pela matança. No v.29, dá a entender que a Sua vinda será logo depois da tribulação daqueles dias. No v.30, fala do sinal dessa vinda no céu, uma prova de que Ele, o Messias, virá sobre as nuvens do céu.

             A derrota do Anticristo e seus exércitos (Ap 19.15-21).

Nos versículos anteriores ao 14, Cristo aparece como um grande general de exército (como nos tempos bíblicos), e o v.15 mostra um Cristo preparado para fazer juízo sobre a impiedade do Anticristo. Diz o texto que “saía da sua boca uma espada afiada, para ferir com ela as nações”. A partir do v.17, uma grande ceia é apresentada para comer as carnes de todos os inimigos do povo de Israel que se ajuntaram para destruí-lo. Mas eles serão aniquilados pelos exércitos de Cristo. No v.20, a Besta, que é o Anticristo, juntamente com o Falso Profeta são presos e lançados vivos no Lago de Fogo. Esses dois personagens não são meras figuras ou metáforas, mas realmente dois homens da parte do Diabo, que se levantarão naqueles dias.

                                    A vinda em glória (Ap 19.11-16)

Refere-se especialmente a forma da descida gloriosa de Cristo sobre um cavalo branco. O cavaleiro que monta o cavalo do capítulo 19 de Apocalipse é Jesus, porque é identificado como “Fiel e Verdadeiro”. Nada tem a ver com o cavaleiro do cavalo branco do capítulo 6 de Apocalipse o qual se refere ao Anticristo. O v.14 de Apocalipse fala dos santos que acompanham a Cristo na Sua volta à Terra. Eles montam cavalos brancos e os seus cavaleiros estão vestidos de linho finíssimo. São os anjos e a Igreja de Cristo que gloriosamente participam da Sua conquista.


                                                O REINO MILENIAL


                             O Milênio — O Reino do Messias

As Escrituras afirmam que Deus é “Rei eterno” (Sl 10.16), “Rei da Glória” (Sl 24.8), “Rei sobre a terra” (Sl 47.2), e “Rei de Israel” (Is 44.6). O seu reino é atemporal (Sl 74.12) e domina sobre todas as coisas (Sl 103.19). Ele o “dá a quem quer” (Dn 4.25). Deus, como Rei, estabeleceu um reino teocrático com Adão, a quem deu o domínio sobre a criação (Gn 1.28), com o governo humano (Gn 9.1-7), com os reis de Israel (1 Sm 12.13), e com os gentios (Dn 4.17). Porém, esses monarcas falharam na execução da justiça e no reconhecimento da soberania de Deus sobre os reinos da terra (Dn 4). No entanto, Deus, através do herdeiro eterno do trono de Davi, Jesus (2 Sm 7.16; Hb 1.8), mostrará às nações, durante mil anos, a excelência de um governo regido com justiça e equidade (Hb 1.8) e orientado pela Palavra do Senhor (Is 2.3). 
O Século 21, aguardado ansiosamente como um novo recomeço para a humanidade, viu-se turbado pelos trágicos acontecimentos de 11 de setembro de 2001. Aquele atentado, que atingiu o coração da mais poderosa nação do planeta, haveria de desdobrar-se em guerras e desentendimentos. De repente, todo o sonho de paz desfazia-se em pesadelos, tornando inevitável a pergunta: O que nos reserva o futuro?
A Bíblia Sagrada mostra que, apesar de nossos temores, haverá uma era de tranquilidade e refrigério. Isto acontecerá quando o Senhor Jesus, logo após o Arrebatamento da Igreja e da Grande Tribulação, vier a este mundo instaurar o Milênio.Nesta lição, veremos que o Milênio, ao contrário do que muitos alegam, têm sólidas bases bíblicas.

 O QUE É O MILÊNIO

O termo “Milênio” não consta do texto bíblico, mas a expressão correspondente (“mil anos”), sim. Não obstante, a doutrina do Milênio é essencialmente bíblica e consistentemente teológica.
 Definição. O Milênio é um período de mil anos durante o qual Cristo há de reinar plenamente sobre o mundo, de acordo com o que explicita João no Apocalipse (20.1-5).
Trata-se de um reino literal, cujo principal objetivo é a exaltação de Jesus não somente como o Messias de Israel, mas como o Desejado de todas as nações (Ag 2.7).
 O Milênio e o Reino de Deus. O Milênio pode ser considerado ainda a manifestação plena do Reino de Deus na terra. E isto nada tem a ver com a doutrina de algumas seitas que, renegando as verdades bíblicas acerca do arrebatamento da Igreja, ensinam que este mundo haverá de melhorar, pouco a pouco, até transformar-se num paraíso.

 QUANDO SERÁ O MILÊNIO

O Milênio terá início logo após a Grande Tribulação, quando Nosso Senhor Jesus Cristo, na companhia de todos os seus santos, houver aniquilado o dragão, o falso profeta e a besta (Ap 19.11-21). O Milênio, por conseguinte, dar-se-á, logicamente, depois do arrebatamento da Igreja.Neste período, Satanás estará amarrado até que se completem os mil anos. Em seguida, importa que ele seja solto por um pouco de tempo, até que seja definitivamente lançado no lago de fogo (Ap 20.2,7,10). Ver também Mt 25.41.

 QUEM ESTARÁ NA TERRA DURANTE O MILÊNIO

Estarão na terra, durante o Milênio, o povo de Israel e os gentios que houverem sobrevivido à Grande Tribulação e ao juízo das nações (Mt 25.31-41). A Igreja, como já o dissemos, estará, juntamente com Cristo, regendo o mundo. Afinal, dele recebemos esta promessa (Ap 2.26,27).
Não sabemos exatamente em que lugar encontrar-se-á a Igreja durante o Milênio: se no céu ou se entre a terra e o céu. De uma coisa temos absoluta certeza: com os nossos corpos já glorificados, estaremos reinando juntamente com Jesus. Aleluia! Onde estará o rei, aí também estará o seu reino e os seus súditos. Os maravilhosos detalhes desse evento encontram-se de posse do Rei dos reis.

 OBJETIVOS DO MILÊNIO

O Milênio será implantado, tendo vários objetivos bem definidos:
 Exaltar a Cristo. Todos os povos, principalmente Israel, terão de se curvar ante Jesus Cristo, cujo nome será sublime e soberanamente exaltado como o Rei dos reis e Senhor dos senhores (Fp 2.5-11; Ap 19.16). Ler também 1 Co 15.24-26.
 Manifestar o Reino de Deus na sua plenitude. Na Oração Dominical, o Senhor Jesus ensinou-nos a orar: “Venha o teu reino” (Mt 6.10). Esta petição será plenamente respondida quando vier o Senhor Jesus, juntamente com a sua Igreja, inaugurar o Milênio — a exposição mais visível do Reino de Deus na terra.
 Mostrar que este mundo pode ser administrado com justiça e equidade. Em consequência da corrupção e dos desmandos administrativos dos governantes, a população da terra é assolada pela fome, pela falta de habitação e por muitas outras necessidades básicas. Todavia, quando Cristo instaurar o seu governo, mostrará que todos esses problemas podem ser rápida e perfeitamente solucionados.
 Deixar bem claro que os reinos deste mundo pertencem a Cristo. No deserto, Satanás tentou a Cristo, alegando serem dele todos os reinos deste mundo. Na verdade, tudo pertence a Jesus: “Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” (Ap 11.15). Desta forma, cumprir-se-á a aliança que Deus estabeleceu com a casa de Davi, da qual veio, legalmente, o Senhor Jesus (Is 9.7; Dn 7.14).

 COMO SERÁ O MILÊNIO

O Milênio será um reino não somente de bênçãos espirituais, como também materiais, conforme o explicitam as Sagradas Escrituras. Por conseguinte, o Milênio:
 Terá início com um grande derramamento do Espírito Santo. Profetiza Zacarias que, quando os israelitas se virem cercados pelas nações da terra, para destruí-los, clamarão angustiados pelo socorro divino. Nessa ocasião crucial, Jesus haverá de se manifestar com grande poder e majestade sobre Jerusalém e, juntamente com sua Igreja glorificada, livrará Israel de certeira destruição. Israel pranteará, humilhado e arrependido, aceitando o Senhor Jesus, a quem rejeitaram na sua primeira vinda (Zc 12.9,10; 13.1; 14.2-9; Ap 1.7; Is 66.15,16). Neste exato momento, experimentarão uma grande efusão do Espírito Santo: “E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram: e o prantearão como quem pranteia por um unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito” (Zc 12.10).
 Será um período de grande conhecimento da Palavra de Deus. “E virão muitos povos e dirão: Vinde, subamos ao monte do SENHOR, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine o que concerne aos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do SENHOR” (Is 2.3). Diz ainda Isaías: “Não se fará mal nem dano algum em todo o monte da minha santidade, porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar” (Is 11.9).
Jerusalém será não somente a sede do governo messiânico como também o centro de adoração divina (Zc 14.16).
 Será um tempo de paz universal. “E julgará entre muitos povos e castigará poderosas nações até mui longe; e converterão as suas espadas em enxadas e as suas lanças em foices; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra” (Mq 4.3).
 Será uma era de abundante saúde física e mental. “Confortai as mãos fracas e fortalecei os joelhos trementes. Dizei aos turbados de coração: Esforçai-vos e não temais; eis que o vosso Deus virá com vingança, com recompensa de Deus: ele virá. e vos salvará. Então, os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão. Então, os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará, porque águas arrebentarão no deserto, e ribeiros, no ermo” (Is 35.3-6).
 Será uma era de prosperidade, segurança e vida longa. “Não edificarão para que outros habitem, não plantarão para que outros comam, porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore, e os meus eleitos gozarão das obras das suas mãos até à velhice” (Is 65.22).
Será um período de plena recuperação ecológica da terra. “O deserto e os lugares secos se alegrarão com isso; e o ermo exultará e florescerá como a rosa. Abundantemente florescerá e também regorgitará de alegria e exultará; a glória do Líbano se lhe deu, bem como a excelência do Carmelo e de Sarom; eles verão a glória do SENHOR, a excelência do nosso Deus” (Is 35.1,2).
Israel habitará seguro, e estará de posse de todo o território que o Senhor prometera a Abraão. O capítulo 48 de Ezequiel descreve, em detalhes, os termos que as doze tribos de Israel ocuparão no período do Milênio. Será um território muito maior e muito mais amplo em relação ao ocupado hoje pelo Estado de Israel. 
Ora, se o Milênio é tão maravilhoso, o que não diremos da Nova Jerusalém? O primeiro, apesar de suas realizações, será imperfeito e temporário; o segundo não, pelo contrário, há de ser eterno e perfeitíssimo. Já pensou quando entrarmos naquela cidade, cujo arquiteto e construtor é o próprio Deus? Como descrever a formosa cidade?Senhor Jesus, ajuda-nos a cumprir nossa carreira neste mundo, para que possamos adentrar na Jerusalém Celeste. Queremos a tua companhia; desejamos ver o teu rosto. Sê conosco, meigo Salvador. 
“Apocalipse 20.1-3 e vv.7-10 tratam da condenação de Satanás. Ficará preso no abismo durante mil anos. O abismo permanecerá trancado e lacrado acima dele, de modo que não terá nenhuma atividade na terra durante aquele período. Depois, será solto por um pouco de tempo, antes de seu castigo eterno no lago de fogo.Entre esses dois eventos, a Bíblia fala, em Apocalipse 20.4-6, daqueles que são sacerdotes de Deus e de Cristo, e que reinarão com Ele durante mil anos.


Apocalipse 20.4 trata de dois grupos de pessoas: O primeiro se assentará em tronos para julgar (isto é: governar). A mensagem a todas as igrejas (Ap 3.21,22) indica que são os crentes oriundos da Era da Igreja que permaneceram fiéis, sendo vencedores (Ap 2.26,27; 3.21; 1 Jo 5.4). Entre eles, conforme a promessa de Jesus, estarão os doze apóstolos julgando (governando) as doze tribos de Israel (Lc 22.30). Isso porque Israel, restaurado, purificado, com a plenitude do Espírito Santo de Deus, ocupará sem dúvida a totalidade da terra prometida a Abraão (Gn 15.18)” (HORTON, S. M.: As últimas coisas. In HORTON, S. M. (ed.) Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal. RJ: CPAD, 1996, p.638-9).

Com a derrota do Anticristo e seus exércitos, Israel verá que Aquele a quem rejeitaram na primeira vinda, não é outro senão o seu Messias.

 A conversão a Cristo da parte dos judeus. Zc 12.10 fala do espírito de súplicas que será derramado sobre a casa de Davi, e prantearão pelo que fizeram a Cristo na sua primeira vinda. Vários textos bíblicos da profecia indicam essa conversão e renovação (Zc 13.9; Ez 36.24-31; Is 25.9; Rm 11.26). Todas estas passagens mostram que os judeus sobreviventes daqueles dias serão leais a Cristo, aceitando-o como o Messias. Porém, haverá, também, muitos judeus rebeldes os quais sofrerão o juízo de Cristo (Ez 20.33-38; Ml 3.1-5).
2. A prisão de Satanás (Ap 20.1-3). Antes que o Senhor instale o seu reino milenial, Satanás será preso por mil anos com todos os seus anjos, e assim não estarão livres para tentar as criaturas nos dias do reino milenial de Cristo.

                                                                O REI JESUS 
Será um período de completa manifestação da glória de Cristo no Seu domínio, governo, justiça e reino (Is 9.6; Sl 45.4; Is 11.4; Sl 72.4; Dt 18.18,19; Is 33.21,22; At 3.22).
Vários são os títulos e nomes de Cristo no Milênio. Ele é chamado: o Renovo (Is 4.2; 11.1; Jr 23.5; 33.15; Zc 3.8,9; 6.12,13); Senhor dos Exércitos (Is 24.23; 44.6); o Ancião de dias (Dn 7.13); o Altíssimo (Dn 7.22-24); o Filho de Deus (Is 9.6; Dn 3.25); o Rei (Is 33.17,22; 44.6; Dn 2.44); o Juiz (Is 11.3,4; 16.5; 33.22; 51.4,5); o Messias Príncipe (Dn 9.25,26). Muitos outros títulos destacam as atividades do Rei Jesus.

                                              CARACTERÍSTICAS DO REINO MILENIAL

 Justiça. Somente os justos serão admitidos no reino (Mt 25.37; Is 60.21; 26.2). A justiça será sinônimo do Messias (Ml 4.2; Is 46.13; 51.5).
 Obediência. Foi o propósito original de Deus na criação do mundo o estabelecimento de um princípio de obediência completa e voluntária a Deus. A árvore da vida foi colocada no Éden como uma prova de obediência (Gn 2.16,17). Diz a Bíblia que Deus sujeitou todas as coisas Àquele que é o Senhor (Ef 1.22).
 Conhecimento universal de Deus (Is 11.9; Jr 3134). O conhecimento estará disseminado e determinado em toda a Terra. Na verdade, todas as pessoas terão conceitos corretos sobre Deus, porque o mal estará detido naquele tempo.
 Paz e prosperidade (Is 2.4; 35.1,2). A maldição do pecado estará detida, sem poder de alastramento. A paz será universal porque a sua base será a justiça do Messias.
 Longevidade (Is 65.20,21,22; 33.24). Uma vez que o mal estará detido, a vida física dos habitantes da Terra naqueles dias não sofrerá tanto como hoje. E verdade que as pessoas não estarão isentas da morte. Mas viverão muito mais.


                                                                FINAL DO MILÊNIO

 A soltura de Satanás e seus anjos. Vemos uma descrição na Terra que mostra o fim do período milenial (Ap 20.2,3,7-9). A razão pela qual Satanás será solto é discernida pela sua atividade no tempo de sua soltura. Ele sairá para enganar as nações e promover sua última batalha contra o povo de Deus.
 Gogue e Magogue (Ap 20.8). Esses dois nomes referem-se aos inimigos de Israel. Podem representar dois tipos de inimigos: povos vindos do Norte; e, também, povos em geral. O que prevalece mais fortemente é a representação de povos vindos do norte. Na verdade, a batalha não será muito extensa, porque haverá a intervenção divina.

                                                                  PÓS-MILÊNIO

Todos esses fatos conduzem ao Grande Trono Branco, que é o Juízo Final (Ap 20.11), símbolo do poder de Deus para executar a justiça. Jesus será o Juiz (At 17.31; Jo 5.22,27). Diante do Supremo Juiz, todos haveremos de comparecer. Os perdidos não escaparão ao Lago de Fogo (Ap 19.20; 20.10,14,15; 21.8). O Lago de Fogo é um lugar, e não um conceito, uma idéia ou estado mental.
Na segunda fase de Sua vinda em glória (visível em todo o mundo), Cristo vai julgar as nações (Juízo das Nações) e inaugurar o Milênio, a gloriosa era de paz a ser implantada na Terra. Seguindo-se o Grande Trono Branco, o Juízo Final, ocasião em que somente haverá dois destinos: a morte eterna ou a vida eterna. Os crentes em Jesus estarão livres de qualquer condenação e irão desfrutar da eternidade.
“O Apocalipse não oferece nenhum pormenor do Milênio, provavelmente porque as profecias anteriores já sejam suficientes. Depois dos mil anos, Satanás será solto, provavelmente para levar a uma vindicação final da justiça de Deus. Isto é: embora as pessoas tenham experienciado o governo maravilhoso de Cristo, parece que seguirão a Satanás na primeira oportunidade que se lhes ofereça. Assim fica demonstrado que, com ou sem conhecimento de como é o reino de Cristo, os inconversos se rebelam. Na Sua justiça, Deus nada mais poderá fazer senão separá-los eternamente das suas bênçãos. Satanás, o grande enganador, também engana a si mesmo, a ponto de acreditar que ainda conseguirá derrotar a Deus. Mas sua derradeira tentativa fracassará. Nunca mais haverá rebelião contra Deus e o seu amor”. (notas,Teologia Sistemática,Stanley M.Horton,2000, CPAD) 
“O apóstolo Paulo tinha um grande amor pelo povo de Israel, que então rejeitara o Evangelho. Estava disposto a desistir da própria salvação eterna, se isto garantisse a salvação deles (Rm 9.1 -5). Ele sabia que isso seria impossível, mas demonstra o quanto os amava. E pergunta, em Romanos 11.1: ‘Porventura, rejeitou Deus o seu povo?’ Ele mesmo responde: ‘De modo nenhum!’ (no grego, me genoito). Deus jamais permitirá que isso aconteça. Está claro que Deus não rejeitou o seu povo! E o contexto mostra que a Bíblia está falando de um Israel literal, e que Deus não alterou suas promessas.“Lembremo-nos, ainda, que os 12 apóstolos julgarão, ou governarão, as 12 tribos de Israel (Mt 19.28; Lc 22.30). Isso requer uma restauração literal de Israel. Não há como a Igreja possa vir a ser dividida em 12 tribos.
“Assim, a visão pré-milenista é a única que permite a restauração de Israel como nação e o cumprimento literal das profecias de paz e bênção que Isaías e outros profetas previram.” (notas,  ,as grandes doutrinas da bibliaF.Raimundo Oliveira,2003 CPAD) . 
“À medida que a eternidade for ‘passando’, conheceremos mais e mais da sabedoria e do poder insondáveis de Deus. As infinitas belezas celestiais irreveladas começarão a ser conhecidas. ‘Mas como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam’ (1 Co 2.9). Os maravilhosos e profundos mistérios de Deus começarão a ser conhecidos. 1 Coríntios 4.5 diz: ‘Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à luz as cousas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor’. Esta é uma das razões por que Jesus vem revelar e explicar os grandes segredos que hoje tanto nos intrigam, mas que nossa mente não os alcançaria se hoje fossem revelados.
“Os salvos oriundos do Milênio viverão para sempre na terra, mediante a árvore da vida (Ap 22.2), não mediante a ressurreição, nem porque passaram do estado mortal para o imortal.“Jesus, em sua forma humana, pessoal, a qual jamais deixará, estará eternamente associado ao Pai na regência do Universo, conforme a promessa divina feita a Davi: ‘Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino’. ‘Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti: o teu trono será estabelecido para sempre’(2 Sm 7.13,15). ‘Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai’. ‘Ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim’ (Lc 1.32.33). ‘O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos’ (Ap 11.15).” (notas O Calendário da Profecia, Antonio Gilberto,2000,CPAD)


                                                               O juizo final.
                                                                 O Julgamento Final

Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos (At 17.31).
O vocábulo grego traduzido por “tribunal” no Novo Testamento é “bema”, cujo significado literal é “passo”, representando “uma medida pequena”. A expressão em Atos 7.5 “bema podos” traduzido por “julgarei” é no grego “o espaço de um pé”, referindo-se à plataforma oficial de onde se proferia discursos (At 12.21), juízos e sentenças (Jo 19.13), ou onde o réu comparecia (At 25.6). Portanto, a palavra se refere ao “tribunal” ou a um “trono de julgamento”. O Novo Testamento menciona três tipos de tribunais: humano (1 Co 4.3), de Cristo e de Deus (2 Co 5.10; Rm 14.10), bem como cinco categorias de julgamentos: das nações (Mt 25.31-40), de Israel (Ez 20.34-38; Ml 3.2-5), dos crentes nos céus (2 Co 5.10), dos anjos (1 Co 6.3; 2 Pe 2.4; Jd v.6) e do Grande Trono Branco (Ap 20.11-15). Neste último, serão julgados todos os homens não inscritos no Livro da Vida (Ap 20.12,15). Após o julgamento, o destino ou estado final destes são identificados como “fogo e tormento eterno”(Mt 25.41,46) e, “segunda morte” (Ap 21.8). 
Terminada a Segunda Guerra Mundial, os aliados reuniram-se na cidade alemã de Nuremberg, a fim de julgar os líderes nazistas por haverem estes cometido o mais hediondo crime contra a humanidade. Apesar de vários assessores de Hitler serem punidos com a morte, outros criminosos, igualmente culpáveis, conseguiram fugir ao julgamento, e refugiarem-se em confortáveis anonimatos.No Julgamento Final, entretanto, ninguém escapará à justiça divina. Contra esta não há casuísmo nem brechas jurídicas. Os culpados serão, severamente, lançados no lago de fogo, onde serão atormentados pelos séculos dos séculos.

 O JULGAMENTO FINAL

 Definição. O Julgamento Final é a sessão judicial que terá lugar na consumação de todas as coisas temporais que, conduzido pelo Todo-Poderoso, retribuirá a cada criatura moral o que esta tiver cometido através do corpo durante a sua vida terrena.
 No Antigo Testamento. Embora seja o Julgamento Final tratado, implicitamente, do primeiro ao último livro do Antigo Testamento, foi o profeta Daniel que discorreu, de forma mais explícita, acerca deste ato que haverá de realçar a supremacia e a singularidade da justiça divina: “Naquele tempo, livrar-se-á o teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro. E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno. Os sábios, pois, resplandecerão como o resplendor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça refulgirão como as estrelas, sempre e eternamente” (Dn 12.1-3).
 No Novo Testamento. No Sermão Profético, o Senhor deixa bem claro que o Julgamento Final não é uma mera hipótese; é uma realidade: “E, quando o Filho do Homem vier em sua glória, e todos os santos anjos, com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas” (Mt 25.31-41).
Paulo, Pedro e João tratam do Julgamento Final como algo integrante do plano redentivo de Deus. Na presente era, o Todo-Poderoso, através de seu Filho, oferece gratuitamente a salvação a todos os que creem, mas, na vindoura, haverá de condenar a quantos rejeitaram o Senhor Jesus e a graciosa salvação que ele consumou na cruz (2 Tm 4.1; 1 Pe 4.5; Ap 20.4).
 Nosso Credo. O Credo das Assembleias de Deus no Brasil afirma de forma bem clara e irrespondível: “Cremos no Juízo Vindouro que justificará os fiéis e condenará os infiéis”.

 OBJETIVOS DO JULGAMENTO FINAL

Tem o Julgamento Final vários objetivos conforme revelam-nos as Sagradas Escrituras:
Mostrar que a justiça de Deus deve ser observada e acatada por todos. Quando intercedia por Sodoma e Gomorra, indaga Abraão ao Senhor: “Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18.25). Esta mesma pergunta é feita ainda hoje por milhões de seres humanos inconformados com a situação a que este mundo chegou. No Julgamento Final, contudo, mostrará Deus que a sua justiça haverá de prevalecer de forma absoluta tanto sobre os vivos como sobre os que já tiverem morrido. Nosso Deus não compactua com a impunidade.
 Punir os que rejeitaram a Cristo Jesus e sua tão grande salvação. Os que aceitam a Cristo Jesus são automaticamente justificados pela fé diante de Deus. Todavia, aqueles que rejeitam a sua justiça, hão de ser lançados no lago de fogo (Ap 20.15; Mt 25.41). Jamais entraremos nos céus fiados em nossa justiça que, aos olhos de Deus, não passa de trapos de imundície (Is 64.6).
 Destruir a personificação do mal. Afirma Paulo aos irmãos de Corinto que iremos julgar os anjos: “Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?” (1 Co 6.3). O apóstolo refere-se, logicamente, aos anjos que acompanharam o ungido querubim em sua estúpida rebelião contra Deus; aos tais reservou o Senhor o lago de fogo (Mt 25.41). E, assim, estará sendo destruída, de uma vez por todas, a personificação do mal. Aliás, o Diabo há de ser lançado no eterno tormento antes mesmo da instauração do Julgamento Final (Ap 20.10-12).

 OS FUNDAMENTOS DO JULGAMENTO FINAL

Se os falhos e imperfeitos julgamentos humanos têm os seus fundamentos, o que não diremos do Julgamento Final que será efetuado pelo justíssimo Deus. Vejamos, pois, em que consistem os fundamentos do Julgamento Final.
 A natureza justa e santa de Deus. Em sua primeira carta, João oferece-nos uma das mais belas definições essenciais do Todo-Poderoso: “Deus é amor” (1 Jo 4.8). Contudo, não podemos esquecer-nos de que Deus possui uma natureza santa e justa. Todas as vezes que a sua santidade é ferida, sua justiça reclama, de imediato, uma reparação. Por conseguinte, estes dois atributos de Deus: a justiça e a santidade acham-se a fundamentar o Julgamento Final. Neste, todos os que porfiaram em menosprezar a santidade de Deus terão de se haver ante a sua justiça (Rm 2.5-10).
A Palavra de Deus. Além da natureza santa e justa de Deus, o Julgamento Final terá como fundamento a Palavra de Deus. Os que hoje a desprezam, serão por ela julgados conforme realçou o Senhor Jesus Cristo: “Quem me rejeitar a mim e não receber as minhas palavras já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia” (Jo 12.48).
A consciência das criaturas morais. Os impenitentes também serão julgados por sua própria consciência que, embora falha, não deixa de ser um dos fundamentos do Julgamento Final: “Os quais mostram a obra da lei escrita no seu coração, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os” (Rm 2.15). A lei moral divina acha-se gravada na consciência de todo o ser humano. É um dos “livros” a ser aberto no dia do juízo (Ap 20.12).

COMO SE DARÁ O JULGAMENTO FINAL

O Julgamento Final terá início logo após o Milênio. O Apocalipse mostra que, terminados os mil anos, Satanás será temporariamente solto, e sairá a seduzir as nações, buscando induzi-las a se revoltarem contra o Cristo de Deus. Mas eis que sairá fogo do céu, e destruirá por completo os que se houverem levantado contra o Senhor (Ap 20.7-10).
Em seguida, terá início o Julgamento Final, que o Livro de Apocalipse descreve de forma vívida:“E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Ap 20.11-15). 
Hoje, através de Cristo Jesus, somos justificados por Deus. A partir do momento em que, pela fé, recebemos a Jesus como o nosso único e suficiente Salvador, passamos a ser vistos por Deus como se jamais tivéssemos cometido qualquer pecado; passamos a ser vistos como santos.Se você ainda não recebeu a Jesus, faça-o agora mesmo! Somente Ele pode justificar-nos.Querido Jesus, agradecemos-te, porque morreste na cruz, para que fôssemos plenamente justificados. E, agora, com base no teu precioso sangue, nenhuma condenação pesa sobre nós. Como a tua graça é maravilhosa! Tu nos livraste da ira vindoura. 
“Este será o grande dia: o Juiz, o Senhor Jesus Cristo, vestido de majestade e terror. As pessoas que serão julgadas são os mortos, pequenos e grandes, jovens e velhos; altos e baixos; ricos e pobres. Ninguém é tão vil que não tenha talentos dos quais deverá prestar contas; e ninguém é tão grande que possa se livrar da prestação de contas; não somente os que estiverem vivos quando Cristo vier, mas todos os mortos também.
Há um livro de memórias para o bem e o mal; o livro da consciência dos pecadores, mesmo que antes secreto, então será aberto. Cada homem recordará todos os seus atos passados, ainda que muitos os tenham esquecido há muito tempo. Outro livro será aberto, o livro das Escrituras, a regra da vida; representa o conhecimento do Senhor sobre o seu povo e suas declarações de arrependimento, a fé e as boas obras deles, mostrando as bênçãos do novo pacto.
Os homens serão condenados ou justificados pelas suas obras; Ele provará seus princípios por suas práticas... Esta é a segunda morte, a separação final entre os pecadores e Deus. Que o nosso grande desejo seja observar se as nossas Bíblias nos justificam ou nos condenam agora; Cristo julgará os segredos de todos os homens conforme o Evangelho. Quem habitará com as chamas devoradoras?” (HENRY, M. Comentário Bíblico de Matthew Henry. 3 ed., RJ: CPAD, 2003, pp.1113-4).





Bíblia ensina que Deus é, sem a menor dúvida, um Deus de julgamento, ira e raiva.Se alguma coisa ela ensina, é que Deus vai julgar o homem. Repetidas vezes, Jesus avisou sobre o julgamento: "E contudo vos digo: No dia do juízo haverá menos rigor para Tiro e Sidom, do que para vós outros" (Mateus 11:22). "De toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo" (Mateus 12:36). "Mandará o Filho do homem os seus anjos que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade, e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes" (Mateus 13:41, 42). "Nada há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que não venha a ser conhecido" (Lucas 12:2). "E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo o julgamento" (João 5:22).
Em todo o Novo Testamento os Apóstolos ensinam que haveria um momento de julgamento. "Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça por meio de um varão que destinou" (Atos 17:31). "Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento" (Romanos 2:5, 6). "E a vós outros que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus" (II Tessalonicenses 1:7, 8). "Aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo" (Hebreus 9:27). "Certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários" (Hebreus 10:27). "Os quais hão de prestar contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos" (I Pedro 4:5). "Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos, e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes, e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono, e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?" (Apocalipse 6:15-17).
São estas apenas algumas em meio a centenas de passagens que poderíamos citar indicando um momento de julgamento a vir ainda, no qual todo homem que já viveu estará envolvido e do qual nenhum escapará! Se tirássemos da Bíblia todas as referências que ela contém sobre o juízo final, ela ficaria muito menor do que é.(notas o mundo em chamas Billy  Gharan,1965)

                    JUSTIÇA,  MISERICÓRDIA  E  AMOR

Existem muitos a dizer que o julgamento não é coerente com a justiça, a misericórdia e o amor, mas afirmam-no por não entenderem a natureza de Deus. Recusaram-se a aceitar a revelação da natureza de Deus, encontrada na Bíblia.
O julgamento é coerente com a justiça, pois esta exige a pesagem na balança, e sem o julgamento isso seria impossível. Quando Jeremias disse: "rei que ... executará o juízo e a justiça na terra" (Jeremias 23:5), ele colocou esses fatores em justaposição. A justiça é impossível sem o julgamento, a lei não pode existir sem uma penalidade. A razão nos diria que haverá uma época na qual os Hitlers, os Eichmanns e os Stalins serão levados a prestar contas de seus atos. De outra maneira, não haveria justiça no universo. Milhares de homens maus viveram e praticaram sua maldade sobre os demais, sem parecerem ter pago um castigo em sua vida e a razão nos diz que haverá uma época em que os lugares errados serão tornados retos (Isaías 45:2).
O julgamento é coerente com a misericórdia. O Deus que fosse misericordioso deveria agir na misericórdia conforme os padrões da justiça e retidão. O julgamento de modo nenhum colide com a misericórdia, pois se esta deve ser utilizada, o julgamento deve ser uma parte da ordem divina. Ser misericordioso sem ser justo é uma contradição.
O juiz que ministra justiça deve basear seus atos na lei. O rompimento da lei exige punição, e demonstrar misericórdia diante da lei transgredida é destruir a ordem e criar o caos. A misericórdia é qualidade que não pode esquecer ou negligenciar o princípio da lei; não sendo uma atitude universal em todos os casos de lei transgredida, mostra-se destruidora da ordem.
Há tempos atrás, fui detido na estrada por excesso de velocidade numa zona em que havia limite para ela, e no tribunal de tráfego declarei-me culpado. O juiz se mostrou não apenas amigo, mas ficou até bastante embaraçado por estar eu em sua presença, como faltoso. A multa foi de dez dólares, e se ele me tivesse deixado ir sem a pagar, teria sido incoerente com a justiça. A penalidade tinha de ser paga, por mim ou por outra pessoa!
O julgamento é coerente com o amor. Um Deus de amor deve ser um Deus de justiça. É por amar que Deus é justo. Sua justiça põe na balança Seu amor e torna significativos Seus atos, tanto de amor quanto de justiça. Deus não poderia amar coerentemente os homens, se não proporcionasse o julgamento dos pecadores. Sua punição ao pecador e a separação que faz dos justos é manifestação do grande amor divino. Devemos sempre olhar a cruz no negro pano de fundo do julgamento. Foi devido ao amor de Deus pelo homem ser tão intenso que Ele deu Seu Filho, de modo que o homem não tivesse de enfrentar o julgamento.
O julgamento é necessário como incentivo da consciência. O homem necessita do incentivo da recompensa pelo bem e da ameaça do castigo como elemento dissuasório contra o mal. Na composição atual de sua natureza moral, o castigo é um "aguilhão" necessário à sua consciência. O homem precisa dessa ameaça e de seu aviso, para evitar fazer o mal. Pode não ser esse o motivo mais elevado para que façamos o bem, mas mostra-se necessário diante das imperfeições que têm existido na natureza moral do homem, desde o Jardim do Éden.
Devemos ver o homem como ele é, não como devia ser, e pregar as nossas opiniões de justiça, misericórdia, amor e julgamento sobre o caráter de Deus e a natureza imperfeita atual do homem. O "ideal absoluto" não existe, a não ser na fantasia irracional do filósofo moderno que tece suas teorias filosóficas sem levar em consideração a revelação bíblica de Deus e da doença espiritual do homem.
Suponhamos que em algum país não houvesse forças policiais. O caos se instalaria da noite para o dia. Suponhamos, também, que não houvesse tribunais para corrigir os errados. Em que barafunda ficaria tal país! Ninguém estaria a salvo, em lugar nenhum. Em algumas cidades as pessoas não se encontram a salvo, a despeito da proteção policial, e em algumas ruas até os policiais correm perigo. E de quando em vez até mesmo um policial é preso por ter infringido a lei. As paixões más dos homens, mesmo com os dispositivos de aplicação da lei, são restringidas de leve apenas. Os jornais dão testemunho constante disso, com os seus relatos sobre atividades criminosas.(notas o mundo em chamas Billy Grahan,1965).



            

                              Que é o Milênio?
   
                              No Milênio, Cristo estabelecerá seu
                        domínio na terra, nos céus e nos
                        mares. Será um tempo sem
                        precedentes na história da
                        humanidade.
(Artigo F.Raimundo Oliveira,o milenio,pp.6-11,cpad-Brasil)

Constantemente ouve-se entre os crentes esta interrogação: - Que é o Milênio? -Realmente, existem interpretações que são amontoados de erros doutrinários; que fazem do Milênio uma verdadeira aberração. Uns fazem dele um "Reino" especial, tomando como partida os 144 mil, AP 14.1; 7.1, mas esses pertencem às tribos de Israel, os quais serão selados para dias especiais, AP 7.4,5. Outros há que já estão formando um reino aqui na terra, como os mórmons.
 - Que é o Milênio? - O Milênio é um período de mil anos, predito pelos profetas como sendo o reinado Messiânico, ou seja, o reinado do céu estabelecido na terra,inaugurando uma nova era espiritual, a sétima dispensação, um tempo probatório, especialmente para os que nascerem na época dourada em que Satanás estiver preso. O Milênio não é o fim nem a consumação de todas as coisas, como alguns supõem, mas um tempo de provação e de preparação para o desfecho completo da obra de Deus, quando então o Senhor Jesus, depois de dominar todas as coisas, entregará o reino ao Pai, lCo 15.24-28.
Há nas Escrituras uma infinidade de textos referentes ao Milênio. Um dos primeiros, embora seja muito usado, não encontramos nele a palavra Milênio, mas seu sentido profético fala de um tempo em que Cristo reinará na casa de Judá, Gn 49.10: "Não se apartará de Judá o cetro, nem a vara de comando de entre seus pés, até que venha Aquele (Cristo) de quem ele é, e a esse obedecerão os povos", (VB). Aqui vemos a predição da vinda e do estabelecimento do reino Messiânico. Ao Senhor Jesus, como rei de Judá, com a vara de comando, que fala de seu governo de poder e de autoridade, todos os povos hão de obedecer.
Quando Deus criou o homem colocou sob seu domínio os peixes, os répteis, as aves e todos os monstros, Gn 1.26. Infelizmente, por causa do pecado, o homem perdeu esse domínio, embora tenha pretendido sempre, com força bruta, dominar sobre a terra. Deus, ao criar o homem, dotou-o de faculdades instintivas, além da razão e tirocínio psicológico. Criou-o capaz de viver uma vida espiritual segundo o plano do seu Criador. No entanto, o pecado deturpou a criatura feita à semelhança do Criador, Gn 1.26, reduzindo-a a um ser inferior, como nos diz Pedro: "Mas estes, como animais sem razão", 2Pe 2.12. O propósito divino foi criar um ser capaz de governar a terra e de povoá-la, um ser que recebesse, para o exercício do seu domínio, a bênção de Deus, Gn 1.28. Como seria o globo terráqueo se Adão não tivesse transgredido as ordens de Deus?! Por certo continuaria sendo um paraíso. Seria o reino dos céus implantado em toda a natureza - esse era o plano do Altíssimo. Com isso, poderíamos ver na terra formosa os homens vestidos de roupagens luminosas, as vestes espirituais dos entes celestes. Como Deus, que é coberto de luz como de um manto, nós seríamos revestidos, SI 104.2. Quando Elias subiu ao céu, deixou suas vestes naturais para receber as espirituais, vestes permanentes, 2Rs 2.13. Os arqueólogos descobrem os milhões de anos e vão à fantástica era arqueozônica; isto equivale dizer que vão além de milhões de anos. Entretanto, o Sagrado Livro diz somente: "No princípio criou Deus os céus e a terra", Gn 1.1. Se a terra existe há milhões de anos, encontramos na Bíblia "No princípio..." Esse princípio é indefinível pelo saber humano. É possível que durante o período caótico, a terra toda fosse verdadeiro paraíso, tendo como governador aquela criatura que se elevou contra o próprio Criador, Is 14.12-17; Ez 28.11-18 onde vemos tudo perfeito, belo e maravilhoso.
Lúcifer, que significa portador de luz, naturalmente fora criado para serviços especiais. Em Isaías 14 e Ezequiel 28.11-18 onde vemos tudo perfeito, belo e maravilhoso.
Lúcifer, que significa portador de luz, naturalmente fora criado para serviços especiais. Em Is 14 e Ezequiel 28 ele é, segundo a lei da dupla referência, como um homem, quer como rei babilônico, quer como rei de Tiro. Por esses dois textos podemos compreender que, com sua queda, Satanás mergulhou nas trevas por muitos séculos, Gn 1.2. E, quando Deus deu forma ao vazio da terra, criou um jardim aprazível, de onde deveria sair a palavra de ordem e de domínio. Éden seria o centro do governo, com toda a riqueza e esplendor, e Adão seria o governador de toda a terra, Gn 1.27. Com a queda de Adão, até o próprio Éden foi destruído e desfeito. Vemos agora um ser humilhado, envergonhado e expulso do seu lugar; sujeito também a todas as vicissitudes.
O homem passou a ser igual a Deus, mas no sentido inverso, pois sabia a ciência do bem e do mal, mas não tinha domínio espiritual, Gn 3.22. Começou então uma série de mudanças sucessivas nas dispensações: estava o homem agora sob o domínio da consciência, no que falhou. Veio a dispensação do governo humano; também nesta o homem falhou. Veio a da lei, com poder e autoridade, mas ainda houve falha por parte do homem. Então Deus propôs uma dispensação graciosa, com domínios especiais, pondo de lado os delitos que haviam sido cometidos no passado, sob a tolerância de Deus, Rm 3.25. Ainda na graça os homens têm falhado, embora cercados de misericórdia pela obra redentora do Calvário, Ef 1.7.
Mas a dispensação da graça, com todos os seus recursos, está no seu término, quando haverá um período de transição conhecido como os "tempos do Apocalipse", tempo da angústia de Jacó, Jr 30.7, quando Deus se volta para tratar diretamente com os judeus. E, após esse período, também chamado a Grande Tribulação, será implantado o reino Messiânico, dispensação milenar, ou, ainda, o reino do céu. Será um tempo sem precedentes na história da humanidade. Satanás será preso, e as hostes espirituais nas regiões celestes serão aniquiladas. Cristo estabelecerá seu domínio na terra, nos céus e nos mares - no universo, AP 11.15; 20.4. Nesse tempo os homens estarão plenamente conscientes da glória de Deus manifestada nos céus, Is 59.19; Ef 1.21-23; Cl 1.16.
Deus escolherá a Palestina como centro de governo. Os males que assolam a humanidade serão banidos da terra, tais como enfermidades, e crueldades dos homens e dos animais, Is 11.6-9; 35.5,6. A terra será de uma fertilidade nunca vista - um jardim bem regado, Is 35.1,2; Jr 31.12. Os homens voltarão à antiga longevidade; terão seus dias como as árvores, Is 65.22. Haverá nascimentos em profusão durante o Milênio, Zc 8.5. Muitos se converterão ao Senhor, e os apetrechos de guerra serão mudados em ferramentas agrícolas, Is 2.4; Mq 4.3. Haverá salvação pelo conhecimento do Senhor e pelo juízo do Altíssimo, como está escrito: "Eis que salvarei o meu povo...", Zc 8.7; Sf 3.19.
O conhecimento de Deus durante o Milênio será em toda a sua plenitude, Is 11.9. Os judeus serão tão importantes naquela época que muitos gentios desejarão ter o nome deles como tutela espiritual, Is 4.1; Zc 8.23. Os embaixadores de todas as nações irão a Israel, a fim de tributar-lhe honras, por causa da magnífica glória do Senhor que existirá em Jerusalém, Is 2.3;45.14; 55.5; Zc 8.21,22; Ap 21.24,26.
Em nossos dias muitos vão em viagem de turismo à Europa, Ásia e América etc, mas no Milênio irão a Jerusalém, a fim de receberem instruções espirituais, Is 2; Mq 4. Poderíamos citar inúmeros textos para provar que o Milênio será um reinado com base e feições materiais, muito embora haja, então, pleno domínio espiritual, porque o Milênio consiste em plantar, comer, beber, viver em prazer santo, e em adorar o Senhor.
Entretanto haverá um povo que durante o Milênio estará envolvido em glória e não sujeito a forças físicas da natureza, pois os seus corpos serão como os dos anjos nos céus, Lc 20.36-50. Eles estarão em corpos glorificados. Esse assunto, porém, reservaremos para o capítulo V. O Milênio será um tempo em que Deus vai, mais uma vez, provar os homens e realizar obras maravilhosas sobre a terra, as quais farão reunir os ouvidos. Nessa época serão estabelecidas a justiça e a paz divinas, e a ordem no cosmo.
O Senhor Jesus será contra os terríveis vendavais e furacões, Is 32.2. Enfim, todas as coisas que assolam a humanidade serão dominadas por Ele. O céu será mais claro de dia, e as noites menos escuras, pois o sol brilhará sete vezes mais, e a lua será como o sol, e as estrelas refulgirão com mais intensidade, ls 30.26. Sobre a cidade de Jerusalém haverá um resplendor de glória, Is 4.4-6.
Na parousia isto é, na manifestação do Senhor Jesus em glória, os ímpios serão consumidos pelo terror, especialmente os que aderiram à Besta. Durante o Milênio os tais estarão recebendo o seu pagamento, com os seus chefes, Ap 19.19-21. Muitos hão de se converter ao Senhor e a Ele se submeterão por medo e terror, depois serão provados, Ap 20.7-9. "Porque Jeová é o nosso juiz, Jeová é o nosso legislador, Jeová é o nosso rei, Ele nos salvará", ls 33.22. Esse texto faz referência ao reino Messiânico. Diz mais Isaías falando sobre o Milênio: "... até que saia a sua justiça como um resplendor, a sua salvação como uma tocha acesa...", Is 62.1.
Está provado pelas Escrituras que a salvação será estabelecida, não por graça, pois a dispensação da graça já terá passado, mas se salvarão pelo conhecimento do Senhor e pela sua glória, Jr 31.33,34. Para o reino Messiânico encontramos nas Escrituras palavras como: perdão, salvação, cura, redenção  etc, ls 45.17; 33.24.
O reino milenar não é tal como o definido pelas "testemunhas" de Jeová, pois a Escritura apresenta o reino de Jeová como messiânico. O reino de Jeová é teocrático, isto é, nele é Deus quem governa e governa em todos os setores, e sobre todos os reinos. 'Governa física, moral, social e espiritualmente. A previsão do reino do Senhor é encontrada direta ou indiretamente em toda a Escritura, especialmente nos Salmos e nos Profetas. Quem examinar este assunto nos citados livros, principalmente no do profeta Isaías, que é o profeta messiânico ou o evangelista do Velho Testamento, encontrará centenas de textos referentes ao Milênio ou reinado de Cristo.
Nessa época Jerusalém será vista em glória como a cidade celestial, Is 2.2-5; Ap 21.10; 22.25. Em Jerusalém haverá uma espécie de dossel (sobrecéu) da Jerusalém terrestre. Is 4.5,6; Ap 20.4,6. O profeta Jeremias nos diz: "Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo justo; como rei, reinará; procederá sabiamente e executará juízo e justiça na aterra; nos seus dias será salvo Judá e Israel habitará seguro, Jr 23.5.
Como já foi dito, pelo conhecimento da glória do Senhor muitos serão salvos e converterão até os instrumentos bélicos em ferramentas de utilidade agrícola., A mudança se verificará nas águas, Ez 47.6-12, na terra com lavoura produtiva, Is 30.23, etc, nos animais, que se tornarão mansos, Is 65.25, e entre os homens haverá paz e entendimento espiritual, Is 60.21; 65.19; 66.12; 55.12. Naquela época o Espírito Santo escreverá as leis de Deus no coração do povo. Os que estão num corpo físico sujeito às leis naturais, gozarão da presença de Deus, Hb 8.10; Zc 14.9.
No Milênio Israel estará de posse de todo o seu território prometido por Deus a Abraão que nunca chegou a ser conquistado. "Os mansos herdarão a terra", Mt 5.5; SI 37.11. Essa promessa é feita a Israel, ainda que os gentios possam usufruí-la também. Nem mesmo no reinado de Salomão, quando Israel teve a sua maior extensão, não chegou a ocupar todo o território prometido por Deus a Abraão. O Milênio será um tempo glorioso, quando haverá bênçãos especiais, e será estabelecida a glória de Israel em toda a sua plenitude, Dn 12.12. Todos os que alcançarem materialmente o reino milenar gozarão de saúde, felicidade e paz, com a presença do Senhor. Aí Deus se manifestará como "Jeová-Shama", que quer dizer: O Senhor está ali. Que Deus nos ajude a participar das gloriosas bênçãos em nome do Senhor Jesus.




                 A formosa Jerusalém Celestial

Os textos que descrevem a Cidade Santa não terminam em Ap 21.27, mas prolongam-se até 22.5. A linguagem lembra um antigo cortejo nupcial, portanto, valoriza as qualidades da nubente. Nestes textos, encontramos agudo contraste com a Babilônia, a meretriz do capítulo 17. Enquanto esta é prostituta e imunda, aquela é a noiva e santa; uma é a cidade dominada por Satanás; a outra, por Deus. Devemos também observar a relação entre a Nova Jerusalém e o Templo de Ezequiel: a glória do Senhor (Ez 43.5; Ap 21.11) as portas e o nome das doze tribos (Ez 48.31,32; Ap 21.12,13).
Quanto ao local, a Nova Jerusalém vem do céu; quanto à origem, de Deus (Ap 21.2); quanto à identidade, é a Cidade Santa, a Nova Jerusalém, o Tabernáculo de Deus, a Esposa do Cordeiro (Ap 21.2,9). 
Emílio Conde, num momento de raríssima inspiração, assim cantou a esperança do crente em relação à Nova Jerusalém:
“Quão glorioso, cristão, é pensares / Na cidade que não tem igual / Onde os muros são de puro jaspe / E as ruas de ouro e cristal / Pensa como será glorioso / Ver-se a triunfal multidão / Que cantando, aguarda a chegada / Dos que vencem a tribulação” (Harpa Cristã, 26).
O anseio demonstrado pelo irmão Conde, que já dorme no Senhor, é também o nosso. Não podemos depositar a nossa esperança num mundo que jaz no maligno, e que não poupa esforços por destruir a santíssima fé que recebemos de Cristo Jesus. Embora estejamos ainda aqui, o nosso coração acha-se ligado àquela ditosa cidade, cujo arquiteto e artífice é o próprio Deus. Na Jerusalém Celeste, passaremos a eternidade na companhia de Cristo Jesus — o Imaculado Cordeiro que se entregou a si mesmo, redimindo-nos de nossas iniquidades.

 A REALIDADE DA NOVA JERUSALÉM

A crença na Jerusalém Celeste não é uma ficção futurística, nem um devaneio inconsequente. Trata-se de uma doutrina sólida, cujas raízes podem ser descobertas já no alvorecer da História Sagrada. Haja vista o sonho de Jacó. O patriarca viu uma escada unindo a terra ao céu, e por esta desciam e subiam os anjos de Deus (Gn 28.10-17). Na consagração do Santo Templo, o rei Salomão confessa a sua fé na imensidade do Todo-Poderoso, afirmando que o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos humanas (2 Cr 6.18). Referia-se ele à excelsa habitação do Senhor. Mais adiante, nos Salmos, pergunta o poeta: “Senhor, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte?” (Sl 15.1).
No livro de Isaías, deparamo-nos com explícitas referências aos novos céus e à nova terra: “Porque eis que eu crio céus novos e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” (Is 65.17). Embora haja abundantes referências e muitas inferências sobre a futura morada dos santos, as passagens citadas são mais do que suficientes para mostrar-nos que a crença no porvir não é uma fantasia; é uma doutrina digna de todo o crédito.

 A GRANDE E BENDITA ESPERANÇA DO POVO DE DEUS

O verdadeiro crente tem a sua esperança centrada em Deus. Sabe que, neste mundo, não passa de um peregrino que, orando e chorando, encaminha-se para a Jerusalém Celeste. Concentremo-nos, pois, no exemplo de Abraão, nosso pai na fé.
 A experiência de Abraão. Apesar de Abraão haver recebido a terra de Canaã por herdade perpétua, sua esperança achava-se voltada para os céus, conforme escreve o autor da Epístola aos Hebreus: “Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia. Pela fé, habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hb 11.8-10).
Ora, se a herança temporal e terrena do patriarca era algo inaudito, o que não dizer da promessa de uma cidade arquitetada e construída pelo próprio Deus? Abraão, olhando além do horizonte material, visualizou a Jerusalém Celeste.
Pensando nas coisas que são de cima. No capítulo 12 de sua Segunda Epístola aos Coríntios, o apóstolo Paulo, descrevendo suas experiências, revela que, certa vez, foi arrebatado ao terceiro céu, onde ouviu palavras inefáveis que o comum dos mortais não poderia escutar. Teria ele visto a Jerusalém Celeste? Eis porque exorta-nos a pensar nas coisas que são de cima: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra” (Cl 3.1,2).
Que exortação! Se a nossa mente estivesse sempre centralizada nas coisas que são de cima, jamais perderíamos tempo com as coisas passageiras desta vida.

 O QUE É A NOVA JERUSALÉM

Ao contrário do que ensinam os incrédulos, a Nova Jerusalém não é uma suposição nem algo imaginário; é real e concreta. No Apocalipse, temos dela uma descrição rica e pormenorizada. Vejamos o que é, de fato, a gloriosa cidade que, um dia, estaremos adentrando, a fim de estarmos para sempre com Nosso Senhor Jesus Cristo.
 Definição. A Nova Jerusalém, também conhecida como a Jerusalém Celeste, é o lugar que nos preparou o Senhor, para que, na consumação de todas as coisas, estejamos eternamente com Ele. É descrita ainda, pelo próprio Senhor, como a casa de meu Pai, onde há muitas moradas (Jo 14.1-4). Isto significa que há lugar para todos os que vierem a recebê-lo como o seu único e suficiente Salvador.
 A localização da Nova Jerusalém. Acha-se esta cidade muito além do espaço sideral, num lugar jamais imaginado pela mente humana. Neste exato momento, enquanto ansiamos pela chegada do Cordeiro, a Nova Jerusalém, lindamente ataviada, aguarda a chegada do Esposo que, juntamente com a Igreja, adentrará os seus limites, levando os céus e a terra, conforme cantamos no hino três da Harpa Cristã, a ser a mesma grei. É o que podemos adiantar, por enquanto, acerca da localização da Nova Jerusalém. Quando lá estivermos; viremos a conhecê-la detalhadamente.
Suas dimensões. A cidade forma um cubo perfeito numa alusão ao Santo dos santos do Tabernáculo. Suas dimensões chefiam a 12 mil estádios (Ap 21.16) que, de conformidade com as medidas atuais, equivalem a 2.260 km². Isso, em medidas terrenas. As medidas celestes estão do outro lado; não são aprendidas aqui. Concluímos que a cidade toda formará um perfeito santuário, no qual o Senhor será sublime e eternamente glorificado pelos redimidos de todas as eras da História Sagrada.
 Seu aspecto. A beleza da cidade é singularmente indescritível. Utilizando-se da limitação e das imperfeições da linguagem humana, embora inspirado por Deus, João assim descreve-nos a Ditosa Cidade: “E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro. E levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu. E tinha a glória de Deus. A sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente. E tinha um grande e alto muro com doze portas, e, nas portas, doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos de Israel. Da banda do levante, tinha três portas; da banda do norte, três portas; da banda do sul, três portas; da banda do poente, três portas. E o muro da cidade tinha doze fundamentos e, neles, os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro. E aquele que falava comigo tinha uma cana de ouro para medir a cidade, e as suas portas, e o seu muro” (Ap 21.9-15). 
Quem entrará na Jerusalém Celeste? Aquele, cujo nome encontra se no Livro da Vida do Cordeiro. Portanto, se você ainda não recebeu a Jesus como o seu único e suficiente Salvador, aceite-o neste momento, e siga-o fielmente ate o fim. E, assim, entrará você na Cidade, e para sempre estará com o Senhor.Ressaltamos, porém, que o nosso maior prazer não será propriamente estar na Jerusalém Celeste; e, sim, permanecer na companhia de Nosso Senhor Jesus Cristo pelos séculos dos séculos.
“As cidades antigas eram modestas, se não francamente sujas. Tinham paredes de pedra, construídas sobre leitos de rochas ou montes de terra batida. Os portões eram feitos de madeira grossa e suportados por barras de ferro. As estradas eram sujas, apenas pavimentadas com pedras em casos excepcionais. Os melhores edifícios eram feitos de pedra, e os menores com tijolo cozido ao sol. Sem nenhum sistema de saúde pública e de remoção regular de lixo, a maioria delas estava assolada por moléstias e maus odores.
A Nova Jerusalém será totalmente diferente. Sua descrição nesse livro enfatiza sua pureza e perfeição. Os limites da cidade formam um perfeito cubo, exatamente como o lugar santíssimo do Tempo de Jerusalém. Suas dimensões são em números múltiplos de doze, um número associado à perfeição desde as doze tribos de Israel. As fundações da cidade são de pedras semipreciosas ao invés de barro, jaspe ao invés de rochas em suas paredes e edifícios feitos de ouro, e não, de madeira ou pedras.
A descrição da Nova Jerusalém no Apocalipse é semelhante à de Isaías 60. O profeta do Antigo Testamento mencionou um extenso uso de metais e materiais preciosos (60.5-9,17), a luz eterna vinda do Senhor (vv.1,2,20) — não do sol, lua ou estrelas (v.19,20) —, os portões que nunca se fecham (v.11), a justiça de cada habitante (v.21) e os reis das nações estrangeiras que vêm à cidade para adorar a Deus (vv.11-14)” (ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. (eds.) Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. RJ: CPAD, 2003, p.1923).



           Estarás tu vigiando, quando Jesus vier? 

Os capítulos 24 e 25 do Evangelho de Mateus constituem-se numa pérola escatológica. O capítulo 24, que pode ser dividido em duas partes, trata de temas doutrinários (24.1-31) e exortativos (24.32-25.1-46). A primeira parte fala da destruição do templo (1-2), dos sinais proféticos (3-8), das perseguições (9-14), da Septuagésima Semana de Daniel (15-22), dos falsos cristos e profetas (23-28), e da vinda do Filho do Homem (29-31). A segunda, a partir do versículo 32, apresenta uma série de admoestações proféticas que assinala a aproximação do fim: a parábola da figueira (32-35), o sinal diluviano (36-42), a expectativa do patriarca (43-44), a parábola dos dois servos (45-51), das dez virgens (25.1-13), dos dez talentos (25.14-30), e por fim, da vida e castigo eterno (25.31-46).Os principais verbos desta parte expressam uma ordem absoluta que deve ser obedecida irrestritamente: “aprendei”, “vigiai”, “estai”, etc. Todos denotam a urgência de se estar atento a fim de não ser surpreendido pela vinda repentina de Jesus.
Muitos serão surpreendidos pela vinda do Senhor. Embriagados pelas ânsias desta vida, teimam em viver como se a vinda de Jesus fosse a mais remota das hipóteses. À semelhança daqueles escarnecedores referidos pelo apóstolo Pedro, perguntam: “Onde está a promessa da sua vinda?” O que tais crentes não sabem é que já estamos em plena era escatológica; vivemos os últimos dias desta dispensação.
Estarás tu vigiando, quando Jesus voltar?

 O QUE SIGNIFICA VIGIAR

Vigiar é um dos verbos mais conhecidos nos arraiais evangélicos. Leva-nos esta palavra a uma ordem expressa e urgente de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir” (Mt 25.13). Tal mandamento, deu-nos Ele pouco antes do início de sua paixão, morte e ressurreição. O que significa, porém, vigiar?
Definição. Este vocábulo significa: observar atentamente, tomar cuidado, estar acordado, velar com toda atenção, postar-se como sentinela, precaver-se. É uma palavra rica em significados. Quando Cristo a usou, sabia Ele perfeitamente que os seus servos, nestes tempos difíceis e trabalhosos, teriam de munir-se de todos os cuidados possíveis, a fim de não serem subvertidos pelos acontecimentos que haveriam de preceder o soar da última trombeta.
 Conceituação teológica. “Vigiar, no original, é um verbo mui sugestivo; significa estar sóbrio e manter a mente limpa. Nestes dias de intensa fúria das forças do mal, conservemos nossas mentes em contínuo equilíbrio para que não percamos de vista a vinda de Cristo. Como, porém, manter o equilíbrio em meio a tantas pressões? Através da oração e súplica. Quanto mais buscarmos a face de Deus, mais aptos estaremos para resistir ao período derradeiro da Igreja na terra” (Dicionário de Escatologia Bíblica, 1998, p.177, CPAD).
Diante do exposto, a pergunta não pode ser ignorada: Estamos realmente vigiando? Ou, simplesmente, estamos a brincar de crentes, como se este mundo, que jaz no maligno, fosse um imenso parque de diversões? Irmão, não estamos num parque de diversões; encontramo-nos num campo de batalha, onde nos defrontamos com um inimigo cruel e astuto. Mas nós haveremos de vencê-lo através do sangue do Cordeiro. Aleluia!

 OLHAI, VIGIAI E ORAI

Ao transcrever o Sermão Profético de Nosso Senhor, o evangelista Marcos registra uma ênfase que todos deveríamos levar em consideração: “Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo” (Mc 13.33). Vejamos, a seguir, o por quê da ênfase que Jesus empregou nesta ordem escatológica.
 Olhai. Este imperativo leva o crente a olhar para todos os acontecimentos que, nestes últimos dias, estão marcando a Igreja de Cristo e a História Universal. Lembra-se do que estudamos nas primeiras lições deste trimestre? Na segunda lição, vimos que a Igreja vem sendo atacada por uma onda inédita de heresias, apostasias. Na terceira, realçamos os sinais mencionados pelo Senhor em seu Sermão Profético.
Por conseguinte, “quando essas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai a vossa cabeça, porque a vossa redenção está próxima” (Lc 21.28). Contemplemos os sinais não com espanto e medo; contemplemo-los com pleno regozijo; afinal, estão eles a assinalar-nos de que breve Jesus voltará.
 Vigiai. Como já vimos acima, o vigiar diz respeito à nossa conduta e ao nosso andar como discípulos de Cristo Jesus. Os que não vigiam, estão a agir como aqueles servos das parábolas do Senhor. Um resolveu enterrar o talento outro pôs-se a espancar os conservos; as néscias dormiram sem se aperceberem de azeite. E, assim, quando o Senhor voltou, encontrou todos desprevenidos.
Está você vigiando? Ou acha que Jesus nunca nos chamará a prestar contas?
Orai. Como viver sem oração num mundo que, declaradamente, jaz no maligno? O apóstolo Paulo, ao discorrer sobre estes dias aos irmãos de Tessalônica, exortou-os: “Orai sem cessar” (1 Ts 5.17). Oremos, pois, em todo o tempo, a fim de que o Senhor nos leve a viver de vitória em vitória.

 VIGIAI EM SANTIDADE

A doutrina da santificação vem sendo esquecida em muitos de nossos púlpitos. Na procura insana por aquilo que se convencionou chamar de politicamente correto, substituiu-se a teologia da santificação por um ensino de auto-ajuda e triunfalista. A grande proeza destes dias selvagens não é o ser santo, mas o triunfar na profissão e prosperar materialmente, como se estas fossem o parâmetro exigido por Deus para herdarmos a vida eterna. Todavia, a Palavra de Deus não deixa qualquer dúvida quanto às reivindicações divinas: “Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 20.7).
No Apocalipse, deixa-nos o evangelista uma exortação que jamais deveria ser esquecida por aqueles que lutam por viver a eternidade ao lado de Cristo: “Quem é injusto faça injustiça ainda; e quem está sujo suje-se ainda: e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda” (Ap 22.11).
É chegado o momento de os santos mostrarem-se cada vez mais santos. Não há dúvida de que, nestes últimos dias, presenciaremos o surgimento de uma geração que, amorosa e sacrificialmente, tudo fará para honrar o Cordeiro de Deus através de uma vida irrepreensível e piedosa: “Esta é a geração daqueles que buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó” (Sl 24.6). Infelizmente, o número dos abomináveis aumentará de forma assustadora, e tudo farão para trazer o mundo para a Igreja.
Tem você vigiado em santidade? Tem buscado ao Senhor de todo o seu coração? Sem a santificação, ninguém verá o Senhor (Hb 12.14). 
Querido irmão, breve Jesus voltará! Busquemos, pois, ter uma vida irrepreensível diante daquEle que, em breve, virá buscar-nos. Não podemos agir de maneira displicente como se fôssemos viver, neste mundo, por alongados dias. Aqui não é a nossa pátria. Somos peregrinos! E, assim, andando e chorando, caminhemos em direção da cidade, cujo arquiteto e construtor é o Senhor. 
 “VIGIAR, gregoreõ (γρεγορω), ‘vigiar’ e encontrado em 1 Ts 5.6,10, e em mais 21 outros lugares nos quais ocorre no Novo Testamento (por exemplo, em 1 Pe 5.8). Não é usado no sentido metafórico de ‘estar vivo’; aqui, é posto em contraste com o verbo katheudõ, ‘dormir’, que nunca é usado pelo apóstolo Paulo com o significado de ‘estar morto’ (só tem este significado no caso da filha de Jairo). Por conseguinte, o significado aqui é a vigilância e a expectativa em contraste com a falta de firmeza e a indiferença. Todos os crentes viverão juntos com Cristo a partir do tempo do arrebatamento descrito em 1 Ts 4; todos temos vida espiritual agora, embora a condição espiritual e a consecução de cada um varie consideravelmente. Aqueles que são negligentes e falham em estar alertas sofrerão perda (por exemplo, 1 Co 3.15; 9.27; 2 Co 5.10), mas, aqui, o apóstolo não está lidando com esse aspecto do assunto. Ele esclarece que o arrebatamento dos crentes na segunda vinda de Cristo dependerá somente da morte de Cristo por eles, e não da condição espiritual deles. O arrebatamento não é questão de recompensa, mas de salvação” [VINE, W. E. (et. al). Dicionário Vine: O significado exegético das palavras do Antigo e do Novo Testamento. RJ: CPAD, 2002, p.1059].








                                               Estudo biblico 'A grande tribulação"
                      Artigo: Pregador Escritor Mauricio Berwald 
  

       Definição :não confundir grande tribulação ,está sempre houve desde que entrou no mundo o pecado.O Senhor Jesus descreveu a grande tribulação (MC 13.19) com palavras terríveis veja mais(MT 24.31 E LC 21.22).A grande tribulação é um tempo de angustia que jamais houve "DN 12.1 desde que houve nação ou desde o principio como acabamos de ler.Na sequência pós eventos escatológicos ,enquanto a igreja arrebatada e salvos são ressuscitados está no ceu (nos ares )com Cristo ,inicia-se um novo e terrível periodo na terra,identificado na linguagem bíblica como a "grande tribulação.".Esse período será percebido por vários acontecimentos reconhecidos pelos que lêem e estudam as profecias bíblicas.

    Logo após o arrebatamento da igreja se desencadeará um período sombrio de sofrimento sobre a humanidade que os escritores tanto do antigo e novo testamento "denominam de "grande TRIBULAÇÃO".O vocabulário "tribulação"ocorre dezenas em ambos os testamentos,mas é no novo testamento que encontramos maior luz projetada ,sobre o problema dos sofrimentos do homem. 
                                       
                        O QUE ´GRANDE TRIBULAÇÃO ?


      O sentido da palavra"tribulação" na bíblia :na linguagem grega do novo testamento ,aparece "thilipsis",que significa colocar uma carga.Na tradução da vulgata latina ,aparece a palavra "tribulum" e refere-se a uma espécie de grade para derrubar o trigo ou seja instrumento usado para separar o trigo da sua da sua palha ,a idéia figura ,a de afligir ,precionar .Analgizando á luz do contexto bíblico a palavra pode referir-se tão somente a um tipo de pressão ,aflição ou angustia que se passa cotidiana outras vezes ,tem o sentido escatológico.


      GRANDE TRIBULAÇÃO ATRAVEZ DE VÁRIOS NOMES

      A expressão é essencialmente escatológica.No antigo testamento é identificada por outros nomes tais como : 

                     1.tempo de angustia 9DN 12.1-2).
                     2.tempo de angustia sobre Jacó(JR 30.7).
                     3.a ira de Deus(1TS 1.10).
                     4.o dia da vingança(IS 63.4).
                     5.o dia da tentação(AP 3.10).
                     6.a septuginta semana de Daniel9DN 9.27). 

     Os diferentes nomes que a biblia menciona para descrever este período mostram que serão tempos muito difíceis.Agora veremos adiante o comentário de cada um desses nomes ,e o sentido desses nomes expressivos.

                           1.  Tempo de angustia para Jacó dn 12.1)

  O profeta Daniel á descreve de seguinte maneira"...e haverá tempo de angustia ,qual nunca houve...".Jesus também fala a respeito em (MT 24.41 e LC 21.22),Muitas pessoas acham que grande Tribulação é só um período de desemprego doenças,crimes,desavenças nos lares,desonestidade e fome em vários lugares ,isto também por acontecimentos muito piores do que estes.

                         2.A angustia de Jacó(JR 30.7)

    O profeta Jeremias teve uma visão profética concernente a Israel que  viu como essa nação ficou libertada do jugo das nações gentilicas ,sendo restaurada ao favor divino.Mas antes que isso acontecesse ,ele viu que Israel passou por um tempo de "tribulação"sem igual ,Jeremias viu o "tempo de angustia para Jacó.

   Este sombrio tempo de angustia é ocasionado juntamente com referencias escatológicas ,como são vistas em (IS 16.5,JR30.7 DN 12.1 MT 24.21,MC 13.19,2TS 2.6 AP 3.10).Os acontecimentos que se relacionarão no período desta angustia sem precedentes na história mundial ,estão narrados nos capítulos ap 19. "A angustia de Jacó' em tal contexto torna-se mais facil de entender os ensinamentos bíblicos com referencias a um tempo final de grande tribulação,um tempo de catástrofes sem precedentes para o mundo inteiro .
    Muitas dessas profecias foram dadas a Israel ao "tempo de angustia para Jacó"nas outras profecias revelam que esse tempo será de angustia para Jacó.As catastrofes desse período atingirão toda a terra e edificarão o destino de cada nação.Nas escrituras esse tempo de angustia se acha relacionado como fim dos tempos quando Israel estiver reunido outra vez em sua antiga pátria.Isso é muito significativo ante o fato de Israel está de volta a sua terra.
  O cenário já está montado para esse exato tempo de angustia ,eo profeta Jeremias registrou(JR 30.30) logo após essa predição do seu tempo de angustia .Seu dia de angustia foi descrito em JR 30.7) com base nessa promessa a sequência de eventos que referem a Israel no fim dos tempos,será primeiro ,seu tempo de angustia e finalmente seu tempo libertação quando Cristo retornar com poder para reinar(ZC 14).

      3.A grande tribulação é chamada a irá futura (1 TS 1.10)-Ira de Deus sobre toda a terra.

    A ira de Deus se manifestará desde os céus neste tempo.Isso aconteceu nos dias de Noé sobre a terra,sob a forma de um diluvio(GN 6.13),´refiro-me a uma comparação em (GN 15.16),a bíblia fala da medida de injustiça dos amorreus,que ainda não estava cheia compare(DT 9.4-5), assim também acontecerá na grande tribulação quando a medida dos pecados desta mundo estiver cheia ele  será o grande dia da ira do cordeiro (AP 6.16-17).O Senhor mesmo  pisará o lagar do vinho do furor e da ira do Deus todo poderoso (AP 19.15).
     Outros textos bíblicos similares ,mostram que a ira de Deus pode manifestar-se cada dia virá um dia particular reservado a manifestadão da ira  divina o dia do Senhor conforme  "será o dia da ira e da indignaçao divina(EZ 7.19,MT 3.7 LC 21.23 RM 2.5 1T1.10 APOC 6.17).Devemos porem ter em principio cada detalhe do rompimento da sua ira divina durante o sombrio tempo da grande tribulação seu sentido natural divino e escatológico ao mesmo tempo. 

      4.O quarto    nome que define a grande tribulação é"a hora da tentação"(AP 3.10).
      A refencia neste versículo sobre a "hora da tentação um termo tecnico para descrever o período sombrio da grande tribulaçaõ em (tg 1.13) dia que Deus não tenta ninguém ,parece-nos mais aceitáveis o"por á prova" porque a tribulação virá não só como castigo especificamente ,mas também para atravez dele levar os homens a tomar decisões (AP 11.13),E todos não resta a menor dúvida se decidirão por arrepender ou pelo Anticristo que sem dúvida ,dominará o mundo dos impios.
     5.A grande tribulação é chamada 'o dia da vingança"(IS 63.1-4).

  Quando Jesus visitou a sinagoga em Nazaré ,foi lhe dado o livro do profeta Isaias para que lesse(LC 4.14-210),ELE intemrrompeu a leitura ,havia-se cumprido perante as pessoas que o ouviram.O filho de Deus havia deixado de ler o final do versículo que diz"o dia da vingança do nosso Deus"(IS61.1).Jesus proporcionou o dia aceitável do Senhor que está em vigor o dia da vingança do nosso Deus só sucederá na grande tribulação.

  A noção associada a esse tempo provem da tradição da gerra e permite reconhecer os seguintes elementos básicos que expressam o sentido de cada argumento:
                             1.Em um futuro próximo Deus haverá de intervir na história de Israel (IS13.10  IS 34.9  EZ 10.18 ZC 14.16),como clama-se a luta para que Deus tome vingança 9IS13.2 JR46.3 JR3.9 OB V.100,medo externo9IS13.7 JL 2.6),dores e convulsões (IS 13.80,acompanharão as pessoas ;aflições virão sobre elas 9SL1.150 e suas mãos desfalecerão (IS 13.7 EZ 7.17).
               Vejamos mais expressões sobre'o dia da vingança"


         1.dia da ira do Senhor (EZ 7.19 SF 1.15 2.30) 
         2.dia de consternação (EZ 7.7)
         3.dia  da vingança (IS 34.8 IS 63.4)
         4.dia das nuvens tenebrosas (EZ 30.29)
         5.dia de aflição (OB 12.14 SF 1.14-15)
         6.o ano da represália (JR 46.10).

    Da mesma forma pode ser aludido á esse dia atravez do plural "naquele dia' para "naqueles dias"(JOEL3.10 e finalmente atravez de uma expressão que já Jeremias 4.1 estivera para le´lo, naquele tempo que é conhecido em DN 15 vezes,o tempo do fim ,naquele tempo(JOEL 3.1 SF 1.12 SF 3.19-20).
      -Todos esses e seus correlatos apontam por referencias ou inerreferencias para o período sombrio da grande tribulação.Como se´ra terrível esse dia do Senhor ,é terrível a sorte daqueles contra quem começa a enfurecer a ira do Senhor.
      -Toda humanidade estará aterrorizada ,todas as faces estarão afogueadas ,coradas de terror ,a injustiça será vingança quando isto acontecer ,o dia de compaixão ,só a  ira é derramada.As estrelas do céu e suas consternadões se entenebreceram ,assim o Senhor vem para julgar as pessoas do mundo.
     -Quem permanecerá de pé quando ele aparecer?Só os que invocarem o nome do Senhor ,porque o Senhor vem assim para visitar o mal da humanidade ,toda a natureza ficará profundamente perturbada ,os céus tremem e a terra é sacudida.O que aconteceu com Sodoma e Gomorra não se compara o que esta prestes á acontecer no dia da vingança ,a agua e a terra se formam em piche,enxofre ,fica bem claro que sobre os impios a ira de Deus irá se voltar contra os impios de forma mais apavorante.
   Emprega-se para 'ira de Deus"em nove das 19 vezes estão no livro do apocalipse ,onde a ira de Deus é retratada ferindo somente os impios (ap 11.18e 14.8),vem sobre a Babilonia AP 14.19,AP15.1,Vem sobre os exércitos no Armagedom (ap15.1-7 16.1-19),e vem sobre os habitantes da terra.No Armagedom ,Deus está em foco como um grande guerreiro  vingador ;suas palavras ali são solenes (IS63.3 RM 2.8).Fica bem claro e este dia como é descrito na bíblia como tempo de castigo ,de juízo dos céus ,do derramar da ira de Deus.
     Há diferença entre "o dia de Cristo"e "o dia do Senhor".O dia de Cristo se refere ao tempo quando os cristãos se apresentarão perante o tribunal de Cristo ,em seus corpos glorificados e o  "dia Senhor" ou o dia da vingança refere-se ao tempo quando Deus estiver derramando seus juízos sobre á terra e descer  para implantar seu reino mundial teocrático ,inicia-se o milênio.

                O PROPÓSITO DA GRANDE TRIBULAÇÃO            

            Dois dos propósitos principais se destacam:
            1.levar a Israel a receber o seu messias.
        2.trazer juízo sobre o mundo,especialmente sobre as nações incrédulas .vejam a respeito do primeiro propósito: 
             
                         1.levar Israel a receber o Messias


     O profeta Jeremias profetizou que esse tempo será identificado como o tempo de angustia Jacó(JR30.7),revela que será um tempo especialmente para eventos desse período são indicados na bíblia como "o povo de Daniel" ,a "fuga no sábado" ."o templo e o lugar santo""santuário","sacrificio"e outras mais .São expressões tipicas das experiências politicas e religiosas de Israel ,antes de qualquer coisa esse período e especialmente para o povo judeu.

                                2.Trazer juízo sobre a terra  

 Em apocalipse 3.10 revela esse propósito quando fala á igreja e fornece garantia de que será guardada daquele tempo .Mais uma vez compreende-se que a igreja não vai passar pela grande tribulação ,entendemos que esse período alcançará a todas as nações da terra 9JR 25.32-33,IS26.21 2°TESS2.11-12),E que estará julgando por sua impiedade a terra conforme o apocalipse,o juízo  final não será no período da grande tribulação.As nações da terra terão sido enganadas pelo ensino da grande meretriz religiosa ,chamada Babilonia 9AP 14.8)E seguindo o falso profeta na adoração á besta(Ap 13.11-18),esses juízos virão para purificar a terra quando o Messias assumir o comando do governo ,haverá paz e justiça.

 A IGREJA NÃO ESTARÁ NA TERRA NO PERÍODO DA                                         GRANDE TRIBULAÇÃO.

    Jesus disse aos seus discípulos que eles eram o sal da terra e luz do mundo."Como sal"ele preserva o mundo deterioração moral ,e espiritual."como luz"dissipa as trevas do pecado e da corrupção e da ignoranciâ da humanidade a cerca do evangelho .Desse modo á missão na terra ,principalmente no fim dos tempos ,é impedir a ação do espirito do anticristo que já opera no mundo.A promessa de que a igreja não passará pele grande tribulação é de Jesus (1°TS 1.10 RM5.9 1°TS5.9).

    Pelo exposto nesta e nas outras lições pertinentes ao assunto ,podemos afirmar que a igreja não passará ,não sofrerá os tormentos  da grande tribulação ,visto que quando iniciar ,os salvos já estão com Jesus ,pois foram arrebatados antes da ira divina ser derramada sobre os impios(LC 21.36).Os partidários do arrebatamento da igreja depois da grande tribulação insistem que os rigores da tribulação são exclusivamente para Israel .Porem entendemos que o arrebatamento dos salvos em Cristo acontecerá nem na metade ,e nem depois da grande tribulação ,mas exatamente antes dela ,para livrar a igreja desse inigualável  tempo de sofrimento(1° TS 1.10 .AP 3.10).
      Podemos perceber que os juízos de Deus sobre Israel e o mundo naqueles dias só terão inicio depois que a igreja for arrebatada ,tirada da terra.Até o capitulo 5 de apocalipse se fala da igreja ,mas no capitulo 6 ,quando se inicia os juízos,á igreja não mais aparece se não no capitulo 19 .Os participantes da idéia de que a igreja estará na metade da grande tribulação confundem essa metade que será de uma falsa paz negociada entre Israel e o anticristo(DN9.27),não cremos que a igreja necessite de paz do anticristo bem como podemos interpretar o cavalo branco de AP 6.2 como sendo Cristo ,uma vez demostrações dos juízos divinos(AP 6.2-8). 

                   O TEMPO DA GRANE TRIBULAÇÃO

                             QUANDO TERÁ O INICIO? 
   Este iniciará logo depois do arrebatamento da igreja ,a bíblia diz que o mistério da injustiça opera somente a um que agora resiste até que do meio seja tirado  2° TS 2.7 ,o que se opõe ao aparecimento do anticristo é a igreja do Senhor ,morada de Deus em espirito(EF 2.22 ,JO 3.24 4.13-16),Quando este "impedimento" ,for tirado ,então será revelado o iníquo (2°TES 2.8 ).Ou  quando completar o tempo dos gentios (LC 21.24 EZ 30.3 RM 11.25).


                A SETENTA SEMANAS DE DANIEL DN 9.24
   As principais profecias do livro de Daniel são do capitulo 9.A do capitulo 2 revela o futuro do mundo gentílico cujas nações amotinadas contra Deus serão destruídas por Cristo na vinda com poder e grande gloria para julgar e depois reinar  mil anos na terra.A segunda profecia mais importante do livro de Daniel ,é a do capitulo 9,que veremos adiante a qual revela o futuro da nação Israelita.

    É importante entendermos corretamente está profecia das 70 semanas para assim  entendermos o sermão profético de MT 24 ,o livro de apocalipse ,esta profecia das 70 semanas envolve profundamente tanto um como o outro .Quase todo o livro do apocalipse é apenas  uma ampliação da profecia preditiva a ultima das 70 semana de Daniel.

                          AS 70 SEMANAS SÃO DE ANOS

     A duração deste periodo é calculado pelo estudo da passagem em (DN 9.24-27).Foi revelado a Daniel na ocasião de sua fervorosa oração em favor do povo de Israel que setenta semanas ,ou seja ,sete de anos e não de dias como o versiculo 2 indica,foram determinadas ou marcados sobre seu povo e a cidade santa Jerusalém. Este   periodo de  70 semanas ou seja ,70 vezes 7 anos,correspondem ,490 anos de 360 dias  em cada ano .Este iniciou com um decreto para reconstruir a cidade de Jerusalem ,tal decreto foi realmente expedido por Artaxerxes rei da persia ,no dia 4 de março do ano de 445 a.c.Em daniel 9.24 ainda não se cumpriram portanto são futiros em mateus 24.15 o Senhor jesus deixa bem clado que a ultima das 70 semanas é ainda futura uma vez que o fato citado por ele ,enquadra-se na 70 semana ,conforme em Dn 9.27 ,a qual ainda não teve cumprimento.

                     A QUE SE REFEREM AS 70 SEMANAS ?
  
    As 70 semanas tratam de provações e sofrimento pelos  quais Israel já passou e terá que passar antes que venha o Messias libertar(ZC14) para que tenham as transições em e Israel experimentar justiça e eterna ,eles concernentes  sobre a tua Santa Cidade ,a cidade de Jerusalem v24 .Fica bem claro que as 70 semnas são destinadas exclusivamente a nação de Israel ,e todos que opõem a Deus.

                          A PROFECIA DAS 70 SEMANAS
         Nesta profecia cada dia da semana significa um ano ,e, cada semana refere-se a um período de 7 anos .As 70 semanas compreendem 70 vezes 7=490 anos.

        Os dias das 70 semanas são de dias para anos  ,isto é, cada dia correspondem a um ano ,são dias proféticos .Ezequiel 4.7 e numeros 14.34 ,portanto ,as 70 semanas de Daniel do capitulo correspondem aos 490 anos ou dias proféticos.

         A DIVISÃO DA SEMANA OU TRES PERÍODOS DAS 70 SEMANAS DE DANIEL
        O exame da passagem ,DN 9.24-27 ,mostra que as semanas estão divididos em três grupos .Esses são :
                                       -7  semanas = 49 anos
                                       -62 semanas=434 anos
                                       -1 semana =7 anos
    Vejamos na sequencia cada grupo dessas três acima citados:

                      O PRIMEIRO PERÍODO (DN 9.25 )

                           SETE SEMANAS =49 ANOS

  O primeiro periodo :7 semanas =49 anos, este periodo começou com a expediçao do decreto da reconstrução de Jerusalem em 455a.c por Artaxerxes em Nemias ,cap 2 ,a data fixada por nemias 2.1 ,com o vigésimo ano do reinado de Artaxerxes rei da Pérsia ,foi 14 de março de 445 a.c ,Artaxerxes subiu ao trono em 465 a.c.

  Nemias foi comprometido ou compromissado pelo rei para executar esse ato.Em nemias 2.1-8 vemos que pediu ao rei para voltar a sua terra e reedificar a cidade e os seus muros.
     Esta parte da profecia (DN9.25) cumpriu-se .com a restauração de Jerusalem no fim do 49 anos correspondem as 7"semanas " com isso  chega-se ao ano de 397 a.c ,portanto 49 anos    começaram com ultimos anos dos judeus no cativeiro Babilonico ,seu retorno á Jerusalem em três etapas consecutivas  1° sob Zorobadel   2 °sob Esdras   da restauração de Jerusalem (muros e templos). 

         O SEGUNDO   PERIODO (DN9.25-26) 62 SEMANS =434 ANOS. 
    
          Aqui esta o periodo inter-biblico entre malaquias e mateus ,refere-se ao tempo do fim do antigo testamento até a chegada do Messias .
     As 62 semanas,ou seja 434 anos com os judeus já restaurados em Jerusalem na vida social ,economica ,religiosa  ,entende-se até o nascimento de Jesu ,até sua morte ,nesse periodo o ungido foi rejeitado pelo seu povo (DN 9.2-6).
    É  impressionante observar que desde a ordem de edificar aquela cidade até a entrada triunfal de Jeus em Israel ,passaram exatamente (7 vezes 62) , 69semans de anos ,ou seja (69 vezes 7) 483 anos ,esse periodo é até o ano 32 d.c.
   O cumprimento 62 semanas :foi exatamente no dia 6 de abril de 32 d.c é adaptada definida fixada como o fim do periodo das 69 semanas da profecia de Daniel ,isso tem a ver perfeitamente com as palavras proferidas por nosso Senhor Jesus (LC 19.28-44) que conhecia a significação do cumprimento das passagens de zacarias 9.9 e salmos 118.22-28,quando os se recusaram a aceitar o Messias naquela importante entrada triunfal em Jerusalem foi literalmente "cortado" dentre eles compare Lucas 9 19.41-42 e Daniel 9.24-27).
  Com  a rejeiçao de Jesus pelo povo (JO1.10 os céus abriram um parentese para inaugurar o tempo da graça por aqueles que o todo poderoso purificou para si,a fim de serem seu povo especial ,zeloso ,de boas obras (TITO 2.14).Nós somos agora a coluna e a firmeza da verdade de (2°TS 3.15).O resultado da graça é igreja de Paulo em efésios 3.13 refere-se ao mistério que este oculto dos séculos e que nos seus dias manifesto  a revelação da graça (EF3.2).
    A igreja resultado da rejeição de Jesus pelos povo Judeu a oportunidade para os gentios,Jesus veio pregando o evangelho do reino ,isso vale dizer que veio pregar ao povo Judeu que é o povo da promessa(JO 1.11).A rejeição dos judeus resultou tambem em oportunidade e benção para os gentios.Hoje nós estamos em plena época de graça ,há mais de 2000 anos estamos nela GLORIA DEUS.O pecador tem o direito ou livre arbitero de rejeitar ao Senhor Jesus podendo naturalmente sofrer as consequecias eternas da sua rejeiçao de Israel acabou a contagem do tempo , 62 semanas estavam determinadas para os judeus ,ou 434 anos.
   Profeticamente rsta uma semana ,(7 anos) ,a ultima ninguem sabe a duraçao deste intervalo porque ele no momento do arrebatamento da igreja com vinda de Jeus o impedimento para a manifestação do anticristo será tirada 2°tess 2.7-8 e começar a contagem da septugésima semana o periodo da grande tribulação.


                      O TERCEIRO PERIODO   DN 9.17
                            1 SEMANA (7 ANOS)

      O terceiro periodo uma semana ,ou seja ,(7 anos) conforme está escrito no texto (DN 9.27).Misteriosamente acontece o intervalo profético na sequencia natural das 7 semanas identificado como dos gentios na(o nosso tempo) no qual se destaca a igreja é formada edificada e arrebatada antes que começe está ultima semana de 7 anos  ,após o arrebatamento da igreja se iniciará a ultima semana que são 7 anos de tribulação ,ou seja após o arrebatamento da igreja terá lugar está ultima semana , a qual  abragerá com surgimento do anticristo no cenario mundial .Porque há uma pausa tão prolongada entre 69 semana /Pois é chamada tempo dos gentios ,para que possam ser salvos ,decidir-se para Cristo.Fica bem claro e entendido que está ultima semana iniciará após o arrebatamento da igreja.

                 O anti-cristo e seu plano de paz mundial

       Trata-se é claro ,de falsa paz na sua visão sobre a grande tribulação,João viu em plano ,quando diferentes cavalos do apocalipse entram em cena.O primeiro era branco ,e seu cavaleiro tinha como lema ;"vitorioso para vencer (AP6.2),há quem pense que isso simboliza o evangelho  e o cavalo era vermelho ,o qual tira paz da terra(AP 6.3-4),e terceiro cavalo preto ,e que representa a fome mundial(AP 6.7-8),assim podemos compreender que o cavalo representa o anticristo é o branco ,com seu plano de paz,quando disserem há paz e segurança virá repentina destruição.

           Resumo dos acontecimentos na grande tribulação 

      Daniel (9.27) ,divide o periodo da tribulação em duas etapas ou 2 partes iguais:O principe que há de vir ofereçe   paz e proteção aos judeus ,alem de liberdade religiosa ,ou seja o anticristo entrará em cena como lider mundial capaz de encaminhar a solução para todos os problemas da humanidade.Nestes 3 a 6 meses ,o anticristo e sua organização controladora de tudo ,vivemos já no tempo dos computadores.Os homens cada um seu numero ,e dentro qualquer coisa sobre a pessoa,isto lhe dará um conhecimento total sobre a todos,assim poderá controlar no sentido de que ninguem tenha idéia diferente,contraria dele.Nesse controle está tambem incluida a religião,ninguem terá direito de ter religião diferente do seu plano ,e a unica adoração á besta(AP 13.12).

     2° FASE DA GRANDE TRIBULAÇÃO TRÊS ANOS E MEIO

        Passado três anos e meio ,o anticristo quebrará o concerto feito com Israel ,ao se assentar no templo ,para ser adorado como deus(2°tess 2.4),ou seja ,passamos  3 anos e meio então terá lugar aquilo que é conhecido como abominação da desolação ,o que para todo judeu significa idolatria.
     O anticristo provalmente ira se apresentar com alguem que deve ser adorado.Pois o anticristo alcançará o apogeu ou maximo dominio mundial e haverá a falsa paz,depois de feito está aliança atravez de sua astucia e inteligencia,porem esta aliança com Israel não tenha plena aprovação do judeus.Sua tentativa será de estabelecer a paz sobretudo no oriente médio oferecendo um tratado de paz.O mundo ,embrigado pelo poder politico ,entrará em Israel e então inicia a grande angustia de Israel(2° tess 2.4 ,Ap 13.8-13),os judeus serão obrigados a adorar o anticristo ,assim ,a segunda metade da septugésima semana de Daniel será a grande tribulação propiamente dita (MT 24.15). 
      Nesta altura dos acontecimentos na segunda parte da grande tribulação ,Deus derrama seus juizos cada vez mais severos com abertura dos sete selos e com otoque da 7 trombetas tambem.A grande tribulação termina com o vinda de Jesus com poder e grande gloria conforme ZC 14 e AP 19).
     No fim deste periodo ,quando Jerusalem estiver cercada  pelos exercitos das nações aliadas sob o dominio do anti-cristo(ZC14.1-4 JL 3.9-17).Quando Jerúsalem estiver cercada pelos exercitos das nações confederadas sob a besta e os judeus estiverem sem mais qualquer esperança de livramento ,ao ponto de serem tragados pelo inimigo,e não disposerem mais nenhum meio de resistencia,nesse momento esse o povo Judeu se arrependerá invocando o nome do Senhor pedindo socoro(IS 64 ZC 12.8-10),INESPERADAMENTE SEM ALGUM AVIVSO PRÉVIO ,aparecerá JESUS em grande gloria ,acompanhado dos exercitos celestiais (AP 19.11-14).O Senhor se manifestará do céu ,vindo como seu libertador e vingando-se dos seus inimigos ,o espirito de graça e suplica ,será derramado  sobre os judeus(ZC 12.10).
    Cumprirá (AP 1.7 ,IS 52.6 ,AP 19.11-16 ,ZC 14.4-5 ,AP 21.9).O resultado da batalha é uma vitória esmagadora para o Senhor Jesus Cristo .Quando Israel contemplar Jesus vindo em gloria ,reconhecerá nele o tão aguardado Messias.Haverá um grande terremoto ,pranto em Jerusalem naquela atitude de arrependimento ,todos os judeus serão salvos (RM 11.25-26),O Senhor fará com que eles uma nova aliança(HB 8.10 ,10.16-17) E implantará seu reino milenar.  



    A  IGREJA VAI PASSAR PELA GRANDE TRIBULAÇÃO?
      
                  AS TEORIAS SOBRE A GRANDE TRIBULAÇÃO
                                       Artigo Mauricio Berwald

  É  de grande importancia utilizar-mos aqui ,informações sobre as teorias acerca da grande tribulação.Somente uma é verdadeira e as outras tem causado confusão na mente de muitas pessoas ,que as vezes não tem pesquizando ou analizado pela biblia,qual realmente é a teoria ou doutrina biblica acerca deste assunto.Tenho pessoas dizerem e afirmarem coisas sobre a grande tribulação que a biblia não diz.Citam referencias completamente fora de seu sentido real,torcendo as Sagradas Escrituras e semeando heresias e falso ensinos.
    É  de grande importancia valida que iremos tratar adiante,pois é esclarecedor se a igreja passará ou não pela grande tribulação.Existe os ensinos distorcidos entorno deste assunto em foco.Tenho certeza que não ficará mais duvida .Muitas pessoas que fazem confusão no que diz respeito a grande tribulação.Examinaremos todas teorias existentes e seus pontos de vista,mas vamos  mostrar que somente uma é verdadeira e aceita pela maioria.As quatro teotias são; 1.PRÉ-T, 2.PÓS-T,3.MID-T,4.ARREBATAMENTO PARCIAL 5.PÓS-T IMINENTE.Iremos começar ver a teoria pos-t.
                              1° ) PÓS-TRIBULAÇÃO 

        Na teologia cristã primitiva não havia esperança de um arrebatamento antes da grande tribulação.Pelo contrario a espectativa da vinda de Cristo incluia os eventos que precediam e acompanhavam Sua vinda.Hávia ,certamente ,uma antecipação de que este complexo de eventos logo ocorresse ,mas a expectativa foi para o grupo inteiro de acontecimento-a vinda do anticristo ,a grande tribulação ,e volta de Cristo.falaremos um pouco mais  sobre este assunto ponto de vista da igreja primitiva,bem como a história  posterior do pós-t
                  1.O autor da carta de Barnabé(apócrifo)

Não poderia ter esperado que Cristo voltasse a qualquer momento ,porque esperava antes um grande periodo final de aflição .A igreja passaria pela grande tribulação ,e Cristo viria destruir o Anticristo somente no termino .Em especial ,o autor da carta de Barnabé acreditava que o fim não viria até que o império romano tivesse sido dividido em 10 reinos.Tal coisa obviamente não poderia ocorrer de um momento para outro,porue naquele tempo o poderio romano estava no seu apogeu. 
                                2.Justino Martir (100?-165?)

      Justino(cristão) um dos mais antigos ,que era claramente pré-milenista ,previa os crentes sofrendo grandes perseguições antes da vinda do Senhor.Sua referencia ao Anticristo embora breve ,basta para indicar que Justino acreditava que aqueles sobre os quais incluiria a igreja.

                              3.Lactancio (250? 320?)
  
     Lactancio  descreveu vividamente as condições horriveis que prevaleciam nos ultimos  tempos.A tribulação seria tão severa que destruiria nove decimos da humanidade ,sobreveria estes males dos tempos do fim.O anticristo viria perseguir os justos no periodo dos ultimos 3 anos e meio.Um sinal especial anuniciaria a vinda de Cristo:"Cairá repentinamente do céu uma espada ,fim de que os justos saiam que o lider da guerra santa para descer.Todas essas conciderações indicam que lactancio era um pos-t.

                                     3.Hípólito(236?)

      Hipólito  bispo em roma na primeira parte do seculo 3°,escreveu um tratado sobre o Anticristo .Interpretou apocalipse 12 como sendo um ensinamento de que o adversário perseguia a igreja,certamente identificou os "os santos'em apocalipse 12 como sendo a igreja.Jesus viria do céu somente depois da abominação da desolação ,e depois de ocorrerem todos os eventos acompanhantes.
     Após ver acerca dos pais da igreja nós chegamos a conclusão que diz "cada pai da igreja que trata ,do assunto que a igreja sofrerá com o Anticristo.Deus pouparia a igreja atravez do sofrimento e Cristo viria livrar mediante a sua volta no fim da grande trib quando ,então destruirá o anticristo ,livrará sua igreja e traria aomundo ao fime inauguraria o seu reino milenar.O ponto de vista que prevalece pe ´pré-milenismo pós-trib(notas e.ladd coment apoc 1985). 
    Conforme foi observado antes ,a o ponto de vista escatológico de Hipólito tornou-se sempre dominante até chegar a idade média,e o pré-milenista entrou dominante no ponto de vista da maioria.Alguns segmentos da reforma foram pré-milinistas na sua orientação ,e todos eram en raridade pos-tribulacionistas.Alguns destas seitas passaram por verdadeira opsição e até perseguição. 

  PROVAS BIBLICAS QUE A IGREJA NÃO PASSARÁ PELA                                    GRANDE TRIBULAÇÃO.


     O ponto de partida para o exame do pré-t ,é seu modo de ver a natureza da grande tribulação.Os pré-tribulacionistas insistem em que esta realmente é grande tribulação ,uma tribulação completamente sem igual na história .Embora alguns escatólogos ressaltam que a igreja sempre tem expirimentado a perseguição e ,portanto ,a tribulação ,o pré-tribulacionismo vê esta tribulação como sendo tão intensa que não será facilmente confundida com a tribulação em geral.
  
                            História do pré-tribulacionismo

      Os cristãos primitivos evidentemente aguardavam  uma grande aflição como experiência pessoal .O Didaque do seculo 2° ,aparen-mente tinha parte ,a intenção de preparar os cristãos para aflição vindoura.Quatro artigos são de modo semelhante ,pré-milenistas sem serem pré-t,dois exemplos são o Pastor Hermas e a carta de Barnabé.A doutrina encontrou expressão na literatura apocaliptica.A crença cristã estará fundada sobre os escritos dos profetas do antigo testamento e os ensinos no novo testamento ,e confirmada pela revelação feita,João na ilha de Patmos.
      Há um paragrafo interessante do Pastor Hermas ,que fornece alguma informação a respeito do assunto em uma ilustração.Talvez o primeiro dos pais da igreja ofereça um tratamento pernorizado da tribulação foi Irineu (130- 200/ d.c).Seus escritor revelam que era pré-milenista,renomado.Ele parece afirmar que a igreja será arrebatada durante a grande tribulação dize portanto ,quando no fim a igreja for finalmente levada deste mundo é dito"haverá tribulação tal como jamais ouve desde o começo ,nem jamis haverá",pois este é o ultimo conflito dos justos no qual forem vencedores ,serão coroados com incorrupção.Não tentaremos continuar com a investigacão desta literatura,mas faremos um sumario da prova.
   Nos testemunhos dos pais da igreja  antigos ,há um silencio quase que absoluto com relação ao assunto .Falam freqüentemente de tribulação ,mas mui raramente de um período futuro conhecido como tribulação.Isto se deve ,sem dúvida ,ao fato de que  período do segundo e terceiro século ,a igreja estava passando pelos romanos ,e não se preocupavam  muito com está questão de um período futuro conhecido como a tribulação .Fica a impressão que os crentes que estavam enfrentando e sofrendo com o predito de tribulação.
     Apenas de que tomando como um todo ,o testemunho dos pais da igreja é meio inconsistente ,parece que temos em Hermas ,como já mostramos ,uma indicação razoavelmente claro do fato que havia alguns que criam que a igreja seria levada antes daquele período de julgamento começar.É evidente ,entretanto ,que os Pais aceitaram não apenas a idéia pré-milenar da vinda de Cristo ,mas também consideravam essa vinda ,como iminente .O Senhor os havia ensinado ,a esperar  Sua volta a qualquer instante ,e portanto esperavam que ele viesse em seus dias .Não apenas isso,mas também ensinaram sua volta pessoal ocorreria imendiatamente ,com exeção dos Alexandrios ,que também rejeitavam outras doutrinas fundamentais,mas igreja primitiva permaneceu firme nas doutrinas . 
     Podemos dizer que a igreja primitiva vivia na constante ,expectativa de seu Senhor ,e portanto não estava interessada na possibilidade de um período de tribulação futura.O conhecido escritor Jhon Walvoord afirma"não há pouco ,nos escritos dos pais da igreja uma exposição detalhada e estabelecida de qualquer outro especto do pré-milenismo .Na realidade conforme ele notou ,a maioria das doutrinas mais importantes foram desenvolvidas no curso de vários anos e vários seculos.A doutrina da trindade não recebeu uma declaração definitiva e geralmente ,aceita até o seculo 5°e depois ,a partir do Concilio de Necéia em 325.A doutrina da depravação humana não era uma doutrina estabelecida da igreja até o seculo 5°.
     E a doutrina do sacerdócio  do crente não ficou pronta ou estabelecida até a reforma Protestante,se estas doutrinas ,por básicas e entrais que fossem ,não eram formuladas de modo definitivo de uma noite e dia para o outro.É estranhar que os pormenores da escatologia ,que são especialmente dificeis ,fossem lentos em desenvolver .É interessante que os pais Nicenos e os lideres da idade média silenciaram com relação ao arrebatamento pré-t. 
      Com a acensão de Constantino e da  igreja Estatal ,a igreja começou a usar passagens da biblia referentes a volta de Jesus como uma alegoria .A verdade entretanto não foi inteiramente extirpada no período da idade média,mas somente era aceita pelos pequenos grupos que se mantiveram afastado da igreja Católica.É claro que a rejeição de uma doutrina verdadeira do milênio tem de ser acompanhada pelo o ensino referente a tribulação.

                                 No periodo da idade média

     Os reformadores voltaram a doutrina da vinda de Cristo ,mas veio a necessidade de enfatizar a verdade da justificação pela fé,não se dedicaram ao desenvolvimento do ensino referente a volta de Jesus.Como consequencia ,não nos deixaram literatura consideravel sobre o assunto .
      No periodo da idade média ,a interpretação escatológica que foi paulatinamente adotada ,era assim chamado ponto de vista histórico que colocara  eventos escatológicos dentro da igreja.Na reforma,os protestantes tendiam a identificar  o Anticristo com roma papal.A tribulação jé estava ocorrendo ,ou correria no descurso normal da História.Neste calabouço ,certamente não havia  expectativa de uma vinda .Até mesmo os protestantes que eram pré-milinistas tendiam a seguir o modo de vinda histórico  de interpretação.

         O perido da idade média contemporranea e moderna

    No começo do seculo 19,o pré-tribulacionismo nitido nos pontos de vista de "Jhon Nelson Derby'(1800-1882) um membro do movimento dos "irmãos" de "Playmout".Este movimento começou em "dublin 1825),como grupos de irmãos preocupados com vinda com condição espirutual da igreja protestante na Irlanda .Grupos semelhentes de oração e comunhão surgiram noutros lugares.

     Darby ,que entrou na comunidade em 1827 ,bem como outros lideres do movimento ,envolveram-se nas conferencias preféticas de escatologia,levados a efeitoem "Powercourt house".O ponto de vista exposto nas conferencias era muito semelhante aquele que se achava na igreja primitiva;um ponto de vista futuristica quanto a vinda do Anticristo ,que infligiria severa perseguição sobre a igreja no periodo da tribulação.Conforme este ponto de vista ,Cristo
voltará no fim da grande tribulação para libertar Sua igreja,Darby introduziu o verdadeiro conceito "Cristo virá arrebatar Sua igreja antes da grande tribulação" e antes de Jesus vir em gloria para estabelecer seu reino milenar(AP 17).
    O conceito de Darby resultou em uma divisão do movimento Irmãos .Samuel P. Tregelles,um membro dos Irmãos nos primeiros dias do movimento alegou se que a idéia de uma vinda secreta de Cristo para arrebatar a igreja originou-se uma profecia na igreja de Edward Irving,um pregador na conferencia profética da qual se derivou as reuniões em "Power Court House".Darby aceitou como ,sendo a voz do Espirito Santo e aceitou a doutrina.
  
                                     Darby enfrenta opositores

   Embora muitos dos primeiros lideres destas conferencias fossem pos-tribulacionistas ,a maioria era pré-trib e foram eles que fizeram o impacto maior sobre o movimento ,a teoria verdadeira ,estas conferencias foram o ponto de partida para divulgação e pregação.

    O movimento dos institutos biblicos tambem foi eficaz em                                 promover a doutrina escatológica

   Nesta época floreceu muitos institutos biblicos "pré-t" que ensinavam com eficacia acerca do assunto.O povo desejava apreender a respeito do assunto,encontravam os institutos bíblicos ,em nosso presente seculo ,jé estão espalhados por muitos países ,pois jamais a verdade poderá ser apagada.Enquanto os teológos sustentarem outras teorias ,distorcidas ,os estudiosos  "pré-t"cada vez mais lhes esclacerão e apoiados pala maioria ,ois ensinando nos institutos biblicos principalmente institutos conservadores.



                     O Anticristo Definição etimológica.

De origem grega, a palavra Anticristo significa, etimologicamente, aquele que se levanta contra Cristo, colocando-se em seu lugar (1 Jo 2.22).

                                 Definição teológica

O Anticristo é o representante máximo de Satanás. É a sua mais perfeita representação (1 Jo 2.18). Trata-se de um homem que, aliciado pelo Diabo, colocar-se-á à sua inteira disposição, com o intuito de governar o planeta em seu nome.
Ele é conhecido também como a “besta que sobe do mar” e o “homem da iniquidade” (Ap 13.1; 2 Ts 2.3). Daniel no-lo mostra como o “assolador” (Dn 9.27).

                O APARECIMENTO DO ANTICRISTO

 O Anticristo manifestar-se-á logo após o arrebatamento da Igreja. A sua chegada coincidirá com a Septuagésima Semana de Daniel (Dn 9.27). E o seu governo terá a duração de três anos e meio (Ap 13.5). Após esse período, enfrentará a ira do Cordeiro: a Grande Tribulação.

 Lugar
 A sede política de seu governo será a cidade que, no Apocalipse, chama-se Babilônia (Ap 14.8). A hermenêutica profética permite-nos identificá-la com a metrópole que, no passado, sediou o Império Romano. Quando este reedificar-se, o Anticristo haverá de tomar a cidade de Roma como sede administrativa.
Sua capital religiosa será Jerusalém que, espiritualmente, recebe do Evangelista os cognomes de Sodoma e Egito (Ap 11.8). Por ocasião da Septuagésima Semana de Daniel, o Santo Templo já estará reconstruído. E nele assentar-se-á o Anticristo como se fora Deus, reivindicando uma adoração que cabe apenas a Deus (Dn 9.27; Mt 24.15; 2 Ts 2.4).
De Roma e de Jerusalém, a Besta que sobe do mar governará o mundo todo por quarenta e dois meses (Ap 13.5). Nessa empreitada, será sustentado pelo Dragão e pelo Falso Profeta.
III. O SUSTENTO DO GOVERNO DO ANTICRISTO O

 Anticristo contará com o suporte de dois tenebrosos personagens: um espiritual: o Dragão; e o outro humano: o Falso Profeta.

                                            1. O Dragão.

O Dragão é identificado no Apocalipse como a Antiga Serpente (Ap 12.9). Conhecido também como Diabo e Satanás, foi o responsável pela primeira apostasia da humanidade, ao induzir Adão e Eva ao pecado (Gn 3.1-7). Nos últimos dias, seduzirá a raça humana a cometer a segunda grande apostasia da história: adorá-lo como deus na pessoa do Anticristo.
Os historiadores futuros certamente verão essa última rebelião da família adâmica como a Queda das quedas e a Apostasia das apostasias.

                                         2. O Falso Profeta

 Embora não passe de um embuste, o Falso Profeta será convincente e irresistível. Seus milagres e prodígios serão de tal forma grandiosos que até fogo fará descer do céu (2 Ts 2.9; Ap 13.13). O apóstolo Paulo chama seus milagres de mentirosos. Ele realizará dois grandes sinais. O primeiro será uma falsa ressurreição: fará com que o Anticristo, dado como morto num possível atentado, volte à vida (Ap 13.3). Diante do acontecido, a humanidade exclamará: “Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?” (Ap 13.4).
Se o primeiro sinal causou admiração e espanto, o que não diremos do segundo? Ele ordenará aos que habitam na terra que ergam uma imagem à besta que sobrevivera à ferida mortal. Em seguida, dará vida à estátua, que se porá a falar (Ap 13.14,15). Com esses prodígios, convencerá todos a aceitarem a plataforma de governo do Anticristo.

IV. A PLATAFORMA DE GOVERNO DO ANTICRISTO O Anticristo usará de todos os artifícios, quer naturais quer sobrenaturais, visando:

                         1. A promoção da mentira.

 Representante do pai da mentira, o Anticristo terá por objetivo apagar toda a verdade que Deus imprimiu na Bíblia, na consciência humana e na história. Somente assim, conseguirá aprisionar a humanidade (2 Ts 2.11). Ele já começou o seu trabalho relativizando a verdade, inclusive a teológica.

                                2. A promoção do pecado

O Anticristo é conhecido também como o “homem do pecado” (2 Ts 2.3). Hoje ele promove o homossexualismo, o aborto e a eutanásia, como se tais pecados e iniquidades fossem virtudes teológicas. Amanhã, quando assumir o governo do mundo, promoverá o genocídio dos que não lhe aceitarem o sinal, e não haverá ninguém para levantar a voz contra esse crime (Ap 20.4).

                      3. A promoção do culto a Satanás.

Durante o seu governo, constrangerá a humanidade a adorar o Dragão e seus demônios (Ap 9.20). A fim de que a idolatria, em seu mais alto grau, espalhe-se por toda a terra, o Anticristo levantar-se-á contra Deus e contra os que o adoram (2 Ts 2.4).

            4.A promoção de uma economia única.

 O Anticristo sabe que, somente controlando a economia do mundo, conseguirá subjugar a política internacional. Por isso, instituirá um código, conhecido como a marca da besta, para que sem o seu número ninguém possa comprar ou vender (Ap 13.16-18). Com a globalização da economia, os governos caminham nesse sentido, não pressentindo o que os espera num futuro bem próximo.

 Quando o Anticristo proclamar já ter alcançado todos os seus objetivos, o Dia do Senhor virá e ele sofrerá repentina destruição (1 Ts 5.3). Isso acontecerá após o seu quadragésimo segundo mês de governo (Ap 13.5).O que a Bíblia chama de Grande Tribulação abater-se-á sobre o reinado do Anticristo, levando-o à completa ruína. É a ira do Cordeiro sobre o império do mal (Ap 6.16).Jesus Cristo destruirá o império do Anticristo, para implantar o Reino de Deus em sua plenitude: “Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” (Ap 11.15).
pocalipticos-isto é,são visões da parte de Deus.(EZ 1.1 DN 10.4-10 APOC 1.1-2).









  A BÍBLIA E AS DISPENSAÇÕES

Para descobrirmos a perfeita harmonia e unidade da Bíblia é necessário estudarmos suas épocas, seus personagens e as condições sob as quais se deram determinados períodos. No estudo das Épocas da Bíblia, estudamos historicamente os tempos bíblicos. Estudando as Dispensações os dividimos teologicamente. 
Nas Épocas vemos o homem em relação a Deus; nas Dis­pensações vemos Deus em relação aos homens. Devemos ter em mente que Deus não somente tem falado de muitas ma­neiras, mas também em diversos tempos. (Hebreus 1.1).A falta de observância dos tempos ou "Dispensações" da Bíblia, pode conduzir-nos a um caminho errado, criar dificulda­de e ofuscar a verdadeira significação das Escrituras.A narrativa da criação, em que se descrevem os seis dias da criação e o sétimo de descanso, prefiguram as dispensa­ções da Bíblia. As seis fases da criação correspondem às seis dispensações que marcam a história do homem na terra, às quais se segue o sétimo dia de eterna felicidade.

Daremos aqui apenas as divisões dispensacionais de um modo bastante sintético, na tentativa de levar ao leitor conhe­cimentos que possam clarear seu entendimento desse assunto, que em literatura específica é tratado com maior expressivi­dade.A Dispensação é um período de tempo em que o homem é provado a respeito da sua obediência a certa revelação da vontade de Deus. São sete as dispensações:

1.       INOCÊNCIA 2.       CONSCIÊNCIA   3.      GOVERNO HUMANO
4.       PATRIARCAL   5.       LEI  6.       GRAÇA  7.       MILÊNIO

Por sua vez, cada dispensação pode ser estudada sob sete aspectos diferentes que podem nos ajudar na sua com­preensão. De um modo geral, podemos dizer que cada dis­pensação tem:1.       Palavra chave 2.       Propósito 3.       Revelação 4.       Personagens principais 5.       Concerto divino 6.       Atos de desobediência 7.       Julgamento divino

1.       A DISPENSAÇÃO DA INOCÊNCIA — Gênesis 2.6 a Gênesis 3.24. 
1. Palavra chave: inocência.2. Propósito: Provar que o homem tem capacidade para manter-se fiel a Deus em clima de perfeição e circuns­tâncias absolutamente favoráveis, bem como seu livre arbítrio, com capacidade para:Pensar — Intelecto Sentir — Emoção Escolher — Vontade
3. Revelação:a. Pela palavra3. Pela presença4. Personagens principais: Adão e Eva.5. Concerto Divino: Os quatro pontos da Aliança Edêmica: 
a. Encher a terra — Gênesis 1.28
b. Comer do fruto da terra — Gênesis 1.29
c. Guardar o jardim — Gênesis 2.8,15
d. Não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal — Gênesis 2.16.

6. Ato de desobediência: Relacionado à Palavra de Deus:  Dúvida Gênesis 3.1— Adição Gênesis 3.2,3— Contradição Gênesis 3.4— Falsa interpretação Gênesis 3.5— Tentação para desobedecer Gênesis 3.6— Transgressão Gênesis 3.6

7. Julgamento divino: 
— Sobre a serpente Gênesis 3.14,15
— Sobre a mulher Gênesis 3.16
— Sobre o homem Gênesis 3.17-19
Obs.: Veja a escada da queda: Ver, cobiçar, tomar, possuir, transmitir, morrer. É a mesma até hoje. Veja: Eva Gê­nesis 3.6; Davi II Samuel 11.2-24; Acã Josué 7.20-25.

2.       A DISPENSAÇÃO DA  CONSCIÊNCIA  — Gênesis 3.1-8.4 (cerca de 1656 anos). 
1. Palavra chave: Consciência.
2. Propósito: Provar que o homem tem capacidade para manter-se fiel a Deus num clima de liberdade e segundo os ditames de sua própria consciência.
3. Revelação: A redenção do homem. O sacrifício de Abel prefigura o sacrifício definitivo de Cristo, o Cordeiro de Deus. Apocalipse 13.8; Hebreu 11.4; Gênesis 4.4.
4. Personagens principais: Enoque e Noé.
5. Concerto divino; A fé em Deus. Vd Hebreus 11.4-7.
6. Atos de desobediência: De Caim a Lameque exis­te um aumento surpreendentemente progressivo de desobedi­ência, de modo a absorver a linhagem fiel, os filhos de Sete, levando o mundo da época a um estado de violência e apos­tasia.
7. Julgamento divino: O juízo de Deus manifestou-se através do Dilúvio que caiu sobre toda a terra.
Obs.: A arca representa o refúgio de Deus contra Seu próprio juízo...

3.       A DISPENSAÇAO DO GOVERNO HUMANO Gênesis 8.15 a 11.32 (427 anos), do Dilúvio à Dispersão.
1. Palavra chave: Governo humano.
2. Propósito: Provar que o homem tem capacidade para manter-se fiel a Deus em um sistema de consciência coletiva.
3. Revelação: A Palavra de Deus expressa a Noé, o homem que foi achado justo diante de Deus.
4. Personagens principais: Noé, Sem, Cão e Jafé.
5. Concerto divino: Deus assinala o centro das Suas relações com a criatura humana. Tal concerto inclui os seguin­tes postulados básicos:

a. O povo deveria multiplicar-se Gênesis 9.1
b. O povo deveria encher a terra Gênesis 9.2
c. O povo poderia alimentar-se de carne, abstendo-se do sangue Gênesis 9.3
d. O arco-íris seria o sinal da aliança.

6. Atos de desobediência: Nimrode, neto de Cão por Cush, criou o imperialismo, tentou unir o mundo incitando os homens a construir uma torre que chegaria aos céus (Gênesis 11.4) VdApocalipse 16.14 e 19.19)!
7. Juízo divino: A dispersão. Outra vez a Trindade conferenciou entre si. Vd Gênesis 3.22; 6,7; 11.5.7. A confu­são de línguas em Babel (Hb "confusão") foi o resultado.

4.       A DISPENSAÇAO PATRIARCAL — Gênesis 12.1 a Êxodo 12.37. Da chamada de Abraão ao Êxodo do Egito. Cerca de 630 anos. Gálatas 3.17; Êxodo 12.40.

1. Palavra chave: Promessa
2. Propósito: Levar Abraão e seus descendentes a terem fé em Deus e obedecerem a Jeová. Sua família seria a nação escolhida, que se tornaria precursora do Redentor, o Messias da promessa de Gênesis 3.15. Vd Mateus 1.1 e Ro­manos 1.5.
3. Revelação: Deus apareceu a Abraão 6 vezes: Gênesis 12.1-3,7; 13.14,17; 15.1-21; 18.1-33; 22.1-8. Revelou-lhe Seus propósitos e a Sua vontade.
4. Personagens principais: Abraão.
5. Concerto divino: 
a. Com Abraão: Vd Gênesis 12.2,3; 13.15; 15.1; 17.7
b. Com sua descendência: Gênesis 15.4 a 17.19

6. Atos de desobediência: Existem 3 passos na de­sobediência de Abraão: 
a. Desceu ao Egito contrariando o desejo de Deus.
b. Tomou a Agar por mulher, o que resultou em terrível mal.
c. Mentiu a Abimeleque.

7. Juízo divino: Sobre o Egito Êxodo 7.14 ss
Obs.: Os 430 anos que Israel passou no Egito (Êxodo 12.40) foi um período do qual só se tem amargas recordações (Êxodo 20.1).

5.       A DISPENSAÇÃO DA LEI — Desde o êxodo do Egito até a crucificação de Cristo. (Cerca de 1430 anos). Vd Mateus 11.12, 13 e Lucas 16.16. Cristo foi o último homem obrigado a guardar a Lei. 
1. Palavra chave: Lei (essa palavra aparece 516 ve­zes na Bíblia).
2. Propósito: Testar a obediência de Israel, capacitando-a a tornar-se instrumento e porta-voz da Revelação de Deus numa preparação final para a vinda do Messias.
3.   Revelação: A Bíblia apresenta uma tríplice revelação: 
a. Os Dez Mandamentos
b. Ordenanças
c. Cerimônias 
4. Personagens principais: Moisés, Arão, Josué, Sa­muel, Davi e outros.
5. Concerto divino: Os Dez Mandamentos. Êxodo 20.
6    Atos de desobediência: Vd Isaias 1.11 a 17. 
7. Juízo divino: Há um duplo aspecto do julgamento divino no final desta dispensação: 
a. Os pecados de Israel e de outros povos, punidos e julgados na cruz. João 12.27-33; 19.16-30;Atos 2.36; Colosensses 2.14-17; I Pedro 2.24.
b. Como nação que rejeitou a Cristo, Israel foi punido com a rejeição de Deus, perda do Seu reino e a dis­persão milenar. Mateus 21.33-46; Lucas 21.20-24; Deuteronômio 28; Levítico 26;Deuteronômio 28.25.

6.       A DISPENSAÇÃO DA GRAÇA — Desde a crucifica­ção até o arrebatamento da Igreja. Visivelmente o início da Igreja data do dia de Pentecostes (30 AD) em Jerusalém.

1. Palavra chave: Graça. Não dispensa ordenanças. Há 1050 mandamentos no Novo Testamento.
2. Propósito: Chamar para fora do mundo um povo para o nome de Jesus. Atos 15.14-17;Marcos 15.16; Efésios 2.14-22.
3. Revelação: Existem três aspectos da revelação de Deus: 
a. Deus revela-se ao homem em forma de homem.
b. A Revelação do Espírito de Deus nos crentes.
c. A revelação escrita — A Palavra de Deus. 
4. Personagens principais: Jesus Cristo, Paulo e... a eternidade talvez nos mostre outros!
5. Concerto divino: Vd Jeremias 31.31-34. Feito pelo sangue de Jesus Cristo. Seu pacto é extensivo a todos os ho­mens de fé nesta dispensação. Gálatas 3.15; Hebreus 9.12-20; 1 Pedro1.4; Hebreus 10.29.
6. Atos de desobediência: Vd Apocalipse 22.15; I Pedro 4.17; etc.
7. Juízo divino: Nota-se dois tipos de juízo:a. Depois do arrebatamento: A Grande Tribulação para o mundo.b. O tribunal de Cristo, para os crentes.

7.       A DISPENSAÇÃO DO MILÊNIO — Seu início se dará com a manifestação (parousia) de Cristo e findará com a instalação do Grande Trono Branco. Apoca­lipse 20.11-15. 
1. Palavra chave. Regeneração (Mateus 19.28).
2. Propósito: 
a. Consumar todas as alianças feitas com o homem.
b. Estabelecer a justiça e a paz na terra.
c. Exaltar a soberania universal de Cristo.
d. Restaurar a posição de Israel como cabeça das na­ções e sede do governo Teocrático.
e. Exaltar os santos de todos os tempos.
f. Subjugar todos os inimigos do Senhor. 

3. Revelação: Governo Pessoal de Deus: Isaías 52.7; Lucas 1.32,33; Daniel 7.13.
4. Personagens principais: Jesus Cristo, a Igreja, os Santos de todos os tempos e Israel.
5. Ato de desobediência: O principal se dará no fim do Milênio. Vd Apocalipse 20.7-9.
6. Concerto divino: O fim das dispensações, os no­vos céus e a nova terra e a continuação daEternidade.
7. Juízo divino: Sobre Satanás. Apocalipse 20.10. Sobre os homens. Apocalipse 20.11-15 e 21.1-7.


"E não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia; e reinarão para todo o sempre".  Apocalipse 22.5.