sexta-feira, 27 de março de 2015

DOUTRINAS NEO PENTECOSTAL FALSAS


 COLOSSENCES COMBATENDO AS HERESIAS
A Cidade de Colossos

Colossos era uma cidade importante, situada nas proximidades do rio Meander, no vale do Licoe, por isso, acompanhava a principal rota comercial que ligava as cidades da Frígia, no leste, com Éfeso, no oeste. Os registros históricos indicam que essa cidade desfrutava de imensa riqueza e prestígio, nos tempos antigos (anterior a 400 a.C.). Graças a seus interesses comerciais, Colossos havia sido uma cidade cosmopolita importante, que incluía diferentes elementos religiosos e culturais. A população judaica devia-se em parte a Antíoco III, que fixou cerca de dois mil judeus da Mesopotâmia e da Babilônia nessa área, em torno do ano 200 a.C. Observa G.L. Munn que "ao redor de 62 a.C. os judeus do vale do Lico eram tão numerosos que o governador romano proibiu a exportação de dinheiro destinado a pagar o imposto do templo." Conforme Cícero, haveria uns dez mil judeus residentes naquela área da Frígia.
A importância de Colossos como cidade diminuiu nos períodos helenístico e romano. Na época do apóstolo Paulo, era a cidade menos importante da área. Registram os historiadores que ela havia sido severamente devastada por um terremoto em 61 d.C. e, diferentemente das cidades vizinhas de Laodicéia (cerca de dezesseis quilômetros a oeste), e Hierápolis (cerca de vinte e cinco quilômetros),Colossos jamais foi reconstruída. O local havia sido completamente abandonado em torno do século oitavo d.C, e até hoje nenhuma obra arqueológica foi realizada em suas ruínas.

A Igreja em Colossos

Pouco se sabe a respeito da fundação da igreja colossense. O livro de Atos não registra especificamente uma visita que Paulo houvesse realizado a Colossos, embora alguns eruditos como BoReicke tenham sugerido que o apóstolo poderia ter ido a essa cidade e a outras do vale do Lico, em sua terceira viagem missionária. Teria sido quando Paulo passou "sucessivamente pela província da Galácia e da Frígia" (18:23) e "pela estrada do interior" a caminho de Éfeso (19:1). Para Reicke, isto significa os vales do Lico e do Meander, que teriam sido acessíveis pela estrada comercial que ligava Colossos à Antioquia da Pisídia.
Se isto for verdade, Paulo poderia ser considerado o fundador da igreja. Ele conhece vários membros da congregação (4:7-17; Filemom); os que não o conhecem pessoalmente (2:1) poderiam ser novos convertidos. As evidências internas da epístola induzem o leitor a crer que os colossenses haviam ouvido as boas-novas pela primeira vez da parte de Epafras (1:7), que era de Colossos (4:12), e se tornara um dos colaboradores de Paulo no vale do Lico (4:13). É possível que Epafras tenha ouvido o ensino de Paulo em Éfeso, tenha-se convertido ao cristianismo e voltado para sua terra a fim de fundar ali uma igreja. De acordo com esta reconstrução, Paulo estaria relacionado — indiretamente — à fundação dessa igreja. Dir-se-ia o mesmo a respeito de outras igrejas que foram fundadas como resultado de seu ministério em Éfeso ("de modo que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, tanto judeus como gregos", Atos 19:10).

Os Falsos Ensinos

Os falsos ensinos que estavam ameaçando a igreja colossense são melhor descritos como um sistema religioso sincrético, isto é, uma mistura de elementos religiosos e filosóficos diversificados, provenientes de culturas orientais, gregas, romanas e judaicas. A Frígia, área em que se localizava a cidade de Colossos, era a terra de Cibele, a grande mãe e deusa da fertilidade. Certas descrições das características das heresias colossenses podem relacionar-se às crenças e costumes dessa seita popular.
Visto que Paulo não enquadra a heresia colossense de maneira sistemática, temos que reconstruí-la com base em algumas palavras e idéias que ele emprega, bem como em nossa compreensão dos sistemas religiosos de seus dias. Os leitores de Paulo já conheciam os pontos básicos de seu ensino, pelo que se tornava desnecessário que o apóstolo os descrevesse em minúcias. É possível que a complexidade do sistema herético teria induzido os cristãos colossenses a crer que ali estava uma solução melhor para as esperanças e temores religiosos do povo, em vez do evangelho simples que haviam ouvido da parte deEpafras.
Os falsos ensinos tinham vários componentes principais, todos interligados de várias maneiras:

Astrologia. Na carta, Paulo adverte seus leitores a respeito de "os rudimentos do mundo"(stoicheia tou kosmou, 2:8), "os principados e as potestades" (2:15), e "culto aos anjos" (2:18). No pensamento antigo, Moicheia eram os princípios básicos ou fundamentais do conhecimento e da criação, constituindo a totalidade do mundo. Sob a influência do sincretismo helenístico, inclusive a filosofia de Pitágoras, estes "rudimentos do mundo" foram promovidos ao status de "espíritos", personificados como governantes cósmicos, e divinizados de acordo com todos os demais corpos astrais do universo.
Um dos princípios básicos da astrologia é que existe correspondência entre os movimentos dos deuses lá em cima, e as alterações que ocorrem aqui em baixo, na terra. As pessoas acreditavam que suas vidas eram controladas por essas divindades estelares, e por isso procuravam aplacá-las mediante adoração, ou diminuir-lhes o poder mediante a feitiçaria, os rituais mágicos, despachos, e assim por diante. Certas crendices e costumes que Paulo expõe em sua carta relacionam-se à astrologia. Até mesmo o culto aos anjos pode ter vindo da idéia de que eles são poderes que controlam os destinos das pessoas (a sorte), e precisam ser venerados. Lohse sugere que em alguns meandros da especulação judaica, "as próprias estrelas eram consideradas como um tipo distinto de anjos."

Gnosticismo. Este componente da heresia colossense pode explicar algumas referências como "filosofias e vãs sutilezas" (2:8), "tradição dos homens" (2:8), julgamentos "pelo comer, ou pelo beber" (2:16, 20-22), pessoas enfatuadas "sem motivo algum na sua mente carnal" (2:18), "humildade fingida" (2:23), e "severidade para com o corpo" (2:23).
Gnosticismo é o nome que se dá a um sistema religioso complexo, sincrético, em cujo ensino o conhecimento (gnosis) assume importância crucial. Visto que o gnosticismo subsiste numa grande variedade de formas, não há um movimento unificado que possa ser apropriadamente chamado degnosticismo. Grande parte do debate erudito de hoje centraliza-se ao redor da datação e das doutrinas desta heresia, que confrontou a Igreja em seus primórdios históricos.
Pode-se encontrar em Colossenses alguns traços de cosmologia, soteriologia (teorias concernentes à salvação), e de ética. Os gnósticos aceitavam a idéia grega de um dualismo radical entre o espírito (Deus) e a matéria (o mundo). Ensinavam que a humanidade estaria separada de Deus por uma variedade de esferas cósmicas (usualmente sete), habitadas e governadas por todo tipo de governadores, principados e poderes espirituais. Estas são as regiões em que devemos penetrar, se quisermos obter acesso ao céu.
A salvação, que consiste basicamente da ascensão da alma da terra ao céu, torna-se possível mediante o gnosis. Este conhecimento salvífico está a nossa disposição mediante alguns meios, tais como a instrução doutrinária, ritualismo, a profecia, a iniciação sacramental e a descoberta de si próprio; tudo isso capacita a pessoa a voltar ao reino da luz, onde a alma de novo se une a Deus.
A vida ética dos gnósticos tomou duas direções principais. Alguns partiram para um ascetismo rígido. Por acreditar que o mundo é mau, separaram-se da "matéria" com o objetivo de evitar maior contaminação. Todos os apetites do corpo tinham que ser severamente restringidos. Entretanto, outrosgnósticos praticavam a libertinagem, raciocinando que à vista de ser o corpo mau por natureza, a indulgência maior nas práticas imorais não teria quaisquer conseqüências sérias. Além disso, achavam que possuíam um gnosis sobrenatural de sua "verdadeira" natureza, pelo que pouco importava o modo por que viviam.
Os falsos mestres de Colossos apegavam-se a um sistema rígido de leis e regulamentos que julgavam necessário para controlar seu comportamento. Tais regras, combinadas com certas formas de legalismo judaico, explicam "manifesto da liberdade cristã" de Paulo, em 2:16-23. Basicamente ele ensina que tais dogmas são transitórios (2:17), causam divisões (2:18), escravizam (2:20), são temporários (2:22) e inúteis (2:23). Para Paulo, trata-se de "preceitos e ensinamentos dos homens" (2:22), nada tendo que ver com o verdadeiro evangelho que vem de Cristo (2:8).

Religiões de Mistério. O termo religião de mistério é nome dado a uma diversidade de credos e práticas que existiram em certa época, entre o oitavo e o quarto século a.C. Chamam-se de mistérioporque grande parte de seu ensino e atividades ritualísticas se faziam em segredo.
Em Colossenses, pode haver uma alusão aos mistérios nas frases "plenitude da divindade" (2:9), "afetando humildade" e "baseando-se em visões" (2:18). Os iniciados nos mistérios receberiam conhecimento e visões especiais sobre os segredos do universo. Isto, por sua vez, separaria tais pessoas dos não-iniciados, criando divisões na sociedade.
Judaísmo Helenístico. As referências à circuncisão (2:11), a dias santificados, à festa da lua nova, ao sábado (2:16) e ao culto aos anjos (2:18), definitivamente são elementos judaicos. Entretanto, não se trata do judaísmo ortodoxo da Palestina; antes, é o judaísmo que sofreu o processo dahelenização. Assim, faz parte da "filosofia" sincrética (2:8) que ameaçava os cristãos de Colossos. Paulo não seleciona esse elemento judaico, mas ataca-o juntamente com todo o sistema.
A solução paulina para a heresia colossense encontra-se na aplicação do hino a Cristo (1:15-20), que estabelece a preeminência de Cristo no universo (cosmicamente), e na Igreja (eclesiasticamente). Visto ser Cristo superior a todo e qualquer poder do cosmos (1:15-17; 2:10) e ter, efetivamente, derrotado esses poderes na cruz (2:15), por que continuariam os crentes a viver como se ainda se lhes estivessem sujeitos? Os cristãos foram libertados de tais poderes por causa de sua união com Cristo no batismo (2:20).
Grande parte disso aplica-se à vida espiritual do crente. O crescimento, a maturidade e a integridade dos membros do corpo advêm de seu relacionamento com Cristo, a Cabeça (2:19), excluindo o retorno às regras e regulamentos escravizadoras, legalísticos, que Cristo anulou mediante sua morte (2:14). O propósito da exortação de 3:1, e versículos seguintes, é lembrar a esses crentes de que precisam viver eticamente aquilo que lhes pertence, segundo a teologia, visto serem membros do Corpo de Cristo.

O Propósito da Carta

Se a razão por que Colossenses foi escrita liga-se ao relatório de Epafras a respeito dos falsos ensinos que ameaçavam a igreja, daí se segue que o propósito da carta foi advertir seus leitores contra essas heresias, e fazê-los lembrar-se da verdade do evangelho que já haviam recebido, e na qual agora viviam (1:5). Basicamente Paulo está dizendo-lhes que Cristo derrotou os poderes do mal mediante sua morte na cruz (2:15). Isto significa que os falsos ensinos e as leis escravizadoras provenientes da sabedoria humana, e dos espíritos que governam o universo (2:8), nenhuma autoridade exercem sobre os crentes (2:10); a prisão em que antigamente atormentavam as pessoas, na forma de débitos não-pagos, foi cancelada (2:14). Paulo quer que seus leitores entendam esta verdade, pelo que os leva a lembrar-se de que devem andar na luz das tradições que receberam sobre Cristo e o evangelho.
Este fato explica as muitas referências à verdade do evangelho (1:5, 6, 25-27; 2:8, 9, 12, 13), e as admoestações a que se compreenda e se viva tal esperança (1:9, 10, 12, 23, 28; 2:2, 3, 5-7). As exortações éticas (3:1ss.) constituem um lembrete adicional aos colossenses, para que vivam em união com Cristo, e sob a autoridade do Senhor exaltado.
Segundo o modo de Paulo entender o evangelho, não há lugar para nenhum tipo de exclusivismo. Seu conceito do "mistério" que ele foi chamado para proclamar é que judeus gentios, bem como o universo inteiro, foram incluídos no plano de Deus de redenção (1:20, 25-29). Assim é que ele se regozija porque "em todo o mundo este evangelho vai frutificando" (1:6, 23). O desejo de Paulo é que durante seu encarceramento — e também depois — ele possa continuar sua proclamação desse mistério (4:3, 4).
Um dos perigos dos falsos ensinos em qualquer congregação é que eles distorcem o plano de Deus, transformando-o em exclusivismo. Os que seguem as "tradições dos homens" colocam-se no topo, como elite espiritual iluminada, crendo que sua sabedoria e legalismo tornam-nos diferentes dos demais membros do corpo de Cristo. Em oposição ao exclusivismo, Paulo é inspirado a escrever que os crentes já foram circuncidados na união com Cristo (2:11, 12) e, como resultado de tal união, "não há grego nem judeu" (3:11; observe GNB: "deixa de existir quaisquer distinções entre gentios e judeus").

Autoria

A autoria paulina de Colossenses foi aceita universalmente até o erudito alemão E. Meyerhoffvir a questioná-la em 1893, em grande parte por causa dessa carta depender muito de Efésios. Seguiu-se-lhe F.C. Baur, que ensinava que a heresia descrita em Colossenses só poderia pertencer ao segundo século. A partir de então, alguns eruditos têm entendido que Colossenses é carta paulina, ou se trata de uma das epístolas deutero-paulinas, isto é, seria uma carta escrita por alguém que usa o nome de Paulo.
As questões sobre a autoria centralizam-se nos pontos usuais do vocabulário, estilo e teologia.Colossenses possui um número inusitadamente elevado de hapax legomema, a saber, contém trinta e quatro palavras que não aparecem em nenhuma outra parte do NT. Além disso, há vinte e oito palavras que aparecem no NT, não porém nos escritos de Paulo. Certo número de eruditos questionam se isto poderia ocorrer, não fosse Colossenses obra de outro autor.
O estilo da carta é algo diferente das outras atribuídas indiscutivelmente a Paulo. Os eruditos observaram que Paulo geralmente trata dos problemas teológicos de maneira vigorosa, ou polêmica (cf. Gálatas, Coríntios, Filipenses). Em Colossenses, o tratamento é amenizado e menos argumentativo. O estilo possui uma qualidade litúrgica, como se fosse um hino, e a carta toda mostra uma quantidade considerável de material tradicional, isto é, ensinamentos cristãos que eram comuns na igreja primitiva, usados por Paulo e outros escritores do NT.
A despeito das diferenças de vocabulário e de estilo, entretanto, quase todos os eruditos concordam em que esses fatores, por si mesmos, não podem decidir a questão da autoria. Alguns acham que "as circunstâncias especiais do contexto e dos propósitos da carta" explicam tais diferenças; outros afirmam que por causa da alta porcentagem de material não-paulino na carta, a saber, material tradicional, torna-se impossível fazer quaisquer comparações confiáveis com as demais cartas de Paulo."
E. Lohse, que declara com firmeza que Colossenses é uma carta deutero-paulina, reconhece que os estudos sobre linguagem e estilo não podem resolver essa questão. Para ele, é o ensino teológico que coloca Colossenses à parte de Paulo, e leva-nos à conclusão de que essa carta é obra de uma escola paulina que usa as cartas de Paulo a fim de dirigir um novo desafio à Igreja.
Em seu minucioso e útil trabalho intitulado "A Carta aos Colossenses e a Teologia Paulina",Lohse examina a Cristologia (o ensino sobre Cristo), a Eclesiologia (o ensino sobre a Igreja), a Escatologia (o ensino sobre o fim dos tempos), e o Sacramentalismo (o estudo sobre o batismo como sacramento) de Colossenses, e chega à conclusão de que em todas essas áreas há diferenças substanciais em relação à teologia de Paulo, conforme o ensino refletido em suas cartas genuínas. É verdade que a situação histórica precisava de algumas formulações teológicas novas, mas as diferenças são divergentes demais, segundo Lohse, para dar-se apoio à autoria paulina.
Entretanto, nem todos os eruditos estão convencidos de que a teologia de Colossenses não seja paulina. Alguns acreditam que a ameaça dos falsos ensinos exigia que Paulo declarasse e aplicasse seu evangelho de modos diferentes, mas negam que o apóstolo o houvesse mudado ou apresentado uma contradição. G. Cannon acusa Lohse de negligenciar o interrelacionamento dessas categorias, e deixar de enxergar o fato de que muitas das idéias que ele rotula de deutero-paulinas podem ser encontradas nas principais cartas de Paulo, e nas declarações teológicas do material tradicional usado em Colossenses.
Outro argumento a favor da autoria paulina é a íntima conexão existente entre Colossenses e Filemom. Visto que a autoria paulina de Filemom raramente é questionada, segue-se que Colossenses também veio da mão de Paulo. Ambas as epístolas contêm o nome de Timóteo (Colossenses 1:1; Filemom 1), e incluem saudações das mesmas pessoas (Colossenses 4:10-14; Filemom 23, 24). Além disso, Onésimo, assunto da carta a Filemom, é mencionado como membro do grupo em Colossos (4:9).
Conquanto todas as evidências contrárias precisem ser avaliadas cuidadosamente, parece razoável concluir com G. Cannon "que o autor de Colossenses foi Paulo, o apóstolo, e que ele escreveu às igrejas do vale do Lico a fim de adverti-las a respeito de ensinos que advogavam costumes que os colocariam numa situação pré-cristã, ensinos que contradiziam tudo que haviam recebido a respeito de Cristo, no evangelho, e nas instruções batismais."

Origem

Se Colossenses não foi escrita por Paulo, deve ter sido produto da escola paulina que provavelmente estava relacionada com Éfeso. Contudo, se Paulo é seu autor, ela pertence então à categoria das "cartas do cativeiro." Há três lugares de origem que normalmente são propostos — Roma, Cesaréia e Éfeso.

Roma. O ponto de vista tradicional, retraçado a partir do livro de Atos, é que Paulo escreveu as cartas do cativeiro enquanto estava na prisão em Roma (At 28:16-31; veja-se também a obraEcclesiastical History de Eusébio, 11.22.1, que identifica o lugar do encarceramento de Paulo em Colossenses 4:10 como sendo Roma). A relativa liberdade que Paulo usufruía na prisão, e o companheirismo de seus colaboradores, fazem de Roma um lugar provável. É muito possível, também, que Onésimo, o escravo fugitivo, teria procurado o anonimato de uma grande cidade como Roma.
Todavia, há alguns fatores que pesam contra a aceitação demasiado rápida de Roma como a origem da carta aos Colossenses. Por um lado, a distância entre Roma e Colossos é de cerca de mil e novecentos quilômetros. Teria Onésimo tentado uma viagem tão longa, havendo tão grande risco de ser apanhado? Por outro lado, de acordo com Filemom 22, Paulo esperava ser libertado logo, a fim de visitar Colossos. Seu pedido que se lhe apronte um quarto deixa a impressão de que essa libertação está bem próxima. R.P. Martin observa também que uma viagem de Roma na direção do leste, para Colossos, representaria uma mudança na estratégia missionária de Paulo que, segundo Romanos 15:28, significaria partir para o ocidente, para a Espanha.

Cesaréia. Depois de Paulo ser preso em Jerusalém (At 21:27ss.), ele passou dois anos na prisão de Cesaréia, antes de ser levado a Roma (At 23:33-26:32). Bo Reicke, que é um dos principais proponentes deste ponto de vista, argumenta que Cesaréia é o lugar mais propício como origem dessa carta.
Há vários argumentos que apóiam esta opinião. Primeiro, o número de amigos que acompanharam Paulo a Jerusalém, e que estiveram com ele na prisão na Ásia (At 20:4; 24:23; cf. Cl 4:7-14 e Fm 23,24). Segundo, as atividades missionárias que Paulo planejava, ao escrever Colossenses e Filemom, e a remessa dessas cartas para Colossos, por meio de Tíquico, fazem sentido se o ponto de partida é Cesaréia. Terceiro Onésimo teria vindo a Cesaréia porque tinha amigos dessa área, e teria voltado, depois, a Colossos com Tíquico. Estas considerações, ao lado de outras, induziram Bo Reicke a entender que "Filemom e Colossenses foram enviadas de Cesaréia a Colossos cerca de 59 d.C."

Éfeso. Os argumentos segundo os quais houve um encarceramento de Paulo em Éfeso, de onde o apóstolo teria escrito certas cartas como a dirigida aos Colossenses, em grande parte são argumentos derivados do silêncio. Atos não registra nenhuma prisão do apóstolo em Éfeso. Tudo que se pode dizer é que as lutas que Paulo sofreu em Efeso (At 19:23-41) podem ter-se refletido na correspondência dele com os Coríntios (1 Co 4:9-13; 2 Co 1:8-10; 4:4-12; 6:4,5; 11:23,25). A referência a uma luta contra "bestas selvagens" em Efeso (1 Co 15:32) pode ser uma expressão metafórica indicativa de confronto verbal com seus adversários, em vez de luta de caráter físico com animais, como ocorria na arena dos gladiadores. Para Bo Reicke, "trata-se de pura imaginação falar-se de um cativeiro paulino em Éfeso."
A despeito de falta de evidências diretas, um número surpreendente de eruditos apóia a tese do encarceramento efésio, e uma origem efésia para Colossenses. A proximidade entre Éfeso e Colossos, a forte probabilidade de os colaboradores de Paulo (mencionados na carta aos Colossenses e em Filemom) estarem com o apóstolo em Éfeso, mais a gravidade do tumulto ocasionado pela pregação de Paulo, são mencionados como fatores merecedores de consideração. R.P. Martin examinou a maior parte das teorias atuais e concluiu que a carta aos Colossenses "pertence àquele período tumultuado da vida de Paulo, representado em Atos 19-20, quando seus labores missionários foram interrompidos momentaneamente por um período de prisão, como détenu [prisioneiro] perto de Éfeso."
Embora todas estas sugestões a respeito da origem de Colossenses contenham pontos fortes e pontos fracos, não parece haver nenhuma evidência decisiva que nos leve a abandonar a opinião tradicional: Roma. O encarceramento em Éfeso é hipotético e inconclusivo; tal fato, aliado à cristologiacósmica adiantada de Colossenses, fazem que fique mais plausível que a carta tenha surgido num período posterior da vida de Paulo (cerca de 60 d.C), e de um ambiente como o de Roma.



NEO PENTECOSTAL E FALSAS DOUTRINAS



                       Raízes da distorção


Para satisfação de alguns e espanto da maioria, o movimento da "confissão positiva" tem se alastrado na comunidade evangélica brasileira nos últimos anos. Conhecido popularmente como a "teologia da prosperidade", esta corrente doutrinária ensina que qualquer sofrimento do cristão indica falta de fé. Assim, a marca do cristão cheio de fé e bem-sucedido é a plena saúde física, emocional e espiritual, além da prosperidade material. Pobreza e doença são resultados visíveis do fracasso do cristão que vive em pecado ou que possui fé insuficiente.

Outros ensinos pouco ortodoxos caracterizam a confissão positiva, conhecida também como "evangelho da saúde e da prosperidade'', ' 'palavra da fé'' ou ainda como "movimento da fé". Seus líderes apregoam que os humanos possuem a natureza divina, que consultar médicos ou tomar remédios é pouco recomendável para o cristão, que Jesus foi milionário e que a soberania de Deus é limitada pela vontade humana.

A confissão positiva tem causado muita controvérsia e deixado um rastro de tragédias, desapontamentos e confusão em muitas igrejas de diferentes denominações. Para surpresa de muitos, as igrejas evangélicas tradicionais estão entre as mais vulneráveis a este movimento.

Não se pode negar que o movimento de confissão positiva tem várias coisas a nos ensinar, tais como orar com fé, orar crendo nas promessas de Deus e ter uma mente positiva, evitando, assim, atitudes pessimistas, tão comuns em muitas pessoas que se dizem cristãs. Nestes aspectos, precisamos reconhecer que a confissão positiva tem algo a nos transmitir e devemos ser humildes o suficiente para receber tais ensinos. Nossa preocupação é com outros aspectos do movimento abertamente contrários às Escrituras, com respeito à soberania de Deus, à pessoa e obra de Jesus Cristo, à natureza do homem, bem como ao resultado, na prática, ao se abraçar tal ensino.

Uma definição

Antes de prosseguir, cremos que seria necessário definir o que é este movimento conhecido como confissão positiva. De acordo com o Dictionary Of Pentecostal And Charismatic Movements (Dicionário dos Movimentos Pentecostal e Carismático):
Confissão positiva é um título alternativo para a teologia da fórmula da fé ou doutrina da prosperidade promulgada por vários televangelistas contemporâneos, sob a liderança e a inspiração de Essek William Kenyon. A expressão "confissão positiva" pode ser legitimamente interpretada de várias maneiras. O mais significativo de tudo é que a expressão "confissão positiva" se refere literalmente a trazer à existência o que declaramos com nossa boca, uma vez que a fé é uma confissão.

As origens

A confissão positiva tem suas origens numa antiga heresia conhecida como gnosticismo. Esta palavra vem do vocábulo grego gnosis, que significa "conhecimento". Tal heresia data do primeiro e segundo séculos da era cristã e ensinava que havia uma verdade especial, mais elevada, acessível somente aos iluminados por Deus. Os gnósticos acreditavam que na natureza humana há o princípio do dualismo, isto é, que o espírito e o corpo - duas entidades separadas - são opostos. Para eles, o pecado habitava somente na carne, tornando-a totalmente má. O corpo podia fazer tudo o que lhe agradasse, vivendo nos prazeres da carne. O espírito era totalmente bom. Assim, alguém poderia ter uma vida impura fisicamente e ao mesmo tempo ser espiritualmente puro. Judith A. Mata declara:
Na virada do século XIX, as seitas gnósticas têm se tornado uma parte da história religiosa no nosso próprio país. O mormonismo, tornando homens em deuses, e a Ciência Cristã, com seus métodos de unidade com a Mente Divina, foram ambos estabelecidos no século passado. A mitologia do mormonismo e as "leis" da Ciência Cristã são reflexos diretos do pensamento gnóstico.5 [...] Há seitas gnósticas na nossa sociedade hoje, e o movimento Palavra da Fé é a mais nova e disfarçada de todas as seitas gnósticas que apareceram nos últimos dois séculos.

Muitas pessoas no movimento da confissão positiva consideram Kenneth Hagin como o pai deste ensino. Paul Crouch, presidente da maior rede evangélica de TV do mundo, conhecida como Trinity Broadcasting Network (TBN), com sede na Califórnia, E.U.A., refere-se a Hagin como "papai Hagin". Outros proeminentes pregadores do evangelho da prosperidade consideram-se de fato discípulos de Kenneth Hagin. Entretanto, quando se investiga o desenvolvimento histórico do movimento, chega-se à conclusão de que o verdadeiro pai da confissão positiva é Essek William Kenyon.

Kenyon nasceu no condado de Saratoga, Nova York, Estados Unidos, em 1867. Sua conversão deve ter acontecido quando ele tinha entre 15 e 19 anos de idade. Aos 19 anos, pregou o seu primeiro sermão numa igreja metodista. Em 1892, mudou-se para Boston, onde freqüentou várias escolas, entre elas a Faculdade Emerson de Oratória, fundada por Charles Emerson. É importante saber quem foi Charles Emerson para se compreender a hermenêutica (ciência que trata da interpretação bíblica) de Kenyon. Em seu livro A Different Gospel, McConnell comenta que Charles Emerson foi um colecionador de religiões, um eclético, no sentido mais verdadeiro da palavra:
Em seus 40 anos de ministério, a teologia de Emerson evoluiu do congregacionalismo para o universalismo, para o unitarismo, para o transcendentalismo, para o Novo Pensamento (Nova Idéia), e terminou, finalmente, nas mais rígidas e dogmáticas de todas as seitas metafísicas, a Ciência Cristã. Emerson uniu-se à Ciência Cristã em 1903 e nela permaneceu envolvido até sua morte, em 1908. Sua conversão à Ciência Cristã foi a última progressão lógica na sua evolução metafísica do ortodoxo para o sectário.

McConnell cita em seu livro uma declaração de Ern Baxter, que torna patente a influência da Ciência Cristã sobre Kenyon. Conheci Ern Baxtet pessoalmente nos Estados Unidos e estudei a Bíblia com ele no primeiro semestre de 1979, em San Diego, Califórnia. Confesso que fiquei bem impressionado com ele e com seus ensinos e tive a impressão de que ele realmente amava o Senhor. Não sabia, entretanto, de seu envolvimento com uma prática nada recomendável sobre o discipulado.

Baxter estava engajado no Shepherding Movement, movimento que ensinava a necessidade de cada novo membro no grupo ter um líder espiritual, um discipulador, a quem contaria todos os seus pecados, fantasias ou qualquer outro problema do passado e do presente. Chegava-se ao cúmulo de o discipulador poder decidir sobre a carreira, o curso na faculdade e até sobre com quem o discípulo deveria se casar, tolhendo, assim, a liberdade cristã do novo membro e assumindo o papel do Espírito Santo em sua vida.

Ern Baxter, que conheceu e conviveu com Kenyon, declara que ele sem dúvida foi influenciado por Mary Baker Eddy, fundadora da seita norte-americana Ciência Cristã. Veja o que Baxter tem a dizer sobre isto:
Minha razão principal para afirmar isto não se baseia apenas no que apanhei das coisas metafísicas que ele dizia em nome do cristianismo, mas também de uma certa tarde em que me fez uma visita, como já fizera em várias ocasiões. Ele estava sentado lendo, num canto da sala onde eu tinha uma prateleira com alguns livros, um dos quais era Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy, que eu tinha para fins de referência, sendo estritamente contra quase todos os seus pontos de vista. Mas eu o encontrei lendo o livro e sorri enquanto passava, não querendo interrompê-lo. Voltei uns 30 ou 40 minutos depois e ele ainda o estava lendo. Então fiz um comentário e ele respondeu, positivamente, que havia muito que se poderia aproveitar de Mary Baker Eddy. Aquilo me despertou. Não posso dizer que me surpreendeu, mas me alertou para o fato de que ele provavelmente não estava formulando suas posições de fé inteiramente baseado em sola Scriptura, mas foi influenciado pelos metafísicos.

Torna-se necessário abrir aqui um parêntese para um interessante comentário de Charles Capps, outro proeminente pregador da Confissão Positiva do Estado de Arkansas. Num de seus livros ele comenta: “Às vezes, quando começo a ensinar sobre isso, as pessoas dizem que parece doutrina da Ciência Cristã. Uma senhora cutucou o marido numa reunião no Texas (minha esposa ouviu) e disse: ' 'Isto parece Ciência Cristã''.

É certo que Kenyon esteve envolvido com uma variedade de ministérios e atividades durante a sua vida. Fez reuniões evangelísticas em San José, Oakland e em muitas outras cidades da Califórnia. Era sempre convidado por Aimee Semple McPherson para pregar no Angelus Temple, em Los Angeles, sede da denominação da Igreja do Evangelho Quadrangular. Em 1926, assumiu o pastorado de uma igreja batista independente em Pasadena, também na Califórnia. Fundou a Igreja Batista Nova Aliança, na cidade de Seattle, em 1931. Logo em seguida, começou um programa de rádio, tornando-se, assim, um dos pioneiros deste novo método de evangelização.

Kenyon faleceu no dia 19 de março de 1948 com a idade de 80 anos. Antes de sua morte, encarregou sua filha Rute de continuar o seu ministério e publicar os seus escritos, o que ela cumpriu fielmente. Mais tarde, alguém utilizaria as idéias e os escritos de Kenyon para dar forma ao que viria a ser um dos maiores e mais controvertidos movimentos dentro do corpo de Cristo da atualidade. Esta pessoa é Kenneth Erwin Hagin.

Hagin, o porta-voz da confissão positiva

Kenneth Hagin nasceu em McKinney, no Estado do Texas, Estados Unidos, no dia 20 de agosto de 1917. Hagin nasceu com sério problema de coração e por este motivo os médicos o desenganaram. Teve uma infância difícil e emocionalmente turbulenta. Aos seis anos de idade seu pai abandonou sua mãe, o que a levou a ter tendências suicidas. Aos nove passou a viver com o avô. Pouco antes de completar 16 anos de idade, a condição física de Hagin piorou, deixando-o confinado a uma cama.

Duas experiências afetariam toda a sua vida e ministério. A primeira foi Hagin ter sido "levado ao inferno", onde viu e sentiu coisas que o deixariam perplexo, tais como trevas que o impediam de enxergar até mesmo a sua mão a uma distância de três centímetros dos seus olhos e um calor que, quanto mais ele descia, mais forte ficava. Hagin desceria outras duas vezes "ao inferno" para ali contemplar os seus horrores, sendo assim levado a tomar uma decisão quanto a sua vida espiritual. Depois da terceira "visita ao inferno", Hagin aceitou a Cristo como seu Salvador.

A segunda experiência veio através da leitura de uma passagem das Escrituras, mais precisamente Marcos 11:23,24:
Porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele. Por isso vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco.

A revelação desta passagem foi dada a Hagin em duas partes. A primeira começa no primeiro dia do ano de 1934. O avô de Hagin possuía várias casas de aluguel na cidade e decidiu mudar-se para uma delas. Houve toda uma preparação, mudando primeiro os móveis e deixando as coisas do quarto de Hagin por último. Finalmente a ambulância chegou para levar Hagin. Enquanto ele estava na ambulância, um dos atendentes perguntou-lhe se gostaria de ver algumas coisas na cidade, o que muito o alegrou. Depois de ver diferentes lojas e partes da cidade, chegaram finalmente ao fórum localizado no centro da praça. Hagin relata:
Nunca esquecerei aquele momento enquanto viver. Naquele instante algo me disse: "Você nunca pensou que poderia ver estes prédios novamente. E não poderia mesmo, se não fosse pela gentileza do homem que o está levando". Então me lembrei do versículo em Marcos 11:24 (...) e recordei o versículo anterior a ele (...) Aí está o princípio da fé: Creia no seu coração, diga-o com sua boca, "e assim será convosco". Quando disse isto na ambulância naquele dia, lágrimas rolaram pela minha face. Não entendia tudo o que eu sei agora. Eu tinha apenas um pequeno raio de luz. Era como uma pequena luz chegando através de uma brecha na porta, mas aquilo foi o ponto de partida para mim — primeiro de janeiro de 1934, por volta das duas horas da tarde.

Hagin continua contando que janeiro e fevereiro passaram e ele ainda permanecia na cama. Depois março, abril, maio, junho e julho também passaram. O diabo poderia ter dito que não estava funcionando, mas ele continuava firme na sua confissão e recusava desistir apesar da cura não se concretizar. Finalmente, outra parte da revelação de Marcos 11:23, 24 aconteceria na segunda semana de agosto de 1934. Veja como foi:
Terça-feira eu orei nas primeiras horas da manhã. No horário de costume, minha mãe veio e me ajudou com o banho. Eram mais ou menos 8h30 quando ela saiu do quarto; eu continuava a orar. Eu já estava lutando com este versículo de Marcos 11:24 por um bom tempo, mas não ficava nada melhor. Neste momento eu vi exatamente o que aquele versículo significava. Até então, ficara esperando até estar realmente curado. Olhava para o meu corpo e testava as batidas do coração para ver se eu já tinha sido curado. Mas percebi que o versículo afirma que é preciso crer quando oramos. O ter vem depois do crer. Eu estava invertendo. Tentava primeiro ter e então crer em segundo lugar. E isto é o que a maioria das pessoas fazem. Já sei, já sei, disse com alegria. Já sei o que eu tenho de fazer, Senhor. Tenho de crer que meu coração está bem enquanto ainda estou deitado aqui nesta cama e enquanto meu coração não está batendo direito. Tenho de crer que minha paralisia já se foi enquanto ainda estou deitado e incapacitado.

Por uns dez minutos Hagin louvou a Deus, levantando as mãos aos céus e agradecendo pela cura apesar de não haver qualquer evidência. Logo em seguida o Espírito Santo falou-lhe: "Você crê que está curado. Se você está curado, então deveria se levantar e sair da cama".13 Segurando-se na beira da cama, Hagin levantou-se e sentiu o quarto todo girando. Considerou isto normal, pois, afinal, havia ficado na cama por um período de 16 meses. Fechou os olhos e ficou ali parado por alguns minutos. Finalmente abriu os olhos e não sentiu mais o quarto girar. Começou a sentir as pernas novamente. Determinado a andar, deu um passo. Depois, mais um passo. E então, apoiando-se nos móveis, conseguiu dar uma volta ao redor do quarto. Não disse nada a ninguém. Na manhã seguinte, caminhou pelo quarto outra vez. À noite, pediu à mãe que lhe trouxesse roupa, pois pretendia juntar-se à família para o café da manhã do dia seguinte. Claro que ela ficou surpresa. No outro dia pela manhã, lá estava Hagin sentado à mesa e tomando café com sua família.

Hagin logo começou seu ministério como um jovem pregador batista (1934-1937) e pastoreou uma igreja da comunidade onde morava. Durante o seu primeiro ano de pastorado, gastou quatro pares de sapatos de tanto andar para pregar. Devido à sua crença em cura divina, começou a associar-se com os pentecostais. Em 1937, recebeu o batismo com Espírito Santo e falou em línguas. Neste mesmo ano foi licenciado como ministro da Assembléia de Deus (1937-1949) e pastoreou várias igrejas dessa denominação no Estado do Texas. Depois disso, começou a envolver-se com vários pregadores independentes de cura divina, tais como William Branham, Oral Roberts, T. L. Osborn e outros e fundou, em 1962, o seu próprio ministério.

Visões

As visões tornaram-se parte importante do ministério de Kenneth Hagin. Um exemplo das várias que ele já teve:

Em 1952, o Senhor Jesus Cristo me apareceu numa visão e falou comigo por mais ou menos uma hora e meia sobre o diabo, demônios e possessão demoníaca. No final daquela visão, um espírito maligno que parecia um macaquinho ou um duende correu entre mim e Jesus, espalhando alguma coisa parecida com fumaça ou nuvem escura.
Então este demônio começou a pular, gritando com uma voz estridente: "Iaqueti-iac, iaqueti-iac, iaqueti-iac". Eu não podia ver Jesus, nem entender o que Ele dizia. (Durante todo o tempo dessa experiência, Jesus estava me ensinando alguma coisa. E, se prestar atenção, você encontrará resposta aqui para muitas coisas que o têm perturbado.)
Não podia compreender por que Jesus permitia ao demônio fazer tanta algazarra. Fiquei imaginando a razão por que Jesus não repreendeu o demônio para que eu pudesse ouvir o que Ele falava. Esperei algum tempo, mas Jesus não tomou nenhuma iniciativa com relação ao demônio; Jesus ainda estava falando mas eu não podia entender uma palavra sequer do que dizia e eu precisava ouvir, porque Ele dava instruções referentes ao diabo, demônios e como exercer autoridade.
Pensei comigo mesmo: "Será que o Senhor não sabe que não estou ouvindo o que Ele quer que eu ouça? Preciso ouvir isto. Estou perdendo!" Quase entrei em pânico. Fiquei tão desesperado que gritei: "No nome de Jesus, espírito tolo, te ordeno que pares!" No mesmo instante que disse isso, o demoniozinho caiu no chão como um saco de feijão e a nuvem negra desapareceu. O demônio ficou ali no chão tremendo, choramingando e gemendo como um cachorrinho acossado. Nem olhava para mim. "Não somente cales a boca, mas sai daqui em nome de Jesus!" ordenei. Ele foi embora correndo.
O Senhor sabia exatamente o que se passava em minha mente. Eu estava pensando: Por que Ele não fez nada? Por que permitiu isso? Jesus me olhou e disse: "Se você não tivesse tomado uma atitude a respeito, eu não poderia fazê-lo".

Ao ouvir isso tomei um verdadeiro choque — fiquei pasmo. Respondi: "Senhor, acho que não O ouvi direito! O que o Senhor disse é que não o faria, não foi?" Ele respondeu: "Não, se você não tivesse tomado nenhuma atitude, eu também não poderia fazê-lo". Repeti tudo por quatro vezes. Ele era enfático ao dizer: "Não, não disse que não faria, disse que não poderia fazê-lo.

Observe bem as palavras de Hagin. Não é que Jesus não quis, é que ele não pôde. Como entender que Jesus não pôde expulsar o demônio à luz de Mateus 28:18: "Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra"? Veja ainda Marcos 16:17 e 1 João 3:8 que claramente indicam o contrário do que Hagin comenta em sua visão. O pior de tudo é que qualquer pessoa que ler o relato de Hagin acima concluirá facilmente que ele alega ter mais poder sobre os demônios do que o próprio Jesus.

Impacto

O ministério de Kenneth Hagin é hoje um dos maiores do mundo e sua influência tem se espalhado por muitas partes do globo. Em 1966, Hagin estabeleceu o centro de suas atividades na cidade de Tulsa, em Oklahoma. Em 1974, iniciou a Escola Bíblica por Correspondência Rhema e o Centro de Treinamento Bíblico Rhema em Tulsa. Esta escola já formou cerca de 6.600 alunos. A revista Word of Faith (Palavra da Fé) do movimento é enviada para 190 mil lares mensalmente e calcula-se que cerca de 20 mil fitas cassete de estudos são distribuídas a cada mês. Já foram vendidos cerca de 33 milhões de cópias de seus 126 livros e panfletos. Os bens da organização estão avaliados em 20 milhões de dólares.

Depois que se formam na Escola Rhema, os alunos espalham-se por diferentes partes do mundo, levando em sua bagagem os ensinos de uma fé triunfalista e de um evangelho certamente controvertido.

As estrelas da confissão positiva

A confissão positiva é um verdadeiro leque. Por esta razão, não se pode julgar seus líderes da mesma forma, pois alguns são mais equilibrados do que outros. Infelizmente, porém, há muitos extremos; há aqueles que chegam até ao ponto de exortar seus membros a não procurarem os recursos da medicina quando se encontrarem enfermos.

Além de Essek W. Kenyon e Kenneth Hagin, os nomes mais conhecidos ligados à confissão positiva são Ken Hagin Jr. (filho de Kenneth Hagin), Kenneth e Glória Copeland, T. L. Osborn, Fred Price, Hobart Freeman, Charles Capps, Jerry Savelle, John Osteen e Lester Sumrall. Nos últimos anos, tem surgido vários outros nomes.

Bob Tilton, que já esteve no Brasil acompanhado de Rex Humbard, é uma figura extremamente controvertida hoje nos Estados Unidos, principalmente pelos seus métodos de levantamento de fundos. Ele chega a chorar e a profetizar ao mesmo tempo enquanto pede dinheiro no seu programa de televisão, como se fosse o próprio Deus pedindo.

Outros, como Marilyn Hickey, John Avanzini e Benny Hinn, já estiveram no Brasil participando de conferências promovidas pela ADHONEP (Associação de Homens de Negócios do Evangelho Pleno).16 O norte-americano Dave Roberson também já esteve algumas vezes no Brasil ministrando ao lado de Valnice Milhomens.

Bem conhecido de muitos evangélicos no Brasil é o nome de Paul Yonggi Cho, talvez o menos controvertido dos pregadores da fé. Cho é o pastor da maior igreja evangélica no mundo, em Seul, na Coréia do Sul. Vários de seus livros já foram publicados em português.

Bom dia, Espírito Santo

Não há dúvida de que o movimento da fé tem em Benny Hinn, pastor do Centro Cristão de Orlando, na Flórida, um de seus nomes mais famosos. Seu livro, Bom Dia, Espírito Santo, é um dos mais vendidos hoje na América do Norte. Porém, tanto o livro de Hinn como seus ensinos têm suscitado muita polêmica, como, por exemplo, o estudo acerca do "corpo" do Espírito Santo.17 Não faz muito tempo, Hinn levou os membros de sua igreja a repetir depois dele a seguinte frase: "Eu sou um deus-homem" (vídeo nos arquivos do ICP).

A revista Christianity Today (Cristianismo Hoje), publicada nos Estados Unidos, afirma que em 1992 Benny Hinn disse, num programa de TV, que o Espírito Santo lhe ensinava, naquele momento, que Deus havia originalmente planejado que as mulheres dessem à luz pelo lados. Quando pressionado sobre tal ensino, Hinn admitiu que o havia tirado da Dake's Annotated Reference Bible ("Bíblia de Referência Anotada de Dake", edição de 1963). Hinn ainda continua falando sobre o "corpo" do Espírito Santo, ensino este mencionado em Bom Dia, Espírito Santo.

Outros dados mencionados na mesma edição da revista têm a ver com fatos relatados por Hinn no seu livro e que não são verídicos, como a cura de sua gagueira (várias pessoas que o conheceram na adolescência não confirmaram isso) e que seu pai teria sido prefeito da cidade de Jafa, em Israel. Na verdade, seu pai chegou a trabalhar num escritório árabe (Christianity Today, outubro de 1992, pp. 52-54).

O boletim The Berean Ca// (O Chamado dos Bereanos), de Oregon, em setembro de 1992, publicou os seguintes comentários de Hinn a respeito de Adão e Eva:
Adão era um ser sobre-humano quando Deus o criou. Não sei se as pessoas chegam a saber disso, mas ele foi o primeiro super-homem que já existiu. Adão não só voava [como os pássaros], mas também voava para o espaço (...) com um pensamento ele estaria na Lua (...) podia nadar [debaixo d'água] sem perder o fôlego, e sua esposa fazia o mesmo (...) Ambos eram sobre-humanos.

Em 1992, o jornal Mensageiro da Paz publicou uma nota sobre Benny Hinn: “O livro Bom Dia, Espírito Santo, de Benny Hinn, está causando celeuma nos Estados Unidos. Ele passa a idéia de que existem nove deuses na Trindade. O autor se justifica afirmando que não soube explicar bem o que queria dizer.”

A confissão positiva no Brasil

O movimento da fé tem encontrado uma formidável guarida entre os brasileiros. Algumas igrejas já foram estabelecidas em diferentes lugares, como a Igreja do Verbo da Vida, em Guarulhos, São Paulo, a Comunidade Rema no Morro Grande, também em São Paulo (não há ligação entre esta igreja e a de Guarulhos) e a Igreja Verbo Vivo, em Belo Horizonte. Diversos outros líderes, igrejas e organizações estão aderindo aos ensinos da confissão positiva sem fazer uma avaliação bíblica adequada de sua proposta. Em muitos lugares, até mesmo pastores de igrejas evangélicas tradicionais aconselham seus membros a ler os livros do movimento, que são vendidos aos montes nas livrarias evangélicas.

A confissão positiva já alcançou repercussão significativa nos meios de comunicação, especialmente na televisão.

Um nome bastante conhecido é o de R. R. Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, responsável pela publicação da maioria dos livros de Kenneth Hagin no Brasil. Seu programa vai ao ar todas as manhãs pela TV Bandeirantes.

Outra pessoa que tem influenciado muitos no Brasil é o engenheiro Jorge Tadeu, hoje pastor e líder das igrejas Maná, em Portugal. Alguns de seus livros já circulam no Brasil, e ele tem aparecido em programas evangélicos de TV (como o de Valnice Milhomens) e promovido conferências bastante concorridas em São Paulo.

O ministério Cristo Salva, liderado pelo Pr. Cássio Colombo (o "tio Cássio"), em Indianópolis, na cidade de São Paulo, já se ligou oficialmente ao ministério de Jorge Tadeu em Portugal.

Pode ser citado ainda o ministério de Miguel Ângelo da Silva Ferreira, pastor da Igreja Evangélica Cristo Vive, no Rio de Janeiro. Estas são as informações contidas em várias publicações do ministério sobre Miguel Ângelo.

Pastor, evangelista, pregador de grandes campanhas e reconhecido internacionalmente. Nascido em Luanda, Angola, foi chamado ao Ministério em 1979. Professor, Bacharel em Teologia e Advocacia, formado pelo Haggai Institute for Advanced Leadership Training, fundador e Presidente da Igreja Evangélica Cristo Vive — Rio de Janeiro — Brasil. Tendo sido reconhecido como Apóstolo em graça para o Brasil pela 1ª Convencion Internacional de Iglesias en Gracia, em Miami, EUA, autor de vários livros de grande repercussão, tem sido um instrumento de Deus para Evangelização e Pregação da Palavra em graça. Preside a Associação Brasileira de Comunicadores Cristãos do Brasil; é membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil e desenvolve um grande Ministério de Comunicação, através de televisão e rádio.

Apesar do currículo impressionante, vários ensinos de Miguel Ângelo têm gerado controvérsia. Um deles é o da preexistência do ser humano, com base em Jeremias 1:5: ''Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e antes que saísses da madre, te consagrei e te constituí profeta às nações" (sermão A Nossa Preexistência, 25.8.91, nº 127). A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (os mórmons), uma seita herética, também usa este versículo para defender a mesma posição (Joseph Fielding Smith, Doutrina de Salvação. São Paulo: Centro Editorial Brasileiro, 1976, vol. I, p. 65). Miguel Ângelo diz que antes de 1953 Deus já o conhecia. Isto é verdade, mas, ao mesmo tempo, não quer dizer que ele já existia.

A passagem de Jeremias citada acima não está falando da preexistência do profeta, mas, sim, da presciência de Deus. Creio que, desde a eternidade, Deus já conhecia ou já sabia sobre as cidades de São Paulo, Rio ou Paris. Nem por isso elas já existiam antes de serem construídas. O profeta Zacarias declarou ainda: "...

Fala o SENHOR, o que estendeu o céu, fundou a terra e formou o espírito do homem dentro dele" (Zacarias 12:1). Veja ainda 1 Coríntios 15:46, que claramente refuta a crença na preexistência do ser humano: "Mas não é primeiro o espiritual, e, sim, o natural; depois o espiritual".

Além da preexistência do homem, Miguel Ângelo ainda defende a divindade do cristão, doutrina que será mais detalhadamente discutida no capítulo 4.

A Igreja Universal do Reino de Deus, fundada pelo bispo Edir Macedo, possui alguns respingos do movimento da fé. A ênfase sobre a prosperidade financeira é bastante acentuada. O movimento da fé tem investido também na educação. O Seminário Verbo da Vida, fundado em 1986, em Guarulhos, já conta com filiais nas cidades de Santos e Campina Grande, na Paraíba.

O fenômeno Valnice Milhomens

Na pessoa de Valnice Milhomens Coelho que a confissão positiva tem encontrado a sua maior expressão. De acordo com o Ministério Palavra da Fé, fundado por Valnice, ela nasceu na cidade de Carolina, Estado do Maranhão, em 16 de julho de 1947. Na sua juventude, após três anos dedicados ao estudo da Bíblia, teve um encontro com Cristo que, como ela mesma afirma, foi tão maravilhoso ao ponto de não poder descrevê-lo. Ao ser chamada para o ministério, ingressou no Seminário de Educadoras Cristãs, em Recife, recebendo o grau de bacharel em Assistência Social e Educação Religiosa.

Em janeiro de 1971, foi enviada como a primeira missionária da Convenção Batista Brasileira à África, trabalhando assim por 13 anos em Moçambique. Foi por ocasião de sua ida à África do Sul, onde ficou por dois anos, que ela entrou em contato com os ensinos da confissão positiva através da Escola Bíblica Rhema, ligada ao ministério de Kenneth Hagin, Valnice afirma que já havia recebido esse tipo de doutrina por revelação mesmo antes de ter tido qualquer contato com os ensinos de Hagin.


Após voltar ao Brasil, fundou o Ministério Palavra da Fé. Atualmente promove conferências e estudos bíblicos em igrejas de várias denominações e apresenta um programa semanal na TV Bandeirantes aos sábados pela manhã, além de liderar periodicamente viagens à Israel. Desenvolve também um ministério de vídeos e fitas de áudio com bastante sucesso, além de liderar ainda um grupo de intercessores espalhados por todo o Brasil denominado Guerreiros de Oração.


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui seu comentário!

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.