terça-feira, 28 de outubro de 2014

PERIGO DAS VÃS FILOSOFIAS


                  A religião e as filosofias anticristãs (1ª parte)

               Breve abordagem sobre as principais idéias, crenças e princípios filosóficos-religiosos

Este artigo, dividido em duas partes, objetiva dar uma pequena amostra de “ismos” das escolas de pensamento filosófico-religioso. Há “ismos” totalmente errados, outros certos, uns em parte errados e outros em parte certos. Na maioria dos “ismos”, vemos o mal da filosofia e da ciência sem Deus. Um obreiro do Senhor deve ter um conhecimento pelo menos nocional dessas filosofias para evitar o pior.

1- Agnosticismo: É o princípio filosófico de que não sabemos, nem podemos saber, se Deus existe ou não. A frase predileta dos agnósticos é: “Não podemos crer”. Que situação infeliz é ignorar, desprezar e descrer na revelação divina, a Palavra de Deus!

2- Animismo: É um falso princípio das religiões primitivas, de que tudo o que existe no mundo existe porque tem em si um espírito. Assim, segundo os animistas, árvore, animais, insetos, pássaros, pedras etc têm espírito. O animismo leva o povo ao fetichismo.

3- Ascetismo: É o princípio religioso-filosófico de que o nosso corpo é essencialmente mau e pecaminoso e que, justamente por isso, deve ser tratado com severidade, flagelamento, jejuns forçados, eremitismo, ações como dormir sobre tábuas etc. Segundo os ascéticos, agindo assim a pessoa agradará a Deus e purificar-se-á de seus pecados. Em suma, o homem deve fazer penitência, levando ao mesmo tempo uma vida solitária e contemplativa, tudo para agradar a Deus.
Há na Bíblia, sim, um ascetismo justo, reto, equilibrado e consciente, preconizado em vidas de santos como Elias, João Batista, Paulo e outros. É o caminho da renúncia às comodidades do ego para seguir e servir ao Senhor. “Renuncie-se a si mesmo”, disse Jesus. “Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” e “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão”, disse Paulo, o apóstolo.

4- Ateísmo: É a falsa crença de que Deus não existe. Uma das evidências apresentadas pelo ateu é o fato de termos aqui tanto mal e sofrimento. O ateísmo é uma crença obviamente errada, que visa suprimir Deus do coração das pessoas. O termo “ateu” aparece na Bíblia em Efésios 2.12 (a expressão “sem Deus”, no original grego, é atheói, de onde deriva a palavra). Vemos referência ao mesmo em Salmos 53.1. Deus não tem culpa do mal na terra (Ec 7.29 e Lm 3.29).

5- Biblicismo: É a pessoa apegar-se extremamente à letra do texto bíblico sem o devido contexto, sem hermenêutica sagrada, sem exegese bíblica, simplesmente para apoiar sua própria fé e querer provar suas falsas crenças, seus modos errados de agir e de proceder dentro e fora da igreja. Alguns dos textos que, por exemplo, vemos usados erroneamente pelos biblicistas são Mateus 5.39 e 26.26. Há, também, as palavras de Jesus: “Isto é o meu corpo”.

6- Ceticismo: Em filosofia é a falsa crença de que jamais alguém pode chegar a um abalizado conhecimento da verdade. Esses céticos alegam (1) que nossos sentidos são falhos, (2) nosso raciocínio contém fantasias (3) e as evidências físicas das coisas são todas incompletas e imperfeitas. Os céticos não levam em consideração nem a razão, nem a intuição, muito menos a ação poderosa e graciosa do Espírito Santo para nos dirigir, iluminar, inspirar e revelar as coisas de Deus e da sua Palavra.

7- Deísmo: É o ensino errôneo de que Deus é totalmente distante em relação ao universo, ao homem e a tudo o mais que Ele criou. Isto é, Deus criou todas as coisas, mas mantém-se alheio e à parte do curso de sua história e seus acontecimentos.

8- Determinismo: É o ensino filosófico de que tudo o que acontece já foi antes determinado e não pode ser alterado. O determinismo faz do homem um ser moralmente irresponsável diante de seus atos. O homem é um escravo da sorte. O determinismo é, pois, uma forma de predestinação fatalista.

9- Dualismo: Ensino religioso-filosófico de que há no universo dois princípios regentes, das pessoas e coisas, princípios estes eternos e antagônicos. Por exemplo: o bem e o mal, a mente e a matéria, a luz e as trevas, a morte e a vida, a saúde e a doença etc. Isso revela ignorância dos ensinos da Palavra de Deus, que esclarece tais coisas. Não devemos tirar conclusões a respeito dessas coisas com base naquilo que observamos, ou naquilo que nos sucede, mas num maior conhecimento real de Deus e de Sua Palavra.

10- Ecletismo: Esse termo vem de “melhor”. É o sistema religioso-filosófico que procura descobrir e combinar os melhores e mais promissores fatores, condições e recursos possíveis para resolver problemas e superar dificuldades que surgem em nosso caminho. O ecumenismo, por exemplo, serve-se de princípios ecléticos para buscar caminhos que levem à união de todas as igrejas e religiões numa só organização. Ocorre que a verdadeira igreja de que Jesus falou não é primeiramente uma organização religiosa, mas um organismo vivo e dinâmico em que habita o Espírito Santo.

11- Ecumenismo: Movimento religioso, liberal e modernista, que visa unificar todas as igrejas e denominações. O movimento ecumênico é impulsionado pelo Concílio Mundial de Igrejas, fundado em 1948 em Amsterdã, Holanda. Tem sua sede atualmente em Genebra, Suíça.

12- Esoterismo: É uma forma de conhecimento filosófico-religioso, de base ocultista, possuído e compreendido (dizem os esotéricos) por uns poucos adeptos. Esse tal conhecimento resume-se na “verdade primária” de que “o homem é divino”. O esoterismo é claramente uma ramificação do espiritismo e da filosofia do satanismo.

13- Evolucionismo: O evolucionismo não é uma ciência; é uma filosofia da ciência. Todo estudante devia saber logo disso. Isto é, evolucionismo é a ideia de filósofos e alguns cientistas ímpios e malevolentes sobre como o cosmos, o homem, os animais, os pássaros, os peixes e insetos passaram a existir. O evolucionismo ensina que o cosmos surgiu e desenvolveu-se por si mesmo, do nada. É preciso mais fé para crer nas hipóteses da chamada evolução do que para crer nas verdades simples da Bíblia, quando ela afirma que foi Deus que criou todas as coisas pela Palavra do Seu poder (Gn 1.1,21,24-25; Sl 19.1; Jó 12.7-9; Hb 1.2-3; 11.3; Jo 1.3 e Cl 1.16-17).
O naturalista inglês Charles H. Darwin, um agnóstico, publicou em 1859 o livro A origem das Espécies, contendo a sua teoria da evolução, que até hoje provoca choques e controvérsias, juntamente com as hipóteses de certos cientistas posteriores, que abordam o mesmo assunto. Segundo as teorias de Darwin, o homem originou-se de um primata, quando a Palavra de Deus claramente declara que Deus criou e formou o homem, no princípio, como relata a Bíblia em Gênesis 1.27, 2.7, 5.1-2 e Atos 17.24-29. Não esqueçamos que hipótese “é aquilo que não é, mas se faz de conta que é, para ver o que seria, se fosse”.

14- Enoteísmo: É a crença (errada) de que há de fato um Deus Todo-Poderoso, mas que pode haver também outros deuses de menor quilate, que também podem ser adorados pelo homem.

15- Existencialismo: É um princípio filosófico malsão de que o ser humano não deve preocupar-se com assuntos e coisas metafísicos, como, por exemplo, os assuntos e coisas de religião. O homem deve tão-somente aproveitar o máximo do que a vida e o mundo lhe oferecem, e dirigir sua vida como bem quiser e fazer o que achar por bem. O lema do existencialismo é: “Não importa o que eu faço, contanto que isso me proporcione o prazer de que eu preciso”.

16- Humanismo: É um princípio filosófico-religioso que afirma que o homem é a sua própria autoridade máxima para pensar e decidir sobre tudo o que ele quiser. O humanismo faz do homem o seu próprio deus. É o homem que decide sobre o que é bom e o que é mau; sobre o que deve e o que não deve fazer. Deus e Sua Palavra ficam de fora no sistema humanista. Não devemos confundir humanismo com humanitarismo.
As igrejas estão se enchendo de crentes humanistas por falta de um poderoso e sobrenatural avivamento divino e santificador sobre a igreja. Já encontrei professores de Escola Dominical que são humanistas, e também articulistas nossos e obreiros.




A religião e as filosofias anticristãs (2ª parte)
(Continuação...)
17- Idealismo: É a crença filosófica que a matéria inexiste; isto é, de que aquilo que estamos a ver, julgando que é matéria, é apenas uma ilusão da mente. Por sua vez, o realismo é o erro inverso do idealismo. Para o realismo, tudo o que a mente perscruta são realidades de fato.

18- Liberalismo (teológico): É um falso sistema de crença que afirma que a Bíblia é falível, que o sobrenatural não existe, que não há Inferno nem Céu literais; que o nosso futuro é todo incerto e que ninguém sabe nada do que acontecerá após a morte. Teólogos e pastores liberalistas interpretam a Bíblia como eles querem, submetendo-a ao seu modo próprio de pensar. Eles não crêem no nascimento virginal de Jesus, nem na sua ressurreição literal e muito menos no Retorno literal de Jesus, como a Bíblia ensina. O liberalismo apregoa que o homem em si mesmo é bom, Deus é o pai universal de todos e que, por criação, todos somos filhos de Deus e, portanto, nossa felicidade está garantida no céu. Liberalismo e modernismo religioso andam de mãos dadas.

19- Materialismo: Como princípio filosófico-religioso, o materialismo ensina que a única realidade existente é a matéria, e nada mais. Ele nega a existência da alma do homem e, de igual modo, a existência de Deus. Ele ensina que o homem e a mulher são apenas animais de uma escala superior e nada mais. Ora, isso exime o homem de qualquer responsabilidade moral em relação aos seus atos, e é isso o que eles querem: viver exclusivamente para os prazeres da carne, praticar nudismo livremente, eliminar de vez o casamento etc. O materialismo ensina que os processos e fenômenos físicos e mentais do organismo humano são apenas movimentos e funções da matéria. Por exemplo, o pensamento é apenas secreção da matéria, assim como a bílis é secreção do fígado. Noutras palavras, o materialismo é a deificação da matéria. Como filosofia de vida, o princípio do materialismo está adentrando camufladamente nas igrejas com o pomposo título de “Evangelho da Saúde e Prosperidade”.

20- Ocultismo: Abrange inúmeras formas de espiritismo disfarçado para mais facilmente enganar os incautos. Os ocultistas usam muitos termos para se disfarçarem, tais como místico, misticismo, esoterismo, cabalismo, espiritualismo, rosacrucianismo, aura, emanação, “meditação” e “concentração” (nas chamadas artes marciais, que também estão ligadas ao ocultismo budista), premonição, mediunidade, xamanismo (mediunidade), canal (médium), astral, parapsicologia, paranormalogia, fenômenos paranormais, magia, neurolingüística (aprendizagem subliminar ocultista), bioritmo (gráfico das potencialidades cíclicas humanas para fins de auto-prevenção), cromoterapia, psicografia, acupuntura, terapia floral (floral de Bach) etc.

21- Monoteísmo: É a crença (verdadeira) de que existe apenas um Deus único e verdadeiro, que criou o universo, mas que também ordena e sustenta todas as coisas “pela Palavra do seu poder”. A religião primeva era monoteísta (Rm 1.19-21).

22- Naturalismo: É a idéia filosófica de que tudo o que existe é explicado em termos mecânicos, materiais, naturais, físicos. A mente humana é simplesmente um mecanismo químico-elétrico. O naturalismo nega a realidade do imaterial, do espiritual, do sobrenatural e do invisível; portanto, nega a existência do espírito humano, a existência de Deus e a imortalidade da alma. O naturalismo “só crê na razão; ele nega o transcendente. É ateísta”.

23- Panteísmo: É o erro filosófico-religioso que consiste em confundir o Criador com a criação; isto é, confundir Deus com a natureza que Ele criou. O panteísmo ensina que Deus e o universo formam um todo; isto é, Deus é tudo e tudo é Deus. O panteísmo nega a transcendência de Deus.

24- Politeísmo: É a falsa crença em muitos deuses e deidades. É uma distorção do monoteísmo bíblico: um Deus único e verdadeiro. Esses deuses do politeísmo podem ser seres vivos ou personificação de elementos da natureza, como astros, fertilidade, amor, fogo, água etc. O politeísmo é resultado da apostasia do homem (Rm 1.21). Ele contraria diretamente o que Deus diz em Êxodo 20.3: “Não terás outros deuses diante de mim”. Religiões politeístas: hinduísmo, budismo, taoísmo, xintoísmo etc.

25- Positivismo: O positivismo filosófico ensina que tudo o que podemos conhecer é aquilo que os nossos sentidos podem perceber. Em outras palavras, todo conhecimento que podemos adquirir é feito através da experiência, mediante nossos sentidos físicos. O positivismo rejeita o conhecimento obtido mediante a razão, a intuição, a espiritualidade, a revelação divina, a inspiração, a iluminação e a direção divinas. Ele limita o conhecimento às ciências empíricas, como a matemática e outras afins. É chamado de positivismo porque limita-se ao conhecimento que é provado, comprovado, demonstrado fisicamente. O positivismo é uma forma de materialismo.

26- Realismo: É a crença de que a verdadeira realidade de Deus (ou de qualquer realidade última) é desconhecida e impossível de ser conhecida. O realismo deixa em dúvida a verdade plena da natureza de Deus. Robert Spencer foi o advogado dessa idéia maldita.

27- Teísmo: Um termo religioso-filosófico referente à nossa fé na existência de Deus, e não apenas a isso, mas também ao fato de que Ele criou o mundo e também o sustenta e rege. Todo verdadeiro crente é teísta, mas nem todo teísta é um verdadeiro crente. O teísmo também sustenta que Deus é imanente em relação ao universo e a tudo o que nele há, mas isso sem jamais confundir o Criador com a criação e a criatura.

28- Teologia da liberação: Abrange um grupo de movimentos teológicos, como:
a) Movimento de liberação dos povos do terceiro mundo: Este movimento ensina que se o povo tiver (1) emprego (o social), (2) subsistência (o econômico), (3) casa e (4) educação, com facilidade se chegará a Deus.
b) Movimento de liberação feminina (movimento feminista): Um movimento destinado a desestabilizar as leis determinadas por Deus para reger a família e a sociedade.
c) Movimento de liberação dos povos de raça negra: Em nome do combate ao racismo, os adeptos da teologia da liberação apelam para a revolução, a subversão da ordem, para a violência, para obterem essa liberação.


Cuidado com a idolatria
Quando o mero gostar, admirar e respeitar dá lugar a uma doentia adoração por pessoas e coisas

A idolatria é um dos pecados mais terríveis listados na Bíblia, porque consiste em dar glória e veneração a algo ou alguém que não seja o próprio Deus, o único que é digno de toda honra, toda glória, todo louvor e toda adoração. Entretanto, apesar de tão claro, este é um dos pecados mais praticados e mais ignorados em nossos dias no meio evangélico. É triste dizer, mas está se tornando cada vez mais comum jovens evangélicos que desenvolvem verdadeiros comportamentos idolátricos em relação a pessoas e coisas que, obviamente, não devem receber a nossa adoração.

Idolatria não é só se prostrar diante de um ídolo de pedra, barro ou metal. Coisas ou pessoas também podem se tornar ídolos em nossa vida, quando começam a ganhar em nosso coração um lugar que não deveriam ter.

Uma coisa é gostar, admirar e respeitar; outra bastante diferente é “endeusar”, idolatrar. Logo, segue o alerta: cuidado para que o mero gostar e admirar não dê lugar à adoração por pessoas e coisas!

Veneração a cantores

Infelizmente, hábitos próprios do público do meio artístico secular estão cada vez mais sendo reproduzidos no meio evangélico brasileiro, devido ao crescimento e à maior visibilidade que os cantores evangélicos têm ganhado midiaticamente nos últimos anos, e que é decorrente do avanço do mercado fonográfico evangélico brasileiro.

Não, não há nada demais em gostar de um determinado cantor ou cantora evangélicos, de admirá-lo(a), de sentir-se inspirado positivamente pelo seu ministério, de orar por ele ou por ela, ou mesmo, eventualmente, de fazer aquela “tietagem” básica: elogio, abraços, conversa e fotos. O problema surge quando, por exemplo, aquela pessoa começa a se tornar o centro de tudo, até mesmo ocupando o espaço que deveria ser do culto a Deus.

Quando o vínculo emocional da pessoa com aquele cantor ou cantora que são admirados começa a se tornar exagerado, afetando todo o comportamento dessa pessoa, então a coisa já descambou para a idolatria.

Quando a presença daquela pessoa admirada no culto passa a ser mais importante do que o culto em si, então já estamos diante de um caso de idolatria.

Quando a ordem do culto começa a ser quebrada em nome de um frenesi enlouquecido diante do cantor admirado, então estamos diante de um caso clássico de idolatria dentro da igreja.

Quando tudo o mais é menosprezado no culto diante da presença do cantor ou cantora admirado(a), desde a liderança da igreja até o culto em si, então a coisa já saiu fora do controle.

Lembremo-nos que há o fogo estranho e há o fogo de Deus; há a verdadeira adoração e há a mera agitação carnal confundida com adoração a Deus. E não, não estamos condenando aqui o adorar a Deus com hinos animados, de celebração e alegria! Tudo isso é maravilhoso e legítimo! Estamos falando do perigo de o culto se tornar um mero show, de o local de adoração a Deus se tornar um ambiente de torcida organizada, de o púlpito se tornar um palco onde o foco é o homem, e não Deus, e isso tem a ver tanto com a atitude de quem ministra o louvor como com a atitude daqueles que são ministrados, daqueles que estão ali para participar daquele momento.

Quando o culto a Deus dá lugar ao show do homem, então estamos diante de um pecado. Isso desagrada a Deus, ofende-O profundamente. Podemos chamar isso do que quisermos, mas não de culto a Deus, pois já deixou de sê-lo há muito tempo. É culto ao homem, é idolatria versão evangélica.

Os limites da “tietagem”

Há limites para a tietagem. E quando é que a gente sabe que estamos passando dos limites? Dá para perceber isso facilmente quando:

1) A mera apresentação marcada daquele cantor ou cantora em algum lugar é tratado como “o maior acontecimento da minha vida”;

2) Achamos que podemos fazer qualquer coisa, até mesmo mentir, deixar de lado compromissos e responsabilidades, desobedecer os pais e liderança, magoar pessoas, prejudicar os estudos ou perder o emprego, para conseguirmos estar perto do cantor(a) admirado(a);

3) Deixamos de dar atenção ao culto a Deus para nos focarmos naquela pessoa admirada quando ela está no culto;

4) Ficamos descontrolados e histéricos (e não meramente emocionados) só por estarmos na presença da pessoa admirada;

5) Gastamos todo o dinheiro com materiais relacionados àquela pessoa;

6) Só usamos o computador e lemos revistas, jornais e livros para saber tudo sobre aquela pessoa;

7) Afastamo-nos das pessoas que não compartilham a mesma paixão ou mesmo passa a antipatizá-las;

8) Só gostamos de falar daquela pessoa admirada;

9) Tomamos atitudes radicais em nome daquela pessoa admirada (há até quem faça tatuagens da pessoa no corpo);

10) Valorizamos mais o nosso interesse por aquela pessoa do que qualquer outra coisa.

Há ainda o caso mais extremo daqueles que perdem o interesse pelas pessoas do dia-a-dia só para ficar mergulhado em seus sonhos sobre a pessoa admirada. Todos esses casos são doentios, próprios da idolatria, fazendo mal tanto ao nosso espírito quando à nossa alma, tanto às nossas emoções quanto à nossa vida espiritual.

Quem vive assim não cresce, só se infantiliza, e muitos acabam prejudicando a sua vida como um todo. Ora, somos cristãos! E cristãos não são idólatras. O cristão só adora, venera e exalta a Deus. Só Ele é a razão do nosso viver, o sentido e o motivo da nossa vida, pois foi Ele quem nos criou e fomos feitos para Ele, portanto nos realizamos nEle. Nada nem ninguém deve ocupar o lugar que Deus deve ter em nossas vidas!

Idolatria a coisas

Mas, não só a idolatria a pessoas tem feito males na vida de muitos jovens. A idolatria a coisas também.

Há gente que é viciada em internet, fazendo com que toda a sua vida gire em torno do mundo virtual. A maior parte do dia é dedicada à internet, prejudicando o sono, a saúde, os estudos e o relacionamento com Deus, com os pais, com os irmãos e com os irmãos em Cristo.

Há outros que são viciados em jogos eletrônicos, prejudicando seus estudos e o seu crescimento espiritual. Aliás, por falar em vida espiritual, esta é uma reflexão importante para ser feita a esta altura: Afinal, como vai a sua vida espiritual? Como vai o seu relacionamento com Deus?

Qual foi a última vez que você gastou tempo com Deus em oração?

Qual foi a última vez que você abriu a Bíblia para estudá-la ou para lê-la devocionalmente para a tua edificação espiritual?

Qual foi a última vez que você evangelizou alguém?

Qual foi a última vez que você dedicou tempo para ajudar as pessoas?

Será que a maior parte do seu dia é dedicada a coisas que realmente valem a pena ou só a futilidades?

Todos nós devemos ter tempo para o ócio, isto é, para coisas menos sérias e divertidas. Porém, nunca as amenidades devem ter a primazia sobre a nossa vida. Deus deve ter a primazia, depois a nossa família, e em seguida os nossos relacionamentos com os irmãos em Cristo e com a igreja. As amenidades devem vir em quarto lugar na nossa escala hierárquica de valores.

Outros casos sutis de idolatria

O apóstolo Paulo afirma em Colossenses 3.5: “Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência e a avareza, que é idolatria”. Veja: Paulo fala de “afeição desordenada” e de “avareza”, que “é idolatria”. Avareza é apego às coisas materiais. Quando valorizamos mais os bens materiais do que o espiritual, estamos de cabeça para baixo espiritualmente. Estamos longe de Deus!

O profeta Samuel falou também sobre outro tipo de idolatria sutil no meio dos crentes. Disse ele, conforme registrado em 1 Samuel 15.23: “Porque a rebelião é como pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor, Ele também te rejeitou a ti...”.

Ora, o que significa a palavra “porfiar”? Ela quer dizer, segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, “discutir com calor”, “insistir”, “teimar”, “competir” e “disputar”. Ou seja, insubordinação, disputa entre irmãos, espírito de competição dentro da igreja, teimosia, arrogância, contenda, tudo isso, afirma Samuel é pecado de idolatria. Você já parou para pensar nisso?

Paulo afirma que uma das características do Anticristo, e que é própria do espírito do Anticristo, é se levantar “contra tudo o que se chama Deus, ou se adora” e querer “se assentar como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2Ts 2.4).

Não se engane: há muita gente que começa bem, mas acaba, infelizmente, perdendo a visão espiritual e, por isso, tem o seu coração cheio de altares. É gente que afirma que serve a um único Deus, mas possui um coração idólatra, repleto de “deuses”, quando também não adora a si mesmo.

Não à idolatria

Que após esta matéria, você possa parar um pouco para refletir melhor sobre a sua vida espiritual. O cristão não deve ser dominado ou escravizado por nada. Apenas Deus deve ser o Senhor soberano de sua vida.

Fora idolatria! Fora vícios! Viva à liberdade em Cristo – uma liberdade com responsabilidade, e que tem como foco principal o próprio Deus, o Senhor da vida!

(Publicado originalmente na edição 94 da revista GeraçãoJC, da CPAD, edição de maio/junho de 2013).


John Hick e a Teologia do Pluralismo Religioso
O que é o pluralismo teológico?
O teólogo inglês John Hick (1922-2012) é considerado um dos mais importantes filósofos da religião e um dos principais defensores da teologia do pluralismo religioso hodierno. Sua reflexão no campo do pluralismo religioso é estudada por teólogos de diversas confissões e também por especialistas em ciências da religião.
A teoria de J. Hick tem sido contestada por uns e aceita como um novo paradigma teológico por outros. Faustino Teixeira, por exemplo, em sua obra Teologia e Pluralismo Religioso, afirma que o pluralismo religioso é um novo horizonte para a teologia, “um singular e essencial paradigma que provoca uma profunda mudança na dinâmica da autocompreensão teológica no tempo atual”.
Teixeira reconhece que o tema tem gerado muita controvérsia na América Latina [1] e, por essa razão, uma leitura crítica e dialógica com os escritos de John Hick não é apenas plausível como também necessária [2]. Como dialogar com o pluralismo religioso sem perder a pujança do Anúncio, da singularidade da salvação em Cristo, o mistério de Deus? O que John Hick afirma em sua obra é contrário aos fundamentos da fé cristã? Vejamos.
Contexto e novidade na compreensão das religiões
J. Hick reconhece que sua teoria é como uma demolição da fé ou apostasia na leitura dos teólogos conservadores, mas afirma que não é mais possível sustentar a ortodoxia. Sua análise debruça sobre as tradições pós-axiais e religiões mundiais: cristianismo, islamismo, hinduísmo e budismo. Partindo do particular para o geral, examina a vida real das pessoas situadas nos contextos das tradições cristãs e das outras religiões. Seu argumento é que a teologia situa-se dentro de um horizonte cultural e que o ritmo da mudança cultural também altera o quadro de referência teológica. Assim, as novas condições afetam não apenas o cristianismo como também as demais religiões.
Segundo a leitura do autor três fatores colaboraram para essa virada de rumo: (a) As informações que o Ocidente recebeu das tradições religiosas mundiais; (b) As viagens dos ocidentais para o Oriente; (c) A imigração dos orientais para o Ocidente. Esses fatores possibilitaram ao Ocidente e à tradição cristã ocidental a constatação de valores, culturas e novas tradições salvífica até então desconhecidas pela maioria dos cristãos, além de “derrubar certa homogeneidade que caracterizava as sociedades do passado”[3].
De acordo com Hick, essa aproximação traz a averiguação de que um adepto de outra religião não é um ser humano melhor ou pior do que o cristão. Parece-me que Hick ao usar um argumentun ad hominem confunde o conteúdo da fé com a experiência da fé, muito embora acredite que tanto o cristianismo quanto as religiões universais produzam pessoas santificadas e por isso a salvação não pode estar restrita a uma religião.
Todavia, no criativo e ficto diálogo elaborado por Ítalo Calvino em As Cidades Invisíveis, Marco Pólo diz ao grande Kublai Khan: “Você sabe melhor do que ninguém, sábio líder, que jamais se deve confundir uma cidade com o discurso que a descreve. Contudo, existe uma relação entre eles” [4]. Nessa mesma perspectiva afirma Libanio
Jesus é distinto do Cristianismo, mas o Cristianismo é impensável sem a fé em Jesus Cristo e esta só continuou historicamente porque o Cristianismo se tornou realidade social. Assim também as igrejas cristãs são distintas do Cristianismo e de Jesus Cristo. No entanto, existem relações entre essas três realidades [5].
Isto posto, o fato de muitos cristãos não viverem plenamente os ensinos de Cristo e o de adeptos de outras religiões não serem igualmente melhores ou piores que os cristãos não significa que a salvação em Cristo não seja singular, embora o testemunho deveria confirmar a fé salvífica (Ef 2, 8-10). Na verdade, toda e qualquer afirmação de Hick a respeito da ética cristã pode encontrar apoio ou contradizer o argumento dependendo da direção que o leve.
 O problema do pluralismo religioso: a pessoa de Cristo
O problema que Hick e os teólogos pluralistas têm de enfrentar não é o modo como os religiosos vivem a sua doutrina, mas a exclusividade da pessoa de Jesus Cristo. Eles precisam descontruir a fé apostólica como se encontra em o Novo Testamento para ajustar Jesus aos conceitos plurais das religiões.
Para ele, a pessoa histórica de Jesus de Nazaré tem de ser abandonada por um conceito mais universal do Logos, isto é, o Cristo não-histórico. O Logos seria a fonte universal de todas as religiões mundiais, da qual a figura histórica de Jesus de Nazaré é um empecilho. Com isto Hick afirma que todas as religiões mundiais são todas inspiradas e convertidas em fonte de salvação pela mesma influência transcendente, isto é, do Logos, e, portanto, é preciso abandonar o Jesus histórico e aceitar como novo paradigma o Cristo cósmico ou Logos eterno [6].
Por conseguinte, o Transcendente, Divino, Último ou Real, manifestou-se como Cristo para o Cristão, Dharma para os hinduístas e budistas, Allah para os mulçumanos, e assim por diante. Ideia muito semelhante às heresias primitivas que os primeiros teólogos cristãos tiverem que enfrentar. Por conseguinte, para conciliar as religiões, Hick e seus adeptos abandonam a figura histórica de Jesus de Nazaré e a trocam pela teoria do Cristo cósmico. Essa posição dificilmente seria sustentada pelos primeiros teólogos da igreja nascente e, provavelmente, seria condenada pelos primeiros concílios.
Esdras Bentho é Pedagogo e Mestrando em Teologia pela PUC Rio.
Notas
[1]TEIXEIRA, F. Teologia e Pluralismo Religioso. São Paulo:Nhanduti Editora, 2012, p. 167,163.
[2]HICK, J. Teologia Cristã e Pluralismo Religioso: arco-íris das religiões. Attar Editorial, 2005.
[3]MIRANDA, M. de F. Verdade cristã e pluralismo religioso. In Atualidade Teológica. Ano VII, no13, janeiro/abril de 2003, p.32.
[4]CALVINO, Í. As cidades invisíveis. São Paulo: Publifolha, 2003, p.27.
[5]LIBANIO, J.B. Qual o futuro do cristianismo? São Paulo: Paulus, 2006, p.21.
[6]BOFF, L.Evangelho do Cristo Cósmico: a busca da unidade do todo na ciência e na religião. Rio de Janeiro: Editora Record, 2008, p.162-3.




Os Desafios do Paganismo Moderno
Um alerta contra a espiritualidade difusa e pagã
O neopaganismo é um termo que descreve uma variedade de credos e religiosidades que, com roupagem moderna, cultuam a natureza, valorizam os mitos e as divindades pagãs da Antiguidade e da Idade Média. É o antigo paganismo destituído de seus rituais ofensivos ao homem pós-moderno. A diferença entre o neopaganismo e o paganismo tradicional pode ser visto na imagem das bruxas populares. Antes, feia, nariguda, velha, enrugada e verrugosa. Agora, bela, educada e jovem – como aparecem na mídia e na indústria de entretenimento. O neopaganismo também é conhecido nos meios de comunicação pelo nome de Wicca. São politeístas, praticam a feitiçaria, valorizam o horóscopo, cultuam a natureza e as pretensas divindades femininas. Atualmente, as ideias neopagãs são difundidas através dos desenhos animados, dos filmes e das revistas como a Witch (bruxa, em inglês – esta revista é destinada a crianças de 8 a 13 anos).

O Neopaganismo e a indústria de entretenimento

Ron Rhodes, com muita propriedade, acusa a indústria de entretenimento americana de colaborar com a divulgação do neopaganismo. Alerta o autor, que muitos filmes e desenhos que tratam de bruxaria e satanismo tem a participação direta de pessoas ligadas ao ocultismo. No Brasil, nesses últimos meses, uma avalanche de filmes espíritas e mediúnicos tem invadido os lares e as salas de cinema do país. Ron Rhodes faz uma síntese dos principais programas, filmes e séries que divulgam e cultuam o espiritismo. O autor afirma que "as produções de Hollywood têm introduzido muitas pessoas ao mundo paranormal" (p.28).
A cultura, os mitos, as lendas e os folclores pagãos tornaram-se um instrumento de entretenimento nos tempos pós-modernos. Não apenas de divertimento, mas também de riquezas. Basicamente, o mercado de vídeo games e filmes hollywoodianos faturam milhões de dólares em temas que misturam paganismo, religião oriental, gnosticismo e cristianismo. Senhor dos Anéis e Matrix são alguns exemplos entre os filmes, e God of  War, um exemplo entre os muitos jogos neopagãos que mais sucesso faz entre os aficionados por video game. Todavia, a qualidade das produções contrasta com a mensagem e os valores difundidos. George Lucas, afirmou que "o cinema e a televisão suplantaram a igreja como grandes comunicadores de valores e crenças". E, infelizmente, essa proposição mostrou-se verdadeira.

A indústria de entretenimento costuma dar uma nova roupagem aos mitos antigos, como por exemplo, a velha bruxa é muito diferente daquelas apresentadas no seriado Charmed, ou da beleza de Nicole Kidman e Sandra Bullock no filme Da magia à sedução (Practical Magic,1998). A imagem dos demônios como seres maléficos, opostos aos homens e dispostos a oprimir a humanidade, é inteiramente alterada no filme Hellboy. O demônio é convocado do inferno e depois "civilizado", aprendendo a respeitar e amar os homens – uma ideologia perniciosa. Spawn, o soldado do inferno, era um agente da CIA, que após ser morto, vai para o inferno e negocia com o diabo para retornar ao mundo dos vivos. Nesta mesma linha encontramos os filmes que enaltecem o espiritismo, a mediunidade e os supostos fenômenos paranormais.

Os cristãos, portanto, são chamados à reflexão, ao discernimento da cultura midiática e televisiva. Algumas vezes a mensagem ideológica transmitida pela indústria de entretenimento é tão crassa que facilmente o cristão rejeita, entretanto, muitas ideologias religiosas, espiritualismo pagão e distorções da verdade bíblica são apresentadas de modo sutil e imperceptível ao observador desatento. Algumas vezes, necessita-se de mais de uma leitura para compreender todos os símbolos, sinais rituais, e ideologias. Matrix, por exemplo, é um desses filmes que mistura filosofia, símbolos religiosos, mitologia e cristianismo. Uma leitura adequada somente é possível àqueles que conhecem religiões comparadas, história da religião, cristianismo, teoria gnóstica e Jung.

O neopaganismo e os heróis

Os heróis, que tanto fascinam crianças e adultos, são distorções da imagem divina no homem e personagens antropocêntricos. A figura dos heróis, anti-heróis e vilões são (a meu ver), representações possíveis do super-homem de Nietzsche, ideologias que atestam a potência humana, o deísmo, ateísmo, evolucionismo e a sociedade pós-cristã. O religioso apenas aparece como elemento pós-cristão, dissociado de Deus, de Cristo, das Escrituras. Alguns mais humanos e outros mais poderosos, no entanto, a temática e ideologia são a mesma: Deus não intervém na vida e história humanas, os homens, como seres evoluídos e super-poderosos, são responsáveis pelo seu próprio destino, progresso e vontades. A moral, mediante a qual os heróis agem, carece da autoridade de Cristo, são (in) valores relativos, circunstanciais e centrados no humanismo antropocêntrico. No mundo dos heróis e vilões, Deus é um personagem anacrônico, distante, substituído pelo conceito do Bem que, longe de ser metafísico, é uma realidade metamórfica sujeita ao talante das circunstâncias e à disposição dos heróis.

Religiosidade, Pluralismo e Neopaganismo

O neopaganismo se manifesta como um conjunto de religiosidades, sincretismo, misticismo e ocultismo. Em um mundo plural e multicultural, o paganismo ressurgiu com nova roupagem: eclético, não ofensivo à estética e ao racionalismo modernos. Trata-se, na verdade, de nova estratégia do misticismo pagão para difundir suas ideologias, doutrinas, ritos e ocultismo. Fala-se de paz, mas ignora-se o Príncipe da Paz, Cristo; ensina ecologia, mas é eco-idolatria, é mística, porém dissociada da verdadeira espiritualidade cristã. Essas religiosidades são produtos da fé cega, irracional, de caráter hedonista e antropocêntrica. A salvação é intrapessoal, está dentro da pessoa, e não extrapessoal, fora dela, como se dependesse de outro para tal; é gnóstica. A paz está na harmonia entre o homem e a natureza, no controle psíquico e nos exercícios corporais que equilibram e sintonizam o homem ao cosmo. Suas rezas e petições são mantras, isto é, encantamentos que materializam a divindade invocada. São engodos de religiões vetustas, anticristãs e marginais que se adequaram às necessidades da sociedade pós-cristã. É um novo sincretismo, mas de realidade e natureza contrárias a Cristo.

A verdade por trás do neopaganismo

O neopaganismo, neologismo usado para se referir às roupagens modernas do antigo paganismo, é uma falsa religiosidade que tem combatido o cristianismo e seduzido a sociedade hodierna. Todavia, o neopaganismo é uma religiosidade que usa máscaras para atrair os seus adeptos e afastar o homem do verdadeiro Deus.

Desde a Antiguidade hebraica, o povo eleito foi advertido, exortado e admoestado contra os cultos pagãos egípcios, canaanitas, assírios, babilônicos entre outros (Dt 12.2,3,29-32, etc.). Israel, a nação eleita e preciosa, inúmeras vezes, apesar das advertências dos profetas, sucumbiu ao culto da fertilidade e a outras manifestações do paganismo gentio (Jz 2.11-14, etc.) Infelizmente, o povo era seduzido pela orgia dos cultos da fertilidade. Em nossa obra, A Família no Antigo Testamento: história e sociologia (CPAD, 2006), ocupamos um capítulo do livro para explicar esses rituais pagãos pelo que, solicito ao leitor que busque nesta obra os elementos exegéticos e históricos necessários à compreensão do tema. Os elementos mais comuns ao paganismo antigo eram: a liberação sexual e a homossexualidade praticada nos cultos orgiásticos; o sacrifício de infantes, como gratidão pela colheita; adoração à natureza, mediunidade; crença que os espíritos dos mortos intervêm no mundo dos vivos; idolatria, e o uso de substâncias psicotrópicas para entrar em êxtase ou transe. Essa é a verdadeira origem e face do neopaganismo.

Jerônimo Savonarola e o neopaganismo da Renascença

Jerônimo Savonarola (1452-1498), o "Sócrates de Ferrara", para os cultos e o "profeta de Deus", para a grande massa, criticou a sociedade europeia no momento em que ela preferia os poetas em vez dos teólogos, a Grécia em vez de Jerusalém, os ídolos no lugar de Deus. Crítico mordaz de Lourenço, o Magnífico; profeta contra os pecados da famosa Florença, foi um opositor da Renascença que trouxera as novas religiões, os novos cultos e o neopaganismo.

E.Garin, em sua obra, "O renascimento", afirma que Savonarola viu "os deuses antigos, que povoavam o céu dos astrólogos, os quadros dos pintores e os versos dos poetas como expressões perigosas duma sutil superstição" (Porto: Telos, 1972, p.129). Savonarola opôs-se tenazmente aos projetos humanistas e renascentistas que procuravam retornar à idade clássica, resgatando as mitologias, cultura e deuses greco-romanos.

Savonarola questionara a dissolvência do sagrado e o surgimento de um "sagrado" afastado da revelação divina. Quais deuses regressam quando a revelação bíblica desaparece? Savonarola via a Divina Comédia de Dante como uma profanação à verdadeira revelação bíblica. Embora, culto, letrado (litteris latinis et graecis eruditissimus), não suportava a poesia que distorcia a natureza e os atributos de Deus; os artistas que sacralizavam, através de suas pinturas, os deuses pagãos. Para Savonarola a Escritura é mais forte do que a palavra dos poetas e a arte dos pintores. José Augusto Mourão, prefaciador português da obra de Savonarola, cita a respeito do "grande teólogo", a expressão de Mestre Eckhardt: "Encoleriza-o o fato que se entronizem Platão, Aristóteles e Ovídio nos altares e que os pregadores tenham fechado o livro da Escritura e em seu lugar tenham colocado os filósofos e poetas pagãos" (A função da poesia. Vega, 1993, p.17).

"Quem lê, entenda!"
Leitura para Aprofundamento.
1. RHODES, Ron . A verdade por trás dos espíritos, médiuns e fenômenos paranormais. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
Um estudo crítico a respeito dos fenômenos paranormais e sobrenaturais. Traz sinopse de filmes e seriados, além de avaliação crítica do "mundo sobrenatural".
2. LUTZER, Erwin E. Cristo entre outros deuses. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
Todas as religiões são iguais? Deus é o mesmo em todos os cultos? Como Jesus é visto em outras religiões? Todos os caminhos levam a Deus? Essas e outras questões são abordadas neste livro. Com argumentos irrefutáveis, o autor leva-nos a refletir seriamente acerca dos principais temas religiosos e sobre como Satanás está se infiltrando na Igreja para acabar com a pureza do Evangelho.
3. HAVERY, Linda. O meu filho não! Rio de Janeiro: CPAD, 2010.
Qual é a importância do surgimento repentino do paganismo e até mesmo da feitiçaria em meio aos adolescentes?
Nossos filhos estão sob um ataque constante quando participam de determinados grupos de jovens em que deveriam receber uma orientação sadia. Harvey destaca como as questões sociais da atualidade, a internet, a televisão, os filmes, até mesmo o feminismo estão contribuindo para o agravo do ocultismo em meio aos adolescentes.


       Decodificadores de profecias (1ª parte)

Em 1997, Michael Drosnin lançou um livro intitulado O Código da Bíblia. Com a ajuda do computador, esse autor resolveu explorar 304.805 letras hebraicas da Torah, o Pentateuco da Bíblia. Essas letras hebraicas foram colocadas em fileiras para se tentar ler palavras formadas em diversas direções, como se estivéssemos diante de um jogo de caça-palavras. A “proeza” da descoberta desse código deve-se a um matemático israelense chamado Eliyahu Rips, o qual declarou encontrar “profecias criptografadas”.

Tão logo saiu O Código da Bíblia de Michael Drosnin, um psiquiatra, chamado Jeffrey Satinover, publicou outra obra, intitulada A verdade por trás do Código da Bíblia. Com a ajuda de especialistas em criptografia, Satinover se propôs fazer uma “decodificação” da Torah, de uma forma menos sensacionalista. Ao final, não passou de mais uma tentativa.

A despeito de dificuldades hermenêuticas que possam existir, todos os mistérios que aprouve a Deus revelar aos homens estão claramente registrados nas Sagradas Escrituras. A Bíblia não é um livro de mistérios, mas de revelação. Ela é a perfeita e completa revelação da vontade de Deus para a humanidade.

Porém, há mistérios ocultos em mensagens proféticas. Parece um contrassenso declarar que a Bíblia é a completa revelação dos mistérios de Deus e afirmar que existem mistérios ocultos em mensagens proféticas. Porém, estes não comprometem a revelação divina. O grande problema dos intérpretes da Bíblia é não entenderem que algumas profecias que envolvem o futuro do povo de Deus e da humanidade estão veladas pelo próprio Deus. Principalmente, aquelas profecias que envolvem a quantificação dos tempos, tais como as profecias de Daniel 7.25; 12.7 e Apocalipse 12.14. Por exemplo, temos a profecia que trata das 2,3 mil tardes e manhãs de Daniel 8.14; as duas outras cifras de 1.290 e 1.335 dias de Daniel 12.11-12; a cifra dos 1.260 dias ou 42 meses de Apocalipse 11.2-3, 12.6 e 13.5; e as 70 Semanas de Daniel 9.24.

Ao se fazer cálculos “criativos” e “decodificações curiosas” sobre essas cifras, corre-se o risco de se frustrar o povo de Deus com relação às profecias. Lamentavelmente, já temos no meio cristão pregadores e ensinadores que não somente evitam a Escatologia, mas também pregam contra ela.

Ora, a Escatologia existe na Bíblia e não podemos evitá-la, porque os seus mistérios não afetam a veracidade e a genuinidade das profecias. O que Deus disse que vai acontecer se cumprirá inevitavelmente. Jesus declarou acerca de uma profecia que havia acabado de dar aos seus discípulos: “Passarão o céu e a Terra, mas as minhas palavras não hão de passar”, Mt 24.35.

Decodificadores de profecias (2ª parte)

A Bíblia afirma que nenhuma profecia é de particular interpretação. No entanto, não falta criatividade e até mesmo uma certa atitude mística da parte de alguns intérpretes que, para se fazerem acreditados e singulares, se arriscam a publicarem suas idéias. Tem sido assim ao longo da história da Igreja.

Quando o computador estava sendo trabalhado nos seus primórdios, alguns pregadores se arriscaram a anunciar e metaforizar “o Anticristo”, ou “a Besta do Apocalipse”, com um computador que diziam existir em um prédio de quatro andares em Bruxelas, Bélgica. Na época, afirmava-se que esse computador conteria o código numerado de todas as pessoas do planeta e que isto seria a marca da Besta, o número 666, de que se refere o livro do Apocalipse: “E fez que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, lhes fosse posto um sinal na mão direita, ou na testa, para que ninguém pudesse comprar ou vender, senão aquele que tivesse o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é o número de um homem. O seu número é seiscentos e sessenta e seis”, Ap 13.16-18.

Não me proponho aqui a discutir esse tipo de assunto. Quero, porém, alertar os leitores de que não devemos engolir qualquer “gororoba” escatológica que tentam nos fazer degustar. Devemos atentar para a exortação de Pedro, à qual chamamos a atenção logo no início: “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação”, 2Pd 1.20.

É interessante perceber que as profecias relacionadas com a primeira Vinda de Cristo, seu nascimento, sua morte, sua ressurreição e ascensão não são difíceis de serem estudadas. Isso porque as analisamos retrospectivamente. Elas já tiveram o seu cumprimento cabal. Entretanto, as profecias futuras devem ser estudadas com cuidado, com temor de Deus no coração, sem nunca querer dogmatizar interpretações que não sejam plenamente claras, pois requerem muito estudo e análise.

Apostolo Paulo deixou clara essa questão quando escreveu aos cristãos em Corinto: “Porque, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido”, 1Co 13.12.

Devemos sempre nos lembrar que a questão do tempo é uma dificuldade do homem. Deus, não. Ele é atemporal, não está preso ao tempo. Ele vê todas as coisas de uma forma panorâmica. Por isso, tempo e espaço são relativos no cumprimento das profecias.







 TEXTO DE COLOSSENSES 2.8 É UMA CENSURA À FILOSOFIA?


No meio evangélico, nem todos demonstram uma postura favorável em relação à filosofia. Exemplificando, recentemente recebemos em nosso escritório um aluno que pertence a uma denominação evangélica que desaprova, de modo geral, qualquer formação de nível superior e, em particular, a filosofia. O estudante compartilhou seu sincero desejo de alcançar seus amigos intelectuais com o evangelho. Para tal, reconheceu que precisava compreender os fundamentos filosóficos da cosmovisão dos amigos, mas sua igreja, praticamente, o tem desconsiderado por causa de suas escolhas acadêmicas. Por último, admoestaram-no citando a advertência de Paulo em Colossenses 2.8, que diz: “Cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias...”.

Enquanto eu cursava doutorado na Universidade de Oxford, mantive intenso diálogo com um pastor local que chegou à conclusão deliberada de que o castigo eterno não é ensinado nas Escrituras. Para ele, tal doutrina era resultado do fato de os primeiros cristãos terem adotado o conceito da eternidade da alma, originário da filosofia grega. “A alma humana”, argumentava o pastor, “não foi idealizada para ser eterna, mas, talvez, outorgada eterna pela bondade de Deus quando os perdidos respondem, positivamente, à oferta divina de vida eterna em Jesus Cristo”. Em sua visão, a filosofia grega tem influenciado e corrompido o pensamento cristão de tal maneira que nos deixou “o problema desnecessário do inferno”.

De maneira semelhante, os mórmons (que acreditam que Deus possui um corpo físico) rejeitam a posição ortodoxa de que Deus é um ser imaterial, sem forma física, de acordo com a antiga e desastrosa filosofia de Platão, que defende que a alma é mais “real” que o corpo. Barry Bickmore, um apologista mórmon, crê que esta idéia foi introduzida na igreja, pelos gregos convertidos ao cristianismo, como uma alternativa de tornar o cristianismo mais agradável ao mundo grego: “Sempre haverá a tentação de tornar a fé de alguém mais popular, ‘modernizando-a’, mas o apóstolo Paulo já nos advertiu exatamente contra esse tipo de pensamento: ‘Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas’” (Cl 2.8).

Os cristãos e a filosofia

Historicamente, os cristãos têm-se demonstrado duvidosos sobre a maneira como se comportarem diante da filosofia. Alguns têm seguido Tertuliano, um dos pais da Igreja, ao exigir: “O que tem Atenas a ver com Jerusalém? Que concordância há entre a academia e a Igreja?”. Muitos pensadores cristãos, entretanto, têm seguido Tomás de Aquino e encarado a filosofia como proveitosa, “servente para a teologia”. Um correto entendimento da advertência paulina aos colossenses, com respeito às “filosofias e vãs sutilezas”, é, com certeza, crucial para esta discussão e extremamente relevante para alguns de nós, que defendemos a fé diante dos céticos; estejam eles assentados nos salões acadêmicos ou nos bancos da assembléia dos santos dos últimos dias.

A fim de responder à questão se a advertência de Paulo foi contra a filosofia em si ou uma oposição a algum desvio, é preciso, sem dúvida alguma, examinar o contexto específico do versículo em referência. Mas também é preciso considerar o amplo contexto da vida e das cartas de Paulo. Entender o contexto histórico particular das epístolas paulinas no Novo Testamento freqüentemente é um aspecto-chave para se entender algumas declarações específicas de seus textos.

Paulo e a filosofia

Os familiarizados com a filosofia grega do século 1o observam, muitas vezes, que Paulo também parecia extremamente envolvido com esse assunto. Suas listas de sofrimento (2Co 4.10) e sua forma de diálogo argumentativa (especialmente em sua carta aos romanos) revelam que o apóstolo conhecia os termos dessa discussão. Seu uso de conceitos, tais como: “homem interior” (Rm 7.22; 2Co 4.16) e “auto-suficiência” (2Co 9.8; Fp 4.11), e, ainda, seu apego à utilização de figuras baseadas no corpo humano (Rm 12; 1Co 12), demonstram que ele conhecia a terminologia de argumentar bem e se sentia confortável em utilizá-la. Dirigindo-se aos intelectuais em Atenas, por exemplo, Paulo cita o filósofo estóico Aratus, o que, certamente, era de valor persuasivo para sua audiência: “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração” (At 17.28).

A similaridade entre as cartas de Paulo e os escritos do grande filósofo estóico Sêneca convenceu a muitos, na Igreja primitiva, que Sêneca, de fato, teria se convertido ao cristianismo e se tornado discípulo de Paulo. Essa crença deu origem à simulação de uma série de cartas entre Paulo e Sêneca, e muitos dos primeiros cristãos julgavam que essas cartas eram verdadeiras. Por isso, não causa admiração as palavras de um erudito Paulino, que disse: “A prática deliberada de Paulo de usar termos estóicos, ao redefinir caminhos, representa uma tentativa cristã de comunicação transcultural”.

É importante observar que, num amplo contexto histórico das cartas e pregações de Paulo, não parece haver necessariamente contradições ou conflitos entre o evangelho e a filosofia. Pelo contrário, Paulo demonstra ter conhecimento da linguagem e dos conceitos filosóficos, e usa esse conhecimento para promover o evangelho.

A heresia colossense

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo [...] Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados [...] Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão [...] Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne” (Cl 2.8,16, 8, 20-23).

Observando, agora, os colossenses e o contexto específico do capítulo 2, encontramos Paulo se dirigindo a uma assembléia local que estava sendo infiltrada de falso ensino que ameaçava corromper o evangelho pregado pelo apóstolo. Mas Paulo não nos dá informações suficientes para identificarmos, precisamente, a seita ou “filosofia” descrita por ele. Há alguns indícios, porém, que sugerem que, talvez, o apóstolo estivesse se referindo a um sincretismo híbrido de práticas místicas judaicas e práticas populares pagãs. Então, menciona a observância de dias especiais, incluindo o sábado (v.16); experiências visionárias e culto aos anjos (v.18); submissão aos “espíritos elementares do mundo” (v.20); e abstinência (v. 21,23).

De fato, Paulo está claramente atacando uma forma peculiar de religião especulativa, mas é impossível identificá-la, relacionando-a com qualquer uma das grandes escolas de filosofia conhecidas por nós do mundo greco-romano. Na verdade, é importante ter em mente que a palavra grega filosofia (e seu cognato em latim) tinha uma variedade de significados nesse período e, dependendo do contexto, poderia ser traduzida para “religião”, “especulação” ou “investigação”.

Mais luz é posta sobre esse falso ensino quando consideramos a descrição de Paulo no versículo 8: “Segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”. Provavelmente, a expressão mais importante nesta lista é a que conclui o versículo: “Não segundo Cristo”. Qualquer filosofia ou sistema religioso que não é fundamentado, governado por Cristo e dirigido a Ele, é, necessariamente, uma falsa filosofia ou religião. O alvo primário que Paulo tentava atacar era a especulação “filosófica”, cujo fundamento é meramente a sabedoria humana.

A natureza judaica dessa especulação também é enfatizada na frase “tradições humanas”, expressão que se repete somente em Marcos 7.8, onde Jesus condena os fariseus por rejeitarem “o mandamento de Deus e retêm a tradição dos homens” (Gl 1.14). Os “rudimentos do mundo”. É como Paulo, semelhantemente, descreve a aceitação da Torá pelos gálatas, de acordo com Gálatas 4.3,9. Ao se referir à sincrética especulação judaica como sendo uma “filosofia”, Paulo estava mantendo a mesma analogia que os judeus helenísticos daquela época, algumas vezes, utilizavam quando se referirem à própria fé. O historiador Flávio Josefo denomina o judaísmo e suas várias seitas (essênios, saduceus e fariseus) como “filosofia”, e o escritor judeu de 4Macabeus se refere ao judaísmo em termos semelhantes: “Nossa filosofia [...] ensina temperança, domínio próprio, coragem” (5.22,23). O filósofo judeu Fílon de Alexandria não teve dificuldades também em representar o judaísmo como uma “filosofia” e pode bem ser que em Colossenses 2.8 Paulo esteja utilizando a terminologia dos falsos mestres aos quais se opunha. Dessa forma, poderíamos parafrasear o verso exatamente como segue: “Cuide para que ninguém o torne cativo por meio desse tipo de ‘filosofia’, que é ilusão vazia, meramente fundamentada nas tradições dos homens, segundo os poderes elementares do mundo, e não em Cristo”.

Uma importante advertência

Não há como dizer que Paulo está rejeitando o estudo da filosofia em Colossenses 2.8, mas, mesmo assim, essa passagem contém uma importante advertência que os cristãos precisam observar com atenção. Muitas vezes, o que separa a verdadeira sabedoria da falsa sabedoria é uma linha tênue que pode ser facilmente obscurecida por pessoas com motivos impuros. A advertência de Paulo contra a “sabedoria deste mundo” (1Co 1.20) deveria servir para nos manter atentos aos perigos ocupacionais de rigorosas e extensivas buscas intelectuais. Definitivamente, os cristãos precisam compreender os argumentos dos seus detratores e estarem preparados para que possam se engajar no mundo das idéias (a exemplo de Paulo, em Atenas), mas também precisam ser cuidadosos, a fim de não tirarem seus olhos daquele que é o Autor e Consumador da nossa fé (Hb 12.2).

Notas:

1 BICKMORE, Barry. Does God Have a Body in Human Form? Foundation for Apologetic Information and Research, http://www.fairlds.org/pubs/ GodHaveBody.pdf.
2 Tertullian Prescription against Heretics 7.
3 Thomas Aquinas Summa Theologica 1.Q.1.
4 Aratus Phaenomena 5.
5 Terrance Page. Philosophy, The Dictionary of Paul and His Letters. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1993, p.717.
6 Tradução feita pelo autor a partir do texto grego do Novo Testamento.
7 Flavius Josephus Against Apion 2.47.
8 Flavius Josephus Antiquities 18.11.
9 Philo Judaeus Embassy 156; Dreams 2.127; Names 223; Contemplative Life 26


         A RELEVÂNCIA DA FILOSOFIA PARA A TEOLOGIA


Apesar da complexidade de alguns tópicos, a filosofia, como um todo, é totalmente aplicável à realidade daquele que por ela se interessa. A visão que as pessoas têm do mundo depende bastante da sua linha filosófica, mesmo que não seja algo claro, definido, ou até mesmo compreendido por elas. Também é bem verdade que as pessoas parecem estar pouco preocupadas em relação a isto quando consideramos nossa realidade pós-moderna, em que cada indivíduo está muito ocupado para pensar sobre vida, morte, Deus, etc. Na verdade, sobram algumas lições principais quanto a este estudo de caráter intelectual e faremos alguns comentários a respeito de tais lições.

Devemos sempre tomar muito cuidado em adotar um único sistema filosófico e descartar os demais, pois devemos usar muito bem o senso crítico para a adoção de idéias e a assimilação de conceitos. Assim como nenhum ser humano tem total capacidade para a compreensão da realidade, nenhum sistema filosófico tem a capacidade para explicar esta realidade. O homem tem capacidades parciais quanto à realidade e os sistemas filosóficos também têm capacidades provisórias quanto a estas explicações. Nenhum homem conhece tudo, nenhuma filosofia explica tudo.

A respeito da relação filosofia/cristianismo, também existe a necessidade de não alinhar o cristianismo de forma total com algum sistema filosófico específico. Por mais que, no passado, homens tentassem realizar tal feito, sabemos que a tentativa de sobrepor, de forma justa e perfeita, o cristianismo a um pensamento filosófico é um grande erro. Existem duas razões principais pelas quais esta tentativa deve ser descartada. A primeira é que, quando se tenta alinhar perfeitamente o cristianismo em uma linha filosófica será, invariavelmente, necessário “adaptar” alguns aspectos da fé cristã para que “caibam” no sistema. Um erro. Outra preocupação é a de que, quando este sistema ruir (o que é bem provável) a fé cristã não pode estar totalmente associada a ele para que não caia em descrédito.

Não devemos, no entanto, agir de forma imatura e impulsiva para adotar sistemas filosóficos novos ou que estão em moda. Também, a fuga do exercício intelectual não é a saída. Esta atitude de covardia deve ser rejeitada. O envolvimento entre conhecimento e fé é bastante relevante. Devemos ter diligência no estudo das teorias, avaliar tudo à luz das Escrituras, entender de que forma se relacionam e adotar aquilo que está em conformidade com a Bíblia, com o Deus que ela revela, com o amor a este Deus acima de todas as coisas e com o amor ao próximo, semelhante ao que temos para com nós mesmos.

Para os que pensam ser a filosofia uma disciplina de aspecto demasiadamente complicado e de pouca utilidade, é necessário lembrar que a filosofia está quase que totalmente ligada à forma com que olhamos para a nossa sociedade, à maneira como nos relacionamos como comunidade, aos princípios que prezamos e aos ideais de vida que julgamos serem dignos.

Filosofia não é um conjunto de informações colhidas em uma sala de aula (ou em uma obra literária) e que, depois, ficam guardadas, sem uma utilidade prática e objetiva. A filosofia penetra nos mais diversos campos do pensamento e relacionamento humanos e retrata toda a forma de pensar de uma época, de um século.

Quando consideramos a filosofia da religião o valor se mostra igualmente alto, pois, o teólogo tem (invariavelmente) de ser alguém douto no que diz respeito ao rumo que a religião e seus proponentes tomaram durante os séculos. Este aspecto dinâmico da teologia é extremamente digno de ser analisado, pois a forma como a sociedade se comporta, com o passar dos séculos, é diferente. Diferente também deve ser a aplicabilidade dos princípios absolutos da teologia quando considerados em contraste com as práticas e os costumes da época em questão.


Pensando na teologia como estudo da revelação divina e suas implicações, é fato que a forma como Deus fala hoje, para a sociedade atual, é merecedora de ser colocada em discussão. Só podemos saber nosso real papel como teólogos quando consideramos a revelação, fazemos uma análise da sociedade em que vivemos e aplicamos o conhecimento resultante desta fusão em favor do reino de Deus, para que sejamos sal e luz.]

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