sexta-feira, 31 de outubro de 2014

AS DISPENSAÇÕES BIBLICAS


                                        AS DISPENSAÇÕES BIBLICAS                                 
                                                 O SÉCULO ANTE-DILUVIANO

Este período de tempo, de duração incerta, estendeu-se desde a criação do ser humano até o Dilúvio nos dias de Noé. O período divide-se em duas Dispensações, a dispensação da Inocência e a da Consciência. Como já verificamos em capítulo anterior, uma dispensação é um período probatório ou moral. Deus constituiu o homem dotado de livre arbítrio e é necessário que a sua vontade "seja provada, para verificar se de fato ele serve a Deus por amor â Sua Pessoa ou não. Em Ap 4.11 lemos, "Tu és digno, senhor nosso e Deus nosso, de receber a glória e a honra e o poder, porque tu criaste todas as coisas, e pela tua vontade existiram, e foram criadas." Nessa expressão se vê o verdadeiro propósito de Deus em ter criado o mundo sobre o qual Jesus reinará eternamente e do qual será excluído tudo que não se harmonizar com Deus. "O grande propósito da existência do homem é glorificar à Deus e regozijar-se nEle para sempre", afirma o Catecismo de Westminster. Em Isaías 66.12 e 57.15 lemos que Deus Se deleita com os filhos dos homens. Mas Satanás, que fracassou em sua prova (Isaías 14.12-16; Ez 28.,12-15), é o inimigo de Deus e procura destruir os Seus planos. Por tudo isso, o homem, a nova criação de Deus precisa passar pela dita prova.

Nota-se que em certos pontos principais as dispensações têm alguma semelhança entre si. Em cada uma há uma "palavra-chave" que revela a condição moral durante o respectivo período. Cada dispensação demonstra claramente o propósito de "Deus, e cada urna inicia-se com uma nova revelação dEle. Cada dispensação também manifesta a desobediência do homem para com essa revelação e bem assim a separação entre os obedientes e os desobedientes no fim do período. Nota-se uma degeneração moral na linhagem ímpia e por fim a extinção completa da separação entre a linhagem ímpia e a piedosa. Daí resulta a apostasia quase total, e conseqüente juízo divino.
Em conjunto com as dispensações verifica-se a presença das grandes alianças ou pactos entre Deus e os homens. Essas constituem em cada caso a nova revelação de Deus e a nova prova à qual o homem é submetido.Todo o tempo facultado ao homem é dividido em sete dispensações, as quais são: Inocência, Consciência, Governo Humano, Patriarcal, Lei, Graça e Milênio. Grandes crises da historia assinalam as conjunturas dessas dispensações, por exemplo, a Queda do homem, o Dilúvio, a Chamada de Abraão, o Êxodo do Egito, o Primeiro Advento de Cristo ao mundo, o Segundo Advento de Cristo, e o Juízo do Grande Trono Branco.

A. A Dispensação da Inocência.


A Posição do Homem. 1.

 A palavra chave é INOCÊNCIA. Deus criou o homem como a coroa e glória de toda a criação, em Sua própria imagem, para ser ele o regente e cabeça da criação perfeita do mundo edênico. Gn 1.26,28. Mas Cristo é a "expressão exata do Seu Ser" e a "imagem do Deus invisível". Hb 1.3 e Cl 1.15. Cristo é a imagem de Deus e o homem foi feito à imagem de Deus. Essas expressões nos dão a entender que o homem foi criado em Cristo, a eterna imagem de Deus, e formado segundo Ele, a eterna semelhança ou representação visível de Deus.
Cristo é o original e Adão a cópia." W.C. Stevens. Adão foi feito do pó da terra, consoante o Filho de Deus, embora Esse ainda não se tivesse encarnado. Cristo iria reinar sobre a criação através do Seu representante, o homem. Lc 3.38. Havia íntima comunhão entre Deus e o homem, pois notamos que Deus "andava no jardim pela viração do dia". Gn 3.8.

"O homem foi dotado de inteligência perfeita e capacidade para poder administrar o mundo segundo a mente de Cristo. Deu nomes aos animais, sendo orientado por uma intuição dos propósitos divinos a seu respeito. Dispensava perfeitamente todos os meios comuns da ciência, como sejam livros e escolas e a experiência. O homem sabia por intuição e não por processos didáticos". Stevens. Concluímos, pensando que o primeiro homem era perfeito física, mental e moralmente. Em Rm 3.23 descobrimos que ele tinha a glória de Deus.
Sobre a criação da mulher, comenta Mathew Henry, "A mulher foi feita, não da cabeça do homem, para ultrapassá-lo; nem do seu pé para ser pisoteada por ele, e, sim, do seu lado para ser igual a ele, e de sob o seu braço para ser amparada por ele, e de perto do coração para ser amada por ele."
Ambos eram vestidos de luz, como se prova pela descrição do homem restaurado. Mt 13.43; Dn 12.3; Rm 8.18; Sl 104.2.

2. A Aliança Edênica. Gn 2.16,17.

Por essa aliança Deus concedeu ao homem plena inteligência, intuição e capacidade administrativa, pelas quais regeria toda a criação na qualidade de responsável perante Deus.
Certas obrigações foram impostas ao homem, como sejam; 1) ocupar a terra; 2) comer somente de ervas e frutas; 3) guardar o Jardim do Éden; e 4) abster-se de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Era necessária essa proibição única, uma vez que o homem tinha livre arbítrio. A escolha seria o meio de provar essa liberdade. Sua foi a opção de obedecer ou desobedecer a Deus. Contudo, Adão foi muito bem advertido sobre as conseqüências más, caso desobedecesse. "... no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Gn 2.17.

3. A Falha do Homem. Gn 3.1-9; I Tm 2.13,14.

Depois de certo tempo entrou no paraíso edênico aquele elemento estranho, Satanás, cujo único motivo era introduzir confusão no ambiente de paz. Aproveitando-se da serpente, a mais sagaz das criaturas do Jardim, conseguiu o seu intento maligno.
O ardil usado por ele foi a dúvida que conseguiu introduzir na mente da mulher, por meio de insinuação muito disfarçada. "É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?" perguntou ele. "Será possível que Deus faria uma coisa dessas, proibir a vocês de comer duma árvore neste jardim?" foi sua interrogação maliciosa. Mas Eva não foi obrigada a aceitar essa calúnia venenosa. Ela deveria ter terminado logo a conversa tendenciosa contra a Pessoa do Criador. A sua resposta, "Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dela não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais", deixa bem claro que não somente ela havia aceitado a sua sugestão, mas o veneno já se espalhava em seu coração. A dúvida sobre a Palavra de Deus conduz à distorção dessa Palavra.
 Por isso ela acrescentou a frase "nem nele tocareis". Ela duvidou da asserção divina, "certamente morrereis" e a mudou para dizer "para que não morrais". Assim ela, infelizmente, deu ouvido a esse ser abjeto e estranho que maliciosamente falou do Criador, daquele que tudo sustenta, e que é o nosso Amigo. O ato de tomar aquele fruto serviu de prova que ela acreditava na palavra de Satanás e duvidou da bondade de Deus. Essa condição espiritual e pecaminosa o casal transmitiu à sua posteridade. Foi o grande pecado de todos os séculos. Verificamos ainda os passos que o homem deu em sua queda. Estes são: 1) ver; 2) cobiçar; 3) tomar; 4) esconder-se; 5) transmitir; e 6) morrer. É o caminho em que todos os pecadores andam. Veja Josué 7.21, o caso de Acã. "Nenhum homem vive para si" e, claramente, se vê esta verdade no caso de Eva, como a mesma levou o marido, Adão, à ruína. Seu pecado foi duplo e ela tem sofrido as maiores conseqüências desse pecado.


4. Os Resultados da Queda.

Como resultado da queda o homem teve: 1) Conhecimento do mal. Antes da queda o homem era capaz de pecar, contudo, desconhecia os efeitos que isso provocaria. Ao desobedecer, ele adquiriu esse conhecimento do pecado, e por essa razão foi-lhe proibido comer do fruto dessa árvore do conhecimento do bem e do mal. Gn 3.22. 2) A Perda da Comunhão com Deus. Havendo quebrado à lei de Deus, o homem sentiu-se envergonhado na Sua presença. Essa vergonha destruiu a comunhão com Deus, causando um grave prejuízo. 3) Separou-se de Cristo. Até então Adão havia sido sustentado pela fé na Palavra de Deus. "Não só de pão viverá o homem, mas dé toda palavra que procede da boca de Deus." Mt 4.4. Portanto, quando o homem rejeitou a Palavra de Deus, que lhe era o Pão da vida, ele perdeu essa vida espiritual em Cristo. Cumpriu-se o solene aviso, "no dia em que dela comeres, certamente morrerás". Gn 2.17. Não foi Deus quem os fez morrer em conseqüência do seu pecado. Foi simplesmente o caso da vida eterna que estava neles ficar extinta, automaticamente, por causa da recusa de continuar a alimentar-se com o Pão da vida. O homem torna-se morto em seus delitos e pecados. Foi o mais desastroso dos resultados da queda. 4) O Espírito do homem ficou em estado de morte. O espírito ao homem e vivificado pela vida que Cristo lhe comunica. Rm 8.9,16. Destituído do Espírito Santo, o espírito do homem passa ao estado de "morte" espiritual. Foi o caso de Adão e Eva. 5) A Perversão da Natureza Moral. No lugar da pureza de coração e da perfeição moral, que caracterizavam o homem no Éden, entraram o pecado e a perversão moral. 6) O corpo ficou'sujeito às Enfermidades que no fim resultou na morte "física e conseqüente corrupção. 7) Tornou-se escravo do Pecado e de Satanás. Uma vez que o homem rejeitou a Palavra de Deus e aceitou a palavra do inimigo, naturalmente tornou-se escravo do pecado e do diabo, seu novo "pai". João 8.34,44. A regência do mundo passou das mãos do homem para o Diabo. Adão assim perdeu a sua posição de superintendente do Jardim do Éden, sendo expulso dali. 8) Outros resultados funestos. Foi que o homem perdeu muito de sua inteligência e capacidade administrativa. Ele foi condenado a ganhar o seu sustento através de árduo labor.
 Gn 3.19. A própria terra foi amaldiçoada por sua causa. A tristeza seria o companheiro constante do homem em toda a sua jornada. E além disso, ainda perdeu as vestimentas gloriosas com que estava originalmente revestido e fugiu da presença de Deus, envergonhado.

5. A Sorte da Mulher.

Gn3.16. Além das conseqüências más sobre o casal em geral, a mulher sofreu uma maldição tríplice: a concepção multiplicada, um aumento de dores durante a maternidade e a sujeição ao domínio do homem.
6. A maldição sobre a Serpente. Gn 3.14,15.

A serpente recebeu pior maldição do que qualquer outro animal - foi condenada a rastejar-se sobre o ventre e a comer o pó da terra. Haveria guerra perpétua entre ela e o homem, a serpente lhe feriria o calcanhar e ela lhe esmagaria a cabeça. Entendemos que essa é uma profecia referente a Cristo que esmagou a cabeça de Satanás, destruindo-o para sempre.

7. Vedado o Caminho da Árvore da Vida. Gn 3.24.

Foi por misericórdia que Deus expulsou Adão e Eva do Jardim e proibiu a sua aproximação da árvore da vida, pois se tivessem comido dessa árvore amargariam uma existência eterna no triste estado em que se encontravam. Era preferível estarem sujeitos à morte física, pois a mesma serve para conduzir os homens a Cristo.

8. Um Raio de Esperança. Gn 3.15.

Esta promessa pode ser chamada de "proto-evangelho", pois Deus prometeu a Semente da mulher, que dela mesma, nasceria aquele capaz de esmagar a cabeça da serpente, isto é, Jesus Cristo, o Redentor, que venceria Satanás. É a primeira das grandes promessas messiânicas.
O tipo bíblico desta vitória aparece no ato de Deus sacrificar um animal para prover as túnicas com que cobrir a nudez de Adão e Eva. É um belo tipo de Jesus, o Cordeiro de Deus, que nos proveu uma cobertura para o nosso pecado.

 A Dispensação da Consciência. Gn 3.1 a 8.14.

1. A Duração desta dispensação é de cerca de 1656 anos, abrangendo o período desde a queda do homem até ao Dilúvio.

2. A Condição do Homem.

A palavra chave: CONSCIÊNCIA. Havendo perdido a filiação de Deus e estando separado daquela vida que vem do Criador, e tendo recebido em seu ser o veneno do pecado (o espírito que agora opera nos filhos da desobediência, Ef 2.2), e estando sujeito a Satanás, o homem partiu do Éden em condições bem diferentes das anteriores. Agora o mundo está sob maldição. O homem havia perdido a inocência e pureza da mente e da vida; tornou-se então "como deuses", por estar em comunhão com o "deus deste mundo". II Co 4.4. Agora ele conhece a diferença entre o bem e o mal, mas isso já não lhe traz vantagem alguma. Perdeu a comunhão com Deus; não está mais "em Cristo", alienou a capacidade do conhecimento espiritual. Foi prejudicado no espírito, alma, e corpo, mas uma coisa reteve - a sua livre e espontânea vontade, pela qual poderia escolher entre o bem e o mal. Permaneceu tal qual era antes, um ser livre e responsável perante Deus, por sua maneira de agir.

3. A Aliança Adâmica.

Da parte de Deus essa aliança celebrada no Éden foi a solução divina para o problema do pecado que surgiu como conseqüência da queda. Antes disso não havia logicamente sacrifício pelo pecado. Deus proveu uma oferta pela qual o homem poderia reencontrar a pureza e a comunhão com Deus. I João 1.3,7. A liberdade da morte e a regência do mundo foram incluídas neste plano. I Co 15.26; Mt 5.5; Ap 5.10. Essa provisão era o Cordeiro de Deus, morto desde a fundação do mundo. Ap 13.8. "Eis que o pecado (ou seja a oferta pelo pecado) jaz à porta". Gn 4.7. Deus falou isso a Caim. A primeira família, assim ensinada por Deus, entendia isso perfeitamente e manteve esse costume de oferecer sacrifícios expiatórios, de animais, sobre altares de pedra. Sete, Enoque, Noé e outros da linhagem piedosa mantiveram vivo esse testemunho de fé durante todo o período ante-diluviano, de mais de 1 500 anos. Hb 11.4-7.
A maneira correta para o homem expressar o desejo de entrar em comunhão com Deus era aceitar o caminho da redenção, provida por Deus na instituição de sacrifícios de sangue. Gn 3.21; 4.3,4. "Pela fé Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim..." Hb 11.4. "E assim, a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo". Rm 10.17. Isso significa então que Abel ouviu a Palavra de Deus (Gn 3.15), transmitida por seu pai, Adão, e que creu, demonstrando a sua fé na oferta de sangue, que era um tipo do Grande Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. João 1.29.

4. Duas Atitudes Para Com a Provisão Divina.

 Abel, pela oferta de sangue, mostrou penitência e um desejo de aproximar-se de Deus. Era um homem de fé em Deus e obediência ao Caminho do Senhor. Gn 4.4; Hb 11.4.
Caim, pela oferta, destituída de fé, dos frutos do campo que cultivava, demonstrou um espírito de autoconfiança e rebelião, desprezando o Redentor, Cristo, como se pudesse prescindir dele.
"Assim já naquele tempo remoto os homens se dividiram em duas classes distintas - uma evangélica e a outra racionalista, uma penitente e a outra impenitente, a classe crente e a que procurou estabelecer a sua própria justiça por meio de obras; a trinitária e a unitária, uma que tem o testemunho de Deus quanto à sua filiação, através da regeneração, e outra que se considera como 'filhos de Deus' quando na realidade são filhos de Satanás." Stevens.
Deus aprovou a oferta de Abel. Hb 11.4. E Caim com isso se irou, grandemente enciumado, pois percebeu que Abel poderia substituí-lo no favor divino, talvez pensando em seus direitos de primogenitura. Deus ainda tentou arrazoar com Caim, procurando acalmá-lo e exortando-o a ainda nessa hora buscar uma oferta de sangue que jazia à porta. Caim recusou essa sugestão e por ser vaidoso e auto-suficiente, ele mais tarde assassinou seu irmão Abel, crime que foi punido por Deus, sendo o réu banido daquelas partes, sob maldição.

5. A Linhagem ímpia a sua Civilização.

 Caim foi o primeiro a construir cidades e o primeiro a glorificar o nome do homem. Gn 4.17. Ele fundou uma civilização e seus descendentes ocuparam-se em desenvolver os recursos naturais, as utilidades e as artes estéticas.
Jabal, um dos filhos de Lameque distinguiu-se como sendo o primeiro homem a ocupar-se da pecuária e a adotar uma vida nômade habitando em tendas. Talvez em desafio ao mandamento de Deus, teria introduzido na dieta o uso de carne e de leite, com a intenção de escapar ao duro trabalho de lavrar a terra. Seja como for, havia a grande tendência de procurar os confortos e prazeres da vida.
Jubal, outro filho de Lameque, foi o inventor de instrumentos musicais. A música é do Senhor e haverá maravilhosas harmonias no céu, mas aqui no cap. 4 de Gênesis trata-se da linhagem ímpia de Caim. Esses homens, Jabal, Jubal e Tubal-Caim eram todos homens ímpios (4.26); conseqüentemente, vemos o emprego errado de coisas boas em si. Jubal não procurava glorificar a Deus com a música, e, sim, pela música marear os sentimentos do homem para com Deus e impedilo de meditar nas coisas puras. Pember. Sem dúvida há muita música em nossos dias, excitante e carnal e que traz condenação.
Lameque foi o primeiro polígamo, isto é, possuiu mais de uma mulher. Recolhemos impressões acerca do espírito orgulhoso e blasfemo desse homem pelo discurso que fez às suas mulheres em Gn 4.23,24. O Sr. Pember sugere que esse discurso talvez fosse uma canção ou modinha popular entre os antediluvianos. O sentido provavelmente foi o seguinte: Lameque havia brigado com um rapaz e saiu ferido. Mas vingou-se, matando-o. Embora Deus tenha prometido vingança sete vezes contra quem matasse Caim', Lameque fez saber que a vingança seria setenta e sete vezes contra quem apenas ferisse Lameque! Que "valentão" esse Lameque!
"Tubal-Caim era fabricante de artefatos de ferro e cobre. Possivelmente foi o primeiro homem a forjar armas bélicas desses materiais. Aprendemos em Gn 6.13 que a terra se encheu de violência. Isso indica a orgia de crimes, homicídios e obras iníquas que se manifestavam naqueles tempos". Pember.
Os Cainitas, homens inquietos e separados de Deus, esforçaram-se em fazer de sua terra no exílio uma terra agradável, um paraíso artificial, em vez de aguardar com paciência o verdadeiro 'Jardim' de delícias. Tudo fizeram para aliviar os efeitos da maldição divina que pesava sobre eles, em vez de procurar a direção espiritual do Senhor." Pember.
A posição proeminente das Mulheres é notada em Gn 4.19,22. O nome Ada significa "adorno" e "beleza". Zilá significa "sombra" e Naamás significa "esbelta". Não duvidamos que tais nomes lhes fossem dado para destacar a beleza física e o "charme" das mulheres antediluvianas. Na linhagem de Sete não há qualquer menção a mulheres. Tais fatos fazem lembrar a civilização moderna que também está explorando muito os atrativos femininos, por exemplo, em concursos de beleza, nos bailes, cinema e modas, e nos meios publicitários.

6. A Linhagem Piedosa de Sete. Gn 4.25; a 5.32.

 "Se ele e seus descendentes eram homens de Deus, como se vê em Gn 4.26, mal se começou a invocar o nome do Senhor'. Enoque, o sétimo depois de Adão, é focalizado como um homem de Deus e por seu fiel andar com Deus, foi arrebatado do meio da impiedade prevalecente nos dias anteriores ao Dilúvio. Ele entrou na história como o tipo dos vencedores dos últimos dias que escaparão aos juízos e à Grande Tribulação que sobrevirão à terra.
Como a posteridade de Sete é diferente da de Caim! Não se nota aquelas invejas, brigas, licenciosidade e violência tão generalizadas na outra linhagem. Parados são os barulhos de gado e das músicas profanas que serviam para cauterizar a consciência dos ímpios. Não se notam o tinir da bigorna ou a gabolice dos jactanciosos, e aquele rumor dum mundo que vive sem Deus e falsamente se esforça para livrar-se dos efeitos da maldição divina.
Muito ao contrário, vemos um povo pobre e pacato, trabalhando diariamente na lavoura, conforme a ordem do Senhor, e pacientemente esperando a Sua misericórdia. Nos dias de Enos, a distinção entre as duas linhagens tornou-se tão nítida que os homens da fé começaram a chamar-se pelo nome do Senhor. Gn 4.26; Cf. At 11.26. Era um povo muito humilde e que não figurou nos anais da história do mundo. Em contraste com os 'Cainitas', que teriam alcançado tal 'honra', passaram seus dias aqui na terra como peregrinos e forasteiros, abstendo-se das cobiças carnais. Não construíram cidades. Não inventaram as artes, não desejaram as diversões, mas buscavam um país melhor, isto é, o celestial." Pember.

7. A Promiscuidade dos Descendentes de Sete com os ímpios Cainitas.

 Deus espera que Seu povo mantenha-se separado do mal. II Co 6.14-18. Evidentemente, os "Setistas" pouco a pouco foram tentados a abandonar o seu andar com Deus, sendo finalmente destruídos pelo Dilúvio. Somente oito almas escaparam a esse castigo, Noé e sua família.
Gênesis cap. 6, vers. 2 registra como se deu a corrupção do gênero humano. "Vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as quais entre todas, mais lhes agradaram". Os descendentes de Sete casaram-se com os de Caim, e assim, presos a um jugo desigual, deixaram de manter a separação dos ímpios Cainitas como antigamente faziam. A apostasia que resultou foi completa e Deus foi obrigado, d&vido a extrema maldade dos homens, a destruí-los pelo Dilúvio.

8. O Final da Dispensação da Consciência.

 A prática da iniqüidade, soltando as rédeas aos baixos pendores da carne, durante tantos séculos, a nova geração adotando os maus costumes das gerações anteriores, resultou na total corrupção do povo antediluviano. O seu cálice de iniqüidade finalmente encheu-se e após um período de 120 anos, em que Noé avisou aos conterrâneos, o castigo divino veio sobre eles. "Então se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração. Disse o Senhor: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei." Gn 6.6,7. Considerando somente Noé e sua família como dignos de permanecer na terra, o Senhor destruiu toda aquela geração pelo Dilúvio que durou um ano e dez dias. Durante 1656 anos a raça humana havia aumentado em números e construído uma grande civilização, mas o alto grau de impiedade causou a destruição de tudo aquilo. É uma lição para todos nós. Vale a pena andar em humildade e obediência perante o Senhor. Gn (6.3 a 8.14)
0 desfecho da dispensação da consciência não significa que Deus deixou de usar a consciência como um meio de falar ao homem. A consciência é conhecida como "a voz de Deus dentro da alma". Noé e sua família haviam presenciado tanto o bem come o mal e eram responsáveis junto com a sua posteridade pela obediência à voz da consciência e a escolher o bem. O Dilúvio marcou o término dum período de intervenção divina na história do homem e um novo começo com Noé e seus filhos.


O século presente (pós-diluviano)

Dispensação do governo humano

Dispensação patriarcal

III. O SÉCULO PRESENTE (PÓS-DILUVIANO).

A. A Dispensação do Governo Humano. Gn 8.15 a 11.19.

1. A palavra chave é "Governo Humano".

2. A duração desta dispensação foi de 427 anos, desde o tempo do Dilúvio até à Dispersão dos homens sobre a superfície da terra. Gn 10.25; 11.10-19.


3. As Condições do Mundo no início desse Período

. Noé, o sobrevivente do Dilúvio, era o pai do Século Pós-diluviano e do mundo presente. Embora sendo da décima geração depois de Adão, ele nasceu apenas 14 anos depois da morte de Sete, o piedoso filho de Adão que deu nome à linhagem piedosa que acabamos de estudar no capítulo anterior. Durante essas oito gerações e por mais de 350 anos em que ele viveu entre os homens depois do Dilúvio, Noé era homem perfeito, um justo que andava com Deus, tornando-se herdeiro da justiça, que é pela fé. Gn 6.9; Hb 11.7. O novo mundo, portanto, teve um pai piedoso. Durante os 600 anos antes do Dilúvio, Noé foi contemporâneo de Metuselá, seu avô. Metuselá, por sua vez, contava 243 anos de idade quando Adão morreu. Assim Noé era conhecedor de todos os grandes acontecimentos do período antediluviano, mesmo dos primeiros tempos no Jardim do Éden, ou pela experiência própria ou por ouvir do seu avô, Metuselá. Por meio de Noé toda a tradição do velho mundo transferiu-se para o novo.

Esse novo mundo foi povoado pelos filhos do grande e justo Noé. Durante 350 anos seus filhos conviveram com o piedoso patriarca, sob a influência do seu santo testemunho. Além de ser um "pregador da justiça", em razão de sua integridade moral e comunhão com Deus, ele era a grande testemunha do juízo de Deus sobre o mundo ímpio que acabara de perecer, podendo apontar esse fato como prova e ilustração nas suas asserções. Seus três filhos, Sem, Cão e Jafete, também foram considerados dignos de escapar a essa catástrofe e testemunharam do juízo que sobreveio ao mundo. É natural concluir que eles também tenham exercido alguma influência santa sobre a posteridade que constituiu a raça pós-diluviana. Notemos a existência de fortes influências no mundo novo para induzir os homens a uma vida de santidade perante o Senhor.

4. A Aliança de Deus com Noé. Gn 8.20-22; 9.9-17.

Logo após sair da arca que o salvou das águas, Noé se aproximou de Deus levantando o altar, com sacrifício de sangue. Gn 8.20. Deus atendeu a Seu servo, concedendo-Ihe os termos duma nova aliança com o homem. A primeira cláusula continha três provisões: 1) Deus não mais amaldiçoaria a terra; 2) Deus não mais feriria todo ser vivente, como acabava de fazer; 3) Enquanto durasse a terra, haveria sementeira e ceifa, dia e noite, frio e calor, verão e inverno. Gn 8.21,22. Como sinal de que não mais destruiria a terra por água, Deus fez aparecer o arco-íris. Foram instituídas duas mudanças na natureza: 1ª) O medo do homem foi instilado nos animais, facilitando dessa maneira o domínio do homem sobre eles e 2ª) apresentada a dieta de legumes, foi dada a carne para comer, havendo apenas uma restrição - o sangue do animal seria retirado antes.
A Instituição do Governo Humano foi o sexto item do lado divino desse pacto. No Século antediluviano não havia nenhum governo humano. Todo homem tinha liberdade para seguir ou rejeitar qualquer caminho. Mesmo rejeitando o Caminho, não havia refreio contra o pecado. O primeiro homicida, Caim, foi protegido contra um vingador. (Gn 4.15) Sucessivos homicidas, (Lameque, por exemplo), exigiram semelhante proteção. (Gn 4.23,24) Os homens, durante séculos, haviam abusado do amor e da graça de Deus e gastaram seu tempo entregues a toda qualidade de pecado e vício. Após o Dilúvio, o Caminho, o único Caminho para a vida eterna, ainda permanecia aberto diante deles, e cabia-lhes o direito de aceitar ou rejeitá-lo. Mas se o rejeitassem, continuando desobedientes às leis divinas, eram passíveis de punição imediata por parte dos seus contemporâneos, pois Deus instituiu um governo terrestre que serviria de freio sobre os delitos dos ímpios. A ordem divina foi esta: "Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu". Gn 9.6.
A pena capital é a função de maior seriedade do governo humano, e uma vez que Deus concedeu ao homem essa responsabilidade judicial, automaticamente todas as demais funções de governo foram também conferidas. O governo humano, assim constituído, exercendo a prerrogativa da pena capital, foi e é sancionado pelo próprio Deus como um meio de deter os desobedientes. Rm 13.1-7; I Tm 1.8-10. A investidura dessa autoridade e responsabilidade no homem foi uma novidade do novo pacto de Deus com os homens após o Dilúvio. Recentemente tem havido forte pressão pela abolição da pena capital. Infelizmente, até crentes mal informados têm sido contrários à dita pena. Do ponto de vista cristão, argumentam que Deus, desde a morte de Cristo, agora trata com o mundo à base de graça. Mas tal opinião representa uma distorção dos fatos. Deus trata com os homens à base da graça, mas unicamente com aqueles que também aceitam o Filho de Deus como Salvador. Para com os demais homens no mundo, Deus continua contemplando-os à base da lei e os juízos que por ela resultam.
Se os governos se livrassem desse sentimentalismo falso que transige com o criminoso e tratassem de aplicar as penalidades previstas em lei, afastando dos seus cargos os juizes corruptos e advogados desonestos e demais elementos comprometidos com o submundo do crime e aplicassem a pena capital naquele que tirou a vida ao próximo, haveria muito menos crime do que há atualmente. As estatísticas comprovam que nos países onde eliminaram a pena capital o índice de crime aumentou proporcionalmente, levando-nos a tornar a afirmar que a instituição de pena capital é uma necessidade para a sociedade humana. É o único freio que o homem não regenerado respeita - o medo da morte.
Do lado humano do pacto, havia um mandamento específico e repetido, que o homem devia guardar. Gn 9.1,7. O homem devia multiplicar-se e encher a terra.
Em comparação com a aliança adâmica, notamos que há: 1) maior domínio sobre o reino animal; 2) uma dieta mais ampla; 3) a promessa de Deus que não mais destruirá toda a carne; 4) e maior repressão sobre os ímpios, incluindo a prerrogativa da pena capital, que seria ao mesmo tempo uma ilustração do governo divino. As três primeiras condições ampliaram a graça e a última trouxe mais perto o juízo. Dessa maneira Deus se esforçava em persuadir os homens a aceitarem voluntariamente o Caminho da Redenção e por esse meio escapar ao juízo entrando na plenitude da graça divina. Mas naturalmente, se o homem persistisse em pecar contra uma mais ampla manifestação da graça, não importando que o castigo estivesse mais iminente, também seria maior a catástrofe que lhe sobreviria.
A duração desta aliança. É notável que desde o tempo de Noé nunca mais tem Deus tratado com alguém que represente a raça humana em sua totalidade, entregando-lhe novos termos duma aliança afeta a toda a humanidade. Por isso, desde os dias de Noé e até que chegasse o tempo de Deus dar novas leis à humanidade, essa aliança (com Noé) continuaria em vigor. Só no Milênio, sob o governo de Cristo, haverá outra aliança que substituirá a de Noé.

Vislumbres Proféticos aqui Observados.

 Apesar de sua promessa de nao mais destruir a terra por água, Deus deu a entender que a maldade e a impiedade dos homens bem o podiam merecer. Gn 8.21. Na restrição de comer sangue observa-se o seu caráter sagrado já que a redenção seria por meio de sangue. Em anunciar que a "bênção" estaria nas tendas de Sem (9.27), Deus já indicava a linhagem da qual viria a "Semente da mulher", que é Jesus, o Messias.

A Linhagem Piedosa.

 Outra vez achamos os fiéis servos de Deus que humildemente andaram no caminho da fé. Esses eram os semitas. Como houve dez gerações desde Adão até Noé, assim houve outras dez gerações desde Noé até Abraão, cuja vida marca outra grande crise na história humana. Gn 11.10-26.

A Grande Falha.

 Logo se concretizou a previsão divina que a impiedade voltaria à terra. O coração corrupto do homem não somente rejeitou o Caminho da redenção, como também deliberadamente desobedeceu ao mandamento especial que os homens se espalhassem sobre a terra. Antes começaram a construir cidades e agregar-se. Nimrode, neto de Cão por Cush, começou (foi o primeiro) a ser poderoso na terra. O princípio do seu reino foi Babel, mas construiu mais sete cidades. Gn 10.10,11. O governo humano foi instituído por ordem divina, mas o IMPERIALISMO de Nimrode e de outros daquele tempo já era diferente, sendo um plano de Satanás que visava unir o mundo e fazer guerra contra o Senhor Jesus Cristo. Vide Ap 16.14; 19.19. Mesmo em tempos tão remotos os homens uniram-se para fazer planos para não se espalharem (Gn 11. 4), planos pelos quais poderiam fazer para si um nome. Cf. Gn 4.17. O ponto alto desses planos para engrandecer o nome do homem foi a construção da Torre de Babel nas planícies de Sinear (Mesopotâmia), torre que imaginavam chegaria até ao céu. Gn 11.4; II Tm 3.1-4; SI 49.11-13.

O Juízo - A Dispersão.

 Novamente a Trindade conferenciou entre bi. CT Gn 3.22; 6.7. O juízo sobre essa ímpia geração foi determinado. Gn 11.5-7. Veio na forma da confusão de línguas, tornando-se o meio utilizado por Deus para obrigar os homens a se espalharem sobre a superfície da terra. Serviu para refrear o seu caminho pecaminoso e suas ambições carnais. Só durante a Grande Tributação virá a plena medida de juízo sobre o mundo pós-diluviano. Convém observar que esta diversidade de línguas que resultou, não foi porque os homens se espalhassem cada família para região diferente, e, sim, foi a confusão de línguas que provocou a dispersão. Gn 11.6. Foi uma intervenção milagrosa da parte de Deus que produziu a grande diversidade, de centenas ou milhares de línguas. (Em contraste com esse fenômeno, temos no Cap. 2 de Atos dos Apóstolos, a miraculosa concessão do dom de línguas no Dia de Pentecoste, cujo grande alvo era espalhar as bênçãos do Evangelho a toda criatura em todas as partes da terra.) Podemos ainda concluir que, sendo a diversidade de línguas uma forma de juízo sobre o homem, uma vez que todos aceitarem a Jesus como o Redentor e o pecado for afastado, então haverá uma só língua pura sobre a terra. Sofonias 3.9.
A Dispersão aconteceu cerca de 100 a 300e poucos anos depois do Dilúvio, provavelmente "nos dias de Pelegue". Gn 10.25; 11.16-19. É impossível estabelecer com exatidão em que data isso teria acontecido, pois Peleque viveu 340 anos. Mas certamente foi por volta do ano 2000 antes de Cristo. A Dispersão não significou o fim da dispensação do Governo Humano, pois a mesma vigorou até a chamada de Abraão. Gn 12.1. Como terminou essa dispensação?
Será que os homens tornaram-se mais santos? Apesar das restrições impostas por Deus, e a instituição de governo, os homens seguiram o caminho e o espírito de Caim! Venceram o obstáculo da diversidade de línguas, e, ajuntando-se em alianças, estabeleceram o imperialismo. Gn 14.1-9 apresenta os nomes de alguns dos grandes desses dias, sendo um dos mais notáveis, o rei Amrafel, rei de Sinar, conhecido na história pelo nome de Hammurábi, autor do mais antigo e famoso código de leis. Jó, da terra de Uz também viveu nesse tempo. O Senhor Deus ainda tolerará esse imperialismo até o mesmo chegar ao seu apogeu na pessoa do Anti-cristo. Dn caps. 2 e 7. Então, como nos dias de Noé, Deus visitará este mundo com castigo terrível, que será a Grande Tribulação, e marcará o fim do "Presente Século" "Pós-diluviano".

UM ESBOÇO DA DISTRIBUIÇÃO DAS FAMÍLIAS PROCEDENTES DOS TRÊS FILHOS DE NOÉ
(Os seguintes esquemas são da autoria de Paul E. Ihrke, de Chicago, E.U.A.)


OS DESCENDENTES DE CÃO (Gn 10.6-20)

Quatro Raças originaram-se dos quatro filhos de Cão. Essas por sua vez subdividiram-se depois. Povoaram as terras da África, da Arábia oriental, da costa oriental do Mar Mediterrâneo, e do grande vale dos rios Tigre e Eufrates. Não há provas para afirmar que todas as raças descendentes de Cão eram negras. As primeiras monarquias orientais eram dos descendentes de Cão, por. Cuxe.
Existe uma opinião que alguns dos descendentes de Noé emigraram para a China e que de lá passaram para as Américas através do Estreito de Béringue e do Alasca. Certos cientistas são de opinião de que em algum tempo os dois continentes estivessem ligados.

OS DESCENDENTES DE SEM (Gn 10.21-32) SEM - FILHO DE NOÉ

Sem foi o pai de cinco filhos que se tornaram em cinco grandes raças e numerosas tribos menores.
Arfaxade foi o pai dos caldeus que povoaram a região marginal do Golfo Pérsico. Foi progenitor de Abraão, oito gerações anteriores. Um dos descendentes de Arfaxade foi Joctã de quem vieram treze tribos (Gn 10.25-30) as quais ocuparam as partes sul e sudeste da Península Arábica. Alguns destes nomes são mencionados na genealogia de Cão, fato que pode indicar miscigenação entre as raças.
Ela povoou uma província ao oriente do Rio Tigre e ao norte do Golfo Pérsico.
Assur povoou a Assíria às margens do Rio Tigre, tendo Nínive como capital. Eram uma vez senhores de toda a terra ao oriente do Mar Mediterrâneo.
Lude e seus descendentes moraram nas bandas sudeste da Ásia Menor.
Arã povoou a Síria. Teve quatro filhos: Uz, Hul, Géter e Más. Uz morou no meio da Arábia setentrional. Jó foi um dos seus descendentes.
Hul e Géter ocuparam o território próximo ao Lago de Merom ao norte da Galiléia, segundo as informações.
Mas, que é chamado Meseque em I Cr 1.17, possivelmente uniu-se com o Meseque da linhagem de Jafé.
Sem, nascido 120 anos antes do Dilúvio, conheceu a seu pai, Noé, seu avô Lameque e seu bisavô, Metusela, antes do Dilúvio. Lameque, por sua vez, conheceu Adão por mais de cinqüenta anos, e Metusela o conheceu por mais de 250 anos. Esses fatos demonstram a maneira pela qual os conhecimentos históricos do princípio da raça foram comunicados às gerações posteriores. Noé viveu até ao tempo de Abraão. Sem chegou a alcançar o tempo de Isaque e Jacó, filho e neto de Abraão.

OS DESCENDENTES DE JAFÉ (Gn 10.2-5)

As raças arianas ou indo-européias são descendentes de Jafé.
Javã teve quatro filhos: Elisa, Társis, Dodanim e Quitim. Estes quatro povoaram a Grécia. Alguns descendentes de Quitim foram para a Itália, a França, e a Espanha, formando o povo latino.
Madai e seus descendentes povoaram a índia e a Pérsia.

Gomer teve três filhos: Asquenaz, Rifate e Togarma. Os descendentes de Asquenaz povoaram a Turquia, enquanto os descendentes de Rifate povoaram a luguslávia ou Sérvia e a Áustria. Os descendentes de Gomer deram origem aos celtas, os alemães e aos eslavos. Os celtas emigraram para as Ilhas Britânicas, Gales, Escócia e Irlanda. Algumas das tribos germânicas emigraram para a Noruega, Suécia e Dinamarca, tornando-se os escandinavos descritos pelos romanos como altos, loiros e corpulentos. Outras tribos germânicas povoaram a Alemanha ocidental, a Bélgica, e a Suiça, tomando o nome de Goters. Os que permaneceram na Alemanha ficaram conhecidos como "teutões", ocupando o norte e o sul da Alemanha. Os do norte, por sua vez, tornaram-se os "anglo-saxoes" e os holandeses.

B. A Dispensacão Patriarcal. Gn 12.1 a Êx 18.27.

1. A Palavra chave é PROMESSA

2. À esta dispensação teve início com a aliança de Deus com Abraão, cerca de 1963 anos antes de Cristo, ou seja 427 anos depois do Dilúvio. Sua duração foi de 430 anos, quando Israel saiu do Egito. Gl 3.17; Ex 12.40; Hb 11.9,137

3. As Condições no Mundo.

Como já observamos, a terra de Sinear novamente tornou-se o centro de desobediência mundial contra a aliança de Deus com Noé. O espírito do pecado tornou-se tão forte e agressivo que já ameaçava de extinção a linhagem piedosa de Sem, que, embora ainda crente em Deus, adotou o culto de ídolos. Gn 31.53; Js 24.2. O décimo dessa linhagem desde Noé (como Noé era o décimo desde Adão) era Abraão, o filho de Terá. Seu lar estava em Ur dos caldeus, o centro da civilização de Nimrode. Nesse ambiente de desobediência onde adoravam a deusa Lua, Deus chamou Abraão. Enquanto ainda estava nessa sua terra natal, a Mesopotâmia, Deus o chamou para sair dali e ir para uma terra que Ele lhe mostraria. Atos 7.2-4. Terá, seu pai, e Ló, seu sobrinho, acompanharam a Abraão e Sara até à cidade de Harã, onde moraram até à morte de Terá. Gn 11.31,32. Em Harã foi celebrada a primeira aliança com Abraão (Gn 12.1-3). Em obediência a esse pacto, Abraão e Sara saíram para a terra de Canaã, sendo acompanhados por Ló. Gn 12.4,5. Os 430 anos que durou esta dispensação datam da sua entrada em Canaã como peregrino e estrangeiro. Hb 11.9,13; Êx 12.40.

4. A Grande Aliança com Abraão.

 A Dispensação Patriarcal representa o período de tempo no qual Deus deu a Abraão as várias porções da aliança que leva seu nome, e os anos nos quais ele e sua descendência viviam exclusivamente debaixo da mesma. Depois da chamada original em Ur dos caldeus, o Senhor apareceu a Abraão seis vezes: Gn 12.1-3,7; 13.14-17; 15.1-21; 17.1-21; 18. 1-33; e 22.1-18. Essa aliança assim revelada a Abraão e com ele celebrada, foi confirmada a Isaque (Gn 26.2-5), a Jacó (Gn 28.13-15) e a Moisés por todo Israel. Êx 6.1-9.
O lado divino. Esta aliança apresenta os seguintes itens em que Deus Se comprometeu:
1) Durante a vida de Abraão: a) Abençoá-lo, 12.2; b) fazê-lo uma benção, 12.2; c) abençoar os que o abençoassem, 12.3 d) amaldiçoar os que o amaldiçoassem, 12.3; e) dar-lhe a terra de Canaã, 13.15; f) protegê-lo e ser o seu galardão, 15.1; e g) ser o seu Deus, 17.7.
2) Para Abraão no futuro: a) fazer grande o seu nome, 12.2; b) fazê-lo extremamente frutífero. A sua semente natural ser numerosa-como a areia do mar e sua semente espiritual como as estrelas. Gn 13.16; 15.5; Rm 4.16-18. C) fazê-lo pai duma grande nação. Dele sairiam reis. i 12.2; 18.18; 17.6. d) fazê-lo pai de muitas nações, 17.4; e) fazê-lo uma bênção a todas as famílias e nações da terra. Gn 12.2,3; 18.18.
3) Para a sua descendência obtida com Sara. Gn 15.4; 17.19.
a) A possessão da terra de Canaã, desde o Rio do Egito até ao Rio Eufrates, Gn 12:7 – 13:14; 15:18-21; 17:7,8.
b) Jeová seria seu Deus, 17.8;
c) possuiriam aportados seus inimigos, 22.17;
d) por essa descendência seriam abençoadas todas as. nações da terra. Gn 22.18.
Foi nesse item da aliança onde se achava a promessa de que a "Semente" - e não "sementes", como se fossem os "descendentes" de Abraão - seria a "Semente da mulher", isto é, Cristo, o Redentor. Gl 3.16; Gn 3.15.
e) a descendência de Abraão passaria aflições numa terra estrangeira durante 400 anos. Depois desse período, Deus puniria seus inimigos e libertaria o povo, que sairia dessa terra com grandes riquezas. Gn 15.12-14.
4) Para Ismael, filho de Abraão com a escrava Hagar. Esse filho também se tornaria uma grande nação. Gn 17.20.
O Lado Humano da Aliança. A aliança com Abraão era essencialmente uma aliança de "graça'. Rm 4.1-4. As obrigações impostas a Abraão não eram realmente de "obras", pelas quais "mereceria" as maravilhosas promessas que a aliança lhe outorgava, mas sim simples atos pelos quais demonstraria a sua fé nas promessas de Deus. Romanos 4.2,3; Tiago 2.22,23.

As Obrigações Impostas a Abraão são as seguintes:

1) Separação. O primeiro desses atos de Abraão foi a saída de Ur e depois de Harã. Gn 12.1,4. A separação demonstrou a sua fé nas futuras bênçãos prometidas.

2) Morar em Canaã foi outro ato de Abraão.

 Gn 12.1; 26.2. Por ter desobedecido a essa ordem (12.10-20; 13.1), e ido ao Egito, em razão da ameaça de fome em Canaã, foi punido por causa de sua incredulidade. Depois voltou a Canaã.

3) Circuncisão. 17.9-14. Esse ato constituiu o "selo da justiça da fé" (Rm 4.11), a prova de que Abraão creu que a sua semente seria uma grande nação.

4) Exercer fé que Sara teria um filho na sua velhice.

17.15-17. Abraão tinha que crer que Deus lhe dana um filho com Sara, embora ambos já tivessem passado o tempo de gerar filhos. A sua fé foi a fé especial - na vida dentre a morte - que fez Abraão o pai e grande exemplo daqueles que crêem na ressurreição de Cristo dentre os mortos, crendo assim para a vida eterna. Rm 4.19-24; 10.9.

5) O Sacrifício de Isaque.

Gn 22.1,2. Este ato, a última das obrigações a ele impostas, constituiu a suprema prova de sua fé. Abraão "considerou (creu) que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos". Hb 11.17-19. Ele demonstrou a sua fé pelo seu ato. Foi realmente uma repetição da prévia prova de sua fé, constituindo evidência concludente a Deus e ao mundo que Abraão era temente a Deus e que creu na ressurreição dentre os mortos.
Abraão satisfez todas as provas e condições impostas por Deus, cumprindo assim o lado humano da aliança. Por conseguinte, espera-se que todas as promessas referentes a essa aliança serão cumpridas.

5. O Propósito de Deus na Chamada de Abraão.

a. fazer de Abraão um Exemplo e Modelo da fé. E m outras dispensações Deus havia usado outros grandes homens da fé, como sejam Abel, Enoque e Noé para servirem de exemplo em seu tempo. Hb 11.4-7. Abraão foi escolhido para ser exemplo, nessa nova dispensação e também para as sucessivas, de como se aproximar do Deus imutável. Deus ao mesmo tempo queria levantar uma nação que também servisse de exemplo e meio de bênção para todo o mundo. Abraão foi destinado a tornar-se o "pai" dos fiéis ou crentes. Ele já antes de ser circuncidado era homem de fé. Rm 4.11. Portanto, qualquer pessoa, em qualquer nação, que resolvesse andar nas pisadas de Abraão, se tornaria a sua descendência espiritual. Rm 4.12,16,17; 2.28,29; Gl 3.6,7,9. O caminho da fé sempre foi o único caminho para Deus e a vida eterna. Gl 3.11; Ef 2.8; At 4.12. Assim se vê que logo no princípio do "Século Presente", o período em que nós também vivemos, Deus usou a vida de Abraão como ilustração do caminho da fé.
Observemos, por exemplo, os "passos da fé" pelas quais Abraão tornou-se o "amigo de Deus", sabendo que os mesmos passos poderão ser tomados por qualquer pessoa que busca a paz com Deus. 1) Primeiramente, Abraão separou-se de sua terra de idolatria e de seus velhos companheiros, que também é o passo que Deus exige de nós. 2) Permanecendo na terra da Promessa, Canaã, crendo nas promessas divinas, corresponde à fé na promessa de Jesus que "os mansos herdarão a terra." O caminho do Egito conduz à derrota. 3) A circuncisão corresponde ao "despojamento do corpo da carne". Cl 2.11; Rm 2.28,29.
4) Crendo no nascimento de Isaque, em se tratando de pessoas idosas como eram Abraão e Sara, corresponde à nossa crença no nascimento de Cristo em nossos corações.
5) Confiando em Deus para ressuscitar Isaque (Gn 22) corresponde à fé que diz que "Deus o ressuscitou dentre os miortos"! Rm 10.9.
b. Fazer de Abraão o Pai da Nação Judaica. A aliança adâmica prometeu que a "Semente da mulher" esmagaria a cabeça da serpente, Satanás. Gn3.15. Era a promessa do Redentor. A aliança com Abraão seria um encorajamento para os pós-diluvianos a continuarem a crer nessa promessa, e ao mesmo tempo seria mais um passo à frente em sua implementação. Agora ficou estabelecido que a "Semente da mulher" seria também a "Semente de Abraão" (Gl 3.16), isto é, um dos descendentes de Abraão, o Redentor, que redimiria todo o mundo, como de fato aconteceu.
O grande propósito em suscitar a nação judaica era o de fazê-la uma grande bênção para todas as nações do mundo. O fato é que Deus usou Israel enquanto serviu a essa finalidade (até o tempo de Malaquias), e Ele tornará a usar Israel como meio de bênção durante o Milênio, quando os judeus estarão ligados a Cristo a quem presen-temente recusam a aceitar como seu Messias.
c. Demarcar a Terra do Messias. Deus chamou Abraão a fim de também demarcar em definitivo a terra que seria o lar terrestre do Messias, a Terra Santa. As seguintes passagens bíblicas levam-nos a crer que essa terra terá como fronteiras, no sul, o Rio Nilo no Egito, ao oeste o Mar Mediterrâneo, ao norte, o Rio Eufrates, e ao leste, as águas do Golfo Pérsico e o Oceano Indico. Gn 15.17,18; 26.3,4; Êx 23.31; Dt 1.24; Ez 47.18; Gn 2. 8-14; Is 51.3. Esse território jamais foi totalmente ocupado pelo povo judaico o qual ainda espera essa ocupação durante o Milênio.

Essa pequena terra, por ter nela a capital do governo de Cristo durante o Milênio, em Jerusalém, servirá de bênção para todos os povos da terra.
6. Características Especiais desta Dispensação. Podemos dizer que esta dispensação, que durou apenas 430 anos, faz parte dum período de cerca de 4.000 anos. A sua natureza é diferente das prévias dispensações, dos tempos que vão de Adão a Noé. Essas, ofereciam ao homem a opção, ou a fé ou a incredulidade; a obediência ou a desobe-diência. A aliança com Abraão não estebeleceu nenhuma condição, mas sua natureza era inteiramente à base da graça. Nem devem os 400 anos de escravidão no Egito ser considerados como "castigo", mas sim como um período de desenvolvimento dessa nação. Essa experiência era necessária para Deus poder mostrar Sua força.
Também era necessário que a "medida da iniqüidade" dos amorreus se enchesse (Gn 15.16), isto é, que a impiedade das nações cananéias amadurecesse. No tempo próprio (nos dias de Josué) os exércitos de Israel entrariam em Canaã para libertar a terra das influências ímpias e estabelecer a religião pura de Jeová.
·        Esta dispensação serve de ilustração e tipo de muitas coisas em vigor durante a dispensação da Igreja, uma vez que Abraão é o nosso pai na fé. Rm 4.1-17; I Co 10.11; Gl 3.15-22. O fim da dispensação Patriarcal é típico da vida cristã no fim do Século Pós-diluviano, assim como a vida ante-diluviana é típica da vida não regenerada nos dias antecedentes à segunda vinda de Cristo. Lucas 17.26.



                                              A Dispensação da Lei.


2. A Duração desta Dispensação foi de cerca de 1430 anos, desde o Êxodo do Egito até à crucificação de Cristo. "Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo". João 1.17.

3. Resumo das Prévias Alianças.

A Aliança Edênica. Essa aliança concedeu ao homem plena autoridade administrativa. A responsabilidade do homem era encher a terra, guardar o Jardim e abster-se de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Era uma aliança de "obras". Rm 11.6. Adão e Eva, a totalidade da raça humana nesse tempo, falharam em obedecer aos requisitos da aliança, inutilizando, portanto, essa aliança. Somente no "Segundo Adão", Cristo, o homem recuperará a autoridade perdida. "Cristo reinará"!
A Aliança Adâmica. Por essa aliança Deus prometeu que a Semente da Mulher, o Redentor, esmagaria a cabeça da serpente, Satanás. Ao homem cabia crer nessa promessa e expressar sua fé através dos sacrifícios de sangue. Foi uma aliança de "graça". Abel e outros homens de Deus creram e aceitaram esse caminho. No Calvário Satanás "feriu" o calcanhar de Cristo, mas brevemente, ao voltar do céu, Cristo esmagará a cabeça de Satanás.
A Aliança com Noé. Essa aliança concerne diretamente o mundo dos homens não-regenerados, os quais foram ordenados a se espalharem sobre a face da terra. Pela Dispersão nos dias de Babel realmente os homens espalharam-se, e Deus, por Sua vez, tem se lembrado de Suas promessas, de não amaldiçoar mais a terra; que haveriam estações regulares do ano, que não destruiria todos os seres viventes, que o medo do homem seria instilado nos animais, e que a dieta poderia incluir o uso de carne. No Milênio veremos a plena manifestação da graça de Deus em todos esses particulares. A instituição de governo humano, que se iniciou nos dias de Noé, terá sua plena complementação no governo de Cristo, o Filho do Homem.
A Aliança com Abraão. O lado humano dessa aliança foi cumprido por Abraão. Portanto, as muitas provisões da mesma ou foram cumpridas ou estão sendo cumpridas agora. A semente natural de Abraão já se tornou uma grande nação, sendo afligida em terra estrangeira (o Egito) durante 400 anos. Deus já havia punido os opressores e Israel havia saído do Egito com grandes despojos, quando foi instituída esta nova aliança com Moisés. Tudo isso havia se realizado pela graça, tudo em razão da promessa a Abraão. Mas ainda era necessário que Jeová se revelasse como o Deus dessa nação; que possuíssem as portas dos seus inimigos; que tomassem posse da terra de Canaã, e que através da descendência de Abraão todas as nações da terra fossem abençoadas, conforme as cláusulas da aliança com Abraão. Foi então, para implementar essas porções restantes da aliança, que Deus instituiu no Sinai a Aliança Mosaica.

4. O Início da Dispensação da Lei (Israelita).

 Deus já se havia comprometido a revelar-se à semente de Abraão e estabelecer a mesma na terra de Canaã e torná-la em grande bênção para todas as nações - tudo isso inteiramente independente da justiça que essa semente tivesse. Dependia totalmente da palavra de juramento a Abraão. O primeiro passo que Deus tomou então foi o de revelar-Se a Si mesmo a Israel através de Moisés no Monte Sinai, apenas dois meses depois da salda do Egito. Essa apresentação de Si Mesmo como o Deus deles trazia consigo uma proposta e uma revelação do plano especial preparado para esse povo de Israel. A apresentação e a sua aceitação marcaram o início da Dispensação da Lei, ou seja, a Israelita.

5. A . Êxodo caps. 19 a 32.

 É de se notar, primeiramente, que nesse plano especial Deus não tratava com eles como "filhos de Abraão", mas sim como "a casa de Jacó, os filhos de Israel". Êx 19.3. Lembramos que a descendência de Abraão era de duas qualidades: primeira, a espiritual, os seguidores da "fé que teve quando ainda incircunciso" (Rm 4.11,12); e a segunda, a descendência natural que guardou a aliança da circuncisão. Gn 17.1-14. A essa última descendência Deus havia prometido a terra de Canaã, e foi com essa descendência circuncidada, os filhos de Abraão por Jacó, que Deus es-tabeleceu esta aliança mosaica.
Foi através desses "filhos de Abraão", a sua descendência natural, que Deus havia prometido abençoar a todas as nações. Por conseguinte, podemos esperar que esta nova aliança venha a implementar e suplementar essa parte da aliança com Abraão. E assim aconteceu, pois, 1) serviu para revelar Deus à semente de Abraão. 2) Ajudou a formar a unidade e a garantir a preservação da nação, para que pudessem possuir as portas dos seus inimigos e entrar na posse de Canaã. 3) Foi dessa nação da qual nasceu o Messias, que seria a grande bênção para todas as nações em servir-lhes de Redentor. 4) A aliança mosaica ajudaria a conter a transgressão em Israel. Contudo, a Aliança Mosaica é diferente da Aliança com Abraão, tendo suas próprias condições, e de maneira nenhuma poderia deter o cumprimento da Aliança feita com Abraão. Gl 3.17. Que Deus se interessava muito em estabelecer esta aliança com Seu povo se pode observar pelo fato de que prefaciou Sua proposta do plano, dizendo que Israel havia presenciado o juízo sobre os egípcios e a misericórdia do Senhor em libertá-los da escravatura. Êx 19.4.

a. Os Propósitos Divinos:

(1) Fazer de Israel uma propriedade peculiar. Êx 19.5. Embora "toda a terra" pertencesse ao Senhor, o povo de Israel seria para Jeová um povo especial e mais chegado a Deus. É de se lembrar que qualquer nacionalidade poderia gozar dos benefícios desta aliança e da Aliança com Abraão, identificando-se com o povo de Deus através do rito da circuncisão. Êx 12.48,49. Dessa forma todas as nações poderiam tornar-se "uma propriedade peculiar", separando-se das nações vizinhas e cumprindo as provisões da Aliança Mosaica.
(2) Fazer de Israel um reino de sacerdotes. Êx 19.6. Observa-se que havia uma provisão dupla: seriam "sacerdotes" e um "reino". Os sacerdotes intercedem a favor de outrem; assim Israel estaria ocupado em intercessão diante de Deus a favor das demais nações. E na-turalmente, quando há um "reino" há também um rei. O rei de Israel seria o próprio Deus que Se comprometia a servir nessa capacidade. Dt 33.5; I Sm 8.7. Que privilégio para Israel ter o próprio Deus como Rei!
(3) Fazer de Israel uma nação santa. Êx 19.6. Jamais houve purificação do pecado a não ser através do sangue, como também nunca houve uma santidade natural que Deus pudesse contemplar. Por conseguinte, notamos nesta cláusula uma promessa que envolvia a aplicação do sangue de Jesus e a implantação de Sua santidade.
(4) A Cura Divina era outra promessa de Deus incluída neste pacto, pois junto as águas de Mara Ele lhes dissera, "...nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que enviei sobre os egípcios, pois eu sou o Senhor que te sara." Êx 15.26.

b. O Lado Humano.

 Israel tinha por obrigação "diligentemente ouvir a voz do Senhor". Êx 19.5.
(1) Os Mandamentos. No capítulo 20 o "Rei" estabeleceu a "Magna Carta" do "reino de sacerdotes", a qual consistiu dos 10 Mandamentos, ou seja a Lei Moral, que expressa a vontade de Deus.
(2) Os Estatutos. Em Êx 21.1 a 23:33 temos a interpretação e a aplicação dos 10 Mandamentos em forma de Estatutos, ou Ordenações, que constituíram a Lei Civil, promulgada pelo próprio "Rei".
(3) As Instruções Religiosas. A voz do Senhor em seguida deu a Israel instruções concernentes ao Tabernáculo. Êx 25.1 a 31.18. Tratava-se da Lei Cerimonial. O Tabernáculo seria: (a) a corte do Rei. Deus como "Rei" tinha o direito de estabelecer todos os planos. Êx 25.8; (b) a figura das coisas que se acham nos céus (Hb 9.23), e somente Deus conhecia essas coisas. João 3.12. (c) As várias partes do Tabernaculo também simbolizavam as coisas invisíveis do próprio Rei, sendo, portanto, uma revelação de Sua própria Pessoa. Todo o livro de Leví-tico apresenta a maneira do funcionamento da corte nas suas relações entre Israel e seu Rei. Está repleto de figuras das coisas celestiais e de símbolos das realidades invisíveis em Cristo, o Redentor. Foi por meio dessas ordenanças ou instruções que Israel adorou ao seu Rei, vindo os "mandamentos", os "estatutos" e as "instruções" a constituírem "a voz do Senhor". A obrigação de Israel era a de obedecer a essa voz.

6. A Natureza da Aliança da Lei.

 A Aliança Mosaica, que foi chamada a "Lei", não era aliança de 'obras", no sentido de Romanos 11.6. Jamais a salvação foi conseguida pelas obras da lei. Romanos 3.20; Gl 3.11; Hb 11.6,33. Na parte divina dessa aliança, o povo foi feito "santo" pela purificação do Seu sangue e a implantação de Sua justiça.
Então, tendo a Sua vida dentro deles, foi lhes dado o caminho dos Seus mandamentos a fim de que nele andassem. A lei era o caminho da vida e não o caminho para a vida. Era a maneira de viver na qual essa "propriedade peculiar", o "reino de sacerdotes", e a "nação santa" deveria andar. Esse caminho de Deus era um deleite para aqueles cujos corações Deus havia tocado. I Sm 10.26; SI 1.2; 119.32, 97,103,127,162,174; e SI 19.7-11.
A Aliança Edênica, como aliança de "obras", e dada sem ser mencionado o Redentor, foi terminada quando uma única vez o homem deixou de cumprir a sua parte. A Aliança Mosaica, por outro lado, foi quebrada inúmeras vezes e em todos os seus detalhes, no entanto, Deus persistiu em cumprir a Sua parte, provando assim que essa aliança era aliança de "graça" e não de "obras", e baseava-se, na realidade, nos méritos do Redentor. Êx 34.6,7; Mt 9.13; 23.23.
O sangue foi derramado na ocasião da inauguração desta aliança (Ex 24.5-8), assim indicando a "graça" como o seu fundamento verdadeiro e apontando a Jesus, o Sacrifício substitutivo, como Cordeiro de Deus. João 1.29.
Deus cumpriu a Sua parte da Aliança mesmo antes que o homem houvesse cumprido a sua parte. As bênçãos divinas prometidas dependiam de eles andarem à luz da lei. Gl 5.25.
Nos dias da lei muitas vezes se ouvia a palavra "Redentor". SI 19.14; 78.35; Is 41.14; 59.20; Jr 50.34. Esse fato indicava a sua dependência do sangue remidor.
O Novo Testamento informa que havia "misericórdia" e "fé" debaixo da Velha Aliança. Mt 9.13; 23.23; Os 6.6; He 2.4.

7. A Aceitação e o Desvirtuamento da Aliança da Lei.

 É verdade que muitos israelitas fizeram da lei um caminho de estabelecer a sua salvação, pois "os sentidos deles se embotaram". II Co 3.14. Gerações posteriores consideravam a lei como código legalista, e para eles, de fato, ela se tornou "o ministério da morte", e "ministério da con-denação". II Co 3-7,9,14. Mas isso não constitui prova de que fosse essa' a intenção de Deus. O nosso Evangelho também é para al9uns "o cheiro de morte para morte" bem como "aroma de vida Para vida". "O deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos" de alguns em nossos dias também. II Co 2.16; 4.4. Apesar da purificação do Seu salgue, o poder de Sua vida, e os muitos mandamentos que encontramos no Novo Testamento, muitos nesta época da graça também caíram no erro dos gálatas (Gl 3.1-3), como também o formalismo (II Tm 3.5). Os "filhos de Abraão". Pela fé encontraram na lei o caminho da vida e um deleite para suas almas, porque temeram ao Senhor em seus corações e sabiam como andar em retidão perante ele. Àqueles que deixaram de perceber o pensamento de Deus e fizeram da Aliança Mosaica apenas umas tantas leis duma religião legalista e de auto-justiça, Deus disse, "Estou farto dos holocaustos de carneiros... o incenso é para mim abominação, e também as luas novas, os sábados, e a convocação das congregações..." Is 1.11-15; SI 40.6; Os 6.6; Mt 23.23.
8. Os Propósitos da Lei.

Rm 7.9,10; Mt 12.1-8.
a. Ela proibiu o pecado. "Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi acionada por causa das transgressões". Gl 3.19. A aliança da promessa havia sido dada a Abraão para que pela circuncisão a sua semente herdaria as promessas. Mas as transgressões abundavam tanto entre a sua descendência, que a lei foi "adicionada" à Aliança com Abraão a fim de eliminar tais transgressões. A Aliança Mosaica, portanto fortaleceu a Aliança com Abraão por proibir o pecado.
b. Ela expôs o pecado. Por proibir o pecado a lei expôs o pecado. "... pela lei vem o pleno conhecimento do pecado". Rm 3.20. O pecado estava no mundo antes da lei (Rm 5.13), mas "onde não há lei, também não há transgressão". Rm 4.16 Paulo ainda diz, "... mas sobrevindo o preceito, reviveu o pecado, e eu morri." Rm 7.9. A lei foi dada para que "o pecado... pelo mandamento se mostrasse sobremaneira maligno". Rm 7.14. Assim todos os homens poderiam compreender a sua necessidade de encontrar um Salvador. Gl 3.22.
c. Ela encerrou os homens para Cristo. A lei serviu de "condutor" dos homens levando-os a Cristo. Neste processo qualquer infração da lei de Deus traria punição. Paulo emprega a figura de pedagogo que levava os meninos à escola onde os entregava ao mestre para receberem a devida instrução. Neste caso Cristo é o Mestre que justifica os homens pela fé. Dele recebem a justiça de Deus. Assim como a submissão do menino ao pedagogo era para um determinado tempo só, assim a submissão à lei era só até ao tempo quando Cristo aparecesse. Gl 3.23-25.

9. A Missão da Lei Terminada.

Sendo que a Lei não passava dum assistente à Aliança com Abraão e um meio de defender Israel e conduzi-lo a Cristo, quando Ele viesse e Se revelasse a Israel então não haveria mais necessidade da lei. "Foi adicionada por eausa das transgressões, até que viesse o Descendente a quem se fez a promessa". Gl 3.19. "Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio (o pedagogo, a lei)" Gl 3.25. A lei cumpriu a sua missão em trazer os homens a Cristo, ficando então obsoleta e sem força para agir, como se vê nas seguintes passagens: II Co 3.7,11,13; Rm 6.14; 7.4,6; 10.4; Gl 3.13,19,25; 5.18; Hb 7.18; 8.13; 9.10; 10.9; Ef 2.15; Cl 2.14-17; Mt 5.17,18; Lc 16.16.

10. O Destino da Lei com a Vinda de Cristo.

a. Os mandamentos, com a exceção do quarto, foram repetidos na Nova Aliança do Evangelho, da seguinte maneira: 1º Mt 4.10; 2º I Jo 5.21; 3º Mt 5.34-37; o quarto não consta; Cl 2.16,17; Rm 14.5; 5º Ef 6.1; 6º Gl 5.21; 7º - Gl 5.19; 8º Ef 4.28; 9º Ef 4.25; 10º Ef 5.3.
b. As Instruções religiosas cumpriram-se em Cristo e Sua Igreja. Mt 5.17,18; Jo 1.29; l Co 5.7; Hb 9. 11-14,23,24.
c. A maior parte dos Estatutos, a Lei Civil, que regulavam a vida nacional e social do povo, foi dispensada quando a nação judaica foi dispersa, pois perderam a sua vida nacional.

11. A Atitude de Israel Para com a Lei.

Quando Moisés falou as palavras desta Aliança aos filhos de Israel, "todo o povo respondeu a uma voz, e disse: Tudo o que falou o Senhor, faremos". Êx 24.3. Em três diferentes ocasiões solenemente assumiram as obrigações da Aliança (Êx 19.8; 24.3,7) e em seguida o sangue foi aspergido sobre eles como selo do empreendimento.
Contudo, Moisés mal havia voltado ao monte para receber outras instruções, quando o povo abandonou a Deus e Sua Aliança e fez para si outros deuses. O fracasso foi tão grande da parte do homem, que Deus ameaçou revogar a Aliança em sua totalidade e destruir inteiramente a nação. Mas Moisés invocou a Aliança com Abraão (e aparentemente invocou a base redentora da Aliança Mosaica também) e Deus atendeu à sua intercessão em favor de Israel. Êx 32.11-14,30-33.
Vez por outra Israel falhou em guardar os Mandamentos do Senhor, seus Estatutos e Instruções, mas, apesar de puni-los muitas vezes por seus pecados, Ele jamais retirou a Sua oferta de fazê-los a sua propriedade peculiar, o reino de sacerdotes e nação santa. A história de Israel, quer no deserto, quer na terra prometida, sob os reis ou os ministérios dos profetas, no cativeiro ou na restauração, é uma longa história de falha e fracasso, que culminou no pecado maior de todos, o de crucificar o Herdeiro, o prometido Messias.
Ós Pecados de Israel - no deserto - 1) adorar o bezerro, Êx 32. 2) cobiçar carne. Nm 11; 3) recusar entrar em Canaã. Nm 14; 4) Moisés bateu na rocha. Nm 20.7-12; 27.14. Devia ter simplesmente falado.
Os Pecados de Israel - na terra da Promissão: (Depois de terem renovado a promessa de fidelidade, pouco antes da morte de Josué. Js 24.14-26). O inteiro livro de Juizes é o relato de falhas e fracassos, apesar das repetidas libertações dos povos vizinhos por parte de Jeová. 1) Idolatria. Jz 2.1-5,10,11; 2) Pediram um rei. 2) Sm 8.3-8; 3) Não destruíram os amalequitas. I Sm 15. 17-35; 4) O adultério e homicídio de Davi. II Sm 11.13-18; 5) Idolatria de Salomão. I Rs 11.1-13. 6) A Idolatria de Jeroboão. I Rs 12.25-33; 17.7-23; 7) A impiedade de Reoboão. I Rs 14.21-24; Atalia. II Rs 11.1-3; Acaz. II Rs 16.1-24; Manasses (o mais ímpio), II Rs 21.1-18; Zedequias (em cujo tempo Judá foi levado ao cativeiro na Babilônia).
II Rs 25.1-26.
Os Pecados de Israel no Cativeiro. Naturalmente, julgaríamos que os exilados judeus na Babilônia tivessem aprendido essas lições que Deus lhes ensinava. O ministério do profeta Ezequiel durante esse cativeiro, foi para com um povo de rebeldes, de duro semblante e obstinados de coração, homens que levantaram os seus ídolos dentro do seu coração. Ez 2.3,4; 14.3.
Os Pecados de Israel na Restauração. Israel aprendeu apenas parcialmente a lição do cativeiro, pois o resto que voltou para a Palestina logo se afastou do Senhor e tratou casamentos com os ímpios cananeus que haviam permanecido na terra. Ed 9.1,2. A segunda leva de exilados que voltou nos dias de Neemias jurou obedecer à lei (Ne 9.1; 10.29) mas não demorou muito e esses também começaram a violar o Sábado e a tratar casamentos com os demais habitantes da terra. Ne 13.15-30. Malaquias foi o último dos profetas que Deus lhes enviou. Sua rígida mensagem denunciava a sua apostasia e a corrupção do sacerdócio. Ml 3.7-15. Ofereciam pão poluído e animais cegos, aleijados e doentes. Ml 1.7-14. A família sacerdotal corrompeu a aliança levítica e afastou-se do caminho do Senhor. Ml 2.7-15.
O Período de 400 Anos Entre Malaquias e Cristo. Jeová manteve silêncio durante esse período, até à vinda do Seu Filho. A Palestina nesse tempo ficou sob o domínio dos persas, sírios, e romanos. Durante o reinado de Antíoco Epifânio (175 a 164 a.C), rei da Síria, os judeus tiveram alguns verdadeiros heróis, como sejam os filhos de Matatias, o sacerdote. Judas Macabeu era o mais proeminente desses sete filhos, sendo ele quem chefiou um levante santo da nação em sua Juta contra Antíoco e seus comparsas ímpios, que tiveram a intenção de conduzir toda a nação às abominações do culto, ao falso deus Baco, o deus do vinho. A maioria dos judeus, contudo, era apóstata e quando Cristo apareceu em Israel, Ele encontrou a nação sendo dirigida pelos escribas e fariseus os quais Jesus denunciou como sendo hipócritas, orgulhosos, autosuficientes e injustos. O maior pecado da nação israelita foi o de crucificar o seu Messias e Rei, por causa da insistência desses líderes.
12. O Juízo de Deus sobre a Nação. Esse juízo divino sobreveio à nação judaica pela destruição de Jerusalém pelos exércitos romanos sob o General Tito, no ano 70 a.D., ou seja, quarenta anos depois da crucificação de Jesus. A história registrou a morte de mais de 1 milhão de judeus nessa ocasião e que a nação ficou espalhada entre as nações do mundo, em cumprimento dos avisos dados por Moisés. Dt 28.25.

13. A Aliança com Davi.

 II Sm 7.16; SI 89.28,34-37. Após os primeiros 450 anos de fidelidade da parte de Deus e de infidelidade da parte do homem, Israel acrescentou mais um pecado à longa lista de transgressões contra a lei de Deus. Israel se enfadou de sua relação de ser sacerdote em favor das demais nações e queria ser igual às outras. Não quiseram mais Jeová como Rei sobre eles, mas queriam um rei como as outras nações. Mesmo assim, a paciência e a graça de Deus não se esgotaram e Deus concedeu-lhes o seu pedido, reservando para Si apenas o direito de escolher esse rei. O primeiro rei que escolheu foi aquele que a nação teria escolhido, um homem de boa aparência, alto, que ficava de cabeça e ombros acima dos demais. O mal que Saul praticou e o desapontamento que ele causou a Israel, serviram para preparar o caminho para a coroação da escolha de Deus, Davi, filho de Jessé.
Com esse jovem Deus fez aliança, porque era homem "segundo o coração de Deus", prometendo-lhe que: 1) de sua semente viria o PROMETIDO; e 2) o Messias sentar-se-ia no trono de Davi eternamente. Dessa maneira, a promessa messiânica feita pela primeira vez em Gn 3.15, e depois a Abraão, Isaque, Jacó e Judá, agora se concentrou na casa real de Davi.
V
14. Deuteronômio.

O livro de Deuteronômio é uma repetição das provisões da Aliança Mosaica, como o nome indica, (segunda lei) escrito em benefício do povo que estava para entrar em Canaã. Os capítulos 29 e 30 são considerados por certos eruditos como um novo pacto com Israel, ou seja, a Aliança Palestínica.

15. A Dispensação da Lei é Exclusivamente Judaica.

A dispensação da lei é exclusivamente a dispensação do povo de Israel. Êx 19.3; 20.2. As provisões dessa aliança com seus mandamentos e promessas concernem somente a Israel. A instituição do Sábado era uma instituição exclusivamente judaica, a qual foi dada como "sinal" entre Jeová e Israel (Êx 31.13-17), tal qual o arco-íris era o sinal da Aliança com Noé e a circuncisão sinal da Aliança com Abraão.
O propósito de Deus para com esse povo foi o seguinte: a. Dos judeus viria o Rei, o Messias, cujo ministério de redimir a humanidade é amplamente prefigurado no Tabernáculo, e nos sacrifícios. Os detalhes do Seu ministério e reinado foram apresentados nas profecias de Moisés, Davi, Isaías, e todos os profetas. b. A nação de Israel serviria diante de Jeová como "sacerdotes", intercedendo como mediadores a favor dum mundo ímpio . cx 19.6. Nesse ministério Israel foi um grande fracasso.
 Em vez de desejar a salvação das nações, desejava a destrui-ção das mesmas, como foi o caso de Jonas que Deus enviou a Nínive. c. Através de sacrifícios e oferendas, Israel foi preparado a receber e presenciar em seu meio a glória de Deus. Nesse sentido foi o mais favorecido de todos os povos da terra, sendo o povo no meio do qual Deus se manifestava. Êx 33.16. Foi através de Israel e no meio dele que todos os povos do mundo teria o conhecimento de Deus. d. O povo judeu recebeu, preservou e transmitiu as Escrituras do Velho Testamento, as quais constituem uma grande luz para o mundo inteiro, e. Muitas vezes Israel foi o instrumento de juízo sobre as ímpias nações cananéias. f. Em razão de seus repetidos fracassos e constante demonstração da misericórdia do Senhor, Israel serviria para demonstrar a todas as nações do mundo que Deus usa de grande misericórdia para com os homens, g. A incapacidade de Israel de guardar a lei, anão ser pelo poder de Deus, demonstraria perante todo o mundo que a verdadeira justiça não se consegue pelas obras da lei, como Israel em sucessivas gerações tentava conseguir durante um período de 1500 anos, sem resultado. Rm 8.3,4. h.
A experiência cotidiana desse povo, através da aplicação da lei, revelaria a eles e ao mundo todo, a natureza excessivamente má de toda transgressão contra a vontade de Deus. Rm 7.13; 3.20; Gl 3.24.
Esses propósitos de Deus para com o povo judaico durante a dispensação da lei cumpriram-se. É verdade que Israel em si fracassou em guardar a lei, e por isso Deus foi obrigado a afastá-lo de Sua presença. No entanto, quanto ao plano maior que Deus teve em mente, isto é, de prover a redenção para toda a raça humana, esse plano sim se concretizou. Portanto, a dispensação da lei alcançou a utilidade prevista por Deus. A dispensação nos seus momentos finais viu o juízo divino descer sobre os judeus, mas ao mesmo tempo serviu para introduzir outra dispensação, a mais espiritual até então conhecida, a dispensação da graça. 


                                  
                                        DISPENSAÇÃO DA GRAÇA


2. A Duração desta Dispensação vai da crucificação de Cristo à Sua Segunda Vinda, período que já abrange quase 2.000 anos. Com a morte de Cristo, Deus consagrou um "novo e vivo caminho" de acesso à Sua Pessoa. Hb 10.20. Esse acesso ao "trono da graça" (Hb 4.16) e a abolição do caminho cerimonial foram simbolizados pelo rasgar do véu do Templo no momento em que Jesus morreu. Mt 27.51. Com efeito, esta Dispensação foi inaugurada no Dia de Pentecoste quando o Espírito Santo foi derramado. A experiência pentecostal do poder do Espírito Santo torna real na vida dos crentes, aquilo que Jesus proveu pela Sua morte na cruz. Atos cap. 2.

3. Introdução. Como já observamos, no período pós-diluviano, Deus havia separado um homem, Abraão, e sua família para com eles efetuar a Sua vontade entre os homens. Foi a Dispensação Patriarcal. Em seguida, Deus separou a descendência natural de Abraão, a nação de Israel, para ser o instrumento pelo qual abençoaria o mundo. Infelizmente, essa nação de tal modo desobedeceu a Deus que Ele foi obrigado a espalhá-los sobre a face da terra, terminando sua utilidade direta no plano de Deus de servir o mundo pós-diluviano. Contudo, a Semente-Cristo, havia chegado ao mundo e, através de Sua morte e ressurreição e glorificação, Deus cumprirá Suas promessas ao mundo.

4. Cristo, o Cumprimento das Profecias. Cristo cumpriu todas as profecias messiânicas do Velho Testamento. 1) Cristo foi a Semente da Mulher (Gn 3.15), de nascimento virginal, cuja obra foi esmagar a cabeça da serpente (Lc 10.18; Jo 12.31) e redimir o homem do poder de Satanás. Mt 20.28. Ao efetuar esse resgate, Cristo também foi ferido. Mt 27.26. 2) Cristo foi a Semente de Abraão (Gl 3.16) que veio ao mundo a libertar não somente Israel dos seus inimigos, como também a todo o mundo, a ser uma bênção para todas as nações. Is 66.19; Mq 4.2. Em Cristo todas as cláusulas da Aliança com Abraão referentes aos territórios do Oriente Médio serão cumpridas. Ez 47,48. Será quando esse povo, grandemente arrependido, tiver sido purificado (Zc 13.9; 12.10; 8.23), que Deus o fará uma grande bênção a todas as famílias da terra. 3) Cristo foi o "Profeta semelhante a Moisés" (Atos 3. 22-26), que veio para falar-lhes a Palavra de Deus. Dt 18.15; Jo 12.49. Cristo foi "nascido sob a lei", Gl 4.4, e veio cumprir a lei. Mt 5.17,18. Os tipos e simbolos do Tabernáculo, e dos estatutos da Aliança Mosaica foram todos consubstanciados em Cristo. Cl 2.16,17; Hb 10.1. Muitas outras profecias e ocorrências encontradas no Pen-tateuco, nos Salmos e nos Profetas têm seu exato cumprimento em Cristo. Lc 24.27-44. 4) Cristo veio como "Filho de Davi". Na Sua primeira vinda ao mundo, Cristo não veio para imediatamente restabelecer a dinastia de Davi, pois logo em seguida Israel suportaria intensa disciplina - a Dispersão entre as nações. O "Filho de Davi", quando terminada a obra da redenção, retirou-Se à presença do Seu Pai, onde está sentado no trono (Ap 3.21), aguardando o momento para retornar à terra a fim de sentar-se sobre o "trono de Sua glória", durante o reino mundial de 1.000 anos. Mt 25.31.

5. A Nova Aliança. Tal qual Moisés foi mediador da Aliança Mosaica, assim Cristo é o Mediador da Nova Aliança. Hb 8.6; 9.15; 12.24. Com a vinda de Cristo, a Velha Aliança, a Mosaica, terminou, como Paulo afirma em Rm 10.4; Gl 3.19. Seria o caso de esperar que Ele então apresentasse a Nova, o que de fato aconteceu quando celebrou a Ceia com Seus discípulos, Lc 22.20; I Co 11.25. Ele disse: "Este é o cálice da Nova Aliança no meu sangue derramado em favor de vós". Lc 22.20; Mc 14.24; Mt 26.28.
Uma aliança é um pacto ou concerto. A Nova Aliança inclui a presença de "testamento" ou "legado", que se torna válido à morte do Testador, que é Cristo. Gl 3.15. "Porque onde há testamento é necessário que intervenha a morte do testador; pois um testemunho só é confirmado no caso de mortos; visto que de maneira nenhuma tem força de lei enquanto vive o testador." Hb 9.16,17. Esse período jurídico referia-se também à Velha Aliança Mosaica, pois essa também foi introduzida, dedicada e sancionada pelo derramamento de sangue. Hb 9.18-20. O derramamento de sangue significava a morte do testador e concedeu a natureza de "dádiva" ou "graça" à aliança. É o que significa a presença dum "testemunho" ou "legado". A Aliança Mosaica era transitória e de qualidade "assistencial", não definitiva; como se pode entender pelo fato de serem animais que foram sacrificados como tipos do Cordeiro de Deus que posteriormente daria a Sua vida. Quando Jesus então anunciou que o Seu sangue seria o sangue da Nova Aliança, entendemos que Ele Mesmo era o Testador (o Doador) da Nova Aliança e do Novo Testamento. Hb 9.25,26; 10.29; 13.20. A Nova Aliança é portanto um "legado" da graça divina e ela entrou em vigor à morte de Cristo. I Pe 1.4. Essa é a Aliança que foi prometida em Jr 31.31-34.
As superiores Promessas da Nova Aliança são relatadas em Hb 8.6-13. 1) Haveria remissão dos pecados, como Jesus disse: "... isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados". Mt 26.28. Lembra-nos que uma das provisões desta Aliança seria o perdão dos pecados. Ez 36.25; Hb 8.12. 2) Haveria um novo coração. Hb 8.10. "Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne." Ez 36.26. Jesus disse ao povo: "... o pão que eu darei pela vida do mundo, é a minha carne". Jo 6.51. "Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a svida eterna..." Jo 6.54. São expressões que indicam que foi pela Sua morte que Jesus nos deu a vida eterna. Também nos prometeu a Sua paz e Seu gozo. Jo 14.27; 15.11. Ele afirmou ainda: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos a ele e faremos nele morada". Jo 14.23. Em Sua oração sacerdotal Jesus também disse: "... eu neles e Tu em mim", Jo 17.23. São expressões que cumprem a promessa dum "novo coração", que será obra de Jesus e do Pai, pelo poder do Espírito Santo. 3) Haveria também a concessão do Seu Espírito. Em Ez 36.27 foi prometido: "Porei dentro em vós o meu Espírito..." Jesus, na qual idade de Mediador da Nova Aliança, explicou: "E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco", o Espírito da verdade... o Espírito Santo". Jo 14.16,17,26. Ele também prometeu: "Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai..." (Lc 24.49), promessa que se referia ao batismo no Espírito Santo como foi recebido no dia de Pentecoste. At 2.1-4. 4)
Haveria Cura Divina para os males físicos. Tal qual a Velha Aliança (Cap. VI), assim a nova prometeu: "Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados." Tg 5.14,15.
A responsabilidade do homem para com a Nova Aliança, à semelhança da Aliança Adâmica é, que ele creia em Jesus e expresse a sua fé, confessando publicamente o nome de Jesus. Mc 16.16; Jo 6.47; Mt 10.32; Rm 10.9,10; Jo 14.15; Tg 2.17.
Uma Nova Característica desta Aliança é a sua universalidade, fato que Jesus claramente declarou. Suas provisões e promessas seriam em benefício de todas as nações e de toda criatura. Lc 24.47; Mc 16.15; Mt 28.19,20.
Em suma, podemos dizer que Cristo é o Mediador, o Testador (Doador) e o Legado da Nova Aliança, sendo o Seu sangue que a inaugurou. Suas provisões são destinadas a todos os homens, tendo por condição única, a fé em Jesus Cristo.

6. A Relação da Nova Aliança Com as Prévias. Em certo sentido a Nova Aliança pode ser considerada como aliança "renovada" (I Jo 2.7,8), sendo que a finalidade de todas as alianças sempre foi a de servir de bênção para a humanidade. Ela é chamada de "aliança eterna" (Is 61.8; Jr 32.40; Ez 16.60), pois sem dúvida as suas provisões já estavam no coração de Deus quando antes da fundação do mundo o Cordeiro de Deus foi morto. A Nova Aliança cumpre a Aliança Adâmica, acrescidos vários detalhes maravilhosos. A Aliança com Abraão também encontra a sua explanação, expansão e um quase completo cumprimento na Nova Aliança. Gl 3.6-9,14. As maravilhosas promessas feitas a Israel sob a Aliança Mosaica tornaram-se agora extensivas aos crentes de todas as nações. Ap 14.9.

7. O Propósito Divino Nesta Dispensação. Na Dispensação Israelita, era a intenção de Deus habitar entre o Seu povo e prover-lhes purificação (SI 32.1,2; Is 1.18), ser a vida e santidade deles (SI 27.1; 71.16), e por meio deles ser uma bênção a toda a terra. SI 67. Mas em razão do pecado de Israel e seu fracasso, Deus foi obrigado a afastar-se deles (Ez 10.4; 11.23) e deixar-lhes a casa vazia.
Mt 23.38; 12.43-45. Na Dispensação Eclesiástica Deus pretende fazer a mesma oferta a cada indivíduo em todas as nações do mundo. Mc 16.15; Jo 17.20,21; Ap 3.20. Assim se vê que agora Deus concede a Sua própria vida e natureza (II Co 5.17-20; 13.5), e o batismo no Espírito Santo. At 2.4,38,39. Essas verdades devem ser pregadas em todo o mundo pelos convertidos a Cristo (Mt 28.20; II Tm 2.2) para que toda criatura tome conhecimento da faustosa oportunidade de receber a plena salvação. "A grande vantagem da Dispensação do Evangelho é esta, que agora ficaram liberadas para todo o mundo, as riquezas da graça que previamente estavam sob a custódia dos judeus que não as administraram bem." - Stevens.
Sob a Dispensação da Lei, Israel constituiu "a congregação no deserto" (At 7.38), mas sob a Dispensação da Graça, todos os indivíduos de todas as nações que aceitam a Cristo, Seu sangue, e Seu Espírito, constituem a "igreja dos primogênitos" (Hb 12.23). Trata-se da igreja redimida pelo sangue de Cristo, o grande povo salvo. Gl 3.28; I Co 12.12,13; Cl 3.11; Jo 17.20-23. Israel antigo participou do mesmo manjar espiritual e bebeu da mesma fonte espiritual. I Co 10.3,4. A igreja também participa do corpo e do sangue de Cristo (Jo 6.53; II Pe 1.4), tornando-se membro desse mesmo corpo. Rm 10.12; Ef 2.14-18; 1.22,23. O propósito de Deus, então, nesta Dispensação Eclesiástica, é formar um povo todo Seu, coeso e forte que O glorificará por toda a eternidade.
O Meio que Deus usa para conseguir esse objetivo supra é a pregação do Evangelho da graça. Mc 16.15; I Co 1.21; Rm 1.16.
O propósito de Deus nesta Dispensação não é o da conversão total do mundo, mas sim "chamar para fora" do mundo (no grego "ek-klesia" - o vocábulo do qual deriva a palavra "igreja"), um povo para o nome de Jesus. At 15.14-17; Mc 16.15,16; I Co 1.21. Muitos não crerão e nem buscarão a Deus, mesmo durante o tempo das pragas que assolarão a terra durante a Grande Tribulação. Ap 9.20,21.

8. O Resultado da Dispensação Eclesiástica. As Parábolas de Mateus cap. 73 revelam claramente que nem todo o mundo será convertido pela pregação do Evangelho, mas sim que todo o curso e o fim desta dispensação caracterizar-se-á por uma mistura do bem e do mal.

Pela Parábola do Semeador (13.3-8,18-23) Jesus preconizou que somente uma quarta parte da semente (Palavra) produz colheita. A expressão "palavra do reino" (v.19) refere-se a toda a Palavra de Deus, como proclamada por Cristo, pela igreja, verbalmente, pela imprensa e mesmo pelo exemplo do povo de Deus. Na primeira situação a Palavra não foi compreendida e Satanás facilmente conseguiu arrebatar a semente antes que germinasse. Vers. 19. Na segunda situação a Palavra-semente germinou, mas sendo que faltou profundeza de terra, foi arrancada pelos ventos de perseguição ou queimada pelo sol da tribulação. Vers. 20,21. No terceiro caso os espinhos, entre os quais a semente foi lançada, representam "os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas" que sufocam. a palavra. Vers. 22. Paulo pesarosamente relata o caso de Demas que amou o presente século e abandonou a obra. II Tm 4.10. Na quarta situação a boa terra repre-senta o coração compreensivo e aberto que produz abundante colheita espiritual. Vers. 23.

A Parábola do Joio ensina-nos a mesma lição: que a pregação do Evangelho não fará converter todo o mundo. Mesmo no campo mais frutífero, Setanás semeia o joio que nasce e cresce junto com o trigo até o tempo da ceifa. Mt 13.24-30; 36-43. A semente nesta parábola já é diferente da semente da parábola do semeador, sendo que ela representa "os filhos do maligno". Vers. 37,38. Satanás introduz a sua semente de evangelhos falsos no meio dos homens, produzindo um cristianismo espúrio. Vers. 38. A colheita é a consumação do século (presente), quando Deus tomará as providências necessárias, por Seus agentes, os anjos, que recolherão o cereal verdadeiro para os celeiros divinos e ajuntarão o joio para o queimar "na consumação do século" (Grego-aioon). Vers. 39-42.

A Parábola do Grão de Mostarda (Mt 13.31,32), ao contrário da interpretação popular, que ela represente o crescimento da igreja, começando como uma coisa insignificante e finalmente enchendo a terra, abrigando nações (as aves do céu) em seus ramos, ensina a corrupção geral no fim dos tempos. Chamamos a atenção ao fato de que esçe crescimento é anormal e sem substância, pois a mostarda não passa duma erva pequena do campo. Ela não poderá transformar-se em árvore. A parábola realmente ensina que o cristianismo, começando pequeno, em vez de procurar um desenvolvimento normal e sadio, de separação do mundo, tornou-se uma grande instituição, até política em caráter, como se vê na Igreja Católica Romana, essa organização em cujo meio existem muitas "aves" - gente não convertida, e mesmo poderes de demônios (Ap 18.2). As aves nesta parábola não significam nada bom quando na parábola do semeador (vers. 4 e 19), na mesma série de ensinos, representam as artimanhas de Satanás. Concluímos então afirmando que grande parte do cristianismo, em vez de desenvolver uma vida normal espiritual, de pobre de espírito e separado para Deus, tornou-se uma instituição mundana, com feição política que jamais tentou esconder.

A Parábola do Fermento, segundo a interpretação popular, ensinaria que o fermento é o evangelho que a mulher, a Igreja, introduziu no mundo (as três medidas de farinha). Esse fermento, dizem eles, operando secretamente, espalha-se por toda a massa e no fim produzirá a conversão integral de todo o mundo. Não concordamos com essa teoria, porque a história da Igreja até aqui não a confirma. Em nenhum pronunciamento ou profecia Jesus prometeu tal coisa, e nem tão pouco os apóstolos. É altamente perigoso criar uma doutrina com base só em parábola. O bom senso ensina buscar a interpretação de parábolas em claras e indiscutíveis doutrinas dos Evangelhos e das Epístolas, e também observar o curso da história.
A parábola realmente representa a introdução do elemento falso na igreja. A mulher é a igreja falsa que coloca a doutrina falsa no meio do ensino de Cristo, representado pelas três medidas de farinha, ou seja, a oferta de cereais do Velho Testamento, que é claramente uma figura de Cristo, o "Pão da vida", e Seus ensinos. Jo 6.35,63. "Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus". Mt 4.4. "As palavras que Eu vos tenho dito são Espírito e são vida". Jo 6.63. A palavra ou doutrina de Cristo fica adulterada pela introdução da doutrina errônea da parte da falsa igreja. O uso da palavra "fermento" no Velho Testamento é prova dessa asserção, pois o fermento era proibido na festa da Páscoa e em todas as ofertas cerimoniais, com exceção de alguma oferta que claramente tipifica a má natureza do pecado.
Êx 12.8; Lv 7.18; Lc 23.6-14,15-17; Am 4.4,5. Nunca se usou fermento em qualquer oferta de cheiro suave. O uso da palavra "fermento" no Novo Testamento confirma ainda mais essa opinião. Em I Co 5.6-8 Paulo fez o fermento símbolo da malícia e da maldade, em contraste com os pães asmos da sinceridade e da verdade. Jesus avisou Seus discípulos contra três formas de doutrina errada: 1) Dos Fariseus (Mt 23.14,15,23-28), que representam a religião formal, hipócrita, que tem a "forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder". II Tm 3.5. 2) Dos Saduceus (Mt 22. 23-29), que eram os "modernistas" do tempo de Jesus, que negavam toda operação sobrenatural, a existência de anjos, e milagres de qualquer espécie. 3) Dos Herodianos (Mt 22.16-21; Mc 3.6), que eram judeus que se submetiam ao jugo romano e que evidentemente haviam perdido qualquer esperança messiânica. Não passavam dum partido político. Seriam os precursores das atividades políticas que hoje se vê no cristianismo que ostenta tantas reformas por meio de legislação, educação e união com o mundo de modo geral. Especialmente o Concilio Mundial de Igrejas, cuja influência se faz sentir em todo o mundo, até mesmo junto aos governos dos países, está envolvido com esse tipo de atividade.
Em conclusão sobre o ensino dessas quatro parábolas citamos o Dr. G. Campbell Morgan: "Evidentemente, estas quatro parábolas não retratam uma época em que o bem ganha a ascendência até a perfeição se concretizar; mas é uma época caracterizada por conflitos em que se julgava que o mal triunfaria e não o bem. Na parábola do semeador se vê a obra do Rei, espalhando a boa semente a fim de conseguir os resultados do reino de Deus.
A obra do inimigo é manifesta por suas tentativas de impedir tais resultados por prejudicar a semente através da terra em que foi semeada. Na parábola das duas sementes (joio) é revelada a obra do Rei como também do inimigo que semeou o joio no mesmo campo. Na parábola da mostarda, a qual, contrário às leis da natureza, produz uma grande árvore, notamos um crescimento anormal, um aborto, algo não cogitado, e que por conseguinte falta todos os elementos de firmeza e resistência. No fermento... temos a forma mais simples de corrupção".
"Claramente nestas parábolas Jesus não está descrevendo a verdadeira natureza do reino de Deus, mas sim manifestando algo das lutas que seu reino iria enfrentar no curso da História."
Na Parábola do Tesouro (Mt 13.44) podemos entender que esse tesouro é a alma preciosa dos homens em todo o mundo, tal qual Israel foi para Deus um tesouro. SI 135.4; Êx 19.5; Ml 3.17. O tesouro sendo ocultado representa o homem perdido no meio dos pecados. O campo é o mundo. Quando o homem "foi vender tudo" ele figura Cristo que deixou a Sua glória na presença do Pai (Fl 2.6-8) para "comprar" o campo, o mundo, pelo preço do seu próprio sangue. I Pe 1.18,19; Jo 11.51. O gozo que o homem experimentou figura o gozo de Cristo ao ver os salvos, fruto do seu sofrimento. Hb 12.2. Seria a conversão duma grande multidão, a Igreja, a Sua esposa que com Ele reinará.

Na Parábola da Pérola encontramos outra figura de Cristo sofrendo a fim de redimir o povo. As pérolas são formadas por ataque de parasitas ou por introdução dum corpo estranho, como seja um grão de areia, na estrutura muscular da ostra. Sentindo a dor que isso ocasiona, o organismo reage, cobrindo a área com uma secreção. A secreção endurece e logo vem outra camada da mesma substância. As sucessivas camadas então formam a pérola. É uma ilustração da Igreja que também é formada pelo sofrimento de Jesus. Rm 16.26; Ef 3.3-10; 5.32. Tendo Cristo sofrido por ela, Ele também a prepara para apre-sentação a Si mesmo. Ef 5.25-27.

Na Parábola da Rede (Mt 13.47-50) temos uma nítida representação da separação entre os bons e os ruins na consumação dos séculos, provavelmente durante a Grande Tribulação. É a hora em que tudo que "serve de pedra de tropeço" será lançado fora. Essa parábola tem um paralelo na descrição da ceifa e da vindima da terra, em Ap 14.14-20. Os anjos serão os ministros desse juízo. Ap 7.1; 8.2,7; 10.1. Nota-se também o destino final desses' iníquos, a fornalha de fogo, isto é, o lugar de destruição eterna, o Lago de Fogo. Ap 20.10-15.


9. Conclusões Finais Sobre a Natureza Desta Dispensação. A Dispensação da Graça não é apenas uma extensão ou continuação da Dispensação da Lei sob um outro nome. A Lei e os Profetas duraram até João Batista. Mt 11.12,13. Moisés e a Lei pertenciam a uma dispensação; Cristo e a graça pertencem a outra. Portanto, não há lugar na Igreja para os ritos cerimoniais, sacrifícios de carne, instituição de sacerdotes como mediadores entre Deus e os homens, suntuosos templos, etc. Também não se justifica "Igrejas do Estado", nem Igrejas universais, que exerçam o poder temporal, como é a pretensão da Igreja Católica Romana. Cristo reinará temporalmente somente ao voltar do céu e estabelecer o Seu reino milenial.

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