terça-feira, 28 de outubro de 2014

CANON JUDAICO E OS APRÓCRIFOS

                                        
                      HISTORIA DOS APOCRIFOS
          O CANON JUDAICO E OS APROCRIFOS N.1

Antes de adentrarmos ao assunto propriamente dito, convêm determinar a terminologia bíblica que os escritores do NT aplicavam ao corpo de literatura judaica aceita. Isto é importante para descobrirmos o cânon da Bíblia hebraica antes do início da Igreja cristã primitiva porque, como diz Paulo, “aos judeus foram confiados os ‘oráculos de Deus” (Rom. 3:2). Isto é uma declaração importante indicando que havia um cânon divinamente inspirado e autorizado pela nação Judaica. É importante identificarmos quais são esses livros e sua autoridade porque unicamente esses livros que são verdadeiramente ‘os oráculos de Deus’ é que podem ser usados pela Igreja.
A pergunta que se faz é: o termo, ‘os oráculos de Deus,’ refere-se a um corpo reconhecido de escritos com um número específico e fixo de livros , ou era um cânon ainda aberto?
Os católicos romanos sustentam que o cânon dos judeus estava aberto e de fato, veio incluir os livros apócrifos. Para sustentar este ponto de vista geralmente apontam para dois eventos históricos principais. O primeiro é o Concílio de Jamnia realizado entre 75 e 117 d.C. Este concílio fora presidido por líderes judaicos que estiveram alegadamente a responsabilidade para oficialmente fechar o cânon das Escrituras Sagradas judaicas. O segundo, é a utilização da septuaginta pelos judeus de Alexandria , a tradução Grega das Sagradas Escrituras hebraica. Os católicos afirmam que os judeus de Alexandria incluíram os Apócrifos junto com os outros livros como seu cânon, isto porque, os manuscritos mais antigos que nós possuímos da Septuaginta contêm alguns dos livros apócrifos.
Então na visão católica existiam dois cânones; um mais extenso chamado de “cânon alexandrino” usado pelos judeus helenistas em Alexandria e pela igreja primitiva e outro mais restrito conhecido como “cânon palestinense” usado pelos judeus da Palestina.
Os protestantes evangélicos rejeitam esses argumentos porque eles são uma distorção dos fatos. As evidências indicam que na época do NT, o cânon da Bíblia hebraica consistia de um número preciso de livros e foram agrupados segundo uma estrutura específica, provando que o corpo canônico destes livros havia sido fechado bem antes de Cristo. O que não falta são testemunhas quanto ao número e a estrutura dos livros do cânon o que é confirmado por muitas fontes independentes, incluindo:

1. Jesus e o Novo Testamento
2. Os próprios apócrifos
3. Os pseudepígrafos
4. Philo de Alexandria
5. Josefo
6. Os Fariseus e Essênios
7. A tradução grega da Bíblia hebraica de Áquila
8. Os Pais da Igreja
9. A literatura rabínica

O Testemunho de Jesus e o Novo Testamento
Assim como Paulo se referiu às Sagradas Escrituras do Velho Testamento em um sentido geral como ‘os oráculos de Deus,’ Jesus também se referia ao Velho Testamento em termos gerais. Isto prova que Jesus e os apóstolos tiveram em mente uma quantidade certa de livros que estavam incluídos sob aqueles títulos gerais. Por exemplo, Jesus referiu ao VT como a “Lei de Moises e os Profetas”. A ‘Lei de Moises’ foi universalmente entendida como se referindo aos primeiros cinco livros da Bíblia conhecidos como Pentateuco a saber: Gênesis, Êxodo, Levitico, Números e Deuteronômio. Quando Lucas registra o diálogo entre Jesus e os discípulos na estrada de Emaús, ele usa a seguinte expressão: ‘E começando por Moisés e por todo os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.” (Lucas 24:27). Outra vez nós encontramos aqui descrições gerais. “Moisés e os Profetas” são logo a frente chamados de ‘Escrituras’. “Moisés e os Profetas” compreendem um conjunto específico de livros. Outros títulos utilizados para representar os livros do VT como uma coleção de livros sagrados são: ‘a Lei,’ ‘a Lei e os Profetas,’ ‘as Escrituras Sagradas’ e ‘a Palavra de Deus.’ Esses títulos gerais confirmam que aquela classe de livros foram recebidos como Escrituras Sagradas. Quando um judeu utilizava o termo – ‘os Profetas’ – todos sabiam que livros ele tinha em mente. Isto com certeza foi o caso de Paulo quando utilizou o termo ‘os oráculos de Deus’. Enquanto Jesus referiu às Sagradas Escrituras em termos gerais, ele também freqüentemente especificou alguns livros particulares que ele considerou inspirados. Por Exemplo, depois da leitura do livro do profeta Isaías na sinagoga ele disse, ‘Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” (Lucas. 4:21). Ele ainda citou Salmos (Mc. 12.10), Deuteronômio (Mt. 4:4,7,10), Isaias e Jeremias (Lucas 19.46) e Zacarias (Mc. 14:27).
Isto deixa claro que quando Jesus se referia ao termo “Sagradas Escrituras” ou “Escritura”, ele tinha um conjunto específico de livros em mente. Jesus e os apóstolos aceitaram o cânon autorizado estabelecido pelos Judeus, isto é, ao povo judeu que Deus tinha usado para produzir as Escrituras.
Podemos deduzir outra prova pelo fato de Jesus nunca ter discutido com os judeus de seu tempo (Fariseu, Saduceus) sobre os limites das Sagradas Letras. Apesar de sabermos que havia uma tensão teológica entre tais grupos e estes e Jesus, contudo o mesmo cânon era aceito por ambos.
Agora, se nós sabermos qual tipo de cânon que Jesus utilizava então saberemos que livros são os verdadeiros ‘oráculos de Deus.’ e saberemos também qual cânon é autorizado para a igreja cristã.

A Estrutura do Cânon Hebraico
Como podemos perceber, historicamente, a estrutura do cânon hebraico não era fixa. Jesus não deixou nenhuma lista de livros inspirados do VT, mas seguindo a visão judaica tradicional de estruturar o cânon, ele referiu às Sagradas Escrituras pela divisão tripla, “Lei de Moisés, os Profetas e os Salmos”. O termo “Salmos” era outra maneira de referir à terceira categoria do cânon hebraico comumente conhecido como Escritos ou Hagiógrafos, de que os Salmos assegurava um lugar de proeminência. Assim, se nós pudermos determinar que livros compreendem cada uma destas três divisões, nós saberemos que livros Jesus acreditava ser inspirados.
Lembrando que Jesus não é o único a se referir a esta tríplice divisão, há muitas testemunhas adicionais que provam que esta não era somente uma opinião pessoal do Mestre, mas a tradição da nação Judaica como um todo. Há uma validação histórica para esta classificação tripla, a saber: o livro apócrifo de Eclesiástico; o historiador Judaico Josefo; o filósofo judaico alexandrino Filo; o pai da Igreja Jerônimo e a literatura rabínica.
Obs: a expressão “a lei e os profetas” cobria as três divisões “a Lei, os Profetas e os Salmos”. As vezes os Salmos era colocado na categoria da Lei (João 10.34).
Eclesiástico – O prólogo da tradução Grega de Eclesiástico, escrito cerca de 130 a.C, pelo neto de Jesus ben Sirah, atesta:
“Pela Lei, pelos Profetas e por outros escritores que os sucederam, recebemos inúmeros ensinamentos importantes…Foi assim que após entregar-se particularmente ao estudo atento da Lei, dos Profetas e dos outros Escritos, transmitidos por nossos antepassados…”
Pelo que parece para este escritor há três grupos de livros que têm uma autoridade única em seu tempo, e que seu avô escreveu depois deles ganhando grande fama como seu intérprete e não como seu rival. O tradutor explicitamente distingue o ‘algo’ ( o livro de Eclesiástico) da ‘Lei, os Profetas e os outros escritos.’ O autor separa o livro de Eclesiástico das Sagradas Escrituras, não o inclui no cânon.
Josefo – Outra testemunha da divisão tríplice do cânon hebraico é Josefo, Fariseu e historiador judaico que testemunhou a queda de Jerusalém em 70 a.D. Em Contra Apionem ele escreve:
“Não temos dezenas de milhares de livros, em desarmonia e conflitos, mas só vinte e dois, contendo o registro de toda a história, os quais, conforme se crê, com justiça, são divinos.” Depois de referir-se aos cinco livros de Moisés, aos treze livros dos profetas, e aos demais escritos (os quais “incluem hinos a Deus e conselhos pelos quais os homens podem pautar suas vidas”), ele continua afirmando:
Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto que a sucessão dos profetas cessou. Mas a fé que depositamos em nossos próprios escritos é percebida através de nossa conduta; pois, apesar de ter-se passado tanto tempo, ninguém jamais ousou acrescentar coisa alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles qualquer coisa que seja. [5]
Josefo é suficientemente claro. Como historiador judeu, ele é fonte fidedigna. Eram apenas vinte e dois os livros do cânon hebraico agrupados nas três divisões do cânon massorético. E desde a época de Malaquias (Artaxerxes, 464-424) até a sua época nada se lhe havia sido acrescentado. Outros livros foram escritos, mas não eram considerados canônicos, com a autoridade divina dos vinte e dois livros mencionados.
Filo – um judeu alexandrino do século primeiro, em sua obra, De Vita Contemplativa (25), também testemunha divisão tripartida do cânon do VT.
É interessante saber que Filo mesmo procedente de Alexandria nunca citou um livro sequer dos apócrifos. Possivelmente ele teve contato com a Septuaginta, mas não citou um livro dela em suas obras, apesar de citar vários outros do VT.
Jerônimo – foi o tradutor da Vulgata Latina, a Bíblia oficial do catolicismo. Ele estudou vários anos na Palestina com mestres hebraicos e após retornar escreveu no prefácio dos livros de Samuel e Reis da Vulgata sobre a tríplice divisão do cânon judaico como a Lei, os profetas e os Hagiógrafos.
Bíblia católica – na página 15 da Bíblia católica versão dos Monges de Maredsous da editora Ave Maria sob o subtítulo “Introdução – A Bíblia em Geral” confirma esta tríplice divisão hebraica sem os livros apócrifos:
“É sumamente útil lembrar como foi feita cada uma dessas coleções. A coleção dos livros do Antigo Testamento originou-se no seio da comunidade dos judeus que a foram ajuntando no decorrer de sua história. Dividiram-na em três partes:
1. A Lei (Torá), contendo cinco livros (chamados mais tarde de o Pentateuco que significa os cinco volumes), forma o núcleo fundamental da Bíblia. Esses cinco livros são: Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
2. Os Profetas. Os judeus abrangiam sob esse título não somente os livros hoje são denominados Profetas, mas também a maioria dos escritos que hoje costumamos chamar de Livros Históricos.
3. Os Escritos. Os judeus designavam por esse nome os seguintes livros: Salmos, Provérbios, Jó, Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras e Neemias e as Crônicas.
É a essa divisão que se refere o divino Mestre quando mais de uma vez (p. ex. Mt 22,40) falou da “Lei e os Profetas”.
Essa coleção já estava terminada no segundo século antes da nossa era.
Nessa mesma época os judeus já estavam, em parte, dispersos pelo ido. Uma importante – colônia judaica vivia então no Egito, nomeadamente em Alexandria, onde se falava muito a língua grega. A Bíblia foi então traduzida para o grego. Alguns escritos recentes foram-lhe acrescentados sem que os judeus de Jerusalém. os reconhecessem como inspirados. São os seguintes livros: Tobias e Judite, alguns suplementos dos livros de Daniel e de Ester, os livros da Sabedoria e do Eclesiástico, Baruc e a Carta de Jeremias, que se lê hoje no último capítulo de Baruc. A Igreja Cristã admitiu-os como inspirados da mesma forma que os outros livros.
No tempo da Reforma, os protestantes, depois de terem hesitado por um tempo, decidiram não mais admiti-los nas suas Bíblias, pelo simples de não fazerem parte da Bíblia hebraica primitiva. Daí a diferença que há ainda hoje entre as edições protestantes e as edições católicas da Bíblia. Quanto ao Novo Testamento não há diferença alguma.” [até aqui o comentário da bíbla católica]
É interessante notar que este comentário declara que a Bíblia foi formada na comunidade judaica na palestina e não em Alexandria no Egito. Portanto, a formação do cânon ou seu fechamento é de competência dos judeus da Palestina.
Outrossim, após confirmar a tríplice divisão do cânon hebraico ele alista somente os livros aceitos pelos judeus e protestantes e deixa de fora os apócrifos, dizendo que esta era a lista de livro as quais Jesus se referia como “A Lei e os Profetas” em Mateus 22.40.
E conclui declarando que “Essa coleção já estava terminada no segundo século antes da nossa era”. Portanto, até mesmo os comentaristas de uma Bíblia católica confirma a fixação do cânon e sua tríplice divisão com apenas 22 livros bem antes do 1º século.
Mckenzie – outro biblista católico que confirma a tríplice divisão do cânon hebreu é John L. Mckenzie em seu “Dicionário Bíblico” pág. 141, assegura:
“No Novo Testamento, podemos ver que Jesus e os apóstolos aceitaram uma coleção de livros sagrados, juntamente com os hebreus. E os títulos por eles usados correspondem à tríplice divisão dos livros hebraicos.”
Em adição, a literatura Rabinica também falou de uma divisão tripla do VT. O Talmud babilônico (14) de Baba Bathra referi a esta divisão.O Número de Livros do cânon Hebreu
Apesar da estrutura do cânon ser um pouco flexível o mesmo não se dava com os livros que compunham a Bíblia hebraica, os quais eram fixo em número de vinte e dois ou vinte e quatro dependendo de como eram arranjados. Isto porque às vezes Rute era anexado ao livro de juízes e Lamentações ao de Jeremias, perfazendo um total de vinte e dois. Quando colocados separadamente o número subia para vinte e quatro. Todavia, o número de vinte e dois é atestado por inúmeras testemunhas. Uma destas testemunhas como já vimos é Josefo.
“Não temos dezenas de milhares de livros, em desarmonia e conflitos, mas só vinte e dois…”
Josefo não só deu o número de vinte e dois, mas reconheceu que somente estes eram aceitos pelo seu povo como canônico. Perceba que ele não deu uma opinião pessoal dele, mas colocou a questão de modo geral. A importância deste seu testemunho é maior ainda por que com certeza sendo um judeu helenista que falava o grego era impossível não conhecer a versão da Septuaginta. Assim, ainda que ele houvesse utilizado a versão grega, ele cita unicamente o cânon palestinense. E lembrando que Filo de Alexandria, também, possivelmente, conhecia ou manuseava a Septuaginta, mas não há prova que alguma vez houvesse citado um sequer dos apócrifos. Isso prova que não é porque alguém usou a Septuaginta que forçosamente terá que admitir o cânon mais extenso que incluía os apócrifos. E isso serve como resposta às objeções católicas de que Jesus e os apóstolos aceitaram os apócrifos por terem utilizado a versão dos Setenta.
A antiga obra pseudepigrafa, “Jubileus”, encontrada entre a comunidade dos Essênios em Qumran, também numera os livros do VT em vinte e dois. Esta talvez seja a testemunha mais antiga quanto ao número de livros que compreendia o cânon hebraico, antecipando a Josefo.
Junto a estes temos um grande número de pais da igreja primitiva que citaram a numeração tradicional judaica (22 livros) para o cânon hebreu. Orígenes, que tinha contato com os escritos judaicos escreveu que o número de livros canônicos era vinte e dois. Ele preparou em 240 d.C; uma edição do VT em seis colunas, a famosa Héxapla, assim distribuídas: 1ª coluna, o texto hebraico; 2ª transliteração do texto hebraico em caracteres gregos; 3ª tradução grega literal ; 4ª tradução grega idiomática de Símaco; 5ª a Sepuaginta; 6ª tradução grega de Teodócio.
Outros pais que listaram o número de livros como vinte e dois foram Hilario de Poitiers, Cirilo de Jerusalem, Atanasio, Epifanio, (que morou na Palestina), Gregorio de Nazianzeno, Basílio, o Grande, Rufino, e Jerônimo.
Novamente o estudioso católico nos confirma dizendo:
“A aceitação dos livros sagrados tal como se encontravam na versão da LXX foi partilhada por todos os escritores eclesiásticos dos primeiros três séculos d.C., exceto Melítão de Sardes (1- por volta de 193 d.C.), que cita o cânone hebraico. A existência de uma diferença entre o cânone hebraico e a LXX é mencionada por Orígenes (t 254), que afirma o direito dos cristãos a usarem os livros deuterocanônicos, mesmo não sendo eles aceitos pelos hebreus. O mesmo cânone é encontrado em todos os cânones oficiais: o Cânone de Cheltenham (por volta de 350) e os cânones de Hipona (393), Cartago (397) e de Inocêncio 1 (405). A única exceção é o Cânone de Laodicéia (360).
Por isso, é dificil explicar como foi que alguns Padres do século IV retornaram ao cânone hebraico, rejeitando explicitamente os livros deuterocanônicos: Atanásio (t 373). Cirilo de Jerusalém (t 386), Hilário de Poitiers (1- 366), Jerônimo (t .420), Rufino (t 410) e Gregório Nazianzeno (1- 390). A origem dessa opinião pode ser encontrada em Jerônimo e seus estudos com os hebreus. Talvez a mesma influência hebraica tenha ocorrido em outros. Com efeito, essa opinião apareceu no Oriente e naqueles Padres latinos que viveram durante muito tempo no Oriente. Era tal a autoridade desses Padres que sua opinião sobreviveu nos círculos cultos até o século XVI, embora o Concilio de Florença (1441) houvesse retomado o cânone alexandrino.” (Mckenzie pág. 142)
A literatura Rabinica Talmudica (Baba Bathra) deu a listagem como vinte e quatro. Este escrito é considerado como uma antiga tradição entre os judeus e dá uma identidade precisa somente daqueles vinte e quatro livros.
Áquila, que se apostatou da fé cristã e posteriormente se tornou prosélito judaico, sob a tutela dos rabinos R. Elezer e R. Joshua, ou até mesmo de R. Akiba é outra importante testemunha do primeiro século sobre o número de livros do cânon hebreu. Foi ele quem traduziu o VT hebraico para o grego. Os judeus haviam se desinteressado pela Septuaginta por causa de seu uso pelos cristãos. Aquila ficou responsável por fazer essa nova versão para os judeus que não entendiam mais o hebraico. A versão de Áquila contem apenas os vinte e quatro livros da coleção tradicional atestado pelo Talmud.

A Identidade dos livros canônicos dos Hebreus
O cânon judaico não só incluía uma clara divisão tripla como um número específico de livros (22). Resta-nos saber então qual era a identidade destes 22 livros. Obviamente, se Josefo e outros podiam dizer que o cânon consistia de apenas vinte e dois ou vinte e quatro livros eles de fato sabiam que livros eram estes. A pergunta é: pode um cânon limitado de vinte e dois ou vinte e quatro livros incluírem os apócrifos? Os fatos históricos apontam um uníssono não.
A identidade destes livros pode ser deduzida do comentário de Josefo. Seu testemunho é a evidência mais antiga que nós possuímos dos livros do cânon hebreu do VT. Ele limita a época em que tais obras foram produzidas:
“Temos somente vinte e dois que compreendem tudo o que se passou, e que se refere a nós, desde o começo do mundo até agora, e aos quais somos obrigados a prestar fé. Cinco são de Moisés, que refere tudo o que aconteceu até sua morte, durante perto de três mil anos e a sequência dos descendentes de Adão. Os profetas que sucederam a esse admirável legislador, escreveram em treze outros livros, tudo o que se passou depois de sua morte até o reinado de Artaxerxes, filho de Xerxes, rei dos persas e os quatro outros livros, contêm hinos e cânticos feitos em louvor de Deus e preceitos para os costumes. Escreveu-se também tudo o que se passou desde Artaxerxes até os nossos dias, mas como não se teve, como antes, uma sequência de profetas não se lhes dá o mesmo crédito, que aos outros livros, de que acabo de falar e pelos quais temos tal respeito, que ninguém jamais foi tão atrevido para tentar tirar ou acrescentar, ou mesmo modificar-lhes a mínima coisa. Nós os consideramos como divinos, Chamamo-los assim; fazemos profissão de observá-los inviolavelmente e morrer com alegria se for necessário, para prová-lo. Foi isso que fez morrer um tão grande numero de escravos de nossa nação em espetáculos dados ao povo, tantos tormentos e tantas mortes diferentes, sem que jamais se pudesse arrancar de sua boca uma única palavra contra o respeito devido às nossas leis e às tradições de nossos antepassados.”
Os livros escritos depois de Artaxerxes (época do profeta Malaquias), afirma Josefo, “…não se lhes dá o mesmo crédito, que aos outros livros, de que acabo de falar e pelos quais temos tal respeito…”
Ora, as datas dos livros apócrifos surgem exatamente depois do profeta Malaquias no período interbíblico, ou 400 anos que Deus ficou sem falar através de profetas.
Para Josefo os livros autorizados foram produzidos entre a época de Moisés (com seus escritos) e Artaxerxes (época do profeta Malaquias).
Jerônimo (340-420), o grande teólogo bíblico do início do período medieval e tradutor da Vulgata latina, rejeitou explicitamente os apócrifos como parte do cânon. Ele disse que a igreja os lê “para exemplo e instrução de costumes”, mas não “os aplica para estabelecer nenhuma doutrina” (Prefácio do Livro de Salomão da Vulgata, citado em Beckwith, p. 343). Na verdade, ele criticou a aceitação injustificada desses livros por Agostinho. A princípio, Jerônimo até recusou-se a traduzir os apócrifos para o latim, mas depois fez uma tradução rápida de alguns livros. Depois de descrever os livros exatos do AT judaico [e protestantel, Jerônimo conclui:
"E então no total há 22 livros da Lei antiga [conforme as letras do alfabeto judaico],isto é, 5 de Moisés, 8 dos Profetas e 9 dos hagiógrafos. Apesar de alguns incluírem [...] Rute e Lamentações no hagiógrafo, e acharem que esses livros devem ser contados (separadamente) e que há então 24 livros da antiga Lei, aos quais o Apocalipse de João representa adorando ao Cordeiro por meio do número de 24 anciãos [...] Esse prólogo pode servir perfeitamente como elmo (i.e., equipado com elmo, contra atacantes) de introdução a todos os livros bíblicos que traduzimos do hebraico para o latim, para que saibamos que os que não estão incluídos nesses devem ser incluídos nos apócrifos” (ibid., grifo do autor).
No prefácio de Daniel, Jerônimo rejeitou claramente as adições apócrifas a Daniel (Bel e o Dragão e Susana) e defendeu apenas a canonicidade dos livros encontrados na Bíblia hebraica, escrevendo:
“As histórias de Susana e de Bel e o Dragão não estão contidas no hebraico [.11 Por isso, quando traduzia Daniel muitos anos atrás, anotei essas visões com um símbolo crítico, demonstrando que não estavam incluídas no hebraico [...] Afinal, Orígenes, Eusébio e Apolinário e outros clérigos e mestres distintos da Grécia reconhecem que, como eu disse, essas visões não se encontram no hebraico, e portanto não são obrigados a refutar Porfírio quanto a essas porções que não exibem autoridade de Escrituras Sagradas” (ibid., grifo do autor).
A sugestão de que Jerônimo realmente favorecia os livros apócrifos, mas só estava argumentando que os judeus os rejeitavam, é infundada. Ele disse claramente na citação acima que: “não exibem autoridade de Escrituras Sagradas”, e jamais retirou sua rejeição dos apócrifos. Ele afirmou na obra Contra Rufino, 33, que havia “seguido o julgamento das igrejas” nesse assunto. E sua afirmação: “Não estava seguindo minhas convicções” parece referir-se às “afirmações que eles [os inimigos do cristianismoi estão acostumados a fazer contra nós”. De qualquer forma, ele não retirou em lugar algum suas afirmações contra os apócrifos. Finalmente, o fato de que Jerônimo tenha citado os livros apócrifos não é prova de que os aceitava. Essa era uma prática comum de muitos pais da igreja. Ele afirmou que a igreja os lê “para exemplo e instrução de costumes” mas não “os aplica para estabelecer qualquer doutrina”.Apesar das declarações de Agostinho sobre os apócrifos serem ambíguas (assim como o resto de sua teologia) ele reconheceu que os judeus não aceitavam esses livros como parte do cânon. (Cidade de Deus 19.36-38)
Como exemplo ele cita o livro dos Macabeus dizendo que era “tido por canônicos pela Igreja e por apócrifo para os judeus. A igreja assim pensa por causa dos terríveis e admiráveis sofrimentos desses mártires…” (ibdem 18.36). É obvio que esse é um critério muito fraco para justificar sua canonização.
Agostinho não era autoridade em grego ou hebraico como era Jerônimo e por isso foi mais facilmente levado a crer na autoridade dos apócrifos. Também havia uma crença corrente a respeito de uma lenda de como a Septuaginta fora traduzida de forma milagrosa por setenta escribas. Por certo Agostinho acreditava nessa lenda e por isso era relutante em excluir os livros apócrifos do cânon. Como sua versão era a Antiga Latina que por sua vez fora traduzida da Septuaginta ele considerava os apócrifos canônicos. Mesmo assim quando um de seus adversários apelou para o livro apócrifo de II Macabeus, respondeu que sua causa era deveras fraca se tivesse que recorrer a um livro que não era da mesma categoria daquela que eram recebidos e aceitos pelos judeus.
Orígenes e Epifanio também testemunharam que os judeus haviam rejeitado certos livros apócrifos. Orígenes escreveu que os judeus tinham pouca consideração por Judite e Tobias, nunca aceitando eles como canônicos, e Epifanio declarou que eles haviam rejeitado Eclesiasticos, Sabedoria, Baruque e a Epístola de Jeremias.
Eusébio citando Orígenes declara: “Em sua exposição do primeiro Salmo ele dá um catálogo dos livros nas Sagradas Escrituras do Antigo Testamento, da seguinte maneira: “Mas deve-se observar que os livros canônicos, conforme transmitidos pelos hebreus, são vinte e dois, de acordo com o número das letras em seu alfabeto”. Após algumas outras observações, acrescenta: “Esses vinte e dois livros, de acordo com os hebreus, são os seguintes: ‘Aquele chamado Gênesis, mas pelos hebreus, de acordo com o início do livro, Bresith, que significa no início. Êxodo, Walesmoth,’ que significa, esses são seus nomes. Levítico, Waikra, e ele chamou. Números, Anmesphekodlim. Deuteronômio, Elle haddabarim, ou seja, essas são as palavras. Jesus, filho de Nave, em hebraico, Josué hen Num. Juízes e Rute em um livro; com o hebraico que chamam Sophetim. Dos Reis, o primeiro e o segundo, um livro, com eles chamado Samuel, o escolhido de Deus. O terceiro e o quarto de Reis, também em um livro com eles, chamados Wahammelech Dabid2 que significa e rei Davi. O primeiro e o segundo livro de Paralipomena, contido em um volume com eles e chamados Dibre Hamaim, que significam as palavras, isto é, os registros dos dias. O primeiro e o segundo de Esdras, em um, chamados Ezra, isto é, um assistente. O livro de Salmos, sepher Thehillim. Os Provérbios de Salomão, Misloth, Eclesiastes, Coheleth. O Cântico dos Cânticos, Sir Hasirim. Isaías, Iesaia. Jeremias, com Lamentações, e sua Epístola, em um, Jeremiah. Daniel, Daniel. Ezequiel, Jeezkel. Jó, Job. Ester, também com os hebreus, Ester. Além desses há também Macabeus, que são inscritos Sarbeth sarbane el. Esses, portanto, são os livros que Orígenes menciona no livro supracitado (Salmos).” (Histórica Eclesiástica – Eusébio de Cesaréia Livro VI, 25)

Objeções quanto ao cânon judaico
Os apologistas Católicos contestam essas conclusões com respeito à estrutura e número de livros no cânon em três pontos fundamentais. Primeiramente, eles reclamam que o uso da Septuaginta por alguns dos Judeus sugere que eles tinham um cânon não fixo. Eles afirmam que embora os Judeus da palestina fossem mais conservadores, os Judeus de Alexandria não eram e possuiam um cânon mais largo que incluia os apocrifos. Dizem que pelo fato da septuaginta ter originado em Alexandria incluindo os apócrifos e foi a Bíblia comumente utilizada por Jesus e os escritores neotestamentario, eles devem ter citado estes livros também. Um outro argumento usado largamente por eles é o Conselho de Jamnia, composto de anciões judaicos depois da queda de Jerusalem em 70 A.D.. Alí, dizem eles, foi estabelecido a condição canonica do VT. Com isso eles querem provar que o cânon palestinense não era fechado ou fixo até então. E por último os católicos alegam que os essênios usavam um cânon mais extenso que o palestinense. Iremos logo abaixo responder cada uma dessas objeções.
O maior problema com a teoria do cânon Alexandrino é que não há nenhuma lista ou coleções de livros ou testemunhas para nos dizer quais livros compunham de fato esse cânon. Ninguém sabe quais livros foram incluídos de fato na Septuaginta. Nada sabemos desta tradução antes da era cristã. O manuscrito mais antigo que trazem os apócrifos data do 4º século d.C. Outro problema com a teoria do cânon Alexandrino é que isto não prova de maneira conclusiva que os judeus Alexandrinos ou os outros judeus da dispersão adotaram um em detrimento do outro. Além disso, não há provas concretas de dois cânones diferentes sendo usados pelos judeus. Não há de se supor que os judeus alexandrinos não tinham por canônicos somente os 22 ou 24 livros usados pelos judeus palestinenses. Apesar de haver diferenças entre a cultura do judeu helenístico e o da palestina, não há nada que prova que essa diferença afetou o cânon. Tanto é que nem Josefo ou Filo, sendo judeus helenistas que falavam o grego e, portanto tiveram contato com a Septuaginta, citaram os livros apócrifos apesar de terem citado os 22 livros canônicos do judaísmo tradicional.

O Conselho de Jamnia
Freqüentemente os livros católicos levanta a objeção de que o Concilio de Jamnia decidiu a fixação do cânon hebraico. Conseqüentemente, antes desse Concílio o cânon judaico ainda estava aberto. Historicamente, havia alguns poucos livros que foi o centro de debate dentro do judaísmo. Eram Ezequiel, Provérbios, Eclesiastes, Cantares e Ester. Mas não se segue que porque havia debates em torno deles, que não faziam parte do cânon judaico, estando o cânon ainda aberto. A questão não girava em torno se estes livros deveriam entrar no cânon ou não, mas se eles deveriam permanecer canônicos. Nunca houve qualquer menção sobre acrescentar livros ao cânon, principalmente os apócrifos.
Aliás, ressalta-se que o termo Sínodo ou Concílio é inapropriado. A academia de Jamnia, estabelecida pelo rabino Johanan ben Zakkai antes da queda de Jerusalém em 70 d.C., era ao mesmo tempo uma universidade e um centro legislativo.
No que diz respeito aos livros disputados, a discussão foi confinada à pergunta se Eclesiastes e Cantares (ou possivelmente só Eclesiastes) eram inspirados.
A decisão tomada por aqueles rabinos não foi considerada de grande importância, pois algumas vozes discordantes continuou a ecoar por todo o século II.
Eles não mudaram em nada a condição canônica daqueles livros ou de quaisquer outros. Não foi introduzida nenhuma inovação, permanecendo a tradição judaica sobre o cânon amesma de sempre. Prova disso é a tradução de Áquila (O VT do hebraico para o grego) feita muito tempo depois, incluindo estes cinco livros debatidos e não aceitando nenhum dos apócrifos.
A teoria que afirma que o cânon foi fechado em Jamnia é insustentável pois nenhum dos apócrifos foi sequer mencionado.
Porque esses livros haviam sido rejeitados?Alguns questionaram-nos por diversos motivos:
Cantares: Alguns achavam este livro sensual demais;
Eclesiastes: Alguns o consideravam cético demais;
Éster: A objeção era a ausência do nome de Deus, por isso alguns questionavam sua inspiração;
Ezequiel: alguns estudiosos hebreus achavam que ele não condizia com a lei mosaica que era praticamente um padrão para aferir a inspiração e conseqüentemente sua canonicidade;
Provérbios: A objeção contra esse livro partia do fato de parecer contraditório (ex, Pv. 26.4,5)

Os Essênios
Os Essênios foi uma corrente judaica que havia se separado do judaísmo tradicional. Os escritos, conhecidos como rolos do mar morto, desse povo foram descobertos nas cavernas de Qumran perto do mar morto. Eles pareciam provar que havia uma categoria mais longa de livros que os vinte e dois ou vinte e quatro do cânon judaico tradicional, sugerindo para alguns que o cânon não havia sido fechado entre os judeus da Palestina. As descobertas dos rolos do mar morto demonstram que havia muitas outras literaturas religiosas junto com os 22 livros canônicos dos judeus. Entretanto, isto não prova que eles aprovavam um cânon mais extenso. É certo que os essênios produziram uma considerável quantidade de escritos pseudepígrafos apocalíptico, mas eles não consideravam esses livros inspirados. Eles foram estimados como interpretações autorizadas dos livros canônicos, mas nunca foram tomados como Escrituras Sagradas. A obra pseudepígrafo Jubileu cita o número exato do cânon palestinense, isto é, 22 os mesmos atestados posteriormente por Filo, Josefo e Jerônimo. Isto prova que os essênios tinham o mesmo cânon que os judeus tradicionais. Apesar de haver discordâncias quanto a interpretação no judaísmo, não havia, entretanto discordância quanto ao cânon. Essênios, Fariseus e Saduceus parecem estar de acordo quanto a isso.

O NT cita os apócrifos?
Alguns objetam dizendo que há muitas referências feitas pelos escritores do NT aos apócrifos, e, portanto, nós não podemos assegurar que Jesus de fato aceitava o cânon palestinense. As provas oferecidas para isto geralmente são as citações listadas pela edição do NT grego Nestle-aland que inclui um apêndice de supostas referências e alusões aos apócrifos e pseudepígrafos no NT. Entretanto, a ilegitimidade deste apêndice torna-se patente quando algumas destas alusões são examinadas. Por Exemplo, alega-se que a referencia de Mateus 4:4 é uma alusão ao livro apócrifo Sabedoria de Salomão 16:26, mas isto nada mais é que uma clara citação direta de Deuteronômio 8:3. Também é dito que Mateus 4:15 é uma alusão a 1 Macabeus 5:15, mas o verso é uma citação direta de Isaias 9:1. Dizem que Hebreus 11:35 é uma alusão a II Macabeus 7.12, mas parece ser mais uma referência a I Reis 17.22. Quanto aos pseudepígrafos as únicas alusões certas é o Livro de Enoque 1.9 em Judas 14.
O que acontece é que tais alusões que parece ser uma citação direta é na verdade apenas semelhanças.
É embaraçoso os católicos romanos lidar com o fato de que não há prova alguma de Jesus ou os escritores do NT citando os apócrifos. Dificilmente essa omissão poderia ser acidental se eles considerassem tais livros canônicos. Também acrescenta-se que seria muito estranho eles citarem obras apócrifas ou pseudepígrafas tais como Assunção de Moisés e o Livro de Enoque (Judas 7,14), e deixarem de citar nominalmente 14 ou 15 livros encontrados na Septuaginta supostamente considerados canônicos.

Seria este um argumento do silêncio?
Os católicos rebatem a essa resposta alegando que isto é um argumento do silêncio. Alguns refutam a omissão dos apócrifos dizendo que nós poderíamos usar o mesmo critério de avaliação quanto a alguns livros do VT que não foram citados no NT tais como Juizes, Crônicas, Ester, Cantares. Eles também não poderiam fazer parte do cânon visto por este prisma, dizem eles.
Mas este argumento não procede porque não há paralelo real entre a falta de alusão a livros que certamente são canônicos e a falta de alusão aos apócrifos. Como nós temos visto, o cânon do VT já estava bem estabelecido na época de Jesus. O próprio Jesus menciona sua tripla divisão e Josefo nos conta que aquelas três divisões perfaziam 22 livros, número este confirmado por muitas outras fontes históricas. Além disso, não há absolutamente nenhuma evidência que qualquer dos escritos apócrifos foi alguma vez aceito como canônicos pelos Judeus. Alguns dos livros apócrifos eliminam eles mesmos da condição de canônicos como Eclesiástico e I Macabeus. Os pais da Igreja primitiva afirmavam que os judeus não aceitavam os apócrifos como canônicos. Assim, a falta de alusão para alguns livros do VT não tem o mesmo peso quanto a mesma falta de alusão aos apócrifos católicos pelo fato de estes livros já fazerem parte do cânon judaico sob as categorias gerais de Leis, Profetas e escritos que totalizavam 22 livros apenas. Paulo nos informa que aos judeus foram confiados os “oráculos de Deus”. O fato dos judeus terem rejeitado a Jesus não minimiza o fato de eles serem os guardiões do cânon.
Fonte notas www.cacp.org.br


      Os apócrifos e os pais da igreja

O TESTEMUNHO DOS PAIS DA IGREJA CONTRA OS APÓCRIFOS
 verdade que a igreja Católica aprovou os decretos e “declararam como matéria de fé” a autoridade dos padres e da tradição apostólica em seu favor, porém tal declaração não era verdadeira. Não tinha e nem tem o menor apoio na evidência dos fatos.
Paulo diz-nos que “aos judeus foram confiados os oráculos de Deus” e isto mesmo ele escreveu aos Romanos (Romanos 3.2), como se fosse um aviso profético. Os cristãos primitivos professavam ter recebido dos judeus o código ou cânon do Antigo Testamento.
Nem Cristo nem nenhum dos escritores inspirados do Novo Testamento jamais citou os livros apócrifos; nem sequer a eles se referiram.
Temos diferentes escritores cristãos que nos deixaram listas do cânon sagrado das Escrituras, segundo as respectivas épocas em que viveram. Logo citaremos alguns dos pais mais importantes da Primitiva Igreja Cristã e outros teólogos (todos pertencentes à Igreja de Roma), em cada século sucessivo, os quais não admitiram os “livros apócrifos”, dando-nos desta forma a medida da crença da Igreja em tal assunto nos diferentes séculos. Fácil será a qualquer um cotejar as citações que apresentamos no fim do presente capítulo.
A moderna Igreja de Roma, por conta do celebríssimo Concílio de Trento, (ano 1546), excomungou todos aqueles que rejeitassem os livros dos Macabeus, Eclesiástico, Tobias, Judite, Baruque, Sabedoria e que não os considerassem como fazendo parte do cânon inspirado das Escrituras (1).

Os Pais da Igreja que rejeitaram os apócrifos

Os livros apócrifos foram banidos do cânon sagrado, quer explicitamente, quer de uma maneira indireta, ao darem uma lista que os excluía, por (2):
Militão, bispo de Sardis, no segundo século.
Orígenes, no terceiro século.
No quarto século, baniram-nos igualmente os “santos” Atanásio, Hilário, Cirilo de Jerusalém, Cipriano, Gregório Nazianzeno e Eusébio, bispo de Cesaréia, Anfilóquio e os bispos reunidos no Concilio de Laodicéia (3), o qual foi confirmado por um decreto do Concilio Geral em Trulo (Can.2), e que, portanto, é obrigatório para a Igreja de Roma (4).
No quinto século: São Jerônimo e Epifánio.
No sexto: Junílio, bispo africano, e alguns mencionam também Isidoro, bispo de Sevilha.
No sétimo: Temos nada menos que a autoridade do próprio Papa Gregório, o Grande. A mesma edição Vaticana (5) das obras de Gregório prova que ele não admitia os livros “apócrifos”.
No oitavo: João Damasceno, fundador da teologia escolástica entre os gregos, e Alcuíno, abade de São Martinho de Tours, na França.
No nono: Nicéforo, patriarca de Constantinopla, e a “Glosa Ordinária”, começada por Alcuíno, ou por Estrebão, e concluída por vários escritores.
No décimo: O monge Flaviacense e Élfrio, abade de Malmesbury.
No décimo primeiro: Pedro, abade de Clugni.
O décimo segundo: Hugo de São Vítor, Ricardo de São Vítor, Roberto, abade de Duits e autor da “Glosa” sobre Graciano e da versão inglesa da Bíblia que existe na biblioteca da Universidade de Oxford.
No décimo terceiro: O cardeal Hugo e São Boaventura.
No décimo quarto: Ricardo Fitz Ralph, arcebispo de Armagh e primaz da Irlanda, Nicolau Lira e Viclef
No décimo quinto: Tomás Valdense e Dionísio Cartusiano.
No décimo sexto: Temos o famoso cardeal Caetano. Este ilustre prelado da Igreja Romana escreveu um comentário sobre os livros históricos do Antigo Testamento, oferecido ao Papa Clemente VIII. Este livro foi publicado só doze anos antes de reunido o Concílio de Trento. Na dedicatória, o cardeal faz sua a regra de São Jerônimo, relativa à clara distinção que este faz entre os livros canônicos propriamente ditos e os “apócrifos”. Eis as suas palavras:
“Bem-aventurado padre: A Igreja Latina Universal deve muitíssimo a São Jerônimo, não só por causa de suas notas sobre as Escrituras, como também porque fazia distinção entre os livros canônicos e os não canônicos, por cujo motivo nos pôs a salvo da acusação dos judeus que, de outra maneira, poderiam dizer que nós havíamos forjado livros ou parte de livros pertencentes ao antigo cânon, os quais eles nunca haviam recebido” (6).
Jerônimo (ano 418) claramente aderiu à lista dos livros que formavam o cânon judaico e expressamente rejeitou os livros “apócrifos” (7), e o mesmo fez o cardeal Belarmino (8).
E este prelado, um dos controversistas mais ilustres que a Igreja tem produzido, o que diz a estas autoridades?
Os fatos são demasiadamente notórios para poderem ser negados e, por isso, Belarmino aceita-os. Mas por modo indigno e torpe; “confessa e ilude a dificuldade”, como dizem os advogados. Não foi pecado, diz ele, nem heresia, Santo Agostinho, São Jerônimo e São Gregório rejeitarem estes livros, é por isso mesmo que nenhum Concílio Geral até aos dias em que viveram havia definido alguma coisa a este respeito (9). É provável que esta seja a razão mais concludente que se possa aduzir, porém não serve e nem pode servir de apoio à doutrina de Trento.
Temos citado em cada século, por sua ordem, alguns dos principais escritores, todos os quais (à exceção de Wicliffe) são reconhecidos pela Igreja de Roma como membros da sua comunhão que rejeitaram os livros apócrifos.Tiramos, portanto, as seguintes conclusões:
1º) Que até abril de 1546 os “livros apócrifos” não faziam parte do cânon da Escritura admitido pela Igreja Romana;
2º) Que fizeram parte do cânon só daquela data em diante;
3º) Que o Concílio de Trento inventou este novo código e que os romanistas, quando sustentam e afirmam que os “livros apócrifos” fazem parte do cânon sagrado da Escritura, apresentam um sistema novo e ensinam uma doutrina nova.
Os nossos leitores podem agora perguntar e, com razão: Teriam os padres de Trento alguma autoridade em que apoiassem o seu decreto?
Agora, resta-nos examinar as razões alegadas, visto este assunto ser altamente importante.
Referências às edições dos pais da Igreja mencionadas neste capítulo:
Militão – Ano 177. rejeita todos os livros apócrifos. Epis. Ad Omnes, apud Euseb., Ecles. IV, Cap. 26; Cantab. 1700; l3elarm, de Verbo Dei. Lih. 1, cap. XX, pg. 38, sec. 13, Praga, 1721.
Orígenes – Ano 200, rejeita, igualmente, os livros apócrifos. Expos. Primi. Psalrn. Ap. Euseb. 1-list. Eccles, lib. VI, cap. XXV, Edit. Reading., (iantab., 1 720.
Cipriano – Ano 250, ou Rufino, rejeita também os livros apócrifos. Bell de Verb. Dei., lib. Cap. XX, pg. 38, tom. 1, Praga, 1721.
Atanásio – Ano 340, rejeita os mesmos, à exceção de Baruque. Epist. In Alex. Aristeni, Epp. Sinopsi, Pandectas de Beveridge, II, Oxford, 1672. Atanas., Op. ln Sinops., tom. II, pg. 39, Paris, 1627.
Hilário – Ano 350, rejeita pela mesma forma todos os livros. Protege. In lib. Psalmo. Sect. 15, pg. 145, Wirceburg, 1785. Belarm. lib. 2, cap. 1, sect. 15, tom. II, Praga, 1721.
Cirilo de Jerusalém – Ano 370, nomeia apenas 22 e rejeita os livros apócrifos, porém, supõe-se que no número deles conta Baruque e as Epístolas de Jeremias. Catech. IV, sect. 20, Oxon., 1703.
Gregório Nazianzeno – Ano 370, rejeita todos os livros apócrifos. Ex ejus poematibus, pg. 194, tom. II, Paris, 1630.
Eusébio – Ano 315, rejeita também os mesmos livros. 1Iist. Eccles., Lib. IV, cap. 26, lib. VI, cap. 25, Cantab., 1700.
Concílio de Laodicéia – Ano 367, Can. LX, Labb. et Coss., tom. 1, coluna 1507, rejeita igualmente os livros apócrifos, Paris, 1671.
Anfilóquio – Ano 370, rejeita-os todos. Ex Jambis ad Selencum, Pandect. de Beveridge II, pg. 179, Oxford, 1672.
Epifânio – Ano 390, exclui-os todos. De Mens. et Ponder., tom. 11, pg. 161,Colon., 1682.
Jerônimo – Ano 392, igualmente os rejeita. Symbolum Ruffini,tom. IV,pg. 143; Proef in Prov. Salom., tom. 111,8. Proef inieremiam;ibid 9 in Daniel, in lib. Regum Basil 1525. Betl. de Verbo Dei, lib. 1,cap. 10, sct. XX, pg. 20, tom. 1, Praga, 1721.
Concílio de Calcedônia – Ano 451, confirma os cânones do Concílio de Laodicéia; Art. 15, de can. 1, Labb. Conc. IV, Paris, 1671.
Agostinho – Ano 420, exclui do sagrado cânon todos os livros apócrifos. De Mirah. Sac. Scrip., lib. 2. cap. 34;De Civit. Dei. tib. 18, cap. 36. Paris, 1686.
Junílio – Ano 545, exclui Judite, Sabedoria Macabeus. de Part. Divinae Leges, lib. 1. cap. 3, Veneza. 1765.
Gregório 1- Ano 601, aceita a lista de Jerônimo. Greg. Mor., lib. 19 sobre o cap. 39 de Tob., Edit. Bened., 1705.
Damasceno – Ano 787, rejeita todos os livros apócrifos. Orth. Fid., lib. IV, cap. 18, pg. 153, Basil., 1 539~ Cano Lug. Theol., lib. 2. cap. X, Col., 1605.
Alcumo – Ano 800, exclui igualmente os mesmos livros. Niceph. Patr. C. P. Canon. Script. in Qperibus Pithei, citado por H. Lynd, Via Deviasec, 5. pg. 159, Edit., 1850, Londres.
NOTA: Quanto às referências que aqui deixamos com data mais recente e que servem apenas para manifestar uma série não interrompida de valiosos testemunhos, o leitor pode recorrer à Via Devia de Lynd, sect. 5, Londres, 1850, e Port. Evidenc. de Birkbeck, Londres, 1849.
(1) Concil. Trid., Sex. IV.
(2) Alguns dos autores (poucos) que aqui se citam insereni na sua lista a Raruque, porém estas exceções se encontrarão na lista das edições que vai no fim do capítulo.
(3) Será conveniente notar-se aqui que, pelo que respeita ao Concílio de Laodicéia, os livros de Baruque, as Lamentações e as Epístolas estão inseridos em alguns exemplares (Labb. Et Cos., tom. 1. pg. 1507-8. Paris, 1671). Encontram-se na versão dc Gentiano Flervet, porém não fazem menção deles os exemplares latinos de data anterior. Nem Aristeno, nem Carranza os têm em suas obras.
(4) O terceiro Concílio de Cartago (ano 397, Can. 47) admite alguns dos livros, porém omite Baruque e os dois livros dos Macabeus, isto é, nenhum exemplar os admite, embora Dionisio Exíguo faça deles menção em sua coleção (Labb. EtCoss. Com., tom. II, Col.. 1177, Paris, 1671).
(5) Roma, 1608, Ex. Tipog. Vatican.. tom. III, pg. 899.
(6) Caetano Lpis. Dedic. Ad. P. Clem. VII ante Com. In lib. llist. V.T., Paris, 1546.
(7) Hier. Epis. Ad Paulinum, Opera. Edt. Bem.. 1693, tom. IV. Col. 571-4, e Praefat. ln Libros Salom., tom. 1. pg. 938, 939.
(8) De Verbo Dei lib. 1, c. X, sec. XX, tom. 1. pg. 20. Edmt. l~raga, 1721.
(9) DeVerboDei,lib.l,c.X,SCc.Vlll.pg. 18.
Fonte: extraído da obra: “Inovações do Romanismo” – Carlos Rastings Collete, ed. Edições Cristãs.

Argumentos a favor dos Apócrifos
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1 – Os apócrifos consta nas versões mais antigas
O primeiro argumento em favor dos Apócrifos é que as versões mais antigas os incluíam. Isto, porém, é verdade apenas em parte. Certamente os Targuns aramaicos não os reconheceram. Nem sequer o Peshita siriaco na sua forma mais antiga continha um único livro apócrifo; foi apenas posteriormente que alguns deles foram acrescentados. Acabamos de ver que Jerônimo, o grande tradutor das Escrituras para o latim, não deu reconhecimento aos Apócrifos como tendo igual autoridade com os livros do Cânone Hebraico. Uma investigação mais cuidadosa desta reivindicação reduz a autoridade sobre a qual os Apócrifos se alicerçam a apenas uma versão antiga, a Septuaginta, e àquelas traduções posteriores (tais como a Itala, a Cóptica, a Etiópica, e a Siríaca posterior) que foram dela derivadas. Mesmo no caso da Septuaginta, os livros Apócrifos mantêm uma existência um pouco incerta. O Códice Vaticano (“B”) não tem 1 e 2 Macabeus (canônicos segundo Roma), mas inclui 1 Esdras (não-canônico segundo Roma). O Códice Si-. naítico (“Aief”) omite Baruque (canônico segundo Roma), mas inclui 4 Macabeus (não-canônico segundo Roma). O Códice Alexandrino (“A”) contém três livros apócrifos “não-canônicos”: 1 Esdras e 3 e 4 Macabeus. Então acontece que até os três mais antigos mss. da LXX demonstram considerável falta de certeza quanto aos livros que compõem a lista dos Apócrifos, e que os quatorze aceitáveis à Igreja Romana não são de modo algum substanciados pelo testemunho dos grandes unciais do quarto e do quinto séculos.

2 – Os apócrifos na LXX prova que havia um segundo cânon mais extenso
Protagonistas dos Apócrifos argumentam que a presença dos livros Apócrifos na LXX indica a existência do assim-chamado “Cânone-Alexandrino”, que incluía estes quatorze livros adicionais. Mas não é de modo nenhum certo que todos os livros na LXX foram considerados canônicos, mesmo pelos próprios judeus de Alexandria. Bem decisiva contra isto é a evidência de Filon de Alexandria (que viveu no primeiro século d.C). Apesar de ter citado freqüentemente os livros canônicos do “Cânone Palestiniano”, não faz uma citação sequer dos livros Apócrifos. Isto é impossível reconciliar com a teoria de um “Cânone Alexandrino” maior, a não ser que porventura alguns judeus de Alexandria não tivessem recebido este “Cânone Alexandrino” enquanto outros o reconheciam.
Em segundo lugar, relata-se de fontes fidedignas que a Versão Grega de Aquila foi aceita pelos judeus alexandrinos no segundo século d.C., apesar de não conter os livros Apócrifos. A dedução razoável desta evidência seria que (conforme o próprio Jerônimo esclareceu) os judeus de Alexandria resolveram incluir na sua edição do Antigo Testamento tanto os livros que reconheciam como sendo canônicos, como também os livros que eram “eclesiásticos” – i.é., foram reconhecidos como sendo valiosos e edificantes, sem, porém ser infalíveis.
Apoio adicional para esta suposição (que livros subcanônlcos possam ter sido conservados e utilizados juntamente com os canônicos) foi recentemente descoberto nos achados da Caverna 4 de Cunrã. Ali, no coração da Palestina, onde seguramente o “Cânone Palestiniano” deve ter sido autoritativo, pelo menos dois livros Apócrifos se fazem representar – Eclesiástico e Tobias. Um fragmento de Tobias aparece num pedacinho de papiro, outro em couro; há também um fragmento em hebraico, escrito em couro. Vários fragmentos de Eclesiástico foram descobertos ali, e pelo menos na pequena quantidade representada, concordam bem exatamente com mss de Eclesiástico do século onze, descobertos na Genizá de Cairo na década de 1890 (cf. Burrows, MLDSS 177, 178). Quanto a isto, a Quarta Caverna de Cunrã também conservou obras pseudoepigráficas tais como o Testamento de Levi, em aramaico, o mesmo em hebraico, e o livro de Enoque (fragmentos de dez mss. diferentes!). Decerto, ninguém poderia argumentar com seriedade que os sectários tão estreitos de Cunrã consideravam como canônicas todas estas obras apócrifas e pseudoepigráficas só por causa de terem conservado cópias delas.3 – O Novo Testamento cita os apócrifos
Apela-se freqüentemente ao fato que o Novo Testamento usualmente emprega a tradução da LXX ao citar o Antigo Testamento. Portanto, já que a LXX continha os Apócrifos, decerto os Apóstolos do Novo Testamento reconheciam a autoridade da LXX inteira conforme então se constituía. Além disto, argumentam, é um fato que ocasionalmente apela-se a obras fora do “Cânone Palestiniano”. Wildeboer e Torrey colecionaram todas as instâncias possíveis de tais citações ou alusões a obras apócrifas, incluindo-se várias que apenas são hipotéticas.
Mas toda esta linha de argumentos é realmente irrelevante para a questão em pauta, sendo que nem se alega que qualquer uma destas fontes seja proveniente dos Apócrifos Romanos. Na maioria dos casos as obras que supostamente foram citadas desapareceram há multo tempo – obras tais como o Apocalipse de Elias e a Assunção de Molsés (da qual sobrou um fragmento latino). Só num único caso, a citação de Enoque 1:9 em Judas 14-16, é que a. fonte citada sobreviveu. Há citações de autores gregos pagãos, também no Novo Testamento. Em Atos 17:28, Paulo cita de Arato, Phaenomena, linha 5; em 1 Corlntios 15:33, cita da comédia de Menander, Thais. Certamente ninguém poderia supor que citações tais como estas estabelecem a canonicldade ou de Arato ou de Menander. Pelo contrário, o testemunho do Novo Testamento é multo decisivo contra a canonicidade dos quatorze livros Apócrifos. Virtualmente todos os livros do Antigo Testamento são citados como sendo divinamente autorizados, ou pelo menos há alusão a eles como tais. Embora acabe de ser esclarecido que a mera citação não estabelece necessariamente a canonicidade, é inconcebível que os autores do Novo Testamento pudessem ter considerado como canônicos os quatorze livros dos Apócrifos Romanos, sem ter feito uso deles em citações ou alusões.

4 – Os pais da igreja citam os apócrifos
Outro argumento principal em favor dos Apócrifos é que os Pais Eclesiásticos citam estes livros como sendo autoritativos. Será mais correto dizer que alguns dos escritores cristãos antigos parecem fazer isto, enquanto outros tomam uma posição destacadamente contra sua canonicidade. Entre os a favor estão os escritores de 1 Clemente e a Epístola de Barnabé, e mais notavelmente, o contemporâneo mais jovem de Jerônimo, Agostinho de Hipona. Porém esta defesa deve ser qualificada como sendo apenas aparente ou presumida, pois já vimos como Judas pôde citar Enoque como registrando uma narrativa verdadeira dum episódio único sem necessariamente endossar o livro inteiro de Enoque como sendo canônico. Quanto a Agostinho, sua atitude era um pouco não crítica, e inconsistente. De um lado, lançou sua influência no Concilio de Cartago (397) em favor de incluir os quatorze como sendo canônicos; de outro lado, quando um antagonista apelou para uma passagem de 2 Macabeus para encerrar um argumento, Agostinho respondeu que sua causa era deveras fraca se tivesse que recorrer a um livro que não era da mesma categoria daqueles que eram recebidos e aceitos pelos judeus


                          Por que rejeitamos os Apócrifos?

Na Constituição Dogmática sobre Revelação Divina, o Concílio Vaticano II, no capítulo sobre Escritura Sagrada na Vida da Igreja, declarou que “Ela (a igreja) sempre considerou as Escrituras junto com a tradição sagrada como a regra suprema de fé, e sempre as considerará assim”
Da declaração anterior, nós, os cristãos evangélicos, rejeitamos, desde logo, a tradição sagrada como regra de fé. Ficamos, pois, em terreno comum com os católicos romanos no que diz respeito às Escrituras. No entanto, nisto também existe uma diferença de suma importância. Isto tem relação com os livros do cânon do Velho Testamento. No livro Consultas dei Clero, parágrafo 207, se transcreve assim o decreto emitido pelo Concilio de Trento sobre as Sagradas Escrituras:
“Se alguém não receber como sagrados e canônicos estes livros inteiros, com todas as suas partes, tal como se encontram na Antiga Versão Vulgata, seja anátema.” Seguindo a mesma posição doutrinária, o Concilio Vaticano II, no capítulo sobre “A inspiração Divina e a Interpretação da Escritura Sagrada”, se pronunciou da seguinte maneira: “Aquelas realidades divinamente reveladas, contidas e apresentadas na Escritura Sagrada, foram reduzidas à escritura sob a inspiração do Espírito Santo. A Santa Madre Igreja, descansando sobre a crença dos apóstolos, sustenta que os livros, tanto do Velho como do Novo Testamento, em sua totalidade, com todas as suas partes, são sagrados e canônicos, porque, havendo sido escritos sob a inspiração do Espírito Santo, têm a Deus como seu autor e foram transmitidos Como tais à igreja mesma.”
Mas, quando a Igreja Católica Romana se refere ao cânon do Velho Testamento, ela inclui uma série de livros que os protestantes chamam de “Apócrifos” mas os católicos de “Deuterocanônicos”, os quais não aparecem nas versões evangélicas e hebraica da Bíblia. O resultado disto foi que na opinião popular dos católicos existem duas Bíblias: uma católica e a outra protestante. Mas semelhante asseveração não é certa. Só existe uma Bíblia, uma Palavra (escrita) de Deus. Em suas línguas originais (o hebraico e o grego), a Bíblia é uma só e igual para todos. O que nem sempre é igual são as versões ou traduções dela aos diferentes idiomas. Neste estudo iremos mostrar porque nós, cristãos evangélicos, não aceitamos os chamados, “Livros Apócrifos”, e conseqüentemente rejeitamos com provas sobejas, as alegações romanistas de que tais livros possuem canonicidade e inspiração divina.

APÓCRIFOS: O QUE SIGNIFICA?

Na realidade, os sentidos da palavra “apocrypha” refletem o problema que se manifesta nas duas concepções de sua canonicidade. No grego clássico, a palavra apocrypha significava “oculto” ou “difícil de entender”. Posteriormente, tomou o sentido de “esotérico” ou algo que só os iniciados podem entender; não os de fora. Na época de Irineu e de Jerônimo (séculos III e IV), o termo apocrypha veio a ser aplicado aos livros não-canônicos do Antigo Testamento, mesmo aos que foram classificados previamente como “pseudepígrafos”. Desde a era da Reforma, essa palavra tem sido usada para denotar os escritos judaicos não-canônicos originários do período intertestamentário. A questão diante de nós é a seguinte: verificar se os livros eram escondidos a fim de ser preservados, porque sua mensagem era profunda e espiritual ou porque eram espúrios e de confiabilidade duvidosa.

Natureza e número dos apócrifos do Antigo Testamento
Há quinze livros chamados apócrifos (catorze se a Epístola de Jeremias se unir a Baruque, como ocorre nas versões católicas de Douai). Com exceção de 2 Esdras, esses livros preenchem a lacuna existente entre Malaquias e Mateus e compreendem especificamente dois ou três séculos antes de Cristo.
Significado da palavra CÂNON e CANÔNICO

CÂNON – (de origem semítica, na língua hebraica “qãneh” em Ez 40.3; e no grego: “kanón” em Gl 6.16″), tem sido traduzido em nossas versões em português como, “regra”, “norma”.
Significado literal: vara ou instrumento de medir.
Significado figurado: Regra ou critérios que comprovam a autenticidade e inspiração dos livros bíblicos; Lista dos Escritos Sagrados; Sinônimo de ESCRITURAS – como a regra de fé e ação investida de autoridade divina.
Outros significados: Credo formulado (a doutrina da Igreja em Geral); Regras eclesiásticas (lista ou série de procedimentos)
CANÔNICO – Que está de acordo com o cânon. Em relação aos 66 livros da Bíblia hebraica e evangélica.
Significado da palavra PSEUDOEPÍGRAFO – Literalmente significa “escritos falsos” – Os apócrifos não são necessariamente escritos falsos, mas, sim não canônicos, embora, também contenham ensinos errados ou hereges.
DIFERENÇAS ENTRE AS BÍBLIAS HEBRAICAS, PROTESTANTES E CATÓLICAS.

Diferenças Básicas:
1. Bíblia Hebraica – [a Bíblia dos judeus]
a) Contém somente os 39 livros do V.T.
b) Rejeitam os 27 do N.T. como inspirado. Também não aceitam Jesus como messias.
c) Não aceitam os livros apócrifos incluídos na Vulgata [versão Católico Romana)

2. Bíblia Protestante -

a) Aceita os 39 livros do V.T. e também os 27 do N.T.
b) Rejeita os livros apócrifos incluídos na Vulgata, como não canônicos

3. Bíblia Católica -

a) Contém os 39 livros do V.T. e os 27 do N.T.
b) Inclui na versão Vulgata, os livros apócrifos ou não canônicos que são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, 1º e 2º de Macabeus, seis capítulos e dez versículos acrescentados no livro de Ester e dois capítulos de Daniel. A seguir a lista dos que se encontravam na Septuaginta:

LIVRO APÓCRIFO DA SEPTUAGINTA
8 Baruque
1 3 Esdras 9 A Carta de Jeremias
2 4 Esdras 10 Os acréscimos de Daniel
3 Oração de Azarias 11 A Oração de Manassés
4 Tobias 12 1 Macabeus
5 Adições a Ester 13 2 Macabeus
6 A Sabedoria de Salomão 14 Judite
7 Eclesiástico (Também chamado de Sabedoria de Jesus, filho de Siraque)

COMO OS APÓCRIFOS FORAM APROVADOS

A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 8 de Abril de 1546 como meio de combater a Reforma protestante. Nessa época os protestantes combatiam violentamente as doutrinas romanistas do purgatório, oração pelos mortos, salvação pelas obras, etc. Os romanistas viam nos apócrifos base para tais doutrinas, e apelaram para eles aprovando-os como canônicos.
Houve prós e contras dentro dessa própria igreja, como também depois. Nesse tempo os jesuítas exerciam muita influência no clero. Os debates sobre os apócrifos motivaram ataques dos dominicanos contra os franciscanos. O biblista católico John L. Mackenzie em seu "Dicionário Bíblico" sob o verbete, Cânone, comenta que no Concílio de Trento houve várias "controvérsias notadamente candentes" sobre a aprovação dos apócrifos. Mas o cardeal Pallavacini, em sua "História Eclesiástica" declara mais nitidamente que em pleno Concílio, 40 bispos dos 49 presentes travaram luta corporal, agarrado às barbas e batinas uns dos outros... Foi nesse ambiente "ESPIRITUAL", que os apócrifos foram aprovados. A primeira edição da Bíblia católico-romana com os apócrifos deu-se em 1592, com autorização do papa Clemente VIII.
Os Reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos, colocando-os entre o Antigo e Novo Testamentos, não como livros inspirados, mas bons para a leitura e de valor literário histórico. Isto continuou até 1629. A famosa versão inglesa King James (Versão do Rei Tiago) de 1611 ainda os trouxe. Porém, após 1629 as igrejas reformadas excluíram totalmente os apócrifos das suas edições da Bíblia, e, "induziram a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, sob pressão do puritanismo escocês, a declarar que não editaria Bíblias que tivessem os apócrifos, e de não colaborar com outras sociedades que incluíssem esses livros em suas edições." Melhor assim, tendo em vista evitar confusão entre o povo simples, que nem sempre sabe discernir entre um livro canônico e um apócrifo e também pelo fato do que aconteceu com a Vulgata! Melhor editá-los separadamente.

PORQUE REJEITAMOS OS APÓCRIFOS
Há várias razões porque os protestantes rejeitam os Apócrifos. Eis algumas delas:
1. PORQUE COM O LIVRO DE MALAQUIAS O CÂNON BÍBLICO HAVIA SE ENCERRADO.
Depois de aproximadamente 435 a.C não houve mais acréscimos ao cânon do Antigo Testamento. A história do povo judeu foi registrada em outros escritos, tais como os livros dos Macabeus, mas eles não foram considerados dignos de inclusão na coleção das palavras de Deus que vinham dos anos anteriores.
Quando nos voltamos para a literatura judaica fora do Antigo Testamento percebemos que a crença de que haviam cessado as palavras divinamente autorizadas da parte de Deus é atestada de modo claro em várias vertentes da literatura extrabíblica.
· 1 Macabeus: (cerca de 100 a.c.), o autor escreve sobre o altar:
"Demoliram-no, pois, e depuseram as pedras sobre o monte da Morada conveniente, à espera de que viesse algum profeta e se pronunciasse a respeito" (l Mac 4.45-46). Aparentemente, eles não conheciam ninguém que poderia falar com a autoridade de Deus como os profetas do Antigo Testamento haviam feito. A lembrança de um profeta credenciado no meio do povo pertencia ao passado distante, pois o autor podia falar de um grande sofrimento, "qual não tinha havido desde o dia em que não mais aparecera um profeta no meio deles" (l Mac 9.27; 14.41).
· Josefo: (nascido em c. 37/38 d.C.) explicou: "Desde Artaxerxes até os nossos
dias foi escrita uma história completa, mas não foi julgada digna de crédito igual ao dos registros mais antigos, devido à falta de sucessão exata dos profetas" (Contra Apião 1:41) Essa declaração do maior historiador judeu do primeiro século cristão mostra que os escritos que agora fazem parte dos "apócrifos", mas que ele (e muitos dos seus contemporâneos) não os consideravam dignos "de crédito igual" ao das obras agora conhecida por nós como Escrituras do Antigo Testamento. Segundo o ponto de vista de Josefo, nenhuma "palavra de Deus" foi acrescentada às Escrituras após cerca de 435 a.c.
· A literatura rabínica: reflete convicção semelhante em sua freqüente
declaração de que o Espírito Santo (em sua função de inspirador de profecias) havia se afastado de Israel "Após a morte dos últimos profetas, Ageu, Zacarias e Malaquias, o Espírito Santo afastou-se de Israel, mas eles ainda se beneficiavam do bath qôl" (Talmude Babilônico, Yomah 9b repetido em Sota 48b, Sanhedrín 11 a, e Midrash Rabbah sobre o Cântico dos Cânticos, 8.9.3).· A comunidade de Qumran: (seita judaica que nos legou os Manuscritos do Mar Morto) também esperava um profeta cujas palavras teriam autoridade para substituir qualquer regulamento existente (veja 1QS 9.11), e outras declarações semelhantes são encontradas em outros trechos da literatura judaica antiga (veja 2Baruc 85.3 Oração de Azarias 15). Assim, escritos posteriores a cerca de 435 a.C. em geral não eram aceitos pelo povo judeu como obras dotadas de autoridade igual à do restante das Escrituras.
· O Novo Testamento: não temos nenhum registro de alguma controvérsia entre
Jesus e os judeus sobre a extensão do cânon. Ao que parece,Jesus e seus discípulos de um lado e os líderes judeus ou o povo judeu, de outro, estavam plenamente de acordo em que acréscimos ao cânon do Antigo Testamento tinham cessado após os dias De Esdras, Neemias, Ester, Ageu, Zacarias e Malaquias. Esse fato é confirmado pelas citações do Antigo Testamento feitas por Jesus e pelos autores do Novo Testamento. Segundo uma contagem,Jesus e os autores do Novo Testamento citam mais de 295 vezes, várias partes das Escrituras do Antigo Testamento como palavras autorizadas por Deus, mas nem uma vez sequer citam alguma declaração extraída dos livros apócrifos ou qualquer outro escrito como se tivessem autoridade divina. A ausência completa de referência à outra literatura como palavra autorizada por Deus e as referências muito freqüentes a centenas de passagens no Antigo Testamento como dotadas de autoridade divina confirmam com grande força o fato de que os autores do Novo Testamento concordavam em que o cânon estabelecido do Antigo Testamento, nada mais nada menos, devia ser aceito como a verdadeira palavra de Deus.

2. PORQUE A INCLUSÃO DOS APÓCRIFOS FOI ACIDENTAL.
A conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, ocasionou uma nova dispersão dos judeus por todo o império greco-macedônico. Pelo ano 300 antes de Cristo, a colônia de judeus na cidade de Alexandria, Egito, era numerosa, forte e fluente. Morrendo Alexandre, seu domínio dividiu-se em quatro remos, ficando o Egito sob a dinastia dos Ptolomeus. O segundo deles, Ptolomeu Filadelfo, foi grande amante das letras e preocupou-se com enriquecer a famosa biblioteca que seu pai havia fundado. Com este objetivo, muitos livros foram traduzidos para o grego. Naturalmente, as Escrituras Sagradas do povo hebreu foram levadas em conta, apreciando-se também a grande importância que teria a tradução da Bíblia de seus antepassados da Palestina para os judeus cuja língua vernácula era o grego.
Segundo um relato de Josefo, Sumo Sacerdote de Jerusalém Eleazar enviou, a pedido de Ptolomeu Filadelfo, uma embaixada de 72 tradutores a Alexandria, com um valioso manuscrito do Velho Testamento, do qual traduziram o Pentateuco. A tradução continuou depois, não se completando senão no ano 150 antes de Cristo.
Esta tradução, que se conhece com o nome de Septuaginta ou Versão dos Setenta (por terem sido 70, em número redondo, seus tradutores), foi aceita pelo Sinédrio judaico de Alexandria; mas, não havendo tanto zelo ali como na Palestina e devido às tendências helenistas contemporâneas, os tradutores alexandrinos fizeram adições e alterações e, finalmente, sete dos Livros Apócrifos foram acrescentados ao texto grego como Apêndice do Velho Testamento. Os estudiosos acham que foram unidos à Bíblia, por serem guardados juntamente com os rolos de livros canônicos, e quando foram iniciados os Códices, isto é , a escrituração da Bíblia inteira em um só volume, alguns escribas copiaram certos rolos apócrifos juntamente com os rolos canônicos.
Todos estes livros, com exceção de Judite, Eclesiástico, Baruque e 1 Macabeus, estavam escritos em grego, e a maioria deles foi escrita muitíssimos anos depois de o profeta Malaquias, o último dos profetas da Dispensação antiga, escrever o livro que leva o seu nome. O que se pode concluir daí é que, quando a Septuaginta era copiada, alguns livros não canônicos para os judeus eram também copiados. Isso também poderia ter ocorrido por ignorância quanto aos livros verdadeiramente canônicos. Pessoas não afeiçoadas ao judaísmo ou mesmo desinteressadas em distinguir livros canônicos dos não canônicos tinham por igual valor todos os livros, fossem eles originalmente recebidos como sagrados pelos judeus ou não. Mesmo aqueles que não tinham os demais livros judaicos como canônicos certamente também copiavam estes livros, não por considerá-los sagrados, mas apenas para serem lidos. Por que não copiar livros tão antigos e interessantes? Estes livros, entretanto, têm a importância de refletir o estado do povo judeu e o caráter de sua vida intelectual e religiosa durante as várias épocas que representam, particularmente, a do período chamado intertestamentário (entre Malaquias e João Batista, de 400 anos); é, talvez, por estas razões que os tradutores os juntaram ao texto grego da Bíblia, mas os judeus da Palestina nunca os aceitaram no cânon de seus livros sagrados.

3. TESTEMUNHAS CONTRA OS APÓCRIFOS
Traremos agora o depoimento de várias personagens históricas que depõe contra a lista canônica "Alexandrina", como consta na Septuaginta, Vulgata e em todas as versões das Bíblias católicas existentes. Pelo peso de autoridade que representam esses vultos, são provas mais do que suficientes e esmagadoras contra a inclusão dos Apócrifos no Cânon bíblico.
Vejamos:

JOSEFO: A referência mais antiga ao cânon hebraico é do historiador judeu Josefo (37-95 AC). Em Contra Apionem ele escreve: "Não temos dezenas de milhares de livros, em desarmonia e conflitos, mas só vinte e dois, contendo o registro de toda a história, os quais, conforme se crê, com justiça, são divinos." Depois de referir-se aos cinco livros de Moisés, aos treze livros dos profetas, e aos demais escritos (os quais "incluem hinos a Deus e conselhos pelos quais os homens podem pautar suas vidas"), ele continua afirmando:
"Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto que a sucessão dos profetas cessou. Mas a fé que depositamos em nossos próprios escritos é percebida através de nossa conduta; pois, apesar de ter-se passado tanto tempo, ninguém jamais ousou acrescentar coisa alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles qualquer coisa que seja"
Josefo é suficientemente claro. Como historiador judeu, ele é fonte fidedigna. Eram apenas vinte e dois os livros do cânon hebraico agrupados nas três divisões do cânon massorético. E desde a época de Malaquias (Artaxerxes, 464-424) até a sua época nada se lhe havia sido acrescentado. Outros livros foram escritos, mas não eram considerados canônicos, com a autoridade divina dos vinte e dois livros mencionados.
ORÍGENES: No terceiro século d.C, Orígenes (que morreu em 254) deixou um catálogo de vinte e dois livros do Antigo Testamento que foi preservado na História Eclesiástica de Eusébio, VI: 25. Inclui a mesma lista do cânone de vinte e dois livros de Josefo (e do Texto Massorético) inclusive Ester, mas nenhum dos apócrifos é declarado canônico, e se diz explicitamente que os livros de Macabeus estão "fora desses [livros canônicos]”
TERTULIANO: Aproximadamente contemporâneo de Orígenes era Tertuliano.
(160-250 dc) o primeiro dos País Latinos cujas obras ainda existem. Declara que os livros canônicos são vinte e quatro.
HILÁRIO: Hilário de Poitiers (305-366) os menciona como sendo vinte e dois.
ATANÁSIO: De modo semelhante, em 367 d.C., o grande líder da igreja, Atanásio, bispo de Alexandria, escreveu sua Carta Pascal e alistou todos os livros do nosso atual cânon do Novo Testamento e do Antigo Testamento, exceto Éster. Mencionou também alguns livros dos apócrifos, tais como a Sabedoria de Salomão, a Sabedoria de Sirac, Judite e Tobias, e disse que esses “não são na realidade incluídos no cânon, mas indicados pelos Pais para serem lidos por aqueles que recentemente se uniram a nós e que desejam instrução na palavra de bondade”.
JERONIMO: Jerônimo (340-420.dc.) propugnou, no Prologus Galeatus. A citação pertinente de Prologus Galeatus é a seguinte:
“Este prólogo, como vanguarda (principium) com capacete das Escrituras, pode ser aplicado a todos os Livros que traduzimos do Hebraico para o Latim, de tal maneira que possamos saber que tudo quanto é separado destes deve ser colocado entre os Apócrifos. Portanto, a sabedoria comumente chamada de Salomão, o livro de Jesus, filho de Siraque, e Judite e Tobias e o Pastor (supõe-se que seja o Pastor de Hermas), não fazem parte do cânon. Descobri o Primeiro Livro de Macabeus em Hebraico; o Segundo foi escrito em Grego, conforme testifica sua própria linguagem”.
Jerônimo, no seu prefácio aos Livros de Salomão, menciona ter descoberto Eclesiástico em Hebraico, mas declara em sua; convicção que a Sabedoria de Salomão teria sido originalmente composta em Grego e não em Hebraico, por demonstrar uma eloqüência tipicamente helenística. “E assim”, continua ele, “da mesma maneira pela qual a igreja lê Judite e Tobias e Macabeus (no culto público) mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também sejam estes dois livros úteis para a edificação do povo, mas não para estabelecer as doutrinas da Igreja”). e noutros trechos, prima pelo reconhecimento de apenas os vinte e dois livros contidos no hebraico, e a relegação dos livros apócrifos a uma posição secundária. Assim, no seu Comentário de Daniel, lançou dúvidas quanto à canonicidade da história de Suzana, baseando-se no fato que o jogo de palavras atribuído a Daniel na narrativa, só podia ser derivado do grego e não do hebraico (inferência: a história foi originalmente composta em grego). Do mesmo modo, em conexão com a história de Bel e a do Dragão, declara; “a objeção se soluciona facilmente ao asseverar que esta história especifica não está incluída no texto hebraico do livro de Daniel. Se, porém, alguém fosse comprovar que pertence ao cânone, seríamos obrigados a buscar uma outra resposta a esta objeção”
MELITO: A mais antiga lista cristã dos livros do Antigo Testamento que existe hoje é a de Melito, bispo de Sardes, que escreveu em cerca de 170 d.C.
“Quando cheguei ao Oriente e encontrei-me no lugar em que essas coisas foram proclamadas e feitas, e conheci com precisão os livros do Antigo Testamento, avaliei os fatos e os enviei a ti. São estes os seus nomes: cinco livros de Moisés, Gênesis, Êxodo, Números, Levítico, Deuteronômio,Josué, filho de Num, Juizes, Rute, quatro livros dos Remos,’0 dois livros de Crônicas, os Salmos de Davi, os Provérbios de Salomão e sua Sabedoria,” Eclesiastes, o Cântico dos Cânticos,Jó, os profetas Isaías,Jeremias, os Doze num único livro, Daniel, Ezequiel, Esdras.”
É digno de nota que Melito não menciona aqui nenhum livro dos apócrifos, mas inclui todos os nossos atuais livros do Antigo Testamento, exceto Éster. Mas as autoridades católicas passam por cima de todos esses testemunhos para manter, em sua teimosia, os Apócrifos! AS HERESIAS DOS APÓCRIFOS
Uma das grandes razões, talvez a principal delas, porque nós evangélicos rejeitamos os Apócrifos, é devido a grande quantidade de heresias que tais livros apresentam. Fora isso, existem também lendas absurdas e fictícias e graves erros históricos e geográficos, o que fazem os Apócrifos serem desqualificados como palavra de Deus. A seguir daremos um resumo de cada livro e logo a seguir mostraremos seus graves erros.

RESUMO:
TOBIAS (200 a.C.) – É uma história novelística sobre a bondade de Tobiel (pai de Tobias) e alguns milagres preparados pelo anjo Rafael.
Apresenta:

· justificação pelas obras – 4:7-11; 12:8
· mediação dos Santos – 12:12
· superstições – 6:5, 7-9, 19
· um anjo engana Tobias e o ensina a mentir 5:16 a 19
JUDITE (150 a.C.) É a História de uma heroína viúva e formosa que salva sua cidade enganando um general inimigo e decapitando-o. grande heresia é a própria história onde os fins justificam os meios.
BARUQUE (100 a.D.) – Apresenta-se como sendo escrito por Baruque, o cronista do profeta Jeremias, numa exortação aos judeus quando da destruição de Jerusalém. Porém, é de data muito posterior, quando da segunda destruição de Jerusalém, no pós-Cristo.
Traz entre outras coisas, a intercessão pelos mortos – 3:4.
ECLESIÁSTICO (180 a.C.) – É muito semelhante ao livro de Provérbios, não fosse as tantas heresias:

· justificação pelas obras – 3:33,34
· trato cruel aos escravos – 33:26 e 30; 42:1 e 5
· incentiva o ódio aos Samaritanos – 50:27 e 28
SABEDORIA DE SALOMAO (40 a.D.) – Livro escrito com finalidade exclusiva de lutar contra a incredulidade e idolatria do epicurismo (filosofia grega na era Cristã).
Apresenta:

· o corpo como prisão da alma – 9:15
· doutrina estranha sobre a origem e o destino da alma 8:19 e 20
· salvação pela sabedoria – 9:19
1 MACABEUS (100 a.C.) – Descreve a história de 3 irmãos da
família “Macabeus”, que no chamado período ínterbíblico (400 a.C. 3 a.D)
lutam contra inimigos dos judeus visando a preservação do seu povo e terra.
II MACABEUS (100 a.C.) – Não é a continuação do 1 Macabeus, mas um relato paralelo, cheio de lendas e prodígios de Judas Macabeu.
Apresenta:

· a oração pelos mortos – 12:44 – 46
· culto e missa pelos mortos – 12:43
· o próprio autor não se julga inspirado -15:38-40; 2:25-27
· intercessão pelos Santos – 7:28 e 15:14

ADIÇÕES A DANIEL:
capítulo 13 – A história de Suzana – segundo esta lenda Daniel salva Suzana num julgamento fictício baseado em falsos testemunhos.
capítulo 14 – Bel e o Dragão – Contém histórias sobre a necessidade da idolatria.
capítulo 3:24-90 – o cântico dos 3 jovens na fornalha.

LENDAS, ERROS E HERESIAS
1. Histórias fictícias, lendárias e absurdas
- Tobias 6.1-4 – “Partiu, pois, Tobias, e o cão o seguiu, e parou na primeira pousada junto ao rio Tigre. E saiu a lavar os pés, e eis que saiu da água um peixe monstruoso para o devorar. À sua vista, Tobias, espavorido, clamou em alta voz, dizendo: Senhor, ele lançou-se a mim. E o anjo disse disse-lhe: Pega-lhe pelas guerras, e puxa-o para ti. Tendo assim feito, puxou-o para terra, e o começou a palpitar a seus pés.
2. Erros Históricos e Geográficos
Os Apócrifos solapam a doutrina da inerrância porque esses livros incluem erros históricos e de outra natureza. Assim, se os Apócrifos são considerados parte das Escrituras, isso identifica erros na Palavra de Deus. Esses livros contêm erros históricos, geográficos e cronológicos, além de doutrinas obviamente heréticas; eles até aconselham atos imorais (Judite 9.1O,13). Os erros dos Apócrifos são freqüentemente apontados em obras de autoridade reconhecida. Por exemplo:
O erudito bíblico DL René Paehe comenta: “Exceto no caso de determinada informação histórica interessante (especialmente em 1. Macabeus) e alguns belos pensamentos morais (por exemplo Sabedoria de Salomão).
Tobias…
contém certos erros históricos e geográficos, tais como a suposição de que Senaqueribe era filho de Salmaneser (1 .15) em vez de Sargão II, e que Nínive foi tomado por Nabucodonosor e por Assuero (14.15) em vez de Nabopolassar e por Ciáxares… Judite não pode ser histórico porque contém erros evidentes… [Em 2 Macabeus] há também numerosas desordens e discrepâncias em assuntos cronológicos, históricos e numéricos, os quais refletem ignorância ou confusão..

HERESIAS
3. Ensinam Artes Mágicas ou de Feitiçaria como método de exorcismo
a) Tobias 6.5-9 – “Então disse o anjo: Tira as entranhas a esse peixe, e guarda, porque estas coisas te serão úteis. Feito isto, assou Tobias parte de sua carne, e levaram-na consigo para o caminho; salgaram o resto, para que lhes bastassem até chegassem a Ragés, cidade dos Medos. Então Tobias perguntou ao anjo e disse-lhe: Irmão Azarias, suplico-lhe que me digas de que remédio servirão estas partes do peixe, que tu me mandaste guardar: E o anjo, respondendo, disse-lhe: Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas , o seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles. E o fel é bom para untar os olhos que têm algumas névoas, e sararão”
b) Este ensino que o coração de um peixe tem o poder para expulsar toda espécie de demônios contradiz tudo o que a Bíblia diz sobre como enfrentar o demônio.
c) Deus jamais iria mandar um anjo seu, ensinar a um servo seu, como usar os métodos da macumba e da bruxaria para expulsar demônios.
d) Satanás não pode ser expelido pelos métodos enganosos da feitiçaria e bruxaria, e de fato ele não tem interesse nenhum em expelir demônios (Mt 12.26).
e) Um dos sinais apostólicos era a expulsão de demônios, e a única coisas que tiveram de usar foi o nome de Jesus (Mc 16.17; At 16.18)
4. Ensinam que Esmolas e Boas Obras – Limpam os Pecados e Salvam a Alma
a) Tobias 12.8, 9 – “É boa a oração acompanhada do jejum, dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro; porque a esmola livra da morte (eterna), e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna”.
Eclesiástico 3.33 – “A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados”
b) Este é o primeiro ensino de Satanás, o mais terrível, e se encontrar basicamente em todas a seitas heréticas.
c) A Salvação por obras, destrói todo o valor da obra vicária de Cristo em favor do pecador. Se caridade e boas obras limpam nossos pecados, nós não precisamos do sangue de Cristo. Porém, a Bíblia não deixa dúvidas quanto o valor exclusivo do sangue como um único meio de remissão e perdão de pecados:
- Hb 9:11, 12, 22 – “Mas Cristo… por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção …sem derramamento de sangue não há remissão.”
- I Pe 1:18, 19 – “sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo,”
d) Contradiz Bíblia toda. Ela declara que somente pela graça de Deus e o sangue de Cristo o homem pode alcançar justificação e completa redenção:
- Romanos 3.20, 24, 24 e 29 – “Ninguém será justificado diante dele pelas obras da lei… sendo justificados gratuitamente por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. A quem Deus propôs no seu sangue. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”.5. Ensinam o Perdão dos pecados através das orações
a) Eclesiástico 3.4 – “O que ama a Deus implorará o perdão dos seus pecados, e se absterá de tornar a cair neles, e será ouvido na sua oração de todos os dias”.
b) O perdão dos pecados não está baseado na oração que se faz pedindo o perdão, não é fé na oração, e sim fé naquele que perdoa o pecado, a oração por si só, é uma boa obra que a ninguém pode salvar. Somente a oração de confissão e arrependimento baseadas na fé no sacrifício vicário de Cristo traz o perdão (Pv. 28.13; I Jo 1.9; I Jo 2.1,2)
6. Ensinam a Oração Pelos Mortos
a) 2 Macabeus 12:43-46 – “e tendo feito uma coleta, mandou 12 mil dracmas de prata a Jerusalém, para serem oferecidas em sacrifícios pelos pecados dos mortos, sentindo bem e religiosamente a ressurreição, (porque, se ele não esperasse que os que tinham sido mortos, haviam um dia de ressuscitar, teria por uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos); e porque ele considerava que aos que tinham falecido na piedade estava reservada uma grandíssima misericórdia. É, pois, um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados”.
b) É neste texto falso, de um livro não canônico, que contradiz toda a Bíblia, que a Igreja Católica Romana baseia sua falta e herege doutrina do purgatório.
c) Este é novamente um ensino Satânico para desviar o homem da redenção exclusiva pelo sangue de Cristo, e não por orações que livram as almas do fogo de um lugar inventado pela mente doentia e apostata dos teólogos católicos romanos.
d) Após a morte o destino de todos os homens é selado, uns para perdição eterna e outros para a Salvação eterna – não existe meio de mudar o destinos de alguém após a sua morte. Veja Mt. 7:13,13; Lc 16.26
7. Ensinam a Existência de um Lugar Chamado PURGATÓRIO
a) Este é o ensino herético e satânico inventado pela Igreja Católica Romana, de que o homem, mesmo morrendo perdido, pode ter uma Segunda chance de Salvação.
b) Sabedoria 3.1-4 – “As almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam; e a sua saída deste mundo foi considerada como uma aflição, e a sua separação de nós como um extermínio; mas eles estão em paz (no céu). E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade”.
c) A Igreja Católica baseia a doutrina do purgatório na ultima parte deste texto, onde diz: ” E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade”.
- Eles ensinam que o tormento em que o justo está, é o purgatório que o purifica para entrar na imortalidade.
- Isto é uma deturpação do próprio texto do livro apócrifo. De modo, que a igreja Católica é capaz de qualquer desonestidade textual, para manter suas heresias.
- Até porque, ganha muito dinheiro com as indulgências e missas rezadas pelos mortos.
d) Leia atentamente as seguinte textos das Escrituras, que mostram a impossibilidade do purgatório : I Jo 1.7; Hb 9.22; Lc 23.40-43; I6: 19-31; I Co 15:55-58; I Ts 4:12-17; Ap 14:13; Ec 12:7; Fp 1:23; Sl 49:7-8; II Tm 2:11-13; At 10:43)
8. Nos Livros Apócrifos Os Anjos Mentem
a) Tobias 5.15-19 – “E o anjo disse-lhe: Eu o conduzirei e to reconduzirei. Tobias respondeu: Peço-te que me digas de que família e de tribo és tu? O anjo Rafael disse-lhe: Procuras saber a família do mercenário, ou o mesmo mercenário que vá com teu filho? Mas para que te não ponhas em cuidados,, eu sou Azarias, filho do grande Ananias. E Tobias respondeu-lhe: Tu és de uma ilustre família. Mas peço-te que te não ofendas por eu desejar conhecer a tua geração.
b) Um anjo de Deus não poderia mentir sobre a sua identidade, sem violar a própria lei santa de Deus. Todos os anjos de Deus, foram verdadeiros quando lhes foi perguntado a sua identidade. Veja Lc 1.19
9. Mulher que Jejuava Todos os Dias de Sua Vida
a) Judite 8:5,6 – “e no andar superior de sua casa tinha feito para si um quarto retirado, no qual se conservava recolhida com as suas criadas, e, trazendo um cilício sobre os seus rins, jejuava todos os dias de sua vida, exceto nos sábados, e nas neomênias, d nas festas da casa de Israel”
b) Este texto legendário tem sido usado por romana relacionado com a canonização dos “santos” de idolatria. Em nenhuma parte da Bíblia jejuar todos os dias da vida é sinal de santidade. Cristo jejuou 40 dias e 40 noites e depois não jejuou mais.
c) O livro de Judite é claramente um produção humana, uma lenda inspirada pelo Diabo, para escravizar os homens aos ensinos da igreja Católica Romana.
10. Ensinam Atitudes Anticristãs, como: Vingança, Crueldade e Egoísmo
a) VINGANÇA – Judite 9:2
b) CRUELDADE e EGOÍSMO – Eclesiástico 12:6
c) Contraria o que a Bíblia diz sobre:
- Vingança (Rm 12.19, 17)
- Crueldade e Egoísmo ( Pv. 25:21,22; Rm 12:20; Jo 6:5; Mt 6:44-48)
A igreja Católica tenta defender a IMACULADA CONCEIÇÃO baseando em uma deturpação dos apócrifos (Sabedoria 8:9,20) – Contradizendo: Lc. 1.30-35; Sl 51:5; Rm 3:23)
Diante de tudo isso perguntamos: Merecem confiança os livros Apócrifos ? A resposta obvia é, NÃO.

RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES ROMANISTAS
Os livros apócrifos do Antigo Testamento têm recebido diferentes graus de aceitação pelos cristãos. A maior parte dos protestantes e dos judeus aceita que tenham valor religioso e mesmo histórico, sem terem, contudo, autoridade canônica. Os católicos romanos desde o Concilio de Trento têm aceito esses livros como canônicos. Mais recentemente, os católicos romanos têm defendido a idéia de uma deuterocanonicidade, mas os livros apócrifos ainda são usados para dar apoio a doutrinas extrabíblicas, tendo sido proclamados como livros de inspiração divina no Concílio de Trento. Outros grupos, como os anglicanos e várias igrejas ortodoxas, nutrem diferentes concepções a respeito dos livros apócrifos. A seguir apresentamos um resumo dos argumentos que em geral são aduzidos para a aceitação desses livros, na crença de que detêm algum tipo de canonicidade e suas respectivas refutações.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

1. Alusões no Novo Testamento. O Novo Testamento reflete o pensamento e registra alguns acontecimentos dos apócrifos. Por exemplo, o livro de Hebreus fala de mulheres que receberam seus mortos pela ressurreição (Hebreus 11.35), e faz referência a 2 Macabeus 7 e 12. Os chamados apócrifos ou pseudepígrafos são também citados em sua amplitude pelo Novo Testamento (Jd 14,15; 2Tm 3.8).

REFUTAÇÃO: Apela-se freqüentemente ao fato que o Novo Testamento usualmente emprega a tradução da LXX ao citar o Antigo Testamento. Portanto, já que a LXX continha os Apócrifos, decerto os Apóstolos do Novo Testamento reconheciam a autoridade da LXX inteira conforme então se constituía. Além disto, argumentam, é um fato que ocasionalmente apela-se a obras fora do “Cânone Palestiniano”. Wíldeboer’ e Torrey” colecionaram todas as instâncias possíveis de tais citações ou alusões a obras apócrifas, incluindo-se várias que apenas são hipotéticas. Mas toda esta linha de argumentos é realmente irrelevante para a questão em pauta, sendo que nem se alega que qualquer uma destas fontes seja proveniente dos Apócrifos Romanos.Na maioria dos casos as obras que supostamente foram citadas desapareceram há muito tempo – obras tais como o Apocalipse de Elias e a Assunção de Moisés (da qual sobrou um fragmento latino). Só num único caso, a citação de Enoque 1:9 em Judas 14-16, é que a fonte citada sobreviveu. Há citações de autores gregos pagãos, também no Novo Testamento. Em Atos 17:28, Paulo cita de Arato, Phaenomena, linha 5; em 1 Coríntios 15:33, cita da comédia de Menander, Thais. Certamente ninguém poderia supor que citações tais como estas estabelecem a canonicidade ou de Arato ou de Menander. Pelo contrário, o testemunho do Novo Testamento é muito decisivo contra a canonicidade dos quatorze livros Apócrifos. Demais disso, a alegação de que em muitas partes os escritos do Novo Testamento refletem influências dos livros Apócrifos, é deveras frágil demais para ser sustentada, pois se fosse assim, o livro de Enoque citado por Judas seria digno de muito mais crédito no sentido de canonicidade do que os Apócrifos romanos. Judas citada versículos inteiros deste livro, enquanto os Apócrifos adotados nas Bíblias romanas não aparece nenhuma vez com citações inteira ou em partes. Seguindo o mesmo raciocínio dos católicos poderíamos então canoniza-lo também! Então dizemos que virtualmente todos os livros do Antigo Testamento são citados como sendo divinamente autorizados, ou pelo menos há alusão a eles como tais. Embora acabe de ser esclarecido que a mera citação não estabelece necessariamente a canonicidade, é inconcebível que os vários autores do Novo Testamento pudessem ter considerado como canônicos os quatorze livros dos Apócrifos Romanos, sem ter feito uso deles em citações ou alusões.

OBJEÇÃO CATÓLICA:
2. Emprego que o Novo Testamento faz da versão Septuaginta. A tradução grega do Antigo Testamento hebraico, em Alexandria, é conhecida como Septuaginta (LXX). Foi a versão que Jesus usou e é a versão mais citada pelos autores do Novo Testamento e pelos cristãos primitivos. A LXX continha os livros apócrifos. A presença desses livros na LXX dá apoio ao cânon alexandrino, mais amplo, do Antigo Testamento, em oposição ao cânon palestino, mais reduzido que os omite
.
REFUTAÇÃO: Mas não é de modo nenhum certo que todos os livros na LXX foram considerados canônicos, mesmo pelos próprios judeus de Alexandria. Bem decisiva contra isto é a evidência de Filon de Alexandria (que viveu no primeiro século d.C.), assim como o judaísmo oficial em outros lugares e épocas. Apesar de ter citado freqüentemente os livros canônicos do “Cânone Palestiniano”, não faz uma citação sequer dos livros Apócrifos. Isto é impossível reconciliar com a teoria de um “Cânone Alexandrino” maior, a não ser que porventura alguns judeus de Alexandria não tivessem recebido este “Cânone Alexandrino” enquanto outros o reconheciam.
Em segundo lugar, relata-se de fontes fidedignas que a Versão Grega de Áquila foi aceita pelos judeus alexandrinos no segundo século d.C., apesar de não conter os livros Apócrifos. A dedução razoável desta evidência seria que (conforme o próprio Jerônimo esclareceu) os judeus de Alexandria resolveram incluir na sua edição do Antigo Testamento tanto os livros que reconheciam como sendo canônicos, como também os livros que eram “eclesiásticos” i,é., foram reconhecidos como sendo valiosos e edificantes, porém sem ser infalíveis.
Apoio adicional para esta suposição (que livros subcanônicos possam ter sido conservados e utilizados juntamente com os canônicos) foi recentemente descoberto nos achados da Caverna 4 de Cunrã. Ali, no coração da Palestina, onde seguramente o “Cânone Palestiniano” deve ter sido autoritativo, pelo menos dois livros Apócrifos se fazem representar – Eclesiástico e Tobias. Um fragmento de Tobias aparece num pedacinho de papiro, outro em couro; há também um fragmento em hebraico, escrito em couro. Vários fragmentos de Eclesiástico foram descobertos ali, e pelo menos na pequena quantidade representada, concordam bem exatamente com mss de Eclesiástico do século onze, descobertos na Genizá de Cairo na década de 1890. Quanto a isto, a Quarta Caverna de Cunrã também conservou obras pseudoepigráficas tais como o Testamento de Levi, em aramaico, o mesmo em hebraico, e o livro de Enoque (fragmentos de dez mss.diferentes!). Decerto, ninguém poderia argumentar com seriedade que os sectários tão estreitos de Cunrã consideravam como canônicas todas estas obras apócrifas e pseudoepigráficas só por causa de terem conservado cópias delas. A Palestina é que era o lar do cânon judaico, jamais a Alexandria, no Egito. O grande centro grego do saber pertencia no Egito, não tinha autoridade para saber com precisão que livros pertenciam ao Antigo Testamento judaico. Alexandria era o lugar da tradução apenas, não da canonização. O fato de a Septuaginta conter os apócrifo apenas comprova que os judeus alexandrinos traduziram os demais livros religiosos judaicos do período intertestamentário ao lado dos livros canônicos.

OBJEÇÃO CATÓLICA:
3. Os mais antigos manuscritos completos da Bíblia. Os mais antigos manuscritos gregos da Bíblia contêm os livros apócrifos inseridos entre os livros do Antigo Testamento. Os manuscritos Aleph (N), A e B, incluem esses livros, revelando que faziam parte da Bíblia cristã original.

REFUTAÇÃO: Isto, porém, é verdade apenas em parte. Certamente os Targuns aramaicos não os reconheceram. Nem sequer o Pesita siríaco na sua forma mais antiga continha um único livro apócrifo; foi apenas posteriormente que alguns deles foram acrescentados. Uma investigação mais cuidadosa desta reivindicação reduz a autoridade sobre a qual os Apócrifos se alicerçam a apenas uma versão antiga, a Septuaginta, e àquelas traduções posteriores (tais como a Itala, a Cóptica, a Etiópica, e a Siríaca posterior) que foram dela derivadas. Mesmo no caso da Septuaginta, os livros Apócrifos mantêm uma existência um pouco Incerta. O Códice Vaticano (“B”) não tem 1 e 2 Macabeus (canônicos segundo Roma), mas Inclui 1 Esdras (não-canônico segundo Roma). O Códice Sinaítico (“Alef”) omite Baruque (canônico segundo Roma), mas inclui 4 Macabeus (não-canônico segundo Roma). O Códice Alexandrino (“A”) contêm três livros apócrifos “não-canônicos”: 1 Esdras e 3 e 4 Macabeus. Então acontece que até os três mais antigos mss. da LXX demonstram considerável falta de certeza quanto aos livros que compõem a lista dos Apócrifos, e que os quatorze aceitáveis à Igreja Romana não são de modo algum substanciados pelo testemunho dos grandes unciais do quarto e do quinto séculos. Os escritores do Novo Testamento quase sempre fizeram citações da LXX, mas jamais mencionaram um livro sequer dentre os apócrifos. No máximo, a presença dos apócrifos nas Bíblias cristãs do século IV mostra que tais livros eram aceitos até certo ponto por alguns cristãos, naquela época. Isso não significa que os judeus ou os cristãos como um todo aceitassem esses livros como canônicos, isso sem mencionarmos a igreja universal, que nunca os teve na relação de livros canônicos.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

4. A arte cristã primitiva. Alguns dos registros mais antigos da arte cristã refletem o uso dos apócrifos. As representações nas catacumbas às vezes se baseavam na história dos fieis registrada no período intertestamentário.

REFUTAÇÃO: As representações artísticas não constituem base para apurar a canonicidade dos apócrifos. As representações pintadas nas catacumbas, extraídas de livros apócrifos, apenas mostram que os crentes daquela era estavam cientes dos acontecimentos do período ínter-testamentário e os consideravam parte de sua herança religiosa. A arte cristã primitiva não decide nem resolve a questão da canonicidade dos apócrifos.

OBJEÇÃO CATÓLICA:
5. Os primeiros pais da igreja. Alguns dos mais antigos pais da igreja, de modo particular os do Ocidente, aceitaram e usaram os livros apócrifos em seu ensino e pregação. E até mesmo no Oriente, Clemente de Alexandria reconheceu 2 Esdras como inteiramente canônico. Orígenes acrescentou Macabeus bem como a Epístola de Jeremias à lista de livros bíblicos canônicos.

REFUTAÇÃO: Muitos dos grandes pais da igreja em seu começo, dos quais Melito (190), Orígenes (253), Eusébio de Cesaréia (339), Hilário de Poitiers (366), Atanásio (373 d.C), Cirilo de Jerusalém (386 d.C), Gregório Nazianzeno (390), Rufino (410), Jerônimo (420), depuseram contra os apócrifos. Nenhuns dos primeiros pais de envergadura da igreja primitiva, anteriores a Agostinho, aceitaram todos os livros apócrifos canonizados em Trento. Então será mais correto dizer que alguns dos escritores cristãos antigos pareciam fazer isto.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

6. A influência de Agostinho. Agostinho (c. 354-430) elevou a tradição ocidental mais aberta, a respeito dos livros apócrifos, ao seu apogeu, ao atribuir-lhes categoria canônica. Ele influênciou os concílios da igreja, em Hipo (393 d.C.) e em Cartago (397 d.C.), que relacionaram os apócrifos como canônicos. A partir de então, a igreja ocidental passou a usar os apócrifos em seu culto público.

REFUTAÇÃO: O testemunho de Agostinho não é definitivo, nem isento de equívocos. Primeiramente, Agostinho às vezes faz supor que os apócrifos apenas tinham uma deuterocanonicidade (Cidade de Deus,18,36) e não canonicidade absoluta. Além disso, os Concílios de Hipo e de Cartago foram pequenos concílios locais, influenciados por Agostinho e pela tradição da Septuaginta grega. Nenhum estudioso hebreu qualificado teve presente em nenhum desses dois concílios. O especialista hebreu mais qualificado da época, Jerônimo, argumentou fortemente contra Agostinho, ao rejeitar a canocidade dos apócrifos. Jerônimo chegou a recusar-se a traduzir os apócrifos para o latim, ou mesmo incluí-los em suas versões em latim vulgar (Vugata latina). Só depois da morte de Jerônimo e praticamente por cima de seu cadáver, é que os livros apócrifos foram incorporaos à Vulgata latina. Além disso quando um antagonista apelou para uma passagem de 2 Macabeus para encerrar um argumento, Agostinho respondeu que sua causa era deveras fraca se tivesse que recorrer a um livro que não era da mesma categoria daqueles que eram recebidos e aceitos pelos judeus.
Esta defesa ambígua dos Apócrifos, da parte de Agostinho, é mais do que contrabalançada pela posição contrária adotada por Atanásio (que morreu em 365), tão reverenciado e altamente estimado tanto pelo Oriente como pelo Ocidente como sendo o campeão da ortodoxia trinitária. Na sua Trigésima Nona Carta, parágrafo 4, escreveu: “Há, pois, do Antigo Testamento vinte e dois livros”, e então relaciona os livros que são aqueles que se acham no TM (Texto Massorético), aproximadamente na mesma ordem na qual aparecem na Bíblia Protestante. Nos parágrafos 6 e 7 declara que os livros extrabíblico (Lê., os quatorze dos Apócrifos) não são incluídos no Cânone, mas meramente são “indicados para serem lidos”. Apesar disto, a Igreja Oriental mais tarde demonstrou uma tendência de concordar com a Igreja Ocidental em aceitar os Apócrifos (o segundo Concílio Trulano em Constantinopla, em 692). Mesmo assim, havia muitas pessoas que tinham suas reservas quanto a alguns dos quatorze, e finalmente, em Jerusalém, em 1672, a Igreja Grega reduziu o número de Apócrifos canônicos a quatro; Sabedoria, Eclesiástico, Tobias e Judite.OBJEÇÃO CATÓLICA:
7. O Concílio de Trento. Em 1546, o concilio católico romano do pós-Reforma, realizado em Trento, proclamou os livros apócrifos como canônicos, declarando o seguinte:
O sínodo [...] recebe e venera [...] todos os livros, tanto do Antigo Testamento como do Novo [incluindo-se os apócrifos] – entendendo que um único Deus é o Autor de ambos os testamentos [...] como se houvessem sido ditados pela boca do próprio Cristo, ou pelo Espírito Santo [...] se alguém não receber tais livros como sagrados e canônicos, em todas as suas partes, da forma em que têm sido usados e lidos na Igreja Católica [...] seja anátema.
Desde esse concílio de Trento, os livros apócrifos foram considerados canônicos, detentores de autoridade espiritual para a Igreja Católica Romana.

REFUTAÇÃO: A ação do Concílio de Trento foi ao mesmo tempo polêmica e prejudicial. Em debates com Lutero, os católicos romanos haviam citado Macabeus, em apoio à oração pelos modos (v. 2Macabeus 12.45,46). Lutero e os protestantes que o seguiam desafiaram a canonicidade desse livro, citando o Novo Testamento, os primeiros pais da igreja e os mestres judeus, em apoio. O Concílio de Trento reagiu a Lutero canonizando os livros apócrifos. A ação do Concílio não foi apenas patentemente polêmica, foi também prejudicial, visto que nem os catorze livros apócrifos foram aceitos pelo Concílio. Primeiro e Segundo Esdras (3 e 4 Esdras dos católicos romanos; a versão católica de Douai denomina 1 e 2Esdras, respectivamente, os livros canônicos de Esdras e Neemias) e a Oração de Manassés foram rejeitados. A rejeição de 2Esdras é particularmente suspeita, porque contém um versículo muito forte contra a oração pelos mortos (2Esdras 7.105). Aliás, algum escriba medieval havia cortado essa seção dos manuscritos latinos de 2Esdras, sendo conhecida pelos manuscritos árabes, até ser reencontrada outra vez em latim por Robert L. Bentley, em 1874, numa biblioteca de Amiens, na França.

CATÓLICOS CONTRA OS APÓCRIFOS?
Essa decisão, em Trento, não refletiu uma anuência universal, indisputável, dentro da Igreja Católica. Os católicos não foram unânimes quanto a inspiração divina nesses livros. Lorraine Boetner (in Catolicismo Romano) cita o seguinte: “O papa Gregório, o grande, declarou que primeiro Macabeus, um livro apócrifo, não é canônico. Nessa exata época (da Reforma) o cardeal Cajetan, que se opusera a Lutero em Augsburgo, em 1518, publicou Comentário sobre todos os livros históricos fidedignos do Antigo Testamento, em 1532, omitindo os apócrifos. Antes ainda desse fato, o cardeal Ximenes havia feito distinção entre os apócrifos e o cânon do Antigo Testamento, em sua obra Poliglota com plutense (1514-1517), que por sinal foi aprovada pelo papa Leão X. Será que estes papas se enganaram? Se eles estavam certos, a decisão do Concílio de Trento estava errada. Se eles estavam errados, onde fica a infalibilidade do papa como mestre da doutrina?. Tendo em mente essa concepção, os protestantes em geral rejeitaram a decisão do Concílio de Trento, que não tivera base sólida.

OBJEÇÃO CATÓLICA:

8. Uso não-católico. As Bíblias protestantes desde a Reforma com freqüência continham os livros apócrifos. Na verdade, nas igrejas anglicanas os apócrifos são lidos regularmente nos cultos públicos, ao lado dos livros do Antigo e do Novo Testamento. Os apócrifos são também usados pelas igrejas de tradição ortodoxa oriental.

REFUTAÇÃO: O uso dos livros apócrifos entre igrejas ortodoxas, anglicanas e protestantes foi desigual e diferenciado. Algumas os usam no culto público. Muitas Bíblias contém traduções dos livros apócrifos, ainda que colocados numa seção à parte, em geral entre o Antigo e o Novo Testamento. Ainda que não-católicos façam uso dos livros apócrifos, nunca lhes deram a mesma autoridade canônica do resto da Bíblia. Os não-católicos usam os apócrifos em seus devocionais, mais do que na afirmação doutrinária.

OBJEÇÃO CATÓLICA:
9. A comunidade do Mar Morto. Os livros apócrifos foram encontrados entre os rolos da comunidade do Mar Morto, em Qumran. Alguns haviam sido escritos em hebraico, o que seria indício de terem sido usados por judeus palestinos antes da época de Jesus.

REFUTAÇÃO: Muitos livros não-canônicos foram descobertos em Qumran, dentre os quais comentários e manuais. Era uma biblioteca que continha numerosos livros não tidos como inspirados pela comunidade. Visto que na biblioteca de Qumran não se descobriram comentários nem citações autorizadas sobre os livros apócrifos, não existem evidências de que eram tidos como inspirados. Podemos presumir, portanto, que aquela comunidade cristã não considerava os apócrifos como canônicos. Ainda que se encontrassem evidências em contrário, o fato de esse grupo ser uma seita que se separa do judaísmo oficial mostraria ser natural que não fosse ortodoxo em todas as suas crenças. Tanto quanto podemos distinguir, contudo, esse grupo era ortodoxo à canonicidade do Antigo Testamento. Em outras palavras, não aceitavam a canonicidade dos livros apócrifos.Resumo e conclusão
Resumindo todos esses argumentos, essa postura afirma que o amplo emprego dos livros apócrifos por parte dos cristãos, desde os tempos mais primitivos, é evidência de sua aceitação pelo povo de Deus. Essa longa tradição culminou no reconhecimento oficial desses livros, no Concílio de Trento, como se tivessem sido inspirados por Deus. Mesmo não-católicos, até o presente momento, conferem aos livros apócrifos uma categoria de paracanônicos, o que se deduz do lugar que lhes dão em suas Bíblias e em suas igrejas.
O cânon do Antigo Testamento até a época de Neemias compreendia 22 (ou 24) livros em hebraico, que, nas Bíblias dos cristãos, seriam 39, como já se verificara por volta do século IV a.C. As objeções de menor monta a partir dessa época não mudaram o conteúdo do cânon. Foram os livros chamados apócrifos, escritos depois dessa época, que obtiveram grande circulação entre os cristãos, por causa da influência da tradução grega de Alexandria. Visto que alguns dos primeiros pais da igreja, de modo especial no Ocidente, mencionaram esses livros em seus escritos, a igreja (em grande parte por influência de Agostinho) deu-lhes uso mais amplo e eclesiástico. No entanto, até a época da Reforma esses livros não eram considerados canônicos. A canonização que receberam no Concílio de Trento não recebeu o apoio da história. A decisão desse Concílio foi polêmica e eivada de preconceito, como já o demonstramos.
Que os livros apócrifos, seja qual for o valor devocional ou eclesiástico que tiverem, não são canônicos, comprova-se pelos seguintes fatos:

1. A comunidade judaica jamais os aceitou como canônicos.
2. Não foram aceitos por Jesus, nem pelos autores do Novo Testamento.
3. A maior parte dos primeiros grandes pais da igreja rejeitou sua canonicidade.
4. Nenhum concilio da igreja os considerou canônicos senão no final do século IV.
5. Jerônimo, o grande especialista bíblico e tradutor da Vulgata, rejeitou fortemente os livros apócrifos.
6. Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao longo da Reforma, Rejeitaram os livros apócrifos.
7. Nenhuma igreja ortodoxa grega, anglicana ou protestante, até a presente data,
reconheceu os apócrifos como inspirados e canônicos, no sentido integral dessas palavras.
À vista desses fatos importantíssimos, torna-se absolutamente necessário que os cristãos de hoje jamais usem os livros apócrifos como se foram Palavra de Deus, nem os citem em apoio autorizado a qualquer doutrina cristã. Com efeito, quando examinados segundo os critérios elevados de canonicidade, estabelecidos, verificamos que aos livros apócrifos falta o seguinte:
1. Os apócrifos não reivindicam ser proféticos.
2. Não detém a autoridade de Deus. O prólogo do livro apócrifo Eclesiástico (180 a.C.)
diz:
“Muitos e excelentes ensinamentos nos foram transmitidos pela Lei, pelos profetas, e por outros escritores que vieram depois deles, o que torna Israel digno de louvor por sua doutrina e sua sabedoria, visto não somente os autores destes discursos tiveram de ser instruídos, também os próprios estrangeiros se podem tomar (por meio deles) muito hábeis tanto para falar como para escrever. Por isso, Jesus, meu avô, depois de se ter aplicado com grande cuidado à leitura da Lei, dos profetas e dos outros livros que nossos pais nos legaram, quis também escrever alguma coisa acerca da doutrina e sabedoria…Eu vos exorto, pois a ver com benevolência, e a empreender esta leitura com uma atenção particular e a perdoar-nos, se algumas vezes parecer que, ao reproduzir este retrato da soberania, somos incapazes de dar o sentido (claro) das expressões.” Este prólogo é um auto-reconhecimento da falibilidade humana.
3. Contêm erros históricos (v. Tobias 1.3-5 e 14.11) e graves heresias, como a oração pelos mortos (2Macabeus 12.45,46; 4).
4. Embora seu conteúdo tenha algum valor para a edificação nos momentos devocionais, na maior parte se trata de texto repetitivo; são textos que já se encontram nos livros canônicos.
5. Há evidente ausência de profecia, o que não ocorre nos livros canônicos.
6. Os apócrifos nada acrescentam ao nosso conhecimento das verdades messiânicas.
7. O povo de Deus, a quem os apócrifos teriam sido originalmente apresentados, recusou-os terminantemente.
A comunidade judaica nunca mudou de opinião a respeito dos livros apócrifos. Alguns cristãos têm sido menos rígidos e categóricos; mas, seja qual for o valor que se lhes atribui, fica evidente que a igreja como um todo nunca aceitou os livros apócrifos como Escrituras Sagradas.
“Eis as razões porque definitivamente rejeitamos os Apócrifos”
*Este estudo foi fruto de várias pesquisas em livros, enciclopédias, manuais, léxicos, dicionários e internet. Compilados e adaptados pela equipe editorial do C.A.C.P.

1. Merece Confiança o Antigo Testamento?, Gleason L. Archer. Jr. Ed. Vida Nova.
2. Introdução Bíblica, Norman Geisler e William Nix. Ed. Vida.
3. Panorama do Velho Testamento, Ângelo Gagliardi Jr. Ed. Vinde.
4. O Novo Comentário da Bíblia vol I, vários autores. Ed. Vida Nova.
5. Evidência Que Exige um Veredito vol I, Josh McDowell. Ed. Candeia.
6. Os Fatos sobre “O Catolicismo Romano”, John Ankerberg e John Weldon. Ed. Chamada da Meia-Noite.
7. O Catolicismo Romano, Adolfo Robleto. Ed. Juerp.
8. Estudos particulares de, Pr. José Laérton – IBR Emanuel – (085) 292-6204.(internet)
9. Estudos particulares de, Paulo R. B. Anglada.(internet)
10. Teologia Sistemática, Green. Ed. Vida Nova.
11. Anotações particulares do autor. Presb. Paulo Cristiano


          Os livros apócrifos: eles são parte das escrituras?

Os livros apócrifos são uma série de livros, escritos aproximadamente entre 400 A.D e o tempo de Cristo. A palavra “apocrypha” (απόκρυφα) significa “oculto, secreto”. Esses livros são: 1 e 2 Esdras, Tobias, Judite, adições em Ester, o Sabedoria de Salomão, Sabedoria de Jesus ben Siraque (ou Eclesiástico), Baruc, Casta Susana, Bel e o dragão, adições em Daniel, a Prece de Manassés, e 1 e 2 Macabeus.
A Igreja Protestante rejeita os livros apócrifos como livros inspirados, assim como os judeus. Porém, em 1546 a Igreja Católica Romana declarou oficialmente que alguns dos livros apócrifos fazem parte do canon das Escrituras. Esses seriam: Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Livro da Sabedoria (de Salomão), Sabedoria de Jesus bem Siraque(ou Eclesiástico), e Baruc. Os livros apócrifos foram escritos em grego, e não em hebraico (exceto por Eclesiástico, 1 Macabeus, uma parte de Judite e uma parte de Tobias), e contém informações históricas importantes.
Os livros apócrifos fazem parte das Escrituras? Os protestantes negam que estes livros são inspirados, mas a Igreja Católica Romana os afirma como tal. Precisamos examiná-los, portanto, para saber a resposta.

Não são citados no Novo Testamento
Em primeiro lugar, Jesus e os apóstolos nunca fizeram citações diretas aos livros apócrifos. Existem mais de 260 citações ao Velho Testamento no Novo Testamento, e nenhuma delas é uma citação a um desses livros. Porém, um católico romano poderia responder a esse argumento dizendo que “existem vários livros no Velho Testamento que não são citados no Novo Testamento. Josué, Juízes e Ester são exemplos disso. Isso significa que eles não são inspirados também?” Porém, esses livros já tinham sido aceitos como parte do canon pelos Judeus, enquanto os livros apócrifos não. Os judeus reconheceram o canon do Velho Testamento, e eles não incluiram os livros apócrifos. Isso é importante por causa do que Paulo diz:
“Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus.” (Rm 3.1-2).
Paulo nos diz que aos judeus foram confiados os oráculos de Deus. Isso significa que foram eles que reconheceram quais eram as Escrituras inspiradas, e eles nunca aceitaram os livros apócrifos.

Jesus faz referência ao Velho Testamento: de Abel a Zacarias
Jesus fez referência ao canon judaico do Velho Testamento do começo ao fim, e não incluiu os livros apócrifos na Sua referência. “Desde o sangue de Abel até ao de Zacarias, que foi assassinado entre o altar e a casa de Deus. Sim, eu vos afirmo, contas serão pedidas a esta geração.” (Lucas 11.51).
“O canon judaico tradicional era dividido em três seções (a Lei, os Profetas e outros escritos). Uma característica da última seção era a listagem de Crônicas fora da ordem histórica, sendo este livro colocado depois de Esdras-Neemias, e ocupando portanto a posição de último livro do canon. Tendo isso em vista, as palavras de Jesus em Lucas 11.50-51 refletem o caráter do canon judaico
(com sua ordem peculiar), já ‘fechado’ nos Seus dias. Cristo utiliza a expressão “Desde o sangue de Abel até ao de Zacarias”, o que parece problemático cronologicamente, uma vez que Zacarias não era o último mártir mencionado na Bíblia (cf. Jeremias 26.20-23). Porém, Zacarias foi o último mártir sobre o qual lemos no Velho Testamento, de acordo com a ordem canônica judaica (cf II Crônicas 24:20-22), fato que aparentemente foi reconhecido por Jesus e seus ouvintes.”1
Isso significa que o canon judaico do Velho Testamento, de acordo com a tradição judaica, é ordenado de forma diferente da que temos em nossas Bíblias protestantes. Era a essa ordenação e arranjo que Jesus estava se referindo quando ele referenciou Abel e Zacarias, a primeira e a última pessoa a ter o seu sangue derramado — como listado no canon judaico do Velho Testamento. Obviamente, Jesus sabia que os livros apócrifos não estavam incluídos nessa referência.

Jesus faz referência ao Velho Testamento: a Lei, os Profetas e os Salmos
Católicos costumam responder dizendo que o Velho Testamento é referenciado em três partes: A Lei, os Profetas e outros escritos. É nesses outros escritos que eles costumam dizer que estão incluídos os livros apócrifos. Porém, essa designação não é encontrada na Bíblia. Pelo contrário, Jesus fez referência ao Velho Testamento, e designou as suas três partes como a Lei, os Profetas e os Salmos, e não como a Lei, os Profetas e outros escritos.  “A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.” (Lucas 24:44)
Podemos ver, portanto, que a designação dada por católicos romanos não é a mesma designação encontrada na Bíblia, fazendo portanto o argumento ser inválido e incorreto. Porém, mesmo se a Bíblia dissesse ‘outros escritos’, os apócrifos não estariam incluídos pelos motivos mencionados acima.

Os Pais da Igreja
Os Pais da Igreja reconheciam os livros apócrifos como parte das escrituras? Católicos romanos apelam fortemente para a história da igreja, mas nós não conseguimos encontrar um consenso unânime em relação aos apócrifos. Jerônimo (320-420), que traduziu a Vulgata que é usada pela Igreja Católica Romana, rejeitou os livros apócrifos, uma vez que ele acreditava que os judeus reconheceram e estabeleceram o canon correto do Velho Testamento. Lembre-se, a Igreja Cristã construiu muito em cima desse reconhecimento. Além disso, Josefo (o famoso historiador judaico do primeiro século) também nunca mencionou os apócrifos como sendo parte do canon. Mais ainda, “os Pais da igreja como Orígenes, Cirilo de Jerusalém, Atanásio, e o grande tradutor católico romano Jerônimo se pronunciaram contra os liros apócrifos.”2 Logo, não devemos concluir que os Pais da Igreja afirmavam unanimemente os livros apócrifos como parte das escrituras.
Eles não o fizeram.
1.http://www.reformed.org/master/index.html?mainframe=/bible/bahnsen_canon.html
2.http://www.inplainsite.org/html/apocrypha.html
Extraído do site http://carm.org no dia 13/05/2013


                               Erros nos livros apócrifos

Os livros apócrifos (απόκρυφα significa “oculto, secreto”) são livros escritos aproximadamente entre 400 A.D e o tempo de Cristo. São livros que são rejeitados pelos protestantes, e que foram aceitos oficialmente em 1546 pela Igreja Católica Romana como sendo livros inspirados. Esses livros são Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria de Salomão, Sabedoria de Jesus ben Siraque (também conhecido como Eclesiástico), e Baruc.
Porem, se os livros apócrifos são parte das Escrituras, eles não podem conter erros. Uma vez que eles têm erros, como demonstrado abaixo, a autoridade auto-proclamada da Igreja Católica Romana sobre o ensino é questionável. Se ela erra em algo tão importante quanto as Escrituras, ela merece confiança suficiente para ser quem ensina a Igreja Cristã de forma adequada? As referências a seguir podem ser verificadas em http://www.bibliacatolica.com.br/

Problemas nos livros apócrifos
Quanto olhamos nas páginas dos livros apócrifos, encontramos vários problemas. Por exemplo, nós os vemos defendendo o uso de magia, onde a fumaça de um coração de peixe sobre brasas expulsa maus espíritos.

Permitem o uso de magia
Tobias 6:4-8,  “O anjo disse-lhe: Pega-o pelas guelras e puxa-o para ti. Tobias assim o fez. Arrastou o peixe para a terra, o qual se pôs a saltar aos seus pés. 5. O anjo então disse-lhe: Abre-o, e guarda o coração, o fel e o fígado, que servirão para remédios muito eficazes. Ele assim o fez. 6. A seguir ele assou uma parte da carne do peixe, que levaram consigo pelo caminho. Salgaram o resto, para que lhes bastasse até chegarem a Ragés, na Média. 7. Entretanto, Tobias interrogou o anjo: Azarias, meu irmão, peço-te que me digas qual é a virtude curativa dessas partes do peixe que me mandaste guardar. 8. O anjo respondeu-lhe: Se puseres um pedaço do coração sobre brasas, a sua fumaça expulsará toda espécie de mau espírito, tanto do homem como da mulher, e impedirá que ele volte de novo a eles.”
É verdade que a fumaça vinda de um coração de peixe sendo queimado expulsa espíritos malignos? Claro que não. Esse tipo de ensinamento supersticioso não tem lugar na Palavra de Deus.

Ensina o perdão dos pecados através de esforços humanos
Salvação por obras:
Tobias 4:11, “Porque a esmola livra do pecado e da morte, e preserva a alma de cair nas trevas.”
Tobias 12:9, “Porque a esmola livra da morte: ela apaga os pecados e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna;”
Dinheiro como oferenda pelos pecados dos mortos:
2 Macabeus 12:43-44, “Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, 44. porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles.”
Alguém pode realmente aceitar que dinheiro é uma oferenda pelas pecados de pessoas mortas? Esse tipo de ensinamento supersticioso não tem lugar na palavra de Deus.

Erros Históricos
Judite 1:5, “Ora, no décimo segundo ano de seu reinado, Nabucodonosor, que reinava sobre os assírios em Nínive, a grande cidade, fez guerra a Arfaxad, e venceu-os”.
Baruc 6:2, “Quando chegardes a Babilônia, será para ficardes lá por muito tempo, durante longos anos, até sete gerações. Depois disso, porém, farei com que volteis em paz.”
O livro de Judite ensina que Nabucodonosor era o rei dos assírios, sendo que na verdade ele era o rei da Babilônia.
Baruc 6:2 diz que os judeus serviriam na Babilônia por sete gerações, enquanto Jeremias 25:11 nos diz que foram 70 anos. “Toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto; estas nações servirão ao rei da Babilônia setenta anos.”

Conclusão

É óbvio que os livros apócrifos têm sérios problemas. De magia e salvação por obras até dinheiro sendo oferecido pelos pecados dos mortos, e fatos históricos claramente incorretos, eles estão cheios de ensinamentos falsos e não bíblicos. Eles não são inspirados por Deus. Da mesma forma, a Igreja Católica Romana, que declaro que os livros apócrifos são inspirados, também não é inspirada por Deus. Isso mostra que a Igreja Católica Romana não é o meio pelo qual Deus está comunicando sua verdade ao seu povo, que o Magistério errou muito, e que a Igreja Católica Romana está cheia de tradições falsas de homens, ao invés da verdade absoluta de Deus.

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