quinta-feira, 26 de março de 2015

HISTORIA DO AVIVAMENTO NA GRÃN-BRETANHA

         
HISTORIA DO AVIVAMENTO NA GRÃ-BRETANHA

 por Duncan Campbell

O autor era professor de doutrina bíblica no Instituto Bíblico “Faith Mission” em Edinburgh, Escócia.
“Oh! se fendesse os céus e descesses! se os montes se escoassem diante da tua face!” (Is 64.1) foi o clamor do profeta da antiguidade. Estava Isaías consciente da futilidade dos melhores esforços humanos? Será que ele tinha esgotado todos os recursos do homem natural?
Esta certamente foi a posição alcançada pelo grupo de oração da paróquia de Barvas em Lewis, nas ilhas das Hébridas (parte da Grã-Bretanha). Esta foi a consciência e convicção que os levaram a uma dependência total das infalíveis promessas de Deus e que deu à luz o avivamento de Lewis.
Em primeiro lugar, eu gostaria de definir que espécie de avivamento foi presenciado nas Hébridas. Não foi um período de divertimento religioso, para as multidões se deleitarem com uma noite festiva de músicas evangélicas. Não foi resultado de espalhafatosas e impressionantes propagandas, pois num avivamento vindo de Deus não há necessidade de gastar dinheiro com propaganda. Não foi resultado de métodos para pressionar as pessoas a se dirigirem à sala de súplicas em busca de Deus. Num verdadeiro avivamento cada reunião se transforma numa sala de súplicas. As estradas e ladeiras se tornam sagradas como pontos de contato com Deus quando os ventos de Deus estão soprando.
Um avivamento se processa quando Deus está passando no meio do seu povo e uma consciência da presença, do Senhor se apossa de toda a comunidade. Aqui está a diferença entre uma campanha bem sucedida e um avivamento. Na primeira, muitas pessoas podem ser conduzidas à conversão pelo conhecimento da verdade, e a igreja ou missão pode experimentar um período de despertamento. Porém, quanto à cidade ou região, não apresenta nenhuma alteração. O mundo continua no seu
próprio caminho. Os bailes e cinemas se mantêm superlotados. Mas num avivamento, o temor do Senhor toma posse de toda a comunidade, comovendo homens e mulheres que até então nunca demonstraram preocupação alguma pelas coisas espirituais, e leva-os a buscar o Senhor.
Quatro coisas foram reveladas ao grupo de oração em Barvas que posteriormente se tornaram princípios governantes para esses irmãos:
1. Em primeiro lugar eles deveriam estar corretamente relacionados com Deus. A leitura do Salmo 24.3-5 numa das suas reuniões de oração os humilhou na presença do Senhor de tal forma que seus corações foram sondados e alianças com Deus renovadas. Na palavra de um dos presentes, eles deram às suas vidas o impulso de um voto sagrado, e como Ezequias na antiguidade, resolveram “fazer aliança com o Senhor, Deus de Israel” (II Cr 29.10).
2. Tiveram a convicção de que Deus é um Deus que guarda suas alianças e cumpre as suas promessas. Ele não tinha prometido “derramar água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca” (Is 44.3)? Aqui estava uma bênção potencial; por que não a estavam experimentando? Mas finalmente chegaram ao ponto de poder confessar com aqueles da antiguidade: “Nosso Deus ... nos pode livrar e ele nos livrará” (Dn 3.17). “A fé, a poderosa fé, enxerga a promessa e olha somente para Deus; ri-se das impossibilidades e proclama: ‘Acontecerá!’“ (palavras de um hino tradicional).
3. Eles tinham que estar dispostos para que Deus operasse a seu próprio modo e não conforme o programa humano. Deus é soberano e sempre agirá de acordo com seu propósito divino. Ao mesmo tempo, deviam sempre lembrar que a soberania de Deus sobre os afazeres dos homens não anula a responsabilidade do homem. Deus é o Deus do avivamento, mas o homem é o instrumento que faz o avivamento possível.
4. Deve haver uma manifestação de Deus, demonstrando a realidade da operação divina, de tal forma que os homens digam: “Isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos” (Sl 118.23).
Diante da descoberta dessas quatro condições, não era de surpreender, portanto, que no mês de dezembro de 1949 Deus realmente visitasse a paróquia de Barvas com a benção do avivamento que dentro de pouco tempo ultrapassou os limites da paróquia e levou refrigério e vida espiritual a multidões através de toda aquela ilha.
Neste ponto devemos fazer menção do papel desempenhado pelo pastor da paróquia, o já falecido James Murray MacKay. Durante meses ele e os outros oficiais da igreja tinham orado em favor de um derramamento do Espírito de Deus. Agora, havia chegado o momento em que sentiam que como congregação deviam agir. Mas os caminhos de Deus são maravilhosos, e foi preciso que o pastor fosse a uma conferência em Strathpeffer para gue a ação certa pudesse ser revelada a ele pelo ministério de Dr. T. Fitch de Belfast.
MacKay ficou mais encorajado ainda quando voltou à sua paróquia. Um membro do grupo de oração tivera uma revelação de Deus, numa visão, que o avivamento realmente viria e qual seria o instrumento a ser usado como canal. Era a mesma pessoa que Deus revelara a MacKay em Strathpeffer! “Em sonho ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, quando adormecem na cama, então lhes abre os ouvidos e lhes sela a sua instrução” (Jó 33.15, 16). Foi dessa forma que foi enviado um recado ao diretor de “Faith Mission” (Missão da Fé) em Edinburgh (na Escócia), e que logo em seguida me encontrei na ilha de Lewis, em dezembro de 1949.
A operação sobrenatural do Espírito Santo com o poder de avivamento desafia a capacidade do homem para descrever, e seria loucura tentar fazê-lo. Há, porém, algumas características do avivamento de Lewis que podem também ser observadas em outros avivamentos do passado. Uma dessas é o espírito de expectativa.
Encontrei em Lewis um grupo de homens que vivia claramente num nível elevado de confiança implícita em Deus. Esta convicção e segurança transparecia através de cada oração que subiu naquela primeira e inesquecível reunião da minha estada nas Hébridas. Meu primeiro contato com esta congregação me convenceu plenamente de que o avivamento já chegara. Eu apenas teria o privilégio de participar de uma maneira insignificante neste avivamento que Deus estava gerando. Nunca me esquecerei do silêncio carregado que havia diante da temível presença de Deus enquanto esperávamos que alguém lesse um salmo para abrir a reunião. Verdadeiramente poderíamos dizer: “Os céus desceram para visitar nossas almas e o propiciatório foi coberto de glória!”
Eis aqui a cena presenciada nos primeiros dias do mover de Deus: o salão superlotado; a reunião terminou; a congregação incapaz de dispersar-se, e o povo em pé do lado de fora num silêncio carregado de tensão. De repente, ouve-se um grito vindo de dentro do salão; um jovem,
sentindo um peso profundo pelas almas dos seus colegas e companheiros, começa a derramar a sua alma em intercessão. Ele ora até ser arrebatado, ficando seu corpo prostrado no chão. Mas sua oração alcançara o céu, pois a congregação toda, movida por uma força irresistível, voltou para o salão. Uma tremenda onda de convicção de pecado passou pelo povo, levando até os homens mais fortes a clamarem a Deus por misericórdia.
Esta reunião durou até altas horas da madrugada. Mesmo assim, tão grande foi o desespero e tão profunda a fome que se apossaram destes homens e mulheres, que se recusaram a ir para casa e começaram a reunir-se em outro lugar. Uma característica impressionante e surpreendente desta visitação da madrugada foi o número de pessoas que afluiu para a reunião, movido por um poder nunca antes experimentado. Outros sentiram convicção de seus pecados e clamaram por misericórdia nas suas próprias casas, sem nunca haverem participado de reunião alguma.
Ninguém que esteve presente naquela reunião da madrugada poderá se esquecer do momento quando toda a congregação cantou: “Não entrarei na minha casa, nem descansarei na minha cama, nem darei sono aos meus olhos ou repouso às minhas pálpebras, até que eu encontre lugar para o Senhor, onde ele possa habitar, uma morada para o Poderoso de Jacó.”
Numa cena muito comovente, alguns choravam em tristeza e desespero, outros com corações transbordantes de alegria e amor caíam de joelhos, conscientes tão somente da presença e do poder de Deus que visitara seu povo com um avivamento. Dentro de poucos dias, a paróquia inteira estava inundada por um despertamento espiritual. As reuniões estavam superlotadas e duravam até às três horas da madrugada. O serviço material foi abandonado quase por completo e tanto jovens quanto velhos foram confrontados pelas realidades eternas. Logo o fogo do avivamento alastrou-se para as paróquias vizinhas.
Na cidade de Ness, houve reuniões à tarde e à noite, e frequentemente se prolongavam até a manhã seguinte. Usavam-se templos, salões, casas particulares e até lojas e armazéns para comportar os homens e as mulheres que buscavam a Deus.
Talvez o maior de todos os milagres tenha sido o que ocorreu na aldeia de Arnol. A indiferença às coisas de Deus dominava o lugar e houve muita oposição no princípio, mas a oração, aquela tremenda e poderosa arma do avivamento, foi usada, e separaram uma noite para esperar em
Deus. Antes da meia-noite, Deus desceu e os montes derreteram à sua presença. Uma onda de avivamento varreu a aldeia. A oposição e a morte espiritual fugiram diante da presença do Senhor da vida. Foi amplamente demonstrado o poder da oração perseverante, e que coisa alguma está fora do alcance da oração, exceto aquilo que estiver fora da vontade de Deus.
Há muitos até hoje em Arnol que podem testificar que a própria casa tremeu quando um dos irmãos estava orando. Eu mesmo não podia senão permanecer em silêncio enquanto onda após onda do poder divino passou pela casa. Dentro de poucos minutos, homens e mulheres estavam prostrados, em angústia de alma. Na verdade, o Senhor tinha seus atalaias nessa aldeia. Graças a Deus, que estes hoje são numerosos em Lewis e Harris. Um desses homens, depois de presenciar o tremendo poder de Deus nesta aldeia, pediu que cantássemos o salmo 126: “Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua de júbilo.”
Algum tempo atrás, quando eu passava por ali, encontrei-me com um velho que me saudou assim: “Estou feliz porque pude viver até hoje e presenciar estes acontecimentos”. Depois, apontando para uma determinada casa, ele disse: “Está vendo aquela casa? Era o bar desta aldeia, onde nossos jovens se reuniam em desprezo total a Deus, à sua Palavra, e à igreja. Hoje está fechado, e os homens que o frequentavam estão orando nas nossas reuniões”.
Que alegria agora ver as multidões caminhando para os salões de reunião aos domingos, ou esperando as reuniões semanais de oração com jubilosa expectativa! Há pouco tempo, olhando para o grande número de pessoas indo para a reunião, comentei com um amigo: “Que cena maravilhosa!”
“Sim”, respondeu ele, “mas antes do avivamento, raramente se via mais que quatro pessoas desta aldeia indo para uma reunião aos domingos.”
Outro jovem, falando em nome da juventude daquela região, disse: “Nós não sabíamos o que significava ir a uma reunião até que o avivamento chegou. Agora a reunião de oração é a maior atração da semana e a adoração de Deus em conjunto, aos domingos, é o nosso principal prazer.”
Quais foram as características mais destacadas deste avivamento? Há três que sobressaem:
1. Uma percepção aguda da presença de Deus. Para entender o que isto significa, é preciso experimentá-la. Um reitor da Igreja Anglicana, falando da sua visita a Lewis, disse: “O que eu senti lá, sem falar do que vi, convenceu-me de que este não era um movimento comum”. Tenho conhecido homens que foram dominados de tal forma por esta percepção de Deus, que mesmo trabalhando no campo ou no tear, caíram prostrados no chão.
Aqui está o testemunho de uma pessoa que sentiu a mão do Senhor sobre si: “A grama sob meus pés e as pedras ao meu redor pareciam gritar: ‘Fuja a Cristo para o seu refúgio’“. Esta iluminação sobrenatural do Espírito Santo levou muitos neste avivamento a uma experiência regeneradora com o Senhor Jesus Cristo antes de participarem de qualquer reunião ligada ao movimento. Não hesito por um instante ao dizer que esta é a necessidade gritante da igreja hoje. “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv 9.10). No entanto, é impossível produzir este temor por qualquer esforço humano - tem que vir de Deus!
2. Profunda convicção de pecado — que às vezes leva praticamente ao desespero. Tenho visto ocasiões em que era preciso parar de pregar por causa da angústia manifestada pelos sedentos. Muitos se identificavam nos seus sentimentos e na sua consciência de culpa com as palavras de John Newton: “Minha consciência sentiu e reconheceu sua culpa, e afundou-me no desespero; vi que meus pecados fizeram derramar o sangue de Jesus e contribuíram para pregá-lo numa cruz”.
3. Manifestações exteriores com pessoas prostrando-se no chão. Para mim é difícil explicar este aspecto -de fato, é impossível. Mas digo apenas que a pessoa que quiser associar estas manifestações à influência satânica incorre em grave perigo de cometer o pecado que não tem perdão.
A dama Huntington escreveu numa ocasião para George Whitefield a respeito de pessoas que gritavam e caíam em reuniões públicas, aconselhando-o a não retirá-las da reunião como era costume. Quando isto ocorria, parecia que a unção da reunião se apagava. Ela disse: “Você está cometendo um erro muito grave. Não procure ser mais sábio que Deus. Deixe que gritem; terá bem mais resultado que sua pregação.”
Eu gostaria de dar aqui uma palavra do meu testemunho, a fim de mostrar o significado de avivamento para mim pessoalmente. Há alguns anos atrás, eu e Dr. Thomas Fitch fomos a uma conferência em Edinburgh que visava o aprofundamento da vida espiritual. Na reunião de
encerramento, depois de dar a minha palestra, eu estava sentado ouvindo Dr. Fitch, quando de repente senti a minha insuficiência para estar ali na plataforma. Vi a esterilidade da minha vida e ministério. Vi o orgulho do meu próprio coração. Que humilhação não senti quando descobri o orgulho que sentia por ser escalado já para falar em cinco conferências naquele ano! Quão perverso e enganoso se torna o coração humano!
Naquela noite, prostrado em desespero no piso do meu escritório, eu apelei novamente para a misericórdia de Deus. Ele ouviu o meu clamor por perdão e purificação e onda após onda da consciência da presença de Deus passou sobre mim enquanto permaneci prostrado ali. O amor do Salvador inundou meu ser e naquele instante eu sabia que minha vida e meu ministério jamais seriam como antes. Nem poderia daquela hora em diante duvidar do batismo no Espírito Santo. Você pode explicar o fenômeno como quiser. Para mim, foi um batismo do alto, e se Deus em alguma pequena medida se agradou em me usar, foi inteiramente por causa do que ele fez por mim naquela noite. Duas coisas ficaram claras para mim naquela experiência: a disposição de Cristo para salvar “quem quiser”; e o terrível estado dos eternamente perdidos no inferno.
E isto que o avivamento tem significado para mim pessoalmente; não apenas aquilo que passa normalmente na comunidade cristã. “O avivamento”, diz James S. Stewart, “é uma nova descoberta de Jesus.” É Deus se tornando real entre os homens. Tenho visto ocasiões em que o Espírito de Deus se apodera de tal forma de uma comunidade que seria difícil encontrar uma pessoa que não estivesse buscando a Deus. Não é a respeito da realidade da presença de Deus no poder de avivamento que Paulo escreve em II Coríntios 4.6? “Porque Deus que disse: De trevas resplandecerá luz, ele mesmo resplandeceu em nossos corações para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.”
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por Douglas Bushby (da Austrália)
Duncan Campbell, o homem que Deus usou nas Hébridas, foi um homem que reconhecia a seriedade da situação do mundo do seu dia. Pouco antes de o avivamento estourar, ele estava sentado no seu escritório, clamando a Deus. O Espírito de Deus veio sobre ele silenciosamente sem nenhuma manifestação poderosa.
Naquela hora, Deus lhe deu uma visão nova do inferno. Ele viu as pessoas sendo lançadas nas chamas ardentes. Ele viu um mundo expirante caindo num abismo. Ali, no seu escritório, nas horas da madrugada, Deus estava preparando seu instrumento para trovejar sua mensagem de juízo.
Naquele instante ele entendeu que ao seu alcance havia outro nível, através das promessas da aliança divina. Se ele estivesse disposto a pagar o preço, ele sabia que poderia ter outra dimensão da operação do Espírito de Deus no seu ministério.
Daquele momento em diante sua pregação foi diferente. Sem rodeios, e com a autoridade de Deus, ele advertia as pessoas a fugirem da ira vindoura. Ele proclamava os juízos prestes a ser derramados.
Sua pregação era dramática e fervorosa. Ele falava com profunda convicção, usando linguagem simples. Ele disse que Deus o orientou a falar numa linguagem que o povo comum pudesse compreender.
Se você quiser o poder do Espírito, conforme Duncan Campbell diz, é preciso estar corretamente relacionado com Deus. Ele colocava muita ênfase sobre o poder do sangue para libertar do pecado e manter o coração purificado (I Jo 1.7-9).
Segundo ele, o Espírito Santo é o melhor evangelista, e ele não cria que uma pessoa fosse realmente salva enquanto Cristo não fosse revelado nela pelo Espírito (Rm 8.9, 16).
Em junho de 1952, visitei a ilha de Lewis, e passei um mês lá conversando com os crentes, orando com eles ouvindo os seus testemunhos. Eu queria descobrir o segredo desta rara e sobrenatural operação do Espírito de Deus num avivamento que já durava dois anos e meio. Acompanhei Duncan Campbell pessoalmente e obtive uma vi são profunda, de primeira mão, do preço que se precisa pagar.
Em maio de 1952, Duncan Campbell estava em Bangor, na Irlanda, esperando no Senhor por uma nova direção. A resposta foi para ir à ilha de Berneray, que está situada nas extremidades exteriores das Hébridas, para o sul de Lewis, onde o avivamento primeiro irrompeu.
Mesmo sem conhecer uma pessoa naquele lugar, logo depois deste chamado de Deus, Duncan Campbell tomou um barco para aquela ilha, e encontrou lá certo homem. Quando este homem ficou sabendo que era Duncan Campbell que chegara, ele exclamou: “Glória a Deus! Tenho orado para que Deus o enviasse para cá, e que o avivamento viesse a esta ilha. Agora sei que minhas orações foram respondidas.”
Duncan Campbell combinou para realizar reuniões na Igreja Presbiteriana. Na primeira noite ele sentiu que os céus tinham se transformado em bronze, e que não estava atingindo ninguém. Por isto ele mandou um telegrama para a ilha de Lewis, pedindo que mandassem de lá algumas das pessoas que tinham o ministério de oração, e que trouxessem consigo Donald Smith, um jovem de 17 anos que foi chamado o “Evan Roberts” de Lewis. (Obs. Evan Roberts foi o instrumento que Deus usou no avivamento no país de Gales em 1904.)
Duncan Campbell deu este nome a Donald Smith, por causa da profunda vida de oração que este jovem possuía, e por causa do seu notável, transbordamento do Espírito Santo. Eu tive a oportunidade de conhecer este rapaz em Arnol. É um rapaz quieto, humilde, com um jeito acanhado. É um aluno comum, alto, magro, sem particularidades que o destacassem, mas com uma devoção profunda para com o Senhor Jesus Cristo, e uma vida de oração deveras extraordinária. Ele passava horas, todos os dias, em comunhão com Deus. Parecia andar na própria presença de Deus. Eu percebi isto imediatamente quando o vi pela primeira vez.
Deus tem usado Donald Smith, como usou Finney, para produzir profunda convicção de pecado nos corações dos pecadores, enquanto ele testificava a eles. Suas palavras têm sido como dardos inflamados de convicção. Logo que ele se converteu, ficou tão cheio do Espírito de Deus que quando entrou na sala de aula, a professora estremeceu com convicção e deixou os papéis caírem no chão. Foi preciso sair da sala. Desde aquele momento o rapaz cresceu em graça diante de Deus e dos homens.
Na primeira noite depois da chegada de Donald e dos outros irmãos em Berneray, o inferno todo parecia estar em guerra contra o pregador. Não havia reação alguma. Foi uma reunião fria e morta. O texto da
mensagem de Duncan Campbell foi: “Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até o inferno” (Lc 10.15).
De repente, Duncan Campbell parou no meio da sua pregação e pediu que Donald Smith orasse. O rapaz derramou o seu coração diante do trono da graça numa súplica sincera e fervorosa. Ele orou por uma meia hora com oração agonizante em favor das pessoas daquela ilha. Clamou a Deus, firmando-se nas promessas da aliança de Deus, e louvando a ele por ser um Deus que respondia as orações.
Então os céus se rasgaram e o Espírito de Deus foi derramado sobre o povo como no dia de Pentecoste. Houve a mesma manifestação do poder do Espírito de Deus que acontecera na ilha de Lewis nos meses anteriores. Houve as mesmas manifestações físicas dos dias de Wesley e do avivamento no país de Gales. Muitos ficavam em estado de êxtase. Outros foram prostrados diante do Senhor, caídos sobre os bancos. Ainda outros recebiam visões.
A característica notável deste vento do Espírito era que simultaneamente Deus movia na igreja pelo derramamento do seu Espírito e sobre as casas e redondezas da aldeia. Em todos os lugares as pessoas sentiam convicção de pecado — ateus, bêbados, e indiferentes comerciantes. Homens de negócios nas suas firmas, professores corrigindo suas provas, donas de casa nos seus lares, e até os pescadores na baía — todos eram dominados pela profunda convicção de pecado.
Sentiam uma estranha compulsão interior de ir ao salão de reuniões, onde por certo algo teria acontecido, e onde pudessem encontrar alento. Sentiam ao mesmo tempo angústia e admiração. Os caminhos nas ladeiras logo se escureciam com as pessoas que afluíam para o salão de todas as direções.
“Saí do salão”, Duncan Campbell relatou, “e o Espírito de Deus passou sobre o povo na estrada como um vento. Eles se seguravam uns aos outros em terror e pavor. Estremeciam diante de Deus em agonia de alma. Choravam e alguns caíam no chão com profunda convicção de pecado.”
Berneray é uma ilha pequena onde se fabricam os tecidos Harris. Mas, agora, todo o horário e a rotina do serviço foram interrompidos, e a ilha se entregou totalmente à busca de Deus. “Preguei no dia seguinte”, Duncan Campbell disse, “desde o meio-dia até três horas da manhã, oito vezes. O Espírito de Deus deu-me mensagens como se fosse uma torrente jorrando dos céus. A sua presença podia ser percebida de uma maneira
maravilhosa. Fui sustentado fisicamente de um modo sobrenatural.”
Como é que eles conseguiram este avivamento? Foi porque não davam valor a suas próprias vidas. “Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram, e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Ap 12.11). Quantas vezes nossa consagração é misturada com o elemento destrutivo do amor próprio, o instinto de preservar a própria vida!
O povo nas Hébridas tem um ditado interessante, que traduzido seria mais ou menos: “Há tempo suficiente”. Sim, há tempo suficiente para esperar em Deus, tempo para ter comunhão juntos na sua presença, tempo para esperar a renovação das forças e os derramamentos do poder do alto.
Descobri também que uma parte do preço deste avivamento foi a oração perseverante. Eles realmente oravam no poder de Deus. Lemos em Hebreus 5.7: “Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas...” Ouvi os ecos daquele clamor do coração de Jesus, quando homens fortes na ilha de Lewis clamavam com todo o fervor do seu ser.
“Vocês não acham que estão orando na carne?” perguntei a eles.
“De maneira alguma”, foi a resposta. “Nós nos esvaziamos de todo elemento carnal, e depois colocamos toda a energia que possuímos na nossa oração.”
Um pecador endurecido foi maravilhosamente convertido e batizado com o Espírito de Deus. Uma noite, numa reunião de oração, o Espírito de Deus veio sobre ele enquanto orava, segundo relata uma irmã, de tal forma que todo o seu semblante foi transformado pela glória de Deus. Simultaneamente, enquanto o Espírito Santo estava inundando a sua vida, todos que estavam naquela reunião caíram prostrados diante de Deus.
Havia intensidade nas suas orações. Eram homens fortes clamando a Deus com toda a força do seu ser. Eles não balançavam os braços numa tentativa de produzir a unção do Espírito. Era oração sobrenatural, o poder que vem dos céus, subindo novamente aos céus.
Um homem disse: “Eu estava orando e de repente entrei na corrente do Espírito. Não era eu orando no Espírito, mas o Espírito orando através de mim.”
Eles eram canais através dos quais o Espírito de Deus fluía. Eles nem se pareciam consigo mesmos quando eram tomados por este tremendo poder de Deus.
Isto me fez lembrar das orações de George Fox (um inglês do século XVII). Algumas pessoas testificaram que a cena mais impressionante de toda a sua vida fora George Fox em oração. Se não pudermos orar dessa forma, não podemos esperar um avivamento. As reuniões de hoje com suas orações indiferentes e mornas são um insulto a Deus.
Havia adoração além de intercessão nas suas orações. Havia adoração e louvor ao nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Quando o ambiente celestial da presença divina de Deus descia, podia ser percebido como uma realidade. Numa noite enquanto eu orava com estas pessoas, o Espírito Santo parecia pairar sobre mim e descansar sobre minha cabeça. Era como o suave e silencioso orvalho celestial. Havia um maravilhoso senso da presença do Senhor. Um dos que oravam caiu prostrado diante de Deus. Se alguém não estivesse em todas as reuniões de oração, era considerado como um desviado.
Um avivamento vem como resposta dos clamores que saem do coração do povo de Deus!
Havia persistência e violência nas suas orações. Na aldeia de Arnol, em Lewis, sete pessoas, homens e mulheres, estavam orando para que Deus operasse naquele lugar. Quando Duncan Campbell chegou, uma reunião de oposição foi realizada no outro lado da aldeia. O grupo de oração resolveu se ajoelhar em oração fervorosa e séria. “Senhor”, eles oraram, “estamos resolvidos a batalhar em oração até alcançar a vitória.”
De repente, enquanto oravam, tiveram uma experiência como aquela que achamos na Bíblia. Da mesma forma que aconteceu em Atos 4, quando os santos oravam, a casa onde estavam foi sacudida. E nesta região não há terremotos. Simultaneamente, o Espírito de Deus varreu a aldeia. As pessoas não conseguiam dormir. As casas ao redor permaneceram com as lâmpadas acesas a noite toda e o povo andava pelas ruas. Foi nesta aldeia que dentro de quarenta e oito horas todos os jovens entre as idades de doze e vinte anos se converteram. Foi nesta aldeia de Arnol que vi um bar em ruínas. Quatorze dos bêbados que frequentavam mais assiduamente aquele bar tinham se convertido.
A persistência e a agressividade das orações de duas senhoras idosas, Peggy e Cristina Smith, ambas com mais de oitenta anos de idade, contribuíram muito para o início deste avivamento. Uma delas era cega.
Dia após dia, oravam e clamavam a Deus em favor dos jovens daquela ilha. Noite após noite, até as altas horas da madrugada, oravam sentadas em volta da fogueira de turfa.
“Numa noite”, relatou uma delas, “sentimos tal peso em oração que sentimos que Deus certamente responderia. Não conseguimos dormir. Continuamos orando até a madrugada. Nestas últimas horas, Satanás veio no conflito final, trazendo todas as suas hostes infernais consigo, numa tentativa de derrotar nossas orações e nos desanimar. Dei-lhe um golpe no rosto em nome do Senhor, com meus punhos, e coloquei o sangue do Cordeiro entre mim e Satanás. Ele fugiu derrotado, e eu recebi a certeza de que o avivamento havia chegado.” Tg 4.7; I Pe 5.9; Ap 12.11.
Enquanto as duas senhoras oravam com peso pelos jovens, na outra extremidade da ilha Deus começou a operar num grupo de sete rapazes que oravam em favor do avivamento também. Reuniam-se três ou quatro noites por semana num galpão para orar, indo, muitas vezes, até duas ou três horas da madrugada. Estavam preparados e resolvidos no coração a pagar o preço do avivamento. Estavam dispostos a limpar suas vidas pessoais e a prevalecer em oração até que a resposta de Deus chegasse.
Numa noite enquanto oravam, um dos jovens desafiou os demais, e disse: “Vamos examinar o salmo 24. Vamos ver o que diz ali.”
“Quem subirá ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente. Este obterá do Senhor a bênção, e a justiça do Deus da sua salvação” (Sl 24.3-5).
“Temos pensado em um avivamento e queremos a bênção de Deus”, ele prosseguiu, “não só para nós, mas para outros. Temos o sangue purificador que é eficaz em nosso favor (I Jo 1.6-9), e a promessa que Deus há de derramar águas sobre aquele que tiver sede (Is 44.3). O que pode impedir a resposta a nossa oração?”
O texto do salmo 24 foi um desafio aos sete jovens. Continuaram desafiando um ao outro enquanto oravam: “O seu coração está limpo? Aqui está a promessa de Deus. Temos o seu sangue purificador.”
Assim, enquanto purificavam suas vidas e confessavam os seus pecados, Deus deu-lhes a resposta: Avivamento.
Eu gostaria que você avaliasse sua própria vida. Você está disposto a dar cada parcela do seu ser em oração? Você está disposto a louvar a Deus, a perseverar, orar e batalhar até vencer as hordas do inferno? Você
está disposto a chamar o pecado pelo seu próprio nome, e não desculpar-se dizendo que é uma enfermidade? Você está disposto a viver uma vida limpa e santa diante de Deus?
Este é o desafio: o que vai você fazer acerca de tudo isto?
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Esta mensagem foi traduzida de uma revista americana denominada. “Herald of His Coming” (O Arauto da Sua vinda) publicado Em janeiro de 1953 e setembro de 1954.

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