sábado, 12 de julho de 2014

HERESIA E FALSOS PROFETAS




Heresia 2 PEDRO 1-2)

As similaridades entre o segundo capítulo desta epistola e a epístola de Judas são tão grandes e óbvias, que quase todos os eruditos admitem que um deles copiou do outro. Alguns crêem que Judas copiou de 2 Pedro; mas, a maioria afirma que o presente capitulo foi tomado por empréstimo da epístola de Judas.

"O livro de Judas era peça literária conveniente como base, porquanto o autor sagrado desta epístola desejava mostrar que os falsos profetas, referidos no A.T., podem ser reputados como progenitores espirituais dos hereges gnósticos da Ásia Menor; o material da epístola de Judas, que também ataca o gnosticismo, contém muitas declarações que se adaptam bem a esse tema. Posto que na antiga dispensação havia profetas falsos, não é de surpreender que encontremos, na igreja moderna, elementos falsos, que procuram introduzir doutrinas perniciosas no cristianismo. O capítulo segundo desta epístola é uma exposição sobre a depravação, a falsidade e a natureza destruidora da heresia gnóstica.

2:1:     Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá faltos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até e Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.

O sistema gnóstico era a suposta descrição de um meio de salvação. Pintava o homem como criatura decaída, necessitada de ajuda para retornar a Deus. Mas o caminho de retorno era, pelos gnósticos, tido como possível por uma sucessão quase interminável de seres angelicais secundários, todos eles mediadores de alguma maneira. Os gnósticos esperavam que, mediante o «conhecimento», os homens pudessem ser salvos. Mas o conhecimento deles vinha mesclado com o ascetismo, com a licenciosidade, com as artes mágicas e com os ritos secretos de um misticismo falso. Este versículo e Cl 1:20 e ss. mostram que quase todos os gnósticos negavam a doutrina da «expiação» de Cristo como algo que tem valor para o retorno do homem a Deus. Para eles, Cristo não era um Salvador todo-suficiente. Ele seria apenas um outro dos «aeons», que contribuiria com os demais para a salvação do homem. Alguns gnósticos viam em Cristo o mais elevado dos «aeons» e também o Deus criador deste mundo, havendo, naturalmente, muitos outros mundos, com outros tantos deuses e salvadores. Mas alguns gnósticos nem ao menos atribuíam tão elevada posição a Cristo. Eis por que passagens como Jo 1:1-3; Cl1:15 e ss.; e Ef 1:19 e ss. afirmam tão incisivamente que somente Cristo é o criador de todos os mundos possíveis. E é também por esse motivo que Cl 1:20 e ss. mostra que Cristo é o único Salvador. E é também por isso que 1 Tm 2:5 declara que há «um só Deus» e também «um só mediador» entre Deus e os homens. Os gnósticos negavam a ambas essas proposições. Todas as passagens mencionadas rebatem declarações dos mestres gnósticos. Essa heresia assediou a igreja cristã pôr cerca de cento e cinqüenta anos.

«...falsos profetas...» O autor sagrado passa agora a mostrar que não nos devemos surpreender se falsos mestres surgirem no cristianismo. No antigo Israel também surgiram falsos profetas entre o povo. Isso subentende que, em qualquer era, a comunidade religiosa contará com elementos radicais e falsos, destruidores da fé e do bem-estar espiritual. (Ver Dt 13:1-5; 18:20; Jr 5:31; Ez 13:3 e Lc 6:26 quanto a referências a tais indivíduos, que viveram nos tempos vetotestamentários). Balaão é especificamente mencionado no décimo quinto versículo deste capítulo, fazendo paralelo com a referência em Jud. 11. Ele é um exemplo de profeta falso; e o autor sagrado assevera que haverão muitos iguais a ele nas igreja do N.T.

«...entre vós falsos mestres...», a saber, como os gnósticos que provocavam dificuldades nas igrejas da Ásia Menor. Esses eram «filhos espirituais» dos profetas falsos do A.T., e eram tão depravados e perniciosos como aqueles. Indiretamente, o autor sagrado vincula as comunidades religiosas da antiga e da nova dispensação, dando a entender que a nova é a continuação da antiga. Ora, isso os gnósticos também negavam. Alguns deles admitiam que vários dos profetas do A.T. seriam homens «psíquicos», isto é, dotados de espiritualidade secundária, passíveis de um baixo grau de redenção e glória; mas os gnósticos se imaginavam os «pneumáticos», isto é, homens espirituais em elevado grau, capazes de receber a mais elevada redenção, a saber, a reabsorção na própria essência, com a perda da personalidade, em que o ego se tornava então o superego. Os «psíquicos» seriam remidos através da «fé», ao passo que os «pneumáticos» o seriam através do «conhecimento», o que, na concepção dos gnósticos, era superior à fé. E à maioria dos homens os gnósticos classificavam como «hílicos», isto é, «terrenos», totalmente incapazes de serem remidos, porquanto estavam assoberbados pela «matéria», o «princípio do mal», nunca podendo desvencilhar-se dela, pelo que deveriam perecer juntamente com a matéria, em meio a grande conflagração.

A passagem de 1 Tm 1:4 contradiz essas idéias gnósticas, mostrando-nos que a vontade de Deus é que todos os homens sejam salvos. Daí se infere que todos os homens podem ser remidos. Pelo que se tem dito aqui, pode-se ver que razões há para chamar os gnósticos da Ásia Menor de «falsos mestres». Além de seus erros doutrinários, eles se mostravam ascetas ou libertinos, ou seja, negavam o bom senso da ética cristã. A variedade gnóstica que perturbava as igrejas da Ásia Menor era a variedade libertina, conforme este capítulo passa a mostrar.

«...dissimuladamente heresias destruidoras...» Alguns tradutores prefe­rem dizer aqui «secretamente»; e outros dizem «em particular». Os métodos de ensino dos gnósticos eram subversivos. Nunca entravam em uma comunidade declarando em que criam. Mostravam-se astutos, procurando firmar o pé, antes de dizerem sua posição. O termo grego «pareisago» indica «trazer secretamente», «trazer maliciosamente». A metáfora tencionada é a de um «espião» ou «traidor», cujo propósito é o de prejudicar ou destruir, que oculta o seu verdadeiro intento. (Comparar com o quarto versículo da epístola de Judas—os falsos mestres «...se introduziram com dissimula­ção...», isto é, sem serem percebidos ou temidos da parte de pessoas simples e inocentes, que confiavam demais nos outros).

«...heresias...» O vocábulo grego «airesis» vem do verbo que significa «escolher», ou seja, indica, basicamente, «selecionar uma doutrina ou uma atividade». (Ver At 5:17; 15:5 e 26:5). No grego antigo, essa palavra era usada para indicar qualquer «seita», como a dos fariseus, a dos saduceus, etc., dando-lhe um sentido em coisa alguma negativo. Gradualmente, porém, o sentido negativo foi sendo atribuído ao termo. Ficou assim subentendido que tal «escolha» diferia da escolha normal dos cristãos. O primeiro uso da palavra, no N.T., descreve homens «facciosos» na igreja, por razão de busca pessoal de poder e egoísmo. Muitos existem que possuem credos ortodoxos, mas que, de acordo com o ponto de vista do N.T., são «hereges». Todos quantos causam divisões, criando denominações e erigindo para si mesmos pequenos reinos, difamando a outros em suas prédicas e se envolvendo em «lutas de poder» na igreja ou suas organizações, de acordo com essa definição, são «heréticos». (Ver 1 Co 11:19 e Gl 5:20).

No presente versículo, porém, certamente está também em foco um sentido que essa palavra adquiriu posteriormente. Os gnósticos causavam divisões, mas também «preferiam» um sistema doutrinário contrário ao do cristianismo moral, sendo assim «hereges» no exato sentido em que esse vocábulo tem na atualidade. Defendiam doutrinas não-ortodoxas, criando uma mensagem que não era a boa mensagem cristã.

«...destruidoras...» Essencialmente por causa da vil posição a que reduziam a pessoa e a obra de Cristo. Para os gnósticos, em sentido algum Cristo era «ímpar», como «o Filho de Deus», pois seria apenas uma, dentre muitas emanações angelicais ou «aeons», um, dentre muitos mediadores e salvadores. A obra de Cristo seria significativa, mas não sem-par. Evidentemente, não viam valor em sua morte como expiação definitiva pelo pecado. Imaginavam que a destruição do corpo físico é que os libertaria do pecado, e de que agora a alma é libertada de seus maus resultados através de ritos mágicos. Quanto à ética, os gnósticos combatidos nesta epístola se mostravam totalmente licenciosos. Eles «puniam» o corpo com a depravação, pois imaginavam que tal ação cooperaria com o desígnio do sistema do mundo, que visaria destruir eventualmente o corpo, a fim de libertar a alma, permitindo-lhe o seu vôo para a realidade última. Portanto, suas doutrinas éticas transtornavam a conduta cristã apropriada, levando os homens para longe de Deus, e não para perto do Senhor, pois «sem a santificação, ninguém verá a Deus» (Hb 12:14).

«...renegarem o Soberano Senhor que os resgatou... » Os gnósticos negavam que Cristo é «soberano» no sentido afirmado pelo cristianismo normal, fazendo dele apenas um dos «aeons». Para eles, Cristo não era «Senhor» em qualquer sentido veraz, porque seria apenas um senhor entre muitos. Mas o trecho de Cl l:15 e ss. expõe vários pontos da superioridade de Cristo, e essa passagem foi escrita especificamente para definir o «senhorio» de Cristo, em contraste com a posição secundária que os gnósticos atribuíam a ele. O termo aqui usado no grego é «despotes», traduzido aqui por «Senhor». E esse era o vocábulo que os gnósticos davam ao governante absoluto. Dentro do sistema deles, havia muitos senhores angelicais, as emanações divinas ou «aeons», muitos dos quais tinham áreas sobre as quais governavam. E os gnósticos não tinham Cristo como o Senhor dos anjos, conforme se aprende em Ef 1:19 e ss. e Cl 1:16. Esse vocábulo é usado por dez vezes no N.T.; por cinco vezes com o sentido de «senhor de uma casa», o governante absoluto de um clã. Ao referir-se a Deus, indicava Deus como o dirigente absoluto do universo. (Ver Lc 2:29 e At 2:24 quanto a esse vocábulo usado para indicar «Deus». Comparar com Cl 2:19 quanto ao fato que os gnósticos não reputavam Cristo como «o Cabeça»).

«...os resgatou...» O grego diz aqui «agoradzo», «comprar». (Comparar com 1 Pe 1:18,19, onde se vê que é o «sangue de Cristo» que compra, embora ali tenha sido usado um termo grego diferente do daqui. Assim sendo, a negação feita pelos gnósticos tinha algo a ver com a rejeição da expiação de Cristo como elemento de valor no plano de redenção. Eles pensavam que poderiam livrar-se do pecado abusando do corpo, promovendo a fuga da alma para o campo da realidade final, mediante ritos mágicos, conhecimento para os iniciados—um falso misticismo. Tudo isso, segundo a concepção deles, eliminava a necessidade de expiação pelo pecado, segundo o N.T., ensina. A maioria dos gnósticos tinham o ponto de vista «docético» sobre Cristo, isto é, que a sua natureza humana seria ilusória; sua vida como homem seria apenas um «ato» fingido da parte de um «aeon» qualquer; e os sofrimentos de Cristo não teriam sido reais, o que eliminava mais ainda qualquer valor em sua expiação. Essa é a idéia de expiação, subentendida no presente versículo. Cristo torna os homens propriedades suas, mediante o valor de seu sangue vertido.

Não precisamos estender a metáfora a ponto de perguntar «para quem» foi pago o preço. Alguns têm imaginado que o preço foi pago para «Satanás», e outros pensam que o foi para «Deus», como que para aplacá-lo e tirar-lhe da mente a idéia de julgar aos homens. A metáfora usada não precisa ser desenvolvida a esse ponto; e, se assim o fizermos, cairemos em problemas teológicos. (Ver Hb 10:29; onde são mencionados aqueles que pisavam ao Filho de Deus e profanavam o sangue do pacto, através do qual tinham sido consagrados).

«...repentina destruição...» O fim de tais heréticos é a perdição, e não a salvação, embora totalmente imaginassem que seu sistema, por eles mesmos criado, pudesse leválos à salvação. (Comparar isso com Judas 4,15,17). A condenação dos hereges é certa e terrível, sendo pintada como algo que subitamente lhes sobrevirá. (Ver Cl 3:6). No presente versículo, mui provavelmente, o autor pensava sobre a «parousia» como aquele acontecimento que trará súbita perdição para os hereges; e ele esperava tal acontecimento para seu próprio período de vida terrena, conforme fica demonstrado no terceiro capítulo desta epístola. Seja como for, conforme Deus computa o tempo (ver 2 Pe 3:8), esse acontecimento e a subseqüente perdição eterna dos heréticos não podem estar mesmo longe.

«Há um melancólico humor na advertência que todo aquele que introduz heresias destruidoras na igreja, traz súbita perdição para si mesmo, 'reservados para o dia do juízo e destruição dos homens ímpios' (2 Pe 3:7). O jogo de palavras com o termo grego 'apoleia'(perdição) é intencional e eficaz». (Barnett, in loc).
Se este versículo não ensina outra coisa, pelo menos ensina que Cristo soluciona, em favor do crente, o problema de lealdade. Ser alguém cristão é ter a Jesus como seu Senhor; e ninguém tem a Cristo como seu Salvador se também não o tem como seu Senhor e vive de modo a ser uma comprovação desse fato.

2:2: E muitos seguirão as suas dissoluções e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade;

É impossível alguém salientar em demasia o imperativo moral do evangelho. Ele nos ensina que a verdadeira santidade, produzida pelo processo santificador, é imprescindível para a salvação. (Ver 2 Ts 2:13, que declara exatamente isso; e ver 1 Ts 4:3 quanto a «santificação»). Na vida do crente, a santidade deve ser algo mais do que meramente «forense», ou seja, envolve mais do que o decreto divino que nos declara santos em Cristo. Também deve tornar-se uma realidade vivida diariamente. O trecho de Rm 3:21 mostra que o crente deve vir a participar da própria santidade de Deus. E isso não é mero ideal teológico; é mister que se torne uma realidade na vida do crente. Por essa razão é que o Senhor Jesus ordenou-nos ser «santos como é santo vosso Pai celestial» (Mt 5:48). De fato, não pode haver salvação sem essa santidade. (Ver Hb 12:14). A salvação pode ser comparada a uma corrente com vários elos. Acha o homem em qualquer lamaçal onde ele se encontra submerso. Desce até qualquer nível de depravação. É nesse ponto em que o indivíduo pode começar a confiar em Cristo, experimentando a conversão. Porém, a corrente de ouro da salvação não nos abandona ali e nem meramente declara que somos santos, se de fato não o somos. Pelo contrário, o homem sai da masmorra e segura firme o elo da santificação. Por intermédio disso ele é levado até à «glorificação», ao elo da corrente de ouro que atinge a realidade final, aos lugares celestiais (Ef 1:3). Sem esse elo da santificação interrompe-se a corrente e a salvação não pode tornar-se uma realidade.

Exatamente nesse ponto é que os gnósticos tanto falhavam. Transformavam a santidade cristã em licenciosidade. Imaginavam que toda a forma de depravação corporal ajudaria a destruir o corpo; e eles pensavam que o corpo físico é a sede do pecado, por participar da matéria, o princípio pecaminoso, segundo eles pensavam. Daí supunham tolamente que um homem pode abusar de seu corpo mediante várias depravações, especialmente de natureza sexual, sem que a alma em nada fosse prejudicada. Portanto, os gnósticos não entendiam que tanto a alma como o corpo são santos, e que tanto a primeira como este último serão finalmente remidos (ver 1 Co 15:20,35,40). Portanto, o trecho de Rm 12:1,2 retrata a santidade como algo obtido mediante a apresentação do «corpo» a Deus, como um sacrifício vivo.

O que sucedia no sistema gnóstico é que a antiga ética paga veio a ser aceita como prática oficial, através dessa distorção teológica. O vício e o pecado se tornaram a prática oficial e aceita, mediante o truque sofista que a depravação ajuda na destruição do corpo, e que isso é recomendável. Os gnósticos, por conseguinte, haviam desistido da batalha moral, tendo divorciado a santificação da inquirição espiritual. (Isso pode ser confrontado com o trecho de 2 Tm 3:6, que afirma: «Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões»). Os «falsos mestres» incluíam, em suas doutrinas, que a licenciosidade sexual é benéfica para o progresso espiritual do indivíduo; sempre conseguiam encontrar certas mulheres, nas igrejas, dispostas a se submeterem a toda a forma de atos depravados, tendo aceito a posição gnóstica.

«...será infamado o caminho da verdade...» Os próprios mestres falsos haveriam de difamar a ética cristã e sua doutrina de santidade. Mas os de fora, contemplando a igreja conduzir-se como um bordel, e seus «líderes» agindo como se fossem os gerentes do mesmo, haveriam de «zombar» do «caminho cristão», e com razão.

Na epístola de Judas, a lassidão em questões sexuais (perversão focalizada acima de todas, neste versículo), é tratada como um correlato de heresia. (Ver Jd 4,6,8,13,18 e 23). Notemos que aqui o grego usa uma forma plural da palavra aqui traduzida por «práticas libertinas», o que provavelmente indica que os falsos mestres se ocupavam de grande variedade de depravações sexuais, juntamente com outros hábitos morais duvidosos. Seus atos eram variados e freqüentemente repetidos.

«...caminho...»A fé cristã veio a ser conhecida como «o Caminho». (Ver At 9:2; 22:4; 24:14 sobre isso). O «Caminho» seria ridicularizado por estranhos ao virem que tornava os homens ainda mais paganizados que antes. Tudo isso negaria o poder de Cristo, o qual é «...o Caminho...», no dizer de João 14:6, transformando-o em agente de depravação, e não de santidade. (Isso pode ser confrontado com o trecho de Rm 2:24, onde se vê que Paulo acusou os judeus de fazer Deus ser blasfemado entre os pagãos, devido à sua conduta, em contradição à doutrina judaica. Comparar também com 2 Co 6:3, onde Paulo exorta os líderes da igreja a terem cuidado com sua conduta, para não ser «censurado» o ministério). Se fazemos parte da igreja, e especialmente se ocupamos posição de liderança, o que fazemos afeta a avaliação de outras pessoas acerca de Cristo e da fé que ele ensinou. Somos os únicos representantes de Cristo com que algumas pessoas contam. Eles o julgam, com a sua fé, por nosso intermédio. De nada adianta dizer: «Não deveria ser assim». Esse é um fato inegável, que não se pode mudar.

«A semelhança de Pied Pipers, suas palavras suaves engodam os que buscam o novo ensinamento, conduzindo os inocentes à lenta masfirme desintegração de suas mentes, afetos e vontades». (Homrighausen, in loa). Os falsos mestres transmutam «o Caminho» no «caminho de Balaão» (ver 2 Pe 2:15).

«...verdade...» Temos aqui o evangelho em sua verdade ética, representado nos escritos e na predica apostólicos. Provavelmente os gnósticos exageravam e pervertiam a doutrina cristã (especialmente paulina) da «liberdade» acerca de questões indiferentes, transformando-a em libertinagem. Desse modo é que eles «deturpavam» o sentido dos escritos paulinos (ver 2 Pe 3:16). Assim tambémEcumênio descreveu os nicolaitas e os gnósticos como «extremamente profanos em suas doutrinas e em sua conduta». Clemente de Alexandria fala acerca das «vidas despudoradas» dos falsos mestres, o que trazia «infâmia» contra o bom nome do cristianismo.

2:3: também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles faraó de vos negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita.

Este versículo é paralelo a Jd 11 e 16. Os falsos mestres abandonam o juízo correto e o senso espiritual, em troca da «obtenção» do erro de Balaão, tornando-se lisonjeadores, a fim de obterem vantagens financeiras. Os falsos mestres, se utilizam da «religião» para obterem vantagens pecuniárias. Aproveitam-se dos sentimentos religiosos de outros a fim de promoverem seu próprio enriquecimento. Jesus repreendeu os líderes religiosos do judaísmo, devido ao seu hábito de «roubarem» as casas das viúvas. Obtinham as propriedades das viúvas por meios ilegais, ou então encorajavam-nas a doarem as mesmas ao templo; e daí, o passo era bem curto, até cair tudo nas mãos deles. (Ver Mt 23:14). Quantos líderes das igrejas evangélicas ortodoxas de nossos dias tiram proveito dos sentimentos de mulheres idosas e as encorajam a «lembrarem da igreja» em seus testamentos, assim furtando a família dessas viúvas? Outros se têm enriquecido através de campanhas de evangelização e de curas, que atraem muitos milhares de pessoas. Mais de um «evangelista» de nossa época se tem feito um milionário. Portanto, é possível que pessoas «ortodoxas» se envolvam na «comercialização» da fé cristã.

Os falsos mestres tiravam bom proveito de suas «atividades religiosas». Eles anelavam por satisfazer seus desejos físicos; cobiçavam dinheiro. A acusação de avareza é lançada contra os falsos mestres mediante os termos «...palavras fictícias...» O evangelho gnóstico, que parecia tão bom e atrativo, uma vez apanhada a atenção dos símplices, para os falsos mestres se transformava em um meio de vida, em uma fonte de ganhar dinheiro ilicitamente. O autor sagrado, pois, contrasta essa corrupta mensagem com a «verdade» (o evangelho pregado pelos apóstolos, ver o segundo versículo deste capítulo). Assim, também Paulo falou sobre homens sinceros em contraste comOS que «mercadejam» com a Palavra de Deus (ver 2 Co 2:17; comparar também com Tg 4:13). Os falsos mestres exploravam o sexo e as aventuras financeiras. Eram exploradores do corpo das mulheres que de nada suspeitavam, bem como exploradores financeiros dos discípulos que conseguiam fazer. Não admira que epístolas como as de Colossenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, 2 Pedro, Judas e as três epístolas de João tivessem sido escritas contra tais homens. É triste a situação quando homens supostamente espirituais se tornam «comerciantes, e não profetas».

«...para eles, o juízo lavrado há longo tempo não tarda...» Isso concorda com outras passagens bíblicas que pintam o pecado como algo que Se acumula, envolvendo uma condenação necessária, até que o cálice encha e transborde, na forma de um severo e final julgamento. A acumulação de pecado não pode resultar em julgamento «tardio». Espumeja e ferve, até que resulta em julgamento.

«O juízo é representado como algo vivo, desperto e expectante. Desde há muito o juízo deu início à sua carreira, em sua vereda destruidora; e a sorte dos anjos que caíram, e o dilúvio e a destruição de Sodoma e Gomorra foram apenas ilustrações incidentais de seu poder; e desde então não se tem mostrado tardio... “Continua avançando, forte e vigilante como quando a princípio saltou do peito de Deus, e não deixará de atingir o alvo que lhe foi apontado desde a antigüidade». (Salmond e Lillie).

«O juízo foi proferido desde a antigüidade no caso de muitos pecadores similares; não é letra morta, e também sobrevirá prontamente aesses homens». (Bigg, in loc).

O autor sagrado tinha em mente o julgamento que será inaugurado pela «parousia», um fato que ele não via como distante. Então é que o julgamento será levado à sua plena fruição (ver o nono versículo). O presente versículo ensina, como o N.T. o faz por toda a parte, que o «julgamento» terá lugar quando da «parousia» ou segundo advento de Cristo, e não quando da morte física do individuo. embora, sem dúvida, algumas formas preliminares de julgamento se verifiquem no «mundo intermediário», tal como sucede até mesmo neste mundo. O que fica implícito em 1 Pe 4:6, em vinculação com 1 Pe 3:18-20, é que, até ao tempo da «parousia», a redenção é possível, embora sempre por intermédio de Cristo e da fé nele.

«...não dorme...» Trata-se o julgamento de algo como que vivo, que tem um desígnio e um propósito inevitáveis. O termo aqui traduzido por «dorme» é o mesmo aplicado às virgens imprudentes da parábola de Mt 25:5. No dizer de Strachen, in loc, em Is 5:27 essa palavra «...é usada para indicar os instrumentos da ira de Deus, utilizados contra aqueles que são culpados de abusos sociais». (Este versículo pode ser comparado com 1 Tm 6:5, onde a obtenção de dinheiro é vinculada à «impiedade», como se a profissão religiosa falsa fosse meio de iniqüidade).

A justiça é inevitável. A demora aparente não é prova de que a justiça foi esquecida neste mundo. Precisamos postular uma justiça eventual, que trará a retribuição ou o galardão. É óbvio que isso não ocorre plenamente neste mundo. Contudo, confiamos em Deus, de que ele trará isso eventualmente. De outro modo, este mundo seria governado caoticamente. Moralmente falando, deve existir Deus, porquanto somente a «divindade» pode ter inteligência e poder suficientemente profundos para saber como julgar e galardoar. Por conseguinte, a imortalidade também deve ser um fato, pois neste mundo isso não se cumpre. Assim, pois, a concretização da justiça deve esperar o mundo posterior, e os homens deverão sobreviver à morte física, a fim de poderem ser julgados. Há uma eterna lei da colheita, segundo a semeadura, a qual se aplica a todos os homens. (Ver Gl 6:7,8). Até mesmo os crentes receberão aquilo que tiverem praticado«...por meio do corpo», no dizer de 2 Co 5:10. 
Bibliografia Champlin.comentario bíblico do novo testamento 2010



Os FALSOS MESTRES PRENUNCIADOS (2.1-3)


Tendo mostrado o uso errado da "profecia da Escritura" (1.20), Pedro prossegue na sua exposição do perigo dos falsos profetas.Semelhantemente aos falsos (pseudo) profetas dos tempos do Antigo Testamento (Dt 13.1-5; Is 28.7; Jr 6.13,14; Ez 13.9,10; Mq 3.11), essas pessoas introduzirão (na Igreja) encobertamente (de modo secreto, semelhantemente a um traidor no acampamento) heresias de perdição — isto é, "heresias marcadas para a destruição". Por meio dessas heresias, os falsos doutores estão "negando o próprio senhor que os comprou, trazendo destruição sobre suas cabeças" (NEB).

Vincent nota que a palavra heresias no grego significa uma escolha. Assim, "uma heresia é, estritamente, a escolha de uma opinião contrária àquela geralmente acolhida; por essa razão, transferida ao corpo daqueles que professam suas opiniões e, portanto, formam uma seita". A natureza desses movimentos sectários é propagar ensinamentos heréticos, levar, como ave de rapina, membros de congregações existentes e criar divisões, causando grande estrago na obra de Cristo no mundo quando "convertem em disso­lução a graça de Deus" (Jd 4). Não é de admirar, então, que o ensinamento herético tem sido um instrumento primordial de Satanás para lançar sementes de discórdia e sufocar o progresso da evangelização mundial (Mt 13.24-30). Também não é de admirar que os apóstolos denunciaram a heresia de forma veemente, porque o ensinamento herético é geralmente o inimigo traiçoeiro da santidade e da justiça! Essa heresia é perigosa porque a santificação do espírito humano ocorre pela crença na verdade divina (2 Ts 2.13). Portanto, crer numa mentira, embora inocentemente propagada, é atrair sobre si possí­vel condenação (2 Ts 2.9-12). A forte afinidade entre heresia e moralidade depravada, de acordo com esse capítulo, ilustra o estímulo recíproco que um dá ao outro — ambas agindo como causa e efeito. O critério para detectar a heresia no ensinamento cristão é reconhecer se ela nega o senhorio de Jesus Cristo. Esse ensinamento pode ser uma rejei­ção deliberada ou involuntária da verdade revelada, aceitando posições contraditórias em seu lugar.

O fato de que muitos seguirão as suas dissoluções (2; "práticas libertinas", ARA) é evidência de que o coração do homem, à parte da graça divina, é muito propenso à corrupção e ao erro. Por causa dessas pessoas enganadas, será blasfemado o caminho da verdade. O perigo está sempre presente por causa do esforço desses falsos mestres de fazerem negócio, aproveitando-se do povo de Deus com palavras fingidas (falsas). A avareza (3; obsessão insaciável) dos líderes heréticos tem sido interpretada por alguns como o desejo por ganhos financeiros e por outros aspectos como a ânsia em ganhar seguidores. Em ambos os casos, a motivação é egocêntrica em vez de "cristocêntrica". Pedro adverte tanto a líderes quanto a seguidores que sobre tais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição (destruição) não dormita. A NVI traduz esse texto da seguinte maneira: "Há muito tempo a sua condenação paira sobre eles, e a sua destruição não tarda".

Bibliografia E. Fuhrman


Os falsos mestres introduzem heresias de perdição 

"Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores!" Mt 7.15Aquele que não estiver alicerçado na Palavra de Deus poderá se tornar uma presa fácil para os falsos mestres.Instruir o povo quanto à presença dos falsos mestres;Revelar suas características e saber como identificá-los;Mostrar qual será o fim daqueles que vivem em dissolução. 
2Pe 2.1            E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirãoencobertamente here­sias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. 2Pe 2.2            E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade; 2Pe 2.3            E, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita. 2Pe 2.9            Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos e reservar os injustos para o Dia de Juízo, para serem castigados,
2Pe 2.10          Mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia e desprezam as dominações. Atre­vidos, obstinados, não receiam blasfemar das autoridades;
2Pe 2.17          Estes são fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva;
2Pe 2.22          Deste modo, sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito; a porca lavada, ao espojadouro de lama.  
  
"Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema" (Gl 1.9).
O cristão não deve jamais perder de vista as diretrizes da Palavra de Deus em todos os sentidos, porque elas, por serem divinas, são completas, finais e imutáveis.
A lição deste semana trata de um assunto muito atual: a propagação de falsos mestres na igreja. O apóstolo Pedro comparou os falsos mestres que assolavam a igreja em sua época, aos falsos profetas que, no antigo Israel, perturbavam o povo de Deus com seus desvios e mensagens mentirosas. Aqueles hereges, como os de hoje, aproximam-se do rebanho apenas com interesses pessoais e escusos, sem qualquer compromisso com a vida santa que deve caracterizar os homens de Deus. 
A condenação desses homens malignos é certa e terrível. Todo aquele que introduz heresias destruidoras na igreja, traz súbita destruição para si mesmo. Tais pessoas em breve serão julgadas por tudo o que praticam contra o próprio Deus.
Desde os primórdios da igreja, falsos mestres têm perturbado o povo de Deus disseminando heresias e feito desviar dos caminhos do Senhor muitos crentes incautos. É necessário e urgente que o povo santo de Deus esteja de "olhos abertos" para não ser ludibriado por esses emissários do Inferno. É mister que os salvos tenham discernimento e conheçam suas principais características e modo de atuação. 
Geralmente os falsos mestres têm enorme interesse pela popularidade. Vivem à procura de benesses e mantêm um modo de vida caracterizado pela luxúria, além de serem atrevidos, arrogantes e blasfemos. Sua mensagem é fingida e, normalmente, negam o Senhor Jesus, que os resgatou. 
A Igreja do Senhor não pode se deixar levar por esses ardilosos inimigos da obra. Precisamos combatê-los e refutá-los severamente com a Palavra de Deus.
São homens astuciosos que dizem ser autênticos porta-vozes de Deus. Todavia, sua mensagem prova que são impostores procurando desarraigar e desviar o santo rebanho para longe da verdade e do Sumo Pastor, suscitando dúvidas e desordens de todo o tipo. 
Deus não se deixa escarnecer. Esses obreiros da iniqüidade receberão no juízo do Todo-Poderoso o galardão da injustiça, e perecerão na sua própria corrupção. 
Características dos falsos mestres
Assim como no Antigo Testamento surgiram diversos falsos profetas que desviavam o povo de Deus, muitos falsos mestres infiltraram-se na igreja no início da era cristã, conturbando-a e causando grande estrago. Hoje a situação não é diferente. Há falsos obreiros espalhados por todos os lugares. Precisamos estar alertas para não sermos engodados por ensinos errôneos. No intuito de advertir-nos, a Palavra de Deus nos apresenta várias características que facilitam a identificação dos falsos profetas ou falsos mestres. 
1. Interesse na popularidade. Os falsos profetas descritos no Antigo Testamento estavam mais interessados em serem pessoalmente populares. Não era do seu interesse dizerem a verdade. Eles falavam para agradar o povo. Anunciavam e tinham visões de paz quando Deus dizia que não haveria paz (Ez 6.14; 13.16). Nos tempos do rei Acabe, Zedequias (o falso profeta) afirmou que Israel venceria os sírios. Micaías, o profeta de Deus, predisse o desastre se Acabe fosse à guerra. Como Zedequias era popular e sua mensagem agradável, Acabe não se intimidou, saiu à guerra contra os sírios e pereceu tragicamente (1 Rs 22). Algo parecido aconteceu nos tempos de Jeremias (Jr 28). Uma das características dos falsos mestres é dizer aos homens o que lhes agrada, e nunca mostrar-lhes a verdade de Deus de que precisam. Sua meta é a popularidade, e seu critério, o aplauso.
2. Busca de benefícios pessoais. "Seus sacerdotes ensinam por interesse e os seus profetas adivinham por dinheiro" (Mq 3.11). Ensinam "o que não convém, por torpe ganância" (Tt 1.11). Divulgam a piedade como causa de ganho, fazendo do Cristianismo uma atividade comercial (1 Tm 6.5). 
Os falsos mestres procuravam tirar proveito de suas atividades religiosas. Apanhavam os incautos com seu "evangelho corrupto", e do fruto disso eles tornavam em uma fonte para ganhar dinheiro ilicitamente. Epístolas como Colossenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, 2 Pedro, Judas e as três epístolas de João foram escritas contra estes falsos ensinadores (Sl 14.4).
3. Tinham vida dissoluta (v.2). Em 2 Pe 2.2, o termo "dissoluções" equivale a "práticas libertinas". Isso indica que os falsos mestres entregavam-se às depravações sexuais e outras práticas e hábitos abomináveis. Por causa da imoralidade deles e de seus muitos seguidores, o Cristianismo estava sendo difamado. O mesmo acontece hoje, quando vemos na televisão e nos jornais, falsos obreiros sendo acusados de imoralidade. Os não-crentes, ao tomarem conhecimento disso, acabam generalizando e por causa do procedimento imoral de alguns todos são difamados
A Bíblia relata que em diversas circunstâncias o nome de Deus foi blasfemado por causa da vida indigna de muitos dentre o seu povo (ver Rm 2.24). Pedro já havia abordado esse assunto em sua primeira epístola. Ver 1 Pe 3.16; 4.14,15; Tg 2.7; Tt 2.5. 
4. Eram atrevidos, arrogantes e blasfemos (v.10). Os falsos mestres não tinham o menor respeito por ninguém. Blasfemavam das coisas celestiais e não respeitavam as autoridades eclesiásticas. Eram presunçosos e não hesitavam em desafiar os homens ou até mesmo a Deus. Andavam arrogantemente pelos seus próprios caminhos, não importando qual fosse o resultado dos seus atos pecaminosos. É possível que você já tenha se deparado com pessoas com essas características. Fuja imediatamente delas! 

A mensagem dos falsos mestres

1. Mensagem fingida (vv.1-3). Os falsos mestres nunca entravam numa comunidade dizendo aberta e claramente quem eram e em que criam. Mostravam-se astutos, procurando firmar o pé antes de dizerem sua posição. O termo original usado no versículo 1 corresponde a "agir secretamente com malícia". Isso implica que não agiam publicamente, mas ensinavam em cultos particulares, clandestinos, inclusive nos lares. Paulo também advertiu-nos a respeitos daqueles que entram nas casas dos crentes para ensinarem outras doutrinas e desviarem famílias inteiras da verdade (2 Tm 3.62). É assim que age o espião e o traidor, com os propósitos de prejudicar e destruir, ocultando a sua verdadeira intenção. Aqueles eram mestres que, por um espírito de ganância, comercializavam o evangelho: transmitiam ensinamentos atraentes mas errôneos, em troca do dinheiro de suas vítimas, a fim de promover ainda mais seus ministérios e sustentarem seu luxuoso padrão de vida. 
Eles não se apresentam como adversários do Cristianismo; pelo contrário, aparecem como os mais refinados frutos da igreja cristã. De forma insidiosa, inconsciente e imperceptível, as pessoas vão sendo seduzidas e afastadas da verdade de Deus. 
Oremos insistentemente ao Senhor pedindo-lhe que nos guarde desses mensageiros do Inferno.
2. Negavam o Senhor que os resgatou. Não viam valor algum na morte de Cristo como expiação definitiva pelo pecado. Muitos deles afirmavam que a natureza humana de Cristo era ilusória; sua vida como homem era apenas uma ficção, e os sofrimentos de Cristo não foram reais, invalidando assim o valor da expiação por Ele efetuada. 
Natureza humana de Cristo (O Filho de Deus reuniu as naturezas divina e humana. Sendo homem, sentiu o peso que aflige os mortais; sem cometer, porém qualquer pecado (Jo 1.14; Gl 4.4; Hb 2.14,17,18)).

Refutando a mensagem dos falsos mestres

1. A expiação de Cristo. Os Falsos mestres negavam a doutrina da expiação de Cristo como algo que tem valor para o retorno do homem a Deus. Para eles, Cristo não era um Salvador todo-suficiente, mas era apenas um dos que contribuiriam para a salvação da humanidade. Não viam qualquer valor em sua morte como expiação definitiva pelo pecado. Sua mensagem contrasta com a do Novo Testamento, que apresenta Cristo como o Salvador de todos os homens (Cl 1.20; 1 Tm 2.5).
2. A santificação. O evangelho nos ensina que a santidade é imprescindível para a salvação (2 Ts 2.13; 1 Ts 4.32). Na vida do crente a santificação deve ser uma realidade diária. Não pode haver salvação sem esta santidade (Hb 12.14).
Os falsos mestres ensinavam que a depravação moral ajudaria a destruir o corpo, sem que a alma fosse prejudicada. Ora, o que a Palavra ensina é que tanto a alma quanto o corpo são santos e que ambos serão finalmente remidos (1 Co 15.20, 35,42,43).

O fim dos falsos mestres

1. A destruição deles não dorme. O julgamento dos falsos mestres tem um desígnio e um propósito inevitáveis, por causa de sua natureza hipócrita. A demora aparente não é prova que o juízo foi esquecido. Há uma lei espiritual eterna da colheita, segundo a semeadura, que se aplica a todos os homens (Gl 6.7,8). O pecado não perdoado se acumula, até que, como cálice, transborde, trazendo um severo e final julgamento divino (Rm 2.5; Ap 18.5,6; Is 51.17,22).
2. A misericórdia divina em meio ao juízo (vv.5-7). Vemos aqui a misericórdia de Deus em meio ao juízo. Assim como aconteceu com Noé e sua família e , haverá livramento para os que permanecerem fiéis ao Senhor.
Concluindo
Os falsos profetas estão hoje infiltrados por toda parte, procurando desviar os crentes incautos, da verdade. Embora declarem-se líderes espirituais, sua real preocupação é com as coisas materiais; seu único desejo é satisfazer os apetites da carne. Devemos saber identificá-los e refutar seus nefastos ensinos, divorciados da Palavra de Deus. Para isto é mister que estejamos em perfeita comunhão com o Todo-Poderoso, caso contrário, seremos confundidos e enganados com seus erros.
"O amor e a lealdade do crente a Cristo e à Palavra de Deus devem levá-lo a rejeitar e considerar inimigo do evangelho de Cristo qualquer crente professo (ministro ou leigo) que não for zeloso da 'doutrina de Cristo' e dos apóstolos (v.9). Todos aqueles que distorcem a doutrina bíblica e a ela se opõem, não devem ser recebidos na comunhão da igreja.
1) Deus adverte o crente a ter cuidado, para não aceitar os falsos ensinos (v.8). É preciso cuidado, porque 'já muitos enganadores entraram no mundo' (v.7).
2) O crente deve classificar todos os enganadores que não permanecem na doutrina de Cristo, como mestres sem Deus (v.9) e sob condenação divina (Gl 1.9).
3) Deus proíbe o crente de apoiar ou sustentar financeiramente o trabalho de tais mestres e de participar do mesmo. Isso seria participar com eles na oposição dos ensinadores que transigem com a verdade (v.11).
4) Essas palavras solenes de João, inspiradas pelo Espírito Santo, são uma ofensa para muitos na igreja hoje. Acham que a admoestação de João está destituída de amor ou espírito de união. Porém, o ensino de João parecerá errado somente para quem não tem interesse pela glória de Cristo, pela autoridade da Palavra de Deus e para as pessoas que se destroem pelo seu repúdio à verdade de Deus". (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, pág. 1968).
"O estado dos crentes que se misturam com os falsos mestres. O pecado é verdadeiramente uma servidão, e traz consigo o próprio castigo. Haja vista o que acontece com os falsos profetas e suas vítimas. Terminam num estado simplesmente lastimável; pior que antes (2 Pe 2.20). Os pecadores que jamais ouviram o Evangelho têm maior esperança de arrependimento do que aqueles que, embora tendo-o um dia conhecido, apostataram de fé. São cães que voltaram ao próprio vômito (2 Pe 2.22).
Essa ilustração pode não ser agradável, mas descreve muito bem o estado de quem abandona a verdade de Cristo.
Pedro insta-nos a que nos afastemos dos falsos mestres, para que não sejamos vítimas de suas manobras. Estejamos, pois, sempre prontos para apresentarmos as razões da esperança que há em nós" (Sempre Prontos, CPAD, pág. 98).
Bibliografia E. Lira

Acautelai-vos dos falsos mestres (2:1-3)

O pensamento de Pedro ainda demora-se nas profecias do Antigo Testamento. Em Israel no meio do povo surgiram falsos profetas além dos verdadeiros; e agora a histó­ria estava se repetindo. Seus leitores tinham falsos mestres no seu meio. Ao descrevê-los neste capítulo, oscila entre o tempo presente e o futuro, conforme faz Paulo num contexto semelhante em 1 Timóteo 4:1 ss. Sem dúvida, isto é porque vê que cumprem as profecias tanto do Antigo Testamento quanto de Jesus (Dt 13:2-6; Mt 24:24, etc.). Sempre tem havido falsos mestres entre o povo de Deus, e sempre os haverá.

Que esta é a interpretação correta da mudança de tempo verbal, e não, conforme alguns sustentam, a falta dalgum escritor do século II de ser consistente nos seus arcaísmos (i. e., continuamente deslisa para o tempo presente) é sugerido por uma passagem em Justino Már­tir (m. 165 d.C.) que cita esta passagem. Diz ao judeu Trifão: "E as­sim como havia falsos profetas contemporâneos com vossos profetas santos, assim também há muitos falsos mestres entre nós, contra os quais nosso Senhor nos advertiu a precaver-nos. Muitos deles ensina­ram doutrinas ímpias, blasfemas e profanas, falsificando-as em nome dEle; ensinaram, também, e continuam ensinando, aquelas coisas que procedem do espírito imundo do diabo."

Falsos profetas podem significar que falsamente alegavam ser profetas, ou que profetizavam coisas falsas; provavelmente os dois. Os homens eram tão indignos de confiança quanto a mensagem. Mayor fez uma coletânea interessante das características dos falsos profetas que estavam marcantemente presentes na situação à qual Pedro se dirige. Seu ensino era bajulação; suas ambições eram finan­ceiras; suas vidas eram dissolutas; sua consciência era amortecida, e seu alvo era o logro (ver Is 28:7; Jr 23:14; Ez 13:3; Zc 13:4). Povo tra­duz laos, palavra esta que é empregada para o povo de Deus na LXX bem como no Novo Testamento. Conforme os discursos atribuídos a ele em Atos, e conforme o ensino em 1 Pedro também, Pedro declara que os cristãos foram incorporados no verdadeiro Israel de Deus; não há nenhuma dicotomia entre o Antigo Testamento e o Novo.

Estes falsos mestres (note-se a rápida mudança de pseudoprophetai para pseudodidaskaloi, o que sugere que talvez os falsos mes­tres nãofizeram, afinal das contas, muitas pretensões quanto a serem profetas) são o tipo de homens (hoitines) que sempre serão achados introduzindo dissimuladamente ou sub-repticiamente pontos de vista heréticos. O verbo introduzir (pareisagein) tem duas implica­ções: significa "trazer para dentro lado a lado com" (sc. o ensino ver­dadeiro) e também "introduzir secretamente" (cf. Gl 2:4).

Heresias destruidoras (lit. "de destruição" — outro hebraísmo) significa opiniões que destroem a verdadeira fé. A palavra hairesis (lit. "escolha") era aplicada a um partido ou seita (cf. At 5:17; 15:5) ou aos pontos de vista sustentados por semelhante seita. Nos escritos paulinos, a tendência a divisões (Gl 5:20; 1 Co 11:18-19) e a indepen­dência arrogante (Tt 3:10) são as ênfases heréticas relevantes, mas já nos tempos de Inácio (c. de 110 d.C.) a palavra é usada em nosso sen­tido de "falsa doutrina."

O efeito do seu ensino foi que foram até ao ponto (kai) de renega­rem o Soberano Senhor que os resgatou. Esta frase fascinante nos mostra algo daquilo que a cruz significava para nosso autor, porque resgatou enfatiza tanto a seriedade da triste situação do homem quanto o alto custo do livramento efetuado por Cristo (cf. Mc 10:45; 1 Tm 2:6; Ap 5:9). A palavra agorazõ é empregada para a redenção de Israel para fora do Egito (cf. 2 Sm 7:23). Na cruz, como no Êxodo, vemos a inter­venção pessoal de Deus em prol do Seu povo, não somente para livrá-lo de um triste destino de escravidão e morte, mas também para redimi-lo "para ser seu povo", conforme Samuel 7:23continua. Deus redime o homem afim de que o modo de vida transformado deste seja um crédito ao seu Salvador; a fim de que, conforme a expressão em 1 Pedro 4:2, "já não viva de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus".

Ora, estes falsos mestres entendiam, sem dúvida, a libertação oferecida pela cruz de Cristo; a liberdade era um dos seus brados de guerra (2:19). Mas não reconheciam o viver santo imposto pelo Cruci­ficado. Mediante suas vidas negavam o Senhor que os comprou. O cristianismo é, realmente, uma religião de liberdade; mas também exige amoroso serviço totalmente dedicado a Jesus, o Redentor. Pau­lo, Judas, Tiago e outras personalidades de destaque no Novo Testa­mento deleitavam-se em chamar-se Seus douloi, "escravos". Os fal­sos mestres não eram assim. É interessante que um movimento liber­tino semelhante em Corinto elicitou uma resposta semelhante, em pa­lavras semelhantes, de Paulo (1 Co 6:19, 20; 7:23).

Nosso autor está em harmonia com o restante do Novo Testa­mento (ver Rm 6 e Hb 10) ao asseverar claramente que o homem não podecorrer com a caça e também com os caçadores. O homem que procura servir a Deus e também ao seu próprio-eu está na estrada larga para a repentina destruição, pois ou a morte ou a parusia o cor­tará no meio da sua carreira. (Para um uso semelhante de tachinē,"repentino", "dentro em muito breve", para a morte do próprio Pe­dro, ver 1:14).

A negação do Senhor que os resgatou é primariamente ética, e não intelectual. Tem dois efeitos. Primeiramente, espalha-se para infeccionar outras pessoas, razão por que Pedro, neste capítulo, é tão veemente nas suas condenações. Em segundo lugar, traz descrédito à causa cristã. O tema de o nome de Deus ser blasfemado por causa da vida insatisfatória do Seu povo é um lugar-comum na Bíblia (ver Rm 2:24; e Is 52:5, que influenciou tanto a idéia geral quanto a forma es­pecífica de expressão aqui; o tempo futuro é devido a esta alusão). Pedro, não sem justo motivo, já se mostrara muito sensível neste as­sunto em 1 Pedro 3:16; 4:14-15. Os relatos confusos dos excessos cristãos que se acham em escritores pagãos tais como Tácito, Suetônio e Celso mostram quão necessário era para os cristãos viverem vidas inculpáveis (ver Tg 2:7; At 19:9; Tt 2:5; Rm 2:24).

Aselgeia (práticas libertinas) é uma palavra forte para a imorali­dade temerária e endurecida, a própria antítese do caminho da ver­dade(ou "o caminho verdadeiro", NEB, se o genitivo alētheias for um hebraísmo). Existe um só caminho da verdade, o próprio Je­sus Cristo (Jo 14:6); é por isso que a negação dEle é a mesma coisa que o afastamento da verdade. NEle, pois, os aspectos éticos e cognitivos da verdade (enfatizados, respectivamente, pelo pensamento hebraico e grego) estão coerentes. A frase o caminho da verdade advém de Salmo 119:30, e ocorre na literatura do início do século II, não so­mente na Apologia de Aristides, como também no Apocalipse de Pe­dro. As duas citações parecem ser alusões a esta passagem, pois a frase não se acha em qualquer outra parte do Novo Testamento. São alusões casuais como estas que fortalecem a causa em prol de uma data recuada para esta Epístola, visto que a data da Apologia bem como do Apocalipse é de c. de 130 d.C.

O comentário de Calvino sobre este versículo é muito apto: "Nada há que perturbe as mentes piedosas tanto quanto a aposta­sia... Para evitar que ela destrua nossa fé, Pedro interpõe a predição tempestiva de que esta mesma coisa acontecerá."

Se v. 2 fala da imoralidade dos falsos mestres, v. 3 diz respeito à sua ganância e à sua condenação. É instrutivo contrastá-la com 1 Tessalonicenses 2:5, onde Paulo nega que é um mestre deste tipo, como os sofistas do mundo greco-romano, cuja preocupação principal não era a verdade, mas, sim, o sucesso no argumento. Este fato ex­plica a referência às palavras fictícias, ou argumentos falsos, que ti­nham o propósito, não de ajudar os ouvintes, mas, sim, de espoliá-los (daí a menção da avareza). O verbo emporeuomai, fazer comércio de, tem um fundo comercial, "explorar" (RSV), "fazer dinheiro com". Como os falsos mestres em 1 Timóteo 6:5, estes homens pensavamque o cristianismo pudesse ser fonte de ganho comercial para si mesmos.

Os termos em que Pedro retrata a perdição dos hereges, neste versículo e no seguinte, parecem afetados e estereotipados a Käsemann. "O inimigo", ele alega, "é posto fora de combate de modo muito primitivo; primeiramente, por meio de acusá-lo de depravação moral, depois, por meio de fazer chover sobre ele provérbios bem es­colhidos (como no v. 22.), e, em terceiro lugar, por meio de pintar o castigo dos heréticos em termos lúgubres." Sem dúvida, condena­ções rigorosas tais como aquela que Pedro pronunciou parecem anti­quadas e inapropriadas aos leitores no século XX, porque, em grande medida, perdemos qualquer sentido do perigo diabólico do falso ensi­no, e ficamos tão embotados quanto à distinção entre a verdade e a falsidade como ficamos quanto à distinção entre o certo e o errado no comportamento. Mas é impossível estar sensível, como estava Pe­dro, à importância ética e intelectual do "caminho da verdade" (i.e., o próprio Jesus) sem ficar enfurecido quando aquele caminho é des­considerado, mormente pela igreja. Pedro reitera que o juízo, pro­nunciado há muito tempo no Antigo Testamento, está iminente (lit. "desde a antigüidade não tem sido ocioso", RSV). Para o pensamen­to, ver sobre Judas 4 (cf. 1 Pe 4: 17). Termina, dizendo que sua destruição (é a terceira vez em três versículos que apōleia foi usada) não está "começando a dormitar." NEB interpreta bem: "a perdição os aguarda com olhos insones." A única outra ocorrência no Novo Tes­tamento desta palavra vivida é aplicada às virgens sonolentas em Ma­teus 25:5.

Bibliografia M. Green




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